Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

03/08/2006 – CLIPPING


O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.



JORNAL DA TARDE – 03/08/2006

Diagnóstico: transtorno de conduta 

MAÍRA TEIXEIRA

Dar aulas é uma tarefa que exige muita atenção e cuidado. Em uma classe com vários alunos com personalidades diferentes, fica difícil distinguir casos graves como o transtorno de conduta (chamado popularmente de delinqüência) de comportamentos agressivos pontuais ou até mesmo de momentos de inconveniência infantil ou adolescente.
De acordo com a psicóloga da Clínica de Endocrinologia e Metabologia da Beneficência Portuguesa, Silvana Martani, esse tipo de conduta preocupa mais os professores, pais e quem convive com a criança ou adolescente do que o próprio aluno. O fato de não se importar com professores, colegas e nem com o ambiente onde está é uma pista para o início do diagnóstico do transtorno.
"A criança ou o adolescente que tem o transtorno não tem consideração pelos sentimentos e direitos alheios. Falta a ele o sentimento de culpa e remorso." Outras características típicas da presença do transtorno podem ser identificadas no aluno que tem um comportamento altamente inadequado - é desagradável com todos, ri de acidentes e desgraças que acontecem com os outros, fala muito palavrão, comete maldades, furta objetos dos colegas e nega que o fez, mesmo que seja pego em flagrante.
As atitudes de quem tem esse transtorno costumam ser confundidas com sintomas de hiperatividade, déficit de atenção e até retardo mental. "Como o aluno não se envolve com os colegas e, também, não participa das aulas, professores e pais podem confundir com esses distúrbios", diz Silvana.
O transtorno de conduta exige tratamento continuado para impedir que o desenvolvimento desse quadro assuma grandes proporções, explica Silvana. "O tratamento deve ser multidisciplinar com acompanhamento de psiquiatra, psicólogo e neurologista e consiste basicamente em terapia constante, avaliação psiquiátrica e exames neurológicos regulares."
De acordo com a psicóloga, mesmo com a alta médica é necessário continuar o acompanhamento psicológico."Quanto mais cedo o problema se manifestar, mais grave ele é. Mas isso não significa que não haja tratamento, apenas que esse processo será mais intenso."
A média de duração do tratamento é de cerca de três anos. "Mas o fundamental é fazer o acompanhamento de acordo com a determinação da equipe multidisciplinar. O professor que detectar esse quadro em algum aluno deve relatar aos pais e pedir um encaminhamento médico e psicológico.

Infância e adolescência

Apesar de mais grave, quando o transtorno aparece na infância é mais fácil de ser identificado. "Nessa fase, é maior a freqüência do distúrbio em meninos e a manifestação da agressividade física com os colegas, pais e irmãos costuma ser perturbadora." Essas crianças, quando não recebem o tratamento adequado, estão mais propensas a desenvolverem o Transtorno da Personalidade Anti-Social na idade adulta. "Por esse motivo é importante tratar efetivamente desde o diagnóstico", ressalta a psicóloga.
Os alunos que desenvolvem (e tratam) o transtorno na infância estão menos propensos a apresentar comportamentos agressivos e o retorno do distúrbio na adolescência. No entanto, mesmo após a finalização do tratamento, é preciso acompanhamento regular para detectar se o problema continua sob controle. Crianças que tiveram o distúrbio e passaram por todo o processo de acompanhamento psicológico tendem a ter relacionamentos normais com seus familiares e colegas.

Final feliz. Problema superado 

Por conta da demora no diagnóstico do transtorno de conduta, Daniel teve problemas - que poderiam ser contornados - durante toda a infância. Ele era um aluno desconcentrado , muito problemático, com péssimo comportamento, agressivo, violento e nunca obedecia os professores e pais.
O auge de seu problema foi também o motivo da terceira expulsão da escola: irritado, ele bateu na professora no meio da aula.
Foi nesse momento que os pais decidiram encaminhá-lo para um tratamento psicológico, que durou quase quatro anos. Hoje, ele estuda para prestar vestibular, mas sabe que precisará sempre de um acompanhamento médico de rotina.

Como identificar o problema 

O que é: um comprometimento emocional que se apresenta como comportamento de padrão repetitivo e persistente (atitudes agressivas ou desafiadoras). Essa conduta anti-social permanece por no mínimo seis meses.

Sintomas: indiferença ou pouca empatia pelos sentimentos, bem-estar e desejo dos outros; desprezo pelas questões sentimentais (dos outros) e falta de sentimentos próprios como culpa, ética, moral ou remorso; intolerância com frustrações; irritabilidade, acesso de raiva e imprudência quando contrariado.

Níveis : 1º) conduta agressiva que causa ameaças ou danos a outras pessoas ou animais; 2º) conduta não agressiva que causa perdas ou danos a propriedades; 3º) depredação/ furto; 4º) violações habituais.

O transtorno pode se esconder atrás de comportamentos semelhantes aos de outros problemas como: déficit de atenção, hiperatividade, retardo mental, episódios de transtorno bipolar ou esquizofrenia.

Associado ao início precoce de comportamento sexual, consumo de álcool e drogas e a atos imprudentes.

FOLHA ONLINE – 02/08/2006 – 18h42 
Confira os estados e municípios aptos ao Brasil Alfabetizado

Da Redação
Em São Paulo

Dos
807 municípios e 23 secretarias estaduais de educação que se inscreveram este ano para participar do Programa Brasil Alfabetizado, 290 municípios e 15 estados já completaram a relação de documentos exigidos pelo MEC e estão aptos a receber a primeira parcela dos recursos. Os demais têm prazo até o dia 10 de agosto para enviar os planos pedagógicos e cadastros de alfabetizadores, alunos, coordenadores e número de turmas.
Estão na primeira listagem da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC) as secretarias estaduais do Acre, Alagoas, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Sergipe e Tocantins.
Os estados com maior número de municípios habilitados a receber a primeira transferência de recursos são Minas Gerais, com 46; São Paulo, 35; Bahia e Piauí, com 22 cada. A Portaria nº 67/2006, com a relação dos estados e municípios aptos a receber a primeira transferência de recursos, está no Diário Oficial da União de 28 de julho, Seção 1, página 21.
As 15 secretarias estaduais de educação enviaram ao MEC cadastros com dados de 491.017 jovens com mais de 15 anos e adultos inscritos em turmas de alfabetização e de 24.705 alfabetizadores. Já os 290 municípios mandaram cadastros com 152.255 alunos e 7.787 alfabetizadores.
A primeira parcela de recursos, que será repassada este mês pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC), será aplicada na formação inicial e continuada dos alfabetizadores e para os pagamentos das primeiras bolsas dos instrutores. Os recursos do Programa Brasil Alfabetizado serão transferidos a estados e municípios em cinco parcelas.

Documentos


No plano pedagógico, a secretaria de educação deve informar ao MEC como fará a capacitação dos alfabetizadores, descrever o método para ensinar os alunos e a duração do curso que deve ser entre seis e oito meses; e no cadastro, relacionar alfabetizadores e alunos com dados pessoais, a quantidade de turmas e o número de alunos por turma.
O envio do cadastro e plano pedagógico são condições para estados e municípios receberem recursos do programa Brasil Alfabetizado. Depois de encerrar os convênios com estados e municípios, a Secad publicará resolução com critérios e prazos para as parcerias com ONGs e universidades.

Crescimento

Criado em 2003, o Programa Brasil Alfabetizado já repassou R$ 500 milhões para a alfabetização de jovens e adultos. Em 2003, o programa teve 188 parceiros que colocaram nas salas de aula 1,6 milhão de alunos. O repasse foi de R$ 162 milhões.
Em 2004, foram 382 parcerias para alfabetizar 1,7 milhão de alunos e os recursos foram de R$ 167 milhões. Em 2005, foram 644 parcerias, dois milhões de alunos matriculados e recursos de R$ 210 milhões. Neste período, a participação das prefeituras também foi ampliada. Elas passaram de 147, em 2003, para 567, em 2005.



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