Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

30/08/2006 – CLIPPING


O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.

FOLHA DE SÃO PAULO – 30/08/2006
Alunos depredam escola estadual em Guarulhos 

Contra maior rigidez da direção, estudantes quebraram banheiros e carteiras

Colégio tem sido alvo de atos de vandalismo nas últimas semanas. Desde ontem, a PM reforçou o policiamento no entorno


DO "AGORA"

Estudantes da escola estadual Maurício Nazar -uma das maiores de Guarulhos (região metropolitana de SP)- promoveram um tumulto generalizado na segunda-feira, que provocou a destruição de carteiras, banheiros e alambrados.
Um princípio de incêndio foi controlado por funcionários. Bombas de festa junina foram estouradas dentro de banheiros durante o quebra-quebra, que durou 20 minutos, contaram professores.
A escola tem sido alvo de atos de vandalismo nas últimas semanas e, desde ontem, a Polícia Militar reforçou o policiamento no seu entorno.
De acordo com a versão da direção e de pais de estudantes, a causa das depredações e pichações é a implantação de regras mais rígidas -a escola deixava os portões abertos, e parte dos estudantes aproveitava para ir embora no intervalo das aulas; agora os portões ficam fechados.
A unidade tem 2.020 alunos divididos em 45 turmas, da 5ª série ao 3º colegial, em três períodos, e fica na ocupação Parque Santos Dumont, uma região violenta da cidade.
A PM interveio para conter o tumulto de segunda-feira, e dez supostos envolvidos nos atos de vandalismo, todos menores de idade, foram detidos e liberados horas depois. Ninguém ficou ferido. "Nunca vi nada igual em mais de 15 anos de profissão, os alunos jogavam carteiras do segundo andar no pátio. Foi uma rebelião", contou a diretora da escola, Juvercina de Carvalho Pereira.

Inquérito

A Polícia Civil abriu inquérito. Sete adolescentes identificados como os mentores do tumulto foram ouvidos ontem na 1ª Vara da Infância. "Temos de analisar se há maiores de idade envolvidos. Devemos começar a ouvir depoimentos de funcionários nos próximos dias", disse o delegado-assistente do 7º DP de Guarulhos, Rogério Alves Pereira.
Docentes, funcionários e alunos dizem que o incidente de segunda poderia ter virado uma tragédia caso o fogo ateado por estudantes em carteiras e no lixo da escola tivesse se alastrado. "Fiquei com muito medo", contou uma inspetora.
Aluno do 1º colegial, Rogério Braga, 18, confirmou que a revolta dos estudantes é resultado de restrições às saídas de alunos nos intervalos. "A galera estava acostumada a ir embora após a terceira aula."
A Secretaria de Estado da Educação informou que uma sindicância interna foi aberta ontem pela regional norte da Diretoria de Ensino de Guarulhos para apurar os motivos e os responsáveis pelos atos de vandalismo ocorridos na escola Maurício Nazar.
(DIEGO ZANCHETTA)

JORNAL DA TARDE – 30/08/2006
Educação infantil 

COORDENADORA PEDAGÓGICA DA FUNDAÇÃO VICTOR CIVITA 

Regina Scarpa 

Pesquisas científicas sobre o desenvolvimento infantil deixam evidentes a real importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e social dos seres humanos. A educação infantil tem um papel fundamental na formação do indivíduo e reflete em uma melhora significativa no aprendizado da criança.
Dados do IBGE mostram que apenas 40% das 21,7 milhões de crianças brasileiras entre 0 e 6 anos estavam matriculadas em creches ou escolas em 2004 e cerca de 13% daquelas de 0 a 3 anos freqüentavam creches. Ou seja, a universalização da educação não vale para todos os segmentos.
Trabalhar a democratização do ensino nos primeiros 6 anos de vida é essencial para melhorar o índice de aprendizado dos alunos, estimular desde cedo a busca pelo conhecimento e eliminar as diferenças de origem socioeconômica no desempenho de crianças na 1ª série. Não é por acaso que, na França, os professores precisam ter mestrado para trabalhar com os pequenos e são tão bem remunerados quanto os que lecionam no nível superior.
Uma amostra de como o ingresso na escola desde cedo faz diferença é o índice de repetentes na 1ª série do Ensino Fundamental, monitorado pela Unesco e pelo OCDE em 48 países. O Brasil tem a taxa mais alta com 32%, ante 1% da Rússia e China. Essa realidade condena um terço da população brasileira ao atraso e mexe desde cedo com a auto-estima das crianças.
É na creche ou na pré-escola que os pequenos começarão a se conhecer e a conhecer o outro, a se respeitar e a respeitar o outro e a desenvolver suas habilidades e construir conhecimento.

JORNAL DA TARDE – 30/08/2006
Escolas solidárias trocam experiências em SP 

O Instituto Faça Parte concede o Selo Escola Solidária às instituições que desenvolvem projetos bem-sucedidos de voluntariado 

Luanda Nera 

Oficinas, peças teatrais, painéis fotográficos, músicas, recursos multimídia e apresentações de dança. Esses foram alguns dos recursos utilizados por 118 escolas do Estado de São Paulo para apresentar suas experiências bem-sucedidas de voluntariado educativo.
Trata-se do II Encontro de Escolas Solidárias, realizado no sábado, no Colégio Santa Cruz, na Capital. Iniciativa do Instituto Faça Parte, a mostra reuniu projetos sociais desenvolvidos por escolas de educação básica certificadas pelo Selo Escola Solidária 2005. Em todo o Brasil, 12.872 instituições de ensino receberam o reconhecimento.
A Emei Professor Ignácio Henrique Romeiro comemorou a certificação recebida pelo terceiro ano e participou do encontro com uma amostra dos diversos projetos sociais que desenvolve com pais, professores e voluntários. A diretora Huguetti Nero Davini conta que um dos destaques é o projeto Economia Solidária: “Montamos um jornal interno para que os pais anunciem produtos e serviços, facilitando o intercâmbio entre eles. Algumas mães oferecem voluntariamente cursos de artesanatos para as que não têm uma profissão e os produtos são vendidos num bazar. Toda a renda é revertida para os pais. Esse é o objetivo.”
Outro projeto que já virou referência é o Alimentação Saudável. Os pais recebem orientação de uma nutricionista e os alunos, de 4 a 6 anos de idade, fazem visitas à feira e aprendem a montar a própria salada de frutas. “O desperdício de comida acabou aqui na escola”, comemora a diretora.
Mas novas experiências devem surgir. No encontro realizado sábado, Huguetti Davini afirma ter se inspirado em muitos outros projetos: “É uma chance de termos novas idéias e de fazermos parcerias.”
“A experiência valeu não só para nós, mas também para os alunos. Eles adoraram conhecer outros projetos. Na própria segunda-feira seguinte ao encontro eu já notei aumento da procura”, comemora o professor Rogério de Paula, da escola estadual Marina Cintra. Além de ministrar aulas regulares de artes, ele oferece aulas de dança e teatro voluntariamente, na própria escola, na hora do almoço: “Procuro trabalhar temas ligados ao universo deles, como as drogas e a migração. Como grande parte dos alunos tem pais que vieram do Nordeste, fizemos uma pesquisa aprofundada, que gerou uma série de manifestações, como peças, textos e coreografias”. E avisa: “Tenho idéia para vários outros projetos.”

JORNAL DA TARDE – 30/08/2006
Alunos não entendem tudo o que lêem. E agora? 

MARIA REHDER 

Abrir as portas do reforço e criar rodas de leitura em classe: essa foi a solução encontrada pela Escola Estadual Jardim Iguatemi, Zona Leste, para resolver o problema de alunos que chegavam ao Ensino Médio sem ao menos conseguir entender o conteúdo dos textos que liam.
Segundo Suzy Ribeiro, diretora desta escola, que conta hoje com mais de 2,4 mil alunos, em 2001 a situação era tão crítica a ponto de os professores chegarem a alertar a coordenação pedagógica para alunos do Ensino Médio, ótimos copistas, mas que apresentavam sérios problemas de interpretação de texto. “Como tínhamos as salas de recuperação do Ensino Fundamental, decidimos fazer um diagnóstico dos alunos de Ensino Médio com problemas de interpretação e os convidamos para o reforço.”
A diretora conta que não foi fácil atrair alunos de Ensino Médio para freqüentar as turmas de reforço com alunos de Ensino Fundamental. “Porém, driblamos os desafios. Em 2001, a escola teve avaliação laranja no Saresp, o que indicava situação crítica. Já no ano passado conseguimos dois pontos porcentuais acima da média de todas as escolas da região no Saresp.”
Ao mesmo tempo em que a escola abriu o reforço para o Ensino Médio, a equipe pedagógica inseriu “rodas de leitura” em todas as disciplinas. “Até professores de Matemática e Ciências reservam um momento em aula para atividade de leitura”, diz. Já em 2006, Suzy conta que nenhum aluno do Ensino Médio precisou de reforço. “Mas os professores sabem que o reforço está aberto para todas as séries.”
A professora de reforço da EE Jardim Iguatemi, Eliane Pimentel, ressalta que no 1º semestre a escola teve 2 salas de recuperação paralela, com cerca de 20 alunos de 5ª séries em cada. “Por meio da reflexão sobre os próprios erros de interpretação, os alunos no reforço chegam a resolver seus problemas em menos de 6 meses”, diz.

Cenário crítico

De acordo com o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf - 2005), apenas 26% da população brasileira de 15 a 64 anos de idade são plenamente alfabetizados - o que corresponde a habilidade de ler textos longos, comparar textos e realizar sínteses. O Inaf também mostra que 30% dos brasileiros nesta faixa etária têm nível rudimentar de alfabetização, ou seja, só conseguem localizar uma informação bem explícita em um texto curto. Por exemplo, em um anúncio, apenas localizam a data em que se inicia a vacinação ou a idade a partir da qual a vacina pode ser tomada.
Segundo Idméa Siqueira, professora da Faculdade de Educação da USP, de acordo com a sua experiência de estágios supervisionados nas escolas públicas na Cidade de São Paulo, é possível dizer que cerca de 40% dos alunos da 5ª série possuem restritos graus de letramento. “O problema começa na educação infantil. É importante que as crianças tenham acesso à escola na fase do letramento emergente (0 a 6 anos). Entretanto, na França, por exemplo, 100% das crianças em fase do letramento emergente estão matriculadas na escola. Já no Brasil, apenas 12% da população tem acesso à pré-escola ( 4 a 6 anos).”

Sala de reforço gera polêmica 

Os desafios do professor na escola 

P ara a professora da Faculdade de Educação da USP, Idméa Siqueira, a escola pública precisa de mais recursos – como brinquedotecas e salas de leitura com profissionais qualificados – para propiciar avanços significativos no desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita. “Não acredito que as salas de reforço sejam o melhor caminho para solucionar o problema dos restritos graus de letramento.”
Já a coordenadora do Inaf, Vera Masagão Ribeiro,ressalta a importância das salas de reforço. “É fundamental que o aluno com dificuldade de aprendizagem tenha um contato mais individualizado com o professor. No entanto, esta iniciativa não exclui a importância do trabalho conjunto dos professores para o desenvolvimento das competências leitoras.”
Vera também destaca que as escolas devem definir as competências leitoras que querem desenvolver nos alunos para a partir destas poder estabelecer metas. “A falta de sistematização é que gera problema de aprendizagem nos alunos.”

VYGOTSKY: UMA OPÇÃO 

Prática pedagógica com base em Vygotsky é um caminho para sanar restritos graus de letramento. Em vez de salas de reforço, as escolas poderiam criar turmas heterogêneas de trabalho, pois assim o aluno com dificuldades aprenderia com a experiência dos colegas
Se houver dificuldade em atrair os outros alunos para estas turmas, os convide para atuar como monitores de atividades lúdicas nomeadas como espaço de comunicação em vez de usar o termo reforço
O trabalho com grupos heterogêneos não deve ser desenvolvido para solucionar problemas, mas deve ser utilizado em sala de aula em todas as disciplinas. Até mesmo atividades em duplas já auxiliam alunos com mais dificuldade
Na fase do letramento emergente (0 a 6 anos), é fundamental que as crianças tenham acesso ao mundo letrado por meio de jogos, contação de histórias, sem a sistematização. O problema das salas de reforço é que elas não conseguem recuperar o contato lúdico que o aluno possa ter perdido na pré-escola Fonte: Idméa Siqueira/USP.

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