visitou a família, era dia da Suzana ir para a escola. Samira ficou em casa, sem estudar. “A Suzana entrou e eu fiquei triste. Queria ficar na escola”, conta a outra gêmea.“É bem difícil para uma mãe ter que fazer a seleção de pessoas dentro da própria casa, se tratando dos filhos”, fala a mãe.
Vanessa explica que a dificuldade para conseguir matricular as gêmeas começou em 2008, repetiu em 2009 e em 2010 também. Até maio, as meninas estudavam em outra escola, na Zona Norte. A família precisou se mudar para a Zona Leste e o problema ressurgiu.
“Eles dizem que o sistema leu o cadastro delas como duplicidade e eu não sei como, porque até CPF eu já tirei pra elas. A instrução que eu tive era de desistir da vaga. Eles iam cancelar o cadastro das duas, começar tudo de novo e as duas ficaram sem escola. Então, não aceitei”, explica Vanessa.
Para quem as duas frequentem a escola, a mãe tomou uma decisão arriscada. “No ano passado eles me fizeram desistir da vaga pra Suzana e esse ano eu disse que não ia desistir. Decidi que ia mandar as duas na mesma vaga. Vou intercalar, um dia para cada. A Suzana vai de segunda e quarta, a Samira vai de terça e quinta e na sexta-feira uma semana para cada.
Livro de ocorrência
A reportagem do SPTV foi feita na segunda-feira (14), dia da Suzana. Na terça-feira, dia da Samira, a mãe avisou a escola sobre a troca. Na hora da chamada, a Samira não respondeu e a Suzana levou falta. Quando a mãe foi buscar a menina, ela foi repreendida pela coordenação e teve que assinar um livro de ocorrência.
Vanessa afirma que vai manter o revezamento das filhas até o fim da semana, como forma de protesto. Ela já procurou o Conselho Tutelar, o Ministério Público e a Diretoria de Ensino da Prefeitura e diz que ninguém resolveu nada.
Nota da secretaria da Educação
A Secretaria da Educação não quis dar entrevista e enviou uma nota. O órgão reconhece que houve um erro no cadastramento da Samira, lamenta profundamente o que aconteceu e pede desculpas a Vanessa.
Segundo a secretaria, o problema foi causado porque um funcionário que atendeu a mãe das gêmeas quando ela se mudou para a Zona Leste não recuperou os dados do cadastro que Vanessa já tinha na Prefeitura. A secretaria diz que vai apurar o erro e que está resolvendo o problema. As duas meninas terão vagas garantidas nos próximos dias.
O ESTADO DESÃO PAULO – 15/06/2010
''Por que Joãozinho não aprende a ler''
* JOÃO BATISTA ARAUJO E OLIVEIRA
O título deste artigo reproduz o de um livro publicado em 1953 e que provocou intenso debate sobre métodos de alfabetização. A polêmica durou até o final do século, quando o assunto foi definitivamente resolvido. No resto do mundo, não no Brasil. Uma análise das 19 cartilhas de alfabetização aprovadas pelo Ministério da Educação (MEC) em 2009, e que estão em uso na maioria das escolas públicas, revela a razão. Neste artigo, comentamos apenas alguns aspectos dessa análise.
Comecemos pela bibliografia citada pelos autores. Bibliografia reflete as orientações usadas. Dentre as 265 referências bibliográficas citadas nas 19 cartilhas, apenas cinco se referem a estudos especificamente voltados para os aspectos centrais da alfabetização, isto é, o funcionamento do código alfabético. Nas cinco, dois autores são os mais citados. Trata-se dos mesmos que o MEC vem mencionando desde que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) entronizaram as ideias ultrapassadas e equivocadas que continuam desorientando os professores em todo o País. Cabe notar que, nessas 265 citações, não há referência alguma a nenhum dos artigos mais citados nos índices de publicações científicas internacionais sobre alfabetização ou nos documentos oficiais dos demais países que utilizam o código alfabético.
Em matéria de pedagogia, não é só o MEC que está na contramão dos progressos da ciência: alguns governos estaduais e municipais, que continuam produzindo suas próprias cartilhas, o fazem com base nos mesmos pressupostos equivocados.
Outro aspecto da análise se refere ao descumprimento sistemático dos termos de referência do edital do Programa Nacional do Livro Didático. Por insistência pessoal do ministro Fernando Haddad, que enfrentou ruidosas resistências internas e externas, o edital introduziu dois requisitos: a apresentação adequada dos fonemas e grafemas - base de qualquer processo de alfabetização - e atividades próprias para desenvolver fluência de leitura. Esses dois requisitos não foram observados de forma minimamente adequada em nenhuma das cartilhas aprovadas. O prejuízo pedagógico é óbvio. Cabe ao Tribunal de Contas da União (TCU) decidir se isso constitui delito de improbidade administrativa por parte de quem deu e de quem aceitou os pareceres sobre essas cartilhas.
Cartilhas elaboradas com base em pressupostos equivocados não ajudam as crianças a aprender a ler e escrever. Mas qual é, de fato, o objetivo das cartilhas aprovadas? De acordo com seus autores, o importante é promover o letramento, os usos sociais da língua, a intertextualidade, as múltiplas linguagens, a produção textual e outros pomposos desideratos. O domínio do código alfabético que se dane! Ou que se danem os alunos, como atestam os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e as pesquisas sobre a capacidade de leitura dos brasileiros.
Na prática, o que acontece com as cartilhas é o mesmo que ocorre com os livros didáticos, especialmente os de Língua Portuguesa - um samba do crioulo doido. Nas primeiras páginas das cartilhas, por exemplo, o aluno é convidado a escolher quais palavras do texto (que ele não sabe ler) indicam frutas. Ou é convidado a "escrever do seu jeito" o nome das ilustrações. Ou a combinar sílabas, cuja leitura não lhe foi ensinada, para formar palavras. Ou a identificar, "usando pistas contextuais", qual de três frases completa um texto. Ou seja, tudo se passa como se a criança fosse um novo Champolion desafiado a decifrar a Pedra de Roseta. Ou a "formular hipóteses" sobre o valor fonológico dos grafemas. Se as pessoas fossem capazes de formular hipóteses pela mera exposição aos textos, como explicar a existência de analfabetos adultos numa sociedade urbana e letrada?
Nos países desenvolvidos, a questão dos métodos de alfabetização deixou de ser alvo de debates há pelo menos duas décadas, graças aos avanços das neurociências e às contundentes evidências a respeito da superioridade dos métodos fônicos. Os últimos redutos de resistência nos Estados Unidos acabam de ruir com a edição das novas orientações curriculares, nas últimas semanas.
Eis o que diz um dos mais importantes neurocientistas da atualidade, Stanislas Dehaene, na sua obra Os Neurônios da Leitura: "A conversão grafema-fonema é uma invenção única na história da escrita, que transforma radicalmente o cérebro da criança e sua maneira de ouvir os sons da língua. Ela não se manifesta espontaneamente, portanto, é preciso ensinar." Quanto à forma de ensinar, a ciência experimental demonstra que para alfabetizar bem é necessário apresentar os fonemas e grafemas de forma sequencial, intencional e sistemática. Essa é a função das cartilhas. O tema foi inclusive objeto de relatório e recomendações recentes da Academia Brasileira de Ciências, mas continua ignorado pelo establishment educacional.
Ignorar os avanços da neurociência e as evidências experimentais acumuladas sobre métodos de alfabetização não significa apenas defender uma posição ideológica a respeito da alfabetização: significa rejeitar a ideia de que a ciência pode contribuir para melhorar o ensino. Ou seja, pedagogia, como bruxaria, dispensa a ciência. Valem apenas as crenças e o poder de pressão das corporações. E é isso que fazem as universidades, no Brasil, e as autoridades responsáveis pela educação na maioria de nossas redes de ensino.
Não sabemos o que o TCU e o MEC farão para correr atrás do prejuízo. Mas sabemos quais são os resultados dessa política: no 5.º ano do ensino fundamental, metade das crianças não consegue entender o que lê. E agora sabemos por que Joãozinho não aprende a ler, no Brasil.
* PRESIDENTE DO INSTITUTO ALFA E BETO
O ESTADO DE SÃO PAULO – 15/06/2010
Professor é acusado de humilhar aluna em aula
Pais de estudante de 15 anos de Sorocaba dizem que garota, chamada de 'songamonga', teve de passar por tratamento psicológico e deixar escola estadual
José Maria Tomazela
A família de uma estudante de 15 anos denunciou um professor da Escola Estadual Genésio Machado, em Sorocaba, pela prática de violência verbal e intimidação contra a aluna. De acordo com a mãe da garota, Viviane Aparecida Barbieri Vicentini, durante uma aula, no início do ano, o professor ofendeu a menina, referindo-se a ela como "songamonga" e "morta". Como a aluna reclamou do tratamento, passou a ser perseguida pelo professor.
Segundo a mãe, um dia a estudante voltou para casa chorando por ter sido mandada à diretoria, apenas porque não sentara direito na cadeira. "Ela dizia que o professor estava pegando no seu pé e implicando com qualquer coisa." Viviane e o marido, que é professor da rede estadual, procuraram a direção da escola. Segundo a dona de casa, a opção oferecida foi de transferência para outra classe, mas ela não concordou. "Não queria que minha filha fosse transferida para uma turma mais fraca." De acordo com os pais, não havia registro de advertência contra a aluna na diretoria.
Mesmo assim, no boletim referente ao primeiro bimestre, a aluna teve falta nas 51 aulas da disciplina do professor e zerou todas as notas.
"Interessante que em outras disciplinas ela teve presença e recebeu notas", disse a mãe.
Segundo os pais, em decorrência do episódio, a garota passa por tratamento psicológico. Eles procuraram a Polícia Civil e registraram uma ocorrência para preservação de direitos. Em seguida, transferiram a adolescente para outra escola, mas decidiram processar o professor e o Estado. "A direção queria que minha filha saísse da escola, em vez de resolver o caso com o professor. Vamos entrar com o processo para que não aconteça com outras pessoas."
Procurados, o professor e a diretora da escola alegaram que o caso estava sendo avaliado pela Secretaria de Estado de Educação e eles não estavam autorizados a se manifestar.
A assessoria de imprensa da secretaria informou que a diretoria de ensino de Sorocaba já tem uma apuração preliminar do caso em andamento e, havendo culpados, os responsáveis serão punidos.
Um professor da escola, que não quis se identificar, defendeu o colega que, segundo ele, é um professor rígido, mas incapaz de ofender um aluno. Os pais da menina disseram ter testemunhas de que o professor tratava a aluna usando termos pejorativos e implicava com ela.
Violência simbólica. A socióloga Miriam Abramovay, coordenadora da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana e especialista em violência nas escolas, disse que, a confirmar a versão da mãe, ocorreu o que ela classifica de violência simbólica. "Existe uma relação de poder, na qual o professor é a figura mais forte e usa da violência verbal contra o lado mais fraco." Segundo ela, o que torna o caso incomum seria a reação da aluna ao se sentir ofendida. "Normalmente os alunos são xingados e não reagem."
Para Miriam, a direção do estabelecimento deve buscar um espaço para o entendimento em casos de conflitos. "Temos visto que os problemas acontecem dos dois lados. Aqui foi o caso da aluna xingada pelo professor e que reagiu. Mas há casos de professores e diretores que sofrem ameaças verbais e físicas dentro e fora da escola."
Miriam destaca que é importante que as barreiras entre a escola e os pais sejam reduzidas. "Uma conversa franca às vezes é a melhor forma de resolver o problema." Ela reconhece que às vezes o professor tem dificuldade para entender e aceitar o jovem de hoje. "Muitas vezes ele tem a autoridade contestada e não aceita. Mas não pode partir para a violência, ainda que seja apenas verbal. O professor é a parte mais forte nessa relação e a forma como ele age pode marcar a vida do aluno para sempre."
PRESTE ATENÇÃO
Medo da escola
Uma criança que apresente desconforto físico ou tristeza antes de ir para escola pode estar sendo vítima de alguma violência. Procure conversar com seu filho e com a direção da escola.
Novos comportamentos
Crianças que tenham mudança brusca de comportamento - eram falantes e tornam-se quietas ou passam a ser mais agressivas, por exemplo - também podem estar sofrendo.
CORREIO BRAZILIENSE – 15/06/2010
Estudo aponta crescimento do número de doutores no Brasil
Ascom MEC
Entre 1996 e 2008, houve um crescimento de 278% no número de doutores titulados no Brasil, o que corresponde a uma taxa média de 11,9% de crescimento ao ano. Esta é uma das conclusões do estudo do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), transformado na publicação Doutores 2010: estudos da demografia da base técnico-científica brasileira. Apresentado na última quinta-feira, 10, na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), pelos consultores Eduardo Baumgratz Viotti (Universidade de Brasília) e Rosana Boeninger (Universidade de Campinas), do CGEE, o estudo foi realizado com cruzamentos de dados da Capes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e dos ministérios da Ciência e Tecnologia, do Trabalho e Emprego e da Previdência Social.
Para Viotti, apesar dos avanços e do crescimento do número de doutores titulados para o desenvolvimento do país, o estudo mostra claramente a necessidade de mais investimento em políticas públicas para expandir e melhorar a qualidade de doutores brasileiros. “O número de doutores no Brasil ainda é muito pequeno em relação a países mais desenvolvidos, com tradição em pesquisa”, disse Viotti. “Em 2008, no Brasil, o número de doutores titulados foi de aproximadamente 11 mil doutores. Nos EUA, foram 48 mil titulados.” O estudo revela ainda taxas significativas de crescimento em todas as grandes áreas do conhecimento. Entre as que mais cresceram, destacam-se as ciências sociais aplicadas e as ciências humanas, que apresentaram crescimento de respectivamente 14,8% e 13,6% em média ao ano. Entre as que cresceram abaixo da média, 11,9%, estão as áreas de ciências exatas e da terra.
Multidisciplinar – Segundo os consultores, o grande destaque do estudo foi o desempenho da área multidisciplinar, que, apesar de em 1996 não existir, teve um crescimento médio de titulados de 59,8%. Em 2008, 415 doutores foram titulados na área, representando 3,9% do total de titulados no ano.
Emprego – Além do aumento no número de titulados, o estudo apresenta a área da educação como a que mais emprega doutores no Brasil. De cada dez doutores, oito trabalham em educação. Porém, o estudo indica uma crescente desconcentração para outros setores. “A concentração do emprego de doutores na educação está diminuindo e o que está em curso é um processo de dispersão do emprego para praticamente todos os demais setores”, disse Viotti. Gênero – Outro dado apresentado pelos consultores foi o aumento do número de mulheres tituladas. A partir de 2004, as mulheres deixaram de ser minoria entre os doutores. Dos 8.093 titulados doutores em 2004, 4.085 eram mulheres. A partir dos anos seguintes, o número de mulheres tituladas tem sido superior ao de homens. “O Brasil é pioneiro entre aqueles que conseguiram alcançar esse marco histórico de igualdade de gênero no nível mais elevado de formação educacional”, afirmou.
CORREIO BRAZILIENSE – 15/06/2010
Estudante da área rural poderá ter bicicleta para ir à escola
Ascom MEC
Estudantes da educação básica pública de áreas rurais terão, ainda neste ano, mais um apoio para chegar à escola. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) iniciou nesta segunda-feira, 14, pregão eletrônico para compra de bicicletas escolares. Estados e municípios poderão aderir a uma ata de registro de preços e usar recursos próprios ou de emendas parlamentares. A expectativa é de que sejam adquiridos cerca de 350 mil veículos no primeiro ano de vigência da ata. Segundo o diretor de administração e tecnologia do FNDE, José Carlos Wanderley Dias de Freitas, os alunos poderão dar suas primeiras pedaladas para a escola já a partir de outubro. “O registro de preços deve estar disponível para adesão até o final deste mês, mas temos de acrescentar ainda o prazo de produção e entrega das bicicletas, que é de 80 dias, dependendo da localidade demandante e da quantidade solicitada”, afirma Freitas. De propriedade das prefeituras ou dos governos estaduais, as bicicletas ficarão de posse dos alunos enquanto estiverem matriculados na rede de ensino. Caberá à diretoria de cada escola exercer o controle desse bem mais de perto. Lances – Empresas fabricantes interessadas em fornecer as bicicletas devem acessar o portal Comprasnet e formular seus lances. As vencedoras comporão a ata de registro de preços do pregão eletrônico.
Observação: as notícias deste clipping são meramente informativas, publicadas em jornais diários. Portanto, não expressam a opinião do SINPEEM. |
A DIRETORIA
CLAUDIO FONSECA
Presidente
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