Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

25/08/2006 – CLIPPING


O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.

JORNAL DA TARDE – 25/08/2006
Escolas buscam parcerias com a comunidade

MARIA REHDER 

Enquanto a Escola Estadual Blanca Zwicker Simões, Zona Leste, vem se organizando para reunir mais de mil membros de sua comunidade, no dia 1º/9, para a realização da 2ª Caminhada da Paz, a professora Regina Martins, do outro lado da cidade, promove encontros quinzenais com pais de alunos da Emef Luiz Tenório de Brito, Zona Sul, para debater a importância da participação da comunidade na gestão das escolas públicas.
A discussão sobre os possíveis caminhos para a criação de parcerias com a comunidade, como as realizadas por estas duas escolas públicas, serão o tema central do "Simpósio Escolar PaperBrasil 2006" - debate gratuito que será realizado pelo Senac-SP, no dia 31 de agosto, no Anhembi , em São Paulo.
Segundo Jorge
Duarte, gerente de Desenvolvimento Social do Senac-SP, a escola é fundamental na conscientização da sociedade para a luta em prol de causas prioritárias do século 21 como educação, saúde, segurança e meio ambiente. No entanto, ele ressalta que é preciso dar voz aos educadores para que estes discutam as melhores formas de buscar parcerias externas. "Ao trabalhar com a comunidade, a escola passa a contar com um olhar de fora que contribui para a melhora de seu processo pedagógico."
A EE Blanca Zwicker Simões, Zona Leste, é um exemplo de escola que envolve a comunidade na luta pela paz. Desde o ano passado, a segurança pública é trabalhada em seu projeto político pedagógico e, por meio da discussão sobre a paz com os alunos, a escola tem mobilizado toda comunidade local.
Segundo Edy Baldassi, diretora da escola, a caminhada é a melhor maneira de sensibilizar a sociedade para a paz. "A 1ª caminhada foi um sucesso, os alunos estão muito animados para a 2ª edição. Seus familiares estão ajudando a mobilizar a comunidade", explica.
Já Regina Martins, professora da Emef Luiz Tenório de Brito, diz que as parcerias não são fáceis de serem concretizadas."Recentemente, me coloquei à disposição para organizar encontros com os pais de alunos que se mostraram interessados em entender seu papel na escola."
Entretanto, a professora conta que apenas 6 pais têm participado das reuniões quinzenais. "As discussões têm sido muito produtivas, os pais que participam estão bem mais atuantes na escola. No entanto, gostaria que mais familiares se aproximassem da escola."

Seminário gratuito reunirá educadores em São Paulo 

Os interessados em participar das palestras do Simpósio Escolar PaperBrasil 2006, organizado pelo Senac-SP, no dia 31/8, no Anhembi, em São Paulo, podem fazer inscrição gratuita por no site: www.feiraescolar.com.br.
Segundo Raquel Linhares, coordenadora da Área de Educação do Senac-SP, os participantes do evento terão a oportunidade de debater as suas experiências com os palestrantes. "A discussão será bem participativa, sem nos limitarmos a fala dos palestrantes, pois também queremos ouvir as experiências dos educadores presentes", diz.
A 1ª palestra "Compromisso Todos pela Educação", que será realizada das 14h às 15h30, será comandada por Francisco Aparecido Cordão, consultor educacional do Senac-SP, e por Priscila Cruz, secretária-executiva do Movimento Todos Pela Educação - projeto que pretende universalizar e melhorar a qualidade do ensino brasileiro. Já a 2ª palestra, "Desafios do Século 21" - que terá como tema central o debate sobre o papel da escola na criação de parcerias com a comunidade para o desenvolvimento local sustentável -, acontecerá das 16h às 18h30.
Para o encerramento, o Seminário vai contar com a palestra "Cidade Educativa", das 18h às 19h30, quando serão apresentados diferentes espaços de aprendizagem fora da escola.

JORNAL DA TARDE – 24/08/2006
A meta de 1.600 presos: fazer faculdade

Exame Nacional do Ensino Médio será aplicado em presídios do Estado. É o primeiro passo para tentar uma vaga no ensino superior 

JOSMAR JOZINO

Nem tudo está perdido no sistema prisional paulista. Para 1.600 presos de 50 penitenciárias do Estado, a meta não é tentar fugir, rebelar-se ou fazer parte das temidas facções criminosas. O grande sonho desses detentos é ingressar numa universidade. Eles estudaram o ano inteiro e, no próximo domingo, como pré-requisito para disputarem uma vaga em alguma faculdade, prestarão o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem.
As provas serão aplicadas por monitores da Fundação de Amparo ao Preso (Funap). Os exames começarão, em todo o País, inclusive nas penitenciárias paulistas, às 13h e terminarão às 17h. O Enem permite que o aluno possa participar do Programa Universidade para Todos (ProUni) e concorrer a bolsas de estudos. O preso também poderá fazer cursos à distância.
Dos 1.600 presidiários que farão as provas do Enem, 240 cumprem pena Capital e Grande São Paulo; 240 no Litoral e Vale do Paraíba; 310 na região de Sorocaba; 190 em Ribeirão Preto; 560 em penitenciárias da região de Presidente Prudente; 15 em Bauru e 45 na região de Araçatuba.
Segundo a Funap, a unidade prisional que tem o maior número de inscritos no Enem é a de Itaí, região de Sorocaba: 170 detentos farão os exames. O gerente regional da Funap em Sorocaba, José Adão Neres de Jesus, 41 anos, disse que os presos estão ansiosos para ganhar, em liberdade, uma bolsa de estudo numa universidade.
"Quem ganha com isso são os presos, que poderão ter acesso à educação, e também a sociedade, pois quanto maior o número de presos em salas de aula, menor será o número de detentos envolvidos em baderna e desordem social", argumentou Jesus.
Os resultados dos exames possibilitarão à Funap avaliar o grau de escolaridade aplicado nas escolas mantidas pela Fundação de Amparo ao Preso. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou ontem que, atualmente, pelo menos 10 mil dos 126 mil detentos freqüentam as 420 salas de aula da Funap. Os cursos vão desde alfabetização a ensino médio. As aulas são ministradas e acompanhadas por 400 monitores. Desse total, 175 são monitores presos.
Nas penitenciárias paulistas só estudam os presidiários condenados. Eles cumprem pena em regime fechado ou semi-aberto. Os presos que aguardam julgamento não têm acesso a estudo. Eles somam, hoje, 39 mil e estão recolhidos nos 32 Centros de Detenções Provisórias (CDPs) da Capital, Grande São Paulo e em cidades do Interior. No Estado, 1.480 presidiários cursam o ensino médio. Dos 1.600 que farão as provas do Enem, a minoria tinha ensino médio antes de ser presa.

JORNAL DA TARDE – 24/08/2006
Celulares: como lidar com eles na escola

MAÍRA TEIXEIRA

Toca um celular no meio da aula, quando a classe toda está quieta. Quem já passou por isso sabe como é irritante e, para piorar, é inevitável a interrupção do andamento normal da atividade. Sem contar que o professor se perde em meio à explicação e muitos alunos se desconcentram. Mas esse é um problema atual e contornável segundo o diretor da Escola de Aprendizagem da USP, Fábio Bezerra de Brito.
"Hoje, vivemos o problema dos celulares nas escolas e percebo que a faixa etária dos que utilizam o aparelho vem diminuindo." Brito acredita que a solução não é impedir que os alunos levem o celular para a escola, e sim estipular horários e locais para a sua utilização. "Na sala de aula deve ser proibido. Ele só pode ser liberado no intervalo. Se não for coibido, inclusive por inspetores, o aluno pede para ir ao banheiro e fica lá falando pelo aparelho", conta.
O diretor acredita que a proliferação do uso do celular entre adolescentes e crianças vem desenvolvendo novos hábitos que interferem na aprendizagem e na relação de alunos com a escola e com o professor.
"Antes, quando os pais levavam os filhos com alguma indisposição de saúde à escola, eles ligavam para a direção para saber se havia ocorrido algum problema durante o período de aula. Agora não fazem mais isso. Ligam direto para o filho e interrompem a comunicação com o professor e com a escola. O filho segue o exemplo e, antes de contar ao professor que não está se sentindo bem, liga para os pais."
Brito destaca que essa situação é complicada porque muitas vezes os pais reclamam de algo que a escola nem teve conhecimento porque nem o aluno nem o pai ou a mãe comunicaram o fato."O melhor é restringir o uso ao horário do intervalo e impedir que usem o aparelho para jogar, passar mensagens ou mesmo ficarem exibindo aos outros alunos. Em sala, o celular deve ficar desligado e guardado na mochila."

Cobrança

Para Isabel Hierro Parolin, pedagoga e mestre em Psicologia da Educação, vivemos em uma época na qual a rapidez e a agilidade são constantemente cobradas e isso contrasta com o processo de aprendizagem na escola, "que necessita de tempo para entregar para a sociedade um cidadão instrumentalizado para bem viver e conviver".
Uma preocupação da psicopedagoga é a cobrança da sociedade em obter resultados rápidos. De acordo com ela, em educação as coisas não funcionam assim. "Educação e aprendizagem estão relacionadas ao convívio, à observação, à assimilação. O processo de ensinar e aprender envolve pessoas em relação a elas próprias e suas histórias de vida; elas e o conhecimento; elas e outras formas de viver e de pensar." Isabel destaca que isso tudo requer concomitantemente um movimento pessoal, que é interno e que está relacionado ao desejo, às inteligências, às subjetivações e ao imaginário de cada um. "E é também externo, pois ativa o corpo, promove pesquisa, tateios experimentais de que decorrem as necessárias observações." Para ela, é por isso que a escola necessita que o seu aluno seja "efetivamente" seu aluno para que ele se entregue à aventura de aprender. "Portanto, nesse cenário, o celular solapa a atenção, o envolvimento do aluno. Quando ele toca é a mesma coisa que retirar o aluno da sala de aula."

Jogos tiram atenção de aluno 

Antes de aprender a ler, o pequeno Juliano, de 7 anos, já sabia mexer no celular do pai. "Quando ele entrou na escola demos um aparelho para ele, para usar quando a perua escolar atrasasse. Assim, ele poderia avisar quando acontecesse qualquer imprevisto no caminho de ida ou volta", conta a mãe Luciana de Souza. No entanto, em uma reunião da escola, em maio, ela mudou de opinião. "A coordenadora disse que meu filho se desconcentrava brincando com o aparelho e um dia um professor tirou o celular dele para que prestasse a atenção na aula. A reação foi péssima: meu filho chamou o professor de ladrão. Fiquei sem graça e comecei a impor limites para uso do aparelho e seus jogos.

JORNAL DA TARDE – 24/08/2006
NOTAS

WORKSHOP 

A educadora e artista dinamarquesa Anna Marie Hõlme vai realizar em 2 de setembro um workshop no Museu de Arte Moderna sobre o livro Fazer e Pensar Arte. Grátis. Inscrições 11-5085-1313.

BIOGRAFIA 

A biografia Paulo Freire: Uma História de Vida está sendo lançada e retrata o início do trabalho do educador com a alfabetização de adultos, o exílio e a idealização do seu método de ensino.

VIRTUAL 

O Senac Consolação sedia hoje, às 19h30, mesa-redonda sobre métodos virtuais de educação. A proposta é discutir com educadores as modalidades do ensino a distância. nformações no 11-3868-6900.

GRÁTIS 

O Itaú Cultural realiza, de amanhã até domingo, o Laboratório de Arte e Tecnologia “Experimente Arte”, voltado para estudantes de 8 a 12 anos. A exposição é gratuita. Mais informações 11-2168-1854.

MUNDO MELHOR 

O ator Marcos Frota vai apresentar o projeto "Um Mundo Melhor é Possível", amanhã, às 18h30, no Colégio Arquidiocesano. Os convites, gratuitos devem ser retirados no colégio.

FEIRA 

Do dia 8 a 10 de novembro, a Creche/Pré-Escola da Universidade de São Paulo realiza a 17ª Feira Cultural e do Livro, com vendas de livros infantis e eventos culturais. Informações 11-3091-3228.

JORNAL DA TARDE – 23/08/2006
Modelo educacional japonês agrada aos brasileiros 

MARIA REHDER 

Não é novidade que a disciplina é a peça-chave para o bom desempenho dos alunos de países asiáticos nos exames internacionais de avaliação de ensino. Entretanto, em entrevista ao JT, Masami Tajime, presidente da associação de professores da província japonesa de Hyogo, ressalta que, além de aspectos culturais, há fatores da política educacional de seu país que são fundamentais para a garantia de aprendizagem das crianças.
Tajime - que veio ao Brasil comandando uma delegação japonesa composta por 45 professores - afirma que, mesmo com facilidade para garantir a disciplina de seus alunos, os educadores japoneses contam com a presença de assistentes em aula. "Entendemos que um professor sozinho não consegue oferecer ensino de qualidade para mais de 30 alunos em classe", diz.
A valorização do professor também é apontada por Tajime como uma prioridade do governo japonês. "Além da remuneração justa e investimentos na profissionalização, o professor é o único profissional japonês a quem o imperador faz reverência em público", comenta. No entanto, Tajime diz admirar a flexibilidade de convivência multicultural dos educadores brasileiros. "Nossos professores têm dificuldades para lidar com a diversidade, são fechados. Eles tem muito a aprender com os brasileiros."

Educação no Brasil

Para Maria Lúcia Vasconcelos, secretária de Educação do Estado de São Paulo, a redução do número de alunos por classe não é a solução para a melhora da qualidade da educação no País. "A valorização do professor é que faz a diferença. No Japão, esta é garantida por meio da educação familiar, pois desde pequenos os japoneses aprendem a respeitar seu educador, a ter disciplina."

Cursos de capacitação que dão ênfase na melhora da auto-estima, segundo Maria Lúcia, são os caminhos escolhidos pelo Estado para a valorização do professores. "Oferecemos vários cursos de capacitação, e em todos eles trabalhamos a questão da valorização do papel do professor e o desenvolvimento do perfil de liderança", afirma.
Já a gestora do Céu Butantã, Elizabeth Gaspar Tunala, que teve a oportunidade de trocar experiências com a delegação japonesa, destaca que o trabalho do professor não pode mais ser visto como um sacerdócio. "Hoje, o bom e o mau professor ganham os mesmos salários, não há uma valorização por meio de avaliação de desempenho."
Elizabeth explica que mesmo inserido em uma realidade socioeconômica diferente do Japão, o Brasil poderia adotar algumas características do sistema educacional japonês. "Os professores japoneses têm de passar por uma avaliação de conhecimentos gerais para poder dar aulas no Ensino Fundamental. No entanto, após um ano de trabalho, são submetidos novamente a uma avaliação para ver se se adaptaram em aula. Já no Brasil, ao passar no concurso, o professor não é submetido a um acompanhamento de desempenho", diz.
Sivart Santos, professora da rede municipal de ensino, destaca o empenho dos japoneses para a conquista da qualidade de ensino. "Eles vieram até o Brasil para trocar experiências. Há muitos aspectos da política educacional japonesa que, se adotados no Brasil, melhorariam a educação no País."

A cultura japonesa nas escolas 

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo já está com a atenção voltada para o centenário da imigração japonesa no Brasil em 2008. "As escolas estaduais dos 654 municípios paulistas receberão material especial para trabalhar a cultura japonesa com os alunos em 2007", diz a secretária de Educação Maria Lúcia Vasconcelos.

Além de um festival comemorativo, Maria Lúcia espera que em 2008 o programa de capacitação de professores brasileiros que moram no Japão já tenha resultados concretos. "Desde 2005, professores da rede estadual têm capacitado os educadores que estão no Japão, para que estes tenham fácil adaptação ao sistema educacional japonês."

O modelo nipônico 

O 1º ciclo do Ensino Fundamental é dado em 6 anos. Já o 2º ciclo é oferecido em 3 anos. Ambos são gratuitos

Os alunos recebem um livro-texto gratuito. Já os materiais extras oferecidos são pagos pelos familiares

Economia doméstica, música, estudo da vida prática são matérias obrigatórias do 1º ciclo do Ensino Fundamental

O Japão adota a progressão continuada. Ao término do ensino obrigatório de 9 anos, os alunos têm de fazer exames para ingressar ao Ensino Médio

A qualidade dos professores japoneses é alta, pois estes só são ajustados às escolas após serem aprovados nos exames elaborados pelo Estado

A carga horária das escolas gira em torno de 5 aulas, com 45 minutos cada, com opção de atividades no contraturno. A limpeza da escola é feita por alunos e professores

FONTE: União Educacional Brasil-Japão (www.uebraja.org.br)

JORNAL DA TARDE – 23/08/2006
Setor privado e ONG unidos pela educação 

Parceria entre empresas e instituições tem como objetivo mudar a realidade brasileira nas escolas 

SAULO LUZ

O Instituto Ayrton Senna e a Fundação Educar DPaschoal, mantida pela rede de serviços automotivos DPaschoal, lançaram ontem a campanha Educar Numa Boa, uma ação para apoiar projetos educacionais em todo o País. A campanha faz parte do Compromisso Todos pela Educação, que reúne um grupo de empresários com o objetivo de sensibilizar a sociedade para que até o bicentenário da Independência (7 de Setembro de 2022) todas as crianças brasileiras tenham ensino de qualidade. "É uma meta do Brasil, não somente nossa. É um projeto irreversível", afirma Luiz Norberto Pascoal, presidente do Grupo DPaschoal e da Fundação Educar.
Uma das iniciativas da campanha é oferecer ao cliente que comprar produtos ou serviços nas lojas DPaschoal até o dia 31 de outubro, por mais R$ 9,90, o kit Educar Numa Boa - que contém um estojo escolar e o livro A Gincana da Escola. Os recursos arrecadados com a venda dos kits serão destinados ao Instituto Ayrton Senna.
O lançamento da campanha aconteceu no pátio da Escola Estadual Rodrigues Alves, na região da Avenida Paulista, que, graças a parcerias com a iniciativa privada, conseguiu reformar seu prédio histórico e melhorar as condições de ensino para seus alunos.
"Esta escola é um exemplo vivo do que a gente quer para o País, que são as parcerias entre o poder público, as empresas e a sociedade, geralmente representada pelas ONGs", disse Pascoal em discurso aos convidados.
Além dele, também falaram ao público Ivete Mitiko Sunamoto, diretora da Escola Estadual Rodrigues Alves, e Margareth Rosemberg, diretora-executiva do Instituto Ayrton Senna.
"Trabalhamos para otimizar e aproveitar os recursos humanos, deixando alunos e professores o maior tempo possível dentro da escola", disse Ivete.
Já Margareth Rosemberg ressaltou a importância das ONGs para a educação: "Costumo dizer que trabalhamos desenvolvendo vacinas educacionais, com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino público."
Ao final do evento, Luiz Norberto Pascoal reafirmou a importância das empresas na educação das crianças. "Temos 16 anos, até o bicentenário da Independência, para que nossas crianças estejam plenamente educadas, 100% delas. Aí, sim, todos poderemos comemorar o dia 7 de Setembro como o verdadeiro dia da Independência."

JORNAL DA TARDE – 23/08/2006
CEU prometido para agosto atrasa 

Alunos continuam tendo aulas em cima de supermercado, sem pátio 

CAMILA ANAUATE 

Os alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Jardim Vila Nova, em Itaquera, Zona Leste, continuam estudando no mezanino do Supermercado Celse, sem pátio para atividades de educação física e enfrentando o calor do ambiente (no andar de baixo funciona um forno). O local deveria ser uma instalação provisória só até este mês, mas ainda não há prazo para a mudança.
A sede da escola funcionava no terreno onde hoje está sendo construído o Centro Educacional Unificado (CEU) Azul da Cor do Mar, na Avenida das Alamandas. Para que as obras do centro tivessem início, em fevereiro, a Prefeitura transferiu os alunos para a sobreloja do mercado. A promessa era entregar a nova unidade em agosto, mas, em maio, nenhuma parede havia sido erguida ainda. Na época, o secretário-adjunto da Secretaria de Infra-Estrutura Urbana (Siurb), Eduardo de Carvalho Filho, declarou que seria feito um grande esforço para agilizar as obras, a pedido do prefeito Gilberto Kassab.
"Já perdemos a esperança", comentou a mãe de uma aluna, que preferiu não dizer o nome. "Agora eles falam que as crianças mudarão em novembro", disse outra mãe, Rosa Maria de Oliveira Araújo. Sua filha Maria Luziara, de 11 anos, está ansiosa para estudar no novo CEU. Ela reclama da falta de espaço e do calor na escola atual. "É muito quente."
A obra no CEU Azul da Cor do Mar já foi iniciada, mas não deve ficar pronta este mês. Os trabalhos nos outros quatro CEUs anunciados pelo ex-prefeito José Serra, no ano passado, também estão atrasados e só devem ser finalizados em dezembro.
A Siurb
não comentou o assunto, apenas informou que os cinco CEUs estão em obras. E que o centro Feitiço da Vila, no Capão Redondo, Zona Sul, nem em dezembro ficará pronto.

JORNAL DA TARDE – 22/08/2006
Mesmo professor dará aula a 1º e 2º ano 

O objetivo é o acompanhamento do aluno nas duas primeiras séries do ensino fundamental. A medida pode começar a vigorar a partir do próximo ano 

ARYANE CARARO 

A secretária estadual da Educação, Maria Lúcia Vasconcelos, pretende implantar mudanças nas primeiras e segundas séries do ensino fundamental já para o ano que vem. Ela estuda a possibilidade de que o professor que dá aula para a turma do primeiro ano continue com os mesmos alunos no ano seguinte. "O professor vai ter dois anos para completar esse processo de alfabetização. Ele vai alfabetizar e reforçar isso", diz a secretária.
Maria Lúcia acredita que, assim, o processo é facilitado, uma vez que o professor já conhece os alunos. "Por mais que passe a informação de um professor para outro, não é como conviver com esse aluno. E tem toda a questão da afetividade, da segurança. Essa é uma fase em que a criança ainda é muito pequena", comenta.
A lingüista Idméa Semeghini-Siqueira, professora da Faculdade de Educação da USP, acredita que essa pode ser uma boa medida, mas não é suficiente para melhorar a alfabetização. "É provável que tenha resultados, mas aliado a isso temos de dar mais condições para alunos e professores. É preciso ter bibliotecas nessas escolas e fazer com que os alunos tenham acesso aos livros", explica.
Para a linguista, as falhas no processo de aprendizado não serão consertadas com o fato de o professor acompanhar uma turma por dois anos, mas podem ser minimizadas.
Para a presidente da Apeoesp (sindicato dos professores), Maria Izabel Noronha, a medida é positiva. Mas ela faz uma ressalva: "A secretária tem de garantir que os professores, a maioria temporários, continuem na mesma escola".
Em termos práticos, a medida depende da publicação de uma portaria, o que a secretária conseguiria fazer até sair da pasta, no fim do ano. Essa seria uma preparação já para a escola de 9 anos, que deve ser implantada no Estado em 2008. "Ano que vem já vamos discutir a escola de nove anos e, em função disso, temos de debater também a progressão continuada", diz.
Maria Lúcia deixará essas diretrizes para o próximo secretário. No pacote de sugestões entra também a mudança no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar no Estado de São Paulo (Saresp), suspenso este ano. A secretária quer que o próximo exame não seja mais censitário - para todos os alunos -, e sim por amostragem e só para algumas séries, como era feito até 2003. "Essa redundância com a Prova Brasil, feita pelo MEC, é que não se justifica."
Assim, acredita, é possível acompanhar a evolução dos alunos, e o valor gasto seria de um terço do que foi empregado em 2005 (R$ 9 milhões). Além disso, outras disciplinas, que não só português e matemática, poderiam ser avaliadas.

NÚMEROS DO ENSINO 

6 milhões de alunos é o que atende a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo

5.600 é a quantidade de escolas existentes no Estado

R$ 9 milhões é quanto custa a realização do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar no Estado de São Paulo (Saresp)

5 milhões de estudantes fizeram o Saresp em 2005

JORNAL DA TARDE – 22/08/2006
NOTAS

Educação: protesto marcado para hoje 

Os profissionais de educação da rede municipal prometem fazer às 14h de hoje manifestação em frente à Secretaria Municipal de Gestão, na Rua Líbero Badaró, Centro. Eles protestam contra a proposta de gratificações do governo, que exclui funcionários do quadro de apoio, aposentados, readaptados, profissionais que atuam em serviços técnicos e professores em desenvolvimento infantil.

Vestibulando pode tirar dúvidas online 

Vestibulandos da Unesp podem tirar suas dúvidas pela internet. O Núcleo de Orientação Profissional do curso de Psicologia oferece, até 28 de outubro, um serviço online com dicas para escolher a carreira e se preparar para as provas. O psicólogo Paulo Motta atende os estudantes nas segundas, quartas e quintas, além de sábado (17h às 19h), pelo MSN (orientacaovoc@hotmail.com).


O ESTADO DE SÃO PAULO – 23/08/2006
Lista de endereços para Enem estão na internet 

Desde ontem os inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que ainda não receberam o cartão de confirmação com o número de inscrição e o local de prova podem obter a informação no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do Ministério da Educação (Inep/MEC) no endereço http://consulta.enem.inep.gov.br/. A informação também pode ser obtida pelo telefone 0800 616161. Mais de 3,7 milhões de pessoas se inscreveram para o Enem de 2006 - cerca de 700 mil mais que em 2005.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 22/08/2006
Saresp será feito por amostragem
 

Exame do governo estadual deixará de ser feito por todos os alunos para economizar recursos em 2007 

Renata Cafardo 

O Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) não será mais feito com todos os alunos da rede, como ocorria desde 2003. Na semana passada, como informou o Estado, o governo estadual cancelou a prova deste ano para fazer reformulações. "Não vejo mais razão para o exame ser censitário, em todas as séries, já que existe a Prova Brasil e o MEC a faz de graça para as redes", disse a secretária do Estado de Educação, Maria Lúcia Vasconcelos.
Ela se refere à prova que foi feita pela primeira vez no ano passado por 3,3 milhões de alunos de cerca de 5 mil escolas públicas de todo o País. Por decisão da secretaria na época, São Paulo foi o único Estado em que apenas uma amostra dos estudantes participaram e, por isso, não teve suas notas divulgadas escola por escola. Maria Lúcia hoje lamenta essa decisão da gestão passada. "Brigas de partido não podem influenciar na educação. A avaliação é nacional, São Paulo tem de participar."
A idéia da secretária é de que o Saresp complemente a Prova Brasil. "Poderíamos avaliar outras áreas, como ciências, por exemplo." O Saresp, até 2005, examinou todos os alunos da rede, de todas as séries, em português e matemática. Custou cerca de R$ 9 milhões. Já a Prova Brasil custa cerca de R$ 55 milhões e avalia todos os alunos da 4ª e 8ª séries do País também em português e matemática. As séries foram escolhidas por marcarem o fim de cada ciclo do ensino fundamental.
Se o próximo secretário da educação, em 2007, não mudar as determinações deixadas por Maria Lúcia, o Saresp passará a ser feito com apenas algumas séries e com acompanhamento dos mesmos alunos na avaliação. Ela já havia sido feita por amostragem entre 1996 e 2002.
Segundo a especialista em avaliação da Fundação Cesgranrio, Nilma Fontanive, a avaliação não deixará de poder ser comparada às realizadas em anos anteriores se voltar a ser feita por amostragem. Isso porque a metodologia usada permite que sejam usados os mesmos itens e a mesma escala de dificuldade em todas as avaliações, sejam universais ou por amostra. Nilma foi a responsável tanto pelo Saresp quanto pela Prova Brasil na Cesgranrio, que ganhou as licitações para realizar os exames.
"A diferença entre fazer por amostra e universal está no objetivo do gestor", diz ela. Segundo Nilma, a avaliação com todos os alunos dá resultados de cada escola, de cada série, e assim é possível haver uma orientação precisa do que o governo pode fazer para melhorar. Já a amostragem traz um monitoramento da rede como um todo, mas também permite identificar os pontos fracos e fortes.
Segundo Maria Lúcia, com a participação de menos alunos no novo Saresp os custos se reduzem a um terço. Por isso, a secretária ainda estuda se o exame voltará a ser anual ou se será bienal.

Mesmo professor na 1ª e 2ª séries 

RENATA CAFARDO E ARYANE CARARO 

Antes de deixar o cargo no fim do ano, a secretária estadual de Educação, Maria Lúcia Vasconcelos, quer assinar uma portaria para mudar a forma como a alfabetização é feita nas escolas. Ela pretende determinar que os mesmos professores acompanhem os alunos na 1.ª e na 2.ª séries, como ocorre em algumas escolas particulares. A mudança deve começar em 2007. "Essa é uma das fases mais importantes da educação, é melhor não ter uma interrupção e depois um redescobrimento do novo professor sobre as dificuldades da criança", diz.
Segundo ela, a alfabetização poderá ser feita durante os dois anos. Uma das razões para a preocupação é o resultado de avaliações nacionais e estaduais que mostram que muitas crianças chegam à 4.ª série sem saber ler e escrever. A medida também já prepara a rede para o novo projeto pedagógico que virá quando o ensino fundamental passar a ter nove anos de duração, em 2008, seguindo determinação federal.
Segundo a professora da Faculdade de Educação da USP Idméa Semeghini-Siqueira, a medida é boa, mas é preciso também dar mais condições para alunos e professores. "É preciso ter bibliotecas nessas escolas e fazer com que os alunos tenham acesso aos livros", afirma.

FOLHA DE SÃO PAULO – 24/08/2006 (TENDÊNCIAS/DEBATES)
Há espaço para ações afirmativas no país? 

OTAVIANO HELENE

AÇÕES AFIRMATIVAS têm sido adotadas por diversos países e em vários setores, como no emprego, na educação e na moradia.
Essas ações são dirigidas a diferentes grupos (origem nacional, gênero, etnia, profissão, religião etc.) e têm por objetivo, segundo seus defensores, reduzir barreiras sociais e combater desigualdades. Argumentos contra ações afirmativas incluem o favorecimento de subgrupos já favorecidos (como negros ricos, nos EUA), a interferência na identidade cultural (como a incorporação dos maoris da Nova Zelândia à cultura européia por meio do sistema educacional) ou a pouca eficácia, uma vez que beneficia alguns enquanto prejudica outros, deixando o todo inalterado.
No Brasil, ações afirmativas têm surgido principalmente na forma de cotas em empregos públicos e de acesso preferencial ao ensino público superior. Essas políticas têm recebido críticas e apoios incisivos, especialmente no que se refere a cotas étnicas. Entretanto, quais serão as conseqüências práticas dessas ações? No que segue, será avaliado o impacto da política de cotas em instituições federais de educação superior para egressos de escolas públicas.
Um primeiro aspecto é quanto à pouca abrangência de tais ações. Cerca de 1,6 milhão de jovens completam, a cada ano, o ensino médio em instituições públicas no país. Como o número de vagas nos vestibulares das instituições federais de ensino superior é pouco superior a cem mil, a metade delas (as destinadas às cotas) atenderia apenas cerca de 3% dos potenciais candidatos. A situação no Estado de São Paulo é ainda muito pior: cerca de 450 mil conclusões por ano em escolas públicas para um total de vagas federais inferior a 2.000, metade delas correspondendo a 0,2% dos concluintes!
Um segundo aspecto é quanto ao possível perfil dos beneficiados. Apesar da falência do ensino público, há algumas exceções. Uma delas é formada pelo conjunto de escolas federais (Cefets, colégios de aplicação, escolas militares), de onde vem cerca de 1% dos concluintes do ensino médio.
Outro grupo, também com cerca de 1% dos concluintes, é formado pelas poucas escolas estaduais de boa qualidade, a quase totalidade delas escolas técnicas ou ligadas a faculdades de educação. Essas escolas oferecem melhores condições de trabalho para seus docentes e de aprendizado para seus estudantes do que aquelas oferecidas pelas demais escolas públicas.
Muitas delas, ainda, selecionam seus alunos por meio de provas de ingresso. Ou seja, são escolas diferenciadas e que trabalham com estudantes também diferenciados. O desempenho dos egressos dessas escolas nos vestibulares é bastante elevado, em muitos casos superior ao de seus colegas de boas escolas privadas. Como parte das cotas será ocupada por egressos dessas escolas, o número de novos beneficiados será bem menor, na média nacional, que os 3% estimados acima e praticamente nulo em São Paulo.
A
primeira conclusão, portanto, é que a retração da educação superior pública no Brasil faz com que o impacto prático de qualquer política de cotas venha a ser imperceptível.
Outro aspecto a ser considerado diz respeito às demais condições em que a política de cotas é adotada. Nos diversos países, políticas de cotas foram adotadas juntamente com a retirada das barreiras que as motivaram. Por exemplo, na Índia, as cotas que beneficiam as castas desfavorecidas são adotadas por um Estado laico, que não reconhece a classificação religiosa; nos EUA e na África do Sul, as ações afirmativas foram implementadas juntamente com a eliminação das leis racistas. Entretanto, no Brasil, essas ações são adotadas enquanto as condições que as motivaram são mantidas: uma grande maioria das escolas estaduais e municipais de ensino fundamental e médio de péssima qualidade e uma concentração de renda que condena enormes contingentes populacionais a uma vida degradante, impossibilitando qualquer ação, material ou cultural, que permita enfrentar os problemas criados por uma escola pública falida.
Adotar ações afirmativas e preservar as barreiras que as motivaram parece esquizofrenia. Embora os argumentos apresentados tenham se restringido a cotas para estudantes egressos de escolas públicas, eles podem ser estendidos aos vários subgrupos potencialmente beneficiados: em qualquer caso, a quantidade de beneficiados seria menor do que 3% do contingente total, considerando que parte dos estudantes ingressaria no ensino público superior independentemente das cotas.
Finalmente, é necessário observar que, se mantida a baixa qualidade do sistema público de educação básica, a política de cotas poderá ter um efeito perverso: os estudantes não inseridos não serão mais considerados vítimas de um sistema falido, mas, sim, os responsáveis pela interrupção dos próprios estudos, pois chances tiveram: a velha prática de responsabilizar a vítima.

OTAVIANO HELENE , 56, doutor em física, é professor do Instituto de Física da USP (Universidade de São Paulo) e foi presidente da Adusp (Associação de Docentes da USP) e do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).

FOLHA DE SÃO PAULO – 22/08/2006
Prefeitura mantém escola na República

DO "AGORA"

A Emei (Escola Municipal de Ensino Infantil) Armando de Arruda Pereira, que estava ameaçada de sair da praça da República (centro), agora vai passar por reformas.
O prefeito Gilberto Kassab disse ontem que a unidade permanecerá no local, atendendo a pedidos dos pais de alunos, que não queriam a mudança de endereço.

FOLHA DE SÃO PAULO – 22/08/2006
Supletivos crescem 60%; cursos não são avaliados 

Modalidade, que atende alunos fora da idade ideal, não tem diagnósticos de qualidade

Para especialistas, docentes não estão preparados para lidar com a educação de jovens e adultos; nível já possui 4,6 milhões de alunos
 


LUCIANA CONSTANTINO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL

Sem uma avaliação sistemática da qualidade dos cursos, as matrículas nos supletivos, agora chamados de educação de jovens e adultos (EJA), cresceram 60,3% nos últimos oito anos no país. Uma das justificativas para isso é a pressão do mercado de trabalho. No mesmo período (97 a 2005), o número de alunos no básico regular aumentou apenas 4,75%.
O crescimento ocorreu sem o acompanhamento de exames que possam gerar dados sobre qualidade e nível de aprendizado dos alunos. O sistema regular é avaliado pela União desde 1995 por meio do Saeb.
Para especialistas, o maior problema dos supletivos é a falta de preparo dos professores para lidar com um público mais velho e que trabalha. O próprio MEC reconhece que é preciso avançar nesse ponto. "Há espaço para um acompanhamento mais detalhado", afirmou à Folha o diretor do Departamento de Educação de Jovens e Adultos do ministério, Timothy Ireland. Ele divide responsabilidades com Estados e municípios.
Os supletivos atendem alunos maiores de 15 anos que não terminaram o ensino fundamental (até a oitava série) e com mais de 18 anos que não concluíram o médio.
Pesquisadores confirmaram que faltam indicadores para avaliar os supletivos. Mas, pela análise das políticas adotadas e pelo contato com alunos e professores, eles afirmam que o sistema está com problemas.
"O formato da escola para jovens e adultos não atende às necessidades básicas de aprendizagem", disse Stela Piconez, docente da USP que coordena o Núcleo de Estudos sobre EJA e de Formação Permanente de Professores da universidade.
Piconez afirma que a modalidade deveria ser desenhada para um perfil de aluno que é mais velho e que já trabalha. "Os temas não são relacionados ao cotidiano do trabalho, e a grade prevê cinco aulas diárias, o que é impossível para alguém que já trabalhou oito horas no dia."
O coordenador-geral da ONG Ação Educativa, Sérgio Haddad, aponta outro problema. "Não existe formação de EJA para os professores. Em muitas universidades, não há sequer uma disciplina sobre o tema", completa Haddad, que estudou a educação de adultos em seu mestrado e doutorado na USP. "O poder público encara o EJA como um favor, não como um dever", disse Hebe Tolosa, da Associação de Pais e Alunos das Escolas do Estado de SP.
Mesmo sem uma avaliação sistemática, 4,619 milhões de estudantes brasileiros estavam matriculados em supletivos no ano passado, de acordo com dados mais recentes.
Essa etapa ganha importância principalmente porque cerca de 67 milhões de brasileiros com mais de 15 anos não terminaram o ensino básico, segundo dados do MEC.
Apesar de as turmas de primeira a oitava série ainda ficarem com 73,5% do total das matrículas nos supletivos, foi no ensino médio que ocorreu a maior taxa de crescimento. O número de alunos passou de pouco mais de 390 mil, em 1997, para 1,223 milhão em 2005 (veja quadro).
A procura pode ser explicada não só pelo menor prazo para terminar os estudos (enquanto o ensino médio regular são três anos, o EJA pode ser feito em dois ou menos) mas também pela exigência do mercado de trabalho. Essa constatação é confirmada por quem atua na contratação de profissionais. "O nível mais baixo de exigência que temos é o ensino médio", afirmou a consultora de recursos humanos Meire Fujimoto, da Catho (consultoria de recolocação profissional). A empresa oferece, hoje, 168 mil vagas -para nenhuma delas aceita-se apenas o ensino fundamental. Para quem possui só o ensino médio, diz Fujimoto, os salários são em média de R$ 500, para funções como vendedor ou para telemarketing.
Haddad e Piconez lembram ainda que a procura aumentou porque há hoje mais concluintes no ensino fundamental, que foi praticamente universalizado na década passada.

Professores e alunos criticam superlotação

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA REPORTAGEM LOCAL

Tanto alunos como professores dos supletivos reclamam das condições de ensino. Elaine Ferreira, 20, trocou o ensino médio regular pelo supletivo neste ano. "O normal era melhor. Agora é corrido. Em três semanas, já acaba o bimestre."
Elaine, que estuda em uma escola estadual em São Mateus (zona leste de SP), disse também que a sua turma está cheia. "São 49 alunos. É muito barulho. E vários estão lá só pelo diploma."
Quem também reclama da infra-estrutura é Paulo Sérgio Ramos, 34, que estuda em uma escola estadual no Jardim São Luís (zona sul de SP). "Não tem sala de informática nem biblioteca. E ainda tem professor que joga as coisas na lousa, senta e fala: "Copia". Isso desestimula."
O professor de matemática Luiz Henrique da Costa, 44, endossa a reclamação sobre o tamanho das turmas. O número de alunos em suas classes, diz, varia entre 40 e 50 -ele trabalha na zona sul de São Paulo. "Enquanto você explica, um monte de gente conversa. Preciso parar toda hora, e a classe dispersa."
A presidente em exercício da Apeoesp (associação dos professores da rede estadual de São Paulo), Maria Izabel Noronha, afirma que o problema é generalizado. "O professor ganha pouco e faz jornada tripla. Como ele vai preparar uma boa aula?"
A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo negou que haja classes superlotadas. A pasta informou que, no máximo, há salas com 43 alunos, o que atende a recomendação da própria pasta.

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