Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

05/09/2006 – CLIPPING



O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.


JORNAL DA TARDE – 05/09/2006
Educafro oferece cursinho a nove mil alunos em SP

Apesar de ser voltado a afrodescendentes, o projeto não faz distinção entre a população carente.
O critério é a baixa renda

LUANDA NERA

Educação e cidadania voltadas a afrodescendentes de baixa renda. Essa é a filosofia do cursinho pré-vestibular Educafro, um dos mais conhecidos no País. Obra do Serviço Franciscano de Solidariedade, o projeto surgiu em 1998, no Rio de Janeiro, e hoje mantém 255 unidades em todo o Brasil.
Em São Paulo, o Educafro contabiliza números surpreendentes: são 184 núcleos educativos, 9 mil alunos, 2.443 professores e 920 coordenadores. As aulas são realizadas aos finais de semana, em horários que dependem da estrutura de cada unidade. "Escolas, igrejas, centros comunitários... Instalamo-nos onde formos convidados. Nosso método é adaptável à realidade de cada região", explica Tiago Tobias, coordenador de políticas públicas.
No Educafro, professores e coordenadores são voluntários, o que garante o baixo custo do projeto. A contribuição dos alunos vai de 2% a 5% do valor do salário mínimo. "O dinheiro é usado para compra de material escolar e para ajuda de custo de transporte dos educadores. O voluntariado é a receita para que o trabalho continue fiel a seus princípios", reforça Tobias.
Mas não só para o exame vestibular que os alunos que passam pelo Educafro são preparados. Um dos grandes diferenciais do cursinho é o foco nas questões de política e cidadania. Prova disso é que o projeto vem se destacando também pela mobilização social, estimulando os vestibulandos a se engajarem: "O Programa Universidade para Todos (Prouni), do governo federal, foi construído com a nossa ajuda", orgulha-se Tobias.
A luta pela inclusão social, que prega o fim da discriminação, faz com que o Educafro não exclua os que não se encaixam na categoria de afrodescendentes. Exemplo disso é o aluno Marcos Francisco de Oliveira, 39 anos, morador da Zona Leste da Capital: "Sou de família italiana, tenho olhos azuis. Mas procurei o Educafro porque não tenho condições de pagar um curso pré-vestibular e porque admiro o trabalho de conscientização social que eles prestam", justifica. Formado em publicidade, ele decidiu mudar de profissão e se prepara para prestar vestibular para USP e Unesp. "Sempre fui muito bem tratado, não há discriminação. Além do conteúdo da prova, recebo orientação sobre os benefícios a que temos direitos, ficamos sabendo, por exemplo, que somos isentos da taxa do vestibular", detalha Marcos. "Preparamos o jovem para a vida e, por isso, temos de incentivar a diversidade", completa o coordenador.

JORNAL DA TARDE – 04/09/2006
Novos cursos para agentes culturais

O Instituto Pensarte lança, pela primeira vez em sua história, um curso livre, estruturado para atualizar os profissionais da cultura. Veja a programação do curso e formas de pagamento pelo www.culturaemercado.com.br.

JORNAL DA TARDE – 05/09/2006
Parque da Luz ganha Bosque da Leitura 

Foi inaugurado no último sábado mais um Bosque da Leitura, desta vez no Parque da Luz. O objetivo é proporcionar aos domingos a leitura de revistas, quadrinhos e livros de crônicas, além de volumes da literatura adulta e juvenil. O projeto já existe nos Parques do Ibirapuera, do Piqueri do Carmo. O acervo previsto para a nova instalação contará com aproximadamente 200 volumes.

JORNAL DA TARDE – 05/09/2006
Teatro do Bom Retiro volta à cena 

curioso@jt.com.br 

O Teatro de Arte Israelita Brasileiro, mais conhecido como TAIB (Rua Três Rios, 252, Bom Retiro, 3227-4015), vai reabrir suas portas no mês que vem, depois de oito meses de reforma. E também sob nova direção.
Nos últimos 22 anos, ele estava sob a administração do Cooper Teatro Oscar Felipe, que pagava aluguel ao Instituto Israelita Brasileiro. Há seis meses, depois de uma disputa judicial arrastada, o TAIB voltou às mãos do Instituto. Segundo o novo administrador do teatro, Fernando Lyra, o espaço estava passando por um processo de deteorização. "O TAIB tinha problemas de infiltração, iluminação e lixo", afirma. "Além disso, a programação não era bem aceita pelo público".
A história do teatro começou depois da Segunda Guerra Mundial, quando diretores do Centro Cultura e Progresso e outras personalidades judaicas de São Paulo resolveram construir um local em homenagem aos judeus . Nele deveria haver biblioteca, salas de conferências, espaços de lazer e,principalmente, um teatro. Assim, o TAIB, com capacidade para 700 pessoas, foi inaugurado no dia 22 de outubro de 1960.
Com a atual reforma, o número de lugares vai diminuir. "Nós teremos 300 bons lugares, com espaço reservado também a deficientes físicos", descreve Lyra. O administrador afirma que não tem tido muitas dificuldades para montar a nova agenda. "Levar as produções para o teatro tem sido fácil", conta. "Muita gente importante tem vontade de voltar a se apresentar lá".
A partir da sua reinauguração haverá ingressos para a população carente. "Se o preço normal de uma peça for R$ 30, nós cobraremos só R$ 10 dos mais pobres", afirma Lyra. O novo nome não está decidido. Há duas opções: Novo Taib ou Teatro Israelita Brasileiro.

Correção

O telefone do evento "Noite do Cupido", publicado ontem, estava errado. O número correto é 3898-0033.

JORNAL DA TARDE – 05/09/2006
Parque da Luz ganha Bosque da Leitura 

Foi inaugurado no último sábado mais um Bosque da Leitura, desta vez no Parque da Luz. O objetivo é proporcionar aos domingos a leitura de revistas, quadrinhos e livros de crônicas, além de volumes da literatura adulta e juvenil. O projeto já existe nos Parques do Ibirapuera, do Piqueri do Carmo. O acervo previsto para a nova instalação contará com aproximadamente 200 volumes.

JORNAL DA TARDE – 05/09/2006
Teatro do Bom Retiro volta à cena 

curioso@jt.com.br 

 

FOLHA DE SÃO PAULO – 04/09/2006 (TENDÊNCIAS/DEBATES)

A hora das pedagogias variadas

ARNALDO NISKIER

A mescla do presencial com o virtual na educação seria inteligente, como já se adota em países pós-industrializados

SEMPRE É hora para aprender mais. É verdadeira a frase "quanto mais se aprende, maior é a certeza de que nada sabemos". Ou quase nada. Por isso, não há como manifestar surpresa com o rebaixamento do pobre Plutão. Se virou planeta-anão, se deve ao aperfeiçoamento dos estudos astronômicos, beneficiados por equipamentos nunca antes sequer pensados.
Numa palestra no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, o professor Fredric Litto, diretor da Escola do Futuro, fez uma série de considerações de grande relevo para os que se debruçam sobre as nossas perspectivas no mundo globalizado.
Há, hoje, dezenas de pedagogias variadas (não uma só), dada a organização diferente de cada cérebro, pela disposição nunca repetida de neurônios. Se é possível concordar com o dito "cada cabeça, uma sentença", como aceitar a apreensão de conhecimentos diferenciados por um mesmo e falsamente homogêneo grupo de pessoas?
Veja-se o caso do vestibular ou das provas elaboradas pelo MEC, iguais para todos.
O pior é que o fato se agrava em virtude da relativa morosidade com que são tratados os conhecimentos nas escolas, sem a atualização devida.
Querem um bom exemplo? Voltemos a Plutão. É um novo conceito de sistema solar. O MEC mandou avisar que só poderá promover as alterações nos milhões de livros didáticos que distribui gratuitamente a partir do ano letivo de 2008. Enquanto isso, professores e alunos trabalharão com livros defasados, o que reduz a sua credibilidade. Os exemplos poderiam ser muitos.
Aí entra o conceito de educação à distância. Com maior mobilidade e efeitos instantâneos, a mescla do presencial com o virtual seria inteligente, como já se adota em países pós-industrializados, como Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Austrália, Canadá etc. Aliás, na Austrália, há cursos totalmente à distância, no ensino superior, nos quais praticamente se dispensa até a colaboração do professor. O aluno aprende de acordo com o seu próprio ritmo.
Sendo sabido que a educação via web tem apenas dez anos, é de louvar o progresso rapidíssimo vivido por essa modalidade. Os alunos e os formados têm necessidade de se atualizar de seis em seis meses, e isso pode ser feito em casa, com um processo de educação "just-in-time" (na hora certa). A Universidade Indira Gandhi, na Índia, tem hoje 1 milhão e meio de alunos. É a maior do mundo, operando à distância, numa prova de que devemos prestar também muita atenção às perspectivas das megauniversidades. Elas virão com muita força, para tomar o seu lugar.
O Brasil dispõe de 3 milhões de pessoas trabalhando em casa e utilizando os dispositivos da educação à distância. O número pode parecer exagerado, mas não é.
Segundo dados da Escola do Futuro, 200 mil podem ser encontrados nos cursos universitários, 100 mil em cursos por correspondência (de longa tradição), 1 milhão e meio nas empresas, 600 mil no Telecurso 2000, 300 mil aprendendo via internet (com acesso via redes) e 300 mil por intermédio do competente Sistema S (Senac, Sesc etc).
Se quisermos levar a discussão para o sentido de negócio, veja-se o que ocorre com a Universidade Phoenix, nos Estados Unidos. Suas ações valem 7 bilhões de dólares na Bolsa de Nova York. Imaginar os americanos cometendo equívocos em suas aplicações financeiras é fora de propósito.
Na situação em que nos encontramos, levamos um banho de países como Argentina, Chile e México no que se refere ao atendimento à clientela dos 15 aos 24 anos de idade. Isso para não citar a Coréia do Sul, que tem 85% dos seus jovens, nessa faixa etária, freqüentando os cursos superiores. O Brasil tem menos de 10%. Não é hora de uma grande virada, a propósito do novo governo?
ARNALDO NISKIER, 70, professor, escritor e jornalista, é membro da Academia Brasileira de Letras, secretário de Estado da Educação do Rio de Janeiro e conselheiro do Instituto Metropolitano de Altos Estudos.

FOLHA DE SÃO PAULO – 04/09/2006

USP, Unesp e Unicamp freiam expansão

Universidades estaduais paulistas param de abrir vagas, alegando falta de recursos, mas a procura segue aumentando

"Estamos no limite", afirma a reitora da USP, Suely Vilela, que preside o conselho dos reitores das três instituições


FÁBIO TAKAHASHI DA REPORTAGEM LOCAL

Apesar de o número de inscritos no vestibular seguir em crescimento, o programa de expansão da USP, Unesp e Unicamp praticamente acabou. Somados, os processos seletivos para 2007 das três universidades estaduais terão só 25 vagas a mais que o exame deste ano.
No auge da expansão, entre 2003 e 2004, essas instituições chegaram a ter elevação de quase mil vagas de um vestibular a outro. Na média entre 2002 e 2006, foram 788.
Os dados foram tabulados pela Folha, com base nas informações das comissões que organizam os vestibulares.
A comparação de 2007 com 2006 excluiu as 240 vagas da Faenquil, faculdade do governo do Estado incorporada pela USP neste ano -isso porque esses postos já eram oferecidos por uma instituição pública.
Ao mesmo tempo em que o programa de expansão perde força, o número de inscrições vem aumentando. No vestibular para ingresso neste ano, houve procura 12,5% maior do que a registrada em 2005.
As universidades afirmam que só poderiam manter o ritmo de expansão se o governo estadual também aumentasse as verbas garantidas (vinculação). Desde a década de 90, essas instituições recebem os mesmos 9,57% do ICMS, principal imposto paulista. Neste ano, o orçamento do Estado prevê que esse valor represente R$ 4,1 bilhões.
"Estamos no limite", afirmou a reitora da USP, Suely Vilela, que preside o conselho dos reitores das três universidades. "O governo destinou recursos extras para a expansão, mas só para investimentos [construções]. Os gastos com professores e funcionários ficaram por nossa conta. Por isso, só poderemos manter a expansão com recursos extras", disse Vilela.
Na USP, por exemplo, 87% da receita está comprometida com a folha de pagamento.
O governo estadual, por sua vez, entende que a atual vinculação está em bom patamar e que, agora, a meta é expandir as Fatecs (faculdades de tecnologia) -leia mais nesta página.
Com isso, até mesmo projetos previstos para 2007 estão emperrados. A Unicamp, por exemplo, pretendia abrir um campus em Limeira, com capacidade para mil alunos. O Conselho Universitário da instituição, porém, decidiu que a nova unidade só começaria a funcionar com um aumento de 0,05% da vinculação para a universidade -o que representaria cerca de R$ 20 milhões. O governo rejeita a elevação.

O projeto

O programa de expansão, que começou com ações isoladas em 2000, passou a ser uma política articulada entre universidades e o governo Geraldo Alckmin (PSDB) em 2002.
A meta era que houvesse, em uma primeira etapa, um aumento de 20% das vagas na graduação até 2006. O objetivo foi atingido, pois a elevação ficou em 21,6%, apenas considerando a oferta de vagas nos vestibulares do início de ano -a Unesp também oferece 705 vagas no meio de ano.
Mas especialistas em políticas educacionais divergem sobre a necessidade de continuar a expansão nessas instituições.
"Essa desaceleração é preocupante. Há ainda muita demanda por vagas nessas universidades, principalmente das classes C e D, justamente as que não podem pagar pelo ensino superior", disse Alípio Casali, professor da pós-graduação em educação da PUC-SP. "A expansão, que era tímida, deveria continuar. O Estado tem o dever de atender à demanda por ensino público de qualidade."
Já para Elizabeth Balbachevsky, do Núcleo de Pesquisas sobre o Ensino Superior da USP, "o financiamento das universidades pelo Estado chegou ao limite. Não é justo pedir que o contribuinte paulista pague mais por essas universidades". Segundo ela, a expansão só poderia continuar se as universidades passassem a cobrar mensalidades. "Quem tem condição melhor, poderia ajudar a bancar as camadas mais pobres."
Posição parecida tem o presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Estadual de Educação, Francisco José Carbonari. "O problema é que para fazer essa cobrança é necessário mudar a Constituição Federal. Essa é uma posição que os conselhos estaduais de educação defendem, mas é difícil de ser aprovada."

Faculdades de tecnologia são foco, diz governo 


DA REPORTAGEM LOCAL

A secretária de Ciência e Tecnologia do governo Cláudio Lembo (PFL), Maria Helena Guimarães de Castro, afirmou que o crescimento das universidades estaduais a partir de agora será "vegetativo", sem outra forte expansão.
Ela disse ser "difícil" que o governo eleve a vinculação para essas instituições -mesma posição da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), que chegou a enfrentar uma greve nas universidades em 2005 por ter vetado o aumento de verbas garantidas para USP, Unesp e Unicamp.
Castro diz que os 9,57% do ICMS para as universidades são um valor "considerável" e suficiente para que as instituições se mantenham, mesmo com o aumento de vagas.
"Nosso foco agora são as Fatecs", disse a secretária, referindo-se às faculdades tecnológicas do Estado, cujos cursos são voltados ao mercado de trabalho e formam os alunos em um período menor (no mínimo um ano a menos).
Segundo Castro, a mudança de enfoque ocorre por dois motivos. O primeiro é que USP, Unesp e Unicamp são universidades de pesquisa, com uma estrutura cara. "Elas nunca poderão ser massificadas. Essas universidades precisam continuar a produzir pesquisas e pós-graduação de qualidade."
O segundo fator é a atual forte demanda pelas Fatecs. Até 2007, o governo quer 20 mil matrículas nessas faculdades; em 2000, eram apenas 10 mil.
"Em média, os novos cursos das Fatecs já começam com concorrência de 15 a 20 alunos por vaga. É uma concorrência maior do que muitos cursos da USP, o que mostra uma demanda reprimida."

Professores e alunos citam piora nos cursos 


DA REPORTAGEM LOCAL


Representantes de professores e de estudantes afirmam que o aumento no número de vagas deteriorou a qualidade dos cursos.
"A contratação de docentes e de funcionários não foi suficiente", afirmou o coordenador do Fórum das Seis (entidade que reúne os representantes de professores, funcionários e estudantes das três universidades), Francisco Miraglia, que também é vice-presidente da Adusp (associação dos professores da USP).
Dados presentes nos anuários estatísticos das instituições apontam que houve aumento de 1,85% no número de professores entre 2002 e 2004 (último ano com dados divulgados) e um decréscimo de 0,1% no quadro de funcionários. No mesmo período, a oferta de vagas no vestibular subiu 21,6%.
"Há classes com 200 alunos em letras, 120 em ciências sociais e 80 na pedagogia. Já existia um problema de qualidade na universidade, que só piorou com a expansão", disse a integrante do DCE da USP (diretório central dos estudantes) Maíra Tavares Mendes.
Os problemas de infra-estrutura também ocorrem na USP Leste, inaugurada em 2005, diz Flávia Duwe, do centro acadêmico do curso de gestão de políticas públicas. "A biblioteca está longe de atender até mesmo à demanda por livros obrigatórios", contou. "Ou temos de pedir o livro para a biblioteca do campus central, que demora até uma semana para chegar, ou temos de ir até lá, por conta própria."
A reitora da USP, Suely Vilela, disse que a direção da universidade está atendendo a todas as demandas que chegam a ela. Especificamente sobre a USP Leste, Vilela afirmou que o campus ainda está em implementação e que tanto as instalações quanto o acervo da biblioteca serão ampliados com o passar dos anos.
Já a secretária Maria Helena Guimarães de Castro disse que as universidades têm condições de manter a qualidade dos cursos utilizando a estrutura já existente. (FT)

FOLHA DE SÃO PAULO – 02/09/2006

Kassab visita escola em alojamento e exonera coordenador

Prefeito de São Paulo afirmou que condição de salas de aula improvisadas é "inadmissível" e prometeu reforma

280 crianças continuam em escola até que esteja pronta construção de alvenaria prometida por Kassab – o que pode levar 90 dias
 

ALENCAR IZIDORO DA REPORTAGEM LOCAL

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PFL), anunciou ontem a exoneração do coordenador de educação da Capela do Socorro, na zona sul, área responsável pela escola onde 280 crianças recebem aulas há um mês em salas improvisadas num antigo alojamento de operários da construção civil.
Kassab fez uma visita surpresa pela manhã ao local, em Interlagos, cuja situação precária foi mostrada ontem pela Folha. À tarde, disse considerar a condição "inadmissível". Prometeu começar uma reforma urgente, "nas próximas horas".
"É uma escola provisória, mas não é por ser provisória que precisava estar naquele estado, com manutenção inadequada, mato", afirmou Kassab, para quem "a educação tem verba própria" e "São Paulo tem Orçamento para permitir" que ele "exija uma qualidade na manutenção das escolas".
Alunos da pré-escola haviam sido transferidos temporariamente de salas de lata da escola Albert Sabin. A situação segue enquanto a gestão Kassab faz um colégio de alvenaria.
O prefeito disse que haverá melhorias até a construção do prédio definitivo -o que pode levar 90 dias. O dinheiro para a obra está em caixa desde 3 de julho, mas a licitação será lançada pela subprefeitura só na próxima semana, devido a entraves "burocráticos", diz a pasta da Educação.
A transferência para a estrutura improvisada levou à diminuição de seis horas para quatro horas da carga horária diária dos alunos. Em vez de almoçar e jantar, eles passaram a comer "lanche seco" (bolachas, pão com manteiga, salsicha, chocolate e café com leite).
O secretário da Educação, Alexandre Schneider, disse que o problema da merenda é devido à falta de local para estocar alimentos. Ele afirmou que iria pedir à empresa para reforçar o lanche ou para fornecer "quentinhas" e que conversaria com a diretora da escola para retomar a carga horária original.
Jacomo Facio Neto, coordenador de educação exonerado, foi procurado pela Folha, mas não quis se manifestar. Ele estava no cargo de confiança desde janeiro de 2005, na gestão José Serra (PSDB), e vai voltar a exercer a função de diretor de escola municipal, para a qual é concursado.

Escolas de lata

O fim das escolas de lata era uma das promessas do ex-prefeito José Serra (PSDB). Hoje, ainda existem sete colégios desse tipo e 72 salas de lata (cuja estrutura é igual à da escola de lata, embora sejam montadas em colégios de alvenaria).
A prefeitura diz que, no começo de 2005, havia 51 escolas e 192 salas de lata na cidade.
Ontem, Kassab prometeu acabar com todas elas no final deste mês. Alegou que alguns alunos seguem nelas por opção de pais, que não quiseram que eles fossem transferidos temporariamente para lugares mais distantes até a conclusão do prédio definitivo.
O secretário Schneider diz que atrasos no cronograma para a substituição das estruturas de lata foram motivados por problemas nos terrenos das obras, pois havia áreas inadequadas e invadidas.

FOLHA DE SÃO PAULO – 03/09/2006
Escola Fernão Dias Paes faz 60 anos


No próximo dia 23, um encontro de ex-alunos vai marcar o início das comemorações dos 60 anos da Escola Estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros, zona oeste de SP. Na festa, haverá homenagens a ex-professores, apresentação de bandas de ex-alunos e projeção de fotos antigas em um telão. A renda arrecadada será usada pela associação de ex-alunos para promover projetos educacionais na escola.

FOLHA DE SÃO PAULO – 02/09/2006

Escola estadual com três turnos terá aula aos sábados em SP

Para atender à legislação, cerca de 203 mil alunos precisarão ter o complemento da carga horária no fim de semana

Presidente da associação dos professores critica a medida; educadores afirmam que o ideal seria acabar com o sistema
 

FÁBIO TAKAHASHI DA REPORTAGEM LOCAL

Na iminência de não atingir a carga horária mínima exigida por lei, a gestão Cláudio Lembo (PFL) determinou que os alunos de escolas estaduais com três turnos diurnos passem a ter aulas aos sábados. A resolução foi divulgada ontem pela secretária da Educação, Maria Lúcia Vasconcelos.
Em todo o Estado, 203 mil alunos estudam em escolas nessas condições (4% do total). Os três turnos diurnos são utilizados em locais onde a demanda de matrículas é muito alta e, com isso, as unidades não conseguiriam atender a todos os estudantes oferecendo apenas os tradicionais dois turnos. Com a turma adicional, cada período fica menor. Em geral, os alunos têm cinco horas-aula por dia. Nas escolas com três períodos, esse número cai para três horas e 40 minutos.
Um agravante para este ano, diz a secretaria, é que os professores passaram a ter o direito de utilizar 20 minutos da jornada diária para atividades fora da sala de aula, diminuindo o período letivo. Assim, nas escolas de três turnos diurnos, os alunos teriam, em média, uma carga letiva de apenas 720 horas de aula ao final do ano -a Lei de Diretrizes e Bases prevê um mínimo de 800 horas anuais.
"Se não chegar a esse limite mínimo, o governo pode ser acionado judicialmente", afirmou o promotor Motauri Ciocchetti de Souza, da Defesa da Infância e Juventude. No último dia 15, ele mandou um documento à secretária cobrando que ela cumpra a legislação.
Com a medida, cada escola poderá definir o número de sábados letivos e as atividades aplicadas. "A medida foi tomada para não desrespeitarmos a legislação", disse o coordenador de ensino da região metropolitana de São Paulo, Luiz Candido Rodrigues Maria.

Planejamento

Para os educadores consultados pela Folha, o ideal seria acabar com os três períodos diurnos. "Mas se o sábado for bem planejado, será positivo.
Agora, se isso não ocorrer, só vai enfadar os alunos", disse a professora da PUC-SP Helena Albuquerque, pesquisadora de políticas públicas em educação.
Opinião parecida tem a professora Maria Marcia Malavazi, da disciplina de avaliação da pós-graduação em educação da Unicamp. "Jogar bola não irá adiantar nada. E precisamos observar também se o horário será realmente cumprido." A presidente da Associação Estadual de Pais e Alunos, Hebe Tolosa, também é favorável.
"Entre desrespeitar a lei e ter aula aos sábados, prefiro a lei." Renan Alves, 10, da quarta série da escola Benedito Montenegro, na zona leste, aprovou a idéia. "A gente tem pouca aula durante a semana. Mas meus amigos não vão gostar disso." A Apeoesp (associação dos professores), por sua vez, se mostrou contrária. "O professor já não tem tempo para preparar as aulas.
Trabalhando aos sábados, quando ele vai fazer isso?", disse a presidente Maria Izabel Noronha. "E os professores receberão extra? O Estado tem é que construir escolas." O governo afirmou que haverá pagamento adicional.
Colaborou MARIANA TAMARI, da Reportagem Local

O ESTADO DE SÃO PAULO – 04/09/2006
'Terceirização' questionada

Criticada por abrir uma brecha pela qual Estados e municípios poderão contratar novos empréstimos à margem dos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e por resoluções anteriores, a Resolução nº 33 do Senado Federal, que permite a governos estaduais e prefeituras a cessão da cobrança da dívida ativa para instituições financeiras, agora está sendo contestada no Supremo Tribunal Federal (STF). A Associação Nacional dos Procuradores de Estado (Anape) entrou com ação direta de inconstitucionalidade (Adin) no STF contra a resolução, argumentando que a delegação ao setor privado da cobrança da dívida ativa do setor público contraria a Constituição e outros dispositivos legais.
A resolução atendia a uma antiga reivindicação dos prefeitos. Desde 2003 tramitava proposta do senador Sérgio Cabral que permitia a transferência da cobrança da dívida dos municípios a bancos particulares. A proposta inicial limitava a antecipação da receita para as prefeituras a 30% do valor de face da dívida a ser cobrada pelos bancos. Além disso, a operação era garantida por parcela do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) a que o município tem direito, no valor equivalente ao recebido como antecipação de receita.
Não por acaso num ano eleitoral, os senadores, para angariar as simpatias de governadores e prefeitos, não apenas decidiram rapidamente sobre um assunto que até há pouco não avançava na Casa, como ampliaram as vantagens da Resolução nº 33 estendendo aos governos estaduais a possibilidade de transferência da dívida para instituições financeiras e elevando para 100% do seu valor de face o total que o ente público pode obter como antecipação da receita orçamentária, eliminando ainda a exigência do comprometimento do FPM (no caso dos municípios) como garantia da operação.
Tinha todos os motivos, por isso, o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, para comemorar a decisão do Senado, que está sendo chamada de "terceirização da dívida pública". Segundo Ziulkoski, os bancos dispõem de instrumentos mais eficazes do que os utilizados pela maioria das prefeituras para cobrar dívidas. Além disso, a utilização da dívida como lastro para novas operações de crédito aliviaria o caixa das prefeituras cuja capacidade de tomar empréstimos atingiu o limite permitido pela LRF e pelo Senado.
O risco de rompimento desse limite, em decorrência da Resolução nº 33 é, entretanto, elevado. Boa parte dos valores lançados como dívida ativa consolidada de Estados e municípios, e que podem ser cedidos para instituições financeiras privadas, talvez não seja cobrável, porque o devedor encerrou as atividades ou por outro motivo. Tendo a prefeitura obtido antecipadamente os recursos referentes a esses valores, como fará para pagar sua dívida?
A essa questão, a Adin ajuizada pela Anape acrescenta outras, de natureza jurídica. Um dos argumentos dos procuradores é que o Art. 132 da Constituição atribui às procuradorias estaduais a representação judicial e a prestação de consultoria jurídica dos Estados. A resolução, ao transferir a cobrança da dívida ativa para os bancos, transfere também atribuições constitucionais das procuradorias. É importante destacar que a perda de certas atribuições pode resultar em perda de alguma forma de remuneração dos procuradores, o que os torna diretamente interessados na ação.
Outros argumentos não se baseiam em interesses específicos dos procuradores, mas nos de toda a sociedade. A transferência da cobrança da dívida ativa cria a possibilidade de quebra do sigilo fiscal do contribuinte que tem dívidas junto ao Estado ou ao município. O risco da operação, de outro lado, é inteiramente do setor público, uma vez que, não sendo possível cobrar a dívida, o valor antecipado pelo banco como receita terá de ser devolvido nas condições negociadas.
A Adin questiona, ainda, a competência do Senado para regular esse tema por meio de resolução e também a falta da exigência de licitação para a escolha do banco que assumirá a cobrança da dívida. Seus argumentos são fortes.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 04/09/2006
NOTAS

Bienal de Arquitetura expõe projetos de SP
A Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), órgão da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo responsável pelas construções escolares, apresentará na 10.ª Bienal Internacional de Arquitetura, em Veneza, oito projetos de escolas estaduais em estruturas pré-fabricadas – quatro de Campinas e quatro de São Paulo. Desde 2003, cem prédios escolares foram projetados neste sistema. Destes, 34 estão finalizados. Os projetos selecionados serão expostos de setembro a novembro.

Pedido de isenção na Unesp vai até dia 8 

O período para solicitação de isenção do pagamento da taxa de inscrição do Vestibular 2007 da Universidade Estadual Paulista (Unesp) se encerra no dia 8, próxima sexta-feira. Os interessados devem retirar o formulário do Requerimento de Isenção nos postos de inscrição da universidade e entregá-lo preenchido no mesmo local, das 9 às 18 horas. A lista com os nomes dos beneficiados será divulgada no dia 15 de setembro. As inscrições para o vestibular começam em 18 de setembro.

Curso forma gestor de tecnologia em saúde 

Desde 1.º de setembro estão abertas as inscrições para pós-graduação em Gestão de Tecnologias em Saúde. O Centro Paulista de Economia em Saúde (CPES), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), será responsável pelo mestrado profissionalizante para gestores públicos nos Estados do RS, SC, PR, MG e SP. O curso é gratuito e terá duração de 24 meses. Para se inscrever o candidato deverá ter nível superior e atuação em uma das três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde.

75% dos inscritos fizeram Enem 

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2006 registrou a maior participação de estudantes desde sua implantação, em 1998, e o menor índice de abstenções desde a edição de 2000. Compareceram à 9.ª edição da prova 2.803.328 estudantes – 74,89% do total de inscritos. O exame foi aplicado no dia 27 de agosto em mais de 800 municípios brasileiros. Os alunos participantes vão receber o boletim individual com seus resultados no período entre 6 e 17 de novembro.

USP realiza 11ª edição de congresso 

A Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP) realiza a 11.ª edição do Congresso de Ciências do Desporto e Educação Física dos Países de Língua Portuguesa, entre os dias 6 e 9 de setembro, em São Paulo. Neste ano o tema do congresso será "Renovação e Consolidação". Esta é a primeira vez que o evento será realizado em São Paulo. As inscrições podem ser feitas no site www.usp.br/eef/xipalops. Mais informações podem ser obtidas pelo (0xx11) 3091-3077.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 03/09/2006
Quando o prêmio é a própria obra

Grigory Perelman recusou a mais alta honraria da matemática por apontar a solução da conjectura de Poincaré 

George Johnson, The New York Times

Muito antes de John Forbes Nash, o esquizofrênico Prêmio Nobel romanceado no filme Uma Mente Brilhante, a matemática já era associada à lenda do gênio maluco alienado.
Na Antiguidade, houve Pitágoras, guru de um culto de geômetras, e Arquimedes, tão distraído rabiscando uma equação na areia que foi apunhalado por um soldado romano. Pascal e Newton no século 17, Goedel no 20 - todos reforçaram a imagem do matemático como um asceta, fugindo de uma vida regular na busca de verdades rarefeitas demais para a compreensão do resto dos mortais.
Na semana passada, um recluso russo chamado Grigory Perelman parecia estar fazendo o gênero quando recusou a mais alta honraria da matemática, a Medalha Fields, por trabalhos apontando para a solução da conjectura de Poincaré, uma antiga hipótese envolvendo a estrutura profunda de objetos tridimensionais. Ele deixou aberta a possibilidade de que também rejeitaria um prêmio de U$ 1 milhão do Clay Mathematics Institute em Cambridge, Massachusetts.
Distinguindo-se de Marlon Brando, que recusou um Oscar, ou Jean-Paul Sartre, que recusou um Nobel, Perelman não compareceu para fazer uma declaração política ou tentar atrair mais atenção para si. Não era tanto uma medalha que ele estava rejeitando, mas a idéia de que na investigação dos segredos da natureza o descobridor é mais importante que a descoberta.
"Não creio que nada do que digo possa ter o menor interesse público", disse ele ao jornal londrino The Telegraph - o que imediatamente o tornou mais interessante. "Sei que existe muita autopromoção e se as pessoas querem fazê-la, boa sorte para elas, mas não vejo isso como uma coisa positiva."

OBRA COLETIVA

A matemática deve ser uma empreitada do tipo Wikipédia, com milhares de colaboradores anônimos trabalhando discretamente num grande texto que vai sendo melhorado a cada nova contribuição. Mas em qualquer empreendimento - literatura, arte, ciência, teologia - forma-se um sistema de celebridades e os egos se interpõem. Newton e Leibniz, por exemplo, não satisfeitos com a excitação de desvendar o Cálculo, entraram em choque sobre quem foi o primeiro a descobri-lo.
Quanto mais raras se tornam as descobertas e maiores e mais complexas as comprovações, muito mais difícil e mais artificial vai ficando isolar um único descobridor. Mas é o que a sociedade, com suas honrarias e heróis, pede.
Pela forma como as coisas funcionam no universo, é quase certo que já esteja em curso um tratamento cinematográfico enaltecendo Perelman: um Gênio Indomável ambientado em São Petersburgo, onde ele vive, desempregado, com sua mãe.
Ouvindo-o falar, ele está acima dessas trivialidades. O que importa são as idéias, não os cérebros em que elas se formam.
Os trabalhos de Perelman estão repletos de referências a outros estudos: "a conjectura Hamilton-Tian", "variedades de Kaehler", o "teorema de comparação de volume Bishop-Gromov", a "desigualdade logarítmica de Sobolev". Dividido entre todos que contribuíram, afinal de contas, o Prêmio Clay poderia não valer tanto.

ACESSO PÚBLICO

Colocada sem medo de pirataria na internet no início de 2002, a resolução de Perelman, contida em três densos textos, oferece vislumbres de um mundo de pensamento puro que poucos jamais conhecerão.
Seus colegas precisaram de quase quatro anos para deslindarem as implicações de sua exposição de 68 páginas. O site do Clay Institute tem links para três trabalhos de outros autores - 992 páginas no total - seja explicando a prova, seja tentando absorvê-la como um detalhe de sua própria resolução.
Um purista diria que ninguém merece reivindicar a propriedade de um teorema. Possivelmente foi isso que Perelman quis dizer. "Se alguém está interessado em minha maneira de resolver o problema, ela está toda lá, que vão lá e leiam", disse ele ao Telegraph. "Publiquei todos os meus cálculos. É o que posso oferecer ao público."
Era assim que pensava o teórico dos números húngaro Paul Erdõs. Até sua morte, em 1996, ele se contentava em viver viajando da casa de um colega à de outro, perseguindo teoremas que vieram, assim ele dizia, "diretamente d'O Livro", um texto platônico onde estaria pré-escrita toda a matemática.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 02/09/2006
De vagão em vagão, uma viagem pelos livros

Bibliotecas no Metrô emprestam, gratuitamente, livros por até 10 dias 


Patrícia Villalba

As três horas diárias que o agente de segurança Wellington Ramos da Silva gasta para ir e vir de casa, em Suzano, ao trabalho, na Vila Mariana, são suficientes para que o Dr. Hannibal Lecter mate uma meia dúzia de desavisados em Florença. O cruel personagem de Thomas Harris será sua companhia pelos próximos dez dias, quando ele, se tiver sorte, será transportado para o mundo incrível de Sidney Sheldon, seu autor preferido. Tem sido assim, um livro depois do outro desde que o segurança de 25 anos se tornou sócio da biblioteca Embarque na Leitura, instalada na Estação Paraíso do Metrô.
Wellington diz que - "francamente" - sempre foi um leitor preguiçoso. Mas mudou, depois de namorar uma leitora voraz e catequista, que jogou em suas mãos O Outro Lado da Meia-Noite - ah, Sheldon. "O namoro acabou, mas ficou o hábito e o gosto pelos livros de Sidney Sheldon", atesta. "Pena que sejam tão concorridos."
O serviço é gratuito e o prazo é generoso - dez dias -, mas o usuário só pode levar um exemplar por vez. Para ser sócio, é preciso levar uma foto 3X4, um comprovante de residência, além de cópias e os originais do RG e CPF. A carteirinha fica pronta em cinco dias, e só com ela é possível retirar o livro.
Os livros são dispostos em vitrines, como numa livraria, de maneira bastante atraente. Foi lá que a professora de dança Renata Costa, de 31 anos, viu O Historiador, de Elizabeth Kostova. Levou para casa. "Gosto muito de ler, mas não posso comprar um livro por mês. Antes, eu alugava. Agora, não gasto nada para ler", diz, entusiasmada com o serviço.
Ontem, ainda eram 14 horas, longe do horário de pico, mas os vagões para Itaquera estavam lotados. De pé, mal se equilibrando, a auxiliar Sheila Cristina Marques, de 38 anos, viajava longe, nas imagens de areia branca e mar azul da Costa do Sauípe. Ela vai e vem todos os dias, da estação Arthur Alvim para a Clínicas. Lê sentada, se der, mas já acostumou até a ler em pé. "Peguei agora na biblioteca, para um trabalho de escolha do meu filho", conta.
Outro que lê em pé é o metroviário Davi Roberto Pereira, que já abre o livro antes de entrar no vagão. Vai de Itaquera a Tiradentes, percurso de 40 minutos. "Só leio no metrô mesmo, porque em casa os filhos não deixam", explica.
O projeto Embarque na Leitura é uma boa idéia que faz tremendo sucesso entre os usuários. Implantado com patrocínio da Usiminas e da Eletropaulo, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, está em expansão - ontem foi inaugurada uma nova unidade na Estação Luz. Em quase dois anos de funcionamento, as duas já existentes - Tatuapé e Paraíso - contam com 15 mil sócios, que fizeram 72 mil empréstimos, uma média de 133 livros por dia. "Nossa meta sempre foi ter dez unidades, mas agora com essa nova biblioteca na Luz, teremos uma boa distribuição na rede", explica a chefe do Departamento de Marketing do Metrô, Flávia Cutolo. O custo de implantação de uma biblioteca do projeto é de R$ 400 mil.

Campeão de empréstimos já pegou 120 livros 

O dentista Alberto Hiroshi Takaynagi, de 64 anos, é o mais assíduo freqüentador da Biblioteca Embarque na Leitura, na Estação Paraíso. Os 2 mil livros que diz ter nas estantes de casa não são mais suficientes e, desde que se associou ao serviço do Metrô, levou outros 120 para casa - é o campeão em retiradas. A grande maioria, romances policiais, com atenção especial também aos best sellers e os romances de aventura. "Tem sido uma oportunidade para conhecer novos autores do gênero policial, porque a crise não está deixando a gente comprar livros novos. Foi lá que eu fui ler Tony Belotto, Tabajara Ruas e Marçal Aquino", conta que, apesar do amor pelos livros, é sócio de uma biblioteca pela primeira vez na vida.

"Eu sempre fui o que se chamava de 'rato de biblioteca', sempre gostei de ler. Mas agora, com a facilidade da biblioteca no Metrô, estou lendo bem mais. Só neste ano, foram mais de 50 livros. Se eu fosse contar isso em reais, ia ficar caro, não acha?", brinca ele, que conta ter lido quase toda a obra de Rubem Fonseca graças à Embarque na Leitura.
Já o escritor campeão na preferência dos sócios das bibliotecas do metrô é Luis Fernando Verissimo - na estação Paraíso, Comédias Para se Ler na Escola é o livro mais retirado; na estação Tatuapé, o posto é de outro livro dele, As Mentiras que os Homens Contam . P.V.

Cidade ganha hoje mais um espaço para a poesia 

À moda da Casa das Rosas, na Avenida Paulista, a cidade ganha hoje uma biblioteca dedicada à poesia. A Biblioteca Alceu Amoroso Lima (Avenida Henrique Schaumann, 777, tel. 3082-5023, Pinheiros) é a primeira de sete bibliotecas temáticas que a Secretaria Municipal de Cultura vai espalhar pela cidade até o fim do ano: as de arquitetura e urbanismo; cinema, cultura popular; ambiente; ciências; música; e contos de fadas. A idéia é recuperar prédios que funcionavam, na prática, como depósito de livros, transformando-os em pontos de encontro de pessoas com interesses artísticos comuns.
"Bibliotecas criadas ao longo dos últimos 30 anos em bairros de classe média, como Pinheiros, acabaram perdendo a atratividade", explica o secretário da Cultura, Carlos Augusto Calil. "A constatação é de que esses prédios, em bom estado, caíram em desuso, ao mesmo tempo em que bibliotecas da periferia, que funcionam precariamente, têm cada vez mais demanda."
Por isso, a secretaria trabalha primeiro pela recuperação dos prédios em bairros mais centrais, como o da Alceu Amoroso Lima, ao mesmo tempo que elabora um plano de modernização das bibliotecas nas periferias. Para pôr a de Pinheiros em funcionamento, por exemplo, foram gastos R$ 70 mil. Outros R$ 180 mil serão usados até o fim do ano numa reforma maior, principalmente na parte elétrica.
A curadoria da nova biblioteca é do poeta e professor Frederico Barbosa. Não por acaso, ele é também diretor da Casa das Rosas, que vive cheia de gente interessada em poesia, surpreendendo quem duvidava que os versos merecessem uma morada só deles na cidade. "Lá na Casa das Rosas, talvez por ela abrigar o acervo do (poeta) Haroldo de Campos, me dá a impressão de que ficou um espaço mais relacionado à expressão poética. Na nova biblioteca, queremos a moçada mesmo", diz Calil. Ele se convenceu de que a poesia merecia mais um espaço exclusivo na cidade depois de visitar o sarau da Casa das Rosas durante a Virada Cultural, em maio, que ficou lotado em plena madrugada.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 02/09/2006
Cidade ganha hoje mais um espaço para a poesia

À moda da Casa das Rosas, na Avenida Paulista, a cidade ganha hoje uma biblioteca dedicada à poesia. A Biblioteca Alceu Amoroso Lima (Avenida Henrique Schaumann, 777, tel. 3082-5023, Pinheiros) é a primeira de sete bibliotecas temáticas que a Secretaria Municipal de Cultura vai espalhar pela cidade até o fim do ano: as de arquitetura e urbanismo; cinema, cultura popular; ambiente; ciências; música; e contos de fadas. A idéia é recuperar prédios que funcionavam, na prática, como depósito de livros, transformando-os em pontos de encontro de pessoas com interesses artísticos comuns.
"Bibliotecas criadas ao longo dos últimos 30 anos em bairros de classe média, como Pinheiros, acabaram perdendo a atratividade", explica o secretário da Cultura, Carlos Augusto Calil. "A constatação é de que esses prédios, em bom estado, caíram em desuso, ao mesmo tempo em que bibliotecas da periferia, que funcionam precariamente, têm cada vez mais demanda."
Por isso, a secretaria trabalha primeiro pela recuperação dos prédios em bairros mais centrais, como o da Alceu Amoroso Lima, ao mesmo tempo que elabora um plano de modernização das bibliotecas nas periferias. Para pôr a de Pinheiros em funcionamento, por exemplo, foram gastos R$ 70 mil. Outros R$ 180 mil serão usados até o fim do ano numa reforma maior, principalmente na parte elétrica.
A curadoria da nova biblioteca é do poeta e professor Frederico Barbosa. Não por acaso, ele é também diretor da Casa das Rosas, que vive cheia de gente interessada em poesia, surpreendendo quem duvidava que os versos merecessem uma morada só deles na cidade. "Lá na Casa das Rosas, talvez por ela abrigar o acervo do (poeta) Haroldo de Campos, me dá a impressão de que ficou um espaço mais relacionado à expressão poética. Na nova biblioteca, queremos a moçada mesmo", diz Calil. Ele se convenceu de que a poesia merecia mais um espaço exclusivo na cidade depois de visitar o sarau da Casa das Rosas durante a Virada Cultural, em maio, que ficou lotado em plena madrugada.

Números 

202.919
Alunos terão aulas aos sábados a partir de agora na rede estadual de ensino de São Paulo

4%
É quanto representam do total de estudantes nas escolas estaduais

167
Escolas serão atingidas. Todas elas trabalham em três turnos, ou seja, têm alunos entrando em três horários

JORNAL DA TARDE – 04/09/2006
Fim das escolas de lata e mais CEUs

Aumento salarial para professores é uma aposta para melhorar a qualidade do ensino na rede municipal 

JORGE OKUBARO - E as soluções para a educação?

KASSAB - A gestão anterior fez uma proposta educacional centrada nos CEUs - foram construídos 21. Nesta gestão temos, em primeiro lugar, a prioridade total de acabar com as escolas de lata. Existe todo um planejamento que foi feito desde o primeiro dia e até o final de setembro não teremos mais nenhuma escola ou sala de lata na Cidade. Isso é algo muito importante porque nessas 54 escolas de lata nós tínhamos aproximadamente 70 mil crianças estudando. Imagine o que é, numa manhã de frio, uma criança dentro dessa escola de lata? Não estamos falando de 10 crianças, estamos falando de 80 mil crianças. Essa foi uma prioridade zero do prefeito José Serra. Foi dada seqüência e temos a alegria de transmitir para a Cidade que, até o final deste mês, não teremos nem escola de lata nem salas de lata. Uma outra prioridade na área de educação é a eliminação do 3º turno, também uma situação crítica, inadmissível. Podemos dizer que com medidas administrativas do secretário Alexandre Schneider já eliminamos com a parceria do governo do Estado, conforme elenquei no início da exposição, com o 3º turno em aproximadamente 78 escolas.
Esperamos até o final da gestão, com um programa de investimento na construção de novas escolas e no sistema de inteligência de integração com o governo do Estado, eliminar, definitivamente este turno. Isso é uma meta e esperamos atingi-la, pois depende de resultados financeiros da administração. Na medida em que melhoram as receitas, melhoram os recursos da educação, 31% vai para a educação. Também demos seqüência ao projeto de construção de CEUs, estamos construindo cinco e nas próximas semanas anunciaremos mais algumas unidades com uma nova visão. Não é apenas o CEU Escola, é o CEU nas comunidades que carecem de equipamentos na área cultural, esportiva, complementando a ação da Secretaria de Cultura e da Secretaria de Esportes, que têm os seus equipamentos, mas em algumas regiões elas não têm.
Por último, o mais importante, é a valorização do nosso funcionalismo. Estamos tendo a oportunidade de começar a nossa ação de valorização do funcionalismo pelo professor, na área da educação. Isso será estendido aos outros funcionários e também aos aposentados. Tivemos a grata satisfação de encaminhar para a Câmara Municipal um projeto que através de gratificação dá um aumento de 54%, em sua grande parte, para os nossos professores. Isso é um processo gradual de gestão. Investir no funcionalismo é investir na Cidade. Investir na qualidade dos recursos humanos é você fazer a máquina pública cumprir o seu papel.

JORNAL DA TARDE – 04/09/2006
Gratidão é o começo da cidadania

Içami Tiba

Quando uma criança brinca com um brinquedo e acaba sua vontade de brincar, ela simplesmente levanta e vai embora sem guardar o brinquedo de volta. Se os adultos guardam tal brinquedo, a criança não aprende que este guardar é da responsabilidade dela. Os adultos podem pensar que estão ajudando a criança. Mas não estão. A criança que não guarda o seu brinquedo de volta depois de brincar não vai ficar agradecida aos que guardaram. Ela nada pediu a eles. Eles guardaram porque quiseram. Portanto a criança nada deve a quem guardou. Numa visão um pouco mais ampla, a criança deixou o local da brincadeira pior do que encontrou antes de começar a brincar. Todo cidadão deveria saber que ele, se não puder melhorar, pelo menos deveria deixar em ordem o local por onde passou. Exemplo de banheiro público: as pessoas entram, usam-no como querem e não fazem questão de deixá-lo limpo. Se alguém usa um pertence seu, você gostaria de recebe-lo limpo e em ordem. A criança que guarda os seus brinquedos reconhece tal trabalho quando alguém os guarda e sente-se agradecida. Ela percebe que alguém fez o que ela teria que fazer. A gratidão é o começo da cidadania.

JORNAL DA TARDE – 04/09/2006
NOTAS

Animações para ensinar matemática 

O Sistema Anglo de Ensino desenvolveu programas interativos com animações digitais de materiais concretos usados no ensino da matemática, para uso do professor em lousa digital ou no próprio computador.
As animações podem ser baixadas no site www.angloconvenio.com.br, por um sistema de busca que segue a programação das aulas. Todos os arquivos são acompanhados de um roteiro de utilização para o professor.

Música e poesia para jovens carentes 
A Associação Paulista Viva e a Casas das Rosas lançam hoje um projeto de inclusão social de jovens carentes da Bela Vista e do Bixiga: 25 adolescentes entre 12 e 16 anos receberão aulas gratuitas de música e poesia. Os participantes devem cursar o ensino público. Mais informações: 3251-0499.

 

Inscrições abertas para vestibular 

A Trevisan Escola de Negócios iniciou inscrições para o vestibular 2007. São 235 vagas distribuídas entre os cursos de graduação em Administração de Empresas, Marketing, Relações Internacionais e Ciências Contábeis. A taxa de inscrição é de R$ 120 e as provas acontecem em 09/12 (sábado), das 10h às 13h30, em São Paulo. Mais informações na secretaria da Escola, na R. Bela Cintra, 934 (próximo ao metrô Consolação), ou pelo telefone 3138-5200.

 

Feira orienta sobre cursos nos EUA 

Brasileiros interessados em fazer curso superior nos Estados Unidos podem obter informações na Feira das Universidades, no dia 11, em Campinas. No evento, realizado pelo Centro Cultural Brasil-EUA, os estudantes poderão conversar com representantes de 30 instituições sobre as características da universidade e os custos. Das 11h às 12h30, na Escola Americana (R. Cajamar, 35). Informações: (19) 3794-9700.

Museu ganha parceiro português 

O Museu da Língua Portuguesa, da Secretaria de Estado da Cultura, e o Museu Nacional da Imprensa da Cidade do Porto, em Portugal, assinaram convênio com o objetivo de realizar futuras ações conjuntas. A parceria deve render frutos já no próximo ano. Está prevista a realização de projetos como exposições, seminários, palestras, além da vinda de uma exposição sobre o grande escritor português José Saramago, montada pelo museu português.

JORNAL DA TARDE – 04/09/2006
Aprendendo a ser cidadão

Debates, pesquisas e simulações promovidos pelas escolas preparam os alunos para o pleito de outubro

Com o início da Semana da Pátria e a proximidade das eleições, o Brasil e os seus novos rumos entram na pauta de discussões das escolas. Do ensino fundamental ao médio, os estudantes já pesquisam e debatem os programas de governo dos candidatos à presidência e ao governo do Estado, estimulados pelos professores. Em vários colégios da Capital, é hora de pensar no voto e no futuro do Brasil.
Na Escola Lourenço Castanho, a conscientização política começa cedo. Crianças da 4ª série do ensino fundamental já desenvolvem pesquisas sobre cada candidato à presidência e seus respectivos planos de ação. Hoje, os alunos participam de uma eleição simbólica. "Na votação, cada criança deverá dizer por que está votando no candidato", conta a coordenadora pedagógica Cris Pinto Lima. "Nas discussões em sala, os estudantes têm mostrado bastante maturidade. Alguns até discordam da posição política dos pais."
Segundo Cris, a principal preocupação demonstrada pelos alunos é com relação à segurança pública. "Muitos ainda se lembram dos ataques do PCC na Capital", comenta.
Este mesmo temor atinge os estudantes mais velhos. No Colégio Humboldt, o tema permeia a maioria das discussões sobre eleições no ensino médio. "A segurança é um assunto bastante debatido", conta a coordenadora Dorotéia Bartz. "Outra preocupação se refere à questão ética, às denúncias de corrupção", completa. "Os alunos estão despertando para uma consciência crítica muito grande. Nos debates, vemos que eles têm conhecimento do que ocorre no País."
É também de olho no comportamento dos políticos que os estudantes do Colégio Assunção discutem as eleições. "Neste ano, os alunos do ensino médio estudam os programas de cada candidato e os comparam com as propostas de pleitos anteriores. O objetivo é fazer com que eles analisem a classe política e olhem para a realidade. Afinal, o que tem sido feito? O que mudou?", explica a diretora pedagógica Silvia Russo.
Já no Colégio Augusto Laranja, as eleições serão tema de uma palestra ministrada pelo educador Ricardo Orsini na quarta-feira, para os alunos do ensino médio. No dia 18, os estudantes ainda participam de uma eleição simulada. "Será uma ótima oportunidade para que eles entendam conceitos importantes ligados à vida política e exerçam sua cidadania pela primeira vez", afirma a diretora Rosa Costa.

Pesquise antes de encarar a urna 

Principais candidatos mantém sites com seus respectivos perfis e planos de governo 

Para não votar errado, é preciso pesquisar a vida e as propostas de cada candidato - não apenas os que concorrem à presidência e ao governo do Estado, mas também os que disputam cadeiras no Legislativo.
Uma boa ferramenta de pesquisa é a internet. Quase todos os candidatos possuem sites, com seus respectivos 'currículos' e programas de governo. O do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorre à reeleição, é o www.lulapresidente.org.br. Já o do o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) é o www.geraldo45.org.br. A página da candidata do PSOL, Heloísa Helena, é www.heloisahelena50.com.br.
Entre os que disputam o pleito estadual, o tucano José Serra mostra suas propostas no www.serra45.com.br. As do petista Aloísio Mercadante (PT) podem ser conferidas no www.mercadante.com.br. O site do peemedebista Orestes Quércia é o www.orestesquercia.com.br. No Portal Estadão (www.estadao.com.br), você encontra, além do perfil dos candidatos, as listas dos deputados envolvidos nos escândalos do mensalão e dos sanguessugas que concorrem nestas eleições.

COMO E QUANDO VOTAR? 

>> Nas eleições de outubro, você deve votar para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual

>> O primeiro turno acontece no dia 1º de outubro e o segundo, no dia 29

>> A propaganda eleitoral no rádio e na tevê vai até o dia 28 deste mês. No segundo turno, o horário gratuito começa no dia 16 de outubro e termina no dia 27

>> O voto é obrigatório para pessoas entre 18 e 70 anos. É facultativo para analfabetos, jovens entre 16 e 18 anos incompletos e pessoas com mais de 70 anos

>> Para votar, você precisa levar o título de eleitor ou outro documento de identidade com foto

>> Quem não votar no primeiro turno pode votar no segundo, mesmo que não tenha justificado a ausência

>> Para justificar a falta, quem estiver fora de seu município deve ir, com antecedência, a qualquer cartório eleitoral ou TRE para pegar o formulário de justificativa. Depois, deve preenchê-lo e entregá-lo, no dia da eleição, em qualquer local de votação. Após a eleição, você tem um prazo de 60 dias para comparecer ao seu cartório eleitoral e justificar a ausência

JORNAL DA TARDE – 04/09/2006
Teatro Municipal terá cara nova

Em dezembro, sala sofrerá reforma e entrará na era da modernidade

VALDIR SANCHES

A cinco anos de completar um século de existência, o Teatro Municipal de São Paulo vai entrar na era da moderna tecnologia. Será o passaporte para alcançar um nível de excelência internacional e comparar-se a salas mais jovens, como o Auditório Ibirapuera e a Sala São Paulo.
Em dezembro, terminada a temporada deste ano, fechará durante quatro meses para reforma. Sofrerá um trabalho de recuperação na fachada e nos vitrais, mas a maior intervenção estará em seu interior. Serão atacados o palco e a acústica.
O Municipal está "tecnicamente defasado", diz o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil. "Teatros do mundo todo adotaram há 20 anos a nova tecnologia. Quem tinha dinheiro fez." Calil gastará cerca de R$ 3,8 milhões, financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Jamil Maluf, maestro e diretor artístico do Municipal, conhece de perto os problemas. Com a acústica atual, um cantor lírico que está no fundo do palco não consegue ouvir os violinos lá na frente. Também há problemas na platéia: pontos "mudos", onde o som não chega com perfeição.

Reforma

O projeto que vai resolver esses problemas está a cargo de José Augusto Nepomuceno, arquiteto especialista em acústica de salas. Suas intervenções começarão pelo fosso da orquestra, que será rebaixado em meio metro, entre outras medidas. No palco, será instalada uma nova concha acústica, de alta tecnologia, para dosar o som.
Virá então um sistema eletrônico de "realce acústico". Inúmeros microfones captam o som produzido no palco. Por processamento eletrônico, corrigem esse som e o enviam para uma malha de caixas acústicas. Por fim, será instalado um novo sistema de sonorização para a platéia. "O público vai perceber bem essas melhorias", explica o maestro Jamil Maluf.
Isto vai garantir a apresentação de superproduções. Mas há outro elemento: o cenário. O palco do Municipal tem, hoje, 25 varas, onde são pendurados cenários e refletores. Cada vara suporta 150 quilos. Essa estrutura será mudada, para conter 80 varas com capacidade, cada uma, de 850 quilos. "Com isso, podemos receber as grandes companhias do mundo", diz Walter Pires, diretor do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), da Prefeitura, que acompanhou a visita do JT ao teatro da Cidade.
No que toca ao prédio de 1911, de estilo eclético, há problemas, mas não graves. O pior deles foi uma descoberta feita por análises de laboratório. Elas revelaram que o arenito originalmente empregado nas fachadas é muito frágil. Absorve água com facilidade, o que leva a rachaduras. As áreas afetadas serão tratadas com impermeabilizante.
Há dois anos, em visita ao teatro, o arquiteto suíço Mário Botta alertou que a área ao redor do Municipal devia ser isolada e arborizada, unindo o teatro aos jardins. Esta idéia não entusiasma o diretor do DPH. "O teatro está num eixo importante, que liga o centro novo ao velho. Seria difícil resolver o problema do trânsito."

JORNAL DA TARDE – 03/09/2006
Teatro conta a história de Santos Dumont

Setembro é o último mês de temporada do espetáculo “Larguem tudo, vamos voar”.
A peça conta a história de Santos Dumont por meio de reflexões da época com o dia-a-dia atual.
As apresentações acontecem no teatro da Estação Ciência, às sextas e aos sábados, às 21h.
Os ingressos custam R$ 20, com a opção de meia-entrada para professores e estudantes.

JORNAL DA TARDE – 03/09/2006
Inscrições abertas para palestra grátis

No primeiro sábado de cada mês , a Estação Ciências, por meio do projeto Física para Todos, promove uma série de palestras gratuitas com o intuito que todos percebam que os fenômenos físicos estão presentes no dia-a-dia. A próxima será apresentada no dia 7 de outubro às 15h, com tema “O Século das Partículas”, ministrada pelo professor Marcelo Munhoz. As inscrições podem ser feitas por e-mail: eventos@eciencia.usp.br

JORNAL DA TARDE – 03/09/2006
Brincando com a luz em aula

Sugestão de aula: ensino fundamental

MARIA REHDER

Para promover o entendimento dos conceitos de luz e sombra, o JT, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação (NCE/USP), coordenado pelo professor Ismar de Oliveira Soares, propõe uma atividade a partir de uma abordagem educomunicativa da Física para alunos do 1º ciclo do Ensino Fundamental.
Esta aula foi elaborada pela professora Anna Maria Pessoa de Carvalho, coordenadora do Laboratório de Pesquisa em Ensino de Física da Faculdade de Educação USP.

INTRODUÇÃO

Parte significativa do programa de Ciências no Ensino Fundamental diz respeito ao conteúdo de Física, e ensiná-lo aos alunos de 7 a 10 anos é uma tarefa extremamente complexa, se for levado em conta que a Física é entendida como uma ciência que procura descrever o mundo, regida por teorias amplas, com uma lógica interna bem definida e linguagem matemática.
O ensino da Física por meio das aulas de Ciências precisa ser excitante, ter uma problematização sobre a natureza para que os alunos possam resolvê-la. Cabe ao professor promover a discussão sobre os raciocínios que os alunos desenvolvem para solucionar a questão, não somente aceitando as respostas elaborados por grandes cientistas.

OBJETIVO

Fazer com que os alunos do 1º ciclo do Ensino Fundamental entendam os conceitos de luz e sombra por meio de uma atividade prática em aula.

MATERIAL

Uma luminária; um anteparo com orifício para a passagem da luz, que deve ficar a aproximadamente 15 cm da luminária; uma cartolina branca para projetar as sombras, colocada a cerca de 40 cm do anteparo, que pode ser substituída por qualquer superfície clara; dois círculos grandes (um preto e um branco) e dois pequenos nas mesmas cores; dois pares de quadrados com a mesma característica de cor e tamanho dos círculos; dois retângulos grande, um preto e um branco.

DESENVOLVIMENTO

1) Coloque a cartolina no chão ou sobre uma mesa. A lâmpada deve estar voltada para ela. O espaço entre a luminária e a cartolina deve ser adequado à altura das crianças, permitindo que as peças sejam interpostas entre os objetos para formar sombras. A luminária pode ficar presa a uma cadeira ou banco colocado sobre uma mesa, numa altura adequada e confortável para o trabalho dos alunos.

2) divida a sala em grupos (com 5 crianças cada) e proponha o problema: a)peguem duas figuras que achem que são diferentes e tentem fazer sombras iguais com elas.
Importante: este problema poderá ser difícil para algumas crianças entenderem, pois muitas delas não compreendem o significado da palavra figura e em sua maioria têm a idéia bastante comum de que a sombra deve ter a forma do objeto. Portanto, cabe ao professor passar pelos grupos verificando se o problema proposto foi entendido. Se necessário, explique novamente.

3) Após a solução do problema, organize a sala em círculo para que cada grupo explique como encontrou a solução. Para ilustrar, os alunos devem fazer um desenho sobre a atividade, construindo uma pergunta e uma resposta objetiva sobre o tema. As atividades devem ser expostas para outros alunos na escola.
Esta atividade também pode ser realizada ao ar livre. Nesse caso, o Sol substitui a luminária como fonte de luz. Outra opção é substituir a luminária por uma vela. Aí, a cartolina branca não é necessária, pois os alunos projetarão as sombras na parede (é preciso que a parede seja clara). Trata-se de uma alternativa fácil e barata que, no entanto, pode ser perigosa. Por isso, o professor deve tomar cuidado para que as crianças não se queimem. Para tanto devem fixar as velas em suportes aos quais os alunos não possam movimentar, devem afastar papéis, prender cabelos, etc.

SOLUÇÃO

Há muitas soluções para este problema: 1)usar o retângulo e o quadrado grande inclinado para obter sombras de projeções regulares; 2)erguer o círculo pequeno e manter o grande abaixado; 3)inclinar totalmente o quadrado grande e o círculo grande para obter sombras lineares; 4)usar o quadrado pequeno e o retângulo grande inclinado para obter quadrados pequenos; 5)inclinar totalmente o quadrado pequeno e o círculo grande e ao mesmo tempo erguer o quadrado pequeno para obter sombra do mesmo tamanho.
Percebe-se que com qualquer combinação de 2 figuras é possível obter sombras cujas projeções sejam iguais. As variações são obtidas com 2 ações: inclinar as figuras e variar as distâncias em relação a fonte, erguendo-as ou abaixando-as.AVALIAÇÃO
Reflita sobre a produção de conhecimento do aluno, de forma que o favoreça a iniciativa de perguntar na construção dos novos saberes. Reconheça que a ação do aluno não é isolada, portanto, ele deve ser capaz de utilizar os resultados a fim de avaliar o próprio trabalho.

O PAPEL DO EDUCADOR

Propor problemas a serem resolvidos, estimular a reflexão, permitir a ampliação dos conhecimentos prévios, indo além das atividades puramente práticas e estabelecer métodos de trabalho colaborativo.

Consultoria Educomunicativa: Ana Paula Ignácio e Izabel Leão
BIBLIOGRAFIA
CARVALHO, A M P; VANNUCCHI, A I; BARROS, M A; GONÇALVES, M E R; REY, R C D. 1998. Ciências no Ensino Fundamental - O Conhecimento Físico. São Paulo: Editora Scipione, 200p.

JORNAL DA TARDE – 03/09/2006
NOTAS


Site da ‘Nova Escola’ traz aulas do ‘JT’ 

Os professores têm acesso a todos os planos de aula publicados pelo JT, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da USP, por meio do site da Revista Nova Escola: www.novaescola.org.br, que traz várias sugestões de atividades elaboradas por educadores.As edições da Revista Nova Escola também contam com um caderno especial com sugestões de atividades para a educação infantil.

Escola Caritas inaugura biblioteca 

Será inaugurada hoje a biblioteca Irmã Gemma Yamashita da Escola Caritas, em São Mateus. A criação do espaço, que irá beneficiar cerca de 400 crianças, contou com apoio da Citizen Watch do Brasil

Educação e cidadania em pauta 

A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, a ONG Grupo 25 e a Associação Carpe Diem realizam o 4º Encontro de Educação e Cidadania nos dias 15 e 16. O evento será realizado na Faculdade Ítalo Brasileira. Av. João Dias, 2046

JORNAL DA TARDE – 02/09/2006
Metrô inaugura mais uma biblioteca

O Metrô, em parceria com Instituto Brasil Leitor, inaugurou ontem, na estação Luz da Linha 1-Azul (Jabaquara-Tucuruvi), mais uma biblioteca "Embarque na Leitura". Essa é a terceira biblioteca com empréstimos gratuitos de livros ao público na rede metroviária, que já conta com instalações nas estações Paraíso e Tatuapé. A nova unidade possui um acervo com mais de 2.300 livros
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JORNAL DA TARDE – 02/09/2006
Escola supera dificuldades com samba e esporte

MARIA REHDER

Em vez de um desfile formal com os alunos pelas ruas do bairro, a Emef Comandante Garcia D'Ávila, Zona Norte, escolheu festejar a Independência do Brasil com uma grande festa, que espera reunir mais de 1,5 mil membros da comunidade no pátio da escola na tarde do próximo sábado, dia 9.
Além da comemoração histórica, a festa simboliza a celebração da atual realidade, bem diferente da encontrada ali há 10 anos - quando a escola era "carinhosamente" apelidada pela comunidade de "maloquinha". "Ladrões roubavam e passavam aqui por dentro com a mercadoria. O prédio era pichado, as janelas quebradas", lembra a agente escolar Rute Lima, que trabalha há 24 anos na escola. Segundo Roseli Cezar, também agente escolar há mais de 20 anos, a presença de revólveres dentro do estabelecimento era constante. "Era comum ver funcionários chorarem de medo."

Gestão

O diretor da Emef Garcia D'Ávila, Waldir Romero, destaca que a habilidade para lidar com a diversidade facilitou o processo de transformação da escola. "Todos da equipe de gestão, que é a mesma desde 1996, são flexíveis e acessíveis."
Waldir começou sua carreira como feirante. "Sou de família humilde, fui office-boy, fiz pesquisa de mercado. Dos meus seis irmãos, sou o único que conseguiu ter um diploma universitário. Lutei muito, sempre."
Além da faculdade de Educação Física, o currículo do diretor inclui graduação em jornalismo, pedagogia e especialização em gestão administrativa. Em 1984, Waldir ingressou na rede pública de ensino como professor de Educação Física e em 1996 assumiu a direção da Garcia D'Ávila. "Optei por essa escola por causa da proximidade de casa, mas confesso que me assustei, pois o espaço estava degradado, havia muito preconceito racial", lembra.
Waldir conta que a sua intenção era permanecer apenas um ano na escola. "Decidi ouvir o que os alunos tinham a dizer e um deles me surpreendeu ao questionar se adiantaria tentar mudar se eu iria deixar a escola em um ano."
Desde então, Waldir decidiu ficar "para valer" na escola. E, na tentativa de superar as dificuldades ali enfrentadas, resolveu abrir os portões para que a comunidade desenvolvesse projetos esportivos. "Driblamos a violência, pois, em vez de pular o muro, a comunidade se organizou para usar as quadras."

Samba na escola

Após conquistar a confiança dos alunos, Waldir e sua equipe foram a campo em busca das famílias. "Parcerias com as escolas de samba da região nos aproximaram da comunidade. Cedemos espaço para os carnavalescos que, em contrapartida, passaram a desenvolver atividades com os alunos."
A Escola de Samba Unidos do Peruche, atual parceira da Emef Garcia D'Ávila, em conjunto com a comunidade escolar, pretende animar a Festa da Independência. "A integração com a comunidade não foi fácil, mas nós a conquistamos. Agora o maior desafio será a ênfase na qualidade de ensino, com foco na formação de professores", afirma Waldir.

Pai voluntário vira técnico de 150 alunos 

"Não admito que os pais digam que não têm tempo de participar da vida escolar de seus filhos. Trabalho duro como gari, minha esposa é auxiliar de limpeza. No entanto, sempre 'chegamos junto' nos professores para saber da vida escolar de nossos dois filhos, que felizmente vão bem na escola", afirma Walter da Silva, 53 anos, pai de Flávio, 16 anos e Silvana, 12 anos.
No entanto, a proximidade de Walter com a Emef Comandante Garcia D'Ávila não acontece apenas por causa de seus filhos. "Há nove anos cansei de ver meninos roubarem a bola de futebol da molecada da rua e resolvi organizar um time. Os meninos perigosos passaram a nos respeitar."
Como Walter sempre esteve próximo à escola de seus filhos, logo foi convidado por Waldir Romero, diretor da Emef Comandante Garcia D'Ávila, para usar a escola aos fins de semana para treinar os meninos. "Fico feliz em ver que alguns deles que tinham saído da Febem e passaram a jogar bola conosco, depois de muita insistência, seguiram o caminho do bem. Atualmente, treino aos sábados mais de 150 meninos e o clima é de muita paz."

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