26/07/2006 – CLIPPING

O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.
FOLHA DE SÃO PAULO – 26/07/2006 (TENDÊNCIAS/DEBATES)
Cotas com qualidade para a escola pública
GUSTAVO BALDUINO
No Brasil, a pobreza tem cor. Entretanto, o modelo único imposto a todas as universidades federais fere sua autonomia
ESTAMOS EM uma nação de excluídos, na qual ter acesso ao ensino superior ainda é privilégio -apenas 10% da população com idade entre 18 e 24 anos está nesse nível de ensino. Mesmo a universalização do ensino médio está longe de se concretizar, pois somente 44,4% dos jovens entre 15 e 17 anos estão matriculados. Logo, qualquer brasileiro que concluiu o ensino médio pode ser considerado cotista de uma elite.
O projeto de lei nº 3.627/04, que reserva 50% das vagas nas universidades federais para alunos egressos das escolas públicas, negros e índios, trata de valores culturais e interesses importantes da sociedade. No momento, aguarda votação na Câmara.
Sabemos que a implantação de cotas enfrenta resistência, sobretudo por parte daqueles que confundem mérito com pequena quantidade. A pertinência social do projeto está condicionada à combinação entre o atendimento aos alunos egressos do ensino público, a permanência destes nas Ifes e a manutenção da qualidade.
Um dos argumentos usados contra cotas é a aparente contradição com o mérito. Desconsiderar que o ensino superior forma a elite de um país é ignorar o seu papel estratégico. No entanto, essa elite deve ser intelectual, e não econômica.
Mérito e cotas podem ser combinados, por exemplo, beneficiando apenas aqueles que alcançarem uma nota mínima. O reforço acadêmico, que já é usual, permite preencher lacunas na formação dos alunos. Também é necessário criar condições de permanência como subsídios para alimentação, moradia e transporte aos estudantes carentes.
Outro argumento contra é que os governos deveriam cuidar da qualidade do ensino básico público. Embora verdadeiro, não impede que ações afirmativas de caráter socioeconômico possam vir simultaneamente a medidas de qualificação do ensino público, como o Fundeb.
As cotas sociais podem inclusive colaborar para a melhoria do ensino público. A provável migração de setores da classe média colocará nesse ambiente usuários mais conscientes e organizados para demandar dos governos maior atenção e investimento. Quanto à questão racial, é necessário que a sociedade brasileira reconheça a discriminação ocorrida desde seus primórdios e busque superá-la.
A solução passa pela educação cidadã de todos, e não pela separação legal entre brancos e negros. Se assim fosse, qual a justificativa para não estabelecer cotas raciais para todos os concursos públicos? Nas empresas? Nos partidos? E nos Parlamentos? Estes sim, com a obrigação de representar o perfil da sociedade brasileira. Mas, se por hipótese, na tentativa de inclusão, instituíssemos essa regra em todos os ambientes sociais e de Estado, estaríamos resgatando uma dívida ou segmentando definitivamente a sociedade? O que impedirá restaurantes, ônibus, locais públicos em geral de separar lugares para "beneficiar" negros?
Esse talvez seja o caminho mais rápido para a legalização de abomináveis comportamentos racistas e um conseqüente retrocesso nas nossas relações étnicas. Assim, é impróprio e não deveria constar da lei. Já temos uma sociedade dividida em classes, não precisamos dividi-la
Se o objetivo é a inclusão ou democratização do acesso ao ensino superior, será melhor tratado com a implantação de cotas socioeconômicas, o que certamente interferirá de maneira objetiva na questão étnica. No Brasil, a pobreza tem cor. Entretanto, o modelo único imposto a todas as universidades federais fere sua autonomia. Algumas instituições, cada uma a seu modo e ao seu tempo, já implementaram diferentes sistemas. Essas experiências devem ser consideradas.
O projeto de lei merece ser discutido e aprimorado sem preconceitos nem como saída milagrosa da exclusão. No entanto, a lógica da inclusão no ensino superior deve ser de políticas públicas universais, como a expansão, interiorização, cursos noturnos e ensino à distância, sempre com qualidade. Ações afirmativas, como cursinhos pré-vestibular, bolsas e cotas só podem ser acolhidas como soluções parciais e temporárias.
GUSTAVO BALDUINO, 44, engenheiro mecânico, especialista em planejamento, orçamento e gestão pública pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), é secretário-executivo da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior).
O ESTADO DE SÃO PAULO – 26/07/2006
Grupo avaliará creches de SP
Falta de cuidados com saúde foi mostrada pelo 'Estado'
A Secretaria Municipal de Educação, em conjunto com a Secretaria de Saúde, deverá assinar nos próximos dias uma portaria que cria um sistema de referência em saúde que englobará, além de medidas para o ensino fundamental e médio, o atendimento e o cuidado dentro das creches da cidade.
"Isso está sendo discutido entre os secretários e vamos criar esse sistema para definir quem será responsável, quais unidades de saúde, pelas crianças de cada região da cidade. Deverá ser assinado agora, nos próximos dias", afirma Domingos Palma, coordenador do programa Escola Promotora de Saúde e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Ele coordena um grupo de discussão que foi formado justamente para debater e elaborar propostas sobre o tema na Secretaria de Educação.
O problema do despreparo dos profissionais, o que leva à falta de cuidados básicos de saúde nos centros de educação infantil (nome atual das creches), foi mostrado no domingo pelo Estado. Pesquisa de um grupo multidisciplinar da Unifesp revelou que diariamente ocorrem casos de preparo incorreto de alimentos, falta de higiene, quantidades erradas de leite e dúvidas na hora de medicar e limpar as crianças.
Isso porque desde que migraram da Assistência Social para a Educação, as creches perderam a figura do profissional de saúde, geralmente um enfermeiro ou auxiliar de enfermagem que ficava nas unidades, embora tenha avançado a formação pedagógica dos professores e a consciência da importância da educação infantil para o desenvolvimento das crianças com até 3 anos de idade.
A falta do profissional de saúde é sentida pelos diretores e leva a questionamentos básicos sobre como proceder quando uma criança tem febre, vomita ou precisa de medicação.
Atualmente, apenas alguns centros de educação infantil conveniados, administrados por entidades e que recebem verbas públicas, conseguem manter um enfermeiro.
O ESTADO DE SÃO PAULO – 26/07/2006
Contra a crise, universidades vão ao mercado financeiro
Instituições profissionalizam a gestão, fogem dos juros bancários e colocam papéis à venda
Renata Cafardo, Karine Rodrigues
A crise no ensino superior brasileiro privado fez com que universidades começassem a buscar recursos no mercado financeiro. Numa operação inédita no setor da educação, elas têm emitido debêntures, ou seja, colocado papéis da instituição à venda. O dinheiro, usado para sanar dívidas e fazer investimentos, tem de ser devolvido depois de um período determinado. Os juros, no entanto, são mais baixos que os bancários. Para educadores, essa é uma forma de profissionalizar a gestão e impedir o fechamento de universidades.
A operação mais recente é a da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), que acabou de receber a autorização para a emissão de R$ 40 milhões em debêntures. "O ensino superior mudou nos últimos anos, a concorrência aumentou muito e precisávamos fazer uma reestruturação", diz o diretor-financeiro da universidade, Marcelo Naddae. Como a maioria do setor, a Unicid sofre com a inadimplência, que chega a 12% ao mês. O dinheiro dos títulos, segundo ele, servirá para pagar dívidas e investir em um novo campus na zona sul da cidade. A instituição tem hoje 11 mil alunos e uma unidade no Tatuapé.
"Os alunos só ganham. Melhora a qualidade de ensino e as mensalidades não aumentam", diz o diretor-administrativo da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Luís Carlos Urbano. A instituição foi a primeira no País a emitir debêntures em 2004 por causa de uma dívida de R$ 56 milhões. Com a operação, a Ulbra - que tem 90 mil alunos e é uma das maiores do Brasil - conseguiu 85% dos R$ 205 milhões lançados no mercado.
O dinheiro foi usado também para a construção de um hospital universitário e de um prédio para o curso de Odontologia. "Saímos do juro caro e conseguimos investir", diz Urbano, referindo-se ao que é cobrado pelos bancos. Segundo Urbano, o investimento foi feito por 25 empresas, entre elas, fundos de pensões e o Banco do Brasil.
Mesmo com a crise atual, o especialista em educação superior da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Abílio Baeta Neves acredita que as universidades ainda são consideradas bons investimentos e por isso a emissão de debêntures está funcionando bem. "Cerca de 70% do ensino superior é privado, as pessoas acreditam que terão boa margem de lucro ao investir", diz.
MAIS VAGAS E MENOS ALUNOS
O ensino superior privado brasileiro cresceu muito no fim dos anos 90 e no início do 2000, com a mudança na concessão de autorizações para abertura de universidades e cursos. Das 764 instituições privadas que existiam em 1998, o último censo do Ministério da Educação (MEC) mostrou 1.789 em 2004. O ritmo de crescimento tem diminuído nos últimos anos, quando se começou a constatar a saturação do mercado e falta de alunos.
Atualmente, as instituições privadas oferecem mais de 2 milhões de vagas
"As universidades precisam virar corporações, não dá mais para o dono ser o reitor e a mulher dele, a vice-reitora", diz o ex-ministro da Educação e consultor Paulo Renato Souza. A emissão de debêntures não significa uma abertura do capital da empresa, já que não há ações na bolsa. Mas, se isso começar a ocorrer no Brasil, como já acontece com algumas instituições de educação no exterior, Paulo Renato também não vê problemas. "Não tem diferença nenhuma entre o capital de uma família e o dinheiro na bolsa."
Segundo o MEC, não há impedimento na legislação brasileira à emissão de debêntures. A reforma universitária, no entanto, impede a abertura total do capital a instituições estrangeiras. A exigência é de que pelo menos 70% do capital votante das mantenedoras pertença a brasileiros.
A UniverCidade, do Rio, que tem 34 mil alunos, está satisfeita com a opção pela emissão de debêntures, feita em 2004, diz o vice-reitor, Antônio Alvarenga. Foram lançados no mercado R$ 40 milhões. A instituição conseguiu captar R$ 22 milhões, com prazo até 2009 para pagar. A maior parte dos recursos foi direcionada para a área de investimentos, por causa do crescimento acelerado da instituição no período imediatamente anterior à entrada no mercado de capitais. "De 2000 para cá, o número de alunos passou de 6 mil para 34 mil. Eram 4 unidades, hoje são mais de 20. Precisávamos aportar mais recursos."
A Universidade Estácio de Sá, a maior particular do País em número de alunos da graduação, 104 mil, também está avaliando a possibilidade de captar recursos no mercado financeiro. "Estamos estudando isso internamente. Para dar um passo dessa envergadura, precisamos fazer uma estruturação dentro da instituição. Não é algo a curto prazo", declarou o diretor Marcelo Campos, sem detalhar as mudanças que seriam necessárias.
Debêntures são papéis bastante utilizados pelas empresas brasileiras para captar recursos. A Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima) prevê que o valor total das emissões de debêntures deve superar R$ 35 bilhões neste ano.
JORNAL DA TARDE – 26/07/2006
Olimpíada de Física: ainda é tempo de planejar
MARIA REHDER
As inscrições para a Olimpíada Brasileira de Física (OBF 2006) encerram-se na próxima segunda-feira (31/7). No entanto, para os educadores que temem pelo desempenho de seus alunos, ou nem sequer elaboraram um projeto de preparo para este torneio, especialistas em educação ouvidos pelo JT aconselham: ainda há tempo de planejar.
Segundo Yvonne Mascarenhas, professora do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (www.ifsc.usp.br), os professores não só devem incentivar a participação de seus alunos na Olimpíada, mas precisam criar métodos para atrair o interesse para a área de exatas. "Os educadores têm de entender que se os seus alunos tiverem um mau desempenho nas provas, o problema não está apenas relacionado à sua prática pedagógica", diz.
A péssima colocação do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), é citada por Yvonne como um exemplo que mostra a falta de qualidade na educação brasileira também em áreas como Língua Portuguesa, Matemática e Ciências. "O professor da rede pública tem de enfrentar o desafio de ter uma sala de aula lotada, com mais de 40 alunos, acumular horas de trabalho em escolas diferentes para ter um salário digno e em muitos casos não ter ao menos laboratório. Esses são fatores fundamentais para a qualidade."
Entretanto, para aqueles que desejam driblar estas dificuldades, Yvonne indica a busca de parcerias com universidades. "A academia tem muito a oferecer aos professores de Ensino Fundamental e Médio. Há docentes que podem ampliar o acesso dos professores aos conteúdos de sua área de atuação."
Já o professor Euclydes Marega Jr., coordenador da OBF 2006, ressalta que um bom planejamento de aula já faz diferença. "Ao explicar a Física por meio de experiências e fenômenos da vida prática, os alunos se divertem aprendendo", diz.
Os desafios da prática
Para Ana Paula Marques, coordenadora pedagógica da Escola Estadual Sebastião de Oliveira Rocha, localizada
A responsável por este sucesso, segundo Ana Paula, é uma parceria firmada com a USP há mais de 6 anos. "A professora Yvonne Mascarenhas nos procurou para a realização de um projeto de contra-turno para alunos de Ensino Médio que tivessem interesse em se dedicar ao aprendizado de exatas. Começamos como voluntários, depois conseguimos verba da Fapesp e hoje temos o apoio de empresas."
O projeto contempla a interdisciplinaridade com base em biologia, português, ma temática, física e química. "Os alunos se comprometem com 12 horas a mais de estudos por semana. Em vez de reclamar, eles adoram, pois criamos atividades
Incentive os alunos de 8ª série
A grande novidade para a edição 2006 da Olimpíada Brasileira de Física (OBF) é que as inscrições, além do Ensino Médio, também estão abertas para os alunos de 8ª série do Ensino Fundamental. Os professores têm até 31 de julho para fazer o credenciamento. Já a inscrição dos alunos (nas escolas) para a primeira fase pode ser feita até 9 de agosto.
A primeira prova está marcada para 12 de agosto. "Os professores que ainda não se inscreveram devem criar coragem, pois a prova é um incentivo para que os alunos se esforcem e ainda há tempo para a elaboração de atividades diferenciadas", diz Euclydes Marega Jr, coordenador da OBF 2006.
Informações:(11)3814-5152
JORNAL DA TARDE – 26/07/2006
Guarnieri e Cortez dão nome a escolas
A Escola Estadual da Mooca, no Brás, região central de São Paulo, mudou de nome. Por decisão do governador Cláudio Lembo, ela foi batizada Gianfrancesco Guarnieri, em homenagem ao ator falecido sábado. O decreto foi publicado ontem no Diário Oficial do Estado. Outra escola estadual que ganhou novo nome é a da Lapa, na Rua Faustolo, Zona Oeste. A unidade passou a se chamar Raul Cortez, em memória do ator que morreu na semana passada.
Unifesp: isenção de taxa só até sexta
O prazo para pedir isenção da taxa de inscrição do vestibular 2007 da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) termina nesta sexta-feira. Os formulários podem ser retirados no site www.unifesp.br ou direto no campus. Candidatos com renda familiar igual ou inferior a R$ 377,49 e que cursaram ou terminam este ano o ensino médio pela rede pública, supletivos e 100% bolsistas da rede particular. Informações nos telefones 5574 - 5471 e 5574 - 5480.
JORNAL DA TARDE – 26/07/2006
Inscrições abertas para aulas de arte
Estão abertas as inscrições para os cursos Viver Arte, promovidos pelo Instituto Arte na Escola: "Novas Potências e Bienal", "Civilizações II", "História, Arte e Música II" e "História e Arte - Alguns destaques II", entre outros. Valor de cada curso: R$ 1 mil (pode ser dividido em 3 parcelas). A renda obtida com as inscrições é revertida para o instituto, que beneficia crianças e jovens por meio da qualificação de professores de arte das escolas públicas. As aulas são na Alameda Rio Claro, 273, 5º andar. Informações: 3285-5108 e 3060-8388, www.artenaescola.org.br.
