Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

28/07/2006 – CLIPPING


O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.

JORNAL DA TARDE – 28/07/2006
Prefeitura propõe abono a professores 

A Prefeitura apresentou anteontem uma contraproposta para as reivindicações do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal (Sinpeem). Em vez de reajuste salarial, como queria a categoria, o poder público ofereceu gratificações. Pela proposta, os professores que estão dentro das salas de aula ganhariam um abono que varia de R$ 100 a R$ 450 mensais - não vale para aposentados e docentes de licença.
Além disso, a Prefeitura oferece outro bônus para que o salário do servidor chegue a um patamar mínimo de R$ 700 para quem tem magistério, R$ 800 para os que possuem licenciatura curta e R$ 950 para os que têm curso superior. O sindicato diz que essa política é de abono e não contempla suas reivindicações. O Sinpeem vai discutir as propostas apresentadas. Não foi descartada a possibilidade de greve.

JORNAL DA TARDE – 28/07/2006
Menos alunos na sala, melhor resultado 

MAÍRA TEIXEIRA

Até 25 alunos em sala de aula. Essa é uma das principais propostas do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) para melhorar a qualidade no ensino fundamental.
Segundo os professores ouvidos pelo JT, atualmente, a média do número de alunos em classe é de 35 estudantes e esse alto índice seria um obstáculo para o desenvolvimento e aprofundamento das atividades na vida escolar pública.
De acordo com a proposta, a justificativa para a diminuição no número de estudantes por classe é simples. "Essa média (de 25 alunos) garantiria um mínimo de qualidade pedagógica", explica Silvana Soares de Assis, professora e diretora-adjunta de Assuntos Educacionais da Apeoesp.
Para ela, com menos alunos em sala, o professor pode se dedicar melhor às atividades e, principalmente, ter um acompanhamento mais adequado das dificuldades das crianças. Segundo Silvana, o dia-a-dia do professor é estressante, pois tem de atender perguntas de 35, 40 alunos em uma aula.
"É impossível dar a devida atenção para as dúvidas e questionamentos. Isso leva a uma impotência pedagógica que se transforma em sentimento de incompetência, como uma incapacidade de fazer o trabalho. Esse ciclo é muito frustrante para o professor e o aluno percebe", reflete Silvana.

Maus resultados

Para os professores, os resultados ruins de avaliações nacionais e internacionais recentes podem ser reflexos das salas de aula lotadas. A avaliação Prova Brasil apontou que alunos de 4ª e 8ª séries das escolas públicas da Capital estão com desempenho crítico em Língua Portuguesa e Matemática. Outro problema que veio à tona, novamente, foi a recorrência do analfabetismo funcional.
Os resultados da avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) demonstrou ainda que estudantes brasileiros, entre os países avaliados, ficaram em último lugar em leitura e penúltimo em Matemática.

Em recesso

A Secretaria Estadual de Educação vai aguardar o fim do recesso escolar para fazer o levantamento de quantos alunos estão matriculados em cada sala de aula. A secretaria não soube informar os números referentes ao 1º semestre. Em relação à necessidade e à proposta de redução de alunos por sala de aula, a secretaria não se pronunciou.

Professoras apóiam idéia 

A redução no número de alunos em sala de aula no Ensino Fundamental é considerada um sonho pelas professoras ouvidas pelo JT. Para elas, isso possibilitaria o surgimento de novas propostas de ensino.
Com menos alunos em aula, a professora de História Anna Luiza Roveda se dedicaria a atividades extra-aula. "Levar os alunos a bibliotecas e museus seria ótimo." Sonia Rodrigues Pinto, que dá aula para a 2ª série, acha que, com a redução, a inclusão de alunos com necessidades especiais seria mais fácil. "Hoje, com 40 alunos em sala, o professor precisa se desdobrar para atender a todos. Imagine quando há alunos especiais."
A professora Carla de Carvalho afirma que em uma classe de 40 há sempre alguns com dificuldades de acompanhamento. "Se o número caísse, a dificuldade seria resolvida no 1º ano. Os problemas que se desenvolvem série após série acabariam." A professora Jacira Souza concorda. "Dar aulas em salas superlotadas é muito difícil."

JORNAL DA TARDE – 28/07/2006
NOTAS

PRÊMIO
O Prêmio Pátio-ISME de Educação para a Cidadania, voltado para professores do Ensino Fundamental, escolherá os melhores projetos de formação de valores. (www.artmed.com.br/premio_patio_isme).

ORIENTAÇÃO 
O Centro de Estudos Educacionais Vera Cruz (Cevec) promoverá a supervisão "Didática na alfabetização de jovens e adultos". Serão 6 encontros, realizados aos sábados. (11) 3838-5992.

DEBATE 
Hoje, das 14h às 15h30, a Escola do Futuro da USP promove bate-papo virtual sobre inclusão digital com a educadora Silvia Fichmann (www.lidec.futuro.usp.br/chat.php).

CURSINHO 
O Cursinho 20 de Novembro, voltado aos jovens de baixa renda, recebe até amanhã as últimas inscrições para turmas de agosto em suas unidades do Metrô Tiradentes e Vila Matilde. (11) 6651-8811

FOLHA DE SÃO PAULO – 28/07/2006
EDUCAÇÃO: KASSAB DIZ QUE DARÁ AUMENTO REAL A PROFESSORES

O prefeito Gilberto Kassab (PFL) afirmou ontem que, independentemente das negociações, dará aumento real para os professores municipais. "Ainda não existe um valor definitivo, mas vamos nos esforçar para ser o melhor valor possível." De acordo com Kassab, um grupo formado pelas secretarias de gestão, de educação e de planejamento está discutindo o aumento.
O Sinpeem (um dos sindicatos de professores e funcionários da rede municipal) diz que o último aumento concedido à categoria ocorreu em 2002 e foi de 6%. Nos demais anos, a prefeitura concedeu apenas reajustes para cobrir a inflação ou gratificações esporádicas.


FOLHA DE SÃO PAULO – 28/07/2006
Negros são apenas 33% na escola privada


Índice fica abaixo dos 48% de negros e pardos na população de 5 a 24 anos; é o primeiro levantamento de raça/cor de estudantes

Na rede pública, 56,4% dos alunos do fundamental e do médio se declararam pretos ou pardos no questionário do Censo Escolar de 2005


LUCIANA CONSTANTINO

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Um terço dos alunos matriculados no ensino fundamental e médio de escolas particulares que declararam a etnia se considera negro (inclui a classificação "preta e parda"). Já nas escolas públicas, esse índice ultrapassa a metade, chegando a 56,4% dos estudantes.
No entanto, esse terço de negros declarados da rede particular não chega perto da proporção dessa etnia entre a população de crianças e jovens de 5 a 24 anos. Já a pública ultrapassa a média nacional. Nessa faixa etária, segundo o IBGE, 48% dos brasileiros se dizem pretos e pardos (essa é a terminologia adotada pelo instituto).
A etnia dos estudantes foi levantada pela primeira vez no Censo Escolar 2005, feito pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais). Já os resultados ficaram prontos no fim do mês passado.
O órgão inseriu no questionário respondido por pais e alunos o item "raça/cor". Apesar de optativa, a autodeclaração gerou polêmica, levando cerca de 20% a não se pronunciarem.
Há uma semelhança entre as redes privada e pública, segundo o censo. O percentual de alunos pretos e pardos não varia muito entre ensino fundamental (1ª à 8ª série) e médio.
Nas escolas particulares, 34% dos alunos do fundamental que declararam a etnia disseram ser pretos e pardos -cai para 30% no médio. Já na rede pública, o índice é de 60% e 57%, respectivamente.
Diogo Rodrigues Dias, 13, aluno da 8ª série de um colégio particular paulistano, diz só ter um colega negro como ele na turma. Ele está em uma escola privada porque seu pai diz ter notado a defasagem quando tentou o vestibular e foi reprovado (leia texto na pág. C6).
Para Tânia Portella, assessora de pesquisa da Ação Educativa, um dos fatores que podem explicar os índices da rede pública é a universalização do ensino fundamental a partir da década de 70. Isso gerou uma demanda pelo nível médio, que começa a ser suprida. Nas particulares, o percentual é considerado baixo, refletindo diferenças sociais e discriminação.
A diretora de Estatísticas da Educação Básica do Inep, Maria Inês Gomes de Sá Pestana, pondera que o boicote ao questionário pode ter contribuído para a pouca diferença entre fundamental e médio. Isso porque outros estudos já apontaram o "embranquecimento" na educação, ou seja, os negros entram na escola, mas não conseguem avançar nos estudos.
É também no ponto da permanência que o professor Marcelo Paixão, do Instituto de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), foca a análise. "Não adianta simplesmente dizer o percentual de negros. Aparentemente pode ser bom. A questão é a diferença de aproveitamento ao longo da vida escolar."
O professor lembra que, à medida que os negros avançam nas séries, sobe a distorção da idade adequada. Enquanto 53% das crianças brancas de dez anos estavam na série ideal para a idade, só 35% das crianças negras se encaixavam no perfil.
A distorção sobe aos 17 anos -32% dos jovens brancos estavam na série adequada, contra 13% dos adolescentes negros.
A professora Regina Vinhaes, da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília), diz que o resultado do Censo Escolar vai ao encontro de um tema cada vez mais debatido: qualidade do ensino público. "Mostra que a escola pública tem cumprido o caráter de permitir acesso a todos, independentemente de cor, religião. Mas aponta a responsabilidade que tem. Precisa ser um local de construção de cidadania", afirma Vinhaes.
Segundo Tânia Portella, da Ação Educativa, o fato de haver mais de 50% de alunos negros na rede pública não significa inclusão. "Incluir na educação não é apenas matricular, mas também ofertar garantias de permanência, qualidade de ensino e possibilidade de prosseguir a vida acadêmica."

FOLHA DE SÃO PAULO – 28/07/2006
Pais boicotam pergunta sobre cor

Questão sobre etnia não foi respondida por 17% dos alunos do ensino fundamental e 20% do médio

Segundo o Inep, a pergunta sobre raça foi incluída no levantamento escolar por ser uma demanda histórica dos movimentos sociais


DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A inclusão do item "raça/cor" no Censo Escolar provocou polêmica no ano passado, levando pais e dirigentes de escolas a boicotarem essa resposta no questionário.
Isso ajuda a explicar o fato de que 17% dos alunos do ensino fundamental e 20% do médio não declararam a etnia. O Inep, órgão ligado ao Ministério da Educação, diz que a questão é uma "demanda histórica dos movimentos sociais" e por esse motivo foi incluída no levantamento.
Após seminários e encontros, o instituto optou pela metodologia utilizada pelo IBGE no Censo Demográfico, a autodeclaração. Na pergunta, o item é denominado raça/cor e as respostas podem ser: branca, preta, parda, amarela, indígena ou sem declaração.
Há especialistas que divergem dessa classificação, considerando mais adequado usar o termo negro quando se trata de pretos e pardos. No Censo Escolar, a etnia é declarada pelo pai quando o aluno é menor de 16 anos. Acima dessa idade, cabe ao próprio estudante fazer a declaração.
A diretora de Estatísticas da Educação Básica do Inep, Maria Inês Gomes de Sá Pestana, diz que a resistência chegou ao ponto de algumas escolas enviarem uma única resposta para todos os alunos. "Não avaliamos o tamanho do boicote. Mas o dado é importante como indicador da resistência", diz.
Segundo a diretora, o Inep manteve a questão no Censo deste ano. "Alguns disseram que estávamos incentivando o preconceito. Não é isso, mas sim um incentivo ao debate", afirma, dando como exemplo escolas que aproveitaram a polêmica para discutir o tema com os alunos.
A estudante Juliana Pereira da Silva, 16, foi uma das entrevistas pelo Censo Escolar que fez questão de responder sobre sua condição racial. "Respondi que era negra", recorda. Aluna do terceiro ano do ensino médio da Escola Estadual Armando Sestini, em Caieiras (Grande São Paulo), Juliana descobriu que era minoria na comunidade escolar depois de um trabalho feito na época do censo para saber a quantidade de alunos, funcionários e professores negros.
Apesar disso, diz não sofrer com o preconceito. "A minha professora diz que não sofro preconceito porque ando bem arrumada", completou.

Sonho

O estudante Diogo Rodrigues Dias, 13, também é minoria, mas numa escola particular. Ele realiza o sonho de seu pai, Carlos Donizeti Dias, 44, de ter um ensino de qualidade numa escola privada. Oriundo da rede pública, Carlos percebeu que seu conhecimento estava abaixo da média na época do vestibular, no qual foi reprovado.
"Foi quando assumi o compromisso de que uma das bases da minha família seria a educação e que iria subsidiar o estudo dos meus filhos", diz Carlos, que investe 50% de seu salário como representante comercial no pagamento da mensalidade escolar do filho.
Diogo é quase uma exceção no Colégio Aliado, no Jardim Brasil, na zona norte de São Paulo, onde cursa a 8ª série do ensino fundamental. "Só tenho um colega negro", disse o garoto, que lamenta o fato de a escola não tratar do tema preconceito racial, do qual diz já ter sido vítima. "Já fui ofendido, mas não respondi. Fiquei quieto."
A questão racial é apenas um detalhe para o estudante Thiago Cândido Penna Silva, 15, aluno da 1ª série do ensino médio na Escola Estadual Benedito Tolosa, na Casa Verde, zona norte de São Paulo. "Não me incomodo com o fato de ser negro. Levo numa boa." Thiago acredita que o fato de ser extrovertido e brincalhão evita situações preconceituosas, pelas quais nunca passou. Na escola, disse ser um "tipo raro", daqueles que conversa, mas faz lição. "Sou popular, mas bom aluno. Eu me garanto", afirma.
O professor Ivan Cláudio Pereira, 37, sabe o que é ser exceção em sala de aula, tanto como educador como aluno. Tinha apenas um colega negro na faculdade de letras, o que se repete agora na Escola Estadual Afrânio Peixoto, na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, onde leciona literatura.
Cláudio acredita que sua condição é resultado da evasão de alunos negros, tanto na escola pública como na particular. "No ensino médio, o número de alunos negros despenca." Com várias experiências de preconceito racial vividas, o professor até se diverte com algumas. "Já deixei de ser assaltado por ser negro. Porém, não me posiciono como vítima."
Com a colaboração de REGIANE SOARES

FOLHA ONLINE – 27/07/2006 – 13h51
Como preparar seu filho para a volta às aulas


Da Redação
Em São Paulo

A
partir de segunda-feira (31/07), começam as aulas em grande parte das escolas públicas e particulares do país. Muitos pais terão trabalho redobrado para colocar seus filhos no ritmo. Para ajudá-los nesta tarefa, o UOL Educação
ouviu as dicas de Rosane Schiller, psicóloga do colégio Santo Américo, na zona sul de São Paulo, sobre como lidar com os pequenos da educação infantil.
Para evitar problemas na hora de acordar, os pais devem fazer a criança despertar no horário escolar uma semana antes da volta às aulas. Outros preparativos -como experimentar o uniforme e preparar a mochila com o material escolar- também devem ser antecipados para servir de estímulo ao aluno.
Para a psicóloga, os pais devem pedir aos filhos que digam como imaginam a escola e contar tudo o que sabem sobre os primeiros dias na saída de aula. "Não é adequado tentar enganar a criança, dizendo que tudo vai ser maravilhoso e que os amigos e a professora são ótimos".
Schiller lembra que a criança pode apresentar uma certa regressão nos primeiros dias de aula. "É comum que ela peça aos pais para ajudá-la a desenvolver tarefas que já sabe fazer sozinha, como forma de retardar a separação", explica.

Adaptação

As crianças que vão à escola pela primeira vez este ano devem ser acompanhados por alguém que tenha disponibilidade para ficar um pouco na escola e acompanhar sua adaptação. "O ideal é ir sem pressa, confiante e com disposição para participar desse momento que o filho está vivendo".
Na opinião de Paula Bacchi, orientadora educacional do Colégio Santa Maria, em São Paulo, o contato com outros pais que estão passando pela mesma situação de expectativa facilita a adaptação. "Uma boa dica é participar de atividades extra-curriculares propostas pela escola".
Depois das aulas, é saudável que os pais se mostrem interessados pelas novidades que a criança tem para contar. "Há aquelas que preferem não relatar os fatos ocorridos. Nesses casos, o melhor é respeitar a recusa", aconselha.
É possível que algumas crianças apresentem comportamentos inesperados em casa, como choro, perda de sono e apetite, manipulação e mordidas.
Nestes momentos, Bacchi recomenda que os pais tenham paciência e procurem transmitir segurança e apoio.

 

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