Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

03/07/2006 – CLIPPING

 
O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.

JORNAL DA TARDE – 03/07/2006
A vez da cola cibernética 

GIULIANA REGINATTO

Colar do papelzinho é coisa do passado. Em tempos modernos, é a trapaça cibernética que ameaça o bom aprendizado da garotada. Quem navega pela internet encontra trabalhos prontos para todos os níveis de instrução: dos pequenos do ensino fundamental aos pós-graduados. O procedimento é simples, basta pagar para levar qualquer tema para casa. Em alguns sites, o slogan é tentador: ‘Garantimos a aprovação’.
Responsável por um dos portais de venda de informações para estudantes, Maurício Nahas defende que a internet é uma ferramenta de pesquisa tão importante quanto as bibliotecas. “Ainda que não pareça, somos contra o plágio. O interessante é que o aluno colha informações no site e depois construa seu próprio trabalho. Sei que há quem cole, mas hoje é difícil controlar a propriedade do que está na rede”, diz ele. O site de Nahas conta, hoje, com 200 mil visitantes por mês e cobra uma mensalidade de R$ 39.
É tão difícil controlar a cópia digital que alguns educadores chegam a receber dezenas de trabalhos iguais em uma mesma turma. Foi o que aconteceu com o professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Brasília Carlos Pio. Ele já reprovou 11 alunos de um curso de pós-graduação após identificar em um buscador da internet frases que constavam integralmente nos trabalhos analisados. Para Paulo Henrique Fazzion, responsável por um portal que vende trabalhos prontos, resumos, teses de mestrado e provas, a ‘cola virtual’ não é provocada pela oferta de material. “Isso depende do caráter do aluno, que poderia ao menos ler os trabalhos disponíveis para elaborar seu próprio material”, diz ele.
Vale ressaltar que, segundo uma pesquisa realizada pela Escola do Futuro da Universidade de São Paulo, cerca de 10% dos sites conhecidos como educativos ou culturais trazem informações equivocadas.Para evitar a mera impressão de textos virtuais, corretos ou não, alguns colégios passaram a tirar o papel almaço gaveta para pedir textos manuscritos. No Colégio Santa Maria, a estratégia é apelar para a produção na própria sala de aula.
“Inicialmente, nós ensinamos o aluno a fazer a pesquisa. A primeira etapa é a coleta de dados, inclusive da internet. Este é só um primeiro passo, que deve ser seguido pela elaboração de um texto criado com argumentos do próprio aluno a partir das informações buscadas. Não aceitamos compilações”, enfatiza a orientadora pedagógica e educacional da 5ª série do Ensino Fundamental da escola, Ivani Ghattas.

Medidas devem começar cedo 

Até as escolas infantis adotam métodos para inibir a cola pela internet 

A preocupação com a cópia indiscriminada de informações da internet atinge até quem educa os mais novos. No Colégio Ápice, para crianças do 1º ao 4º ano do Ensino Fundamental, a medida de segurança adotada é a partilha do trabalho da classe em tópicos específicos. “Se vão estudar a formiga, por exemplo, um aluno pesquisa a alimentação do inseto, outro procura dados sobre a forma de moradia e um terceiro comenta o modo de vida”, explica a coordenadora pedagógica da escola, Maria Rocha.
Para a professora de História Cinília Tadeu Gisondi, do Colégio Bandeirantes, a preocupação com os mais jovens também é importante. “Copiar trabalho é algo muito antigo. No passado, a criança copiava a tarefa do amigo, à mão mesmo. Quando você ensina ao jovem, o mais cedo possível, que valores como ética e integridade são importantes, é natural que eles ajam com honestidade perante o professor. Mais do que transmitir um conteúdo sólido, é importante ajudar a construir no aluno uma visão social responsável ”, explica a professora.
O Colégio Bandeirantes criou, em 1996, o Programa Cidadania. Trata-se de um projeto multidisciplinar do qual participam desde alunos do 5º ano do Ensino Fundamental até jovens do 3º ano do Ensino Médio. O objetivo da escola é contribuir para a formação da identidade social do aluno.

JORNAL DA TARDE – 03/07/2006
Aprenda um novo idioma nas férias 

A Fundação Richard H. Fisk oferece o curso Basic 1 de inglês e o Libro 1 de espanhol para quem quer aproveitar as férias de julho para começar a aprender um novo idioma. As aulas serão realizadas entre os dias 10 e 31, de segunda a sexta, das 19h às 21h45, em nove escolas de São Paulo (Santo André I, Jabaquara, Butantã, Freguesia do Ó, Pirituba, São Bernardo do Campo, Jardim Popular, Tatuapé e Guarulhos I). Mais informações: 0800-773-3475.

JORNAL DA TARDE – 03/07/2006
Aperfeiçoe seus conhecimentos 

A Faculdade de Interlagos (Fintec) oferece, entre os dias 17 e 20, os cursos Português para Concursos (que abrange uma revisão gramatical com tópicos usados em concursos públicos), Calculadora HP 12C (que ensina o aluno a manipular a calculadora e a ter habilidade de resolver cálculos financeiros) e Programas de Exercícios Físicos Personalizados Adaptados (voltado a alunos de Educação Física e da área de saúde). Mais informações: 5666-6747.

JORNAL DA TARDE – 03/07/2006
Concurso para alunos de cinema 

A Rede Cinemark promove o concurso cultural Prêmio Imagem, para alunos de audiovisual da USP, UFF (Universidade Federal Fluminense, no Rio) e UNB (Universidade de Brasília). Para participar, o aluno deve criar um roteiro original para um filme publicitário sobre o problema da pirataria de DVDs no País. O vencedor terá seu filme produzido e exibido nos cinemas da rede e receberá um prêmio de R$ 5 mil. Mais informações: 3864-2445.

JORNAL DA TARDE – 03/07/2006
Curso de reciclagem para tradutores 

A Universidade do Livro, vinculada à Fundação Editora da Unesp, oferece, do dia 10 ao 14, o curso Reciclagem para Tradutores Inglês-Português (com internet em sala de aula), dirigido a tradutores, editores de texto, assistentes editoriais, estudantes de letras, candidatos a tradutores e demais interessados. O investimento é de R$ 300 (estudantes e associados pagam apenas R$ 240). Informações: 3242-9555.

JORNAL DA TARDE – 03/07/2006
O vestibular ‘piorando’ o adolescente 

Içami Tiba 

O vestibular determina o futuro universitário do estudante. Ser aprovado no vestibular é uma grande alegria para o vestibulando, para a sua família, parentes próximos, amigos... Porque é um marco importante na vida de qualquer pessoa.
Entretanto, existem alguns aprovados que se sentem “superiores” aos outros vestibulandos reprovados. Essa “superioridade” pode simplesmente ser um dado a mais para ser agregado à onipotência juvenil. É como se eles estivessem dizendo “se nem um vestibular me segurou, nada mais há no mundo que me segure”.
Esses onipotentes costumam ficar arrogantes, antipáticos, horríveis na convivência. Nada mais fazem do que exagerar aquilo que havia antes de serem aprovados.
Muitos pais dão carros aos filhos que começam a faculdade. Afinal, é um outro nível de vida, um novo status. Agora, vir a ser um grande profissional é só uma questão de tempo. Há pais que até passam a se submeter mais aos caprichos desses filhos, pois eles venceram o grande degrau existente entre o 2º e o 3º graus, principalmente os pais que não fizeram faculdade. Piora tudo quando os filhos destacam essa diferença para menosprezar os próprios pais.

JORNAL DA TARDE – 03/07/2006
Incentivo para projetos educacionais 

O HSBC está com o processo de seleção aberto para apoio a projetos de Responsabilidade Social. O incentivo será oferecido a trabalhos educacionais com foco na qualificação de escolas rurais. Serão escolhidos 10 projetos, que receberão o apoio de R$ 45 mil cada um. Podem participar escolas municipais ou estaduais por meio das associações de pais e mestres; organismos não-governamentais; comunitários e governamentais por meio de suas fundações e institutos. A requisição dos formulários de inscrição devem ser feitos pelo e-mail hsbc.solidariedade@hsbc.com.br até 2 de agosto.

JORNAL DA TARDE – 03/07/2006
ProUni faz seleção de alunos especiais

O Programa Universidade para Todos (ProUni) está concedendo neste ano 1.171 bolsas, totais ou parciais, para alunos com necessidades especiais. Foram 874 pré-selecionados no primeiro semestre e 297 no segundo. Esses estudantes não precisam comprovar estudo em escola pública, apenas renda familiar. Mais de 200 mil se inscreveram na edição atual do ProUni e, destes, 43.614 estão pré-selecionados - até o dia 14 devem fazer suas inscrições nas universidades onde foram contemplados e comprovar os dados.

JORNAL DA TARDE – 02/07/2006
As férias na Estação Ciência 

MARIA REHDER 

O JT, em colaboração com o Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE-USP), coordenado pelo professor Ismar de Oliveira Soares, propõe aos professores ou pais de alunos do Ensino Fundamental e Médio um roteiro de passeio para as férias de julho a ser desenvolvido na Estação Ciência, um Centro de Difusão Científica e Tecnológica da Universidade de São Paulo (USP).
O presente roteiro foi elaborado por Job Carvalho, coordenador de monitoria da Estação Ciência da USP.
O trabalho dos professores ou dos pais com o passeio educativo será facilitado com a utilização desta sugestão de roteiro, além de estarem acompanhados por monitores capacitados para explicarem cada um dos conceitos e atividades.

INTRODUÇÃO

A experimentação interativa e lúdica das ciências estimula a apropriação do método científico, e a curiosidade e a observação da realidade, ao mesmo tempo, enriquecem o ensino multidisciplinar.
A Estação Ciência foi escolhida por tratar-se de um centro de ciências interativo, com exposições, palestras, cursos e muitas outras atividades científico-culturais que exploram múltiplas áreas do conhecimento como também propõem a educação ambiental. Por si só já é interdisciplinar.

OBJETIVO
Por meio do roteiro elaborado pelo NCE-USP, a atividade de hoje propõe um passeio multidisciplinar pela ciência, a partir de uma abordagem educomunicativa.
Levaremos em consideração a importância que a ciência tem no cotidiano das pessoas, propondo um plano de visitação que passa por quatro grandes áreas do conhecimento: Física, Matemática, Ciências da Terra e Biologia.
O ponto de partida do passeio é chamar a atenção dos alunos para uma área específica e sua relação com o cotidiano, ou até mesmo para desvendar as interfaces de um dos itens das plataformas visitadas entre as ciências presentes a partir de um único objeto.
Por exemplo, logo de início, o visitante vai se deparar com o Allossaurus, que pertence à área da vida primitiva, e aprenderá sobre teorias da formação do universo, a origem da vida e sobre o futuro da Humanidade por meio do conhecimento dos fósseis, suas relações de evolução e a contextualização do homem na História do Planeta.

ATIVIDADE
Após realizado o passeio à Estação Ciência , na sala de aula, organize seus alunos em 8 grupos de trabalho. O professor deve pedir para que cada 2 dos grupos escolha uma das 4 plataformas visitadas no passeio e, por meio da consulta no site www.eciencia.usp.br, opte por um dos itens da exposição para a realização de uma pesquisa, de forma que todos os grupos apresentem itens diferentes.
Cada grupo explicará sua pesquisa por meio da composição de cartazes que poderão ser expostos em sala de aula. Pode-se usar até mesmo as imagens expostas no site.

PAPEL DO EDUCADOR
Nesta atividade proposta por meio do passeio de férias à Estação Ciência, tanto o professor como os pais assumem o papel de facilitador dos estudantes no processo de aprendizagem.
Trata-se de tomar as pequenas informações: geográfica, biológica, histórica, física, matemática, entre outras, revelando-as aos alunos para que estes avaliem a importância das ciências no seu cotidiano, ao mesmo tempo em que percebam suas interfaces.

JORNAL DA TARDE – 02/07/2006
Visite o Museu de Geociências da USP 

O Museu de Geociências do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP) também é uma boa dica de passeio escolar. Além de atender às escolas com linguagem pedagógica adequada às diferentes faixas etárias, a equipe do museu orienta a comunidade sobre os assuntos geológicos e meio ambiente e orienta colégios na organização de feiras de ciência e de coleções. Telefone para agendamento: 11-3091-3952

JORNAL DA TARDE – 02/07/2006
Faça uma viagem educativa no Guarujá 

O Museu de Ciência e Tecnologia Heureka! Exploratorim do Guarujá é uma boa opção de passeio para quem vai passar as férias de julho no Litoral. As salas temáticas levam o visitante a uma viagem desde a pré-história até a era espacial. Por meio de um elevador antigo de mina, os visitantes podem descer 40 andares abaixo da terra. Informações: www.heureka.com.br ou 13-3384-3050.

JORNAL DA TARDE – 02/07/2006
Conheça o conteúdo gratuito da Sangari 

Uma boa dica de fonte complementar para as aulas de ciências é o portal educacional da Sangari www.eduportal.sangari.com.br, que atualiza diariamente o conteúdo gratuito aos professores de Ensino Médio e Fundamental. Por meio do link Sangari Cultura Geral o educador também pode obter informações sobre eventos marcantes, nascimentos de personalidades e uma seção de curiosidades chamada “Você Sabia?”

JORNAL DA TARDE – 02/07/2006
Acesse as atividades do ‘JT’ na internet 

Os professores já podem ter acesso as as atividades publicadas pelo JT em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da USP por meio do site da Revista Nova Escola : www.novaescola.org.br, que também traz planos de aula para diversas séries. Outra boa dica é o portal do NCEUSP, que disponibiliza textos complementares para a realização das atividades sugeridas aqui aos domingos no: www.usp.br/nce.

JORNAL DA TARDE – 01/07/2006
Sala de aula inclusiva é sucesso na Zona Sul 

MARIA REHDER 

O desafio da inclusão vai muito além da aceitação dos alunos portadores de necessidades especiais em escolas regulares. É o que ressalta Regina Martins, professora da Emef Luiz Tenório de Brito, escola localizada no Campo Limpo, cujo entorno é composto por favelas, região que serve de passagem para os moradores do bairro que trabalham na área central da Capital.
Entre seus 40 alunos de 3ª série, Regina vive diariamente o desafio de "incluir" num mesmo grupo 5 portadores de necessidades especiais, vários alunos com ritmos lentos de aprendizagem, 1 aluno hiperativo, entre outras crianças que têm baixo desempenho escolar por causa de problemas familiares.
Segundo a professora, que atua há mais de 17 anos na rede pública de ensino, há apenas 2 anos, após drástica mudança de postura em sala de aula, vem sendo possível garantir a todos os seus alunos o acesso à aprendizagem. "Naquela época parei durante 3 dias para observar a atitude dos meus alunos no recreio e consegui mapear seus diferentes perfis de aprendizagem", afirma.
Ao reconhecer as diferenças, Regina transformou a sua classe em um ambiente inclusivo. "Passei a trabalhar por agrupamentos e, em uma mesma aula, comecei a dar diferentes atividades aos grupos que são alternados com freqüência, para que todos interajam entre si."
No entanto, ela avalia que essa prática só é possível por meio de um planejamento semanal. "É preciso ser pesquisador e conhecer profundamente seus alunos para desenvolver atividades diferenciadas a cada um deles", destaca.
É neste contexto que Regina criou as "Campanhas Mágicas" e, semanalmente, trabalha com seus alunos expressões como obrigado, com licença. "Todo início de semana debatemos as reações presenciadas por eles, que com o uso destas expressões acabam, naturalmente, sendo mais respeitados."
Outra característica do projeto são os cartões de apresentação. "O aluno faz uma ficha de identificação com a boa característica do colega. Alguns alunos nunca tiveram este reconhecimento em casa."
A professora cita o caso de Larissa, 9 anos, que cursa hoje a 3ª série, mas que há 1 ano era muito agitada. "Após longas conversas, aos poucos ela foi se soltando. Se eu tivesse sido rígida com ela, talvez essa aluna teria deixado a escola." Larissa diz que a professora Regina é muito calma. "Hoje eu consigo ler, escrever e brincar com os colegas", diz a aluna, que recentemente passou por problemas familiares.
A tia da menina, Nielba Vicente, afirma que Regina ajudou muito Larissa. "O meu irmão não conseguia sair das drogas e a minha cunhada não tinha como cuidar da menina. Foi um período difícil, mas já é o 2º ano que o Conselho Tutelar concede a guarda dela para mim", comenta.
Nielba explica que Larissa tinha dificuldades de aprendizado. "Hoje, ela está bem, pelo seu caderno já dá para ver a diferença, ela está mais organizada e se relaciona melhor."
A mãe do aluno Ricardo, 8 anos, também faz elogios a professora. "Meu filho sempre foi bom aluno, mas a aula da Regina é diferente. Ele teve aula com ela no ano passado, mas este ano teve um susto quando viu que tinha caído com outra professora. Lutei tanto que consegui transferir o menino para a turma dela", afirma Gleiane da Silva.

JORNAL DA TARDE – 012/07/2006
Livro debate práticas de ensino 

O português David Rodrigues acaba de lançar o livro Inclusão e Educação: Doze Olhares Sobre a Educação Inclusiva, que faz o intercâmbio entre 12 educadores portugueses e brasileiros por meio da publicação de artigos sobre os desafios enfrentados por professores na inclusão de todos seus alunos no processo de aprendizagem.
"A inclusão não é um modelo de paz, mas dá espaço ao conflito, pois propõe o desafio de conviver com a diversidade de todos", diz David Rodrigues, educador da Universidade Técnica de Lisboa. O site da ONG Educação para todos www.edtodos.org.br também é uma boa fonte para educadores que queiram desenvolver uma cultura inclusiva.

JORNAL DA TARDE – 01/07/2006
Em São Paulo, a melhor escola fica no Interior 

A melhor escola do Estado de São Paulo fica no interior do Interior. Estradas de terra vermelha levam os alunos à Escola Municipal Helena Bosetti, quase na zona rural de Matão, a 300 km de São Paulo. As salas são amplas, há horta do lado de fora e uma cozinha experimental em construção. São poucos alunos por sala; 23 na 4.ª série ,que participou da Prova Brasil no ano passado. O número de alunos por classe, menor que o das escolas da Capital, é considerado ideal.
O JT visitou a escola e pôde constatar que a prefeitura investe nela: além da cozinha, estão sendo feitos laboratórios de ciências, de informática e uma biblioteca. Há transporte público para todos os alunos.
Para o secretário de Educação de Matão, Alexandre Luiz Martins de Freitas, o sucesso da escola se deve à valorização da comunidade. Muitos pais lutaram para que ela continuasse funcionando, depois que o Estado a transferiu para Prefeitura há alguns anos. Por ficar longe de tudo, havia gente que preferia mandar seus filhos para escolas da cidade. Hoje, ela atende cerca de 300 alunos.A primeira avaliação nacional feita em todas as escolas de ensino fundamental do País mostrou que a melhor educação está no Interior. Das 10 escolas com melhor desempenho na 4ª. série, apenas uma está em uma capital, no Rio. No Estado de São Paulo, nenhuma escola da Capital está entre as melhores, tanto na 4ª série quanto na 8ª série. As capitais só entram na lista das escolas de 8ª série, e graças às federais.
Os dados são da chamada Prova Brasil, novo exame organizado pelo Ministério da Educação (MEC) e que foi feito em 41 mil das 43 mil escolas de ensino fundamental do País, com participação de 3,3 milhões de alunos. Antes, os exames eram feitos por amostragem.
Os resultados foram apresentados ontem e mostraram que a situação das escolas no País continua ruim. Apesar de uma melhora na média das crianças de 4ª. série, as notas indicam que a maior parte delas termina esse ano escolar sabendo pouco mais do que interpretar textos curtos e fazer operações simples. As da 8ª série conhecem só o que seria ideal para um aluno da 4ª: interpretar textos, fazer relações, interpretar gráficos simples, fazer as quatro operações. Em português, na 4ª série, 45% das escolas tiveram notas maiores que a média nacional, de 172,9 pontos. Em matemática, foram 44,4% além da média de 180 pontos. Na 8ª série, em português, 48% das escolas ficaram acima da média de 222,6 pontos. Em matemática, foram 46,6% além dos 237,5 pontos nacionais.
"No Interior, há menos alunos nas salas de aula, a comunidade participa e professores conhecem o aluno pelo nome", explica Alexandre Luiz Martins de Freitas, secretário de Educação de Matão.

JORNAL DA TARDE – 01/07/2006
USP divulga as regras do vestibular 

A Universidade de São Paulo (USP) divulgou ontem algumas regras para o vestibular da Fuvest deste ano. Nesta semana, mais de 90 professores lançaram um manifesto pedindo mais discussão e clareza sobre o que mudaria no maior exame do País. Até então, a USP não tinha informado detalhes da prova, que será em novembro.
Segundo o comunicado da reitoria, o exame terá 90 questões, cada uma delas valendo um ponto. E 10% serão interdisciplinares. Esse novo tipo de questão estará inserido no conjunto de perguntas de português, inglês, matemática, física, química, biologia, história e geografia. Mais uma vez, no entanto, a USP não informou quantas questões haverá de cada uma das disciplinas. Até o ano passado, havia 100 perguntas, sendo 12 de cada matéria, 20 de português e 12 de inglês. O comunicado confirma que a prova continuará tendo duração de cinco horas e será feita no dia 26 de novembro.
A segunda fase da Fuvest não muda muito. Os alunos continuarão fazendo quatro provas dissertativas - com obrigatoriedade de português para todos - e mais uma redação.
Conforme já havia sido divulgado, a Fuvest terá agora um sistema de pontuação que favorece alunos de escolas públicas. Essa e as outras mudanças fazem parte do programa Inclusp, que pretende aumentar para 30% o número de alunos carentes na USP.
Quem estudou em escola pública terá um bônus de 3% na nota da primeira e da segunda fases. O benefício só será dado a quem cursou todo o ensino médio em escola pública ou Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O ESTADO DE SÃO PAULO – 03/07/2006
ProUni dá 1.171 bolsas a deficientes 

O Programa Universidade para Todos (ProUni) está concedendo neste ano 1.171 bolsas, totais ou parciais, para alunos com necessidades especiais. Foram 874 pré-selecionados no primeiro semestre e 297 no segundo semestre de 2006. Esses estudantes não precisam comprovar estudo em escola pública, apenas a renda familiar. Mais de 200 mil universitários se inscreveram na edição atual do ProUni e, destes, 43.614 estão pré-selecionados - até o dia 14 devem fazer suas inscrições nas universidades onde foram contemplados e comprovar os dados informados.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 03/07/2006
Curso de férias no Museu Lasar Segall 

O Museu Lasar Segall, em São Paulo, promove entre os dias 19 e 21 um curso de férias para professores e estudantes de licenciatura em artes. O curso fornece subsídios para o desenvolvimento de estratégias criativas para o uso do material didático, de atividades com enfoque nas xilogravuras e gravuras em metal desenvolvidas pelo artista e de trabalhos que enfocam as linguagens do desenho, da pintura e da escultura. Durante o curso, os participantes poderão conhecer a vida e a obra de Lasar Segall, além de discutir as linguagens utilizadas pelo artista. Informações: (0xx11) 5574-7322.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 03/07/2006
Educador Nota 10 abre inscrições 

As inscrições para a nona edição do Prêmio Educador Nota 10, promovido anualmente pela Fundação Victor Civita, podem ser feitas até o dia 14. O prêmio vai eleger as melhores experiências de ensino em diversas disciplinas desenvolvidas por professores de todo o País. Podem participar educadores de escolas públicas e privadas de educação infantil, ensinos fundamental e médio e educação de jovens e adultos. Cada um dos dez premiados recebe R$ 10 mil e um troféu. O professor eleito educador do ano ainda ganha um curso de pós-graduação. Informações: www.fvc.org.br.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 02/07/2006
Prefeitura anula eleição para Conselho da Criança 

Camilla Rigi 

A Prefeitura anulou ontem a eleição dos representantes da sociedade civil para o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), realizada no dia 28 de maio. A decisão, publicada ontem no Diário Oficial da Cidade, atende a uma ação cautelar movida pelo Ministério Público Estadual (MPE).
"Um dos integrantes da comissão eleitoral tinha filiação partidária e depois do pleito ficou se vangloriando, parabenizando os membros do partido que foram eleitos", informou o promotor da Defesa dos Interesses Difusos e Coletivos da Infância e da Juventude Motauri de Souza. Para ele, a atitude desse membro, cujo nome não foi revelado, pôs em suspeita o resultado da eleição.
A partir da ação do MPE, a Secretaria Especial de Participação e Parceria propôs a anulação do processo a fim de evitar dúvidas em relação à legalidade da eleição. "Nós ficamos felizes com essa decisão, pois, antes, todos tinham estranhado vários indeferimentos de candidaturas sem justificativa", contou Helder Delena, um dos conselheiros do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescentes (Conanda).
De acordo com o despacho publicado ontem, a comissão eleitoral será formada por uma pessoa indicada pelo Executivo, um representante da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), um do Poder Legislativo e duas pessoas indicadas pelo próprio Conselho. Uma das atribuições da comissão é analisar a validade das candidaturas.
Os interessados nas oito vagas do conselho terão até o dia 17 para apresentar os documentos necessários. A eleição dos novos representantes será realizada no dia 30, das 8 às 17 horas, na São Paulo Turismo (SPTuris), localizada na Avenida Olavo Fontoura, 1209, Santana.
A posse dos novos eleitos ára o conselho está prevista para 7 de agosto e o mandato é de dois anos.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 01/07/2006
Melhores escolas públicas do País estão no interior, conclui avaliação 

Prova Brasil, primeira avaliação universal do MEC, mostra que o ensino continua ruim na 4.ª e na 8.ª série 

Lisandra Paraguassú 

A primeira avaliação nacional feita em todas as escolas de ensino fundamental do País mostrou que a melhor educação está no interior. Das 10 escolas com melhor desempenho na 4ª série, apenas uma está em uma capital, no Rio. No Estado de São Paulo, não há nenhuma escola da capital entre as melhores, tanto na 4ª série quanto na 8ª série. As capitais só entram na lista das escolas de 8ª série, e graças a escolas federais.
Os dados são da chamada Prova Brasil, novo exame organizado pelo Ministério da Educação (MEC) e que foi feito em 41 mil das 43 mil escolas de ensino fundamental do País, com participação de 3,3 milhões de alunos . Até agora, havia apenas exames feitos por amostragem do ensino básico fundamental brasileiro.
Os resultados foram apresentados ontem e mostraram que a situação das escolas no País continua ruim. Apesar de uma melhora na média das crianças de 4ª série, as notas indicam que a maior parte delas termina esse ano escolar sabendo pouco mais do que interpretar textos curtos e fazer operações simples. As da 8ª série conhecem apenas o que seria ideal para um aluno da 4ª: interpretar textos, fazer relações, interpretar gráficos simples, fazer as quatro operações.
Em português, na 4ª série, 45% das escolas tiveram notas maiores que a média nacional, de 172,9 pontos. Em matemática, foram 44,4% além da média de 180 pontos. Na 8ª série, em português, 48% das escolas ficaram acima da média de 222,6 pontos. Em matemática, foram 46,6% além dos 237,5 pontos nacionais.
O desempenho das melhores escolas do País, no entanto, fica bem acima do rendimento nacional pífio. São poucas, mas mostram que, pelo menos em alguns locais, é possível esperar que alunos de escolas públicas tenham os resultados adequados para as suas séries. Das 10 melhores escolas de 4ª série do País, todas tiveram médias, nas duas disciplinas, muito superiores às médias nacionais dos alunos de 8ª série, que tem quatro anos de escolaridade a mais.
O MEC não tem uma explicação para a concentração de boas escolas no interior do País. Até hoje, o Sistema de Avaliação de Ensino Básico (Saeb), que era feito a cada dois anos, não permitia fazer essa divisão porque não havia resultados por escolas. "Há menos alunos nas salas de aula e a comunidade participa, os pais opinam, os professores conhecem o aluno pelo nome", acredita Alexandre Luiz Martins de Freitas, secretário de Educação de Matão, no interior de São Paulo, que teve as melhores notas do Estado.
Para o secretário estadual de Educação do Rio, Arnaldo Niskier, o motivo da prevalência do interior é outro. "Eu sei que essa afirmação vai me causar problemas, mas eu assumo. Com menos atrativos no interior, os alunos se dedicam mais aos estudos" , diz.
O MEC pretende que, tendo acesso a seus resultados, cada escola se compare com as vizinhas e as tenham como parâmetro para melhorar. A meta nacional, segundo o ministro Fernando Haddad, é que o País melhore cerca de oito pontos na média das turmas de 4ª série a cada ano. "Se quisermos estar entre os países intermediários nas avaliações internacionais, com um desempenho satisfatório, temos que cumprir essa meta."

AS MELHORES

Em São Paulo, segundo o MEC, não há notas específicas para cada escola estadual porque a Secretaria de Educação paulista não permitiu que todos os alunos fizessem a prova devido ao tamanho da rede.
No Rio, a melhor turma de 4ª série em português do País fica na cidade de Trajano de Morais, região serrana do Rio. Concursos de redação e uma biblioteca, montada pela Secretaria de Estado de Educação, são as ferramentas dos professores do Ciep Prof.ª Guiomar Gonçalves Neves para combater o chamado analfabetismo funcional.
"Procuramos incentivar os alunos com concursos de redação e damos ênfase à recuperação paralela, em que as dificuldades dos alunos são identificadas", diz o diretor Elielton Riguetti. Apenas 1,2% da população da cidade tem mais de 15 anos de estudo, segundo o Censo 2000, mas os professores da escola têm ensino superior.
Os alunos aprendem matemática com auxílio do material dourado, blocos de madeira que representam unidades, dezenas e centenas. "A criança trabalha o concreto, ela visualiza a matemática", explica Riguetti. A escola, que tem 421 alunos de 1ª a 8ª série e curso de formação de professores, também ficou em segundo lugar em matemática no Prova Brasil.
O Colégio Estadual Januário Toledo de Pizza, em São Sebastião do Alto, foi o primeiro colocado em matemática e teve o segundo melhor desempenho em português. "O segredo é o trabalho dos professores", disse a diretora, Meire Amaral.
Os 481 alunos são divididos em turmas de até 30 crianças. De 1ª a 4ª série, a maior turma tem 19 alunos. Com classes menores, os professores conseguem dar atenção mais individualizada aos estudantes.
COLABORARAM: RENATA CAFARDO, LIVIA DEODATO E CLARISSA THOMÉ

Matão, a grande surpresa de SP 

A melhor escola do Estado fica no interior do interior. Estradas de terra vermelha levam os alunos à Escola Municipal Helena Bosetti, quase na zona rural de Matão, a 300 quilômetros de São Paulo. As salas são amplas, há horta do lado de fora e uma cozinha experimental em construção. São poucos alunos por sala; 23 na 4.ª série que participou da Prova Brasil no ano passado. O número é considerado adequado por educadores e é menor do que o encontrado na Capital.
O Estado visitou a escola neste ano. A prefeitura tem investido nela; além da cozinha, estão sendo feitos laboratórios de ciências, de informática e uma biblioteca. Há transporte público para todos os alunos; o ônibus vai chacoalhando e as crianças, cantando.
Para o secretário de Educação de Matão, Alexandre Luiz Martins de Freitas, o sucesso da escola se deve à valorização da comunidade. Muitos pais lutaram para que ela continuasse funcionando, depois que o Estado a transferiu para Prefeitura há alguns anos.
Por ficar longe de tudo, havia gente que preferia mandar seus filhos para escolas da cidade. Hoje, ela atende cerca de 300 alunos.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 01/07/2006
Fuvest divulga regras para provas de 2007 

A Universidade de São Paulo (USP) divulgou ontem algumas regras para o vestibular da Fuvest deste ano. Nesta semana, mais de 90 professores lançaram um manifesto pedindo mais discussão e mais clareza sobre o que mudaria no maior exame do País. Até então, a USP não tinha informado detalhes da prova, que ocorre em novembro.
Segundo o comunicado à imprensa, divulgado pela reitoria, o exame terá 90 questões, cada uma delas valendo um ponto. E 10% delas serão interdisciplinares. Esse novo tipo de questão estará inserido no conjunto de perguntas de português, inglês, matemática, física, química, biologia, história e geografia.
Mais uma vez, no entanto, a USP não informou quantas questões haverá para cada uma das disciplinas. Até o ano passado, havia 100 perguntas, sendo 12 de cada matéria, 20 de português e 12 de inglês. O comunicado confirma que a prova continuará tendo duração de cinco horas e será feita no dia 26 de novembro.
A segunda fase da Fuvest não muda muito. Os alunos continuarão fazendo quatro provas dissertativas - com obrigatoriedade de português para todos - e mais uma redação.
Conforme já havia sido divulgado, a Fuvest terá agora um sistema de pontuação que favorece alunos de escolas públicas. Essa e as outras mudanças fazem parte do programa Inclusp, que pretende aumentar para 30% o número de alunos carentes na USP.
Quem estudou em escola pública terá um bônus de 3% na nota da primeira e da segunda fases. O benefício só será dado a quem cursou todo o ensino médio em escola pública ou Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O ESTADO DE SÃO PAULO – 01/07/2006
Puccamp demite 81 professores e nega crise 

Rose Mary de Souza 

A Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp) anunciou ontem a demissão de 81 professores.
A justificativa é a implantação da primeira fase do Plano de Carreira Docente da instituição, aprovado no final do ano passado. Dos 81 demitidos, 69 eram do quadro de docentes efetivos com até 30 anos de serviço. Outros 12 eram professores temporários cujo prazo de contrato expirou ontem.
Em dezembro do ano passado, a Puccamp já havia dispensado 130 professores.
Conforme o reitor da universidade, padre Wilson Denadai, uma parte dos efetivos desligados não se enquadrava nas exigências do novo plano da categoria. Ou seja, não atingia a jornada mínima de 10 horas semanais de ensino ou não obteve a aprovação de projetos de pesquisa, extensão ou de gestão de ensino de graduação.
Outra justificativa é que os professores com projetos aprovados preencheram todo o quadro de atribuição de aulas, restando poucas opções para os temporários - que por isso não alcançaram o mínimo exigido.

SEM CRISE FINANCEIRA

A lista das dispensas já foi homologada pelo Conselho Universitário. A reitoria nega que a razão das dispensas seja crise financeira.
Os professores com projetos aprovados terão 20 horas semanais destinadas ao ensino e outras 20 horas de dedicação a pesquisa e extensão. Os temporários vão atuar com no máximo 36 horas semanais.
A meta da Puccamp é ter um terço do quadro de professores em regime de tempo integral. Hoje são 750 os contratados temporariamente. A universidade possui mil professores.

FOLHA DE SÃO PAULO – 02/07/2006 (TENDÊNCIAS/DEBATES)
A bola e a escola

CLÓVIS ROSSI

FRANKFURT - No Brasil é quase sempre assim: em vez de debater um argumento, qualquer que seja, prefere-se qualificar (ou desqualificar) quem o apresentou.
Está acontecendo agora com o jogador francês Thierry Henry, desqualificado como "racista" ou "invejoso" por ter dito o seguinte: "Quando eu era pequeno, ia à escola das 8h às 17h, e minha mãe não me deixava descer para jogar. Eles [os brasileiros] jogam das 8h às 18h!".
Exagero talvez, mas nada de fundamentalmente errado. A frase deveria é provocar uma discussão sobre a diferença no sistema educacional do mundo rico e do Brasil.
Basta ler os dados que a repórter Letícia Sander apresentou na Folha de ontem: os alunos brasileiros do ensino fundamental não conseguem "pontuação adequada" em nenhum dos itens avaliados.
Mais: "Cinqüenta pontos separam o desempenho dos alunos de 4ª e 8ª série. É como se, hoje, os alunos de 8ª série tivessem conhecimentos dos de 4ª série, se comparados com índices internacionais".
No fundo, bem lida a pesquisa, ela dá razão a Henry. O brasileiro é melhor na bola do que na escola. Ou porque joga o dia inteiro ou por uma propensão natural que deveria ser mais bem pesquisada. Mais importante, no entanto, seria corrigir a defasagem educacional. Não adianta rigorosamente nada ganhar o hexa se os alunos da 8ª série continuarem com nível educacional de 4ª série.
Mas a frase de Henry remete também à França: filhos de imigrantes, como ele, também têm no futebol sua melhor chance de ascensão social, mesmo que estudem, como ele, das 8h às 17h. A revolta dos subúrbios é a prova. O mundo se tornou mais cruel e menos simples do que sonha nossa contínua fuga aos fatos.

FOLHA DE SÃO PAULO E FOLHA ONLINE – 01/07/2006 – 9h
Avaliação do MEC aponta qualidade baixa do ensino fundamental

LETÍCIA SANDER
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Uma
avaliação inédita do ensino fundamental brasileiro apontou uma ligeira melhora no nível dos estudantes de 4ª série em língua portuguesa e matemática. Mesmo assim, os números divulgados ontem pelo MEC (Ministério da Educação) comprovam que o país está longe de atingir padrões de qualidade.
A pontuação alcançada pelas escolas que participaram da avaliação, denominada Prova Brasil, não foi considerada 'adequada' em nenhum dos itens avaliados, conforme escalas já usadas pelo MEC. Os testes foram feitos com 3.306.317 estudantes de 4ª e 8ª séries.
O levantamento constatou, por exemplo, que, em média, os alunos de 4ª série se atrapalham ao interpretar textos longos ou com informação científica e não conseguem ler horas em relógios de ponteiros. Também não conseguem fazer operações de multiplicação com números de dois algarismos.
No caso da 8ª série, não entendem a intenção do autor em histórias em quadrinhos nem identificam a tese de textos argumentativos com linguagem informal. Também não conseguem resolver problemas matemáticos em que é preciso fazer cálculo de conversão de medidas, como de tempo, de comprimento ou de capacidade.
Cinqüenta pontos separam o desempenho dos alunos de 4ª e 8ª série. É como se, hoje, os alunos de 8ª série tivessem conhecimentos dos de 4ª série, se comparados com índices internacionais.
Em São Paulo, os estudantes da 4ª série apresentaram melhora nas avaliações tanto de português quanto de matemática, se comparados com os resultados do Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), aplicado em 2003. Mas na 8ª série os índices apresentaram ligeira queda, de menos de três pontos, em média.
Participam do Saeb escolas privadas, urbanas e rurais de todo o país. Já no Prova Brasil a avaliação é feita por escolas públicas urbanas com mais de 30 alunos.

FOLHA ONLINE – 30/06/2006 – 19h59
MEC divulga resultados do Prova Brasil

O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta sexta-feira os resultados do Prova Brasil, programa que avalia estudantes de 4ª e 8ª ou de 5ª e 9ª séries de todo o país. Ao todo, cerca de 3,3 milhões de estudantes fizeram a prova.
Os alunos tiveram que responder questões de interpretação de texto e matemática. Mais de 40 mil escolas em 5.398 municípios participaram da avaliação, que aconteceu em novembro de 2005.
Segundo o MEC, as escolas participantes receberão os resultados, com a média geral do desempenho de seus alunos.
Os resultados podem ser checados no site do Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). O sistema mostra o desempenho de cada escola.

FOLHA ONLINE – 30/06/2006 - 19h44
Inclusão digital deve ter impacto em sistemas pedagógicos

JULIANA CARPANEZ

Especialistas reunidos no evento e-Learning Brasil --realizado nesta semana em São Paulo-- afirmam que as iniciativas de inclusão digital devem mudar os sistemas pedagógicos nos próximos anos. Neste novo cenário, os alunos terão mais iniciativa para buscar o conhecimento, enquanto os professores deverão aprender a utilizar o computador como um aliado.
Esta corrida já começou e deve ganhar intensidade em um futuro próximo. O projeto OLPC (sigla em inglês para Um Laptop por Criança), por exemplo, tem como objetivo emprestar computadores portáteis aos estudantes da rede pública no Brasil, Índia, China, Nigéria, Tailândia e Egito. O lançamento da iniciativa está previsto para o início de 2007.
"Não basta que os alunos saibam como mexer nos computadores; as máquinas devem estar associadas a iniciativas de colaboração, criatividade e expressão. Temos de encontrar novas maneiras para o uso da tecnologia, e não apenas adaptar o computador ao tradicional método de ensino", afirma David Cavallo, pesquisador do Laboratório de Mídia do MIT (Massachusetts Institute of Technology).
Rogério de Paula, que trabalha como pesquisador em etnografia (estudo de etnias) para a fabricante de processadores Intel, faz coro. "A informática deve ser integrada à educação para que estes alunos possam ser realmente incluídos na sociedade digital." Esta inclusão certamente vai muito além do uso de editores de texto e softwares para a elaboração de planilhas.

Transformações

A mudança prevista para as salas de aula nos próximos anos se assemelha muito a uma transformação observada na internet (tendência conhecida como web 2.0). Atualmente, os internautas contribuem mais com o universo virtual do que há cerca de três anos, por exemplo --os blogs e sites da categoria "wiki", que podem ser alterados por qualquer pessoa, mostram bem isso.
Assim, afirmam especialistas, em um futuro próximo o ensino na sala de aula deve se tornar mais dinâmico e contar mais com a iniciativa e colaboração dos alunos. "Uma palavra que define este cenário é envolvimento. Os estudantes vão contribuir mais para desenvolver seu conhecimento, fazendo pesquisas e organizando informações", diz Cavallo.
Rogério de Paula lembra que este processo de transformação deve estar sempre associado à valorização dos professores. "A promoção da tecnologia não pode deixá-los de lado. Os professores devem estar inseridos no contexto destas aulas, pois seu papel social tem grande importância", afirma.
 

 

Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home