14/09/2006 – CLIPPING

O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.
O ESTADO DE SÃO PAULO – 14/09/2006
Pais serão julgados por deixarem filho fora da escola
Elder Ogliari
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que os pais de um adolescente de Cachoeira do Sul (RS) sejam levados a julgamento por negligência com a educação do filho, que não vai à escola, passa o dia na rua e consome drogas. A decisão foi tomada por unanimidade pela 3ª Turma, atendendo ao Ministério Público do Rio Grande do Sul, que contestou as decisões de primeiro grau e do Tribunal de Justiça do Estado, favoráveis à extinção do processo.
O caso começou com uma representação do Conselho Tutelar de Cachoeira do Sul contra os responsáveis pelo menor. O TJ entendeu que o Conselho Tutelar teria falhado em suas atribuições e, por isso, não estaria apto a cobrar dos demais envolvidos o cumprimento de suas obrigações. No apelo ao STJ, o MP sustentou que essa decisão estaria transferindo a responsabilidade dos pais ao Estado.
O relator da ação no STJ, ministro Carlos Alberto Menezes Direito, lembrou que as falhas da políticas públicas não excluem a responsabilidade dos pais. Com a decisão, os autos voltarão ao juizado de primeiro grau para julgamento da omissão dos pais.
O ESTADO DE SÃO PAULO – 14/09/2006
NOTAS
Milton Hatoum e Ruy Castro ganham Jabuti
Milton Hatoum e Ruy Castro foram os vencedores das duas principais categorias do Prêmio Jabuti de Literatura. Hatoum ganhou na categoria Livro do Ano - Ficção, com Cinzas do Norte. Castro, em Livro do Ano - Não-Ficção, com Carmen, Uma Biografia. A cerimônia de premiação da 48ª edição do Jabuti foi na Sala São Paulo.
TST decide que trocar fraldas não é insalubre
Três ministros do Tribunal Superior do Trabalho se reuniram no mês passado para decidir se trocar fraldas de bebês caracteriza atividade insalubre. Eles concluíram que não. Segundo o site Consultor Jurídico, a 1ª Turma do TST negou o recurso de uma monitora de creche contra o município de Santa Cruz do Sul (RS). Ela ainda pode recorrer da decisão.
JORNAL DA TARDE – 14/09/2006
Merenda ganha papel pedagógico
MAÍRA TEIXEIRA
Diz o velho ditado 'a gente é o que come'. Em tempos de fast-food, os professores têm um novo e difícil papel: ajudar a melhorar a qualidade da alimentação dos seus alunos. Pesquisas recentes revelam que é preciso olhar com atenção para esse problema a fim de reverter uma questão de saúde pública mundial: a epidemia de obesidade e desnutrição que vem ocorrendo, sem distinção, em países pobres e ricos.
De acordo com Cláudia Cezar, coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Obesidade e Exercícios Físicos (Neobe) da USP, os adultos e a sociedade de maneira geral precisam ir a fundo no problema da alimentação. 'As pessoas precisam se informar e fazer com que alimentação seja alvo de preocupação e atuação. As crianças não se alimentam bem porque os pais fazem tudo de maneira corrida, sem se preocupar como deveriam com essa questão. É aí que entram o professor e a escola: na reflexão com o aluno, que, por sua vez, vai questionar o pai, que então dará mais atenção ao problema', explica.
Embora acredite na força da educação para modificar o atual quadro, Cláudia destaca que, apesar de a escola poder ajudar na formação dos hábitos alimentares saudáveis, não pode ser responsabilizada por tudo. 'Os professores têm de chamar os pais, apresentar o problema e um possível projeto de mudança. A escola, hoje, tem de ajudar o aluno a comer melhor, ensinando princípios da nutrição. Mas a escola não pode ser a única responsável. Os pais têm o dever de participar', afirma.
A tese de doutorado de Cláudia, aprovada no ano passado pelos acadêmicos da USP, revela dados preocupantes em relação aos danos que o comportamento alimentar vem causando nos alunos da rede municipal da Capital. Ela constatou que 25% dos estudantes de
Mudar é necessário
De acordo com Cláudia, o objetivo do levantamento é chamar a atenção para a necessidade de mudança na qualidade alimentar. São Paulo, Santos e Cubatão, por exemplo, têm propostas de lei para regulamentar a merenda escolar .
Segundo a chefe do Departamento de Merenda Escolar da Capital, Erika Alves Oliveira, as cerca de 1,5 milhão de merendas distribuídas por dia fazem parte de um cardápio elaborado por nutricionistas que prioriza a colocação de alimentos frescos e balanceados na dieta.
Alunos ensinam pais a se alimentar
Há mais de sete anos o Colégio Marista Arquidiocesano, localizado na Zona Sul, instituiu a quarta-feira como o 'Dia da Fruta'. Nesse dia, as crianças têm de levar pelo menos uma fruta para o lanche. A idéia desencadeou uma série de outras ações até chegar ao projeto Alimentação Saudável, que ensina práticas sobre alimentação balanceada e nutrição aos alunos do ensino infantil ao ensino médio.
'Começamos o processo com uma única classe do Jardim II, com crianças de 5 anos. Fomos construindo o aprendizado, integrando os alunos com a questão e fazendo com que questionassem a importância de se comer frutas. Assim, fizemos com que eles aumentassem o repertório para negociar em casa, pedindo mudanças no cardápio habitual', relata Juliana Leal Aguiari, professora do ensino infantil.
O passo seguinte foi perguntar o que cada aluno sabia sobre alimentação saudável. 'Começaram surgir situações muitos interessantes. Um aluno me disse que não podia comer gordura porque tinha o colesterol alto. Foi o gancho para explicar o que fazia mal ao organismo e como consumir alimentos que combatiam o problema. Assim como as crianças, eu e os pais também aprendemos. Isso é ótimo, porque há uma maior integração no processo pedagógico.'
Depois de verificar o grau de conhecimento dos alunos e ensinar conceitos de nutrição, foi criada uma atividade que consistia em preencher o desenho da pirâmide alimentar, distribuindo nos grupos e níveis do objeto o alimento consumido no dia. 'Fazendo isso eles descobrem o que estão comendo em excesso e o que falta para terem mais saúde. É impressionante o resultado. Uma mãe me contou que a filha de 7 anos não deixou que pedissem pizza por dois dias seguidos. Ela explicou que alimentos gordurosos devem ser evitados e que, por isso, o melhor era pedir comida japonesa.'
Com a inserção da pirâmide no dia-a-dia dos alunos, foi possível desenvolver a consciência da alimentação saudável. 'Elas passaram a entender sobre nutrientes, gordura, proteína, carboidrato e que é preciso balancear a alimentação. Assim, os alunos ensinam os pais e, quando vão à cantina da escola, costumam refletir melhor sobre o que vão comer.' O colégio tem duas nutricionistas e três estudantes de nutrição para elaboração do cardápio das três cantinas e do restaurante onde almoçam os alunos que estudam em período integral.
JORNAL DA TARDE – 14/09/2006
NOTAS
Oficina de histórias de quadrinhos
A Biblioteca Sylvia Orthof, também conhecida como biblioteca de Santana, está promovendo uma oficina de histórias em quadrinhos.
A oficina de HQs será ministrada por Eduardo Mendes, formado
Senai abre inscrições para 3.750 cursos
O Senai está com inscrições abertas para 3.750 vagas em cursos técnicos gratuitos em todo o Estado. Os cursos têm habilitação em áreas tecnológicas específicas do setor industrial. É necessário ter o ensino médio completo ou terminá-lo até o início das aulas para se inscrever. E a taxa é de R$
JORNAL DA TARDE – 14/09/2006 (REPENSANDO SÃO PAULO)
Promessa de autonomia para as escolas
Secretário Municipal da Educação, Alexandre Schneider, quer que escolas decidam elas mesmas o que fazer com as verbas que recebem
CINTHIA RODRIGUES
Cada vez que São Paulo muda de secretário Municipal de Educação - e a freqüência com que isso ocorre é grande: foram cinco apenas nos últimos seis anos -, é como se mudassem as necessidades dos alunos e professores. Projetos prioritários caem, outros esquecidos voltam à tona. O mais novo chefe da pasta, Alexandre Schneider, tem um plano para mudar isso. A partir do ano que vem, ele deve dar autonomia às escolas para que cada uma decida quais são suas maiores necessidades.
A promessa foi feita ontem na 3ª edição do 'Repensando São Paulo', evento organizado pelo Jornal da Tarde para discutir os principais desafios da Cidade. Segundo o secretário, as unidades vão administrar o dinheiro destinado à instituição. 'Cada aluno custa para o município tanto quanto a mensalidade das melhores instituições particulares da cidade; o que falta é investir melhor.'
O repasse da verba deve começar no próximo ano para os projetos especiais, aqueles desenvolvidos fora do horário de aula, conhecidos hoje como pós-escola. Cada unidade deverá apresentar os programas que quer implantar e o custo à Secretaria para aprovação prévia.
'As escolas de Pirituba e da Freguesia do Ó têm problemas diferentes, assim como de qualquer bairro, e ninguém melhor do que os diretores, professores e pais de alunos dessas unidades para dizer o que precisa ser feito', afirmou o secretário.
A insatisfação dos professores com as freqüentes mudanças de projetos na Secretaria Municipal de Educação ficou clara durante a abertura para perguntas de convidados especialistas no tema. Um deles, o coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo, Ismar de Oliveira Soares, ganhou a simpatia da platéia quando falou na retomada de um antigo projeto, o Educom.
A administração Marta Suplicy investiu R$ 4,5 milhões na compra de equipamentos para que professores e alunos da rede aprendessem a lidar com mídias diferentes, como o rádio. No total, 1.200 profissionais da USP capacitaram 12 mil professores e alunos e, com a mudança de governo, o programa parou. 'Desenvolvemos o trabalho em 455 escolas e só 250 receberam os equipamentos, foi um esforço que não deve ser desperdiçado', argumentou Soares. O secretário prometeu estudar a retomada.
Provão Municipal
A autonomia as escolas também estará vinculada ao Sistema de Avaliação do Aproveitamento Escolar, o novo Provão Municipal, que deve ser aplicado pela primeira vez em novembro aos alunos da segunda série do Ensino Fundamental. ' Os resultados vão nos ajudar a ver quais são os locais mais carentes e focar os esforços', afirmou Schneider.
A idéia de ter verba para aplicar projetos agradou aos educadores. O compositor João Justino Leite Filho afirmou que se a iniciativa der certo, pretende levar a música a escolas próximas de onde vive, no Campo Limpo. 'Antes as escolas tinham aula de música e as mensagens estavam nas letras. Hoje a música conhecida pelos alunos manda uma mensagem mal intencionada'.
Outra especialista convidada ao debate, Ilona Becskeházy, diretora-executiva da Fundação Lemann, gostou das propostas apresentadas. 'Achei interessante, pena que a gente demorou para começar a repensar a educação. Só agora que a água está batendo a porta, com a situação critica do ensino, é que procuramos um caminho.'
Para a vice-presidente da Fundação Victor Civita, Cláudia Costin, boa parte desse caminho pode ser apontado pelos recentes provões. 'Ficamos sabendo que São Paulo tem um dos piores ensinos entre todas as capitais brasileiras, mas, pelo menos, agora temos essa informação. Podemos procurar os problemas e capacitar os professores para começar a resolver.'
FOLHA ONLINE – 14/09/2006
Páginas da Vida Escolar
O capítulo de segunda da novela “Páginas da Vida” mostrou uma cena bem interessante que nos dá a oportunidade de boas reflexões. A mãe de uma garotinha portadora da Síndrome de Down desconfia que a filha seja discriminada pela professora
A cena pode inspirar muitos e variados comentários, mas escolhi hoje falar dessa relação entre os pais e as escolas que seus filhos freqüentam. Vamos, para isso, desconsiderar o fato de a criança em questão ser uma aluna que necessita do trabalho de inclusão, ok? Deixamos esse assunto para outra oportunidade.
A primeira coisa que eu chamo a atenção é que a mãe da garota entra na escola, chega à sala de aula e interfere no trabalho da professora na frente de todos os alunos. Ora, ora, isso é um comportamento bem discutível. Comportamento, diga-se de passagem, típico de quem se coloca no lugar de consumidor que exige seus direitos.
Esse fato tem atrapalhado em demasia o trabalho das escolas e a relação dela com seus alunos e com os pais deles. A escola se sente pressionada a agir de acordo com o que os pais pedem, e estes, por sua vez, exigem o que julgam ser o melhor para os filhos. Mas – e isso já comentei aqui – filho e aluno são dois papéis bem diferentes.
O fato que a cena da novela mostrou bem é o que ocorre na realidade: a tal parceria entre a escola e os pais não passa de uma guerra. A escola desconfia do tipo de educação que os pais praticam com os filhos e os pais não confiam no trabalho da escola; os pais acreditam que podem interferir no trabalho educativo da escola e os professores acham que devem interferir na prática educativa da família; o espaço escolar é frequentemente invadido pelos pais e os professores invadem a intimidade familiar; os pais desautorizam a autoridade dos professores e estes não consideram os pais autoridades frente aos filhos... Em resumo: os pais acham que estão certos e a escola errada e vice-versa. Um não ouve o outro, não há diálogo e muito menos respeito.
O fato é que ainda não conhecemos um tipo de relação entre a escola e os pais dos alunos que resulte em benefícios aos mais novos. Uma coisa é certa: do jeito que ela ocorre atualmente - aliás, muito bem mostrado na novela - as conseqüências não têm sido nem um pouco positivas ou benéficas. Nosso desafio atual é construir um novo tipo de relação entre essas duas instituições tão importantes para a formação das crianças e dos jovens.
Tenho acompanhado de perto uma experiência bem interessante de um grupo de pais que tenta inovar nessa questão. Farei um relato dessa tentativa brevemente, ok?
Escrito por Rosely Sayão às 14h17
