Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

25/09/2006 – CLIPPING

 

O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.



FOLHA DE SÃO PAULO – 24/09/2006

Para escolher a escola, pais e filhos devem ser ouvidos

Características das crianças e confiança na instituição são prioridades na hora de optar por uma unidade de ensino

Formação de professores, método pedagógico e infra-estrutura também têm de ser observados
 

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Apenas na cidade de São Paulo, de acordo com a Secretaria de Estado da Educação, são mais de 6.000 instituições, entre públicas e particulares, e essa variedade só aumenta a insegurança dos pais na hora de escolher a escola, principalmente a dos filhos menores. Para auxiliar nesta tarefa, a Folha ouviu educadores de todo o país para selecionar quais os principais aspectos a serem levados em consideração.
Antes de procurar uma escola, no entanto, é preciso saber que tipo de pai é e quais as principais características da criança. "O fato de ter um filho tímido ou extrovertido, por exemplo, é determinante na escolha do tipo de escola", diz Noely Weffort, chefe do Departamento de Fundamentos da Educação da PUC-SP.
Depois, segundo os educadores, é preciso observar os critérios mais objetivos. O projeto pedagógico é o primeiro deles. "As crianças pequenas aprendem por meio da brincadeira, e isso vale para qualquer conteúdo, desde regras de conduta até conceitos matemáticos, leitura e escrita", diz Bianca Correa, da USP de Ribeirão Preto.
Após os seis anos, o importante é observar se a escola não se isola dos fatos cotidianos do aluno. Leni Dornelles, vice-diretora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirma que a escola deve produzir sujeitos para viver qualquer situação da vida, e não apenas para ser aprovado no vestibular.
A infra-estrutura da escola também não pode ser deixada de lado. "É importante ver a organização do espaço, ver como a escola está preparada para receber a criança", diz Dornelles. Para ela, a organização do espaço reflete como a escola enxerga o aluno.
Outra coisa importante é estabelecer uma relação de confiança com a instituição. Também deve-se averiguar se a escola investe em cursos de atualização dos professores. "Os pais precisam observar a escola e ver se os professores estão satisfeitos em trabalhar lá, se estão felizes e se sentem respeitados, isso é o primeiro passo, já que são eles que têm uma relação direta com os alunos", diz a psicóloga Rosely Sayão.
O que é extra também não pode ser deixado de fora. Atividades como informática, danças, esportes e línguas estrangeiras complementam e auxiliam o aprendizado.
O psicólogo Yves de la Taille, professor-titular do Instituto de Psicologia da USP, lembra também que a escola deveria se preocupar mais com a formação dos valores dos alunos.
"Nesta etapa da vida as crianças estão desvendando o mundo, tentando compreender o universo de relações que as cerca", diz Bianca.
Na hora de escolher, até a localização deve ser levada em conta, segundo os especialistas, para que o ato de ir para a escola não se torne algo cansativo e para que a criança possa ir sozinha, quando estiver maior, para adquirir autonomia.
Outra coisa é saber se as despesas com a nova escola cabem no bolso, já que as mensalidades das escolas particulares em São Paulo variam de R$ 400 a R$ 2.500. De acordo com o economista do IPEA Jorge Abrahão de Castro, o brasileiro gasta em média 3,6% do orçamento familiar com educação. Nas famílias com filhos em escolas públicas, esse gasto fica em torno de 1,1%, enquanto os pais de alunos de escolas particulares gastam em média 5,4%. (INGRID TAVARES, VINICIUS ABBATE, THIAGO MOMM, INGRID AGUIAR)
NA INTERNET- relação de escolas http://escola.edunet.sp.gov.br/ pesquisas/Index-Escolas.asp

Colégios mesclam métodos pedagógicos

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A maioria das escolas não utiliza apenas uma linha pedagógica, mas sim mescla aspectos interessantes de cada uma delas, principalmente na alfabetização, vista como a entrada da criança no universo escolar.
"Hoje, é difícil uma escola que siga apenas uma metodologia à risca", explica Silvia Colello, da Faculdade de Educação da USP e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Alfabetização e Letramento. Segundo ela, duas grandes linhas permeiam os métodos de alfabetização no Brasil: o fônico e o construtivismo.
A alfabetização fônica é o ensino de correspondências entre letras e sons. "As crianças recebem figuras e letrinhas de madeira para compor palavras correspondentes a cada figura, numa espécie de ditado que compreende as dificuldades ortográficas. Com o auxílio de fichas com os nomes corretos, realiza a autocorreção. Depois irá passar o que foi aprendido para a lousa e para o caderno", diz Solange Rodella, coordenadora pedagógica do Colégio Montessori Santa Terezinha.
Para Colello, o enfoque construtivista não considera a alfabetização apenas como um sistema de associação de letras. "Uma pessoa pode saber os códigos e não ser capaz de ler e compreender. A língua escrita é muito mais complexa, é um meio de expressão e compreensão do mundo. Esse processo começa desde o nascimento e dura a vida toda", diz.
De acordo com ela, a alfabetização começa em casa, com os pais contando histórias e manuseando jornais, livros e até listas de compras.
A escola também deve reforçar a entrada no mundo das letras mesmo antes da idade em que os alunos terão um contato mais formal. "A professora conta histórias e incentiva as crianças a criar histórias coletivas oralmente", diz Rodella.
(INGRID AGUIAR)

Instituições devem estimular a autonomia e a cooperação

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Um dos papéis da escola é ajudar no desenvolvimento de valores que permaneçam na vida adulta do aluno -em relação a si mesmo ou ao outro.
A transmissão de valores tem início já no ensino infantil. "Promover a compreensão e a amizade, valorizar as diferentes formas de expressão artística e de comunicação é o que a escola deve fazer desde o princípio", diz a professora de pedagogia da PUC-SP Neide Noffs.
Para especialistas, os valores são avaliados a partir de conflitos que acontecem na sociedade e que são levados para discussão na escola. "O objetivo é incentivar o espírito crítico, mas não a crítica que se dirige a tirar vantagem sobre o outro", diz Silvia Colello, da USP.
A melhor maneira de promover o debate de valores entre os alunos é incentivar a convivência e o respeito às diferenças. "As crianças às vezes cometem crueldades porque ainda não sabem distinguir os sentimentos. É a escola quem deve estimular a sensibilidade para entender a opressão, a diferença", diz Guiomar de Melo, da Ebrap.
Entre os alunos de 11 a 14 anos, a escola deve construir pessoas autônomas, que tomem decisões, que tenham responsabilidade sobre seu corpo, seu dinheiro etc. (VINICIUS ABBATE)

Atualização de docentes precisa ser facilitada

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Questionar as escolas sobre os professores é uma "sutileza" que a maioria dos pais ainda não considera, mas deveria. A afirmação é da coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Ângela Soligo, e reflete a opinião de diversos especialistas ouvidos pela Folha.
Saber quem são os professores, se valorizam sua formação continuada, se são acessíveis aos pais, quais suas condições de trabalho e até mesmo o que têm lido são algumas sugestões elencadas pelos especialistas.
Sobre a formação continuada, Ângela sugere. "É interessante saber se a própria escola promove isso, que oportunidades está dando ao professor."
Para que os professores se mantenham atualizados, os colégios podem oferecer cursos, promover grupos de estudo, estimular a participação em congressos. Na rede pública, há cursos oferecidos por prefeituras e governos estaduais.
Para Maria Cecília Cortez, vice-diretora da Faculdade de Educação da USP, mais importante que se inteirar desses itens é saber onde os professores estudaram. "Tem que perguntar a faculdade que fizeram. Nenhuma formação continuada substitui isso. É o que dá o domínio básico do conteúdo."
Sobre o assunto, a doutora em educação pela Unesp Iraíde Barreiro faz um alerta para a proliferação de faculdades particulares e de cursos à distância: "É algo que os pais devem avaliar", afirma.
Tão importante quanto saber quem são os professores é o acesso a eles. "Marcar reunião em dia de semana, por exemplo, é quase um convite ao não-comparecimento. O colégio tem que oferecer flexibilidade de horário", afirma Maria Cecília. "Os pais estão muito mais preocupados com o espaço físico, ou com dados sobre tecnologia, audiovisual. Mas nada disso substitui um bom professor". (THIAGO MOMM)

Espaço e faixa etária da criança têm de dialogar

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Escolhida a proposta de alfabetização e ensino das crianças, os pais devem olhar para a escola. Literalmente. Isso porque, segundo especialistas em educação, a organização do espaço do colégio é fundamental no aprendizado de seus alunos.
Segundo a professora da Faculdade de Educação da Unicamp Maria Carolina Bovério, é importante haver diálogo entre o ambiente escolar e a proposta pedagógica. "O modo como o espaço e o mobiliário das classes são organizados revelam como é a aula."
Até mesmo pequenos detalhes, como a disposição das carteiras dos mais velhos, influenciam a dinâmica. "Carteiras fixas, pregadas ao chão, não permitem nenhum trabalho em grupo. Fixam o aluno só como ouvinte." Simples parafusos fora do lugar podem atrapalhar, portanto, mobilidade, cooperação, aproximação e diálogo entre os jovens alunos.
Apesar da interação ser imprescindível para o desenvolvimento emocional e intelectual dos alunos, muitas vezes, ela é negligenciada na concepção dos prédios. Para o arquiteto Carlos André Palatnic, isso acontece porque as escolas são projetadas com intuitos puramente funcionais, sem levar em conta o propósito original do prédio: o estudo. "Geralmente, se tem uma arquitetura feita para abrigar pessoas que, por acaso, estudarão ali."
A falta de cuidado com a infra-estrutura escolar é prejudicial para o processo educacional do aluno e para o equilíbrio psicológico da criança. "A arquitetura monumental produz uma sensação de maravilhamento em relação ao prédio. Mas, por outro lado, cria também um sentimento de inferioridade nos menores", lembra Bovério. (INGRID TAVARES)


O ESTADO DE SÃO PAULO – 25/09/2006
NOTAS

USP realiza semana de arte e cultura


Começou na semana passada e vai até sábado a 11.ª Semana de Arte e Cultura da Universidade de São Paulo (USP). São centenas de atividades, como apresentações musicais, exibição de filmes e vídeos, exposições, oficinas, mesas-redondas, palestras, visitas monitoradas a museus e teatro, em todos os campus da instituição. A entrada é gratuita. O evento é realizado pela pró-reitoria de Cultura e Extensão.

Mais de 1 milhão no Brasil Alfabetizado 

Os Estados e municípios cadastraram 1.154.261 pessoas e 58 mil educadores no Programa Brasil Alfabetizado, voltado para os jovens com mais de 15 anos. O programa do Ministério da Educação (MEC) transfere recursos a Estados, municípios, empresas, universidades e ONGs que oferecem ações de combate ao analfabetismo. Os alfabetizadores recebem bolsa mensal de R$ 120 e mais R$ 7 por aluno.

Unesp inaugura sede no centro de SP 

A nova sede da reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no centro da capital, foi inaugurada oficialmente na sexta-feira. A transferência da sede da instituição da Alameda Santos para o centro integra o projeto de revitalização da região. O imóvel, na frente da Biblioteca Municipal Mário de Andrade, foi comprado por R$ 6,69 milhões. O aluguel da antiga sede representava um gasto mensal de R$ 241,3 mil.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 24/09/2006
Ginásio Pernambucano troca tradição por experimentalismo 

Escola onde estudou Clarice Lispector foi reinaugurada em 2004 e já colhe bons resultados 

Flávio Lobo, ENVIADO ESPECIAL, RECIFE 

O Ginásio Pernambucano, uma das escolas mais antigas e tradicionais do País, que teve entre seus alunos Clarice Lispector e Ariano Suassuna, passa por uma grande transformação. O grande prédio colonial, fundado em 1825 e interditado em 1998 por risco de desabamento, reassumiu um papel muito mais importante que o de um monumento à educação: voltou a ser uma escola. E não se trata de um colégio qualquer. O novo Ginásio Pernambucano oferece à educação pública brasileira um caminho para fora do atoleiro.
Em 2004, o Ginásio foi reinaugurado como Centro de Ensino Experimental (CEE), um projeto idealizado por um grupo de empresários e educadores e realizado em parceria com o governo do Estado. Desde então, foram criados 12 outros CEEs, espalhados por várias regiões do Estado. A fórmula comum a todos inclui atendimento ao aluno em tempo integral, treinamento e elevação salarial para os professores, premiação por resultados, aperfeiçoamento da gestão, controle social e integração comunitária.
Dos 4.564 estudantes hoje matriculados nos CEEs, 78% têm renda familiar de até dois salários mínimos e apenas 8,6% dos pais dos alunos têm nível superior. A grande maioria cursou todo o ensino fundamental em escolas públicas convencionais, cujas deficiências evidenciaram-se na avaliação inicial a que foi submetida a primeira turma do Ginásio Pernambucano. Na prova de matemática, formulada para avaliar o domínio do conteúdo do fundamental, 35% dos alunos tiraram zero. Na avaliação de língua portuguesa, 40% das notas, numa escala de 0 a 10, ficaram entre 1 e 2.
“Esse desastre não é exclusividade de Pernambuco: com pequenas variações, essa é a situação do aluno de escola pública no País”, afirma o presidente da Philips do Brasil, Marcos Magalhães, principal liderança por trás do Instituto de Co-Responsabilidade pela Educação, que agrega várias empresas e criou o modelo dos CEEs. O instituto bancou a implantação dos primeiros centros, mas atualmente todo o custeio fica por conta do Estado. À iniciativa privada cabe apenas a instalação de infra-estrutura pedagógica: laboratórios, salas temáticas, biblioteca e auditório.

AVANÇOS


Para surpresa dos que culpam o meio familiar e as condições socioeconômicas dos alunos pela indigência da educação pública, os CEEs têm conquistado avanços flagrantes. Nas 13 escolas, a taxa de evasão é de 2,2% e a repetência, 2,3%, ante médias de 17% e 9% na rede estadual de Pernambuco, segundo a Secretaria de Educação. E, antes mesmo da formatura da primeira turma - que entrou no Ginásio Pernambucano em 2004 -, dos primeiros resultados de vestibular e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a melhoria da qualidade do aprendizado já salta aos olhos.
Na Olimpíada Brasileira de Química, 26 estudantes dos CEEs ficaram entre os 122 classificados. “Não existe uma escola pública como esta”, diz Jeizon Ribeiro, 17 anos, aluno de 3º ano no Ginásio Pernambucano. “Além de termos muito mais oportunidades de aprender, aqui os alunos são ouvidos e respeitados.”
O bom ambiente é ressaltado também pelo professor de história Marcos Durval, que leciona no Ginásio desde a sua reinauguração, em 2004. “A escola é diferente das outras em vários aspectos, mas o que ela tem de mais valioso é o afeto e o companheirismo entre alunos, professores e funcionários.”

BÔNUS AOS PROFESSORES

Em relação a um dos ingredientes mais polêmicos do modelo dos CEEs, os bônus recebidos pelos professores com base no desempenho, objetivamente avaliado, de seus alunos, Durval diz que a questão é complexa e tema de permanente discussão entre os profissionais e a direção.
Boa parte da resistência das associações de professores ao projeto dos CEEs deve-se a essa premiação, que a diretora do Ginásio, Thereza Maria dos Santos, considera importante. “Ao construir uma escola norteada pelas necessidades dos alunos, precisamos medir e estimular de forma clara e objetiva a eficácia do ensino.”
Seria viável economicamente adotar esse modelo de escola de tempo integral com professores mais bem treinados e remunerados em todo o País e para todos os alunos? Magalhães responde que sim, e mostra as contas.
O executivo garante que é possível manter um CEE com apenas 30% de aumento do investimento por aluno. “O custo anual do aluno na rede pública gira em torno de R$ 1 mil. Um preço relativamente alto, tendo em vista que, em geral, esse aluno não aprende nem o mínimo obrigatório.
Nos CEEs, o custo sobe para R$ 1,3 mil, com resultados muito, muito melhores”. Avanços que, de acordo com Magalhães, passarão a ser compartilhados, em 2007, por dez novos centros, cuja inauguração está prevista para fevereiro.


JORNAL DA TARDE – 25/09/2006
Matemática para todos


Escolas revolucionam o ensino da matéria para torná-la mais acessível e menos tortuosa 

Não são poucos os alunos que detestam matemática. Números e fórmulas são verdadeiros pesadelos para estes estudantes, que dificilmente se 'curam' da aversão à matéria, odiando fazer contas pelo resto da vida.
Segundo educadores, a culpa por tal aversão não é da matemática, mas da maneira tradicional de se ensiná-la - a famosa decoreba. Pensando em tornar os números cada vez mais 'digeríveis' - e cada vez menos tortuosos - para os estudantes, escolas começam a revolucionar as aulas de soma, subtração, multiplicação e divisão, desde o ensino infantil até o médio.
No Colégio Santo Américo, a professora Priscila Montenegro, do ensino fundamental, desenvolveu um novo método de memorização da tabuada com as turmas da 2ª série. 'Passamos a aplicar uma chamada oral diferente, na qual as crianças anotam em sua agenda, toda segunda-feira, cinco multiplicações. No decorrer da semana, penduramos no pescoço plaquinhas plastificadas com tais multiplicações e seus respectivos resultados. A idéia é que, de tanto olharem para aquele fato fundamental, acabam decorando', conta Priscila.
Os alunos gostaram tanto da idéia que começaram a disputar quem sabe de cor o resultado do dia anterior e até quem se lembra de todas as plaquinhas que a professora usou na semana.
Junto à experiência com as placas, foram trabalhados jogos com números em sala. 'Teve um dia que propusemos a cada aluno criar dez multiplicações usando apenas números de 3 a 10, para que o colega resolvesse. A atividade acabou se transformando em um caderno de tabuadas. No início, a turma levava, em média, de 2 a 3 minutos para preencher os resultados. Hoje, o tempo baixou para, no máximo, 35 segundos', comemora a professora.
Na Escola Lourenço Castanho, as aulas de matemática ganharam roupagem nova desde o maternal. 'As crianças trabalham com o corpo, construindo a imagem do que é o círculo, via brincadeira. Além disso, as formas matemáticas também aparecem em dicas de cozinha, com proporção de elementos', conta Alice Proença, diretora do Maternal. Já no ensino infantil, as crianças levam às aulas fotos, roupas e outros utensílios, comparando o tamanho atual delas (altura, mão, pé...) com o de quando eram ainda menores. Os alunos também levam saquinhos de macarrão, arroz, açúcar, feijão e comparam o peso dos alimentos com o próprio.
No ensino fundamental, as crianças da 1ª série já trabalham com dinheiro, fazendo supermercado. Os próprios estudantes realizam a venda, classificam o produto, trazem o troco, promovem liquidações... Tudo isso para trabalhar o sistema de numeração. No ensino médio, a disciplina de economia é tão importante quanto as demais. No 1º ano, os alunos abrem empresas fictícias e precisam gerenciá-las durante todo o ano. Neste processo, pesquisam preços de aluguéis de escritórios, preços para a compra de terrenos, de abertura de empresas e de salários de funcionários.
A matemática financeira também é trabalhada de maneira prática no Colégio Santa Maria. Os estudos da disciplina se iniciam com discussões sobre livre comércio, lucro e prejuízo. A partir disso, evoluem para assuntos como porcentagem, juros, tributos, regras de sociedade, inflação, balança comercial, déficit, superávit, câmbio, commodities e bolsa de valores.
Durante todo o ano, estudantes de diferentes séries abordam esses temas, buscando estabelecer relações entre o que é aprendido na escola e o cotidiano. Na educação infantil, por exemplo, as professoras estão trabalhando vendas e reciclagem com matemática, já com o foco voltado para o futuro ensino da matemática financeira. As crianças trazem de casa materiais recicláveis e montam um minimercado dentro da sala de aula.

Para os que odeiam 

Método Kumon é auxílio fora da sala de aula 

Se mesmo com todos os esforços das escolas para tornar a matemática mais atrativa seu filho continuar detestando a matéria, o jeito é recorrer a ajuda fora da sala de aula.
O método Kumon é uma boa opção. Nascido no Japão, em 1958, se espalhou por todo o planeta - está em 44 países -, chegando ao Brasil em 1977. Hoje, é um dos mais eficientes métodos de ensino de matemática e línguas do mundo. Ele se baseia no estudo individualizado e busca formar alunos autodidatas, ou seja, capazes de aprender por si só.
O material didático é auto-instrutivo, permitindo ao aluno desenvolver os exercícios com o mínimo de intervenção do orientador e avançar para conteúdo além de sua série escolar. Encontre a unidade mais próxima de você no site www.kumon.com.br.

Para os que adoram

200 mil disputam Olimpíadas de Matemática por ano 

Os fascinados por números e afins podem participar das Olimpíadas de Matemática, realizadas anualmente em várias partes do País. Em São Paulo, acontece desde 1977 a Olimpíada Paulista de Matemática, cujos vencedores disputam a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), fundada em 1979 pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).
Ao todo, as competições - abertas a todos os estudantes dos ensinos fundamental (a partir da 5ª série), médio e universitário - envolvem 200 mil alunos em todo o Brasil.
Estudantes de escolas públicas contam com uma competição própria, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Mais informações sobre as competições no site www.obm.org.br, pelo telefone (21) 2529-5077 ou pelo e-mail obm@impa.br.

JORNAL DA TARDE – 25/09/2006
NOTAS

Encontro discute educação e cidadania
 

A Pátio Revista Pedagógica e o Instituto SM para a Educação promovem o Encontro Internacional Pátio-ISME de Educação para a Cidadania, no dia 31 de outubro, no Centro Fecomércio de Eventos, com grandes nomes nacionais e internacionais da educação. Haverá palestras e mesas-redondas, além da apresentação de uma pesquisa inédita sobre convivência nas escolas realizada em diversos países, com o objetivo de analisar a qualidade do relacionamento entre jovens no ambiente escolar. Inscrições: (51) 3027-7008.

Livro mostra como aprender brincando 

Chega ao mercado no próximo sábado o livro ‘De Volta ao Quintal Mágico – A Educação Infantil na Te-Arte’ (Editora Ágora), da professora Dulcilia Schroeder Buitoni, que leciona na USP e na Cásper Líbero. A escola Te-Arte adota a filosofia da brincadeira para os mais novos, estimulando o contato com a natureza e o respeito pelo meio ambiente. O evento acontece das 11h às 15h, na prórpia Escola Te-Arte (Rua Tomás Gonçalves, 138, Butantã. Zona Oeste). Mais informações pelo telefone: 3726-8853.

Como incentivar a leitura na infância 

A Editora Record acaba de lançar o livro Cultivando um Leitor desde o Berço, de Diane McGuinness, que revela que o melhor predicado para se transformar em um leitor de qualidade é o desenvolvimento das habilidades da linguagem durante os primeiros cinco anos de vida. O livro também analisa as mais recentes pesquisas desse universo, que comprovam, por exemplo, a importância do freqüente estímulo verbal dos pais na vida da criança, sem o qual o desenvolvimento lingüístico pode ser retardado ou até mesmo reprimido.

Música como meio de alfabetização 

Foi lançado no sábado o livro Tindolelê, para alfabetização de crianças de 6 ou 7 anos. A obra parte da música para apresentar propostas didáticas inovadoras. O livro foi escrito pela professora Sonia Madi, estudiosa da alfabetização e formadora de alfabetizadores, em conjunto com o músico Luiz Ribeiro. Ele se propõe a ensinar de forma sistemática as correspondências entre os sons da fala e a escrita, baseado em canções infantis, nas quais são observados os aspectos sonoros da palavra.

JORNAL DA TARDE – 25/09/2006
Aprendendo a cidadania escolar

Içami Tiba 

Na cidadania escolar, o professor passa a ser um representante da ideologia da escola. Não é a pessoa dela que está sendo agredida pelos alunos, mas a Escola e a Educação.
Os jurássicos professores são aqueles que são os chefes dos alunos e não seus líderes. Chefes tem seus obedientes subalternos e líderes preparam novos líderes. Não se ordena a um aluno que este aprenda, mas ele é estimulado a desenvolver seus conhecimentos, iniciativas, superar-se, deixar sua própria vida melhor, e assim melhorar a família, a escola, e a sociedade.
O professor não está simplesmente 'informando' o aluno. Ele tem o destino do aluno em mãos, se ajuda na construção do cidadão ou se elimina da aula transformando-o num migrante escolar e futuro abandonador dos estudos.
Também na escola, o aluno não poderia fazer o que na sociedade não se faz e teria que começar a praticar o que terá que fazer. Com este crescimento pessoal, a escola pode contar com ele, e futuramente a sociedade poderá contar com este cidadão. Maiores detalhes no meu livro''Ensinar Aprendendo - Novos Paradigmas na Educaçã'', da INTEGRARE Editora.
Famílias e Escolas preparam mais herdeiros que sucessores. O Brasil terá poucos sucessores e muitos herdeiros.
Se as empresas familiares, na sua grande parte foram falidas pelos seus próprios herdeiros, o Brasil também pode afundar nas mãos de herdeiros políticos...
Içami Tiba é psiquiatra e pisicodramatista (www.tiba.com.br)


JORNAL DA TARDE – 25/09/2006
Matrículas para a 1ª série terminam nesta semana
 

Pais devem ir à escola mais próxima 

Naiana Oscar 

Esta é a última semana para fazer a matrícula antecipada nas escolas estaduais e municipais. Os pais das crianças que vão cursar a 1ª série do ensino fundamental no próximo ano devem procurar a Emef mais próxima de suas casas para fazer a reserva da vaga. O cadastramento termina na próxima sexta-feira.
A reserva deve ser feita por todos aqueles que têm filhos com seis anos completos (ou que vão completar até o final de 2006) e que estão fora da rede pública de ensino. Na Capital, pais de alunos do ensino infantil (pré-escola) estão dispensados de fazer a inscrição - porque já o fizeram entre os dias primeiro e 14 de agosto, na própria Emei.
Os pais devem procurar uma escola municipal ou estadual, de ensino fundamental e médio (não pode ser Emei ou creche), com a certidão de nascimento ou a carteira de identidade da criança e comprovante de endereço. Crianças com mais de oito anos e adolescentes que nunca freqüentaram a escola também podem fazer a inscrição até sexta.
O objetivo da reserva antecipada é garantir vaga para crianças perto de suas casas e evitar filas. Os pais, porém, não podem fazer a opção por uma escola em especial no ato do cadastramento.
De setembro a novembro, a Secretaria Municipal e também a Secretaria Estadual de Educação devem fazer o planejamento das vagas. No caso das crianças que estão fora da rede pública de ensino, os pais serão avisados por carta em que escola eles deverão efetivar a matrícula. Quem já tem filhos na pré-escola deve confirmar a matrícula a partir do dia 28 de novembro. As dúvidas sobre o assunto podem ser esclarecidas pelo telefone 0800-770-0012 ou pela internet (infoeducacao@educacao.sp.gov.br).
 

JORNAL DA TARDE – 24/09/2006
Liquidação de clássicos marca o fim de livraria histórica 

Depois de 52 anos, Duas Cidades encerra hoje suas atividades no centro de São Paulo 

Sérgio Duran 

Poderia ser a notícia de um saldo. Hoje, das 9h30 às 14h, a livraria Duas Cidades, na Rua Bento Freitas, centro de São Paulo, liquidará o estoque de cerca de 5.000 exemplares de clássicos da literatura e filosofia, entre outras áreas, por preços de R$ 5 a R$ 10. Poderia ser assim, não fosse a Duas Cidades uma espécie de livro vivo, que conta meio século de história da cidade, com personagens como intelectuais, guerrilheiros e intelectuais guerrilheiros, e que encerra o último capítulo nesta tarde.
Livraria e editora, a Duas Cidades publicou os primeiros escritos de autores como o crítico literário Antonio Candido e o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer. 'Era um espaço único, com alma, identidade cultural. Certamente o centro perde muito e também todos os leitores com gosto pela filosofia e pelas artes', lamenta Lafer, sensivelmente emocionado.
A lista de autores lançados e vendidos pela Duas Cidades é extensa. A livraria primava pela importação de obras francesas, italianas e espanholas, na área das ciências humanas. O ofício acabou transformando o discreto endereço em um ponto de encontro. Na época da ditadura militar, o fato era um problema (leia texto ao lado).
Fundada em 1954 pelo frei dominicano Benvenuto - ou José Petronilo de Santa Cruz, que morreu em 1997, aos 79 anos - a Duas Cidades começou a sua história na Praça da Bandeira. No atual endereço, a livraria estava há 40 anos. Desde a morte do frei, o negócio é administrado pela viúva, Maria Antônia Pavan de Santa Cruz, de 60 anos. Eles se casaram em 1993, após longa história em comum.
'Realmente
é uma pena, mesmo para mim que não era um cliente assíduo', diz o historiador Jacob Gorender. Maria Antônia conta que os clientes tradicionais como Lafer permaneceram fiéis até o fim. 'E muitos davam idéias de como manter o espaço', diz.
Os diversos percalços pelos quais passou a livraria, desde a época da ditadura, durante a qual as obras marxistas - maioria da produção na época - eram confiscadas na alfândega, incluem os vários planos econômicos, a diminuição da clientela e a degradação do centro. 'Ninguém vem mais para cá. Quem nos procura hoje quer best sellers. Não foi para isso que nasceu a Duas Cidades. Não consigo vender isso.'
Segundo ela, somente a livraria do centro será fechada. A editora e o ponto de venda da Duas Cidades na Universidade Santa Marcelina, em Perdizes, zona oeste, continuam. 'Talvez a gente reabra em outro endereço, próximo de universidades.'
Maria Antônia conheceu o frei em 1970, quando, de transferência para o curso de Letras da Universidade de São Paulo, veio de Ibitinga, interior do Estado, trabalhar na livraria. Durante alguns anos, foi funcionária de Benvenuto. 'Trabalhar aqui era a chance de aprender muita coisa para qualquer um.'
Aconchegante, a livraria dispõe de mesas para que os clientes possam escolher os livros demoradamente. No passado, era o próprio frei quem recebia a clientela, para longas conversas sobre livros.
O saldo servirá para quitar dívida de R$ 40 mil da livraria, que chegou a ter 20 funcionários, junto com a editora, e ontem tinha apenas duas. O nome Duas Cidades era uma alusão a Santo Agostinho, de quando fala da cidade terrena e da celestial, metáfora da matéria e do espírito. 'Esse era o sentido daqui', diz Maria Antônia.

JORNAL DA TARDE – 24/09/2006
O debate político na escola


Sugestão de aula: ensino fundamental
 

MARIA REHDER

Os alunos como protagonistas na criação de planos de governos em sala de aula. Esta é a sugestão proposta pelo JT, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE-USP), coordenado pelo professor Ismar de Oliveira Soares, que desafia os professores de Ensino Fundamental a desenvolverem uma aula sobre as eleições, por meio de uma abordagem educomunicativa.
Esta atividade foi elaborada por Luci Ferraz, educomunicadora e especialista em Terceiro Setor.

INTRODUÇÃO

As
grandes mídias têm denunciado os diversos esquemas de corrupção que afetam diretamente o País, mas pouco se tem conseguido no sentido de reverter o cenário atual. Entretanto, neste mesmo contexto, alguns meios de comunicação voltados ao público infanto-juvenil, como a Revista Viração (www.revistaviracao.com.br) e o site da ONG Onda Jovem (http://ondajovem.terra.com.br), garantem que o jovem brasileiro já se interessa por política e tem o que dizer sobre as conseqüências dos atos dos governantes sobre suas vidas atual e futura.
Este tipo de mobilização vem ganhando espaço e manifesta sua força às vésperas das eleições dos dirigentes do País para os próximos 4 anos.

ATIVIDADE

Para promover a reflexão sobre as Eleições 2006 em sala de aula, peça aos alunos para que elaborem propostas de “planos de governo” para a realização de melhorias na comunidade de entorno da escola. As melhores idéias serão escolhidas por meio de um processo democrático.

OBJETIVO

Com esta atividade, os alunos discutirão em aula temas polêmicos como corrupção na vida pública, voto consciente, programas de governo e cumprimento de promessas eleitorais, entre outros tópicos essenciais para o entendimento da natureza da vida democrática.

DESENVOLVIMENTO

1) Aproximação ao tema: faça um grande círculo com seus alunos e apresente a proposta de se construir conjuntamente um programa de governo. Separe, em seguida, a turma em 5 grupos. Dê a cada grupo uma tarefa constituída por um debate em torno de alguns pontos relacionados à democracia representativa. Cada grupo deverá transferir para uma cartolina os resultados a que chegarem.

Grupo 1 - O que diferencia uma forma autoritária (ditatorial) de uma forma democrática de governo?

Grupo 2 - Quais questões de interesse público devem estar presentes num plano de governo de um candidato a cargo público, no Brasil?

Grupo 3 - Quais deveriam ser as prioridades de um plano de governo voltado para atender às necessidades de sua comunidade?

Grupo 4 - Quais deveriam ser as prioridades de um plano de governo voltado para atender às necessidades do Brasil?

Grupo 5 - Como os governantes deveriam prestar contas à comunidade sobre o cumprimento de suas metas?

2) Debate: com todos de volta ao círculo, peça que exponham as idéias resultantes dos debates, pedindo a um membro de cada grupo que explique o pensamento dos colegas. Solicite aos alunos que retornem aos grupos para a elaboração de um plano de trabalho destinado à melhorar a vida na comunidade do entorno da escola. Como resultado, os alunos podem produzir um cartaz com um texto, poema, uma música ou um spot radiofônico que sintetizem as idéias identificadas na discussão.

AVALIAÇÃO

Em círculo, cada grupo deve apresentar suas sugestões. Depois, promova uma avaliação das sugestões, tendo como critério a coerência do plano com as necessidades da região. Faça, então, uma votação secreta para escolher a proposta que mais atende às necessidades da comunidade. A proposta vencedora poderá ser encaminhada pelo diretor da entidade à autoridade política mais próxima à região considerada.

MULTIPLICANDO

As escolas que dispuserem de equipamento de rádio comunitária poderão desenvolver uma série de 5 programas, no qual cada grupo apresentará sua proposta, desta vez para melhorar a própria escola.
A seguir, a escola organizará uma votação com todos os professores e alunos para a escolha da melhor proposta, para que toda a comunidade escolar comece a ter contato com o processo eleitoral a partir de uma vivência política específica: lutar pela melhoria da vida da comunidade em que cada um está inserido.


Equipe de Consultoria Educomunicativa: Izabel Leão e Ana Paula Ignácio 


JORNAL DA TARDE – 24/09/2006
NOTAS

Sindicato realizará congresso na Capital
 

O Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) realizará, de 16 a 20 de outubro, a 17ª edição de seu congresso anual, no Palácio das Convenções do Anhembi, com o tema 'Desafios da Educação Atual'. A abertura oficial do evento será no dia 16, às 17h30, no Auditório Celso Furtado, com a presença de várias autoridades e especialistas em educação. (www.sinpeem.com.br)

Site da 'Nova Escola' traz aulas do 'JT' 

Os professores têm acesso à todos os planos de aula publicados pelo JT, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da USP, por meio do site da Revista Nova Escola: www.novaescola.org.br, que traz várias sugestões de atividades elaboradas por educadores. Agora, as edições da Revista Nova Escola também contam com um caderno especial com sugestões de atividades para a educação infantil.

Educador Social será tema de palestras 

O Senac -SP, o Mackenzie e a PUC-SP promovem no dia 4 de outubro, das 19h às 22h30, na unidade do Senac Consolação, o 4º Fórum de Educadores, com o tema 'Educador Social'. Entre os palestrantes estão Lourdes Alves de Souza, Carlos do Prado e Pedro Pereira dos Santos. A entrada é franca. Inscrições: 11-2189-2100.

JORNAL DA TARDE – 23/09/2006
Arte muda realidade de escola da Zona Norte
 

MARIA REHDER 

Em vez de lousa, giz, lápis e caderno, os alunos da Escola Estadual Tarcísio Álvares Lobo, Zona Norte, fazem uso do próprio corpo e de materiais simples como fio de lã e balas de chocolate para aprender a história da arte por meio da expressão corporal e dos jogos lúdicos.
Esses são alguns dos segredos do sucesso das aulas do professor Pio Santana, que, em 1999, decidiu migrar do seu ateliê de pintura para a rede pública de ensino. “Vi que era o momento de atuar na área da educação, pois queria fazer com que os alunos, principalmente de regiões periféricas, não só aprendessem arte, mas pudessem vivenciá-la.”
O professor conta que a mudança de área não foi tão fácil. “Desde 1999, dedico todos os meus sábados para trocar experiências com outros educadores, pois pude ver que o conhecimento integral do assunto não era suficiente para que o professor desse uma boa aula. Era preciso planejamento.”
A criatividade é característica marcante deste professor, que faz com que a participação ativa de seus alunos chame a atenção de toda a escola. Como exemplo, Pio Santana cita as atividades de performance, que têm o objetivo de fazer com que os alunos vivenciem a leitura de uma obra de arte ou representem um período da história por meio da expressão corporal. “Levo as minhas turmas para o pátio para que todos apreciem seus trabalhos. Fico feliz em ver que eles realmente têm assimilado os conceitos com facilidade.”
É o que confirma Davi Rosa de Brito, aluno do 3º ano do Ensino Fundamental. “A aula do professor Pio é muito animada. Outro dia aprendi a diferença entre arte abstrata e arte concreta jogando dama. Ele criou umas peças que representavam cada estilo de arte. Com o jogo, a gente conseguiu entender com facilidade, foi legal.”
Davi, que durante o dia faz bicos como auxiliar geral, destaca que as aulas de arte são relaxantes. “Em todas as aulas ele nos delega a tarefa de escolher um CD a ser tocado em classe, mesmo com gostos musicais diferentes, todos acabam se entendo. O professor é muito extrovertido, ele participa das atividades.”

Gestão participativa

Pio destaca que seu trabalho só é possível por causa da abertura da equipe pedagógica da escola. “O diretor faz questão que os professores saiam da sala de aula, usem de forma criativa todos os espaços.Nossa próxima atividade será um estúdio fotográfico com máquinas de latinha, o qual estará aberto para toda a comunidade.”
Segundo Wilson Almeida Amaral, diretor da Escola Estadual Tarcísio Álvares Lobo, o incentivo ao trabalho artístico e cultural foi uma estratégia que levou a escola a reduzir em 12% os índices de retenção de alunos e chegar a evasão nula nos períodos da manhã e da tarde. “Assumi o cargo há 5 anos, tínhamos problemas de indisciplina, o espaço físico da escola estava ‘minguando’. Hoje, tudo mudou”, afirma.
O diretor destaca que a liberdade de criação aos professores foi fundamental para que a comunidade criasse um vínculo com a escola, o que levou a melhora de desempenho dos alunos e fez com que seus familiares participassem do projeto pedagógico. “Os resultados têm sido ótimos, o trabalho do professor Pio Santana é um bom exemplo pois, além de ensinar arte, desinibe os alunos.”


Teatro integra alunos e comunidade 

Segundo Wilson Almeida Amaral, diretor da EE Tarcísio Álvares Lobo – considerada a maior escola da região com 3,6 mil alunos –, o teatro tem sido peça-chave para promover a integração da comunidade local com a escola. “Contamos com um público de cerca de 5 mil pessoas em nossa última temporada. Nosso teatro é um verdadeiro espetáculo, pois levamos muito a sério, ficamos em cartaz com a peça por vários meses.”
No dia 7 de outubro, a EE Tarcísio Álvares Lobo estréia a peça O Fantasma da Ópera, que será apresentada às 20h com um cenário produzido pela comunidade, que não deixará nada a desejar para as grandes produções culturais. “Pretendemos ficar em cartaz até março de 2007, pois além de ser uma forma de lazer para a comunidade, também faremos uma arrecadação de alimentos para que possamos entregar cestas básicas aos pais de alunos mais carentes.”
A Escola Estadual Tarcísio Álvares Lobo fica na Rua Estela Borges Morato, 500, Bairro do Limão, Zona Norte. Os interessados em ver a peça devem trocar o convite por 1 kg de alimento. Informações: 11-3931-2932.

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