16/10/2006 – CLIPPING

O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.
FOLHA DE SÃO PAULO E FOLHA ONLINE –12/10/2006 - 09h42
Lula anuncia pacote para a educação
Folha de São Paulo ,
Em um evento com cerca de 300 pessoas no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou ontem um pacote com nove medidas para a educação --uma de suas principais bandeiras eleitorais--, das quais três são projetos que dependerão de votação no Congresso e três tratam de aquisição de materiais e equipamentos para escolas públicas e universidades federais.
O anúncio ocorre a 18 dias do segundo turno da eleição. O governo pretende gastar entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões nessas compras. Além disso, Lula sancionou uma lei que cria 9.124 cargos de professores e técnicos para as instituições federais de ensino tecnológico e universidades. A medida é uma antiga reivindicação de dirigentes e reitores, que hoje se reúnem com Lula em evento de campanha em Brasília.
Uma das poucas medidas com aplicação imediata é a que reduz os juros cobrados no Fies (programa de financiamento estudantil), beneficiando cerca de 380 mil alunos que já têm contratos de financiamento e outros 100 mil que terão a partir deste semestre (leia texto nesta página).
Na solenidade, a segunda oficial da qual Lula participa na semana, o presidente não discursou. Coube ao ministro da Educação, Fernando Haddad, lembrar que parte das medidas anunciadas atende a promessas feitas nas eleições de 2002. "O senhor termina seu mandato com todas as escolas públicas de ensino médio com pelo menos um laboratório de informática, conforme a promessa de campanha de 2002", discursou Haddad.
A presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Juçara Dutra Vieira, a única convidada a falar, usou tom semelhante ao que vem sendo adotado pela campanha petista neste segundo turno: "O Brasil precisa superar o impacto das políticas neoliberais na educação. [...] Queria registrar o papel importante que os ministros Tarso Genro e Fernando Haddad tiveram na reversão dessa política [neoliberal]".
Antes disso, Juçara lembrou a importância de programas de valorização dos professores da rede pública e fez apelo ao Congresso para que aprove o Fundeb (novo fundo para financiamento da educação básica).
Em entrevista após a solenidade, o ministro Haddad negou ligação do anúncio com o período eleitoral. "Um mandato de presidente tem quatro anos. Até 31 de dezembro de 2006 todas as medidas que puderem ser tomadas pelo país têm de ser tomadas. Temos que sair, sobretudo na educação, dessa situação que paralisa o país porque entrou no calendário eleitoral", afirmou.
FOLHA ONLINE – 14/10/2006 - 08h58
Escolas de SP adotam práticas alternativas na educação física
AMANDA POLATO
Colaboração para a Folha de São Paulo
Nada de abdominal ou corrida em volta da quadra. Em alguns colégios de São Paulo, a regra da aula de educação física agora é entrar em atividades diferentes: escalada, ioga e carrinho de rolimã.
E tem gente que curte as novidades nas quadras. Para Lorenzo Baraldi, 8, "a educação física normal é chata". 'Só porque não corro rápido me escolhem por último para os times", diz.
Lá na Escola Lourenço Castanho, o menino prefere uma aula complementar e diferente, chamada de "educação do movimento", em que as crianças fazem brincadeiras corporais.
Elas imitam coisas e bichos, brincam de pega-pega do silêncio (não vale falar), correm, param em posições diferentes, sem tocar os pés no chão. Em grupos, formam quadrados e estrelas.
Mas há invenção para todos os gostos. Os mais tranqüilos curtem as aulas de ioga no Colégio Hugo Sarmento. "É um relaxamento. Quando eu estou ansioso antes da prova, faço ioga, e ela ajuda a ficar mais calmo", diz Davi Cunha, 10.
Já para diminuir a competição nas aulas, muitos professores optam pelos jogos cooperativos, em que é mais importante se divertir do que ganhar ou perder. "É legal porque a gente pode se ajudar e também mudar as regras", diz Ianá Trentini, 9, da Escola Castanheiras.
E aqueles que curtem esportes radicais também têm vez na aula de educação física. É o caso de Caroline Sampaio, 9, da Escola Cidade Jardim Playpen, que prefere encarar os desafios das paredes de escaladas às "confusões" da aula tradicional. "Sempre tem gente que sai chorando da educação física porque todo mundo quer ficar no time dos melhores. A aula de escalada é mais tranqüila."
No vôlei ou na escalada, uma coisa é certa: "Na aula de educação física, você tem de se esforçar e se enturmar com todo mundo", explica Maria Luisa Oliveira, 9.
FOLHA ON LINE – 12/10/2006
Disciplina no ensino
Para variar, comento uma boa notícia. A Fuvest anunciou que vai acabar com a divisão de disciplinas na primeira fase de seu vestibular, o qual seleciona os alunos que estudarão na USP. A idéia é avançar na interdisciplinaridade e exigir do aluno mais reflexão e menos memorização --objetivos louváveis.
É claro que alguns vão chiar. Candidatos e professores de cursinho já se queixam do pouco tempo de que vão dispor para se adaptar à nova situação. Afinal, a próxima prova ocorrerá no final de novembro e a mudança foi divulgada no início de outubro. Não é, porém, esse o tipo de reclamação que me interessa. Preocupam-me mais as objeções dos que vêem na alteração o risco de um nivelamento por baixo. Questões que misturam conteúdos de várias disciplinas tendem a ser mais genéricas. Se o número delas aumenta, diminui o espaço para propor perguntas que testem mais a fundo o nível de conhecimento do candidato.
Tal perigo é real, ainda que a eventualidade de uma prova burra não seja conseqüência necessária. Pelo menos em teoria é perfeitamente possível elaborar testes inteligentes sem recurso à divisão estanque das matérias. Mas eu vou um pouco mais longe e me pergunto se é mesmo o caso de cobrar tantos conteúdos dos candidatos.
O programa da Fuvest 2007, por exemplo, não fica nada a dever a um plano de enciclopédia. Talvez não a "Britannica", mas pelo menos uma "Barsa". Ninguém é claro precisa me convencer da importância de conhecer a tabela periódica --um dos mais brilhantes e bem-sucedidos esforços de catalogação já concebido pela mente humana-- ou das belezas recônditas da trigonometria. Mas tudo somado talvez seja demais, principalmente se a extensão dos saberes exigidos se dá à custa da assimilação dos conceitos mais elementares.
Essa hipótese não é minha, mas de especialistas norte-americanos que fazem parte do Project 2061 (www.project2061.org), ligado à AAAS (Associação Americana para o Progresso da Ciência). Eles passaram mais de 15 anos analisando os "curricula" e o desempenho de estudantes em matérias científicas e elaboraram uma série de sugestões para o ensino fundamental e médio dos EUA. Elas incluem a redução dos tópicos abordados pelas escolas, a remoção de detalhes considerados desnecessários e a limitação do vocabulário ao mais essencial. Em biologia, por exemplo, ficam gene, membrana e célula caem fora mitocôndria, complexo de Golgi e ribossomo.
À primeira vista, a idéia pode parecer estapafúrdia. Já que a garotada não está aprendendo direito, vamos facilitar-lhes a vida e ensinar menos coisas. Só que o caso não é exatamente este. Na análise dos especialistas, os programas miraram em coisas demais e acabaram perdendo o foco. Em meio a um mosaico de conteúdos apresentados em boxes ricamente ilustrados no material didático, o aluno deixa de fixar os conceitos mais fundamentais. Quando tudo se torna importante, nada mais importa muito.
Exemplo eloqüente da ignorância com diploma é o de um vídeo do Observatório Astrofísico Harvard-Smithsonian, divulgado poucos anos atrás, que chocou a comunidade científica dos EUA. Entrevistadores perguntavam a alunos da 4ª série e a formandos do prestigioso Massachusetts Institute of Technology (MIT) de onde vinha a massa das árvores. As respostas dos dois grupos foram muito parecidas: do sol, da água, do solo. Obviamente todas elas estão erradas. Os alunos do MIT ficaram surpresos quando foram informados de que a matéria das árvores vinha do dióxido de carbono atmosférico, isto é, do ar. "O ar não poderia pesar tanto", comentou um dos formandos do MIT. É claro que o vídeo foi editado. Mas o simples fato de haver pelo menos um graduando do MIT que não tenha assimilado o conceito de matéria já é inquietante.
Acho que podemos extrapolar essas condições para o Brasil. Nossos alunos se saem bem pior do que seus homólogos norte-americanos nos testes de desempenho internacionais e, por incrível que pareça, nossos programas no ensino médio podem ser ainda mais extensos que os dos EUA.
Dou um passo além e afirmo que a situação nas humanas não é muito diferente. Embora seja filósofo por formação vejo com certa desconfiança a inclusão de filosofia, sociologia e outros penduricalhos na rede obrigatória. Em princípio, todo saber é bem-vindo, mas não creio que faça muito sentido tentar ensinar Kant ou Hegel a quem ainda enfrente dificuldades para interpretar textos bem mais simples, categoria em que se enquadra a maioria de nossos formandos na 8ª série.
Parece-me mais lógico investir pesadamente em leitura e matemática nas séries iniciais para só depois diversificar --e sempre se certificando de que os conceitos centrais foram não apenas decorados, mas apreendidos. É relativamente fácil ensinar filosofia e ciência a um jovem que saiba ler com competência e domine noções fundamentais de álgebra e geometria. Já descobrir ao final do ensino médio que o aluno não consegue nem seguir um manual de instruções de eletrodoméstico é um desastre.
Assim, torna-se especialmente importante que instituições como a Fuvest sinalizem com mudanças que valorizem mais a reflexão do que os conteúdos propriamente ditos. É que, por força de um daqueles mecanismos malucos tão comuns no Brasil, não é o Ministério da Educação que fixa o programa de ensino no país, mas sim os vestibulares mais concorridos como o da USP. O que quer que a Fuvest exija se converte em cânon e passa rapidamente a integrar os "curricula" de cursinhos e escolas públicas e privadas. A alteração no vestibular vale mais pelo que ela pode representar para o ensino em geral do que para o processo seletivo da USP. A medida é ainda mais bem-vinda quando se a coloca no contexto da valorização de outros sistemas de avaliação como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que vem ganhando espaço. Pode ser o começo do fim do vestibular.
Não me entendam mal. Longe de mim querer rebaixar o nível. Pelo contrário, se devo ser acusado de algo nessa seara é de elitista. Penso que o Brasil deve contar com duas ou três universidades de ponta, que, pelo menos em alguns nichos, disputem o título de melhores do mundo. É difícil, mas não impossível. E, para tentar chegar lá, não existe mágica. É preciso selecionar os melhores alunos numa avaliação estritamente acadêmica. Nada contra equilíbrio racial, de sexo ou a preocupação com o voluntariado social. Considerações desse tipo até podem entrar no sistema de seleção para as universidades em geral, mas não para as instituições hipercompetitivas que vão disputar milimetricamente com suas congêneres no exterior. Nesse ambiente, dedicar-se ao serviço social é sinônimo de desperdiçar preciosas horas de estudo.
Hélio Schwartsman , 41, é editorialista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas.
O ESTADO DE SÃO PAULO – 15/10/2006
LIVROS: Lançamentos no Brasil
A vida política do País em prosa e imagens
Resmungos
Ferreira Gullar
Imprensa Oficial
203 págs., R$ 65
“Este livro foi concebido muito mais em função das ilustrações de Antonio Henrique Amaral do que de meus textos”, destaca o poeta e escritor Ferreira Gullar. Os dois autores lançam o livro na quarta-feira, a partir das 19 h, na Livraria Cultura (Av. Paulista, 2.073). O livro reúne crônicas publicadas boa parte no ano passado no jornal Folha de S. Paulo. “Naturalmente escolhemos aquelas menos ‘datadas’, embora uma boa parte delas fale da crise política que abalou o País em 2005. Isso, por outro lado, determina a originalidade deste livro, que é de arte mas comprometido com o conjuntural. Mas sua permanência está garantida pela qualidade das ilustrações de Antonio Henrique e criatividade da diagramação.”
Contos que fazem um convite à solidão
A Máquina de Ser
João Gilberto Noll
Nova Fronteira
160 págs., R$ 22
Cada um dos 24 contos deste livro é um convite à observação da solidão. O autor concentra suas narrativas em um campo especial - o do pensamento, insondável e impenetrável, onde o ser humano é obrigado a ser só. Em meio aos gestos triviais do cotidiano, seus personagens tentam se encontrar na vastidão de suas mentes, onde não há fronteiras entre o que é vivido e o que é imaginado, sonhado ou fantasiado. Como destaca Paulo Scott, na apresentação, a disposição temática dos contos reunidos contempla uma diversidade de narradores e atmosferas cujo encadeamento confirma e, ao mesmo tempo, renova a habilidade que o autor tem de surpreender.
A visão de Gilberto Freyre sobre o futuro
Insurgências e Ressurgências Atuais
Gilberto Freyre
Global, 368 págs., R$ 54
Esta obra representa o pensamento vivo do sociólogo Gilberto Freyre sobre as transformações sociais, políticas e culturais que se instauravam no mundo, identificando o aparecimento de elementos até então desconhecidos, como a valorização da tecnologia e o papel da burocracia. Freyre também faz algumas considerações interessantes a respeito do islamismo. Vamireh Chacon destaca que estamos diante da “síntese do que Gilberto Freyre pensava do futuro a partir do passado e do presente, no que denominava tempo tríbio. Ele não era contra o desenvolvimento e a modernização em si, e sim contra esta sinonímia em sentido linear, em vez de imersa na dialética de insurgências e ressurgências pacíficas ou mesmo violentas”.
O clássico de Tolstoi de volta às prateleiras
A Morte de Ivan Ilitch
Lev Tolstói
Editora 34
92 págs., R$ 27
Em 1883, pouco antes de morrer, o escritor russo Ivan Turguêniev escreveu a Tolstoi: “Faz muito tempo que não lhe escrevo porque tenho estado e estou, literalmente, em meu leito de morte. Na realidade, escrevo apenas para lhe dizer que me sinto muito feliz por ter sido seu contemporâneo, e também para expressar-lhe minha última e mais sincera súplica. Meu amigo, volte para a literatura!” O pedido de Turguêniev está ligado ao fato de Tolstoi ter abandonado a literatura para se dedicar à vida espiritual. Não se sabe ao certo qual foi a influência de Turguêniev, mas Tolstoi retornou com um texto considerado por Nabokov como uma das obras máximas da literatura russa. Tradução de Boris Schnaiderman.
Um editor que fez história na Europa
Feltrinelli - Editor, Aristocrata e Subversivo
Carlo Feltrinelli
Conrad, 400 págs., R$ 53
Esta é uma biografia eletrizante de um aristocrata subversivo que, como editor, virou a Itália de cabeça para baixo. Herdeiro de uma tradicional família de Milão, no final da Segunda Guerra Mundial, Giangiacomo Feltrinelli entrou para o Partido Comunista italiano. Trabalhou na área financeira e na imprensa do PCI, infiltrou-se em conversas de poderosos para conseguir informações para o partido e chegou a ser preso por colar cartazes. Ao fundar a editora Feltrinelli, ficou à frente da edição em italiano de autores como Saul Bellow, Henry Miller e Jack Kerouac, além de ser o responsável pela publicação internacional do best seller Doutor Jivago, de Boris Pasternak, censurado na antiga URSS.
História dos livros e livros que fizeram história
Livros, Tudo o Que Você não
Pode Deixar de Ler
Christiane Zschirnt
Globo, 392 págs., R$ 34
A autora reúne cerca de 100 obras que permitem ao leitor caminhar com segurança pela herança cultural do Ocidente e pelos campos tortuosos da história, da criação literária e da contemporaneidade. “A autora mistura escritores da chamada ‘alta literatura’, como Dante, Cervantes, Stern, Goethe, Proust, Thomas Mann, Shakespeare e Joyce, pensadores de campos diversos como Maquiavel, Rousseau, Freud, Marx entre outros e autores ou obras que são significativos de certas facetas do mundo contemporâneo como Sade, Pato Donald e George Orwell. Ela organiza esses autores a partir de 15 temas, quase todos articulados pelas noções de público e privado. Somando-se elementos biográficos e históricos.
O ESTADO DE SÃO PAULO – 15/10/2006
LIVROS: Lançamentos no mundo
O amplo conceito de capital social
Le Capital Social
Sophie Ponthieux
La Découverte
121 págs., R$ 55,25
Depois da metade da década de 90, uma abundante literatura surgiu a respeito do conceito de capital social. A variedade de questões sobre esse assunto poderia deixar qualquer um perplexo: do êxito escolar infantil ao sucesso de certos projetos de crescimento, da mortalidade nos países em desenvolvimento à performance econômica dos empresários, o capital social parece ser aplicado a quase tudo. Um conceito miraculoso? O livro discute a pluralidade de acesso às informações e a falta de vigor da força individual. A obra propõe uma análise dos conteúdos e conceitos do capital social e tem a ambição de auxiliar o leitor a entender esse fenômeno contemporâneo.
Sociologia e seu estudo, sempre perto de Durkheim
Bruno Karsenti
Economica
212 págs., R$ 156
Dentro de suas diferentes tendências, mesmo aquelas que parecem antagônicas, a sociologia contemporânea habitualmente retorna ao pensamento de Durkheim. Há ali um paradoxo, um paradigma. Os estudos reunidos neste livro privilegiam a radicalidade de certo pensamento e a compreensão de estudos comuns. Trata também de uma teoria social que se afirma em oposição aos conceitos filosóficos dominantes em sua época. E que também modifica o âmago das questões relativas às formas de pensamento e de ação, à construção da individualidade e do status da verdade. Durkheim, como lembram os manuais de sociologia, deveria ser considerado um dos fundadores da sociologia científica.
Encontro complexo entre Kant e Descartes
Descartes e Kant
Vários Autores
PUF
551 págs., R$195
O ano de 2004 foi lembrado como o aniversário dos 200 anos da morte de Emmanuel Kant. Os dois centros de pesquisas das Universidades de Lecce e de Paris-Sorbonne que colaboram habitualmente nos estudos cartesianos e, amplamente, na história da filosofia moderna, uniram nesta ocasião seus esforços para render uma homenagem comum ao filósofo alemão privilegiando a investigação. Este livro traz o trabalho resultante de dois encontros internacionais sobre o assunto. O confronto entre Renée Descartes e Kant pode estimular uma série complexa de questões, de conceitos e de teses, segundo toda a indeterminação de termos e de um sistema de pensamento.
O ESTADO DE SÃO PAULO – 15/10/2006
NOTAS
Escrita e memória no império
A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP promove o Colóquio Internacional Escrita, Memória e Vida Material: Formas de Transmissão da Cultura Letrada no Império Português, de terça a sexta-feira, na Casa de Cultura Japonesa, na Cidade Universitária. As inscrições são gratuitas (informações pelo telefone 3091-2101). A proposta é refletir sobre as formas de construção de culturas integradas e multifacetadas, tanto nos espaços das colônias, como nas cortes ibéricas, entre os séculos 16 e 19, além de aprofundar o debate historiográfico acerca dos métodos e formas de abordagens da História Cultural.
A história e a revolução
A Alameda Casa Editorial organiza entre terça e quinta-feira o ciclo de palestras História e Revolução na Universidade de São Paulo, no auditório da faculdade de geografia. Os debates ocorrem das 17h30 às 19h30. Para abrir, Eunice Ostrensky e Modesto Florenzano falam sobre Os Levellers e a Revolução Inglesa. Quarta-feira o debate terá como tema O Iluminismo e os Precursores da Revolução Francesa e será conduzido por Paulo Jonas de Lima Piva e pelo comentador Henrique Carneiro. Para fechar, Lincoln Secco, juntamente com o professor convidado do Departamento de Ciências Sociais, Bernardo Ricupero, discutirão Gramsci e a Revolução Russa.
Uma homenagem a Sérgio Buarque
A revista de História da Biblioteca Nacional comemora um ano de publicação com evento literário muito especial: um debate com o historiador José Murillo de Carvalho e com Ângela de Castro Gomes. Eles comentarão os 70 anos de aniversário da primeira edição do livro Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Hollanda. Um clássico da história contemporânea. Será manhã, na Livraria Arteplex (Praia de Botafogo, 316, tel. 21 2559-8776), no Rio, a partir das 19 horas. O evento terá entrada franca. Após as explanações, o público poderá participar e fazer perguntas para os debatedores. A revista é mensal e conta com uma tiragem de 30 mil exemplares.
O ESTADO DE SÃO PAULO – 14/10/2006
Semana vai levar conhecimento científico a 263 cidades do País
Jornada terá como modelo Alberto Santos-Dumont, cujo vôo no 14-Bis completa 100 anos. Veja o Especial
Cristina Amorim
A 3ª edição da Semana de Ciência e Tecnologia começa na segunda-feira com um pé no futuro e um no passado: o tema, criatividade e inovação, tem como modelo o brasileiro Alberto Santos-Dumont, cujo vôo no 14-Bis completa 100 anos no dia 23, o último dia do evento.
A iniciativa do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) contará, neste ano, com 5.774 atividades cadastradas - três vezes mais do que na primeira edição, em 2004. São palestras, debates, exposições, entrevistas, oficinas, mostras de vídeo, peças de teatro, visita a escolas e workshops sobre temas variados. Entre eles, estão astronomia, ambiente, direito e medicina - além de, claro, muita conversa sobre Santos-Dumont e sua importância dentro da história da aviação.
'Este é o terceiro ano consecutivo das atividades. No Brasil, é uma conquista um projeto deste tipo ter continuidade', afirma o coordenador da semana no MCT, o físico Ildeu de Castro Moreira. Em 2006, mais de 800 instituições estão envolvidas, entre escolas, universidades, institutos e centros de pesquisa e tecnologia.
Os participantes estão divididos em 263 cidades em todos os Estados. Quem quiser oferecer uma atividade pode procurar a coordenação da semana. Os telefones para contato e toda a programação podem ser encontrados no site oficial do evento (semanact2006.mct.gov.br). É preciso fazer um cadastro com os dados da escola ou instituição interessada.
O público esperado é o mais variado: vai de leigos, que terão acesso à informação em praças, a universitários e profissionais especialistas. Há projetos itinerantes voltados para áreas periféricas de grandes cidades como Rio e Porto Alegre. O objetivo é que o conhecimento seja difundido entre quem não costuma ter acesso aos principais centros de pesquisa e educação.
Mas o foco são os estudantes dos ensinos fundamental e médio. 'O Brasil precisa desenvolver crianças com capacidade de se tornarem adultos criativos', afirma Moreira. Por isso a escolha de Santos-Dumont como tema, símbolo nacional de inventividade, inovação e visão de futuro.
HOJE
A Semana de Ciência e Tecnologia foi criada por um decreto presidencial em 2004. Os organizadores da primeira edição, realizada no mesmo ano, aproveitaram um eclipse total da Lua para colocar todos os participantes com a cabeça voltada para o céu. No ano seguinte, o tema escolhido para o evento foi a água e a importância da preservação do recurso natural para seu uso por esta e para as próximas gerações.
Apesar de ser um projeto ainda jovem, Moreira acredita que ele já mostra sinais de consolidação na agenda de vários Estados - alguns começam a replicar o modelo em semanas estaduais e municipais.
Na mão contrária do que costuma acontecer em iniciativas ligadas a órgãos públicos, o físico acredita que ele não será deixado de lado por administrações futuras. 'Houve adesão muito grande de secretarias de Ciência e Tecnologia em todos os Estados, que seguem partidos diferentes. Isso porque esta é uma atividade suprapartidária, é uma política de Estado, não de governo.'
JORNAL DA TARDE – 16/10/2006
O poder dos jovens em novo livro
A força transformadora dos adolescentes, a criação de espaços para o diálogo franco entre jovens e adultos e a promoção de oportunidades para a expressão criativa e responsável do seu potencial são o mote do livro Protagonismo Juvenil, que será lançado na quarta pela Editora FTD, em parceria com a Fundação Odebrecht. Segundo os autores, Antonio Gomes da Costa e Maria Adenil Vieira, os jovens têm o direito e o dever de serem autores da sua história e da história do seu país. Com o subtítulo 'Adolescência, educação e participação democrática', a obra traz também depoimentos de jovens que participaram de programas instituídos
JORNAL DA TARDE – 16/10/2006
Aprendendo longe de casa
Qual é a melhor idade para crianças ou adolescentes estudarem no exterior?
PAULA DOURADO
Eles não têm idade para dirigir e ainda não tiraram o título de eleitor. Choramingaram para ganhar um presente no último Dia das Crianças, mas mesmo assim se dizem preparados para arrumar as malas e estudar no exterior. Existe uma idade ideal para se colocar em prática o ditado que diz que os pais criam seus filhos para o mundo?
Segundo a pedagoga Betina Serson, o intercâmbio deve ser muito bem programado para que o investimento não se transforme em desperdício. 'A partir dos 15 anos, o adolescente já está mais preparado para aproveitar a oportunidade de estudar em outro país. Os benefícios são indiscutíveis: amadurecimento, independência, responsabilidade', afirma.
A psicóloga Silvana Martani, do Hospital Beneficência Portuguesa, explica que a perda do convívio familiar pode ser um choque muito grande dependendo da idade. 'Mesmo que sejam aqueles cursos de férias, passar 1 mês fora de casa é muito tempo para uma criança de apenas 11 anos', diz. De acordo com Silvana, nesta fase, a criança ainda não está preparada para conviver sozinha com suas limitações e controlar o seu estado emocional.
A família do médico Paulo Kertzman resolveu arriscar. A filha mais velha do casal, Gabriela, hoje com 14 anos, viajou pela primeira vez aos 11 para a Suécia, onde ficou durante um mês em um programa de intercâmbio cultural com crianças de diversos países. 'Em julho deste ano fiquei 3 semanas na Jordânia e também já fui para o Equador. Aprendi a controlar a saudade, a me virar. A pior parte é voltar e se despedir dos novos amigos' diz a adolescente. Já para os pais, a volta é sempre um momento de alívio. 'A mãe sofre mais do que eu, mas ficamos com o coração apertado até quando ela chega e vemos o quanto amadureceu', afirma Paulo, que há três meses autorizou a filha caçula, de 11 anos, a ir para a Finlândia.
Independentemente da idade, a orientação das profissionais é para que a família busque, antes do embarque, o máximo de informação sobre o país, a escola e até mesmo a família que irá abrigar seus filhos no exterior. 'Saber o que vai encontrar lá fora facilita a adaptação para os jovens e tranqüiliza os pais', garante a psicóloga.
Nas agências de intercâmbio, o atendimento vai além da venda do curso quando o cliente é criança ou adolescente. 'Oferecemos materiais sobre o país, reuniões pré-embarque e palestras para que os pais possam tirar todas as dúvidas e conversar com outras pessoas que já passaram pela mesma experiência', afirma Ângela Alves, assistente de marketing da STB.
Na agência, Canadá é o destino mais cobiçado pelos jovens, seguido da Inglaterra, EUA, Austrália e Nova Zelândia.
A adolescente Daniela Jerez ganhou de presente de 15 anos um mês de intercâmbio em Vancouver, no Canadá, e afirma que em nenhum momento pensou em desistir da viagem. 'A primeira semana é a mais difícil, por causa da saudade. Mas logo fiz amigos e aproveitei a experiência.' Para a mãe Rosely, o investimento também valeu a pena. 'Apesar de toda a preocupação no começo, hoje vejo que foi positivo e que, na verdade, o tempo passa muito rápido para quem fica na mesma rotina.'
JORNAL DA TARDE – 16/10/2006
NOTAS
Feirão do livro no Anhangabaú
Do dia 18 ao
Mergulhador dá palestra em escola
Física, História, Geografia, Inglês... Quem pensa no dia-a-dia de um mergulhador dificilmente imagina que essas matérias tenham importância em sua vida. Mas têm, e muita. É este um dos principais pontos que serão abordados pelo instrutor de mergulho, cinegrafista submarino, documentarista e repórter Lawrence Wahba na palestra 'Dez Anos em Busca dos Grandes Tubarões' (título de seu novo livro), dada aos alunos do Colégio Augusto Laranja hoje, na unidade Moema. Wahba falará aos jovens sobre a dificuldade de encontrar uma profissão e a vontade de transformar o sonho de viver de mergulho
JORNAL TARDE – 16/10/2006
Ensinando o respeito ao filho
IÇAMI TIBA
Atitude é um estado consciente de uma posição mental interna que rege os comportamentos para que um objetivo escolhido seja atingido. Assim também todas as crianças têm mães. Mas não são todas as crianças que as respeitam, mesmo que as amem. Para respeitá-las, as crianças precisam aprender que as mães têm que ser respeitadas. Assim elas podem respeitar por obediência, mas podem não ter desenvolvido uma atitude de respeito à mãe. É quando a criança reconhece conscientemente a importância da mãe que pode começar a desenvolver uma atitude de respeito à mãe. Antes deste reconhecimento, a criança pode tanto tratar bem quanto maltratar a mãe, dependendo das circunstâncias momentâneas. É necessário que a mãe não aceite maus tratos e reivindique ser bem tratada, explicando sempre que for possível quais os motivos, o que se pretende e o que se consegue com tais comportamentos. Quando atinge este conhecimento, a criança pode optar por tratar bem ou mal a mãe. Assim como a mãe já tem a atitude de querer tratar bem o seu filho, a criança pode ser estimulada a adotar também esta atitude. É preciso que se pratique a escolha para que a criança desenvolva dentro de si a idéia de não querer maltratar a mãe, já que a ama.
JORNAL DA TARDE – 15/10/2006
A censura na história do Brasil
MARIA REHDER
Uma reflexão sobre a liberdade de expressão no campo da comunicação e das artes por meio do debate na escola sobre a perseguição aos autores e diretores de teatro nos períodos de censura prévia no governo Vargas, na década de 40, e na ditadura militar, a partir de 1964.
Esta é a sugestão de aula para alunos de Ensino Fundamental - elaborada com a contribuição da professora Maria Cristina Costa, docente da ECA/USP - proposta pelo JT em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação NCE/ECA-USP, coordenado pelo Professor Ismar de Oliveira Soares.
INTRODUÇÃO
Se alguém acha que a censura é um assunto ultrapassado, está completamente enganado. O tema é tão importante que a Escola de Comunicação e Artes da USP promoverá um seminário internacional neste mês sobre o tema, levando ao público os resultados da pesquisa intitulada “A cena paulista: um estudo cultural de São Paulo, de
OBJETIVO
Esta aula pretende fazer com que os alunos descubram que, numa democracia, o próprio povo é único árbitro capaz de decidir sobre os rumos da produção artística que a ele se destina.
ATIVIDADE PRÉVIA
Sugerimos o estudo do tema a partir da realidade vivida pelo Brasil no período do Estado Novo, cujo presidente era Getúlio Vargas, e no tempo do Regime Militar. No caso, os próprios alunos farão, inicialmente, suas leituras e suas pesquisas para descobrirem o que representaram estes dois períodos na história do Brasil, tanto no que se refere ao papel que sistemas fechados de governo (ditaduras) provocam em termos de controle sobre a produção da cultura, quanto no que diz respeito ao papel dos artistas e dos comunicadores em sua luta por garantir um livre fluxo da informação e da expressão em nosso país.
DESENVOLVIMENTO
Separe a turma em cinco grupos. Peça aos alunos que façam inicialmente uma pesquisa sobre o que foi a Era Vargas (1930 -1945) e a Ditadura Militar (1964-1985), e que tragam o que conseguiram levantar para a sala de aula. Sugira que enfoquem especialmente o tratamento que os governos autoritários deram à imprensa (ver o caso da censura ao jornal O Estado de S. Paulo) e à produção cultural (como a censura à música e ao teatro)
Distribua o texto Ben-Hur, publicado nesta mesma página, que contenha as palavras censuradas pelo governo Vargas. Trata-se de uma peça adaptada de um romance escrito por um autor norte-americano, contando o conflito que existiu na Palestina durante a dominação romana sobre os judeus. Entregue também a letra da música Para não dizer que eu não falei das flores, de Geraldo Vandré, explicando quem foi esse autor.
A seguir, faça um grande círculo com seus alunos e apresente a proposta de se discutir conjuntamente os temas “censura” e “ditadura” a partir dos trechos da referida obra. Peça que cada grupo debata os seguintes tópicos:
1)O que é ditadura? Quais são suas principais características?
2)O que é censura? Por que os meios de comunicação e peças artísticas - peças teatrais, filmes, músicas, telejornais, jornais impressos, entre outros - tendem a ser censurados parcial ou totalmente por representantes de governos ditatoriais?
3)Quais foram os interesses do governo Vargas ao censurar as palavras “Roma” e “romanos” que constam da obra Ben-Hur? De que forma tais palavras poderiam influenciar as pessoas contra Vargas?
4)Quais foram os interesses do governo militar ao censurar a música de Geraldo Vandré, além de persegui-lo? De que forma essa letra influenciaria as pessoas contra o governo militar?
5)Quais as conseqüências da censura junto aos meios de comunicação e peças artísticas para o desenvolvimento da Nação?
Os resultados da discussão deverão ser anotados em cartazes que serão apresentados e expostos para a classe. Ao final, faça um novo grande círculo e peça aos alunos que realizem uma reflexão conjunta final sobre a existência da censura nos dias atuais.
O PAPEL DO EDUCADOR
O papel do educomunicador nessa tarefa é colaborar com os estudantes no sentido de que produzam um conhecimento sólido sobre a importância da liberdade de expressão para a consolidação da democracia.
BIBLIOGRAFIA
COSTA, Maria Cristina Castilho. A censura em cena: organização e análise do Arquivo Miroel Silveira. Relatório Científico apresentado à FAPESP. Junho de 2005.
COSTA, Maria Cristina Castilho. BEN-HUR - um Herói de muitas guerras, INTERCON - Volume 29, N° 1, 2006.
Consultoria Educomunicativa: Carmen Gattás, Luci Ferraz e Izabel Leão
JORNAL DA TARDE – 15/10/2006
NOTAS
Capacitação sobre reciclagem
A Associação Brasileira do Alumínio (Abal) está oferecendo capacitação gratuita sobre reciclagem de alumínio para coordenadores pedagógicos e professores de Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas e privadas no dia 27 – Dia Nacional da Reciclagem do Alumínio – no Museu Brasileiro de Escultura (Mube). Inscrições podem ser feitas pelo e-mail assessoria2@segmentocomunicacao.com.br e por tel:11-3039-5617.
Inscrições abertas para curso gratuito
Educadores das escolas públicas brasileiras já podem se inscrever para o curso gratuito e à distância sobre prevenção ao uso de drogas, oferecido pelo Ministério da Educação (MEC).
A ficha de inscrição estará disponível na página eletrônica www.cead.unb.br/senad até o próximo dia 30.
O início do curso está previsto para 15 de novembro.
Site na ‘nova escola’ traz aulas do ‘JT’
Os professores têm acesso a todos os planos de aula publicados pelo JT, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da USP, por meio do site da Revista Nova Escola (www.novaescola.org.br), que traz várias sugestões de atividades elaboradas por educadores. Agora, as edições da Revista Nova Escola também contam com um caderno especial com sugestões de atividades para a educação infantil.
Palestra sobre cultura negra
O Projeto Negritude, da Escola de Aplicação da USP, realiza em outubro e novembro eventos sobre a cultura negra. A palestra 'Negritude', do professor e antropólogo Kabengele Munanga, será dia 18 de outubro, às 18h. Já no dia 21/11 ocorre apresentação do CoralUSP com repertório Africano. 11-3091-3503.
