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CLIPPING – DE 07 A 12/04/2006

FOLHA ONLINE – 12/04/2006 – 09h39
Projeto criticado por grevistas será revisto

FÁBIO TAKAHASHI - da Folha de S.Paulo

A Secretaria Municipal da Educação informou ontem que vai reavaliar a implantação do programa que prevê atividades extracurriculares na rede municipal. Essa é uma das reivindicações de professores e funcionários, que estão em greve há 15 dias. Não houve avanço, porém, com relação ao pedido de reajuste salarial.

O novo secretário de Educação, Alexandre Schneider, recebeu ontem representantes dos sindicatos ligados à educação municipal. A assessoria de imprensa afirmou que Schneider vai publicar nos próximos dias, no "Diário Oficial da Cidade", uma portaria que cria uma comissão para avaliar o programa São Paulo É uma Escola, implementado pela gestão José Serra (PSDB).

O projeto prevê atividades extracurriculares antes e depois das aulas. A Folha solicitou uma entrevista com Schneider sobre o tema, mas não foi atendida.
Os sindicatos reclamam que o projeto --mantido pelo atual prefeito, Gilberto Kassab (PFL)-- retirou do horário normal de aulas programas já consolidados, como salas de leitura e de informática. Como os alunos não são obrigados a participar dos trabalhos extracurriculares, muitos não têm mais acesso a esses recursos.
As entidades afirmam ainda que há falta de funcionários e de espaço físico para o programa.

"Não somos contra o projeto, mas ele precisa ser alterado", disse a presidente do Sinesp (sindicato dos coordenadores e diretores), Maria Benedita de Andrade.

A assessoria de imprensa da secretaria nega os problemas. A pasta diz que não houve prejuízo a outros projetos e que foram contratados oficineiros. Afirma ainda que as escolas sem estrutura não são obrigadas a participar do programa.

Ontem, antes dos representantes do ensino serem recebidos pelo secretário da Educação, cerca de 120 professores fizeram um protesto em frente à sede da pasta, na Vila Mariana (zona sul). A Polícia Militar contabilizou 120 manifestantes. Organizador do ato, o Sinesp afirmou que foram 1.200.

Hoje está previsto um protesto em frente à Secretaria de Gestão, no centro, organizado pelo Sinpeem (sindicato dos professores e funcionários). A categoria espera que seja feita uma proposta de reajuste salarial. Ontem, no entanto, Kassab voltou a afirmar que não mudará sua proposta. "A prefeitura tem limitações financeiras graves."
Professores e funcionários pedem que o piso salarial seja de R$ 960. Hoje, está em R$ 509. A prefeitura propõe o pagamento, em julho, de R$ 350, referente à gratificação por desenvolvimento educacional. O valor previsto anteriormente era de R$ 165.

Colaborou JOSÉ ERNESTO CREDENDIO, da Folha de S.Paulo


FOLHA ONLINE – 11/04/06 – 09h55
Impasse mantém greve de professores da rede municipal


FÁBIO TAKAHASHI - da Folha de S.Paulo

De um lado, a gestão do prefeito Gilberto Kassab (PFL) afirma que não fará nova proposta para professores e funcionários. De outro, os educadores dizem que só acabam com a greve se tiverem reajuste salarial. Assim, a paralisação da rede de ensino chega ao 14º dia em um momento de impasse.

Professores e funcionários marcaram para amanhã uma manifestação em frente à Secretaria de Gestão, no centro de São Paulo. "Vai ser o maior ato do movimento. Isso porque esperamos uma nova proposta da prefeitura na quarta [amanhã]. Vamos pressionar", disse o presidente do Sinpeem (sindicato da categoria), Claudio Fonseca.
Na última sexta, a PM contabilizou a participação de 6.000 manifestantes em ato na avenida Paulista. "Só voltaremos ao trabalho com o reajuste", disse Fonseca.

A expectativa do sindicato, porém, será frustrada, afirma o secretário de Gestão, Januário Montone. "Já fizemos uma proposta, e eles a rejeitaram. Agora, esperamos o retorno dos professores às atividades. Não haverá nova proposta. A prefeitura tem limites financeiros." Montone disse que haveria uma reunião entre as partes amanhã caso a greve tivesse terminado. "Não há agenda."

A prefeitura propôs o pagamento, em julho, de R$ 350, referente à gratificação por desenvolvimento educacional. O valor previsto anteriormente era de R$ 165.

A categoria reivindica piso salarial de R$ 960. Hoje, um docente com ensino superior e jornada de 20 horas semanais ganha R$ 615. A prefeitura afirma, porém, que apenas 6,2% dos docentes ganham a menor faixa salarial da categoria, que vai até R$ 700.

Em meio a esse impasse, a prefeitura antecipou a coleta dos dados referentes à freqüência dos professores para descontar os dias parados dos grevistas ainda neste mês. Normalmente, o controle é fechado no dia 20, e o vencimento referente a esse período é pago no mês seguinte. "Isso é intimidação. Os professores, com isso, estão mais revoltados", afirmou o presidente do sindicato de professores e funcionários.

O anúncio do corte do ponto foi feito pela prefeitura na sexta passada. O Sinesp (sindicato que envolve os diretores de escola) recomendou a seus filiados que não entreguem os dados antes do período normal. Segundo o secretário de Gestão, a prefeitura decidiu cortar o ponto dos grevistas "simplesmente porque um serviço público não está sendo prestado".

Na avaliação do Sinpeem, 75% das escolas continuam com as atividades total ou parcialmente prejudicadas. Para a prefeitura, esse índice se mantém em 20%.

Hoje está previsto um ato do Sinesp em frente à Secretaria da Educação, na Vila Mariana.

A greve, que começou no dia 28 de março, é a mais longa desde 1987, quando a categoria ficou 17 dias parada.
 

FOLHA ONLINE – 10/04/2006 - 12h56
Prefeitura diz que vai descontar dias parados de professores em greve

 A Secretaria Municipal da Gestão Pública anunciou nesta segunda-feira que vai descontar os dias parados dos professores da rede municipal de ensino de São Paulo, em greve desde o dia 28 de março. Segundo o Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação do Ensino Municipal), é a maior greve desde 1987, quando a categoria cruzou os braços por 17 dias.

O sindicato acusa a secretaria de tentar pressionar e intimidar os grevistas. As escolas já estariam recebendo pedidos das coordenadorias de educação solicitando os números de faltas de cada professor e os nomes de quem aderiu à greve.

De acordo com o sindicato, tais dados só costumam ser solicitados às vésperas do dia 20 de cada mês, quando a folha de pagamento dos professores é fechada.

Recorde

A expectativa é de que o recorde de duração da paralisação seja quebrado. Na quarta-feira (12), quando a greve deve completar 16 dias, seria realizada uma reunião entre a secretaria e o sindicato, mas o evento foi cancelado nesta segunda, segundo a assessoria de imprensa da secretaria. Não há previsão de outro encontro.

A reunião seria uma antecipação da que acontece regularmente entre representantes de sindicatos de várias categorias de servidores municipais e a Secretaria de Gestão. A antecipação, para a secretaria, demonstrava um gesto de boa vontade e foi cancelada diante da resistência dos professores e funcionários das escolas em voltar ao trabalho.

Reivindicações

A categoria reivindica, entre outros pontos, salário inicial de R$ 960 para todos os profissionais de educação – atualmente um docente com ensino superior e jornada de 20 horas semanais ganha R$ 615 –-, fim das privatizações e terceirizações e redução do número de alunos por sala de aula.

A Secretaria de Gestão propôs o pagamento em julho de R$ 350, referente à gratificação por desenvolvimento educacional.


FOLHA ONLINE – 07/04/2006 - 19h57
Professores da rede municipal decidem continuar greve em São Paulo

Professores da rede municipal de São Paulo decidiram manter a greve que já dura 11 dias. Segundo o Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo), é a paralisação mais extensa desde 1987.

A decisão foi tomada durante manifestação da categoria nesta sexta-feira em São Paulo. O sindicato afirma que nenhum dos manifestantes presentes levantou a mão quando foi proposto o fim da greve.

Os manifestantes se reuniram no vão livre do Masp e saíram em caminhada até a sede da prefeitura, no viaduto do Chá (região central), prejudicando o trânsito na região. Nenhum representante da categoria foi recebido. De acordo com a Polícia Militar, 4.000 pessoas estiveram presentes no protesto. O sindicato calcula o número em 20 mil.
A categoria reivindica, entre outros pontos, salário inicial de R$ 960 para todos os profissionais de educação – atualmente um docente com ensino superior e jornada de 20 horas semanais ganha R$ 615 –, fim das privatizações e terceirizações e redução do número de alunos por sala de aula.

A Secretaria de Gestão propôs o pagamento em julho de R$ 350, referente à gratificação por desenvolvimento educacional.

Nesta sexta, a secretaria informou que a proposta demonstra que a administração municipal 'continuará fazendo todos os esforços para valorizar os salários e condições de trabalho dos servidores, porém sempre no limite da realidade das finanças municipais, em respeito aos cidadãos paulistanos que exigem uma prefeitura responsável no uso dos recursos públicos e que garanta a qualidade dos serviços prestados'.

"A Secretaria Municipal de Gestão conclama os professores e demais integrantes do Quadro do Magistério a garantirem o funcionamento normal e regular da rede municipal de ensino, que atende mais de um milhão de alunos", diz, em comunicado.

A estimativa do Sinpeem é que ao menos 75% das 1.292 escolas da rede municipal estão total ou parcialmente paradas.

Com Folha de S. Paulo


FOLHA ONLINE – 07/04/06 – 16h26
Manifestação de professores prejudica trânsito na Paulista

A manifestação dos professores da rede municipal de ensino de São Paulo prejudica o trânsito na avenida Paulista na tarde desta sexta-feira. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) recomenda que os motoristas evitem a região.

A manifestação começou às 14h. Segundo a Polícia Militar, 4.000 pessoas participam do protesto. Os manifestantes se reuniram no vão livre do Masp e devem seguir até a sede da Secretaria de Gestão, na rua Líbero Badaró, no centro.

Os reflexos da manifestação no trânsito vão do Masp até a praça Oswaldo Cruz, no sentido Consolação, e do acesso à avenida Rebouças até o Masp no sentido contrário.

Paralisação

Em nota, o Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo) afirma que a paralisação ocorre porque a prefeitura "se recusa a atender às reivindicações econômicas, funcionais e de alteração das diretrizes educacionais implantadas na rede".

A categoria reivindica, entre outros pontos, salário inicial de R$ 960 para todos os profissionais de educação – atualmente um docente com ensino superior e jornada de 20 horas semanais ganha R$ 615 –, fim das privatizações e terceirizações e redução do número de alunos por sala de aula.

A Secretaria de Gestão propôs o pagamento em julho de R$ 350, referente à gratificação por desenvolvimento educacional.

Nesta sexta, a secretaria informou que a proposta demonstra que a administração municipal "continuará fazendo todos os esforços para valorizar os salários e condições de trabalho dos servidores, porém sempre no limite da realidade das finanças municipais, em respeito aos cidadãos paulistanos que exigem uma prefeitura responsável no uso dos recursos públicos e que garanta a qualidade dos serviços prestados".

"A Secretaria Municipal de Gestão conclama os professores e demais integrantes do Quadro do Magistério a garantirem o funcionamento normal e regular da rede municipal de ensino, que atende mais de um milhão de alunos", diz, em comunicado.

Adesão

A estimativa do Sinpeem é que ao menos 75% das 1.292 escolas da rede municipal estão total ou parcialmente paradas.

A greve dos professores e funcionários das escolas municipais, que já dura dez dias, é a mais longa da rede desde 1987, de acordo com levantamento do sindicato.

Em 1987, a greve durou 17 dias. A Secretaria da Educação afirmou que não possui tal contabilização, conforme reportagem publicada na edição desta sexta-feira da Folha de S.Paulo.


FOLHA ONLINE – 07/04/2006 – 14h37
Em greve, professores realizam assembléia em São Paulo

Os professores da rede municipal da educação realizam na tarde desta sexta-feira uma assembléia no vão livre do Masp, na avenida Paulista, para avaliar a greve que já dura dez dias. Por volta das 14h20, servidores já se reuniam no local, mas não havia confirmação sobre o número de participantes.

Em nota, o Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo) afirma que a paralisação ocorre porque a prefeitura "se recusa a atender às reivindicações econômicas, funcionais e de alteração das diretrizes educacionais implantadas na rede".

A categoria reivindica, entre outros pontos, salário inicial de R$ 960 para todos os profissionais de educação --atualmente um docente com ensino superior e jornada de 20 horas semanais ganha R$ 615--, fim das privatizações e terceirizações e redução do número de alunos por sala de aula.

A Secretaria de Gestão propôs o pagamento em julho de R$ 350, referente à gratificação por desenvolvimento educacional.

Nesta sexta, a secretaria informou que a proposta demonstra que a administração municipal "continuará fazendo todos os esforços para valorizar os salários e condições de trabalho dos servidores, porém sempre no limite da realidade das finanças municipais, em respeito aos cidadãos paulistanos que exigem uma prefeitura responsável no uso dos recursos públicos e que garanta a qualidade dos serviços prestados".

"A Secretaria Municipal de Gestão conclama os professores e demais integrantes do Quadro do Magistério a garantirem o funcionamento normal e regular da rede municipal de ensino, que atende mais de um milhão de alunos", diz, em comunicado.

Greve

A estimativa do Sinpeem é que ao menos 75% das 1.292 escolas da rede municipal estão total ou parcialmente paradas.

A greve dos professores e funcionários das escolas municipais, que já dura dez dias, é a mais longa da rede desde 1987, de acordo com levantamento do sindicato.

Em 1987, a greve durou 17 dias. A Secretaria da Educação afirmou que não possui tal contabilização, conforme reportagem publicada na edição desta sexta-feira da Folha de S.Paulo.


FOLHA DE SÃO PAULO – 11/04/06
Impasse mantém greve de professores da rede municipal

Prefeitura propôs o pagamento de gratificação de R$ 350, em julho; categoria reivindica piso salarial de R$ 960

FÁBIO TAKAHASHI - DA REPORTAGEM LOCAL

De um lado, a gestão do prefeito Gilberto Kassab (PFL) afirma que não fará nova proposta para professores e funcionários. De outro, os educadores dizem que só acabam com a greve se tiverem reajuste salarial. Assim, a paralisação da rede de ensino chega ao 14º dia em um momento de impasse.

Professores e funcionários marcaram para amanhã uma manifestação em frente à Secretaria de Gestão, no centro de São Paulo. "Vai ser o maior ato do movimento. Isso porque esperamos uma nova proposta da prefeitura na quarta [amanhã]. Vamos pressionar", disse o presidente do Sinpeem (sindicato da categoria), Claudio Fonseca.
Na última sexta, a PM contabilizou a participação de 6.000 manifestantes em ato na avenida Paulista. "Só voltaremos ao trabalho com o reajuste", disse Fonseca.

A expectativa do sindicato, porém, será frustrada, afirma o secretário de Gestão, Januário Montone. "Já fizemos uma proposta, e eles a rejeitaram. Agora, esperamos o retorno dos professores às atividades. Não haverá nova proposta. A prefeitura tem limites financeiros." Montone disse que haveria uma reunião entre as partes amanhã caso a greve tivesse terminado. "Não há agenda."

A prefeitura propôs o pagamento, em julho, de R$ 350, referente à gratificação por desenvolvimento educacional. O valor previsto anteriormente era de R$ 165.

A categoria reivindica piso salarial de R$ 960. Hoje, um docente com ensino superior e jornada de 20 horas semanais ganha R$ 615. A prefeitura afirma, porém, que apenas 6,2% dos docentes ganham a menor faixa salarial da categoria, que vai até R$ 700.

Em meio a esse impasse, a prefeitura antecipou a coleta dos dados referentes à freqüência dos professores para descontar os dias parados dos grevistas ainda neste mês. Normalmente, o controle é fechado no dia 20, e o vencimento referente a esse período é pago no mês seguinte. "Isso é intimidação. Os professores, com isso, estão mais revoltados", afirmou o presidente do sindicato de professores e funcionários.

O anúncio do corte do ponto foi feito pela prefeitura na sexta passada. O Sinesp (sindicato que envolve os diretores de escola) recomendou a seus filiados que não entreguem os dados antes do período normal. Segundo o secretário de Gestão, a prefeitura decidiu cortar o ponto dos grevistas "simplesmente porque um serviço público não está sendo prestado".

Na avaliação do Sinpeem, 75% das escolas continuam com as atividades total ou parcialmente prejudicadas. Para a prefeitura, esse índice se mantém em 20%.

Hoje está prevista um ato do Sinesp em frente à Secretaria da Educação, na Vila Mariana.
A greve, que começou no dia 28 de março, é a mais longa desde 1987, quando a categoria ficou 17 dias parada.


FOLHA DE SÃO PAULO – 11/04/06 – EDITORIAL
ALÉM DO SALÁRIO

No que já é a mais longa greve desde 1987, professores da rede municipal de ensino de São Paulo estão de braços cruzados há 15 dias. A categoria reivindica que o salário inicial passe a ser de R$ 960 mensais. Hoje um docente com diploma de ensino superior e jornada de 20 horas semanais ganha R$ 615.

É pouco. São menos de dois salários mínimos. Trata-se de trabalhadores que freqüentaram uma faculdade e aos quais se confia a educação de crianças, uma missão fundamental para a sociedade.

Os vencimentos dos professores paulistanos são baixos comparados a outras capitais do Sudeste. Em São Paulo, a maior e mais rica metrópole do país, o docente recebe R$ 7,68 por hora-aula. A cidade em que a relação é mais alta é Belo Horizonte, com R$ 12,22 (variação de 37,15%). No Rio de Janeiro, o professor ganha R$ 8,17 e; em Vitória, cuja prefeitura é a única da região que paga menos do que a paulistana, R$ 7,08.

Não resta dúvida de que melhorar o salário dos professores deve ser uma prioridade não apenas da prefeitura paulistana mas de todos os Executivos municipais e estaduais do país.

Só que isso não basta. O salário do professor é apenas um dos ingredientes -e não o principal- de uma educação de qualidade, que deve ser uma das metas de todo governante. Medidas igualmente importantes são qualificar melhor os docentes e tentar envolver mais a família do aluno em seu aprendizado. Escolas que conseguem reunir professores preparados com participação ativa da comunidade costumam apresentar desempenho acadêmico consideravelmente superior à média.

Agora que a quase totalidade das crianças já vai à escola, é preciso cuidar para que elas recebam um bom ensino. Sem um substancial salto de qualidade na educação, o país está condenado a amargar pelo menos mais uma geração vivendo as agruras do atraso.


FOLHA DE SÃO PAULO – 10/04/06 - TENDÊNCIAS/DEBATES
O Fundeb é a escola para todos

Nunca a União contribuiu tanto para a educação básica como deverá fazê-lo a partir da vigência do Fundeb

IARA BERNARDI E SEVERIANO ALVES

Artigo publicado nesta Folha no dia 2/4 considera que a PEC (proposta de emenda constitucional) do Fundeb, aprovada pela Câmara dos Deputados, pode ser um desastre. Antes de qualquer outra argumentação, gostaríamos de lembrar que a proposta, enviada pelo Poder Executivo, foi resultado de uma profunda discussão com todos os setores envolvidos. Participaram desse processo os secretários estaduais de Educação, assim como os secretários municipais, estudantes e os professores, por meio de suas entidades nacionais.

Na Câmara dos Deputados, os debates foram intensos, contando, inclusive, com a participação do ministro da Fazenda e do ministro da Educação. Após inúmeras negociações, a emenda foi ampliada e modificada para melhor com diferentes setores. Além de incluir as creches no Fundeb, foram aumentados os recursos para que esta demanda pudesse ser atendida. A comissão especial aprovou a PEC por unanimidade, portanto, com o voto favorável de parlamentares de todos os partidos.

Em plenário, o Fundeb foi aprovado pela quase totalidade dos parlamentares presentes. No primeiro turno, com apenas cinco votos contra, e, no segundo turno, com dois votos contrários, demonstrando, assim, que se trata de uma proposta de Estado, e não de governo ou de um partido -logo, de interesse de toda a nação.

O Fundef redistribuiu 60% dos recursos da educação, estaduais e municipais, entre as cidades no interior dos Estados para financiamento do ensino fundamental. A União, no entanto, contribuiu apenas simbolicamente para a complementação dos fundos dos Estados que não atingem o valor mínimo por aluno, enquanto que, com o Fundeb, essa complementação aumentará em quase dez vezes ao longo de quatro anos.

Por ser focado exclusivamente no ensino fundamental, o Fundef prejudicou o ensino médio e o ensino infantil. Os recursos disponíveis por aluno chegam a ser 30% menores no ensino médio em relação ao ensino fundamental. O Fundeb veio corrigir esses problemas.

Em primeiro lugar, por enfocar a educação básica como um todo, o que permite um melhor planejamento das ações de governo no atendimento de crianças e jovens em idade escolar, além de garantir a integralidade da educação básica assegurada na Constituição Federal. O Fundeb oferece, também, a oportunidade de estudo àqueles que não puderam cursar uma escola na idade esperada.

A crítica central apresentada no citado artigo se refere exatamente à oferta de estudo para os cidadãos e cidadãs que não cursaram a escola na idade esperada ou não conseguiram concluir seus estudos, seja no ensino fundamental, seja no ensino médio. A Constituição Federal assegura, em seu artigo 208, inciso I, o ensino fundamental obrigatório e gratuito, inclusive sua oferta para todos os que não tiveram acesso na idade própria. O inciso II do mesmo artigo da Carta Magna prevê a universalização progressiva do ensino médio. Com o Fundeb, a obrigatoriedade da oferta de vagas se estende também para a educação infantil e o ensino médio.

A nós parece essencial que o Fundeb abra a possibilidade da inclusão de brasileiras e brasileiros no processo de escolarização, fundamental para o país e um direito inalienável de todo ser humano. A legislação infraconstitucional deverá estabelecer os critérios de incorporação dessa população ao Fundeb de modo a garantir a quantidade mínima necessária de recursos por aluno em cada fase da educação básica.

As negociações realizadas entre a comissão especial que analisou a PEC do Fundeb com a área econômica assegurou recursos da União da ordem de R$ 4,5 bilhões, em valores de 2005, ao final de quatro anos, e 10% do valor total de todos os fundos a partir do quinto ano de vigência do Fundeb, atingindo valores da ordem de R$ 4,8 bilhões (em valores atuais).

Nunca a União contribuiu tanto para a educação básica como deverá fazê-lo a partir da vigência do Fundeb.
A sugestão apresentada pelo autor do referido artigo de criação de três fundos foi desconsiderada pela Câmara dos Deputados quando 98,92% dos 463 deputados e deputadas presentes em plenário aprovaram o Fundeb em primeiro turno e 99,01% dos 404 deputados e deputadas presentes em plenário o fizeram em segundo turno.

Temos a certeza de que o Senado Federal, sempre zeloso com os interesses da nação, irá aprovar a PEC do Fundeb como uma proposta de escola para todos, de tal modo que seja possível sua implementação a partir do segundo semestre deste ano.

Iara Bernardi é deputada federal pelo PT-SP. Foi a relatora da Comissão Especial da PEC do Fundeb na Câmara dos Deputados.

Severiano Alves é deputado federal pelo PDT-BA. Foi o presidente da Comissão Especial da PEC do Fundeb na Câmara dos Deputados.


FOLHA DE SÃO PAULO – 09/04/06
É certo uma doméstica ganhar mais do que um professor?

GILBERTO DIMENSTEIN

O salário médio de uma empregada doméstica na cidade de São Paulo é de R$ 800, informa a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas. É mais do que os R$ 615 pagos a uma professora iniciante da rede municipal, com uma carga horária de 20 horas. Se comparássemos com uma doméstica diarista, a diferença seria muito maior: sua média de rendimentos é de R$ 1.600 mensais.

O professor iniciante paulistano não pode, aliás, nem mesmo contar vantagem diante dos pedintes dos semáforos. Segundo estimativa da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social, esse trabalhador tira, em média, R$ 25 por dia.

Com o rendimento inferior ao de uma empregada doméstica e quase empatado com o de um pedinte, entende-se por que os professores entraram em greve em São Paulo. O problema não é só dinheiro: eles vivem sob intenso estresse, devido às salas superlotadas, alunos indisciplinados e agressivos, além de serem vítimas das mais diversas formas de violência.

Nessa questão salarial se revelam, na verdade, os valores de uma nação. Na prática, essas comparações significam, por mais absurdo que pareçam, que a sociedade dá mais valor à posição social de uma empregada do que a de um professor público -é assim que se medem, e não no palavrório, as verdadeiras prioridades do país.
Poderíamos medir a prioridade não só pelo salário mas pela baixa repercussão que essa greve tem na opinião pública. Imaginem o barulho que haveria se a paralisação fosse em escolas de elite, e os filhos das famílias mais ricas tivessem de ficar em casa por duas semanas. No caso da rede pública, as mães muitas vezes não têm nem com quem deixar seus filhos.

Se achamos que, sem boa educação pública, uma nação não consegue se desenvolver com um mínimo de igualdade e que a produtividade econômica estará ameaçada, o lógico seria que existissem esforços continuados e obsessivos para estimular a carreira do professor. Como podemos atrair pessoas mais talentosas e preparadas sem estímulo salarial?

Evidentemente o que vemos hoje não é culpa desse ou daquele governo, mas de uma falta de reverência a compartilhar de conhecimento entre todos. Como as famílias mais ricas têm seus filhos em escolas privadas, uma greve como a que está ocorrendo provavelmente só entra na conversa -isso se entrar- se a empregada lamentar com a patroa que não tem com quem deixar o filho.

Há traduções óbvias e repetidas para essa fragilidade: repetência, evasão e baixíssimo aprendizado. Uma das traduções não tão óbvias foi apontada, na semana passada, pelo presidente Lula, ao dar uma estocada, sem citar o nome, em Geraldo Alckmin, seu principal adversário e cada vez mais ameaçador, como mostra hoje o Datafolha.
No esforço de ir minando a imagem do ex-governador, o PT se prepara para mostrar as imagens de selvageria da Febem, que, na semana passada, voltou a exibir mais uma rebelião. Essas imagens apenas reforçam o que todos sabemos: o desempenho do governo estadual está muito abaixo, nessa área, do que o esperado. Pelo volume de dinheiro que se despeja na prisão de crianças e adolescentes e pelo que já conhecemos sobre a inutilidade de grandes instalações como a do Tatuapé, melhores resultados poderiam ter sido apresentados.

Lula lembrou que se construíssem mais escolas haveria menos prisões. Colocada nesses termos simplistas, a frase tem efeito apenas eleitoral. Mas, em essência, é isso mesmo.

O problema da Febem não é, a rigor, apenas a Febem. Antes fosse. O problema é nossa incapacidade de prevenir a delinqüência juvenil, e, aí, a discussão se torna extremamente complexa.

Se houvesse mais e melhores escolas, provavelmente haveria menos unidades da Febem, menos assaltos e menos assassinatos. Como ter boas escolas se, na cidade mais rica do país, um professor ganha tanto quanto um pedinte e menos do que uma empregada doméstica? Será que esse indivíduo terá recursos para comprar livros ou ir ao teatro? Pode alguém ser, de fato, um bom professor sem uma vivência cultural?

Evidentemente que não. Isso significa que a escola vira mais um espaço de exclusão, especialmente para aqueles em situação de risco, do que de inclusão, servindo de incubadora para candidatos a internos da Febem.

Se os ataques sobre a Febem, de Alckmin, servirem para esse tipo de reflexão, ruim para o ex-governador, bom para o país. Se forem apenas para ficar nos chavões, será perda de tempo.

P.S - Para melhorar o desempenho dos professores, gosto de uma idéia que, em geral, os professores detestam. Em vez de aumentos salariais indiscriminados, os educadores poderiam ganhar um bônus a partir do desempenho de seus alunos. Nos lugares em que tal idéia foi testada e, ao mesmo tempo, se ajudou na qualificação do educadores, os resultados foram estimulantes. O professor passa a ser sócio do sucesso do aluno, e não do fracasso.


FOLHA DE SÃO PAULO – 09/04/06
Papel ainda domina o ensino a distância

Anuário mostra que 84,7% das instituições do setor utilizam mídia impressa; internet vem em 2º lugar

FÁBIO TAKAHASHI - DA REPORTAGEM LOCAL

Apesar de normalmente ser relacionada à internet, a educação a distância no Brasil ainda é dominada por um meio rudimentar: o material impresso, geralmente em forma de apostilas.

Isso é o que mostra o Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância 2006, que será lançado na próxima segunda-feira e foi antecipado à Folha.

O estudo, que conta com o patrocínio do Ministério da Educação (MEC), mostra que 84,7% das instituições que oferecem ensino a distância utilizam a mídia impressa.

Atrás do papel, vêm o e-learning (internet), com 61,2% e o CD-Rom, com 41,8% -a soma passa dos 100% porque a mesma instituição pode usar mais de uma mídia como método de aprendizagem.

A pesquisa aponta que 504 mil pessoas no país usaram o ensino a distância no ano passado, somente nas escolas autorizadas.

A predominância do material impresso é explicada pela baixa presença do computador no país.

Segundo a Pnad 2004 (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), apenas 16,3% dos domicílios do país têm computador e 12,2% possuem internet.

"O material impresso tem a vantagem de estarmos acostumados a ler no papel. Tirando isso, não há mais nenhuma vantagem nele", afirma o presidente do Instituto Monitor, Roberto Palhares -sua instituição oferece ensino técnico a distância por meio de apostilas há 60 anos.

"Imagine uma aula de geografia. Pelo e-learning, você pode ver um mapa animado mostrando a evolução do desmatamento da Amazônia", aponta o coordenador do anuário, Fábio Sanchez.

"Além disso, você pode ter um contato imediato com o professor e com colegas, por meio de salas de bate-papo. Isso mostra que o país ainda não aproveita todos os recursos da educação a distância, apesar de o papel ter a vantagem de poder ser acessado onde você estiver", afirma Sanchez.

Predomínio

Os dois especialistas dizem que a tendência é que, no curto e médio prazo, o material impresso vire um apoio ao sistema virtual. O avanço do aprendizado via internet depende, porém, do maior acesso ao computador no país.
Atualmente, a mídia impressa predomina em todos os tipos de ensino oferecidos a distância: 81,3% das instituições com credenciamento federal, que oferecem cursos de nível superior, utilizam o papel, contra 73,4% do e-learning.

Já as com autorização em âmbito estadual, com cursos de educação básica e técnica, utilizam a mídia impressa em 93,9% dos casos, ante 39,4% do e-learning.

Perfil

O anuário da educação a distância, feito pela segunda vez, considerou as 217 instituições credenciadas no Ministério da Educação ou nos conselhos estaduais de educação. As que possuem autorização federal oferecem cursos de graduação, tecnológicos, de pós-graduação e seqüenciais.

Já as instituições com credenciamento estadual mantêm cursos de EJA (educação de jovens e adultos), ensino fundamental, médio e técnico.

O anuário foi desenvolvido pela Abed (Associação Brasileira de Ensino a Distância) e pelo Instituto Monitor. A apresentação do estudo será feita durante o 4º seminário da Abed, que começa neste domingo e vai até terça-feira.

Alunos e cursos tiveram aumento

O número de alunos em cursos a distância credenciados em âmbito federal ou estadual aumentou 62,6% entre 2004 e 2005, aponta o Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância 2006, que usa como base o ano passado. Em termos absolutos, o número de estudantes passou de 309 mil para 504 mil.

Desse total, 59,7% estão em cursos de graduação, tecnológico ou de pós-graduação. Os outros 40,3% cursaram EJA (educação de jovens e adultos), ensino fundamental, médio ou técnico.

Essas informações referem-se às instituições com registros nos conselhos nacionais e estaduais de educação. Se considerados projetos não-credenciados, mas "relevantes", segundo o anuário (como o Sebrae e Fundação Roberto Marinho), o número de estudantes em cursos a distância sobe de 504 mil para 1,2 milhão.

O ritmo de abertura de cursos cresceu 473%: em 2004, foram criados 56; em 2005, 321.

O coordenador do anuário, Fábio Sanchez, dá quatro justificativas: a demanda, principalmente dos professores da educação básica sem formação superior; mudança na legislação, que deixou mais claro o processo de credenciamento; o crescimento da banda larga no país; e o fato de a União adotar projetos de longo prazo no setor, como a criação da Universidade Aberta do Brasil.

Também cresceu a verba para a Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação: aumento de R$ 64 milhões para R$ 96,8 milhões entre 2004 e 2005.


FOLHA DE SÃO PAULO – 08/04/06
Prefeitura diz que irá cortar ponto de professor grevista

Ato da categoria reuniu 6.000 pessoas, segundo a PM; sindicato decide manter paralisação, que começou em 28 de março

FÁBIO TAKAHASHI - DA REPORTAGEM LOCAL

A Secretaria de Gestão informou ontem que irá descontar os dias parados de professores e funcionários, que iniciaram uma greve no último dia 28 -a mais longa da categoria desde 1987. Apesar da ameaça, a categoria decidiu manter a paralisação.

"Espero que essa decisão seja revista, porque, se não houver pagamento dos dias parados, não haverá reposição de aulas", disse Cláudio Fonseca, do Simpeen (sindicato dos professores). A assembléia foi realizada na avenida Paulista, que ficou interditada por cerca de uma hora e meia no sentido Consolação.

A manifestação reuniu cerca de 6.000 pessoas, segundo a Polícia Militar. Após o ato no vão livre do Masp, houve uma passeata até a prefeitura, no centro. Segundo os organizadores, 20.000 pessoas participaram da manifestação.

A categoria reivindica um piso salarial de R$ 960. Hoje, o vencimento inicial dos professores é de R$ 509; para os com ensino superior, é de R$ 615.

Alegando dificuldades financeiras, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PFL), afirmou ontem que a sua gestão vai manter a proposta já feita, de pagar uma antecipação de R$ 350 em julho, referente à gratificação de desempenho educacional, que estava prevista para ficar em R$ 165. "Esperamos que os professores tenham espírito público", disse o prefeito.

Esses valores foram rejeitados ontem na assembléia dos educadores. Ao colocar o tema em votação, o presidente do Sinpeem afirmou também que a greve pressionará a prefeitura para que não desconte o dia parado do salário dos manifestantes.

A categoria espera que a gestão Kassab faça uma nova proposta na próxima quarta-feira, quando está prevista uma rodada de negociação com os representantes de todos os servidores públicos municipais.

Segundo a entidade, 75% das escolas estão com as atividades totalmente ou parcialmente paradas. Já a prefeitura afirma que em 10% das unidades a greve é mais intensa, e em outros 10%, menos intensa; no restante, as atividades estão normais.

Outras manifestações

Os grevistas também marcaram ontem outras duas manifestações. A primeira será na terça-feira, em frente à Secretaria da Educação, na Vila Mariana (zona sul da cidade). A outra, na quarta, será em frente à Secretaria de Gestão, no centro, quando haverá nova assembléia.

Além da reivindicação salarial, a categoria pede mudanças no projeto São Paulo é uma Escola, implantado ainda na gestão José Serra (PSDB). O programa prevê atividades extracurriculares antes e depois das aulas.

O Sinpeem diz que esse projeto desestruturou programas já consolidados, como as salas de informática e as de leitura, além de não haver funcionários suficientes.

A Secretaria da Educação nega e diz que todas as atividades foram mantidas. Além disso, segundo a pasta, houve contratação de oficineiros para as atividades extracurriculares.

Trânsito

A manifestação dos professores fechou a avenida Paulista no sentido Consolação na altura do Masp, das 15h às 16h30. O trânsito ficou parado até a praça Oswaldo Cruz. Motoristas ficaram irritados com a interdição e buzinaram durante todo o tempo.

"Eles deveriam deixar algumas faixas livres. Muita gente precisa passar. Também há ambulâncias que passam por aqui", disse o estudante Gabriel Verea, 18, que demorou quase 20 minutos para andar dois quarteirões. "Isso aqui pára a cidade inteira. Eles têm o direito de se manifestar, mas deveria ser de outra forma", afirmou o taxista Ivaldo Cervelli, 35.

Após a assembléia na avenida Paulista, os manifestantes caminharam até o viaduto do Chá, interditando duas das quatro faixas da avenida Consolação. A manifestação acabou às 18h, em frente à prefeitura.


FOLHA DE SÃO PAULO – 12/04/06
Projeto criticado por grevistas será revisto

Prefeitura vai reavaliar programa extracurricular; sindicatos afirmam que falta estrutura para as atividades

FÁBIO TAKAHASHI - DA REPORTAGEM LOCAL

A Secretaria Municipal da Educação informou ontem que vai reavaliar a implantação do programa que prevê atividades extracurriculares na rede municipal. Essa é uma das reivindicações de professores e funcionários, que estão em greve há 15 dias. Não houve avanço, porém, com relação ao pedido de reajuste salarial.

O novo secretário de Educação, Alexandre Schneider, recebeu ontem representantes dos sindicatos ligados à educação municipal. A assessoria de imprensa afirmou que Schneider vai publicar nos próximos dias, no "Diário Oficial da Cidade", uma portaria que cria uma comissão para avaliar o programa São Paulo É uma Escola, implementado pela gestão José Serra (PSDB).

O projeto prevê atividades extracurriculares antes e depois das aulas. A Folha solicitou uma entrevista com Schneider sobre o tema, mas não foi atendida.

Os sindicatos reclamam que o projeto -mantido pelo atual prefeito, Gilberto Kassab (PFL)- retirou do horário normal de aulas programas já consolidados, como salas de leitura e de informática. Como os alunos não são obrigados a participar dos trabalhos extracurriculares, muitos não têm mais acesso a esses recursos.

As entidades afirmam ainda que há falta de funcionários e de espaço físico para o programa.

"Não somos contra o projeto, mas ele precisa ser alterado", disse a presidente do Sinesp (sindicato dos coordenadores e diretores), Maria Benedita de Andrade.

A assessoria de imprensa da secretaria nega os problemas. A pasta diz que não houve prejuízo a outros projetos e que foram contratados oficineiros. Afirma ainda que as escolas sem estrutura não são obrigadas a participar do programa.

Ontem, antes dos representantes do ensino serem recebidos pelo secretário da Educação, cerca de 120 professores fizeram um protesto em frente à sede da pasta, na Vila Mariana (zona sul). A Polícia Militar contabilizou 120 manifestantes. Organizador do ato, o Sinesp afirmou que foram 1.200.

Hoje está previsto um protesto em frente à Secretaria de Gestão, no centro, organizado pelo Sinpeem (sindicato dos professores e funcionários). A categoria espera que seja feita uma proposta de reajuste salarial. Ontem, no entanto, Kassab voltou a afirmar que não mudará sua proposta. "A prefeitura tem limitações financeiras graves."
Professores e funcionários pedem que o piso salarial seja de R$ 960. Hoje, está em R$ 509. A prefeitura propõe o pagamento, em julho, de R$ 350, referente à gratificação por desenvolvimento educacional. O valor previsto anteriormente era de R$ 165.

Colaborou JOSÉ ERNESTO CREDENDIO, da Reportagem Local


O ESTADO DE SÃO PAULO – 12/04/06
Ameaça da Prefeitura fortalece paralisação

Anúncio de desconto dos dias parados faz crescer adesão a greve

SILVIA AMORIM

A decisão da Prefeitura de descontar os dias parados dos professores grevistas não está surtindo efeito. Pelo contrário. Em vez de enfraquecer a paralisação por reajuste salarial, que já dura 16 dias, a medida causou revolta em algumas escolas e acabou fazendo a adesão ao movimento aumentar. Hoje, às 14 horas, está marcada mais uma manifestação no centro, a maior desde o início da paralisação, promete a categoria. Ontem à tarde, professores protestaram em frente da Secretaria de Educação, na zona sul.

"Foi uma medida intimidatória e autoritária e que deixou o pessoal ainda mais revoltado", disse um funcionário da Escola de Ensino Fundamental (Emef) Prestes Maia, em Cidade Ademar, zona sul. Os únicos três professores da unidade que não haviam aderido à mobilização até agora avisaram que vão reforçar hoje o protesto na porta da Secretaria de Gestão, que comanda as negociações. Pela primeira vez em duas semanas de paralisação, a escola deve ficar com todas as salas vazias.

Na Emef Mauro Faccio Gonçalves Zacaria, no Parque Santo Antônio, zona sul, o clima era o mesmo. "Estávamos mantendo uns 30% dos professores, mas, depois do comunicado, amanhã (hoje) todo mundo deve cruzar os braços e ir para o ato", afirmou um professor.

Esta é a maior greve na rede municipal em 19 anos. Segundo a Prefeitura, perto de 150 mil de quase 1 milhão de alunos estão sem aula. Os professores dizem ter parado parcial ou totalmente 75% de cerca de 900 escolas.

O impasse nas negociações continua. A Prefeitura mantém a decisão de só retomar o diálogo se os grevistas voltarem ao trabalho. Caso contrário, vai descontar já no próximo mês os dias parados. "Duas propostas feitas à categoria foram recusadas", alegou o secretário de Gestão, Januário Montone. Até ontem, a Prefeitura descartava medidas judiciais para acabar com a greve e a contratação por emergência de professores para substituir os faltosos.

Os professores exigem aumento do piso salarial de R$ 509,00 para R$ 960,00 (para professores com ensino médio) e de R$ 615,00 para R$ 1.159,00 (para os de formação universitária). A Prefeitura não oferece reajuste salarial, mas promete para julho o pagamento de R$ 350,00 da Gratificação de Desempenho Educacional (GDE). Em 2005, a parcela antecipada foi de R$ 275,00. Segundo a Prefeitura, o salário médio da rede é de R$ 2.371,00 e somente 6% dos 53 mil professores recebem o salário-base.

Diante do impasse nas negociações, Montone e o recém-empossado secretário de Educação, Alexandre Schneider, foram convocados a prestar depoimento na segunda-feira, na Câmara Municipal. Segundo a Comissão de Educação, ambos confirmaram a presença.

O vereador Carlos Gianazzi (PSOL) entrou ontem com um representação no Ministério Público contra a decisão da Prefeitura de descontar os dias de paralisação. "Greve é um direito constitucional", argumentou o parlamentar.


O ESTADO DE SÃO PAULO 11/04/06
Greve nas escolas chega hoje ao 15º dia

Prefeitura ameaça descontar dias parados, mas categoria não cede

SILVIA AMORIM

A greve dos professores das escolas municipais entra hoje no 15º dia sem nenhum sinal de acordo entre Prefeitura e servidores. O Município endureceu o discurso na sexta-feira depois que sua proposta foi rejeitada pela categoria e comunicou que vai descontar os dias parados e exige a volta dos professores às salas de aula para retomar negociação. Até ontem à noite, a greve estava mantida.

Segundo o sindicato, 75% das quase 900 escolas de ensino infantil e fundamental estão paralisadas total ou parcialmente. A Prefeitura discorda e diz que a greve está concentrada no ensino fundamental. Das 334, 100 estariam funcionando precariamente. No restante, haveria paralisações pontuais.

Alunos da Emef Enzo Antônio Silvestrin, no Jaraguá, zona norte, não vão à escola há duas semanas. Das 17 salas de aula, 16 estão vazias. Uma única turma da 3ª série tem tido aula normal porque a professora não aderiu à paralisação. A escola tem 1.785 alunos matriculados.

Adriana, de 7 anos, vestiu ontem o uniforme e foi com a mãe Rosemeire Batista Nemet, de 25, à escola na esperança de ficar por lá. "Ela me pede todo dia para ir e pergunta se não vai nunca mais ter aula", contou Rosemeire. A caminhada, no entanto, foi em vão.

"Propomos o que é possível. Se eles não aceitaram, temos de cumprir com nossa obrigação", alertou o secretário de Gestão, Januário Montone. A Prefeitura propôs antecipação de dezembro para julho do pagamento de R$ 350,00 da Gratificação de Desempenho Educacional (GDE). Os professores exigem aumento do piso salarial de R$ 509,00 para R$ 960,00 (para professores com ensino médio) e de R$ 615,00 para R$ 1.159,00 (com curso superior). Segundo a Prefeitura, o salário médio da rede é de R$ 2.371,00 e somente 6% dos 53 mil professores recebem o salário-base.


O ESTADO DE SÃO PAULO 10/04/06
Falta professor preparado para educar jovens e adultos

Brasil só tem 14 instituições de ensino superior com cursos que ensinem a atuar em EJA

RENATA CAFARDO

Muito se fala na importância da Educação de Jovens e Adultos (EJA), antigo supletivo, para garantir que os recém-alfabetizados não voltem a ser analfabetos. Mas pouco se investe nela. A EJA de qualidade pede professores capacitados especificamente para ensinar adultos - cidadãos que já fracassaram no sistema escolar, com histórias de vida, conhecimentos próprios e que têm pressa para aprender. O País só tem 14 instituições de ensino superior com cursos que ensinem a atuar em EJA; no Nordeste, onde estão as maiores taxas de analfabetismo, são apenas quatro.

Políticas públicas isoladas em alguns municípios capacitam esses profissionais. O Ministério da Educação (MEC) começou só recentemente com programas tímidos. Este mês, a maior ONG alfabetizadora do País, a Alfabetização Solidária, percebeu que era preciso investir em EJA e está formando professores em parcerias com universidades. "É difícil melhorar a educação das crianças se seus pais e irmãos são analfabetos ou analfabetos funcionais", diz a superintendente executiva da Alfabetização Solidária, Regina Esteves.

A EJA compreende os ensinos fundamental (1ª a 8ª séries) e médio, mas cursados em menos tempo. Em geral, o ensino fundamental é feito em três anos. O Brasil tem 4.619.409 milhões de alunos de EJA. Só 3.397 dos 5.560 municípios a oferecem. Pesquisas mostram que não adianta um programa para baixar os índices de analfabetismo, hoje em 13%, se os alunos não continuarem seus estudos.

São 301.995 professores de EJA; 37% deles formados apenas em ensino médio. "A formação do professor tem de ser como a do médico ou a do engenheiro, tamanha é a complexidade do trabalho com o ser humano", diz a coordenadora do núcleo de estudos de Jovens e Adultos da Universidade de São Paulo (USP), Stela Piconez. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, pede que todos os professores do País estejam formados em nível superior até 2007.

Mas o Brasil tem ainda professores que sequer terminaram o ensino fundamental; são 282 entre os que trabalham em EJA. Outros 1.947 não chegaram a começar o ensino médio. Três das dez cidades com os maiores índices de analfabetismo do País não têm um professor com ensino superior - Jordão (AC), Guaribas (PI) e Fernando Falcão (MA).

AUTO-ESTIMA

O novo programa da Alfabetização Solidária oferece um ano de curso aos professores de EJA de algumas cidades, parte feito numa universidade parceira, parte no próprio local de trabalho. As primeiras turmas começaram no mês passado. O custo de cada professor capacitado é de R$ 157 por mês, que será bancado por empresas. "Não se pode imaginar que o aluno não sabe nada. É preciso ensinar a partir dos seus conhecimentos já adquiridos", explica Regina.

A professora de EJA e aluna do curso da Alfabetização Solidária Janice Nascimento de Melo, de 33 anos, diz que uma das suas estratégias é ouvir as histórias que seus estudantes têm a contar. Ela dá aulas há quatro anos na EJA de São Bento do Una, no interior de Pernambuco. "Trabalho a auto-estima, faço com que eles confiem em mim. O adulto precisa ser cativado", completa. Sua colega Maria Jussara de Macedo, de 27 anos, conta que aprendeu a inserir a disciplina de filosofia nas aulas. Até então, o foco era em português e matemática.

Para o secretário de Alfabetização, Inclusão e Diversidade do MEC, Ricardo Henriques, o professor bem preparado é peça fundamental para combater o maior problema da EJA: a evasão. "Se ele não tem a técnica, o aluno vai embora." Apesar dos avanços na área durante o governo atual - todos os municípios que oferecem EJA hoje recebem verba do MEC, o que não ocorria até 2005 -, ainda faltam políticas públicas voltadas ao professor.

Uma das primeiras tentativas do MEC deve começar em maio com a capacitação de professores para trabalhar em EJA no campo. O projeto chamado Saberes da Terra oferecerá ensino fundamental aliado a uma formação profissionalizante para 5 mil alunos. O currículo terá, além das disciplinas convencionais, qualificações para agricultura familiar, pesca, extrativismo e artesanato.

O MEC também entregará dentro de dois meses um conjunto com cinco livros didáticos específicos para os professores que atuam em EJA em todos os municípios do País. Eles falam sobre as características dos alunos desse nível de ensino, sobre as avaliações e sobre como ocorre o processo de aprendizagem.

Educadores defendem valor mínimo no Fundeb

Profissionais de Educação de Jovens e Adultos (EJA) defendem que a área seja tratada da mesma maneira que o ensino básico regular no novo Fundo para a Manutenção do Ensino Básico (Fundeb). O projeto já obteve uma aprovação na Câmara dos Deputados em dezembro, mas ainda está sendo discutido pelo legislativo.

"Por mais que haja prioridade para o ensino básico, não se pode condenar a geração atual ou passada a não se escolarizar", diz a superintendente executiva da Alfabetização Solidária, Regina Esteves. Ela defende que, com o Fundeb, o valor mínimo investido por aluno seja o mesmo no ensino básico regular e na EJA. A posição é compartilhada pelo secretário de Alfabetização, Inclusão e Diversidade do MEC, Ricardo Henriques.

O fundo é constituído por 20% da arrecadação dos impostos de Estados e municípios, que depois são divididos conforme o número de alunos na rede. Quando o Estado não chegar ao valor mínimo, a União vai complementar com recursos próprios até o total exigido por lei. O aporte do governo federal será de R$ 50,6 bilhões por ano. Os valores mínimos para cada série ainda não foram determinados.

Mas já há exemplos das diferenças se forem comparados os recursos investidos por meio do fundo atual, o Fundef, que atinge apenas o ensino fundamental. Os valores mínimos são R$ 682,60 (1ª a 4ª série) e R$ 716,73 (4ª a 8ª série) por aluno do ensino regular. Com o orçamento que o MEC tem para EJA, de cerca de R$ 500 milhões, são aplicados entre R$ 40 e R$ 250 por estudante desse nível de ensino.

A EJA também é oferecida por escolas privadas ou pelo terceiro setor. O projeto Ilha de Vera Cruz, da Escola Vera Cruz, atende gratuitamente 140 alunos jovens e adultos, toda noite. São 120 professores voluntários, capacitados continuamente para as aulas. A evasão não chega a 10%. "Comecei insegura porque muitos dos alunos eram mais velhos que eu. Mas é gratificante dar aulas para quem realmente quer aprender", diz a professora Juliana Salles Leme, de 25 anos, que é bióloga e voluntária do Vera Cruz. R.C.


O ESTADO DE SÃO PAULO – 09/04/06
Pais neuróticos, filhos em terapia

Dificuldades no aprendizado, como distração, cada vez mais são encarados como uma doença a ser tratada

SIMONE IWASSO

Mau aluno é um tipo raro hoje em dia. Criança desobediente, então, nem se fala. Adolescente desinteressado é porque ainda está na terapia. Agora, o que não falta são disléxicos, portadores de transtorno de déficit de atenção, hiperativos, depressivos, disgráficos e uma série de pacientes precoces para tratamentos de variados outros distúrbios que cada vez mais entram no vocabulário de pais e professores. O que não seria problema, não fosse o fato de que muitos deles, na verdade, não são nada disso. E, segundo pesquisas e especialistas, fazem tratamentos e tomam remédios sem necessidade.

"A psicopedagoga me chamou e disse que minha filha não tinha nada", conta a consultora comercial Elizete Batista da Silva. A filha, Taís, de 13 anos, foi levada para a profissional por causa do baixo rendimento e da falta de atenção em sala de aula - isso quando os pais se separaram. "A coordenadora da escola disse que ela tinha dificuldades de aprendizagem. Eu estava preocupada. No fim, percebi que ela só achava as aulas chatas e estava triste. Ela preferia brincar, como eu mesma quando tinha a idade dela."

O fenômeno do qual Taís é mais um exemplo tem nome: "medicalização" ou "patologização" do fracasso escolar. Em outras palavras, uma tendência de atribuir determinadas características - desatenção, desinteresse, falta de concentração, inquietação, desobediência ou notas baixas - a origens físicas. Indicam-se pílulas ou consultas como soluções mágicas para corrigir o comportamento que está um pouco diferente daquilo que, se pensa, seria normal. A conseqüência é um excesso de tratamentos e remédios.

"Enxerga-se a diferença como doença. Aí, procurando, com critérios subjetivos, encontra-se de tudo. Há um excesso muito grande e observamos que todo mundo está com medo de errar", afirma a psicanalista Kátia Forli Bautheney, pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Em levantamento feito em 12 escolas da Grande São Paulo, Kátia encontrou números que comprovam sua percepção: a cada 35 crianças, 10 são levadas para diversas terapias. E apenas um terço delas precisava mesmo disso.

Nos consultórios psiquiátricos e pediátricos, os excessos estão nas prescrições. No Programa de Habilitação Cognitiva e Novas Tecnologias da Inteligência da Faculdade Ruy Barbosa, em Salvador (BA), 58% das crianças encaminhadas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDHA) tomavam remédios. Após um diagnóstico mais elaborado, verificou-se que apenas 20% delas tinham de fato o problema. "O resto tomava um remédio forte, que tem efeitos colaterais, sem nenhuma necessidade", explica a psicóloga Taya Soledade, que analisou 101 pacientes.

"Nesse monte de criança diagnosticada com patologias, muitas coisas são malcriação mesmo", afirma o psiquiatra infantil Francisco Assumpção, diretor do Serviço de Psiquiatria Infantil e da Adolescência do Hospital das Clínicas da USP.

Acostumado a atender crianças que realmente precisam dos remédios e que podem se beneficiar deles, ele conta que é comum pais chegarem ao consultório já pedindo a receita. "Se você nega porque vê que o filho não precisa, eles não aceitam e procuram outro médico. É muito simplista e fácil achar que uma pílula resolve tudo."
Assumpção explica que esses distúrbios são de difícil diagnóstico, e que mesmo entre os médicos, são poucos os especializados em psiquiatria infantil, os mais capacitados para o problema. Não por acaso, a venda de psicotrópicos no País subiu 930% nos últimos cinco anos, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Usuário de Medicamentos.

"Nunca se falou tanto em distúrbios, tirando a responsabilidade de pais e professores e banalizando uma questão que é séria", afirma a psicopedagoga e pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) Juliana Nutt. "Isso porque continua existindo uma dificuldade da educação em lidar com alunos que desviam da norma. Todo mundo tem de ser igual, ter a mesma motivação e as mesmas dificuldades."

Na casa de Pedro Malerado, de 11 anos, a família inteira foi parar no consultório de uma psicóloga por ele ser um "menino bagunceiro", na definição da mãe, Sheila. "A escola indicou e nós fomos. Foi até bom para mim e para o pai dele tratarmos questões nossas. Mas, ele mesmo, era só bagunceiro, é naturalmente desligado. E a escola não está preparada para esse tipo de aluno", reclama. Hoje, Pedro descobriu que tem um problema de coluna.

Quem trabalha do outro lado, atendendo as crianças, faz ressalvas importantes. "Há escolas que não sabem lidar com o aluno diferente, aquele que foge mais do ritmo dos outros. Mas não podemos ignorar que muitas crianças têm problemas e se beneficiam de um acompanhamento sério, especializado. E as boas escolas já estão encaminhando apenas esses que precisam, que só têm a ganhar com diagnóstico e tratamento adequado", diz Sílvia Amaral, psicopedagoga e coordenadora do Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento (CAD).

Psicopedagogo não é professor particular

Em meio à confusão dos diagnósticos, das neuroses e das inseguranças de pais e filhos, além da falta de preparo de parte dos professores para lidar com as diferenças, especialistas alertam para outro problema: a proliferação de pessoas que se intitulam psicopedagogos sem ter a formação necessária. Apesar de ainda não ser regulamentada no Brasil - existe um projeto de lei tramitando no Congresso sobre isso -, a profissão tem uma associação que congrega as pesquisas e os profissionais que trabalham na área há cerca de 30 anos. Para saber se um profissional é mesmo psicopedagogo pode-se consultar uma lista disponível no site
www.abpp.com.br.

Para se tornar psicopedagogo, é necessário ter uma graduação em algum curso superior, geralmente da área de saúde ou de humanidades. Depois, fazer um curso de especialização com duração de dois anos, oferecido em algumas universidades. Após comprovar ter trabalhado na área por cinco anos, o profissional pode se associar à Sociedade Brasileira de Psicopedagogia.

Psicopedagogo também não é a mesma coisa que professor particular, que apenas ajuda o aluno a aprender melhor alguma disciplina da escola ou a fazer a tarefa de casa. A especialização é uma mistura de conhecimentos da psicologia, da psicanálise, da lingüística, da pedagogia e outras áreas do conhecimento.

Escolas buscam equilíbrio na hora de encaminhar
Profissionais devem trabalhar com família quando notam exagero

Quando os problemas das crianças e adolescentes aparecem com mais evidência dentro da escola, até que ponto se deve atribuir responsabilidade ao aluno, a falhas do ensino ou ao reflexo de questões familiares? O questionamento é do diretor de ensino do Colégio Pueri Domus, Luis Antonio Laurelli. Segundo ele, a pergunta é feita com cada vez mais freqüência entre seus professores.

Para lidar com esse desafio, o colégio está repensando sua maneira de ensinar. Uma das ações implementadas foi o programa de tutores. A partir da 4ª série do ensino fundamental, os alunos têm quatro horas semanais para discutir métodos de leitura, dificuldades e formas de aprendizado.

Mesmo assim, de acordo com Laurelli, quando o comportamento do aluno permanece problemático, a solução é encaminhar para especialistas. "Temos de ser responsáveis nessa análise, para não superdimensionar nem uma coisa nem outra. Não podemos ir para um lado e achar que a escola pode fazer diagnóstico de aluno. Mas também não podemos ignorar o fato de que há os que precisam de tratamento."

A busca do equilíbrio também é a proposta do Colégio I.L.Peretz, que tem uma equipe própria formada por psicopedagogos, psicólogos e fonoaudiólogos. "Você vai observando, vê com a equipe, chama a família, conversa com a professora. Somente quando percebe que todas essas ações não resolvem, recomenda para uma psicopedagoga, que é a profissional capaz de olhar todos os aspectos da aprendizagem do aluno", explica a educadora Anete Hecth, diretora de ensino do colégio.

QUEM PRECISA DE AJUDA?

Quando se recorre à psicopedagoga, o primeiro passo é fazer o diagnóstico, para saber se é mesmo a criança quem precisa de tratamento. "O psicopedagogo só trata questões de aprendizagem. Pais e escolas precisam tirar a dúvida e nos procuram. E existe os que precisam de acompanhamento e os que não precisam", afirma Irene Maluf, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

Ela conta que, quando chega uma criança ou adolescente que não tem nenhum problema, o primeiro passo é chamar os pais. "Às vezes, por trás da criança, percebemos aquela neurose obsessiva dos pais de quererem que o filho seja o melhor. Há casos em que a criança traz os problemas da família. Há casais que precisam que o filho seja problemático para manter a relação, para ter uma desculpa que justifique continuarem juntos."

Nesses casos, o melhor, segundo Irene, é trazer os pais para o consultório, e assim tirar o foco da criança. Aos poucos, diz ela, alguns casais compreendem a verdadeira natureza da questão. Outros simplesmente desaparecem e levam o problema para outra pessoa. S.I.


O ESTADO DE SÃO PAULO – 08/04/06
Protesto reúne 4 mil professores


Servidores municipais mantêm greve até 4.ª-feira e fazem passeata da Paulista até Prefeitura

Fabiano Rampazzo

A greve dos professores municipais vai continuar. Em assembléia com cerca de 4 mil participantes - realizada ontem às 14 horas no vão livre do Masp, na Avenida Paulista -, o Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal (Sinpeem) definiu a continuidade da paralisação pelo menos até quarta-feira, quando a Prefeitura deve responder ao pedido de aumento salarial da categoria.

No dia 12, o Sinpeem ainda pretende realizar novo protesto, na frente da Secretaria Municipal de Gestão, no centro. Ontem, os cerca de 4 mil professores - número calculado pela Polícia Militar - fecharam por duas horas a pista sentido Consolação, na frente do Masp. Depois, seguiram em passeata pela Rua da Consolação até a sede da Prefeitura, no Viaduto do Chá. O sindicato, por sua vez, estimou em 20 mil o número de manifestantes.

"Outras entidades aderiram à causa, alugamos 145 ônibus, fora os que vieram de metrô, ou a pé. O movimento cresce", disse Cláudio Fonseca, presidente do Sinpeem. A assembléia teve até coreografias promocionais. "Vamos levantar as bandeiras para a imprensa ter imagens", orientava um sindicalista no carro de som.

Em nota, a Secretaria de Gestão pediu a retomada do funcionamento das escolas. A proposta da Prefeitura, de pagar antecipação de R$ 350,00 em julho, por meio de Gratificação de Desempenho Educacional (GDE), foi rejeitada pela categoria.

O Sinpeem reivindica que o piso salarial para os profissionais quem têm ensino médio suba de R$ 509,00 para R$ 960,00, por 20 horas semanais. Para os professores com ensino superior completo, a reivindicação é que o salário base seja reajustado de R$ 615,00 para R$ 1.159,00.

O sindicato ainda quer que os funcionários que trabalham na manutenção das escolas tenham o salário reajustado de R$ 457,00 para R$ 960,00, por 40 horas semanais. Segundo a secretaria, 22,22% dos professores ganham salário inicial.

COLABOROU NATÁLIA ZONTA


JORNAL DA TARDE – 12/04/06
Pais se desesperam com a greve

Famílias não sabem o que fazer com os filhos diante da paralisação dos professores

CAMILA ANAUATE

A greve na rede municipal de ensino completa hoje 16 dias e já provoca desespero em pais e alunos. "A Prefeitura deveria ter resolvido o problema antes de deixar as crianças sem aula", reclama a doméstica Francisca Paula Cunha, 39, mãe de Sandy, 11, aluna da Emef Olavo Fontoura, no Jardim Clímax, Zona Sul da Capital.

Pelas ruas do bairro, Sandy brinca com outras tantas crianças, também sem aula há 16 dias. "É justa a reivindicação dos professores, mas estou odiando isso", desabafa Francisca. O desespero da mãe é explicado pela mudança de rotina na casa: Sandy agora passa o dia assistindo à televisão ou brincando na rua. "Ela não tem estímulo para estudar", reclama a mãe.

Para a cabeleireira Amanda Pereira de Melo, 23, o peso de ter as duas filhas sem estudo é ainda maior. Para não deixá-las sozinhas em casa, Amanda leva todos os dias Natália, 7, e Nayara, 6, para o salão de beleza onde trabalha. "Atrapalha, mas não tem outro jeito."

As meninas estudam na Emef Prof. Sylvia Martin Pires , na Vila Vera, também na Zona Sul, e sentem falta da escola. "Gosto de escrever e aprender. Agora fico brincando no salão da minha mãe", conta Natália. "O trabalho interrompido prejudica o aprendizado. Depois, ninguém merece perder férias para repor aula", desabafa a mãe.
Para Maria Teixeira de Lima, 68, avó de duas crianças a Prefeitura deve aumentar os salários dos professores e diretores. "Mas as crianças não podem perder o ano."

Hoje, está prevista outra manifestação dos professores da rede municipal, em frente à Secretaria de Gestão, no Centro.


JORNAL DA TARDE – 11/04/06
Pai presente amplia resultado na escola

MARIA REHDER

“Antes de ir à obra, pedia para que as minhas filhas ficassem de olho no noticiário e, quando voltava, conversava com elas sobre as coisas que ocorriam no mundo, cobrava a leitura, pois não queria que elas passassem pelo que eu passei”, afirma o mestre-de-obras Carlos Alberto Calisto de Almeida, pai de Ana Cleia, jovem que hoje, aos 18 anos, acumula vários certificados e mostra na prática como a família tem papel fundamental no incentivo ao jovem para tomar iniciativas na escola e comunidade.

Há 17 anos, a família de Ana Cleia deixou o interior da Bahia para tentar uma vida melhor em São Paulo. “No começo foi difícil, pois eu, minha mulher e as meninas morávamos em um barraco, éramos tratados como marginais”, lembra Carlos, que hoje se orgulha ao mostrar sua casa, construída por sua família, localizada no Jardim Damasceno, Zona Norte.

Entretanto, o mestre-de-obras conta que, mesmo com as dificuldades, priorizou o estudo das filhas. “Aos poucos, conquistei melhorias com o meu trabalho de pedreiro, nunca deixei a família desanimar e sempre estive próximo à escola, participando dos projetos”, afirma o pai de família, que não teve a oportunidade de concluir o ensino básico , mas é um leitor assíduo.

É neste contexto familiar que Ana Cleia, aos poucos, foi ganhando destaque na sua vida escolar. “Um dia vi um cartaz sobre o projeto Parlamento Jovem e fui até a diretoria para participar”, conta.
Em 2002, quando cursava a 7ª série do Ensino Fundamental na EMEF Geraldo Sesso Jr., a jovem foi eleita vereadora-mirim. “Falei sobre os projetos da minha escola na Câmara Municipal e fiquei mais próxima dos professores”, diz.

Desde então, Ana Cleia passou a representar a escola no município e se envolveu em outros projetos. “Conversava com todos alunos e professores para pôr em prática programas em nossa escola, o que me fez conquistar também outro título: o de delegada-mirim”, destaca.

Atualmente, a filha de Carlos cursa o terceiro ano do ensino médio e coordena o programa de rádio e jornal da sua antiga escola do ensino fundamental. “Quando saí da Geraldo Sesso Jr. vi que não podia abandonar o projeto. Semanalmente, me reúno com alunos de lá e por meio de um programa de rádio a escola interage com a comunidade”, comenta.

O papel da família na escola

Segundo Ismar de Oliveira Soares, coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE-USP), a família tem papel fundamental para incentivar os filhos na atuação na comunidade e auxiliar os professores na condução do processo pedagógico. “A autonomia assistida é como chamo o caso de Ana Cleia, quando os pais incentivam a participação em projetos, sejam eles na escola, na igreja, ou em clubes, o que desenvolve a liderança, mas ao mesmo tempo exige responsabilidade”, explica.

O educador diz que no Brasil ainda predominam a proteção exagerada ou a liberdade em excesso. “Há pais que acreditam na escola, mas não se envolvem com os projetos. Também vemos casos, principalmente em família de baixa renda, de pais que ignoram a escola e largam seus filhos nas ruas”, avalia.

Ismar indica que os pais devem dar liberdade aos seus filhos, mas também têm de participar de seus projetos. “A proximidade da família com a escola é fundamental, mas os pais também devem trazer para dentro de casa algum tipo de literatura, promover a discussão sobre uma revista ou jornal”, indica.

Já o espanhol Fernando Hernandez, coordenador do Centro de Estudos sobre Mudança na Cultura e na Educação da Universidade de Barcelona (Cecace), ressalta que cabe aos educadores abrir as portas da escola . “A cultura brasileira ainda é rígida, os professores devem fazer uso de projetos extracurriculares que permitam que a comunidade escolar se torne sujeito da sua própria história.”


JORNAL DA TARDE 10/04/06
Criança precisa de Páscoa

Professores dizem que manter a fantasia do coelho é importante para os alunos

Márcio Oyama

Com cinco anos, seu filho já pede celular e computador de presente, questiona a invasão americana no Iraque durante o jantar e debate as eleições na sala de aula. Dá para falar com ele sobre coelho da Páscoa? É certo a escola insistir na fantasia toda vez que o “feriado achocolatado” se aproxima?

Sim, diz Carla Menezes, coordenadora da Unidade de Educação Infantil do Colégio Augusto Laranja. “Hoje em dia, a criança é trazida à realidade muito cedo. Ela vê o jornal na tevê, participa das conversas dos pais. Por isso, resgatar a questão da fantasia é fundamental.”

A escola já está inteira enfeitada para receber a Páscoa, com desenhos de coelhos e ovos por todos os cantos. Tudo para criar o suspense. Na quarta-feira, aparecerá o tão esperado coelhão. “É preciso acreditar nele nessa fase da vida. É importante para o desenvolvimento infantil”, afirma Carla.

A mesma opinião é compartilhada por Marta Bitetti, coordenadora pedagógica da Escola de Educação Infantil Ápice. “Assim como o Natal, a Páscoa é uma data propícia para o desenvolvimento da criatividade da criança. Além disso, auxilia os pequenos a lidar com a noção de tempo, já que eles associam a Páscoa à comemoração que chega depois do Carnaval, antes da Festa Junina.” Marta conta que a Ápice também já está toda decorada com motivos pascalinos. “Espalhamos as marcas dos passos do coelho pela escola e escondemos bilhetinhos.” Atividades relacionadas à data também são desenvolvidas - na sexta, as crianças pintaram cestas de Páscoa.
As duas coordenadoras fazem questão de ressaltar que a fantasia é deixada bem longe das questões religiosas. “Aproveitamos a data para introduzir nas crianças valores positivos, como a solidariedade. Mas nada ligado à religião”, adianta Marta. Neste ano, as crianças da Ápice vão doar chocolates e mantimentos para uma instituição de caridade.

“Mostramos o ovo como um símbolo da vida, um incentivo para o recomeço, a retomada. O coelho é passado como a fartura, a fertilidade, a renovação. Tudo isso sem nenhum cunho religioso”, emenda Carla. “Temos crianças de várias religiões na escola e cabe aos pais passar a elas os seus valores.”

Também é tarefa dos pais manter ou acabar com a fantasia do coelho, diz a coordenadora. “Não acho que seja papel da escola contar se o coelho existe ou não.” No entanto, Carla admite: “Na maioria das vezes, a criança descobre sozinha”. Hoje, mais do que nunca.

Cara a cara

O pesquisador Claudemir Edson Viana, do Laboratório de Pesquisas sobre Infância, Imaginário e Comunicação (Lapic) da Universidade de São Paulo (USP), concorda que a Páscoa é uma ótima data para se desenvolver na criança a fantasia e a criatividade, tão benéficas para o seu futuro. No entanto, ressalva: as escolas - e até os pais - o fazem de maneira errada.

Para Viana, influenciadas pela mídia - que resume a Páscoa ao ovo, com o objetivo de vendê-lo aos montes -, as escolas acabam reforçando nos pequenos, ainda que involuntariamente, o consumo, deixando de lado o real significado da data.

“Algumas escolas até tratam um pouco da história da data, mostrando a sua origem. Mas, no fim, desenvolvem atividades que focam apenas o ovo e o coelho. Sem querer, elas reforçam a idolatria, deixando o símbolo sem sentido”, afirma Viana.

De acordo com o pesquisador, os pais também contribuem para dar à celebração um tom unicamente comercial. “Apenas presenteando os filhos na Páscoa com os ovos, eles ficam no consumo, fortalecendo nas crianças o desejo por ele.”

Apesar de não concordar com a maneira como a data é “vendida”, Viana garante que tanto educadores quanto os pais não precisam acabar com a fantasia do coelho. Devem apenas introduzi-la de maneira mais crítica.
“Poderia haver um aproveitamento saudável da data, com uma leitura crítica dela. Os professores e os pais poderiam, por exemplo, brincar com as estratégias de mercado para se vender os ovos”, ensina o pesquisador.”

A palavra Páscoa tem origem hebraica e significa passagem. Para os judeus, marca a libertação do povo hebreu após um longo período de escravização no Egito. Para os católicos, é uma das datas mais importantes do calendário cristão, significando a superação da morte e a passagem para uma nova vida.
Claudemir Viana, pesquisador do Lapic, da USP

Seu filho no alvo

As crianças são a bola da vez das estratégias de marketing mundiais, mostra o livro ‘Crianças do Consumo’ (Instituto Alana, 322 págs., R$ 39), da psicóloga Susan Linn. Descubra como isso vem afetando o comportamento dos pequenos e como pais e professores devem lidar com as exigências consumistas de filhos e alunos.

Agitação não é hiperatividade

Nem toda criança agitada é hiperativa. Com a vasta divulgação dos sintomas do distúrbio de déficit de atenção (DDA), que se manifesta na infância - geralmente em atitudes como distração, agitação intensa, dificuldade de manter a concentração -, muitos pais têm levado seus filhos ao médico dizendo possuir em casa um "doente".
No entanto, segundo artigo publicado no 'British Journal of Psychiatry', apenas 3% de todas crianças com comportamento suspeito no mundo são realmente diagnosticadas com o distúrbio. Outro fator de exclusão é o sexo: a hiperatividade é dez vezes mais comum nos meninos do que nas meninas.

As causas do DDA ainda são desconhecidas. Há vários fatores apontados pelos médicos como responsáveis pela hiperatividade: hereditariedade; desequilíbrio químico; lesão ou doença na hora do parto; e um problema no sistema nervoso central.


JORNAL DA TARDE – 09/04/06
Agende um passeio pelas águas do Tietê
 

Uma grande novidade para os professores que pretendem levar a sua turma de alunos para navegar pelo "Novo Rio Tietê" é que a Secretaria de Estado de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento, por meio do telefone 11-3052-1362, começa a partir de amanhã o agendamento de passeio gratuito e monitorado pelo rio na área metropolitana para as 7ªs. e 8ªs. séries do ensino fundamental de escolas públicas.

Sabesp chama aluno para seu showroom

O showroom da Sabesp é uma boa dica de passeio para as crianças, estudantes, adultos e professores que queiram saber mais sobre o processo de tratamento de esgoto por meio de recursos interativos.

Os interessados podem agendar horários individuais ou em grupos, pelo telefone: 0800- 013 34 99.


JORNAL DA TARDE 08/04/06
Professores no 12º dia de greve

Após mais uma manifestação, decidiram ficar parados até quarta

FABIANO RAMPAZZO

Os professores da rede municipal de ensino de São Paulo decidiram ontem manter a greve que já dura 12 dias. A decisão foi tomada em assembléia realizada no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. Eles devem manter a paralisação até quarta-feira, quando nova assembléia e manifestação serão realizadas em frente à Secretaria de Gestão, na Rua Líbero Badaró.

Às 14h30, cerca de 4 mil manifestantes, segundo a Polícia Militar, se reuniram no Masp e, após assembléia, saíram em passeata pela Rua da Consolação até a sede do governo municipal, no Vale do Anhangabaú, região central de São Paulo. Por volta das 17h40, o protesto foi encerrado.

O sindicato estimou em 20 mil pessoas o número de professores e simpatizantes que participou do evento. "Outras entidades aderiram à causa, alugamos 145 ônibus, fora os que vieram de Metrô, ou a pé, só de ônibus alugados, o movimento cresce cada vez mais", disse Cláudio Fonseca, presidente do o Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem).

Esta foi a quarta manifestação da categoria. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), durante o protesto, foi interditada uma faixa da Paulista e Consolação, o que prejudicou o trânsito, causando reflexos em várias ruas da região.

Reivindicações

O sindicato da categoria pede para que os salários de professores no início de carreira suba de R$ 509,00 para R$ 960,00 por mês.

Já para os professores de nível superior o aumento pedido é de R$ 615,00 para R$ 1.159,00.

A categoria ainda pede que o aumento seja estendido para os profissionais que trabalham na manutenção das escolas. Eles querem que o valor suba de R$ 457,00 para R$ 960,00 por mês. Segundo o sindicato, 75% das escolas aderiram à greve; a prefeitura diz que esse é número de 20%.

Em nota, a Secretaria de Gestão conclamou todos a garantirem o funcionamento normal e regular da rede. A proposta de pagar antecipação de R$ 350,00 em julho, por meio de Gratificação de Desempenho Educacional (GDE) foi rejeitada pela categoria.


OBSERVAÇÕES
As reportagens publicadas nos jornais Diário de São Paulo e Agora SP não são disponibilizadas na Internet


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