Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo
Viagens para aposentados

15/05/2006 – CLIPPING (13 A 15/05)

O ESTADO DE SÃO PAULO – 13/05/2006
Coordenador de ensino no interior cai por falhas em tempo integral

Falta de infra-estrutura do programa, considerado o mais importante do Estado, foi denunciada pelo MP
 

Chico Siqueira
ESPECIAL PARA O ESTADO (ARAÇATUBA
)

As denúncias de mau funcionamento das escolas integrais em diversos municípios do interior do Estado levaram o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, a exonerar o chefe da Coordenadoria de Ensino do Interior (CEI), Élcio Antônio Selmi, e a criar uma coordenadoria especial dedicada exclusivamente ao Programa de Escola em Tempo Integral.
O
programa é tido pelo governo do Estado como o principal projeto na área da educação, mas enfrenta resistências de pais de alunos, que denunciam falta de mínimas condições físicas e pedagógicas para sua prática.
A decisão de Lembo ocorreu três dias depois de a Justiça Estadual suspender o programa na escola Anísio José Moreira, em Mirassol, na região noroeste do Estado. Irritado com a notícia da suspensão, Lembo pediu mudanças urgentes à secretária de Educação do Estado, Maria Lucia Vasconcelos.
No lugar de Selmi, que não foi localizado ontem para comentar o assunto, assumiu a coordenadora da capital, Edna Matos. Ela vai acumular as funções. Para o cargo de coordenador especial das escolas integrais foi indicado Vanderlei Perucci.
Perucci, que assumiu na quarta-feira, disse ontem estar “tomando pé da situação”. Segundo ele, a função da nova coordenadoria é otimizar as ações com a integração das várias equipes que compõem o programa. Ele disse que vai visitar todas as escolas onde foram detectados problemas.
Assim que assumiu o cargo da CEI, Edna Matos se encontrou com o promotor José Heitor dos Santos e com o juiz Ronaldo Merighi, de Mirassol. Ela tentou, mas não conseguiu, convencer os dois a não suspender o programa.
A suspensão, dada em liminar por Merighi na última segunda-feira, começa a valer a partir de segunda-feira, quando todos os 700 alunos do programa na Anísio Moreira estarão dispensados das aulas do período da tarde.
Além de suspender o programa, Merighi interditou o auditório e o ginásio de esportes da escola, que correm o risco de desabar a qualquer momento. As principais falhas apontadas pelo Ministério Público (MP) são falta de refeitório para todos alunos, instalações impróprias de banheiros e salas de aulas, falta de professores capacitados, falta de projeto pedagógico e também de materiais didáticos apropriados.
Além disso, segundo o MP, os alunos ficam confinados no pátio em situação constrangedora. Por isso, pede na ação civil pública uma indenização de R$ 7 milhões aos alunos pela humilhação sofrida. Segundo o promotor, no encontro com Edna Matos, ela argumentou que a repercussão da suspensão poderá refletir nas outras escolas de tempo integral e comprometer o programa em todo Estado. “O MP não tem culpa. Se houver algum problema, a culpa será do Estado, que não soube implantar um programa, que no papel é muito bom, mas, na prática, é peça de ficção”, afirmou Santos.

REFORMA E MATERIAIS

No final da tarde de ontem, a Secretaria da Educação divulgou nota afirmando que a partir de segunda-feira a escola de Mirassol receberá reformas em seu prédio e equipamentos previstos no programa. Diz a nota que serão entregues “material pedagógico, livros paradidáticos, computadores, balcão térmico industrial para refeições, fogão industrial, geladeira, freezer, mesas e cadeiras para o refeitório”.
A Secretaria também anunciou que destinou verba emergencial de R$ 100 mil para reforma do refeitório, salas de aulas e banheiros. A licitação será aberta na segunda-feira.

OUTRAS CIDADES 

O problema com as escolas em tempo integral não se restringe à cidade de Mirassol. Dezenas de outros municípios do Estado também enfrentam situação semelhante.
Em Marília, por exemplo, a Justiça concedeu liminar liberando alunos para almoçar em casa. Em Lins, pais de alunos levam almoço nas escolas e dizem que seus filhos ficam confinados no pátio no período da tarde por falta de professores e materiais didáticos.
Na região do ABC, de acordo com o MP, há pelo menos 29 escolas com problemas semelhantes, assim como em Bauru, Assis, São José do Rio Preto e Jundiaí.

O ESTADO DE SÃO PAULO 13/05/2006
Servidores poderão ver os jogos 

Prefeitura e Estado divulgam esquema de folgas 

SILVIA AMORIM 

Mais de um mês antes da estréia da seleção brasileira na Copa do Mundo da Alemanha, administrações públicas divulgaram os horários de folga para os servidores não perderem um lance dos jogos do Brasil.
Ontem foi a vez de a Prefeitura de São Paulo divulgar sua programação. Em 13 de junho, quando os brasileiros entram em campo para a primeira partida, o expediente nas repartições públicas municipais - escolas, sacolões, subprefeituras, entre outros - vai terminar às 14 horas. O mesmo valerá para o dia 22. Os jogos começam às 16 horas.
Na semana passada, o governo do Estado divulgou sua escala. Otimistas com o desempenho dos jogadores, o prefeito Gilberto Kassab e o governador Cláudio Lembo estenderam a escala diferenciada de horários até as semifinais. Na hipótese de a seleção se classificar para as oitavas-de-final, no dia do jogo, o funcionalismo poderá cruzar os braços e ficar colado na TV entre 11 e 15 horas. Nas quartas e semifinais, o expediente volta a terminar às 14 horas. Embora não haja nada definido caso o Brasil chegue à final, nem é preciso dizer que a folga estará garantida.
As horas não trabalhadas deverão ser compensadas com uma hora a mais por dia de trabalho no início ou fim do expediente. Quem não cumprir poderá ficar com falta.
O governo federal não definiu, até agora, se haverá dispensa do funcionalismo no horário dos jogos, mas é provável que sim. Em 2002, no dia das partidas do Brasil na Copa do Japão/Coréia, o expediente das repartições começou ao meio-dia.
Uma notícia não tão boa para o torcedor, principalmente paulistano, é que são grandes as chances de ele esbarrar nos congestionamentos. Em 2002, o rush da manhã mudou de horário e pegou muita gente de surpresa nos primeiros dias.

FOLHA DE SÃO PAULO 13/05/2006
MEC atrasa o pagamento de 5.505 bolsas


Exigência do Tribunal de Contas da União causou o problema que afeta quase 20% dos mestrandos e doutorandos

SIMONE HARNIK
DA REPORTAGEM LOCAL

O pagamento das bolsas de mestrado e doutorado da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) de 5.505 estudantes de 12 instituições de ensino de todo o país está atrasado. O problema, de acordo com o órgão do Ministério da Educação, foi uma alteração nos convênios que impediu o repasse de verbas.
Segundo a assessoria da Capes, o repasse do dinheiro para as instituições de ensino será feito na próxima terça-feira. Os estudantes deverão receber no dia seguinte. A Capes afirma que a atualização nos convênios (que eram de 2000) foi uma exigência do Tribunal de Contas da União e que o último atraso aconteceu em 2003.
Atualmente, existem 28 mil bolsistas. As bolsas têm valores de R$ 855 para mestrado e de R$ 1.267 para doutorado e deveriam ter sido repassadas no quinto dia útil do mês. No entanto, até agora os estudantes não receberam.
"A gente faz pesquisa. Se parar, pára o desenvolvimento do país", indigna-se Carly de Faria Coelho, 26, aluna do programa de doutorado em farmacologia no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. Só na USP, outros 3.060 estudantes estão nas mesmas condições.
"Estou começando a ficar endividada, porque o bolsista tem de ter dedicação exclusiva. Não tenho outra fonte de renda", diz.
Analice Dias, 27, aluna de mestrado no mesmo instituto, dependia do dinheiro para fazer a mudança de Santos (no litoral paulista) para São Paulo.
"A gente trabalha sábado, domingo e feriado e não tem honorário extra. A bolsa devia cair pelo menos no dia certo. A gente conta com esse dinheiro. É pouco e nem isso tem", afirma Analice.

FOLHA DE SÃO PAULO 13/05/2006
Tênis-patins vira febre e preocupa professores


Colégios em SP já discutem proibir calçado

DANIELA TÓFOLI
AFRA BALAZINA - DA REPORTAGEM LOCAL

Moda entre a criançada, um tênis que se transforma em patins está deixando professores e seguranças de shoppings enlouquecidos. O calçado, que custa entre R$ 80 e R$ 160, é um sucesso principalmente entre a garotada de 5 a 10 anos, que o consideram mais fácil de usar do que o patins tradicional.
A febre é tanta que já há colégios proibindo seu uso. Com cerca de 15 alunos entre 5 e 7 anos que não tiram o tênis-patins dos pés, o Colégio Cidade de São Paulo não deverá mais permitir o uso, para garantir a segurança dos estudantes. "Há uma semana, os alunos começaram a vir com esses tênis", conta a coordenadora pedagógica da escola, Érica Mantovani. "Virou febre e estamos discutindo com os alunos sobre sua restrição."
Para ela, o problema, além das rodinhas, está no próprio tênis. "Ele é muito pesado, tem cano alto que atrapalha na educação física e escorrega demais", diz. "Não é um calçado para a escola e queremos que os alunos só o tragam no dia do brinquedo."
Caetano Barbieri Petrópolis, 10, é fã do tênis-patins. Na sua escola, a Nossa Senhora das Graças, na zona sul, o tênis não é permitido. O menino, que o considera bem mais "divertido" que o tênis normal, costuma usá-lo nos corredores dos shoppings, onde o piso é liso. "Aprendi rápido a patinar. No começo é difícil, mas depois a gente se acostuma", diz ele, que nunca usou patins tradicional.
Nos shoppings, a moda também preocupa. Na maioria deles é proibido andar de patins ou skates, mas as crianças tentam driblar os seguranças. "No domingo passado, estava uma confusão por aqui. Tinha muita criança com esses tênis", conta um segurança do shopping Eldorado, na zona oeste. "É perigoso porque, além de se machucarem, elas podem "atropelar" algum cliente."
Apesar dos riscos, os shoppings estão lucrando com a novidade. No Morumbi, zona sul, o gerente da loja Mundial, Rony Querly, 31, diz que o tênis-patins é o item infantil mais vendido. "Ele chegou no final do mês passado e já estou vendendo cem pares aos finais de semana." Este tênis, nacional, tem apenas uma rodinha no calcanhar e custa R$ 159,90. Para deslizar com ele, é preciso levantar a parte da frente dos pés e dar um impulso.
A vendedora da loja de brinquedos Trends, do Shopping West Plaza, na zona oeste, confirma a procura intensa. "Não temos mais numeração pequena, acabou tudo." Lá, o tênis-patins é importado, tem rodinhas na frente e atrás e custa R$ 80.

FOLHA DE SÃO PAULO 13/05/2006
MEC lança catálogo de cursos de tecnologia

da Folha de S.Paulo

O MEC lançou ontem o Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia, com 90 denominações para os chamados cursos de curta duração --hoje, há cerca de 1.300.
Com isso, também passarão a ser avaliados pelo Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). O catálogo pode ser visto no www.mec.gov.br/setec.
A publicação está em fase de consulta pública e deverá ser alterada. Os cursos fora do catálogo poderão funcionar de forma experimental e, depois, serem incluídos na lista.

FOLHA DE SÃO PAULO 13/05/2006
Grupo pró-cota invade faculdade da USP


Ato parou a avenida 23 de Maio por 20 minutos e depois seguiu para o largo São Francisco, onde ocupou as salas de aula
 

FERNANDA BASSETTE - DA REPORTAGEM LOCAL

Cerca de 3.000 alunos e integrantes da ONG Educafro pararam ontem por cerca de 20 minutos a avenida 23 de Maio, na altura do vale do Anhangabaú, e invadiram as salas da Faculdade de Direito da USP para reivindicar o sistema de cotas nas universidades públicas.
O ato, que pegou de surpresa a PM e a CET, foi anunciado antecipadamente no site da entidade, que trabalha com cursos pré-vestibular comunitários.
Por volta das 19h, horário de trânsito intenso, eles bloquearam a passagem de carros em ambos os sentidos. Deitaram no chão, ergueram faixas e gritavam pedindo igualdade de direitos. Segundo a PM, o ato foi pacífico. "Temos pessoal suficiente para retirar todos daí de qualquer jeito", disse o tenente Daora, que comandou a mobilização policial.
Segundo Eduardo Pereira Neto, coordenador da Educafro, o grupo pretendia paralisar a avenida durante 13 minutos, num ato simbólico para "lembrar a farsa do 13 de maio de 1888" [abolição da escravatura], mas o ato se estendeu. Após liberar a avenida, o grupo, estimado em 600 pessoas pela PM, seguiu para o prédio da Faculdade de Direito e ocupou as salas de aula, que tiveram de ser suspensas. Os vigias tentaram em vão impedir a entrada dos manifestantes, que quebraram os vidros da entrada principal.
Com megafones nas mãos, os manifestantes pediam mais agilidade na discussão do sistema de políticas alternativas para os afrodescendentes e buscavam o apoio público do diretor da faculdade, Eduardo Marchi.
"O negro e o pobre estão cansados de discursos. Queremos que a USP adote um sistema de cotas para o próximo vestibular. Essa manifestação foi um exercício de cidadania para mostrar que somos capazes de parar São Paulo a qualquer momento", disse Pereira Neto.
Ao tentar conversar com os manifestantes, Marchi foi vaiado. "Todos da Educafro já sabem que sou favorável ao sistema de cotas. Acho lamentável que, sem avisar a faculdade, eles entrem aqui de forma tão violenta. Isso só depõe contra a causa legítima, que são as cotas."
Entre os alunos, as opiniões eram divergentes. "Acho a manifestação legítima e sou a favor de cotas para negros e estudantes de baixa renda", disse Gabriel Vinícius Moura, 23, aluno do segundo ano.
Fábio, aluno do primeiro ano que não quis dar o nome completo, disse que o fato de os manifestantes invadirem as salas de aula fez ele ser contra as cotas.

FOLHA ONLINE 12/05/2006 – 17H53
México inaugura maior biblioteca da América Latina

Será inaugurada na próxima terça-feira (16) a Biblioteca Pública Central "José Vasconcelos", a maior da América Latina, em Buenavista (México). Ela terá um acervo de 1,5 milhão de livros e capacidade para atender até 4.700 usuários ao mesmo tempo.
Foram gastos US$ 90 milhões na construção da biblioteca, que terá um museu virtual, laboratório de idiomas, sala de ciências, de música, de exposições e de conferências. A biblioteca está instalada no prédio onde funcionava o principal terminal ferroviário do país.
O nome da biblioteca é uma homenagem a um dos mais célebres escritores da revolução mexicana de 1910, que foi também ministro da Educação e candidato à Presidência do México.

JORNAL DA TARDE 15/05/2006
Projeto ensina teatro, música e boas maneiras a jovens 

LUANDA NERA

"Eu decidi me entregar, me soltar. Não sabia se seria bem recebida, se era capaz de me expressar da forma como todos esperavam, mas arrisquei. Hoje, quando me vejo dançando, cantando, ainda não acredito."
O depoimento de Alani Bianca Dias, 16 anos, demonstra a transformação de uma jovem do Jardim Angela, que descobriu novas possibilidades de futuro ao ingressar no projeto Juntos - Lendas & Tribos.
E não é só ela quem diz. O professor e idealizador do trabalho, Julio Coelho, enfatiza: "Ela é o maior talento do grupo. Foi uma surpresa. Chegou aqui tímida, fechada. Hoje tem postura, tom de voz, disciplina e muita humildade."
O professor também rasga elogios para Silas Martins do Santos, de 15 anos, um dos colegas de Alanis no grupo: "Ele tem tudo para ser ator profissional. Certamente terá uma carreira de sucesso na área artística."
Se seguirem o rumo de sua própria história, as previsões de Julio têm grandes chances de se confirmarem. Para ajudar a família, ele vendia produtos nos semáforos e, aos 11 anos, foi empregado como office-boy. Ocupou diversos cargos na empresa, chegou a montar uma estamparia, formou-se em Educação Física e fez especialização em Fisiologia.
Hoje o professor é também empresário, mas tem dedicado grande parte do seu tempo ao projeto que idealizou e colocou em prática em setembro de 2005: o Juntos - Lendas e Tribos, que consiste em um espetáculo musical apresentado por 25 jovens de 13 a 17 anos de idade, de 9 diferentes comunidades carentes de São Paulo. Na peça, eles constroem um painel sobre tribos de todos os tempos e tocam em uma banda musical.
Além do teatro, que é a principal atividade, o projeto aplica atividades ligadas à saúde e à qualidade de vida para os jovens, como condicionamento físico, aula de nutrição, avaliação física, natação, corrida, etiqueta, artes marciais e canto. As atividades acontecem 4 vezes por semana e os jovens podem contar com uma ajuda mensal de R$ 80 para o transporte.
"Meu sonho era conciliar a atividade do teatro com esporte, com saúde. Confesso que o trabalho é muito mais absorvente do que eu imaginava, demanda toda a minha atenção", relata Julio Coelho. Mas ele garante que compensa: "Quando eu vejo a evolução deles, fico deslumbrado. A maioria deles não tinha a menor noção de ritmo, não sabia se expressar."
O projeto está previsto para terminar em junho. Os resultados serão retratados na peça Lendas e Tribos, que será apresentada durante o mês de junho no Teatro Dias Gomes. O endereço é avenida Domingos de Morais, 348, na Vila Mariana.

JORNAL DA TARDE 14/05/2006
R$ 1 bi ao ano para educação

MEC deverá aumentar em 75% os recursos para o ensino superior no País 

Depois de mais de dois anos de discussão, o projeto de lei da reforma universitária, em sua quarta versão, chegou na quinta-feira à Casa Civil, está pronto e só espera a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ir ao Congresso. O texto aumenta para 75% a reserva de recursos da educação para as universidades federais, garante sua autonomia e aumenta o chamado "controle social" nas instituições privadas. Permanecem, assim, os tópicos que mais causaram polêmica desde o início dos debates, em janeiro de 2004.
A reserva de recursos para as universidades federais é o ponto central dos 58 artigos do projeto final. Apesar de tratar do sistema universitário como um todo, boa parte do texto fala diretamente das federais.
A garantia de recursos era o pedido principal das universidades, mas esbarrava na resistência da equipe econômica por criar mais uma obrigação orçamentária. Foi a decisão de Lula, tomada há cerca de um mês, que desemperrou o processo, parado no Palácio do Planalto desde julho de 2005.
O texto final prevê que essa garantia de recursos vigore por dez anos. Foi um pedido da equipe econômica para que não se tornasse eterno mais um engessamento do Orçamento da União. O ministro da Educação, Fernando Haddad, acredita que esse prazo permitirá uma revisão da necessidade de manter, ampliar ou diminuir a reserva de recursos, especialmente por conta da ampliação do número de instituições federais. "Em dez anos esse porcentual pode ser insuficiente. Vai depender da arrecadação", diz.
De acordo com o Ministério da Educação, os 75% vão garantir para as universidades mais R$ 1 bilhão por ano. Com um bônus: apesar de, a partir da autonomia, elas terem de incluir em seu orçamento o pagamento de pessoal, os inativos ficam de fora. O pagamento será feito pelo Tesouro, sem que os recursos sejam contabilizados como dinheiro para a educação.
O projeto incluiu critérios para que as instituições recebam mais ou menos recursos. Esse ponto, a princípio, deveria ficar para regulamentação, mas o próprio governo achou mais seguro já iniciar, pelo menos, essa definição. As universidades terão orçamento maior de acordo com sua eficiência - alunos que formam, artigos publicados e patentes vendidas, por exemplo.
Os artigos mais incômodos da reforma, no entanto, não atingem as federais, mas as instituições privadas. O primeiro deles limita a participação de estrangeiros na composição do capital de universidades privadas. Na quarta versão do texto, manteve-se a exigência de que pelo menos 70% do capital votante das mantenedoras pertençam a brasileiros natos ou naturalizados.
A justificativa do artigo promete esquentar as discussões: "Trata-se de medida tão indispensável quanto urgente, pois é necessário evitar que o investimento feito pela sociedade brasileira seja adquirido e desnacionalizado pelo capital estrangeiro descompromissado", diz o texto.
Outro ponto que pode terminar sendo discutido na Justiça é a determinação de que os colegiados superiores de administração - como, por exemplo, os conselhos de graduação - tenham participação de todos os segmentos da comunidade escolar, incluindo estudantes, bem como de representantes da sociedade civil. Mais do que isso, o projeto também limita a participação das entidades mantenedoras a 20% do número de representantes.
Dirigentes das instituições de ensino afirmam que essa exigência é uma ingerência em sua administração. O ministro da Educação, no entanto, a defende. "É uma forma de preservar a mantida. Em boa parte das instituições, há essa liberdade. Mas muitas mantenedoras não respeitam essa distância", afirmou.
O texto final da reforma mantém, também, a criação de um conselho de desenvolvimento social em cada instituição, tanto pública quanto privada.
Esse conselho seria formado apenas por representantes da sociedade civil e teria função consultiva. Suas atribuições incluiriam o poder de indicar quais demandas da sociedade a instituição poderia atender e o de fiscalizar o cumprimento do Plano de Desenvolvimento Institucional. Trata-se de um planejamento que cada universidade deverá ter, indicando quais áreas vai atender, quais são suas metas e diretrizes e qual será seu plano de expansão.

Ministro é um incentivador da proposta
 

O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, é considerado o grande responsável pela proposta de reforma universitária, iniciada quando ele era o titular do Ministério da Educação. Hoje responsável por negociar a tramitação do projeto no Congresso, Tarso continua defendendo-o.
"Havia no governo pessoas que tinham posições contrárias à valorização e expansão do ensino superior público", diz o ministro. "Eram pessoas que defendiam a redução das universidades públicas, a concentração de recursos em pontos de excelência e que se deixasse o espaço onde o Estado estava ausente para as instituições privadas."

JORNAL DA TARDE 13/05/2006
Histórias em quadrinhos 

Sugestão de aula: ensino fundamental 

MARIA REHDER 

O JT, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE-USP), traz hoje uma atividade que propõe aos professores de história, das 7ª e 8ª séries do Ensino Fundamental, a abordagem da era medieval por meio de histórias em quadrinhos.
Esta sugestão foi elaborada por Waldomiro Vergueiro e Valéria Bari, respectivamente coordenador e pesquisadora do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da USP, revisado pelas educomunicadoras Izabel Leão e Luci Ferraz, sob a supervisão de Ismar de Oliveira Soares, coordenador do NCE-USP.

INTRODUÇÃO

O ensino da história nas escolas brasileiras tem, tradicionalmente, se baseado em documentos exclusivamente bibliográficos com finalidades didáticas (os tão conhecidos livros de história). A renovação das práticas pedagógicas brasileiras possibilita a diversificação de materiais utilizáveis em aula.
As histórias em quadrinhos representam hoje, no mundo inteiro, um meio de comunicação de grande penetração popular. As publicações do gênero circulam com uma enorme variedade de títulos e tiragens de milhares ou, às vezes, até mesmo milhões de exemplares. Essa inegável popularidade dos quadrinhos recomenda sua utilização em ambiente escolar. Entre os motivos para isso, podem ser destacados os seguintes:
1) o interesse dos alunos pelas histórias em quadrinhos faz com que aumente a motivação dos estudantes para o conteúdo das aulas, aguçando sua curiosidade e desafiando seu senso crítico;
2) a conjunção de palavras e imagens proporciona um ensino mais eficiente - a interligação "texto-imagem" nos quadrinhos representa a criação de um novo nível de comunicação, que amplia a possibilidade de compreensão do conteúdo programático por parte dos alunos;
3) o alto nível de informação dos quadrinhos faz com que as histórias possam ser utilizadas como reforço a pontos específicos do programa ou até mesmo sirva para dar exemplos de aplicação dos conceitos teóricos desenvolvidos.

ATIVIDADE

A Idade Média é uma época pouco conhecida da História do mundo, popularmente vista como um período de trevas e pouco desenvolvimento. No entanto, ela representou um período que diversos elementos da política e da economia da atualidade se consolidaram, com reflexos sociais.
A leitura de uma história em quadrinhos ambientada nesse período, com o acompanhamento do professor, destacando aspectos significativos ou contraditórios da narrativa, é um ótimo meio para conduzir uma aula lúdica e criativa.

MATERIAL

O professor pode utilizar um álbum do personagem Príncipe Valente, criado pelo quadrinhista Hal Foster, em 1937, disponível em boas livrarias, gibitecas em geral e muitas bibliotecas públicas. Para facilitar o desenvolvimento da atividade, o educador deve selecionar um pequeno episódio significativo e fornecer cópias deste para uso dos alunos em sala de aula.

DESENVOLVIMENTO

1) Ao entregar o material, o professor deve iniciar a discussão perguntando o que seus alunos conhecem sobre a Idade Média e também o que sabem a respeito de produções em quadrinhos ou de outros meios de comunicação nos quais tenham visto histórias ambientadas nesse período histórico;
2) anote na lousa os principais elementos destacados pelos alunos (roupas, forma de falar, relacionamento familiar, relações sociais e econômicas predominantes, religiosidade, etc);
3) apresente a história em quadrinhos selecionada, situando a narrativa na corte do Rei Arthur e no universo legendário das histórias de cavalaria, relacionando com outras produções dos meios de comunicação, como reportagens de jornal impresso por exemplo, que também destacaram esse universo;
4) conceda um tempo apropriado para leitura individual (aproximadamente 15 minutos) para que cada estudante se familiarize com o material apresentado;
5) organize os alunos em grupos, solicitando que discutam os principais elementos da narrativa, sob o ponto de vista social (relações humanas, tradições e costumes, vestimentas, etc.), político (monarquia), econômico (feudalismo), religioso (catolicismo versus islamismo) e ambiental (preservação do meio ambiente, cataclismos naturais e meios de locomoção com tração animal);
6) peça para que cada grupo indique um representante para apresentar as principais conclusões atingidas com a discussão;
7) liste na lousa as principais conclusões de cada grupo e realize a comparação das características apontadas, completando aspectos não levantados pelos alunos ou não tratados na narrativa em quadrinhos; também destaque os fatos narrados que não correspondem à realidade histórica;
8) a partir dessas exposições, problematize com os alunos as diferenças e semelhanças entre a Idade Média e a atualidade.

MULTIPLICANDO

Após as discussões, cada grupo poderá desenvolver uma história em quadrinhos ambientada na Idade Média, salientando elementos que chamaram sua atenção.

BIBLIOGRAFIA


Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula, de Ângela Rama e Waldomiro Vergueiro (orgs.), Editora Contexto (Coleção Como Usar em Sala de Aula);
A Caminho da Idade Média, de Waldir Freitas Oliveira, Editora Brasiliense (Coleção Tudo é História);
Rei Artur, de Alan Massie, Editora Ediouro;
O Príncipe Valente, de Hal Foster, Editora Ópera Graphica(vários álbuns).


Conheça o núcleo de pesquisa da USP

Para os professores que queiram obter mais informações sobre o uso das histórias em quadrinhos em sala de aula, uma boa dica é o site: www.eca.usp.br/gibiusp. O portal, que contém mais de 12 mil itens de documentos na linguagem gráfica seqüencial, foi criado para dar suporte aos estudos de pesquisadores, educadores e alunos do Núcleo de Pesquisa de História em Quadrinhos, da Escola de Comunicações e Artes da USP.

JORNAL DA TARDE 13/05/2006
Escola municipal se transforma em 1 ano

MARIA REHDER 

Palx: é difícil acreditar que essa foi a palavra escrita por um aluno de 4ª série - prestes a ingressar para o 2º ciclo do Ensino Fundamental - ao ouvir a palavra ventilador em um ditado. É neste contexto que Roseli Moreira, coordenadora pedagógica da Emef Nilo Peçanha, ao assumir o cargo há 1 ano, decidiu implementar um novo projeto de formação de professores com o objetivo de reduzir os problemas de alfabetização da escola.
No entanto, o que Roseli não esperava é que a aceitação dos educadores da escola seria tão grande a ponto de conseguir colher resultados concretos com apenas 1 ano do novo projeto. "Eu nem acredito que 10 dos 12 alunos que participaram da minha turma de recuperação paralela conseguiram superar seus problemas de alfabetização e hoje cursam a 5ª série, sabem interpretar um texto e escrevem com mais segurança", afirma Renata Burratino Felix dos Santos, professora e assistente de direção da Emef.
A escola, que no ano passado tinha 6 salas de recuperação paralela com cerca de 15 alunos cada, conta hoje com apenas 4 salas, e algumas delas têm só 8 alunos.
Renata, há 8 anos na escola, conta que nunca havia passado por um processo de capacitação tão intenso. "Só ficávamos na teoria, mas com o novo projeto passamos a estudar os casos práticos da escola em conjunto", conta.

A TRANSFORMAÇÃO

Roseli conta que, ao chegar na escola, que hoje tem 800 alunos de 1ª à 8ª série, se deparou com resultados assustadores. "Além do alto índice de alunos com desempenho NS (não satisfatório) na 4ª série, pude constatar que os professores tinham falhas ao apontar as hipóteses de diagnóstico dos problemas de seus alunos", afirma.
A coordenadora explica que o fato de um aluno escrever "palx" em vez de ventilador é apenas um dos exemplos encontrados por ela na escola. "Esta grafia é um caso de hipótese silábica, um dos passos do processo de alfabetização. Entretanto, isso não poderia ocorrer na 4ª série", avalia.
O primeiro passo da coordenadora foi estruturar a recuperação paralela por meio da capacitação de professores baseada em projetos de trabalho. "Dei ênfase aos estudos de caso da própria escola e, por meio das informações obtidas nas reuniões, cada professor desenvolveu um projeto individual adequado à sua realidade de sala", explica.
O espaço físico também foi impactado. "Tínhamos uma sala que era utilizada para depósito. Fizemos um mutirão e a transformamos em um espaço para o grupo da recuperação paralela, que conta com mesas redondas para facilitar o trabalho por agrupamentos", diz.
A coordenadora ressalta que o comprometimento da equipe e a aceitação dos pais foram fundamentais para a conquista rápida de resultados. "Nunca havia sido avisada dos problemas da minha filha. Me surpreendi ao ver que não era possível entender nada do que ela escrevia quando fui chamada pela coordenadora, que indicou uma turma de recuperação paralela. Hoje, ela está na 5ª série, lê e escreve direitinho, e ainda freqüenta as turmas de recuperação, pois eu faço questão", afirma Rosana Albuquerque, mãe de Gabriela, 10 anos.

Professora inova em classe

O
projeto pedagógico da Emef Nilo Peçanha, que deu ênfase inicial à recuperação paralela, já tem impactado a atuação dos professores em suas turmas regulares. Segundo a professora da 4ª série, Deise R. S. Silva , a nova capacitação ampliou sua visão e, nesta semana, a educadora usou o teatro para explicar um conceito matemático.

“Tinha tentado de tudo, expliquei várias vezes e nada de eles entenderem. No entanto, fiquei pensando que eles só entenderiam se vivenciassem o problema e levei essa idéia para o grupo da capacitação. Lá me sugeriram o uso de uma peça específica. Nem acredito que meus alunos entenderam a matéria e se divertiram muito”, conta.

UOL 15/05/2006 - 12h19
Depois de ataques, 30% dos alunos de escolas estaduais da zona sul faltam às aulas

da Folha Online

A Secretaria de Estado da Educação informou na manhã desta segunda-feira (15) que ao menos 30% dos alunos da rede estadual de ensino deixaram de comparecer às aulas nas 274 escolas estaduais da zona sul de São Paulo.
O motivo teria sido a falta de ônibus, provocada pelos ataques comandados pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) durante o fim de semana.
A secretaria não tinha, até o início da tarde desta segunda-feira (15), informações sobre suspensão de aulas nas escolas públicas de São Paulo.

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