11/09/2006 – CLIPPING

O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.
FOLHA DE SÃO PAULO – 11/09/2006
53% dos formados no país trabalham em outras áreas
Pesquisa comparou a profissão de 3,5 milhões de trabalhadores formados em 21 áreas
Para pesquisador, pautados pelo vestibular, jovens deixam de cuidar da formação e se preocupam com a angústia profissional
ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO
Todo ano, milhões de jovens brasileiros se deparam com a difícil escolha de uma carreira ao se inscreverem num vestibular. O que poucos sabem, no entanto, é que muitos provavelmente trabalharão numa área que pouco ou nada tem a ver com o curso escolhido, como mostra um estudo feito pelo instituto de pesquisa Observatório Universitário.
Ao comparar, a partir dos microdados do Censo do IBGE de
A baixa correlação entre a área de formação e a de trabalho levou os pesquisadores Edson Nunes e Márcia de Carvalho a definir, no título do trabalho, esse quadro como "A Grande Besteira Educacional Brasileira: um Ensino Profissional que Não se Aplica às Profissões que o Defendem".
Na avaliação de Nunes, coordenador do observatório e presidente do Conselho Nacional de Educação, isso ocorre porque o Brasil escolheu "o pior dos mundos" na elaboração de seu modelo de ensino.
"O Brasil oferece uma educação secundária de péssima qualidade e uma profissional muito precoce, o que faz com que nossos filhos tenham sua vida de estudantes secundários pautada por vestibulares. Meninos de 16 anos já têm que começar a decidir se vão ser médicos ou advogados, o que faz com que deixem de ter uma formação e passem a se preocupar com uma angústia. Muitos serão profissionais frustrados."
Nunes defende a tese de que o objetivo maior do ensino superior é preparar pessoas competentes e com formação sólida o suficiente para dominar linguagens que as permitam aprender qualquer profissão.
"O grosso das profissões no setor terciário se aprende em um ano e meio ou dois. Grande parte poderia ser aprendida em ciclos de pós-graduação curtos. Essa discussão está ausente no debate sobre a reforma universitária proposta pelo governo, que é mais uma discussão de processos de regulação do sistema que de conteúdo e aprendizado", diz.
Para ele, um dos elementos que engessam a educação é a pressão das corporações profissionais para limitar a atuação no mercado, regulamentar as profissões e interferir na definição dos conteúdos ensinados.
"Há 43 profissões de nível superior reguladas por lei e uns 14 pedidos para outras. Essas profissões respondem pela vasta maioria dos universitários, que estudam hoje para fazer concursos, participar de concorrências ou ter o diploma."
Presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade e ex-presidente do IBGE, o sociólogo Simon Schwartzman concorda com a necessidade de flexibilizar o ensino. "Em geral, o mercado de trabalho requer uma formação muito menos específica que as carreiras que existem nas universidades."
"Uso só 10% do que aprendi na engenharia"
DA SUCURSAL DO RIO
Susana Su, 30, engenheira civil, hoje é dona de loja de produtos orientais. Renata de Abranches, 27, psicóloga, trabalha numa agência da Caixa Econômica Federal. Gustavo Furtado, 36, jornalista, atua na gerência de projetos do Instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz.
Os três são exemplos de profissionais que foram trabalhar numa área distinta da de sua formação.
"Quando perguntam minha profissão, não sei se respondo que sou bancária ou psicóloga", diz Renata.
Para Gustavo Furtado, a formação em comunicação o ajuda a lidar com os projetos.
Susana Su diz que consegue aplicar parte do que aprendeu no curso de engenharia civil. "Acho que uso só 10%, mas a formação ajuda a fazer cálculos para ver se temos lucro ou prejuízo." (AG)
FOLHA DE SÃO PAULO – 11/09/2006
Na área médica, formado segue no setor
Enfermagem, medicina e odontologia são as formações que apresentam maior correlação entre profissão e curso universitário
Já geografia, ciências econômicas, biologia e estatística são os cursos em que menos graduados permanecem na área
DA SUCURSAL DO RIO
Dentre as áreas que apresentam maior correlação entre a profissão atual e o curso universitário, a médica se destaca. Nela, os índices de correspondência entre estudo e trabalho chegam a 84% em enfermagem, a 75,1% em medicina e a 71,3% em odontologia.
O mesmo não acontece em geografia (apenas 1% atua na área depois de se formar), ciências econômicas (9,1%) e biologia (9,8%).
Algumas formações tradicionais também têm baixa relação curso-trabalho, como administração (46,4% seguem no setor), engenharia (33,1%) ou comunicação social (27,7%).
Analisando caso a caso de acordo com a classificação feita pelo IBGE para identificar as profissões pelo Censo, os pesquisadores perceberam, por exemplo, que o número de formados em administração que trabalham como vendedores de loja é quase igual ao de administradores de empresas.
Há também um número superior de formados em engenharia que hoje são dirigentes de empresas em comparação com os que atuam como engenheiros mecânicos. E há mais gerentes de apoio e de produção formados em comunicação do que jornalistas em redações com o mesmo curso.
Embora concordem que é comum pessoas formadas em suas áreas procurarem outros caminhos, representantes de entidades profissionais defendem a regulamentação por acreditarem que é uma forma de garantir mais qualidade e direitos trabalhistas.
O presidente do Conselho Federal de Administração, Rui Otávio de Andrade, diz que a área de atuação do administrador é muito ampla.
"Administração é uma área multidisciplinar e multiprofissional. Muitos se formam e vão trabalhar com turismo ou em hospitais, por exemplo."
Ele defende a regulamentação da profissão que representa com base no argumento de que empresas podem falir e empregos serem perdidos por causa de má gestão. "Essa não é uma defesa corporativa, mas da sociedade", diz.
Falta de vagas
Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, afirma que muitos alunos já entram em faculdades de jornalismo com uma situação profissional definida. Ele, no entanto, pondera: "Sabemos também que o mercado não tem aberto novos postos de trabalho para todos os formados."
Roberto Busato, presidente nacional da OAB, diz que o curso de direito habilita o formado a exercer diversas profissões. Ele aponta também o baixo crescimento da economia e o boom de cursos de direito com má qualidade no país como razões que levam muitos advogados que não passam em concursos e exames da ordem a procurar outras áreas.
(ANTÔNIO GOIS)
FOLHA DE SÃO PAULO – 11/09/2006
Diploma em ensino superior garante, em média, salário duas vezes maior
DA SUCURSAL DO RIO
Apesar da forte expansão do ensino superior, a busca por formação universitária ainda se justifica, na avaliação dos pesquisadores do Observatório Universitário, porque a remuneração média de um trabalhador desse nível continua mais alta que a dos demais.
Em
O rendimento do profissional varia muito de acordo com a carreira. Em medicina, chega a R$ 4.310. Em pedagogia, é de apenas R$ 1.163.
Além de ganharem mais, em média, os médicos são os que têm mais empregos: 41,9% têm rendimento de dois ou mais trabalhos. Em administração, o índice é de apenas 4,7%.
Procura por emprego
O número de profissionais que estão procurando emprego também varia muito de acordo com a carreira. Em pedagogia e letras, o percentual é de cerca de 9%, um pouco menor do que o verificado em medicina (quase 10%). Em comunicação, no entanto, ele chega a 31%, em administração, a 23,6% e em engenharia, a 19,9%.
Apesar da taxa de desemprego mais alta em algumas profissões, Edson Nunes discorda da tese de que é preciso frear a expansão do ensino superior: "Basta comparar o percentual de nossa população com nível superior com outros países para concluir que não estamos em condições de conversar sobre restrições ao crescimento", afirma. (AG)
FOLHA DE SÃO PAULO – 10/09/2006
48 mil realizam inscrição para vestibular 2007
DA REPORTAGEM LOCAL
Cerca de 48 mil candidatos se inscreveram ontem para o vestibular da Fuvest. A instituição espera que mais de 100 mil interessados realizem suas inscrições no próximo domingo (17) -último dia para entregar a ficha nos postos da entidade.
O prazo para adquirir o manual (que custa R$ 9) nas agências credenciadas do Banespa e para realizar o pagamento da taxa de inscrição (de R$ 100) termina na quarta-feira (13).
FOLHA DE SÃO PAULO – 10/09/2006
Curso superior especial deve começar em 2007, afirma MEC
DO ENVIADO ESPECIAL A MARÍLIA (SP)
O Ministério da Educação deve colocar em prática a partir do ano que vem a determinação sobre a implantação do curso superior de letras com especialização
De acordo com a assessora técnica da Secretaria de Educação Especializada do MEC, Marlene Goti, a graduação está prevista para funcionar em nove pontos do país. "O celeiro é a Universidade Federal de Santa Catarina, mas todas as regiões serão contempladas", afirma a professora Marlene.
A idéia é alentadora, mas, perguntam as mães, quem dará aulas para as crianças até que esses especialistas se formem? "Essas crianças não podem esperar mais. A Adriana (uma das meninas surdas) está com 26 anos na sétima série, e ainda levando bolinha de papel dos alunos ouvintes na cabeça", diz Sara Nemer, vice-presidente de uma associação pró-surdos sem fins lucrativos.
De acordo com Sara, "o melhor dos mundos seria ter duas salas para cada série de alunos surdos". "Uma para libras, outra, para português", diz.
Paula Martelato afirma que a diretoria de ensino de Marília estabeleceu um prazo de quatro anos -até 2010- para resolver a situação.
Marlene diz que o MEC vai promover, em caráter de urgência, em outubro ou novembro, um exame nacional de proficiência em libras e também na sua tradução e interpretação. "Isso é para resolver a situação emergencial. No futuro, o intérprete deverá ter especialização
Por que não se fez isso antes?
Uma das possíveis respostas é que a libras só foi reconhecida como língua no Brasil em
FOLHA DA SÃO PAULO – 09/10/2006
Furto na biblioteca
O FURTO à Biblioteca Mário de Andrade representa uma perda relevante para o patrimônio cultural da cidade de São Paulo. Foram levados do acervo de obras raras da instituição um livro de orações de 1501 impresso em pergaminho, 58 gravuras de Rugendas (1802-1858), 42 de Debret (1768-1848), 12 de Steinmann (1800-1844) e três de Burmeister (1807-1892).
Ao que tudo indica, o desfalque foi perpetrado por uma quadrilha especializada, e pode ter contado com a participação de algum servidor da biblioteca. A precariedade da segurança impressiona. O setor de raridades não conta com câmaras de vigilância; usuários não são fotografados na entrada.
As falhas na segurança são elas próprias sintoma da falta de investimentos e do descaso com que a cultura vem sendo tratada pelo poder público ao longo das últimas décadas. A falta de câmaras não é a principal nem a mais urgente das necessidades da Mário de Andrade. O prédio da biblioteca está tomado por infiltrações; seu quadro funcional -que conta hoje com 25 bibliotecários, contra 66 em 1992- mal consegue avançar na catalogação eletrônica, que só abrange parte do acervo de 300 mil obras.
O furto de obras de arte sob a guarda de instituições públicas é uma indústria crescente. A Biblioteca Nacional foi saqueada durante a greve de funcionários (abril e julho de 2005). Sumiram 949 peças. Em 2004, o Museu Nacional, no Rio, teve 13 livros raros furtados e 14 danificados. Em fevereiro deste ano, assaltantes levaram telas de Picasso, Matisse, Monet e Dalí do museu Chácara do Céu, também no Rio.
No caso da Mário de Andrade, a questão das instalações físicas está encaminhada. Está em fase de licitação um projeto de melhorias no valor de R$ 16 milhões. Mas apenas isso não basta. O volume de furtos já justifica o argumento de quem defende a criação de delegacias especializadas em patrimônio artístico.
O mais importante é tomar providências para que museus e bibliotecas possam modernizar-se sem depender da boa vontade de governantes. Não se sabe em que condições o patrimônio cultural sobrevive a mais algumas décadas de descaso.
FOLHA DE SÃO PAULO – 07/09/2006
Biblioteca Municipal de SP tem acervo roubado
Furto foi descoberto na quinta-feira, e mais obras podem ter desaparecido; diretor admite envolvimento de funcionários no caso
MARIO CESAR CARVALHO
RICARDO GALLO
DA REPORTAGEM LOCAL A Biblioteca Mário de Andrade sofreu um desfalque histórico. Um livro de orações de 1501 impresso em pergaminho, 58 gravuras de Rugendas (1802-1858), 42 de Debret (1768-1848), 12 de Steinmann (1800-1844) e três de Burmeister (1807-1892) foram furtados da principal biblioteca pública de São Paulo.
O Livro das Horas, como é chamada a obra de 1501, e as gravuras dos pintores viajantes do século 19 estavam no setor de obras raras da Mário de Andrade. O armário de aço no qual estavam guardados é trancado por uma chave do tipo tetra; a sala, localizada na torre de 22 andares, era fechada por cadeado. Só três pessoas têm acesso a essas duas chaves, segundo Luís Francisco Carvalho Filho, diretor da biblioteca.
O livro das Horas é a mais valiosa das obras furtadas. Seu preço varia de US$ 10 mil a US$ 100 mil, dependendo do estado e se é colorido manualmente, segundo dois especialistas consultados pela Folha. O livro da Mário de Andrade tinha as letras que abrem os capítulos pintadas a mão. O valor do livro de Steinmann, que tem 12 gravuras, vai de US$ 10 mil a US$ 20 mil. Uma gravura de Debret vale de R$
O furto foi descoberto no final da tarde da última quinta-feira. Uma representante da empresa Arte 3 discutia com Carvalho Filho e o curador de obras raras a possibilidade de a biblioteca emprestar três gravuras de Burmeister para uma exposição sobre Aleijadinho. Quando pegaram o livro, notaram que 3 das 11 gravuras haviam desaparecido.
No dia seguinte, após analisar dois armários de aço que guardam 10 mil das obras raras da biblioteca, foi notado o sumiço do livro de 1501 e dos pintores viajantes. As páginas foram cortadas com estilete. Carvalho Filho diz que só fez o anúncio ontem para não atrapalhar as investigações.
Segundo ele, existe a possibilidade de que mais obras tenham sido furtadas ou mutiladas. A biblioteca tem 40 mil obras raras.
"O fato é muito grave por várias circunstâncias. Não há sinais de arrombamento. Isso significa que as rotinas do setor de obras raras e as chaves foram obtidas por alguém. Sem a participação de alguém da biblioteca, isso não teria acontecido", disse o diretor.
Nenhuma das obras furtadas havia sido requisitada recentemente por pesquisadores. O livro de Rugendas, alemão que ficou no Brasil entre 1821 e 1825, foi consultado pela última vez em 2004. O livro de Steinmann foi mostrado a um visitante no primeiro semestre deste ano.
Diretor admite que segurança é precária
Mário de Andrade não tem câmera de vídeo; fragilidade de instituição estimula formação de quadrilhas, diz Carvalho Filho
Para ele, patrimônio artístico precisa de polícia especializada no setor e investimento em proteção; local tem 25 bibliotecários
DA REPORTAGEM LOCAL
Não há câmeras de vídeo no setor de obras raras da Mário de Andrade. Quem entra na biblioteca não é fotografado por câmeras digitais, como acontece na mais humilde das empresas. O advogado Luís Francisco Carvalho Filho não tem dúvidas de que a biblioteca que dirige tem uma segurança "precária": "A biblioteca tem uma fragilidade que é evidente".
Essa fragilidade, na interpretação dele, estimulou a formação de quadrilhas. Não é circunstancial, segundo ele, que a Mário de Andrade integre uma lista de instituições culturais furtadas que só cresce e da qual fazem parte a Biblioteca Nacional do Rio, o Arquivo Histórico da cidade do Rio de Janeiro, a Chácara do Céu, também no Rio, o Itamaraty, em Brasília, e o Museu do Ipiranga,
A Mário de Andrade toma uma série de precauções com suas obras raras. Qualquer pessoa pode requisitar obras da coleção, que tem gravuras do livro "Jazz" de Matisse a Bíblias impressas antes de 1500, chamadas incunábulos.
O pesquisador nunca entra na sala em que as obras raras são guardadas. Ele fica numa sala de leitura própria para obras raras, sempre na companhia de um funcionário da biblioteca. Se há uma versão mais recente do livro raro, a mais antiga não sai da sala. Essas precauções foram suficientes por mais de 80 anos -a biblioteca foi fundada em 1925-, mas não resistiu ao que parece ser um ataque em série.
Debret não dá no pomar.
Carvalho Filho diz que há pelo menos duas providências a serem tomadas pelos governos:
1) "É o momento de o poder público fazer um investimento concreto e real, criando delegacias especializadas na defesa do patrimônio artístico. O Brasil precisa de polícia especializada nesse setor".
2) Instituições culturais precisam investir em segurança.
A especialização da polícia, para Carvalho Filho, coibiria o mercado que existe no Brasil de obras furtadas. "Existe uma espécie de tolerância social e moral a essas coleções que se fundam nisso [no furto]. Esse mercado tem de ser combatido com rigor pelo poder público."
Para o diretor da Mário de Andrade, os compradores de obras que não se preocupam com a origem delas sabem que "Debret não nasce em pomar" -ou seja, se não tem origem definida, é provável que tenha sido furtado.
O delegado Mário Jordão Toledo Leme, da 1ª Delegacia Seccional de São Paulo, diz que não descarta nenhuma hipótese. "Pode ser uma encomenda de um colecionador e pode ser um furto isolado. É uma investigação demorada e complexa porque a pessoa que compra a gravura não expõe a obra."
Recuperação ameaçada
O furto ocorreu num momento em que a Mário de Andrade promove uma licitação de R$ 16 milhões, financiados parcialmente pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), para recuperar o prédio e modernizar seus serviços. A previsão é que as obras comecem
"Esse episódio ameaça o processo de recuperação da biblioteca porque mina nossa credibilidade. A credibilidade da instituição já estava bastante abalada por causa da falta de investimentos", afirma o diretor.
As obras, previstas inicialmente para começar neste mês, podem ter estimulado a quadrilha a agir, de acordo com Carvalho Filho. A eventual quadrilha pode ter aproveitado a sobrecarga de trabalho que acompanha a preparação para o restauro do prédio para praticar os furtos.
Três forças-tarefas atuam na Mário de Andrade para preparar o prédio para o restauro:
1) Os 300 mil livros estão sendo limpos e higienizados, para eventual restauro ou tratamento;
2) O catálogo eletrônico está em fase de produção; e
3) A coleção de jornais passa por um processo de embalagem porque será retirada da torre da biblioteca e realocada num prédio ao lado.
O número de funcionários da biblioteca para todos esses processos é "pequeno", ainda segundo o diretor. Ele cita o número de bibliotecários para ilustrar a precariedade. Em 1992, eram 66; hoje são 25.
(MARIO CESAR CARVALHO E RICARDO GALLO)
O ESTADO DE SÃO PAULO – 11/09/2006
Falha no ensino fundamental norteia propostas
Serra propõe reforço de professor auxiliar na 1ª série; Mercadante e Quércia querem menos alunos por sala
ALEXANDRA PENHALVER, CLARISSA OLIVEIRA e SILVIA AMORIM
A constatação de que parte dos alunos do ensino fundamental chegam à 4ª série sem saber ler e escrever preocupa os candidatos ao governo do Estado de São Paulo e norteia de forma significativa suas propostas para a educação. Entre os três que aparecem com maior destaque nas pesquisas sobre intenção de votos é unânime a ênfase na necessidade de investimentos na melhoria da qualidade do ensino nos primeiros anos.
O ex-prefeito José Serra (PSDB) inclui entre suas propostas a exigência de que cada sala de aula da 1ª série tenha, além do professor titular, um auxiliar - um estudante de pedagogia e letras, para reforçar o ensino e acompanhar os alunos com dificuldades. Para aqueles que chegarem à 4ª série com problemas de aprendizado, o programa de Serra prevê salas especiais de reforço escolar - o que significaria uma hora a mais de aula por dia.
O senador Aloizio Mercadante (PT) acredita que salas com menor quantidade de alunos facilitam o aprendizado. Ele propõe, num primeiro momento, reduzir para 35 o número de alunos em cada sala. Suas propostas também incluem a extinção de um dos turnos escolares, aquele que vai das 11h às 15h e que ele chama de "turno da fome"; uma política de recuperação dos salários dos professores; e o aumento da oferta de vagas na rede.
O ex-governador Orestes Quércia (PMDB) segue a mesma trilha: quer reduzir para 30 o número de alunos por sala, no período de quatro anos. Também propõe que estudantes que não obtiverem boas notas em provas bimestrais sejam encaminhados para aulas de reforço, em outro período escolar. O candidato promete ainda uma política de recuperação salarial, mesmo que para isso seja necessário reduzir o orçamento de outras áreas.
A proposta de manter professores auxiliares nas salas teve origem na passagem de Serra pela Prefeitura de São Paulo e está sendo posta em prática por seu sucessor, Gilberto Kassab, do PFL. Para estendê-la às outras cidades do Estado, Serra já sabe que serão necessárias parcerias com os prefeitos, já que a maioria das escolas do ensino fundamental são municipais.
No caso da redução do número de alunos em sala de aula, como propõem Mercadante e Quércia, o Estado teria que investir na ampliação das atuais unidades escolares, ou construir outras.
Entre os três candidatos, o do PT promete acabar com o atual sistema de progressão continuada, que acabou com a repetência escolar para reduzir o elevado índice de evasão. Mercadante acredita ser possível combater a evasão oferecendo melhores condições de ensino nas escolas públicas.
Na área do ensino profissionalizante, para jovens que se preparam para o mercado de trabalho, Serra pretende dobrar o número das faculdades de tecnologia, as Fatecs. Elas passariam de 26 para 52. Mercadante, por sua vez, quer levar para essas escolas o modelo dos centros educacionais unificados (CEUs), implantado em escolas de São Paulo na gestão de Marta Suplicy. Para Quércia, é preciso ajustar o ensino dessas escolas ao mercado de trabalho.
O ESTADO DE SÃO PAULO – 11/09/2006
Crianças doentes continuam a estudar em hospitais do País
Classes hospitalares são garantia do direito constitucional à educação e ajudam na recuperação dos pacientes
Renata Cafardo
São pouco mais de dez passos e Thiago Rodrigues está na escola. As provas e lições percorrem um caminho mais longo. Internado há sete meses no Hospital do Câncer A.C. Camargo, na capital, ele acompanha aqui o que seus colegas de classe da 3ª série fazem em Rondônia, a 3,6 mil quilômetros de distância. Thiago se beneficia de uma modalidade de ensino especial que começa a crescer no País: as classes hospitalares. Ligadas a escolas locais e com a ajuda das instituições em que as crianças estão matriculadas, elas surgiram para garantir o direito à educação, mas acabam colaborando também na recuperação dos pacientes.
Há registro de apenas 66 classes hospitalares no Ministério da Educação (MEC). É muito pouco, considerando que o País tem 6.400 hospitais. Mas o próprio governo acredita que existam mais. Do total, 47 delas estão em instituições públicas e o restante, em particulares. "Todo hospital deveria ter uma pedagoga, assim como tem um psicólogo, um assistente social", diz Amália Neide Covic, coordenadora do setor de pedagogia do Grupo de Apoio à Criança e ao Adolescente com Câncer (Graac). No mês passado, ela promoveu um fórum de discussão sobre as classes hospitalares na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e têm notado mais interesse de educadores e médicos pelo assunto nos últimos anos.
Maria Genoveva Vello, pedagoga voluntária há décadas no Hospital do Câncer, lembra que médicos e enfermeiros desconfiavam de seu trabalho quando ajudou a fundar a Escolinha Schwester Heine, nos anos 80. "Achavam que íamos atrapalhar os tratamentos", diz. Hoje, a classe - que leva o nome da primeira enfermeira da pediatria da instituição - tem 13 professoras e 3 salas em setores diferentes do hospital.
As educadoras são ligadas às secretarias municipal e estadual de Educação, mas planejam internamente as atividades. Os trabalhos levam em conta o desenvolvimento de cada criança e informações obtidas nas escolas em que estão matriculadas.Lições, provas e outros relatórios de desempenho são enviados ao hospital e voltam à escola de origem depois de prontos. Notas ou avaliações são sempre consideradas pelas instituições, o que impede que a criança perca o ano.
TAREFA DE CAMA
"Não é uma brinquedoteca. Existem compromissos que devem ser cumpridos, assim como na escola", explica Mônica Cristina Santos Moreira, professora que atua no Hospital Geral de Bonsucesso, na zona norte do Rio. "No lugar do exercício para casa, aqui temos o exercício para cama. E há também o momento do brincar, que seria a hora do recreio", completa.
Apesar do termo classes hospitalares, quase nunca há turmas nos hospitais, principalmente por causa das idades diferentes dos alunos. "É preciso adaptar o conteúdo ao contexto do internado. Dependendo da doença, às vezes o trabalho diário dura só 10, 15 minutos", explica Amália. Muitas das aulas ou atividades são feitas no leito.
"Gosto demais de matemática", diz Ramon Pereira Leão, de 10 anos, internado no Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio. Em seu quarto, a professora aplica jogos numéricos, para treinar raciocínio. Por causa do tratamento de um câncer no rim, os médicos ainda não o liberaram para ir à escola.
A comerciante Marilane Brixi, mãe de Mahala Brixi Gerardi Marinho, de 7 anos, achou que a educação da filha seria prejudicada quando teve de se mudar de Joinville para tratar um linfoma no Centro Infantil Boldrini,
Para a mãe, o acompanhamento praticamente individual da professora do hospital ajudou na alfabetização da filha. "As professoras da escola em Joinville disseram que ela está adiantada com relação às outras crianças da classe." O hospital de Campinas atende cerca de 260 crianças e adolescentes.
RECUPERAÇÃO
Segundo o pediatra da Unifesp Rudolf Wechsler, o contato escolar aproxima a criança internada de seu cotidiano. "Dá uma sensação de cura e de que vai sair daquele lugar, o que ajuda na recuperação", diz. A medicina moderna, completa, é feita justamente com essa interdisciplinaridade, mesclando profissionais de saúde e educação. "Brincar e estudar são formas de humanização do tratamento", afirma o chefe da Oncologia Pediátrica do Inca, Sima Ferman.
A primeira classe hospitalar de São Paulo surgiu na Santa Casa de Misericórdia, na década de 50. Hoje, são 12 hospitais ou centros de saúde públicos com o atendimento, entre eles o Hospital das Clínicas da USP - que inaugurou as classes recentemente - e o do Servidor Público Estadual. São 32 professores paulistas atualmente trabalhando nessa modalidade. O Hospital São Paulo, da Unifesp, estuda a criação de classes hospitalares em 2007. O serviço existe em instituições de Ribeirão Preto, Porto Alegre, Curitiba e Manaus.
Os cursos de graduação de formação de professores, no entanto, pouco falam da educação especial, voltada para crianças com problemas de saúde. O Hospital do Câncer oferece cursos de capacitação, sempre lotados. As dificuldades vão desde a condição psicológica e física do aluno até a necessidade de um trabalho interdisciplinar, já que não há professores de todas as áreas.
"A rotina de um hospital é muito diferente da de uma escola. A criança está aqui hoje, amanhã pode não estar mais", diz a professora Carolina Coutinho, que aprendeu braile para trabalhar no ambulatório de oftalmologia do Hospital do Câncer e atender crianças que sofrem de retinoblastoma, o tumor da retina. Cheia de botons coloridos pendurados no uniforme, ela apresentava aos alunos na semana passada uma urna com botões musicais para simular uma eleição. Eles escolhiam entre votar na boneca ou na bola. "Depois que começou a escolinha aqui, acabou o chororô." COLABORARAM KARINE RODRIGUES E SILVANA GUAIUME
ABRANGÊNCIA
66 classes hospitalares existem no País atualmente. Segundo dados do Ministério da Educação, a maior parte delas em hospitais públicos
6.400 hospitais existem no País, entre públicos e privados
Norma de 2001 mencionou modalidade pela 1ª vez
Renata Cafardo e Liége Albuquerque
Uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) mencionou pela primeira vez as classes hospitalares em 2001. Segundo a norma, os sistemas de ensino deveriam integrar-se aos de saúde para organizar o atendimento educacional especializado a crianças que não podem freqüentar a escola por problemas de saúde.
Desde então, o interesse pelo assunto e o número de classes cresceram, mas ainda são insuficientes. "Eles têm direito a educação como qualquer outro aluno, inclusive os que ainda não estão matriculados em escolas", diz Francisca Rosineide Furtado do Monte, da Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC). Em dezembro de 2002, o governo federal lançou um documento chamado Classe Hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar, que dá as diretrizes sobre como devem ser o funcionamento e a organização das escolas em hospitais.
O documento faz referência também a legislações anteriores que garantem a obrigatoriedade do atendimento. A Constituição do Brasil, de 1988, diz que o ensino fundamental é obrigatório no País e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, determina que o poder público criará alternativas para o acesso ao ensino. "O único impedimento para a criança não estudar nos hospitais é se o médico diz que não pode", completa Francisca.
FALTA DE ESTRUTURA
Mesmo assim, segundo a especialista na área Amália Neide Covic, do Graac, muitas vezes não há classes hospitalares ou elas são mal organizadas por problemas burocráticos. "Falta autonomia financeira. Às vezes não há dinheiro para comprar um livro e elas não sabem a quem pedir recursos, ao hospital ou à secretaria de educação."
Em Manaus, apenas um hospital público, o Pronto-Socorro Infantil João Lúcio, mantém uma professora diariamente de leito em leito em busca de crianças em idade escolar. Outra instituição pública, o Pronto-Socorro Codajás, mantém uma salinha para as aulas há quatro anos, mas desde o início de 2006 não tem professor.
"Neste ano não vieram nem professores nem estagiários. Vamos ter de recorrer às secretarias municipal e estadual de Saúde", disse uma assistente social do hospital, Geane Duarte de Sena. Segundo ela, a iniciativa de educar as crianças internadas fazia parte de uma parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
JORNAL DA TARDE – 11/09/2006
Educação, o próximo tema
Fim das escolas de latas será alvo do debate
O terceiro debate da série "Repensando São Paulo" ocorrerá na quarta-feira, 13/9, com o tema Educação. O encontro terá início às 9 horas com a palestra do secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, e com os debatedores Ilona Becskeházy, diretora-executiva da Fundação Lemann, Ismar de Oliveira Soares, coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da USP (NCE-USP), e Cláudia Costin, vice-presidente da Fundação Victor Civita.
Escolas de latas, regime em tempo integral, eliminação do terceiro turno, maior número de vagas nas escolas municipais e creches serão alguns dos assuntos a serem debatidos pelos convidados.
Os leitores do JT podem se inscrever pelo site www.jt.com.br/repensando ou telefonar para 11-6972-1390. O credenciamento pode ser feito no local, com 30 minutos de antecedência.
No dia 18 acontecerá o quarto debate, com o tema Urbanismo.
JORNAL DA TARDE – 10/09/2006
Histórias na sala de informática
Sugestão de aula: ensino fundamental
MARIA REHDER
Com o objetivo de aproveitar a sala de informática das escolas para incentivar a prática de contação de histórias por meio de uma abordagem educomunicativa, o JT, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação (NCE-USP), coordenado pelo professor Ismar de Oliveira Soares, propõe uma atividade com ênfase na inclusão digital dos alunos.
Este plano de aula foi elaborado por Beatriz Cerqueira, Bruno Cardoso, Marcelo Clayton, Diego Ruiz, Maria José Sá Teles e Dirce Pranzetti, do Projeto Clicar - programa que trabalha a educação não formal por meio de desenhos, pintura, colagem e jogos educativos no computador com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
INTRODUÇÃO
Segundo a contadora de histórias Alda Luba, o ato de contar histórias é a mais antiga e, paradoxalmente, a mais moderna forma de comunicação, pois, o narrador, ao contar histórias, forma uma comunidade de ouvintes capaz de conservá-las ao contá-las novamente.
É neste contexto que a atividade de hoje propõe diversas formas de se contar histórias e ao mesmo tempo fazer a inclusão digital. O ato de escrever e ler histórias aumenta a auto-estima da criança e do adolescente e permite a apropriação do espaço escolar de uma forma mais lúdica.
DESENVOLVIMENTO
1) a partir de um tema livre, o professor (de qualquer disciplina) deve iniciar a coleta de histórias reais ou imaginárias produzidas pelos alunos. Esta atividade deverá ser feita na sala de informática, onde os alunos abrirão pastas no computador, nas quais serão arquivadas as histórias produzidas;
2) professor e alunos devem fazer a leitura das histórias - momento de troca de impressões e revisão dos textos;
3)a partir do uso de blogs gratuitos e auto-explicativos disponíveis na rede, as histórias deverão ser publicadas na internet, sendo possível ainda postar imagens ou fotos, de acordo com a escolha dos alunos. Também poderão ser criados links para textos ou imagens que tenham relação com as histórias criadas;
4) tendo em vista que os leitores do blog podem postar comentários sobre as histórias lidas, será a hora de ver os comentários. Esta possibilidade não se restringe a alunos e professores. É possível divulgar o endereço do blog para pais, amigo, membros da comunidade e outras escolas.
MULTIPLICANDO
O professor, ao fazer a coleta de histórias e armazená-las no computador como uma prática freqüente, estará construindo um espaço de memória coletivo; e ao incentivar a publicação na web proporcionará a ampliação de leitores e escritores numa integração entre alunos e comunidade escolar.
A leitura de textos dos alunos publicados na rede permitirá que os leitores exponham suas opiniões por meio de comentários, de forma que os alunos-autores recebam sugestões e análises de suas histórias, enriquecendo seus estilos de escrita.
Há outras formas de veicular as histórias: em websites construídos pelos alunos, na página da internet da escola ou até mesmo You Tube (site que armazena vídeos na internet), se as histórias criadas em aula forem gravadas, tendo os alunos como atores ou até usando teatro de fantoches.
É importante destacar que, nesta atividade, os alunos estarão exercitando: 1) seu potencial de expressão e identidade; 2) sua capacidade de fazer síntese; 3) a leitura e a escrita; 4) a interação com diversas linguagens da arte e das novas mídias; 5) maneiras de propiciar novos usos para o computador na escola.
O PAPEL DO EDUCADOR
O professor deve estar atento às dificuldades operacionais dos alunos em relação aos programas de edição de texto, auxiliando-os, incentivando-os com maior conhecimento, criando um processo coletivo de ensino-aprendizagem.
GLOSSÁRIO
1)WEB - ou “WWW” (“teia do tamanho do mundo”) é uma rede de computadores na internet que fornece informação em forma de hipertexto; 2)Blog - é um registro virtual cronológico e freqüentemente atualizado de opiniões, imagens ou qualquer tipo de conteúdo que os autores queiram disponibilizar; 3) You Tube - site de vídeos online; 4) Link - se refere às ligações, conexões entre as páginas de web, ou seja, textos e gravuras que clicamos para mudar de página no momento da pesquisa.
BIBLIOGRAFIA
ABRAMOVICH, Fanny. Por Uma Arte de Contar Histórias. Literatura Infantil - Gostosuras e Bobices, Ed. Scipione;
BENJAMIN, Walter. O Narrador. Obras Escolhidas, Magia e Técnica, Arte e Política, 6ªEdição, Editora Brasiliense, SP-1993;
GOMES, Maria João. Blogs: Um recurso e uma estratégia pedagógica. em https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/4499/1/Blogs-final.pdf;
LEVY, Pierre. A Inteligência Coletiva. Por Uma Antropologia do Ciberespaço, Ediçoes Loyola, SP -1998;
BRAGA, Elizabeth dos Santos. A Constituição Social da Memória. Editora Inijuí, 2000;
Equipe educomunicativa: Carmen Gattás, Izabel Leão, Luci Ferraz
JORNAL DA TARDE – 10/09/2006
Site da 'Nova Escola' traz aulas do 'JT'
Os professores têm acesso à todos os planos de aula publicados pelo JT, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da USP, por meio do site da Revista Nova Escola: www.novaescola.org.br, que traz várias sugestões de atividades elaboradas por educadores. As edições da Revista Nova Escola também contam com um caderno especial com sugestões de atividades para a educação infantil.
Filme brasileiro aborda contação de histórias
Uma boa dica de filme para a sala de aula é Narradores de Javé, que foi rodado entre junho e setembro de 2001, em Gameleira da Lapa, cidade do interior da Bahia, e conta a história de um povoado que, ao ver a iminência de ter seu vilarejo inundado pelas águas de uma represa, resolve passar para o papel todas as lendas sobre a origem de Javé e contrata um narrador para isso.
São Paulo organiza semana de leitura
A Semana da Leitura - Escritores e seus Leitores, acontecerá de
Escola realiza evento de educação filosófica
A Escola Estadual Jardim Iguatemi, na Zona Leste, realizará o Simpósio de Educação Filosófica nos dias 21 e 22 de setembro . De manhã, o evento começará às 10h, à tarde, às 14h30 e à noite, às 20h. Os filósofos é o tema do projeto político pedagógico da escola . Informações: 11-6731-8537 ou pelo site www.eejdiguatemi.com
JORNAL DA TARDE – 10/09/2006
Sistema de avaliação será um dos temas do debate
O Provão Municipal será discutido no debate "Repensando São Paulo", com a presença do secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider
MARIA EUGÊNIA TOMAZINI
São tantas provas para avaliar o sistema educacional do País - Enade, Pisa, Enem, Anres - que se perder no meio do monte de siglas não é difícil. E, até novembro, haverá mais uma: Provão Municipal, nome oficial do Sistema de Avaliação do Aproveitamento Escolar. Seu objetivo é avaliar a qualidade do ensino dos 193 mil alunos do 4º e do 8º ciclos do Ensino Fundamental nas 466 escolas da Capital.
Criado pelo vereador José Aníbal (PSDB), em outubro de 2005, foi sancionado pelo então prefeito José Serra (PSDB)e o exame seguirá os padrões do extinto Saeb, hoje, Prova Brasil, conforme disse o ex-secretário da educação José Aristodemo Pinotti na época em que a lei foi sancionada. E, de fato, avaliar o ensino municipal parece ser quase unanimidade entre os profissionais de Educação. "O município tem de ter um termômetro para medir a qualidade do ensino e, assim, tomar as decisões necessárias", diz Ilona Becskeházy, diretora-executiva da Fundação Lemann. Para Cláudia Costin, vice-presidente da Fundação Victor Civita, "com o mapeamento pode-se saber por que duas escolas dentro de uma favela, uma dá certo e outra não". Ana Inez Valverde de Magalhães, diretora da Emef Carlos Pasquale, no Itaim Paulista, levanta outro ponto. "É bom para que o nosso trabalho seja avaliado." Já o diretor da Emef Comandante Garcia D'Avila, Peruche, acredita que a avaliação é desnecessária. "Antes de fazer provas, precisamos ensinar as crianças a pensar."
Sistemas de avaliações serão um dos temas do debate "Repensando São Paulo", na quarta-feira, às 9h, no auditório do JT. Os interessados devem acessar o site www.jt.com.br/repensando ou telefonar para (11) 6972-1390.
JORNAL DA TARDE – 10/09/2006
Projeto prevê escola em Interlagos
O Autódromo de Interlagos deverá deixar de ser apenas uma pista de corrida. Logo após o GP Brasil de Fórmula 1, em 22 de outubro, a Prefeitura pretende dar início a um projeto de melhor aproveitamento da área do autódromo - cerca de 1 milhão de metros quadrados -, estimado em R$ 50 milhões.
A proposta prevê, entre outros pontos, a construção de arquibancadas fixas na reta oposta do circuito, com capacidade para até 40 mil pessoas. Na parte inferior seria construída uma escola municipal para 3 mil crianças. "O projeto se pagaria em 4 anos, pois gastamos R$ 12 milhões por ano só com a instalação de arquibancadas modulares (móveis)", disse Caio Luiz de Carvalho, presidente da São Paulo Turismo (SPTuris), que administra o autódromo. Carvalho apresentou ontem a proposta ao lado do prefeito Gilberto Kassab (PFL), que vistoriou as obras para o GP.
O objetivo da Prefeitura é também incentivar a freqüência da área verde do circuito. "Por lei, o local é parque público desde 1997, mas pouca gente utiliza o espaço para caminhadas." Carvalho admite que a estrutura do parque não atrai a população. A Perimetral, rua que circunda o autódromo, está em mau estado de conservação, cheia de buracos e com mato ao redor. Também estão previstas uma pista de arrancadas, para evitar que motoristas façam rachas nas ruas, e outra para provas off-road.
JORNAL DA TARDE – 09/09/2006
Professora incentiva leitura no Capão Redondo
MARIA REHDER
Uma professora de escola pública do Capão Redondo, Zona Sul, região com um dos maiores índices de criminalidade da Capital, encontrou um meio para driblar as dificuldades de interpretação das notícias do cotidiano por seus alunos de Ensino Médio: desconstruir textos de revistas e jornais
"A minha última aula foi sobre o conflito do Líbano. Ao ler as notícias de jornais e discuti-las com os colegas na classe eu consegui entender o que está acontecendo por lá", diz Mariana Paula Almeida Bela, 18 anos, aluna do último ano do Ensino Médio noturno, que durante o dia faz estágio na Caixa Econômica Federal.
A educadora responsável por essa "aula diferente" é Emirá Raci, professora da Escola Estadual Presidente Café Filho, que atua há mais de 30 anos na rede estadual . "Já tive alunos que chegavam ao ensino médio, que não conseguiam entender o conteúdo dos textos, principalmente os atuais."
Segundo Emirá, o que garante o entendimento de seus alunos não é o fato de levar textos de jornais e revistas em sala de aula, mas sim promover uma leitura em conjunto. "Desconstruir os textos significa grifar palavras que pedem uma explicação à parte. Depois do debate de cada conceito em aula é que os alunos conseguem ter um entendimento real do tema e desenvolver o olhar crítico", explica.
O livro didático é usado pela professora como suporte de aulas e os textos selecionados por ela, além das atualidades, são escolhidos de acordo com o contexto dos alunos. "No início do ano tivemos um estupro na comunidade. Para debater o tema com os alunos busquei textos acadêmicos que tratavam o surgimento histórico do abuso sexual, cujo assunto gerou em aula reflexão sobre o fato ocorrido no bairro."
A professora ressalta que é necessária muita pesquisa e tempo de preparo das aulas. "Confesso que não é fácil, pois não tenho acesso à internet em casa e as revistas e jornais custam caro."
A prática da professora Emirá pode parecer simples, mas faz a diferença no desempenho pedagógico de seus alunos. "Muitos não têm acesso à informação em casa nem possuem o hábito da leitura."
Para Lázaro R. Oliveira, 17 anos, aluno do último ano do Ensino Médio noturno, que durante o dia trabalha no McDonald's, o diferencial das aulas da professora Emirá é que ela não mede esforços. "Além dos jornais, ela traz filmes, explica os conceitos. Ela nem liga de ficar um pouquinho mais das 23 horas se a discussão com os alunos está boa".
JORNAL DA TARDE – 09/09/2006
Alunos de 1ª série têm de conviver com adolescentes
Diretora sonha em construir uma nova escola
A diretora da Escola Estadual Presidente Café Filho, Leonor Gomes de Andrade, nasceu na região do Capão Redondo e começou sua carreira nesta escola em 1978 como professora. "Não sou diretora efetiva, mas há anos estou no comando da escola, pois nenhum diretor pára aqui."
A reportagem do JT, ao visitar a escola no período noturno, encontrou um espaço físico limpíssimo, alunos envolvidos nas aulas e alguns estudantes do período da manhã trabalhando como voluntários à noite, pois a escola só conta com um inspetor neste período. "A comunidade é unida, tenho vários ex-alunos que hoje são professores aqui", ressalta Leonor.
Como é o caso da ex-aluna Andréia de Araújo, hoje professora de História. "A diretora Leonor sempre foi muito presente. Eu decidi me tornar professora para trabalhar aqui", conta a educadora.
Entretanto, mesmo todo empenho da equipe pedagógica da escola - que atua em parceria com a comunidade local - não tem sido suficiente para driblar o desafio de ter de receber alunos de 6 e 7 anos em uma escola com mais de 1 mil alunos que cursam desde a 5ª série até o último ano do Ensino Médio. "No início do ano tivemos de abrir 4 salas para a 1ª série por causa da grande demanda na região. No entanto, é ruim para um aluno ter de cursar a 1ª série em uma escola de 'adolescentes'. E, quando se acostumam, tem de mudar de escola na 2 série", explica Leonor.
O mais curioso é que a escola tem uma área não construída de aproximadamente 5 mil m2, na qual a diretora Leonor sonha em construir uma outra escola. "Atualmente, o entorno do espaço construído da escola é cercado por grades para garantir a segurança. Entretanto, em vez de terreno vazio, o qual a comunidade tem de carpir, poderíamos construir uma nova escola para atender à demanda da região."
Enquanto o sonho da diretora Leonor não vira realidade, a equipe pedagógica da escola se esforça para receber da melhor forma os pequenos da 1ª série e a comunidade continua se unindo em mutirão para carpir o grande terreno vazio.
JORNAL DA TARDE – 09/09/2006
Especialistas discutem educação
Falta de professores na rede pública é um dos problemas do ensino
MARIA EUGÊNIA TOMAZINI
Perguntada sobre qual é o pior problema em sua escola, Ana Inez Valverde Magalhães, diretora da Emef Carlos Pasquale no Itaim Paulista, Zona Leste, tem uma resposta incisiva: faltam professores. "No período das 11h às 15h, não tenho professor. Tenho de usar quebra-galho. Às vezes dou aula, às vezes outro funcionário é que vai, mas não há continuidade", explica. Hoje, a escola está com 8 professores de licença médica e muitos se aposentaram sem que fossem contratados outros para o lugar.
Para o presidente interino do Sindicato dos Profissionais em Educação do Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem), Adelson Cavalcanti de Queiroz, a falta de profissional está diretamente ligada à desvalorização da profissão. "A função do professor está trocada. Além de ensinar, ele também é um distribuidor de material: tênis, leite, uniforme. Além disso, os professores não têm segurança para lecionar. Problema que não está só na periferia."
Queiroz usa o aumento de 54% para os professores recém-anunciado pelo prefeito Gilberto Kassab como argumento. "Isso foi um abono concedido apenas para os professores. E aqueles que estão atrás do balcão, o agente escolar, o aposentado ou quem está de licença? Não recebem?"
Ele também afirma que controles de faltas de professor, como catraca eletrônica, "não vão funcionar". "Os professores não faltam sem motivo, suas faltas são justificadas", comenta.
A diretora-executiva da Fundação Lemann, Ilona Becskeházy, não concorda com o sindicalista. "É necessário relatar os professores que faltam nas aulas e punir com sanções administrativas." Ela justifica: "Há um discurso de que o professor falta porque o salário não é suficiente, mas ele tem três empregos. Entendo que eles queiram melhor condições de trabalho, mas a aula deve ser respeitada."
Já Cláudia Costin, vice-presidente da Fundação Victor Civita, acredita que a falta de professores, em parte, está relacionada ao paternalismo que ainda existe para o funcionário público. "A função do professor é uma missão nobre. E, mesmo assim, tem deveres e obrigações a serem cumpridos", diz.
O debate "Repensando São Paulo" vai discutir na próxima quarta-feira o tema Educação. Os interessados devem acessar o site www.jt.com.br/repensando ou telefonar para 11-6972-1390. O credenciamento pode ser feito também no local, com 30 minutos de antecedência.
JORNAL DA TARDE – 09/09/2006
Biblioteca: Prefeitura abre sindicância
PAULO BARALDI
As investigações dentro da Prefeitura de São Paulo para se descobrir quem e quando foram praticados os furtos das obras da Biblioteca Mário de Andrade já começaram. "Foram abertas sindicâncias no campo administrativo e encaminhadas todas as informações para as polícias", disse o prefeito da capital, Gilberto Kassab (PFL), ontem de manhã.
O prefeito não quis comentar sobre a possibilidade de funcionários da biblioteca estarem envolvidos no desaparecimento de um livro de 1501, 58 gravuras de Rugendas, 42 de Debret, 12 de Steinmann e três de Burmeister. No entanto, Kassab afirmou que o trabalho de apuração interna não será feito por servidores da Secretaria de Cultura do município. "Serão pessoas que têm experiência nisso."
Segundo o prefeito, a sindicância tem o objetivo "identificar não só os responsáveis, mas também a época em que os furtos ocorreram". É certo que um dos desaparecimentos ocorreu este ano e os outros a partir de 2000.
Kassab prometeu ainda para o início da próxima semana a reforma da Mário de Andrade. De acordo com ele, a obra já estava programada . "Estava prevista uma ampla reforma na biblioteca, como em outras da Cidade, independentemente dessa questão", afirmou. Ele ainda disse que tomará medidas preventivas mais intensas depois do desaparecimento das obras raras. Indignado, o prefeito disse se sentir também revoltado com o furto, "como cidadão e como prefeito".
Crime organizado
Para o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), o desaparecimento é de autoria do crime organizado. "O furto de obras de arte é muito próprio do crime organizado", afirmou. "Quando os bandidos querem esquentar dinheiro, furtam obras e vendem no exterior. Isso é muito comum."
JORNAL DA TARDE – 09/09/2006
Sebo: um apê com livros do chão ao teto
Não há quem passe na esquina da Rua da Consolação com a Avenida Paulista e não perceba a sacada daquele apartamento abarrotada de livros. “É um sebo”, o porteiro vai logo matando a curiosidade de quem pergunta. “Apartamento 21. Pode subir.” Em uma sala de
À vontade, o livreiro recebe a clientela como se estivesse em casa - sentado em uma das poucas cadeiras do lugar, descalço. E ele está. Mora naquela esquina há sete anos, desde que decidiu investir no negócio. Foi iluminador na Escola de Comunicação e Artes (ECA), da USP, abandonou a profissão e começou a se dedicar à venda nômade de livros. Depois, já com acervo de 35 mil unidades, decidiu abrir o próprio sebo, o Livro Puro, ainda que no 2º andar de um prédio. “O chão comercial da Paulista é uma fortuna”, explica. “Temos que driblar a dificuldade do tutu.”
Os livros vão de Victor Hugo e Flaubert a temas como hipnose e homeopatia e ocupam toda a sala e a varanda, do chão ao teto. Há até uma prateleira dedicada só a Bíblias. Jonilson juntou o acervo nos últimos 13 anos. Ainda assim, ele diz que, se pudesse, venderia tudo para se livrar “dessa porcaria”, referindo-se ao barulho dos carros que “atrapalham a concentração”.
Mas o livreiro adora cada obra exposta no apartamento que alugou só para montar a loja. O mais vendido? “Todos têm a mesma importância. Não sei por que existe esse preconceito contra o Paulo Coelho. Pelo menos ele escreve”, divaga. Os mais baratos ficam em torno de R$ 2. Já dos mais caros, ele não fala. “Tem livro que não tem preço por ser peça única, como o Substância, de Manoel de Abreu, que não está catalogado”, explica. “Mas se alguém bater na mesa e eu achar que merece, pode levar.”
No meio do “labirinto de pau”, como o próprio Jonilson descreve a disposição das prateleiras de madeira esculpidas por ele, o cheiro dos livros antigos só não é maior por causa da limpeza que ele não abre mão de fazer: livro por livro, desmonta tudo a cada 12 meses para tirar a poeira. “Me preocupo com a minha saúde e com a das pessoas que vêm aqui. Essa coisa de livrarias de sebo é um problema de saúde pública”, adverte.
JORNAL DA TARDE – 08/09/2006
A novela das escolas de lata
Mais uma vez o prazo para acabar com as tristemente famosas escolas de lata da rede municipal de ensino da Capital não será cumprido, o que transforma este caso, que começou há quase 10 anos, numa novela que parece não ter fim.
Só as 7 escolas totalmente de lata ainda existentes deverão ser desativadas este mês, contrariando a promessa da Prefeitura de resolver definitivamente o problema. É que 72 salas de lata, instaladas em contêineres colocados próximos a escolas de alvenaria, continuarão a abrigar alunos até o começo do ano letivo de 2007.
O secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, afirma que, apesar dessa nova prorrogação do prazo para a solução definitiva do problema, houve progresso em relação a janeiro de 2005. Existiam então 192 salas de lata - reduzidas para 72 - e 54 escolas totalmente de lata "e agora são só 7, que serão desativadas nos próximos dias". Essas 7 escolas estão localizadas nos bairros de Parada de Taipas, Jaçanã, Tremembé e Chácara Bela Vista, na Zona Norte, e São Mateus e Vila Carmosina, na Zona Leste.
O progresso é inegável. Mas houve progressos também nas outras vezes em que se prometeu acabar com essas escolas e os prazos não foram cumpridos. Os avanços se dão a conta-gotas, adiando a solução definitiva. Por isso, não é fácil acreditar que desta vez o prazo será respeitado.
Esse problema se arrasta há muito tempo. As escolas de lata - feitas em aço pré-moldado, daí seu nome - foram construídas entre 1997 e 2000, em caráter emergencial, no governo Celso Pitta. Uma solução absolutamente inadequada, porque o material empregado acarreta problemas de acústica - quando chove o barulho é insuportável - e de conforto: no verão elas se transformam num forno e no inverno, numa geladeira.
A administração Marta Suplicy gastou milhões na construção dos polêmicos Centros Educacionais Unificados (CEUs), mas não encontrou recursos para substituir essas escolas por outras de alvenaria, o que levou o então presidente do sindicato dos professores da rede municipal Ismael Palhares Júnior a dizer: "A prefeita traz até o secretário-geral da ONU para ver os CEUs, mas não mostra o lado ruim, as escolas de lata." É de se esperar que o atual governo não cometa erro semelhante.
JORNAL DA TARDE – 08/09/2006
Debate analisa progressão continuada
MAÍRA TEIXEIRA
Há um consenso de que a progressão continuada é um método pedagógico ineficiente. Para discutir essa questão, que se tornou polêmica, a ONG Ação Educativa realizou um debate sobre os "Ciclos da progressão continuada". Foram convidados quatro educadores, uma mãe de aluno e um ex-aluno da rede pública.
Contrariando o que se prega, a discussão ressaltou os aspectos positivos do método e chamou a atenção para a ineficiência da aplicação da progressão continuada no Estado. Para o professor da rede pública estadual José Luís Feijó, os ciclos de progressão continuada nunca foram adotados de fato, daí o consenso de que não são bons."Não tem hoje, nem nunca houve, os ciclos
Max Ordonez, um dos coordenadores regionais de educação no Município de São Paulo no período de
O ex-aluno do ensino público Luís Antonio Silva Pereira, que cursa o primeiro ano do curso de Educação Física, contou que estudou sempre com esse método e nunca soube exatamente do que se tratava. "Os professores nada explicaram, porque, acho, nem eles entenderam também. Estudei em 2 escolas, uma na periferia e outra no centro e vi enormes diferenças na aplicação do método."
Zoraide Inês Faustinone, assessora do Cenpec, lembra que a qualidade da educação não está diretamente relacionada ao modelo não-seriado. "Muitas questões atribuídas aos ciclos são na verdade problemas estruturais, que ficam mais evidentes nesse regime, mas que existem em todos", destacou.
Política
Vera Masagão, pedagoga da ONG Ação Educativa, conduziu o debate lembrando que, no tema educação, a progressão continuada é a questão mais apresentada no espaço eleitoral deste ano. "E é polêmica. A gente percebe que as pessoas não entendem do que se trata e não têm informação correta, por isso desaprovam de forma maciça a progressão continuada. Os candidatos aos governos têm ido ao horário político para dizer que são contra ou a favor do método, mas continua tudo como está, ninguém explica do que se trata exatamente."
Sociedade precisa cobrar mais
O poder público precisa abandonar o discurso de ampliar os recursos da educação. Essa é a opinião do professor da faculdade de Educação da USP, Romualdo Portela. Para ele, falta ação e cobrança de pais e alunos, mais autonomia para a direção das escolas e a comunidade administrarem recursos de acordo com as necessidades.
Portela fez uma análise do processo histórico da educação no Brasil desde a década de 1970. "Antes, não havia escola para todos e isso gerava a exclusão. Hoje, acontece a exclusão na própria escola. Os alunos não se desenvolvem e mesmo assim vão passando de ano. A saída não é o fim da progressão continuada, mas o aprofundamento dos ciclos."
JORNAL DA TARDE – 08/09/2006
NOTAS
COTAS
A Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em parceria com o Instituto Millenium, promove segunda-feira, dia 11/9, a partir das 17 horas, um encontro para discutir o tema polêmico "Cotas raciais ou cotas sociais?" A reunião acontecerá na sede da entidade, na Rua Boa Vista, 51, 9º andar - Plenária, Centro.
CAMPANHA
A Secretaria Estadual de Educação lança a Campanha "Universitários Semeando a Leitura". A ação vai arrecadar livros de literatura juvenil com universitários. Os livros serão doados para as Escolas de Tempo Integral. As universidades podem se cadastrar para doações no site www.educacao.sp.gov.br.
JORNAL DA TARDE – 07/09/2006
Sociedade se une em 'grito' pela educação
MARIA REHDER
"Todos pela Educação": foi o grito dado ontem, em frente ao Museu do Ipiranga, por centenas de pessoas que assumiram publicamente o compromisso de se engajar para que, até 2022, todas as crianças brasileiras tenham acesso a uma educação pública de qualidade.
Entre os presentes no lançamento do movimento estavam presidentes de empresas privadas, artistas, professores e alunos de escolas públicas, membros da sociedade civil e representantes de todas as esferas do poder público - todos vinham se reunindo há um ano para a elaboração das cinco metas para educação básica.
A proposta deste grupo é que até 2022: 1) todo brasileiro de
Segundo Milu Villela, presidente do Instituto Faça Parte, se todos os setores da sociedade se mobilizarem, certamente as metas serão alcançadas até 2022. "Se conseguirmos que a sociedade tenha com a educação a mesma relação de cobrança e envolvimento que tem com o futebol, já estaremos no caminho certo", afirma.
Milu explica que o primeiro passo do "Todos pela Educação" será a sua difusão. "Vamos mostrar para os cidadãos que eles podem cobrar uma educação de qualidade por meio da proximidade das escolas e do acompanhamento do desempenho pedagógico das crianças."
Já Antonio Matias, vice-presidente do Banco Itaú, ressalta que o professor é o ator mais importante desse movimento. "A iniciativa privada é fundamental para pressionar a sociedade para a valorização dos profissionais da educação", afirma.
Para Ana Maria Diniz, presidente do Instituto Pão de Açúcar, a criação das cinco metas foi um meio encontrado para que todas as esferas da sociedade criem diferentes formas de alcançar um mesmo objetivo. "Não há um caminho predefinido. No entanto, o objetivo deste movimento é possibilitar que todos tenham acesso às boas práticas criadas nas diferentes regiões do Brasil em prol da melhoria da qualidade do ensino nas escolas públicas."
A atriz Nicete Bruno afirma que a classe artística está engajada na melhoria de educação do País. "A nossa contribuição não é com um trabalho didático, nem pedagógico, mas sim intelectual, da conscientização por meio da arte."
Os interessados em aderir ao movimento podem acessar o site
www.todospelaeducacao.org.br.
MEC se compromete a alcançar as metas
2022: Educação básica de qualidade para todas as crianças
Segundo o ministro da educação Fernando Haddad, há três caminhos a serem seguidos até 2022: qualificação de professores, ampliação de recursos financeiros e avaliação do desempenho das crianças. "A aprovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb)ampliará os recursos. Quando concluirmos mil pólos do Projeto Universidade Aberta, todos os professores terão acesso à formação."
Hoje, os investimentos em educação equivalem a 4,5% do PIB, sendo que 3,6% são destinados para educação básica . "A meta de 5% do PIB para educação é ambiciosa, mas acredito que até 2011 chegaremos a um investimento total em educação de 6%."
JORNAL DA TARDE – 07/09/2006
Onde está o professor auxiliar?
SAULO LUZ
Quando o professor da rede municipal de ensino Alan Paiva, 31 anos, viu na televisão uma propaganda da Prefeitura de São Paulo, ficou inconformado. O comercial dizia que as salas de aula dos alunos da 1ª série do Ensino Fundamental estavam contando com dois professores - o principal e um estagiário como auxiliar.
Segundo a propaganda, a iniciativa faria parte do programa Ler e Escrever. O objetivo é garantir que a criança, ao chegar à 4ª série, saiba ao menos ler e escrever. Para isso, além da contratação de um auxiliar pedagógico, são distribuídos livros, apostilas e materiais especiais às escolas.
Mas, segundo Paiva, o projeto não funciona tão bem assim. "Esta propaganda é enganosa. Isso não é verdade, é um programa que existe em parte, metade não está em prática", afirma o professor.
Paiva, que viu o comercial no sábado passado, garante que a escola onde trabalha recebeu apenas os materiais e nenhum auxiliar. "O anúncio diz que, desde o começo do ano, as salas contam com o auxiliar, mas isso não é verdade", diz. "Na Emef. Senador Milton Campo, Vila Brasilândia, não há estagiário em nenhuma das salas. E nem em nenhuma outra escola que eu conheço", completa.
A Secretaria Municipal da Educação informa que o programa Ler e Escrever foi implementado em todas as escolas através dos materiais distribuídos. Disse, ainda, que o auxiliar pedagógico não está presente em todas as salas de aula pois alguns estudantes universitários das faculdades parceiras no projeto não consideram atraente a bolsa-auxílio paga. Finalmente, a secretaria ressaltou que 60% das salas de aula contam com o segundo professor.
