14/07/2006 – CLIPPING

O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.
FOLHA DE SÃO PAULO – 14/07/2006 (TENDÊNCIAS/DEBATES)
Educação para todos
KOÏCHIRO MATSUURA
Mais de 100 milhões de crianças com idade para o ensino fundamental estão fora da escola. A maioria é da África. 55% são meninas
DESENVOLVIMENTO econômico e social em um mundo globalizado, industrializado e moderno não pode acontecer sem uma força de trabalho educada e capacitada. Investimentos de capitais e ações promotoras de desenvolvimento terão maior impacto se a população local tiver conhecimentos para dar a eles bom uso. O primeiro passo na criação dessa capacidade humana é a educação.
Em 2000, os governos de vários países do mundo se comprometeram a possibilitar oportunidade de aprendizado a cada homem, mulher e criança até 2015. Desde então, quase 20 milhões de novos estudantes entraram em escolas de ensino fundamental na África subsaariana e no Sul e Oeste da Ásia. 47 países atingiram a universalização da educação primária. O número de estudantes do ensino médio quadruplicou o de estudantes do nível fundamental. E, em cerca de 70 dos 110 países pesquisados, o gasto público em educação cresceu substancialmente.
Contudo, mais de 100 milhões de crianças em idade de freqüentar o ensino fundamental ainda estão fora da escola. A maioria está na África, e 55% são meninas. Cerca de um quinto dos adultos do mundo -estimados em 771 milhões, dois quais dois terços são mulheres- não sabem ler e escrever.
Atingir as metas de "Educação para Todos" requer o aproveitamento integral da vontade política e dos recursos financeiros e humanos da comunidade mundial. O encontro dos países-membros do G8
Na reunião do ano passado do G8, em Gleneagles, no Reino Unido, esse grupo comprometeu-se a doar anualmente a quantia extra de US$ 50 bilhões até 2010. Pelo menos metade dessa quantia deveria ir para a África. Não é claro, entretanto, quanto desse dinheiro estará reservado para a educação. Mas deverá ser uma proporção substancial.
Se quisermos atingir os objetivos de "Educação para Todos" até 2015, os recursos externos para a educação básica devem aumentar -atingir, pelo menos, US$ 12 bilhões por ano, mais que os US$ 4,4 bilhões destinados pelos países desenvolvidos em
A Unesco precisa, juntamente com outras agências das Nações Unidas, sociedade civil e governos, oferecer uma orientação clara sobre como esses fundos poderiam ser mais bem empregados.
Os professores são a maior prioridade. Precisamos de mais 18 milhões de docentes no mundo inteiro até o ano de 2015. E esses profissionais precisam ser mais bem treinados: atualmente, em muitos países pobres, eles estudaram muito pouco além do ensino fundamental.
O analfabetismo de adultos e a aprendizagem continuada são outros pontos críticos. Adultos alfabetizados ganham mais, têm famílias menores e mais saudáveis e têm mais probabilidade de assegurar que seus filhos -e, especialmente, suas filhas- freqüentem a escola.
A ajuda internacional precisa também ser mais planejada e sistemática, permitindo, dessa forma, que os governos planejem a longo prazo. Historicamente, a ajuda tem variado significativamente de ano a ano. Mas os custos educacionais são recorrentes: salários dos professores, por exemplo, devem ser pagos regularmente; escolas devem ser construídas e mantidas; livros escolares e outros materiais de aprendizagem devem ser fornecidos e incentivos devem ser dados para encorajar os pais pobres a mandar seus filhos para a escola.
A eliminação de taxas escolares, o fornecimento de merenda ou bolsas familiares destinadas a compensar a perda causada pela interrupção do trabalho infantil fizeram a diferença em muitos países. Quando o Quênia aboliu as taxas escolares em 2003, as matrículas aumentaram a tal ponto que, em 2004, 84% das crianças em idade de freqüentar a escola fundamental estavam matriculadas. Prover educação pública de qualidade é um processo de longo prazo e complexo que requer compromisso.
O valor de US$ 12 bilhões de dólares extras por ano não é um preço extravagante a pagar pelos dividendos que países, comunidades e indivíduos colherão a partir de um investimento sólido como esse.
KOÏCHIRO MATSUURA, 68, economista e diplomata japonês, é o diretor-geral da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
FOLHA DE SÃO PAULO – 14/07/2006
Escola do crime
A abundância de jovens sem perspectivas facilita a arregimentação do PCC; o treino e a disciplina ajudam na organização e nas ações capazes de parar a cidade
GILBERTO DIMENSTEIN
COLUNISTA DA FOLHA
O ranking nacional de aprendizado dos alunos em português e matemática, divulgado neste mês, é uma das explicações para o poderio do PCC. A cidade de São Paulo demonstrou, nessa prova, pior desempenho do que quase todas as capitais.
Ruins na média, os índices das escolas paulistanas são especialmente devastadores na periferia, ajudando a formar multidões de jovens que, pela baixa qualificação, não conseguem se colocar no mercado de trabalho -e, assim, se seduzem pelas ofertas do crime organizado.
Para entender o poder de arregimentação do PCC é preciso, antes de mais nada, prestar atenção à informação levantada pela Fundação Seade: 65% da população entre 15 e 19 anos mora na periferia, onde faltam os mais diversos serviços públicos, a começar do policiamento. Esse grupo terá poucas condições de usufruir de uma educação de qualidade, capaz de levá-los a se inserir na sociedade. O caminho mais provável, para muitos, é a evasão.
A taxa de desemprego juvenil em várias bairros da periferia, de acordo com o Dieese, chega a 70% -a média para todas as idades gira em torno de 16%. Apenas na cidade, cerca de 500 mil pessoas entre 15 e 24 anos, o suficiente para lotar cerca de oito estádios do Morumbi, nem estudam nem trabalham.
O quadro se agrava ainda mais quando se contabilizam os números de toda a região metropolitana, foco de arregimentação do PCC -e, aí, se chega a perto de um milhão de jovens, entre 15 e 24 anos, que não fazem nada e, pela baixa escolaridade, não têm perspectivas profissionais.
Para muitos desses jovens, o caminho para o crime organizado - inclusive o PCC- é quase uma linha reta, começando dos problemas familiares. Em regiões periféricas, uma mulher tem em média quatro filhos e, em geral, começa cedo, ainda adolescente. O que se vê cada vez mais é o pai ausente; ou um pai ou padrasto presente, mas violento. Freqüentemente, o álcool é um dos ingredientes associados à desestrutura familiar. Acrescente-se que, na falta de ofertas de lazer e cultura, os bares tornam-se uma das grandes atrações e garantia de divertimento barato. O que também significa mais combustível à violência, a começar da violência doméstica.
Esses jovens, sem perspectiva, rejeitados pela escola e pela família, acabam encontrando na gangue uma dupla satisfação: fonte de renda e de auto-estima. A gangue passa a ser a família que eles não tiveram e o escudo para que sejam respeitados e temidos.
Como eles se sentem com pouco a perder e precisam dar uma demonstração de coragem e de solidariedade com o grupo, ficam expostos e acabam indo para a cadeia. A essa altura já sabem, há muito tempo, que conseguem ganhar, em um dia na criminalidade, o que não fariam em um mês honestamente - e, a essa altura, já ficariam insensíveis à violência.
Quando chega à prisão, ele é um ser disciplinado e treinado para obedecer às ordens do crime organizado. Sabe que, nesse ambiente, a pena de morte faz parte de um código de honra. Não pagar dívida, por exemplo, é um deslize tido como, literalmente, mortal. Ao sair da cadeia, ele sabe que a desobediência é uma falta grave -e, além do mais, não teria mesmo onde conseguir ganhar dinheiro fora da delinqüência.
A abundância de jovens sem perspectivas facilita a arregimentação do PCC; o treino e a disciplina deles ajudam na organização e nas ações arriscadas capazes de parar uma das maiores cidades do mundo.
O ESTADO DE SÃO PAULO E JORNAL DA TARDE – 14/07/2006
Unifesp aprova cotas para professores
EMILIO SANT'ANNA
O Conselho Universitário da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aprovou um sistema de cotas para professores do ensino básico da rede pública. A partir do próximo vestibular, em dezembro, os cursos de Filosofia, Biologia, Pedagogia, Química, História e Ciências Sociais reservarão três vagas, cada, para os professores.
A universidade mantém há dois anos um sistema de cotas para os alunos negros, pardos e indígenas das escolas públicas. As novas vagas serão oferecidas no campus de Diadema e Guarulhos."Esses professores serão multiplicadores do conhecimento obtido na universidade", diz o pró-reitor de Graduação, Luiz Eugênio Mello.
Para garantir que o professor continue na escola pública, a Unifesp assinou convênios com as prefeituras de Diadema e Guarulhos. O professor não terá seu salário reduzido por deixar de dar aulas em algum dos períodos.
A presidente interina do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Isabel Noronha, concorda com a iniciativa, mas faz uma ressalva. "Isso deve estar condicionado ao retorno dos professores para o ensino básico", diz.
JORNAL DA TARDE – 14/07/2006
O uso do lúdico no ensino infantil
MAÍRA TEIXEIRA
Ensino de qualidade que auxilie na educação infantil do País. Essa é a proposta de um programa de formação desenvolvido em parceria entre a Fundação Orsa, professores da USP e educadores voluntários para capacitar professores de ensino infantil.
O objetivo do programa é estimular os profissionais da educação infantil a desenvolver suas atividades em sala de aula utilizando o lúdico. Especialistas consultados pelo JT afirmam que o método tem tudo para dar certo. Primeiro, porque tem baixo custo e, segundo, porque a ferramenta pedagógica é adequada para a idade dos alunos."Na prática, os professores aprendem a trabalhar o lúdico com os alunos para desenvolver e estimular as funções cognitivas, a auto-estima, a autonomia e a capacidade de discernimento deles. Essas funções estimulam a base do conhecimento", ressalta Giovana Barbosa de Souza, mestranda em Educação.
A coordenadora pedagógica Rosa Marcos afirma que, para a criança, brincar é aprender. "Criança precisa brincar porque são as atividades lúdicas que estimulam o desenvolvimento emocional e racional nessa idade." A especialista analisa que o ponto do projeto que prevê em primeiro lugar a capacitação do professor também é um acerto. "Os professores têm de aprender a brincar e a deixar fluir isso naturalmente na criança, caso contrário vai começar a impor."
Neide Noffs, professora de Pedagogia da Faculdade de Educação da PUC-SP, afirma que professores precisam estimular o desenvolvimento de habilidades e competências das crianças. "A ferramenta lúdica utilizada dessa forma ajuda a construir a autonomia. Além da construção do conhecimento são ministradas noções morais e sociais - fundamentais à formação."
Para o presidente do Grupo Orsa, Sergio Amoroso, o programa funciona bem, mas precisa de ajustes nas fases de implementação. "Fazemos ajustes regionais e inserimos brincadeiras típicas locais. Assim, cria-se a afinidade necessária para cada caso. Temos um exemplo que ilustra bem essa adaptação inicial. Em uma comunidade carente de Porto Seguro (BA), as mães foram capacitadas e se tornaram as professoras e multiplicadoras. Assim concluiu-se que temos um bom programa de educação que pode ser replicado em qualquer lugar."
Cada escola, uma realidade
Criado em 1998, o Programa de Formação Continuada de Profissionais capacita educadores para torná-los aptos a elaborar, implementar e avaliar, em parceria com a escola, a família e a comunidade, projetos pedagógicos coletivos direcionados às necessidades e carências de creches e pré-escolas públicas e organizações sociais.
A Fundação Orsa tem equipes responsáveis pela capacitação nos locais. O processo é contínuo porque acompanha o desenvolvimento das atividades da implementação até a consolidação. Professores, pais e a comunidade participam das aulas e de oficinas de montagem de brinquedos. Informações: www.fundacaoorsa.org.br.
JORNAL DA TARDE – 14/07/2006
NOTAS
EDUCOMUNICAÇÃO
O GENS - Serviços Educacionais e ONG Projeto Cala-Boca já Morreu estão com as incrições abertas para o curso de formação em educomunicação para professores. Informações: www.portalgens.com.br
OLIMPÍADAS
Os professores de Ensino Médio têm até o dia 9 de agosto para inscrever seus alunos na Olimpíada Brasileira de Física, que será iniciada em agosto. (www.sbf1.sbfisica.org.br/olimpiadas)
PALESTRA GRATUITA
O Instituto de Psicologia da USP promove no dia 21 de julho a palestra gratuita "Amor: uma abordagem científica", na Casa do Saber, Rua Mário Ferraz, 414, Jardins, São Paulo. Inscrições: (11) 3707-8900
ESCRITA
A PUC-SP está com as inscrições abertas até 26 de julho para o curso "Sintomas na Escrita: leitura interdisciplinar", que será realizado no 2º semestre. (11) 5549-9488.
CURSO
A AACD abre inscrições para o “Curso de Formação Básica
PRÊMIO
As inscrições para Prêmio Arte na Escola Cidadã foram prorrogadas até 19 de julho. O prêmio é voltado aos professores que tenham projetos para a qualidade no ensino das artes. (www.artenaescola.org.br).
