23/01/2008 – Clipping Educacional
O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.
DE
O ESTADO DE SÃO PAULO – 23/01/2008
Governo promete usar lei de greve
Pela interpretação do STF, funcionários públicos terão de negociar antes de iniciar paralisação, que não pode ser total
Fabio Graner, BRASÍLIA
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou ontem que o governo vai se valer da decisão tomada no ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em caso de greves dos servidores públicos. Em outubro do ano passado, o Supremo decidiu que a lei que regulamenta as greves do setor privado também pode ser aplicada aos servidores públicos. Assim, os grevistas não mais poderão interromper totalmente a prestação de serviços à população, terão de negociar antes de iniciar a paralisação e informar previamente as autoridades sobre a possibilidade de cruzarem os braços.
Segundo Bernardo, diante da extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que representa uma frustração de receitas da ordem de R$ 40 bilhões, o governo não teve alternativa além de suspender as negociações de reajustes salariais. No projeto de lei orçamentária enviado ao Congresso pelo governo, a previsão era de um crescimento de R$ 12 bilhões na folha de pagamentos da União em 2008. Mas o Ministério do Planejamento não informa quanto desse valor seria relativo a acordos salariais que ainda não se tornaram leis e, portanto, foram suspensos.
Categorias como os servidores da Advocacia-Geral da União (AGU), que iniciou greve na semana passada, afirmam que o governo, quando assinou o acordo para reajuste salarial, não o vinculou à manutenção do imposto do cheque. Bernardo alegou que não era necessário explicitar isso nos acordos porque é um pressuposto da administração pública que despesas novas tenham receitas para garanti-las.
O ministro disse que o governo continuará negociando com os servidores, mas destacou que é preciso considerar o quadro orçamentário diferente, provocado pelo fim da CPMF em
Cerca de 770 mil funcionários da União, de 28 setores representados pela Confederação Nacional de Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), podem entrar em greve diante da baixa probabilidade de reajustes. Embora fale em negociar, Bernardo já disse, em outras ocasiões, que isso só poderá ocorrer depois que o Orçamento tiver sido ajustado à nova realidade financeira do governo.
Impasse pode ser resolvido na Justiça
Decisão do Supremo dá aval para cortar salários e contratar substitutos
Felipe Recondo, BRASÍLIA
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu em outubro que, na falta de legislação específica aprovada pelo Congresso, vale para as greves do funcionalismo a mesma regra imposta aos trabalhadores da iniciativa privada, a Lei 7.783, de 1989.
Com a falta de regulamentação pelo Congresso desde a Constituição de 1988, os servidores podiam parar de trabalhar por tempo indefinido e dificilmente eram punidos com corte de salário ou obrigados a repor os dias parados.
A decisão do Supremo de dar ao servidor público o mesmo tratamento do trabalhador do setor privado valerá até que o Congresso aprove lei específica para o funcionalismo público. Na Casa Civil, já há um anteprojeto de lei. No entanto, não há previsão de quando será encaminhado ao Congresso.
Com isso, os grevistas do setor público passaram a ser obrigados, por exemplo, a comunicar à chefia a intenção de entrar em greve com 48 horas de antecedência e a manter, em serviços essenciais, como abastecimento de água e controle do tráfego aéreo, parte dos servidores trabalhando. Em caso de descumprimento dessas regras, o governo pode acionar a Justiça para que a greve seja considerada abusiva.
A lei autoriza, ainda, que o empregador - no caso do funcionalismo público, a União - corte o ponto de quem participar da greve e contrate substitutos para assegurar a manutenção de serviços cuja paralisação possa provocar danos irreparáveis a máquinas e bens.
Caberá à Justiça, acionada por qualquer uma das partes ou pelo Ministério Público, decidir se procedem as reivindicações dos grevistas.
Essas novas determinações já foram atendidas na greve dos advogados da União, segundo o Fórum Nacional da Advocacia Pública Nacional.
O ESTADO DE SÃO PAULO – 23/01/2008
Gêmeas conseguem na Justiça estudar juntas
Apenas uma das meninas havia conseguido vaga em sorteio para escola
Felipe Werneck, RIO
Gêmeas univitelinas, Susy e Sandy completam 6 anos em fevereiro, mas desde já comemoraram juntas uma decisão de primeira instância da Justiça do Rio. O juiz Carlos Gustavo Vianna Direito deferiu uma liminar requerida pelo pai das meninas, Edimar de Sousa Dutra, para que o Instituto de Aplicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) conceda “imediatamente” uma vaga e matricule Sandy no 1º ano do ensino fundamental (antigo primário).
O ingresso na escola da Uerj é feito por meio de sorteio público, e apenas Susy havia conseguido uma vaga, em dezembro. “O objetivo (da ação movida contra o instituto) era preservar a boa unidade familiar. O vínculo entre elas é muito forte”, argumentou o pai, que é oficial de Justiça e mora com as filhas no Méier, bairro da zona norte do Rio.
MODELO
O Instituto de Aplicação da Uerj fica no Rio Comprido, também na zona norte da cidade. A escola, que é braço acadêmico da universidade estadual, tem suas origens no antigo Colégio de Aplicação, que, ao longo de sua existência, sempre ocupou posição de vanguarda na área da educação, funcionando como um centro de excelência de ensino, pesquisa, extensão e estágio. A escola oferece ensino gratuito de qualidade.
De acordo com o pai das meninas, o eventual distanciamento das irmãs gêmeas porque Sandy não conseguiu uma vaga no concurso para admissão “poderia resultar em prejuízo emocional” para as meninas.
O argumento foi aceito pela Justiça. O juiz Direito citou, em sua decisão, o Projeto de Lei nº 7.184, do ex-deputado Moreira Franco (PMDB), que tramita na Câmara dos Deputados desde 2006 e pretende alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“Os gêmeos possuem seqüência de DNA idêntica, em razão, no caso de univitelinos, da bipartição de um único embrião. Este histórico - como destacado no referido projeto de lei - deve nos levar a respeitar a importância da educação inicial conjunta de gêmeos, sob pena do seu comprometimento futuro”, escreveu o juiz em sua sentença, com a ressalva de que “a situação aqui é excepcional e deve ser tratada como exceção”.
‘POR QUE SÓ OS GÊMEOS?’
Maria Célia Mendonça, vice-diretora do Instituto de Aplicação, disse ontem que ainda não havia sido notificada da decisão judicial. “Provavelmente vamos recorrer. Compreendemos a preocupação da família, mas há controvérsias. Por que só os gêmeos? Há irmãos que também são muito ligados”, afirmou a diretora.
“Acreditamos nos indivíduos. A separação também pode ser um momento de crescimento. Gêmeos não necessariamente devem ficar colados.” De acordo com Maria Célia, já houve pedidos semelhantes, para aceitar alunos, feitos à direção. Eles sempre foram negados. A decisão judicial para incluir a irmã de Suzy é inédita na escola.
O ESTADO DE SÃO PAULO – 23/01/2008
MEC vai fiscalizar escolas comunitárias
O Ministério da Educação vai supervisionar, a partir de fevereiro, 65 escolas técnicas comunitárias que receberam recursos do Programa de Expansão da Educação Profissional (Proep). As escolas que não cumpriram as exigências do contrato, como gratuidade de vagas, formato e conteúdo dos cursos, poderão ser federalizadas. As escolas comunitárias receberam cerca de R$ 250 milhões para 99 projetos em 2007.
O ESTADO DE SÃO PAULO – 22/01/2008
Um quarto dos jovens não fica 8 anos na escola
Na outra ponta, só 4,5 milhões, ou 12,4%, estão na faculdade
Um quarto dos brasileiros entre 18 e 29 anos não conseguiu nem mesmo completar o ensino fundamental. São quase 9 milhões de jovens sem escolaridade básica. Desses, 816 mil são analfabetos. Os dados, levantados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), servirão para o governo tentar melhorar o foco de sua política de juventude, especialmente o ProJovem, programa voltado para pessoas dessa faixa etária que não conseguiram terminar o ensino fundamental e têm dificuldades para achar emprego.
A maior parte dos jovens que não concluíram o ensino fundamental está nas cidades, onde o acesso à escola deveria ser mais fácil. São 6,4 milhões. Os outros 2,6 milhões estão em zona rurais. Na outra ponta, apenas 12,4% dos jovens de
Atualmente, 7 milhões de brasileiros entre 18 e 24 anos não estudam nem trabalham, de acordo com a Pnad. São jovens que têm dificuldade de encontrar emprego porque não têm escolaridade mínima, mas também não continuam estudando porque a idade os empurra para o trabalho.
O número de jovens com baixa escolaridade, no entanto, vem caindo. Dados distribuídos ontem pelo Ministério da Educação mostram que, em 1996, eram 12,2 milhões - 47,9% da população nessa faixa etária. Em 2002, eram 10,9 milhões.
A expectativa do governo é que a taxa continue caindo. A projeção para 2010 é de que 15% da população entre 18 e 29 anos não tenha completado oito anos de escola. Seriam, em números de hoje, mais de 5 milhões de jovens sem escolaridade básica.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que essa queda vai ocorrer por conta do aumento dos investimentos em educação nos próximos anos, incluindo o Fundo de Desenvolvimento da Educação (Fundeb), que levará recursos para que Estados e municípios invistam mais em políticas de formação de professores e melhorias no ensino médio. Um estudo elaborado pelo Ministério da Educação mostra que boa parte dos alunos abandona a escola por não ter motivação para estudar e por não ver relação entre o aprendido e o que se precisa saber para trabalhar.
De acordo com o ministro, uma das razões para essa falta de conexão dos jovens com a escola é a falta de qualidade do ensino, que começaria com o “sucateamento da universidade pública”. “Rompeu-se a ponte entre a educação superior e a básica, as licenciaturas ficaram em segundo plano e a qualidade da educação caiu de ponta a ponta”, afirmou, em texto distribuído pelo ministério.
O ESTADO DE SÃO PAULO – 22/01/2008
VOLTA ÀS AULAS
A autoridade do professor
Eliana Tayano e Antonio de Freitas da Corte *
Como legitimar a autoridade do professor em sala de aula? A questão é o ponto de partida para uma reflexão sobre a relação entre professor e aluno e como esta se constitui numa relação em que o professor é reconhecido como referência não só para a busca do conhecimento, mas também para a seleção de condutas social e moral.
Numa perspectiva psicológica, o professor pressupõe que determinados parâmetros morais, como reciprocidade, cooperação, solidariedade e respeito, sejam responsabilidade da família e, portanto, as queixas de que os alunos são agressivos, apáticos e sem limites tornam-se obstáculos para uma ação pedagógica eficaz. Esse pressuposto inviabiliza o estabelecimento de vínculos de confiança e impede que os objetivos da aprendizagem sejam compartilhados pelo professor e pelo aluno. Nesse cenário, o professor não é uma autoridade e controla, muitas vezes, o grupo por meio de estratégias autoritárias, pautadas em sanções arbitrárias.
Em outra perspectiva de análise, a relação entre professor e aluno se constitui numa relação de autoridade quando o professor garante um ambiente de aprendizagem cujos princípios são o conhecimento e a construção de uma auto-imagem positiva do aluno diante do saber escolar. Esses princípios se concretizam por meio de ações pedagógicas que possibilitem ao aluno encontrar sentido naquilo que está sendo ensinado e num ambiente que considera a importância das regras sociais, a flexibilidade de pensamento, o convívio com a diversidade e a tolerância.
O professor não só desenvolve estruturas de pensamento, mas também amplia a possibilidade de o aluno olhar o mundo sob a óptica da transformação e entender as relações que o homem estabelece em seu meio social e cultural. Nesse contexto, ele se constitui como autoridade quando organiza um espaço de aprendizagem em que há lugar para a indagação, para a curiosidade, para o debate em torno de idéias e hipóteses, para o respeito ao conhecimento construído pelo aluno nas suas vivências sociais e escolares, enfim, um ambiente em que o conhecimento não é inacessível e é reconhecido como fundamental no acesso a bens culturais e materiais produzidos pela sociedade.
O interesse do aluno vem à tona quando ele percebe que o professor tem competência, conhece com profundidade aquilo que ensina, mas, acima de tudo, é alguém que traz para a sala de aula uma inquietação com o não-saber, demonstrando um profundo interesse pela aprendizagem de seus alunos.
Um novo contrato pedagógico se estabelece: trata-se de um contrato em que professor e aluno assumem um compromisso cujo alicerce é a relação com o conhecimento e os comportamentos e atitudes favoráveis à realização dessa meta. Nesse contexto, o professor é reconhecido como autoridade e não há espaço para a indisciplina.
*Vice-diretora do Ensino Fundamental I e* Vice-diretor do Ensino Fundamental II da Escola Móbile
Observe o rendimento do seu filho
Problemas como dislexia, disgrafia, déficit de atenção são comuns
e começam a aparecer na alfabetização
Renata Gama
Quando a criança apresenta desempenho abaixo da média na escola, falta de vontade de ir para a aula, auto-estima baixa e até sintomas físicos, como dores de cabeça, de barriga ou mesmo vômito e febre, os pais devem ficar atentos. Estes podem ser sinais de transtorno de aprendizagem.
Conforme a psicopedagoga e coordenadora da Equipe de Diagnóstico de Atendimento Clínico (Edac), Raquel Caruso, transtornos como dislexia, disgrafia, distúrbios de atenção e hiperatividade, apesar de comuns - atingem cerca de 10% de uma sala com 40 alunos -, levam tempo para serem diagnosticados. É que outros problemas físicos, como dificuldades de visão e audição, ou psicológicos, como má adaptação a uma escola, também afetam o desempenho dos alunos na escola.
Em todos os casos, a primeira recomendação é a mesma: observar. Quanto antes o problema for identificado, mais rápido os filhos serão tratados, evitando mais perdas e atrasos no processo de aprendizagem. “Se identificado o problema na infância, a criança aprende a lidar com as limitações e a trabalhar com as dificuldades”, diz Raquel.
Um dos transtornos mais conhecidos é a dislexia - dificuldade de assimilar a linguagem escrita -, o mesmo vivido pela adolescente Clarissa, personagem interpretado pela atriz Bárbara Borges na novela Duas Caras, da Globo. O problema, explica a psicopedagoga, é congênito e não tem relação com a inteligência, já que a pessoa é capaz de absorver informações. “Muitas vezes elas apresentam Q.I. superior ao das outras.” Mesmo assim, é preciso que a criança receba cuidados especiais. Nestes casos, os professores devem saber que esses alunos precisam de mais tempo para copiar textos e fazer as provas. Há instituições que permitem que alguns testes sejam orais. “As escolas estão abrindo espaço para adaptação.”
Em casa, os pais devem acompanhar as tarefas de perto. “Antes das provas, reviso tudo em voz alta para o meu filho”, conta Rita Hipólito, mãe de Renato, de 12 anos, diagnosticado com dislexia há dois anos. Mas as dificuldades na escola começaram aos cinco anos. “Ele não queria fazer exercícios de coordenação motora. E o problema ficou mais acentuado na fase de alfabetização”, recorda Rita.
TRATAMENTO ADEQUADO
Após passar por uma psicóloga que suspeitou do transtorno, Renato foi encaminhado para uma clínica especializada. Lá, passou por exames feitos por uma equipe multidisciplinar, com profissionais das áreas de fonoaudiologia, psicologia e psicopedagogia. Quando o transtorno é identificado, são criadas estratégias de estimulação adequadas ao cérebro. “A terapia serve para ensinar como lidar com as dificuldades. Mas não é para ser uma muleta para sempre”, afirma a psicopedagoga.
Renato já sente os resultados: “Antes era muito difícil. Agora, consigo ler e escrever melhor.” Não por acaso, a matéria que ele menos gosta é Língua Portuguesa. Já a que tem maior facilidade é matemática. Até consegue fazer as contas de cabeça.
Na escola, o método de ensino dos professores não muda. Mas Renato recebe uma atenção maior. Além disso, ele tem dez minutos a mais que os colegas para terminar as provas. “Já ajuda. Tento fazer no tempo certo, mas se eu precisar dos dez minutos, eu uso.”
Outros transtornos comuns são o déficit de atenção e hiperatividade “Os dois são a mesma patologia”, explica Raquel. A dificuldade de ambos é a concentração. A criança com déficit de atenção se distrai facilmente, enquanto a hiperativa fica agitada. Há ainda a disgrafia (letra feia), problema em que a criança tem dificuldade transformar a informação do plano vertical para o horizontal, como copiar textos da lousa. E também a discalculia: dificuldade com números.
Como identificar distúrbios
Check-up: Verifique primeiro as condições de saúde da criança. Exames de sangue e de tiróide identificam anemias e distúrbios hormonais que podem provocar desânimo e reduzir a atenção. Crianças que respiram pela boca também podem apresentar distúrbios de aprendizagem por falta de oxigenação no cérebro
Visão e audição: Exames oftalmológicos e auditivos devem ser feitos anualmente, de preferência antes do período letivo. Em seis meses, a criança pode apresentar a dificuldade e não sabe identificar sozinha que aquilo não é normal. Há casos de inflamação nos ouvidos que não apresentam dor, a criança apenas sente como se estivesse com um tampão
Aspectos emocionais: Segundo a psicopedagoga Raquel Caruso, a pergunta que os pais devem se fazer é: a criança sempre foi assim ou é algo do momento? Às vezes, um fato específico, como a troca de uma babá, a perda de um parente ou separação dos pais também podem afetar na aprendizagem
Má adaptação: Há escolas com diferentes métodos de aprendizagem. Quando a escolha não é adequada, a auto-estima da criança cai e ela passa a não querer freqüentar as aulas. Procure conhecer o perfil de aprendizagem ideal para o seu filho e peça orientação aos professores, a escola tem de ser honesta. Se o método for inadequado, o recomendável é matriculá-lo em outra instituição
Agenda superlotada: Se a criança cumpre uma série de atividades extra-curriculares, como natação, inglês, balé, futebol, música, ela não tem tempo para brincar e pode apresentar transtorno de aprendizagem funcional. Nesses casos, o recomendável é que se opte por apenas uma atividade. O ideal é que a criança tenha um período para descansar, digerir e absorver o que aprendeu na escola
Clínica especializada: Se os problemas citados estão eliminados e a criança permanece com dificuldades, procure uma clínica especializada para que ela passe por exames feitos por uma equipe multidisciplinar.
Ensino fundamental prolongado
Escolas públicas e particulares têm até 2010 para se adaptar ao novo sistema, que passa de oito para nove anos
Jerusa Pereira
No ano passado, o estudante Guilherme Hiray, de 8 anos, passou direto do pré para o 2º ano do ensino fundamental. Pulou o primeiro ano, mas com tranqüilidade. “Já tinha aprendido a ler e a escrever no pré e minha mãe me explicou que eu não ia para o 1º, mas para o 2º ano”, diz. Apesar de as escolas brasileiras terem até 2010 para se adequar à lei nº 11.274, que determina que o ensino fundamental tenha um ano a mais, passando de oito para nove anos, a escola
“No começo me senti insegura ao saber do aumento para nove anos do ensino fundamental”, diz Silvia Hiray, mãe de Guilherme (foto). “Mas a escola nos orientou e ele acompanhou bem o grupo.” José Augusto Tavares, pai de Renato, de 7 anos, que, em vez do pré, cursou o 1º ano em 2007, aos 6 anos, também disse que a mudança transcorreu de forma natural para o filho. “A escola foi se adaptando e os professores passaram por treinamento”, conta.
A diretora pedagógica do Colégio Global, Eliana de Barros Santos, explica que na prática houve mudança apenas da nomenclatura. As atividades e o conteúdo continuaram os mesmos. “Fizemos uma adaptação para cumprir as exigências da lei. O pré passou a se chamar 1º ano. As crianças são as mesmas e as necessidades delas, também”, diz. Eliana acredita que a mudança pode ser boa para as escolas públicas, porque as crianças começam os estudos mais cedo, mas não altera muito para as particulares.
A professora da Faculdade de Educação da PUC, Neide Noffs, concorda que a mudança pode fazer mais diferença para as escolas públicas. “Com 6 anos, ao invés de ir para o ensino infantil, que não é obrigatório, a criança vai para o ensino fundamental, que é obrigatório. Obrigatoriamente tiraria a criança da rua.” Neide defende que haja uma normatização sobre com que idade a criança deve entrar no 1º ano, se com 6 anos completos até o fim ou o meio do ano. “É necessário uma legislação específica para preservar o direito da criança.”
As escolas particulares analisam caso a caso e, geralmente, aceitam crianças que completam 6 anos até julho ou agosto. É o caso da aluna Bruna Siciliano Souza, do Colégio Pedroso. Ela entrou no 1º ano, em 2007, com 5 anos. “Ela completou 6 anos no meio do ano. Eu estava preocupada, mas ela não teve dificuldades, porque já estava alfabetizada, lia e escrevia desde o jardim”, explica Emília, a mãe de Bruna. A menina diz que não notou diferença e gostou da escola.
PREPARAÇÃO
A pedagoga e especialista em alfabetização do Departamento de Educação da Unesp de Rio Claro, Maria Cecília Oliveira Micotti, ressalta que a alfabetização é uma questão complexa. “Cada profissional moldou seu modo de atuar com crianças de 7 anos e essa mudança (para 6 anos) requer flexibilidade de ensino. O resultado vai depender do envolvimento dos profissionais que se dedicam à educação”, acrescenta.
A professora da Faculdade de Educação da PUC, Noeli Weffort, acredita que não adianta aumentar um ano no ensino fundamental sem uma proposta clara. “Receio que as pessoas estão colocando esse ano a mais sem pensar bem no que fazer. Dessa forma não resolve nada. A grande reclamação é que as crianças vão para outras séries sem saber ler e escrever”.
A supervisora do Colégio Rio Branco, Vilma Rocha, explica que a escola antecipou a transição em 2006. “Fizemos uma mudança de forma que a nomenclatura antiga conviva com a nova e trabalhamos o ensino de maneira mais intensa”, explica. “O antigo pré continua a respeitar as características da criança. O objetivo é explorar esse potencial, não acelerar o processo.”
Algumas escolas públicas do País já adotaram os nove anos de ensino. A rede municipal de ensino
'A lei traz mais confusão'
Jerusa Pereira
O presidente-executivo do movimento Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos, acha que a aprovação para nove anos de ensino traz mais confusão que benefícios. “É importante antecipar a entrada da criança na escola, mas, com a aprovação pelo governo do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), um ano depois, não precisava mais dessa alteração. O Fundeb vai naturalmente universalizar o ensino, vai ser o grande catalisador”, diz. Outro problema, segundo Ramos, é se o município adotar e o Estado, não. “É o caos, o aluno não vai saber em que ano está. É necessário haver consonância entre município e Estado. E muitas redes de ensino não têm estrutura para atender essas crianças”, acrescenta. De acordo com o Ministério da Educação, o Fundeb terá vigência até 2.020 e atenderá 47 milhões de alunos da educação básica, incluindo creche, educação infantil, ensino fundamental e médio, educação especial e educação de jovens e adultos.
O futuro dentro da sala de aula
Uso de tecnologia no ensino pode servir como estímulo ao aprendizado e desenvolvimento dos jovens
Jerusa Pereira
No lugar do quadro negro e do giz, um grande monitor conectado a um computador, em que o professor pode acessar páginas da internet, escrever, desenhar e ainda gravar as aulas e arquivá-las. Tudo isso é possível com a lousa digital, tecnologia que já é usada em diversas instituições de ensino. Além de tornar as aulas mais atrativas, a moderna lousa também facilita a vida dos alunos, que não precisam copiar o conteúdo das aulas, porque podem acessar os arquivos e consultá-los na hora de estudar.
Apesar das facilidades que esse tipo de tecnologia proporciona, a diretora do Colégio Rio Branco, Esther de Carvalho, pondera. “Se for usada para uma aula tipicamente expositiva e tradicional, será jogar dinheiro fora”, defende. O colégio, além da lousa digital, tem aulas extracurriculares de robótica, programas para alunos desenvolverem trabalhos de sonoplastia e áudio e aulas de história e geografia, por exemplo, com o uso da informática. “O estudante envolve-se mais, adquire competências importantes e surgem novos desafios”, diz Esther.
Wandemberg Barbosa Filho, de 15 anos, estudante do Colégio Rio Branco, conta que era o pior aluno da aula de informática de sua turma. Tanto que ninguém queria fazer os trabalhos da disciplina com ele. No entanto, ele mesmo se surpreendeu. Se envolveu tanto que acabou entregando o melhor trabalho da classe. “A proposta era desenhar e associar música e desenho no computador, refletindo sobre a música. Acabei sendo o destaque da turma”, conta, animado.
Para o coordenador do núcleo de Comunicação da USP, Ismar de Oliveira Soares, adotar tecnologia na educação é um princípio que não se questiona. O problema é o modo como isso vai ser feito. “A tecnologia é vista como um recurso a mais para o adulto, mas hoje em dia já faz parte do cotidiano da criança e do adolescente”, diz Soares. Ele defende a educomunicação - a aproximação entre o ensino e a tecnologia numa perspectiva política, em que a criança decida juntamente com o professor como usá-la.
MOTIVAÇÃO
A aula tradicional é muito chata para os alunos de hoje, a tecnologia faz parte da realidade deles e motiva o aluno e o ajuda a aprender, defende o diretor do Centro de Pesquisa de Tecnologia Unip-Objetivo, Almir Brandão. “Hoje a realidade virtual é usada tanto para crianças pequenas, de
O professor de matemática do Colégio Etapa, Pablo Ganassin, conta que no ano passado foi desenvolvido um curso extracurricular de robótica no ensino fundamental, em que os alunos aprenderam por meio dos modelos como aplicar os princípios da física e da mecânica. “Recebemos três vezes mais inscrições do que esperávamos. E os alunos cobram continuação do curso neste ano”.
Projeto de distribuição de laptops está parado
Jerusa Pereira
Quando o assunto é tecnologia, a realidade das escolas públicas é bem diferente das instituições particulares. O programa Um Computador por Aluno (UCA), do Ministério da Educação (MEC), prometia amenizar um pouco essa diferença, com a distribuição de 150 mil laptops em escolas públicas. Mas o projeto continua apenas no papel. Conforme informou a coordenadora de Comunicação da Secretaria de Educação à Distância do MEC, Flora Daemon, o processo de licitação para escolha da empresa que vai fornecer os computadores está parado e não há previsão de ser retomado.
O programa previa a entrega dos laptops a professores e alunos, no decorrer deste ano. Caberia a cada governador determinar cinco escolas
No ano passado houve uma fase piloto, em que diversas empresas doaram 1.390 laptops a escolas do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins e Distrito Federal para testes. Os equipamentos estavam configurados para fins pedagógicos e o uso foi acompanhado por pesquisadores da USP, do Centro de Pesquisa Renato Archer e da Fundação Certi.
| O ESTADO DE SÃO PAULO – 21/01/2008 Fernando Haddad foi hostilizado por militantes do PSTU e terminou por abandonar encontro de professores Luciana Nunes Leal, Brasília O ministro da Educação, Fernando Haddad, foi obrigado a deixar o 30º Congresso Nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), na tarde de sábado, depois de enfrentar vaias e hostilidade de militantes do PSTU. O incidente foi noticiado com destaque pela Agência Brasil, o portal de notícias oficial do governo federal. Procurado ontem pelo Estado, Haddad não quis comentar o incidente. “O que eu acho é o que está na Agência Brasil”, afirmou. O ESTADO DE SÃO PAULO – 20/01/2008 A Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul vai fechar centenas de turmas escolares. A idéia é fundir turmas pequenas de escolas próximas em grupos com 25 alunos na 1ª e 2ª séries; 30 de 3ª a 5ª séries; 35 para as demais séries do fundamental e até 40 alunos para o ensino médio. Algumas escolas poderão fechar. Cálculo preliminar indica que só JORNAL DA TARDE – 22/01/2008 Escolas têm até 2010 para se adaptar ao novo sistema, que passa de oito para nove anos Jerusa Pereira No ano passado, o estudante Guilherme Hiray, de 8 anos, passou direto do pré para o 2º ano do ensino fundamental. Pulou o primeiro ano, mas com tranqüilidade. “Já tinha aprendido a ler e a escrever no pré e minha mãe me explicou que eu não ia para o 1º, mas para o 2º ano”, diz. (Agência Estado) São Paulo - Movimentos ligados à educação estão arregaçando as mangas para tirar uma mordaça colocada há 40 anos nos professores. Para isso, promovem debates com autoridades e circulam um abaixo-assinado contra uma lei, criada na época da ditadura militar, que proíbe os funcionários públicos do Estado de São Paulo de se pronunciarem sobre sua função. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. FOLHA ONLINE – 21/01/2008 – 18h24Reuters Educação precisa de mais profissionais qualificados, diz CNTE Da redação
FOLHA ONLINE – 21/01/2008 – 10h51Segundo a Agência Brasil, a coordenadora geral de Infra-Estrutura Educacional do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), Maria Fernanda Bittencourt, informou que cerca de 100 mil crianças, entre zero e seis anos de idade, passarão a ter acesso à educação infantil. De acordo com ela, o país conta com cerca de 35 mil creches, divididas entre particulares e municipais. No ano passado, foram firmados 484 convênios. A coordenadora do FNDE lembrou que o programa teve início com um estudo elaborado pelo Núcleo de Políticas Públicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). "Esse estudo fez uma classificação de todos os municípios brasileiros. Depois disso, nós abrimos uma chamada para que os municípios dissessem se tinham interesse em receber assistência técnica e financeira do Proinfância". Segundo ela, 4,3 mil municípios se inscreveram. A maior parte das inscrições foi registrada nas regiões Sudeste e Sul. Todas as regiões declararam interesse no programa, mas ela afirmou que a região Norte foi a que menos demandou. CNTE repudia vaia contra ministro; militante do PSTU diz que protesto é legítimo FOLHA ONLINE – 19/01/2008 – 21h38 Ministro da Educação é vaiado e abandona evento, sob clima de confronto Lula admite regulamentar piso nacional da educação por MP, diz CNTE LÍSIA GUSMÃO Colaboração para a Folha Online, em Brasília FOLHA ONLINE – 03/01/2008 – 12h48 Haddad sinaliza cortes na Educação com novo pacote tributário da Folha Online, em Brasília FOLHA ONLINE – 03/01/2008 – 09h09 Mantega admite redução de gastos no "PAC" da educação FOLHA ONLINE – 30/11/2007 – 22h13 Fim da DRU liberaria mais de R$ 7 bi ao ano para educação, diz Haddad da Folha Online FOLHA DE SÃO PAULO – 20/01/2008 (OPINIÃO) Canudo de papel Não há tampouco critério racional que explique o motivo de os estudantes de medicina (74 mil) serem pouco mais numerosos do que os de turismo (66 mil), carreira necessária, embora inflada de forma artificial por um modismo. Igualmente grave é haver 589 mil matriculados em direito, número que supera os 571 mil advogados da ativa registrados pela OAB, como informou Rogério Gentile em texto publicado segunda-feira nesta Folha. Não pode e não deve ser dado como normal que estudantes encarem os cursos em áreas específicas como se fossem polivalentes. Um exemplo: poucos dos 680 mil matriculados em administração previsivelmente seguirão a carreira. Mas o curso lhes dará alguma forma de segurança ou ascensão no plano de seus projetos pessoais. O fato é que não existe um modelo que defina com razoável antecedência quais as carreiras que serão objeto de ampla -ou quase nenhuma- demanda. Mesmo assim, é lamentável que inexistam mecanismos que desestimulem a abertura de novos cursos em áreas francamente inchadas. A saturação das matrículas gera um inequívoco mercado de ilusões, presente, em 2005 (últimos dados oficiais), nas 1.578 faculdades de administração, 1.524 de pedagogia, 861 de direito e 497 de jornalismo. Esses dados não se referem apenas às universidades públicas ou confessionais. Cabe lembrar que 72% dos 4,7 milhões de estudantes estão matriculados na rede particular. Foi sobretudo ela que permitiu, com a expansão de vagas nos anos 90, que hoje 10,4% dos jovens entre 18 e 24 anos estejam cursando o terceiro grau. E isso ainda é pouco. A meta do governo federal é chegar a 30% em 2011. De modo sumário, essas informações demonstram uma estrepitosa inadequação entre, de um lado, a formatação do ensino superior e, na outra ponta, as expectativas de um mercado com carência no recrutamento de profissionais qualificados. O problema, no entanto, não é apenas quantitativo. A questão da qualidade também se coloca de forma dramática. E, nesse ponto, o Brasil está engatinhando. É bastante positivo o fato de o terceiro grau ter deixado de ser um destino quase exclusivo das elites, mas a qualidade oferecida pela média dos cursos ainda deixa muito a desejar, em parte por deficiências históricas do ensino fundamental e médio. O diploma, que deveria ser uma ferramenta para a abertura de portas, em muitos casos não passa de um objeto de decoração pendurado na parede de desempregados ou subempregados. FOLHA DE SÃO PAULO – 20/01/2008 (OPINIÃO) Educação para Todos na encruzilhada As metas do EFA são: ampliar a educação e a assistência à primeira infância; garantir o ensino primário gratuito e obrigatório; promover a aprendizagem e habilidades para a vida; aumentar em 50% a alfabetização de adultos; alcançar a igualdade de gêneros; e assegurar a qualidade em todos os níveis de ensino. Entretanto, pesquisas recentes mostram que, a meio caminho de 2015, os governos ainda estão deixando de atender às crianças e aos adultos analfabetos. Existem 774 milhões de adultos desprovidos do grau mais rudimentar de alfabetização e 72 milhões de crianças -mais da metade das quais são meninas- estão fora da escola. Quase a metade dessas crianças que não freqüentam a escola vivem em Estados frágeis. As crianças de famílias pobres não têm meios para pagar mensalidades e taxas ainda prevalecentes em mais de 90 países. Muitas precisam trabalhar para ajudar a sustentar suas famílias, freqüentemente em condições desesperadoramente perigosas e insalubres: segundo a Organização Mundial do Trabalho, 111 milhões de crianças trabalham em "atividades de risco". As crianças portadoras de deficiência, as que integram comunidades étnicas minoritárias e as que são doentes de Aids ou soropositivas enfrentam ainda outros obstáculos para chegar à escola. Juntando os dados da ONU e do Banco Mundial a pesquisas alternativas conduzidas pela sociedade civil, a Campanha Global pela Educação (GCE, na sigla em inglês) divulgou no ano passado o relatório "No Excuses" ("Sem Desculpas"), em que atribui "notas" de A a F a todos os governos, segundo seu desempenho até hoje no tocante à educação. Os governos que obtiveram as melhores "notas" incluem os de Maurício, Letônia e Uruguai, enquanto o fundo da classe é ocupado por Haiti, Somália e Guiné-Bissau. Os países mais ricos também são avaliados quanto ao cumprimento da promessa com relação ao EFA: fornecer assistência adequada e de longo prazo para que as metas sejam alcançadas. Enquanto Noruega e Holanda ocupam o topo desse ranking, os países do G8 são os piores quando se trata de dar o financiamento prometido para a educação, e os EUA são o último colocado em sua "classe do G8". Quando são avaliados dentro da tabela global, o Reino Unido ocupa o quinto lugar, o Canadá, o 36º, a França, o 91º, a Alemanha, o 109º, o Japão, o 124º, e a Itália e os EUA, na 146ª posição, ocupam quase os últimos lugares na classe global. Mas as evidências também indicam que muito pode ser realizado quando os governos priorizam a política educacional. Nos últimos 18 anos, vários países em desenvolvimento conseguiram avanços importantes na ampliação do ensino fundamental. Entre eles estão Costa Rica, Cuba, México, Sri Lanka e Tailândia. E avanços notáveis têm sido conseguidos em alguns dos contextos mais difíceis; milhões de crianças passaram a freqüentar a escola em países como Quênia, Camarões, Botsuana e Burundi, nos quais, nos últimos anos, os governos eliminaram as mensalidades escolares. O Brasil faz parte dos 20 primeiros países do ranking mundial graças aos esforços feitos aqui, sobretudo por meio da pressão de organizações sociais e da sociedade civil e, ainda, de experiências como o Bolsa Família. Com 2015 chegando cada vez mais perto, a GCE leva adiante sua campanha de pressão global e espera que atores como os movimentos sociais brasileiros e líderes como o presidente Lula continuem a dar um bom exemplo e a defender a causa do bem global nessa questão de importância tão vital. Acreditamos que as histórias de êxitos vão inspirar outros líderes de países em desenvolvimento a redobrar seus esforços. Também estamos convencidos de que mostrar o que pode ser conseguido com a vontade política certa, respaldada por recursos, pode envergonhar os doadores, levando-os a cumprir suas promessas. O ano de 2008 também será o 60º desde a Declaração dos Direitos Humanos da ONU; vamos nos assegurar de que a geração que vai nascer neste ano possa finalmente crescer com a luz e a esperança que a educação traz à vida de cada um. FOLHA DE SÃO PAULO – TENDÊNCIAS/DEBATES – 20/01/2008 O longo prazo a curto prazo Desse entendimento resultou a decisão de organizar o trabalho inicial de minha pasta em torno de quatro grandes temas: oportunidade econômica, oportunidade educativa, Amazônia e defesa. Para cada um deles, formulamos, em colaboração com os ministros das respectivas áreas e com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ações que encarnem e antecipem novo modelo de desenvolvimento. Idéias, quando reforçadas por uma lógica de co-autoria dentro do governo e da sociedade, constituem o primeiro requisito para mudar o país. Uma das iniciativas de oportunidade econômica é política industrial e agrícola voltada para as pequenas empresas e os empreendimentos emergentes que constituem a maior força de nossa economia. Formação de práticas e de quadros, ampliação do crédito ao pequeno produtor e transferência de tecnologia são as diretrizes. Outra iniciativa se destina a refazer nosso modelo institucional de relações entre o trabalho e o capital. O Brasil está ameaçado de ficar espremido no mundo entre economias de trabalho barato e economias de produtividade alta. Precisamos escapar dessa prensa pelo lado alto, o da valorização do trabalho e da escalada de produtividade. Não temos futuro como uma China com menos gente. É essa a preocupação que orienta o esforço de construir, com as centrais sindicais e as lideranças do empresariado, um plano para resgatar mais da metade de nossos trabalhadores da informalidade, reverter a queda da participação dos salários na renda nacional e reorganizar o regime sindical. Em matéria de oportunidade educativa, são três os programas a que nos dedicamos, junto com os ministros Fernando Haddad (Educação), Sergio Rezende (Ciência e Tecnologia) e Gilberto Gil (Cultura). Rede de escolas médias federais que, ao fortalecer o elo fraco de nossa rede escolar, também sirva de instrumento para mudar nosso paradigma pedagógico no rumo de ensino analítico e capacitador. Conjunto de procedimentos para reconciliar a gestão local das escolas pelos Estados e municípios com padrões nacionais de investimento e de qualidade. (A qualidade do ensino que uma criança brasileira recebe não deve depender do acaso do lugar onde ela nasce.) E programa de inclusão digital que organize infovia nacional, fortaleça as capacitações populares de acesso à rede, estimule a produção de conteúdos nacionais e crie estrutura de governança capaz de dar voz à sociedade civil, não só aos governos e às empresas. Na Amazônia, o Brasil pode revelar-se ao Brasil. Zoneamento econômico e ecológico, que tome por pressuposto a resolução das questões fundiárias, é ponto de partida para delinear estratégias econômicas distintas para diferentes partes da Amazônia. Uma estratégia para a Amazônia já desmatada, onde temos chance para deixar de repetir os erros de nossa formação econômica. E outra estratégia para a Amazônia com mata, que assegure que a floresta em pé, porém aproveitada de forma controlada e sustentável, valha mais do que a floresta derrubada. Na defesa, começa esforço vital para nosso futuro. Não há estratégia de desenvolvimento nacional sem estratégia nacional de defesa. A diretriz é reorganizar as Forças Armadas em torno de vanguarda tecnológica e operacional, pautada por cultura de mobilidade e de flexibilidade e baseada em capacitações nacionais. Essas iniciativas são apenas um começo. Não asseguram a reconstrução de nossas instituições, necessária para democratizar o mercado e para aprofundar a democracia. Não nos eximem de formular estratégia de desenvolvimento nacional que seja abrangente e de longo prazo. O objetivo de tal estratégia não é tolher nosso futuro; é, pelo contrário, prover a nação de meios para que ela se possa reconstruir experimentalmente. Há toda diferença, porém, entre projeto que paira sobre o mundo e projeto que intervém no mundo. Não há futuro viável que não se possa prefigurar já. O bom do Brasil tem sido sua vitalidade. O ruim tem sido seu conformismo. Não basta nos rebelarmos contra a falta de justiça se não nos rebelarmos também contra a falta de imaginação. Vitalidade -vibrante, anárquica, quase cega- já temos. Quando a imaginação der olhos à rebeldia, teremos também grandeza. |
