13/07/2006 – CLIPPING

O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.
FOLHA DE SÃO PAULO – 13/06/2006
Alunos de 1ª e 4ª séries terão reforço de matemática em SP
Programa Ler e Escrever, já aplicado em língua portuguesa, foi ampliado
DANIELA TÓFOLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A partir do ano que vem, os alunos de primeira e quarta séries das escolas da Prefeitura de São Paulo terão aulas de reforço de matemática. O secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, afirmou à Folha que estenderá o programa Ler e Escrever, no qual os estudantes das duas séries têm aulas extras de português, para a disciplina porque a rede não está indo bem com as contas.
Os resultados da Prova Brasil -avaliação do Ministério da Educação com todas as escolas de ensino fundamental municipais e estaduais do país com mais de 30 alunos- mostraram que os alunos de quarta série da Prefeitura de São Paulo obtiveram 166,86 pontos em matemática, de um total de
Apesar de a pontuação ter sido maior do que a de português (160,42 pontos), o resultado deixou a cidade na 450ª colocação no ranking das mais de 600 prefeituras do Estado de São Paulo. Português ficou em 448º lugar.
"Começamos o Ler e Escrever com português porque o estudante precisa entender o enunciado de um problema para saber o que está sendo pedido", diz Schneider. "Mas vamos ampliar o projeto no ano que vem." Ainda não há nome para o novo programa.
O programa Ler e Escrever foi lançado oficialmente pelo ex-prefeito José Serra (PSDB) em fevereiro e funciona com professores recrutados entre alunos de faculdades de pedagogia e letras, que recebem R$ 400 por 20 horas semanais e comprovante de estágio.
De acordo com o secretário, ele já está presente em 85% das classes de primeira série. Reportagem da Folha de 24 de junho, no entanto, mostra que o programa só havia começado em 44% das classes.
Outro objetivo é ampliar o projeto para o segundo ciclo do ensino fundamental (de quinta a oitava séries) e envolver mais disciplinas.
Lógica
Para Maria Amábile Mansutti, que coordenou os Parâmetros Curriculares Nacionais de matemática, é preciso adotar novas metodologias no ensino da disciplina. "Os alunos têm de entender a lógica e não achar que matemática é apenas memorização", afirmou.
Renan Alves, 10, aluno da quarta série da rede municipal de São Paulo, até que vai bem na disciplina, mas diz não gostar de matemática. "A gente tem que ficar decorando muita coisa e é fácil de confundir. Prefiro artes e português."
Leônidas de Oliveira Brandão, do Laboratório de Ensino de Matemática da Universidade de São Paulo, diz que é preciso usar diferentes recursos, como o computador, e formar melhor os professores da disciplina. "Se olharmos os dados dos provões do Ministério da Educação que analisaram os cursos de licenciatura em matemática, nota-se que a formação está aquém da necessária."
FOLHA DE SÃO PAULO – 13/07/2006
Unifesp aprova cotas para professores
Docentes da rede pública disputarão entre si três das 50 vagas em seis cursos oferecidos nos campi da instituição na Grande SP
Definição começa a valer já no próximo vestibular; medida se soma às cotas na universidade para alunos negros, pardos ou indígenas
FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL
A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aprovou ontem um novo tipo de cota: em seis dos seus cursos, haverá reserva de vagas para professores de escolas básicas públicas.
Os docentes disputarão entre si três das 50 vagas das carreiras de química, biologia, história, filosofia, ciências sociais e pedagogia. A medida vale já para o próximo vestibular, a ser aplicado em dezembro.
Os cursos serão oferecidos nos novos campi da instituição, na Grande São Paulo. Os dois primeiros funcionarão em Diadema; os outros, em Guarulhos.
A medida se soma às cotas na universidade para alunos negros, pardos ou indígenas do ensino médio público. Há dois anos, a instituição reserva 10% de suas vagas a esse alunato.
"Até agora, as ações afirmativas em discussão focavam o resultado, ou seja, os alunos com um ensino deficiente", afirmou à Folha o pró-reitor de graduação da Unifesp, Luiz Eugênio Mello. "Agora, queremos atacar realmente o problema. O professor poderá transmitir o conhecimento para todos os seus estudantes."
As cotas para professores foram aprovadas pelo Conselho Universitário (órgão máximo da Unifesp). A instituição escolheu cursos ligados à formação de docentes do ensino básico -medicina, por exemplo, não integra o programa.
Poderá participar qualquer professor da rede básica pública. Mas, como a intenção é que o docente não deixe totalmente suas atividades, a universidade espera que os candidatos sejam todos da Grande São Paulo.
Mello disse que não há estimativa de demanda de candidatos. "Vamos avaliar o programa. No ano que vem, podemos tanto aumentar o número de vagas como acabar com a ação."
Para Alípio Casali, professor da pós-graduação em educação da PUC-SP, o sistema é positivo. "Ele ajudará a qualificar o ensino público, com um efeito multiplicador importante."
Cotas raciais
O novo sistema de reserva de vagas da federal de São Paulo foi aprovado em meio à discussão nacional sobre a implementação ou não de cotas raciais em todas as universidades federais e no serviço público.
O movimento a favor das cotas defende que o sistema diminui a desigualdade. O grupo contrário afirma que a iniciativa acentua a discriminação porque dá respaldo legal ao conceito de raça.
FOLHA DE SÃO PAULO – 13/07/2006
Sobra de vaga faz universidade mudar vestibular
DA REPORTAGEM LOCAL
Devido ao baixo desempenho de boa parte dos vestibulandos cotistas, a Unifesp decidiu alterar as regras do seu próximo exame. Agora, as vagas não-preenchidas por esses estudantes serão destinadas aos mais bem colocados da escola pública, independentemente da ascendência.
Até este ano, somente eram beneficiados alunos negros, pardos ou indígenas.
A medida foi tomada porque, no último exame, 17 das 46 vagas aos cotistas não foram ocupadas, pois boa parte desses candidatos zerou em ao menos uma das provas.
Apesar da dificuldade dos vestibulandos cotistas, a federal de São Paulo decidiu manter a reserva porque um estudo da instituição mostra que os beneficiados que conseguem ser aprovados têm desempenho semelhante aos demais durante a graduação.
No curso de medicina, por exemplo, a nota que alunos de ambos os grupos mais tiraram foi 8,5. (FT)
FOLHA DE SÃO PAULO – 13/07/2006
Questão de química da prova de meio de ano da Unesp é anulada
DA REPORTAGEM LOCAL
A questão 66 de química do vestibular da Unesp foi anulada por não apresentar resposta possível. Todos os candidatos receberão pontos por esse teste.
"Consultamos o revisor, o elaborador e mais um terceiro revisor neutro que não participou da elaboração. Houve convergência de que não há resposta possível", explicou Fernando Prado, diretor acadêmico da Vunesp, fundação que organiza o processo seletivo.
Hoje, acontece a prova de português do processo seletivo. Ontem, na prova de exatas, o cursinho Objetivo apontou impossibilidade de resolver o item B da questão 15. As bancas elaboradoras da Vunesp vão analisar a pergunta.
Ontem, o índice de abstenção foi de 7,3%, pouco superior ao do ano passado, que foi de 6,2%. Hoje, termina o vestibular com a prova de português e de redação. Os organizadores recomendam a chegada às 13h. O início está previsto para as 14h.
PORTAL DO MEC – 13/07/2006 10H50
Programa Fazendo Escola realiza cadastramento
A Coordenação-Geral de Educação de Jovens e Adultos, da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC), reforça a convocação das equipes coordenadoras do Programa Fazendo Escola, nos estados e municípios, para se cadastrarem no Sistema de Monitoramento de Educação de Jovens e Adultos (Monieja) até o próximo dia 24.
“Todas as equipes coordenadoras do Programa Fazendo Escola, nos 3.397 municípios das 27 unidades da Federação, devem se cadastrar no Monieja. Caso contrário, os repasses de recursos do programa serão suspensos para aquelas equipes que não se cadastrarem”, disse Cláudia Veloso Guimarães, coordenadora-geral da Educação de Jovens e Adultos da Secad.
A previsão de investimentos do programa para 2006 atinge o montante de R$ 498 milhões. O universo de atendimento do Fazendo Escola alcança 3,3 milhões de alunos. “Pela primeira vez, o cadastramento das equipes municipais e estaduais pode ser feito eletronicamente. O novo sistema de monitoramento permitirá a emissão de três tipos de relatórios: planejamento, acompanhamento e execução do programa”, afirmou Claudia Veloso Guimarães.
“O cadastramento é importante, também, para facilitar o acompanhamento e agilizar os contatos com as equipes municipais e estaduais de coordenação do Programa Fazendo Escola. Iniciado em 9 de maio, ele deverá ser completado até 24 de julho”, concluiu a coordenadora.
Repórter: José Leitão
O ESTADO DE SÃO PAULO – 13/07/2006
Política de cotas é vitória para negros, diz Lula
Presidente ressaltou ações de sua gestão para reduzir a desigualdade
Lisandra Paraguassú
Ao abrir ontem em Salvador a 2ª Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu a existência de um difícil debate nacional em torno do Estatuto da Igualdade Racial, afirmando em seguida que ele é bom e fruto de um direito conquistado. A uma platéia de 2 mil pessoas de várias partes do mundo, militantes do movimento negro e chefes de Estado de nações africanas, Lula afirmou que seu governo iniciou projetos com a intenção de reduzir a desigualdade.
"Todos nós temos uma dívida a pagar", afirmou. "Aqui no Brasil criamos a Secretaria Especial da Igualdade Racial, com o papel de ministro de Estado, para criar possibilidades de termos alguns avanços, o que, muitas vezes, não acontece com a facilidade que gostaríamos."
Lula citou o programa Universidade para Todos (ProUni) como exemplo de ações que funcionaram. Lembrou que, dos 203 mil alunos selecionados para bolsas nas universidades, 63 mil são afrodescendentes, porque o programa reserva parte das vagas para essa população.
Ao falar sobre o debate em torno dos dois projetos de lei que tramitam no Congresso, tratando de cotas raciais em universidades, no serviço público e em empresas que prestam serviços ao governo federal, o presidente afirmou: "A possibilidade de polemizar sobre essas questões não é uma coisa ruim, é uma conquista que os negros tiveram".
Lula evitou entrar em detalhes sobre a polêmica. Voltou a defender sua política de aproximação econômica com a África. "O Brasil vai continuar tendo forte prioridade na sua relação com o continente africano."
O encontro em Salvador reúne intelectuais africanos e da chamada diáspora, que engloba os países que receberam escravos africanos. O primeiro encontro foi no Senegal, em 2004.
Além do discurso de boas-vindas, Lula falou na primeira mesa da conferência, sobre o futuro da África e dos países da diáspora. Bastante aplaudido, ao chegar ao auditório ele teve direito a uma claque, que entoou o Lula-lá de velhas campanhas.
Mais tarde, ele se reuniu com um grupo de 20 pessoas, entre parlamentares negros, intelectuais que assinaram o manifesto a favor das cotas raciais, entregue na semana passada no Congresso, e militantes do movimento negro. Diante deles e da ministra Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial, assegurou que o governo vai continuar defendendo o Projeto de Lei 73/99, que estabelece cotas para negros e índios nas universidades.
CONFUSÃO
Escolhido para sediar a Ciad pelo fato de concentrar a maior população negra no mundo fora da África, o Brasil deixou a desejar na organização do evento. Entre outros problemas, o acesso ao auditório da cerimônia de abertura era difícil, com apenas dois elevadores, o que provocou enormes filas.
No início da manhã, enquanto Lula recebia em audiência o presidente de Botsuana, Festus Mogae, o chefe do cerimonial do Itamaraty, embaixador Ruy Casaes, lavava xícaras e copos, porque o pessoal que deveria servir água e café não tinha chegado.
No discurso da abertura o presidente gastou pouco mais de três minutos. Perdeu mais tempo tentando ajudar a resolver o problema da tradução simultânea. Logo depois dos cumprimentos aos presentes, Lula foi obrigado a parar, porque o sistema não estava funcionando. Ele acabou ajudando os tradutores a fazer os ajustes.
Governo tenta evitar descompasso entre ministros
Depois que o ministro Tarso Genro, das Relações Institucionais, surpreendeu sua colega Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial, com o anúncio de que o Executivo preferia investir mais em cotas sociais do que nas cotas raciais, o governo tenta afinar seu discurso. Em encontro no Planalto, com a presença de Matilde, Tarso e Fernando Haddad, da Educação, ficou acertado que o governo dará ênfase às cotas sociais, mas com a soma das cotas raciais - como já tinha definido em 2004.
Por outro lado, também combinaram que agora os esforços serão concentrados na aprovação do Projeto de Lei 73/99, que trata de cotas em universidades e que o Executivo ajudou a preparar. Quanto ao Estatuto da Igualdade Racial, que saiu do Congresso e trata a questão de maneira mais abrangente, o governo insistirá que está aberto ao diálogo.
