Escola de Sacis

     Resenha de Betania Libanio Dantas de Araújo

     Se você acha que magia é coisa de bruxo inglês, então está na hora de voltar para a escola! [1]

     Djota Carvalho desconstrói a figura lendária Saci-pererê e numa bela ficção atribui novos sentidos aos personagens lendários da nossa cultura popular ao passo que reconstitui os seus primeiros sentidos de origem. Retira os personagens lendários de seu estado de dicionário, ampliando a sua rede de atributos.

     Samanta descobre aos 13 anos que é uma saci. Teleportada para o interior de um bambu, habitação sacízica, passa a viver e estudar numa escola de sacis. Certa vez a escola é sabotada e a menina descobre o culpado. O livro usa e abusa de bom humor, criatividade e relaciona fatos do nosso dia-a-dia com o espaço da lenda.

     Parodia Harry Potter, destruindo os lugares comuns do livro estrangeiro. Temos como heroína uma menina brasileira, adotada, no meio do nosso universo brasileiro. Quando Samanta descobre que Saci-pererê pode ficar invisível pergunta se precisa usar capa. Mas logo descobre que no Brasil saci fica invisível por conta própria, capa só é usada por povos inferiores em magia.

     Na
mente altamente fértil de Djota a imagem do Saci-pererê negro de uma perna só é um erro. No passado, Dito Babosa encontrou-se com Monteiro Lobato e, na tentativa de ficar invisível, só conseguiu invisibilizar uma perna. Dito Babosa é negro, mas na verdade existem sacis brancos, negros, loiros, orientais...

     É uma leitura obrigatória e deliciosa para crianças, adolescentes e adultos.

     Ah, o livro foi lançado propositalmente no Dia das Bruxas, 31 de outubro, que para nós brasileiros virou o Dia do Saci a virar tradição.

     Autor: Djota Carvalho
     Ilustradores: Bira e Ricardo
     Dentro da Caixa Publicações
     144 páginas ilustradas
     Contato: caixa@pandora.art.br
      [1] Texto do marcador do livro Escola de Sacis 

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