Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

19 E 20/09/2006 – CLIPPING

O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.

FOLHA DE SÃO PAULO – 20/09/2006 (TENDÊNCIAS/DEBATES)
FHC e as escolas técnicas 

LUIZ AUGUSTO CALDAS, JOAQUIM RUFINO NETO e GENIVAL ALVES AZEREDO

O descaso com as escolas técnicas federais era tal que, de 1995 a 1998, não foi autorizada a contratação de um único docente ou técnico


COMO PRESIDENTES dos conselhos que congregam as instituições da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica (centros tecnológicos, escolas técnicas, escolas agrotécnicas e colégios técnicos -Concefet, Coneaf e Condetuf), não poderíamos, incitados pelo artigo do ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza ("Tendências/Debates", dia 15/9), deixar de pontuar as enormes diferenças entre os governos FHC e Lula quanto à educação profissional.
O governo anterior, ao contrário do que afirma o ex-ministro, aprovou a lei nº 9.649/98, que proibia a expansão do sistema federal de educação profissional. Diz seu art. 47, parágrafo quinto: "A expansão da oferta de educação profissional, mediante a criação de novas unidades de ensino por parte da União, somente poderá ocorrer em parceria com Estados, municípios, Distrito Federal, setor produtivo ou organizações não-governamentais, que serão responsáveis pela manutenção e gestão dos estabelecimentos de ensino".
A presença do advérbio "somente" não deixa dúvidas. A União até poderia custear a construção de novos estabelecimentos, mas custeio e pessoal não mais seriam da sua responsabilidade. Em outras palavras, a nova escola não seria federal, mas estadual, municipal ou privada.
Os congressistas tentaram aprovar um parágrafo 6º que relativizava a regra geral: "Às unidades de ensino da União com obras já concluídas não se aplica o disposto no parágrafo anterior". FHC alegou falta de recursos para a educação e vetou o dispositivo. O descaso com as escolas técnicas federais era tal que, de 1995 a 1998, não foi autorizada a contratação de um único docente ou técnico para o sistema de 140 escolas. Em 1998, o orçamento do sistema atingiu o fundo do poço: R$ 856 milhões, a valor presente. A título de comparação, o atual governo autorizou, de 2003 a 2006, a contratação de 3.433 docentes e técnicos, e o orçamento do sistema, em 2005, atingiu R$ 1,2 bilhão.
O ex-ministro alega que a medida se justificava pelo fato de as escolas federais serem burocraticamente vinculadas a Brasília. Elas não dariam conta do dinamismo do mercado de trabalho local. Ora, desmentem o ex-ministro a altíssima demanda pelas vagas dessas escolas e o desempenho dos alunos a cada edição do Enem.
Por miopia, FHC autorizou o funcionamento de apenas dez escolas técnicas federais em oito anos (cinco sem quadro de pessoal), enquanto Lula encerra o primeiro mandato autorizando 32 (além de 18 escolas privadas federalizadas).
Mas isso não é tudo. FHC, pelo decreto nº 2.208/97, proibiu a oferta de ensino médio integrado à educação profissional. Seu ministro, pela portaria nº 646/97, fixou metas para diminuição da oferta de ensino médio pelas escolas técnicas federais. Hoje, estamos colhendo os frutos desses equívocos, sobretudo São Paulo. Por razões de identidade ideológica, o Estado adotou essa visão de maneira mais determinada. Resultado: entre 2003 e 2004, o ensino médio perdeu 137 mil matrículas no país, das quais 131 mil em São Paulo -96% do total.
O atual governo não só revogou essas medidas absurdas mas também tem promovido a integração do ensino médio com a educação profissional, sobretudo na modalidade de educação de jovens e adultos (Projovem e Proeja), para tentar resgatar o interesse do jovem pela escola. Decerto, o governo anterior lançou o Proep (convênios com Estados e setor privado para construção de escolas técnicas), mas até nisso ele perde na comparação com o governo atual.
O programa previa a construção de 65 escolas técnicas privadas e 49 estaduais. Os números revelam um viés privatista. Mas, ao tomar as transferências financeiras efetivamente realizadas, pode-se notar que, até 2002, o governo anterior transferiu R$ 76,1 milhões para o setor privado e apenas R$ 28,9 milhões para o setor público estadual. Isso significa que, no Proep, investiu R$ 105 milhões. O governo atual, para a conclusão desses convênios, está investindo R$ 172 milhões.
Mesmo considerados todos os outros convênios ativos ou finalizados, incluindo ampliação, reforma e equipamento (265 no total), o governo anterior terá bancado 43,5% do programa, contra 46,5% do atual. Isso explica, inclusive, o cancelamento de outros 80 convênios. Assinados em 2002, no apagar das luzes da era FHC, não havia nenhum critério técnico que amparasse sua continuidade. Somando R$ 183,5 milhões, o governo anterior só havia repassado para eles R$ 3,5 milhões (1,9%). Ainda bem.
LUIZ AUGUSTO CALDAS
, 44, é presidente do Concefet (Conselho dos Dirigentes dos Centros Federais de Educação Tecnológica). JOAQUIM RUFINO NETO, 48, é presidente do Coneaf (Conselho dos Diretores das Escolas Agrotécnicas Federais). GENIVAL ALVES DE AZEREDO, 52, é presidente do Condetuf (Conselho dos Diretores das Escolas Técnicas vinculadas às Universidades Federais).

FOLHA DE SÃO PAULO – 20/09/2006
Folha vai promover amanhã debate sobre desigualdade 

DA REDAÇÃO

A Folha vai promover amanhã, às 20h, um debate sobre a desigualdade social no Brasil.
Participam do debate os economistas Ricardo Paes de Barros, coordenador de avaliação de políticas públicas do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), e Márcio Pochmann, professor do Instituto de Economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp e ex-secretário de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo na gestão petista de Marta Suplicy.
A mediação do debate será feita por Gilberto Dimenstein, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha.
O encontro vai ocorrer no auditório da Folha, na alameda Barão de Limeira, 425, 9º andar. O evento é gratuito e aberto ao público. Os interessados em participar podem se inscrever pelo e-mail eventofolha@folhasp.com.br ou pelo telefone 0/xx/11/3224-3473, hoje e amanhã, das 14h às 19h.

FOLHA ONLINE – 19/09/2006 – 7h33
Governo tem programa de apoio a cursinho comunitário; entidades criticam

DA REPORTAGEM LOCAL

O Ministério da Educação mantém desde 2003 o programa Diversidade na Universidade. Na letra da lei que o criou, a finalidade é "implementar e avaliar estratégias para a promoção do acesso ao ensino superior de pessoas pertencentes a grupos socialmente desfavorecidos". Na prática, afirma o MEC, o projeto repassou R$ 8,5 milhões a cursinhos desde que foi criado e hoje atende a 27 entidades.
Funciona assim: o MEC lança um edital e os cursinhos se candidatam ao benefício. Os selecionados recebem uma verba anual máxima de R$ 150 mil, que deve ser gasta metade com bolsas para alunos, 20% com professores e 30% com equipamentos e atividades anti-racismo. "Trinta por cento dos alunos de cursinhos beneficiados ingressam em faculdades A, B ou C na escala do MEC", diz Renata de Melo Rosa, coordenadora do projeto.
Alguns cursinhos, no entanto, têm críticas. "Nosso maior custo é a folha de pagamento, e o dinheiro que podemos usar para isso é muito restrito", diz Fulvio Cesar Severino, do cursinho da UFSCar, um dos que recebem a verba. O curso conta com 80 professores, que recebem ajuda de custo da universidade. "Recebemos quando tem dinheiro. Agora, por exemplo, não recebemos desde maio."
Já para Mateus Prado, presidente do Instituto Henfil, "o dinheiro é insuficiente. Temos um caixa de R$ 2 milhões anuais. Os R$ 150 mil do MEC não ajudariam muito".
NA INTERNET - veja relação de cursinhos populares em www.folha.com.br/062611

FOLHA DE SÃO PAULO E FOLHA ONLINE – 19/09/2006 – 7H30
Cursinho Popular mistura estudo e cidadania

SIMONE HARNIK
VINÍCIUS SEGALLA
da Folha de S.Paulo

Foi no cursinho que Daniel Munhoz Fernandes, 21, descobriu a possibilidade de tentar medicina em Cuba. Sempre bom aluno, pensou também em ir para Portugal ou para a Inglaterra para fazer a faculdade. Contada assim, a história parece a de um jovem que estudou nas melhores escolas e teve grandes oportunidades. Mas não, Daniel embarcou para a terra de Fidel direto do Cursinho Popular de Jandira (na Grande São Paulo), destinado a quem tem baixa renda.
"Seria muito difícil estudar no Brasil. Eu não teria condições de pagar um cursinho caro para entrar numa boa faculdade e também não conseguiria me sustentar, se entrasse. Lá eu recebo uma bolsa total", conta.
Para Rosana de Fátima Galindo, 17, o cursinho comunitário é a esperança de ser mais competitiva em busca da vaga em engenharia. "As aulas estão me ajudando, porque muita coisa eu não vi no ensino médio na escola pública."
No ano passado, a taxa de ingresso no ensino superior dos alunos do Cursinho Popular de Jandira foi de 7%. No cursinho 20 de Novembro, ligado à Fatec, os índices são semelhantes. Desde o início, em 2002, mais de 2.000 estudantes passaram pelo pré-vestibular e cerca de 250 foram aprovados.
Mas os índices de aprovação são só parte da função de um cursinho comunitário. "Tem também o papel de resgate da auto-estima, de dar informação. É lá que ele percebe que pode fazer um curso tecnológico ou prestar uma bolsa do Prouni [programa do governo federal], por exemplo", diz a pesquisadora e coordenadora do Cursinho Popular de Jandira, Silvia Maria Dias Ruedas. Em Jandira, os jovens assistem às aulas e trabalham as noções de cidadania em projetos sociais --cadastramento de famílias em situação de risco ou arrecadação de alimentos.
A pró-reitora de extensão da Unesp, Maria Amélia Máximo de Araújo, concorda: "O importante não é só o ingresso. Na vivência, o estudante passa a ter outra visão de mundo, aumenta a auto-estima. Passa a batalhar também o emprego". Na universidade, que tem 32 unidades, existem 23 cursinhos.
O cursinho da UFSCar também extrapola a preparação para os exames. "Buscamos complementar a formação do estudante. Por isso ministramos aulas como ambiente, saúde pública, filosofia, exclusão social e cultura e arte africana", conta Fulvio Cesar Severino, professor de biologia do curso e aluno da UFSCar.
Frei David, da ONG Educafro, que tem 255 núcleos de cursinhos no Brasil (184 em SP), diz acreditar que a "função do cursinho é despertar a consciência da exclusão da qual os pobres e os negros são vítimas", para levá-los a serem incluídos na universidade pública.

FOLHA DE SÃO PAULO – 19/09/2006
Folha promove na 5ª debate sobre desigualdade 

DA REDAÇÃO

Na próxima quinta, às 20h, a Folha promove um debate sobre a desigualdade social no país. Participam Ricardo Paes de Barros, coordenador de avaliação de políticas públicas do Ipea, e Márcio Pochmann, professor do Instituto de Economia da Unicamp. A mediação será de Gilberto Dimenstein, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha. O evento é gratuito. Interessados podem se inscrever pelo e-mail evento folha@folhasp.com.br.

JORNAL DA TARDE – 20/09/2006
Músicas fazem sucesso nas aulas de Matemática 

MARIA REHDER 

O uso da música nas aulas de Matemática tem gerado bons resultados em classe e surge como uma das opções para melhorar o poder de raciocínio dos alunos brasileiros, cujo desempenho no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa 2003) rendeu ao País a penúltima colocação em Matemática.
Especialistas em educação, expressão corporal, matemáticos, músicos e inclusive uma ex-aluna de escola pública ouvida pelo JT apontam a música como grande aliada do professor de Matemática.
A musicista Gabriela dos Santos Vieira da Silva, 19 anos, até hoje se recorda das 'diferentes aulas' da sua professora de 8ª série, Neide Pessoa. 'Quando contei a ela que tinha decidido seguir carreira na área da música, ela imediatamente lançou um desafio: pesquisar a história de Pitágoras e buscar sua relação com a música.'
Gabriela conta que, ao pesquisar as informações, pôde visualizar na prática a teoria de Pitágoras. 'As aulas da Neide sempre nos faziam entender os exercícios por meio da sua relação com a realidade. Surpreendi-me, pois vi que a música tem tudo a ver com a Matemática.'
De acordo com Carlos Eduardo de Souza Campos Granja, professor da escola japonesa HeiSei e autor do livro Musicalizando a Escola; Música, Conhecimento e Educação, Editora Escrituras, o exemplo dado por Gabriela refere-se ao monocórdio de Pitágoras. 'Na Grécia antiga, os músicos afinavam os instrumentos de ouvido, tocando duas cordas até produzirem som harmonioso.'
O professor explica que o monocórdio é um instrumento musical em forma de 'U' composto por uma só corda que pode ser usado pelo educador para explicar frações por meio dos intervalos musicais. 'Pressionando a corda na metade do seu comprimento, obtém-se um som mais agudo que o original, cuja freqüência (número de vibrações por segundo) é o dobro daquela obtida com a corda solta. Esta nota corresponde a um intervalo de 8ª em relação à nota original', exemplifica.
O professor Carlos, que também é músico, diz que a Matemática pode ser trabalhada com a música por meio de som e até de movimento. 'Exercícios de percussão corporal fazem com que os alunos entendam a relação de tempo e ritmo com coordenação motora.'
Para Oscar João Abdounur, professor livre-docente do Instituto de Matemática e Estatística da USP e autor do livro Matemática e Música, Editora Escrituras, o educador deve estar atento ao desenvolvimento das diferentes competências dos alunos. 'Nos alunos mais musicais, o professor deve despertar seu interesse para a Matemática. Já naqueles com facilidades nos números, o professor deve estimular o interesse pela música.' O especialista explica que a aritmética é a representação dos números em repouso. 'Já a música é a representação desses em movimento ', diz.
Entretanto, Neide Pessoa, que atua na Emef Afrânio de Mello Franco, Zona Norte, ressalta que o uso da música ou de qualquer recurso lúdico só dá certo se o professor der ênfase ao conteúdo matemático. 'De nada adianta o aluno se lembrar da aula diferente, mas não conseguir explicar o que aprendeu.' A professora indica o livro Cadernos Mathema, Editora ArtMed, como fonte para professores que queiram usar recursos lúdicos em aula.

SEQUÊNCIA MINIMAL 

As dinâmicas de improviso permitem o uso espontâneo da linguagem musical em aula
A
seqüência minimal é uma atividade que pode ser realizada com alunos de qualquer idade, na qual uma pessoa inicia a dinâmica inventando um motivo musical qualquer (percussivo ou vocal)
Em seguida, a pessoa que está ao lado acrescenta um som qualquer e o ciclo continua até todos entrarem com a sua contribuição minimal para a música que está sendo construída
Há espaço para a criação livre com o som que cada um acrescenta ao conjunto, assim como há um contexto a ser respeitado, que é o resultado sonoro do conjunto
É preciso respeitar o volume e o ritmo. É como entrar numa roda em que as pessoas já estão conversando: não se pode mudar de assunto bruscamente
Nessa atividade, o aluno trabalha o raciocínio lógico com a assimilação da seqüência de ritmos
FONTE - Musicalizando a Escola; Música, Conhecimento e Educação (Editora Escrituras)

Movimento empolga alunos 

OS NÚMEROS E A COORDENAÇÃO MOTORA 

A pedagoga musical Roberta Fortes, que atua como multiplicadora do Grupo Barbatuques, explica que a percussão corporal por meio de atividades realizadas com os sons do próprio corpo estimula a concentração, o raciocínio lógico e a criatividade dos alunos não só nas aulas de Matemática, mas em diferentes disciplinas.
Entretanto, Roberta ressalta que os professores ainda têm pouco acesso aos materiais de percussão corporal. 'Atuo na capacitação de professores da rede pública no Espírito Santo e o retorno deles tem sido positivo , principalmente por causa do estímulo ao movimento em aula.' (www.barbatuques.com.br ou www.centraldasoficinas.com.br).

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