Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

04/08/2006 – CLIPPING


O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.


FOLHA DE SÃO PAULO – 04/08/2006 (TENDÊNCIAS/DEBATES)
Esquizofrenia na educação e cultura 

ALCIONE ARAÚJO

OS NÚMEROS são eloqüentes: dos 186 milhões de habitantes, a educação -estudantes e professores, do ensino fundamental ao doutorado- envolve 55 milhões. Cotejar esses números com os da produção artística é deparar-se com outro país. A tiragem média de um romance no Brasil é de 3.000 exemplares; a ocupação média dos teatros, de 18%; em crise, as gravadoras têm números pífios, e a média de espectadores de filmes brasileiros, de 250 mil, está em 180 mil em 2006.
Os números revelam enorme desinteresse pela arte e, deduz-se, cresce a distância entre os significados percebidos pelo público e o conteúdo latente das formas de expressão. Nem os 55 milhões envolvidos na educação usufruem da produção artística. O país vive esquizofrênica fratura: uma educação sem cultura e uma criação artística sem público. A economia pode até crescer, mas cresce sem alma.
Criação da subjetividade, de percepção subjetiva, as artes interagem com as demais metáforas -filosofia, antropologia, sociologia etc.- criadas pela sensibilidade e razão humanas para se entender, entender o mundo e se entender no mundo.
Braço sistematizado da cultura, a educação tem métodos, normas e hierarquias para realizar a transmissão do saber. A expectativa é que, vivenciado o processo -graduar-se, digamos-, se esteja preparado e motivado para fruir a arte de várias épocas nas suas várias formas. O que se vê, porém, são médicos que jamais leram um romance, engenheiros que nunca foram ao teatro, advogados que não vão ao cinema, dentistas que não se emocionam com a música etc.
Na origem do fenômeno, uma sociedade que não tem a educação e o saber como valores, mas sim como meios de ter uma profissão e se inserir na produção. Se assegurar o emprego, prescinde-se da qualidade no ensino, ou, num utilitarismo ingênuo, se dá o diploma, cumpriu o papel.
Sem minimizar a importância do emprego num país carente dele, com tal visão, a educação renuncia à função de desvelar universos e se limita a formar mão-de-obra mais ou menos qualificada. Compelida pelos vestibulares, a idéia reflui aos níveis médios, reduzidos a cursinhos preparatórios.
O pragmatismo expulsa as disciplinas chamadas de humanidades, que dão lugar àquelas de especialização prematura. Nessa moldura, a missão da universidade -universalização do saber pelo tripé da formação do profissional, do cidadão e do homem- torna-se uma trajetória de adestramento para a produção.
A história reconhece na aliança entre educação e cultura a primazia de criar sonhos e inventar meios para realizá-los. O valor simbólico da cultura fecunda o processo civilizatório, dos valores às leis, da política à vida. A herança de colonizado, a exclusão social e a elitização da cultura atrelam o futuro da produção artística ao que a educação lhe reservar. A cultura é dependente da educação. Se não cumpre sua missão, sufoca as artes. Não se pode pensar a educação sem a cultura, nem a cultura sem a educação. No espectro cultural, há um vácuo entre arte popular -autônoma à educação- e arte tradicional, dita do espírito. Tentou-se fazê-las dialogar num amplo projeto nacional popular abortado pela ditadura. No "gap" entre as duas, irrompeu a indústria audiovisual de entretenimento, hoje hegemônica. O público, além de introjetar valores dessa indústria, assiste à contaminação da cultura do espírito e da cultura popular pela anódina cultura de massa.
Ao artista, resta o desalento por sua obra não chegar ao público, não emocioná-lo nem aguçar sua imaginação, não humanizá-lo nem levá-lo a pensar. Artista e arte perdem a função, o público empobrece e estreita o horizonte da sociedade.
Não se formam platéias e as obras não circulam; não se viabiliza economicamente a produção, cujo custo crescente a torna mais dependente do Estado, suscetível à discriminação política e acomodação estética -o artista inibe a própria ousadia. À falta do público induzido pela educação, a produção artística se autodesqualifica na busca de audiências que não a reconhecem e perde o público cativo remanescente.
Educar não é apenas qualificar para o emprego, nem arte é apenas adorno que aguça a sensibilidade. Há uma dimensão humana que, sem educação e cultura, nada agrega como experiência coletiva nem alcança a plenitude como experiência individual capaz de discernir e ser livre para escolher. E, sem isso, não podemos dizer que somos realmente humanos.
ALCIONE ARAÚJO , 56, pós-graduado em filosofia, é romancista, dramaturgo, cronista e roteirista de cinema. É autor de "Urgente é a Vida" (prêmio Jabuti 2005).

FOLHA DE SÃO PAULO – 04/08/2006
Câmara estuda tirar escola pública de elite das cotas 

Alteração barraria aluno de colégio de melhor desempenho na disputa por vaga reservada

Proposta atual que tramita no plenário destina 50% das vagas em universidades federais a estudantes oriundos da rede pública


LUCIANA CONSTANTINO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou ontem que a Câmara discute a criação de um mecanismo que barre alunos vindos de escolas públicas que adotam processo seletivo para o ensino médio a disputar vagas em universidades federais pelo sistema de cotas.
Isso excluiria estudantes oriundos de "escolas de elite", como colégios federais e militares, que geralmente têm melhor qualidade de ensino.
"É uma colocação procedente a de que em escolas que fazem processo seletivo você estaria dando, de certa forma, um duplo benefício para aquele que já teve as oportunidades equalizadas por escolas que são públicas de elite", afirmou.
O projeto de cotas que tramita na Câmara prevê a reserva de 50% das vagas nas universidades a alunos que cursaram o ensino médio na rede pública. Entre essas vagas, há cotas para afrodescendentes e indígenas na proporção dessas populações em cada Estado.
A
o participar de audiência no Senado para discutir os projetos da Lei de Cotas e do Estatuto da Igualdade Racial, Haddad também reafirmou a posição do governo federal e defendeu cotas sociais.
"Entendemos que os jovens brancos de escolas públicas têm rigorosamente os mesmos direitos de negros de escolas públicas", afirmou o ministro.
Ao ser questionado sobre o motivo de não adotar uma faixa de renda familiar para beneficiar os mais pobres, Haddad disse que a intenção é reforçar o conceito de "escola pública". "Se deseja que a classe média passe a olhar para a escola pública de maneira diferente e passe a ser atraída por ela", completou.

Proposta

Já o senador Paulo Paim (PT-RS), autor do projeto que cria o Estatuto da Igualdade Racial, propôs uma discussão sobre a possibilidade de unificar a sua proposta ao texto das cotas. O estatuto foi alvo recentemente de manifestos pró e contra a proposta, o que reacendeu o debate sobre o assunto.
O estatuto prevê cotas para afro-brasileiros em universidades, no mercado de trabalho e também em produções culturais. "As cotas e ações afirmativas representam uma tática imediata. Não podemos esperar a reforma da educação. Durante o processo [de implantação de cotas] aprimoramos o sistema", disse o coordenador do Movimento Negro Unificado, Marcos Santos da Silva, durante a audiência.
Já o representante do Movimento Negro Socialista José Carlos de Miranda, contrário às cotas, defendeu a adoção de políticas voltadas à população pobre. "No Brasil, branco pobre também é preto", afirmou.
Na opinião do antropólogo e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Peter Fry, que também e contra as cotas, a implantação do sistema com base em uma lei federal pode motivar uma divisão entre brancos e negros.
Carlos Alberto Medeiros, professor da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), que é favorável às cotas, ressalta a importância da adoção das cotas como forma de reduzir os problemas na falta de acesso à educação de qualidade. "Mesmo que começasse hoje, a solução pelo investimento na educação só se faria sentir daqui a muitas décadas no país."

O ESTADO DE SÃO PAULO – 04/08/2006
Ministro apóia restrição a cotas em universidades 

No Senado, Fernando Haddad defende critérios sociais em lugar de raciais 

Lisandra Paraguassú 

O Ministério da Educação pretende apoiar proposta da Câmara para restringir o projeto que reserva 50% das vagas nas universidades federais a alunos das escolas públicas. Ficariam de fora desse benefício alunos de escolas que já fazem seleção rigorosa dos estudantes, como escolas técnicas federais, colégios militares e escolas de aplicação das universidades.
Ontem, em audiência pública sobre a política de cotas no Senado, o ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu a restrição e, pela primeira vez publicamente, a posição do governo contrária às cotas raciais e a favor das cotas sociais. "Os jovens brancos das escolas públicas têm rigorosamente os mesmos direitos dos jovens negros das escolas públicas", disse a uma platéia formada principalmente por defensores das cotas raciais. Na audiência, discutiu-se o Estatuto da Igualdade Racial e o projeto de lei da reserva de vagas.
Essa é a primeira vez que um membro do governo federal defende publicamente essa posição desde a entrevista do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, ao Estado, há cerca de um mês. Tarso questionou as cotas raciais e informou que o governo pretendia retirar o apoio ao estatuto no Congresso. A posição do governo, informou, seria a de dar prioridade para sistemas que levassem mais em conta a origem social do candidato, não a raça.
A posição do governo deixou a ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, em situação desconfortável. Favorável às cotas raciais, Matilde, na audiência pública de ontem, defendeu as cotas sem muita ênfase.

JORNAL DA TARDE – 04/08/2006
Escolas incluem ensino de valores éticos e morais 

MAÍRA TEIXEIRA 

"Hoje os alunos estão chegando à escola muito crus, sem noção de higiene, educação e convivência", diz a diretora da escola estadual Chácara das Corujas, Jardim Progresso (Zona Sul), Maria Pereira Sobrinho. Nesse contexto, diz ela, os professores têm o papel de educar o aluno para a vida, ensinando também a importância do respeito, de uma convivência pacífica. "A introdução no ensino desses valores universais é um marco na postura de docentes e discentes da instituição", diz a diretora.
Uma das ferramentas pedagógicas que vêm sendo usadas pela escola há 4 anos na introdução de valores éticos e morais no cotidiano escolar é a revista em quadrinhos Planeta Azul, cujos personagens ajudam até no combate à violência e à agressividade entre os alunos. "Seguindo as propostas e histórias da revista formamos a base dos alunos do futuro. E ainda podemos ensiná-los a ter uma convivência pacífica em dias tão tumultuados. A sociedade precisa desse tipo de estímulo", afirma Maria Pereira.
Ana Maria Salgado Giglioti, coordenadora pedagógica da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Professor João Carlos da Silva Borges, Moema (Zona Sul ), que introduziu a revista há alguns meses, afirma que a melhora no comportamento dos alunos é enorme. "Os pais começaram a vir até a escola perguntar o que está acontecendo e relatam a mudança do comportamento dos filhos em casa."
Outros educadores que trabalham com a revista dizem que o ganho pedagógico é surpreendente e faz com que a criançada fique mais calma e concentrada e tenha melhor aproveitamento durante as aulas regulares.
Professores consultados pelo JT avaliaram o conteúdo proposto (leia ao lado) e acreditam que a revista pode preparar as classes para uma convivência mais mais agradável - o que resultaria em ganho pedagógico.

Linguagem divertida

A revista é produzida pelo Programa Educacional Planeta Azul. A cada mês há uma nova publicação que trata de diferentes temas, como alimentação, saúde, meio ambiente, cidadania, solidariedade. Com a linguagem peculiar e divertida dos quadrinhos, o conteúdo da revista propõe, de maneira próxima ao cotidiano da criança, uma mudança de postura. As "lições" apresentadas ensinam também os valores universais como solidariedade, respeito, amizade, responsabilidade.
O resultado, no entanto, pode ser visto até na melhora do desempenho do professor. Em uma das revistas, por exemplo, tem início a "Campanha do Obrigado", uma espécie de campeonato que estimula a criança a receber um obrigado a cada ação positiva que pratica em prol de um colega, um professor e até em casa com os pais. A meta diária do aluno é receber 10 obrigados.
"É nesse momento que as crianças começam a perceber que em sociedade todo mundo precisa se ajudar, porque senão a coisa não funciona", explica a coordenadora do programa e pedagoga Vera Trassi.
No País já existem 6 Estados utilizando a proposta educacional do Programa Planeta Azul (www.fmo.org.br/planetaazul/). Para saber como implementar essa idéia na escola onde você trabalha, ou até mesmo patrocinar um aluno, classe ou escola, ligue para o telefone (11) 5087-5153.

Gibis ajudam na socialização dos alunos 


Segundo professores ouvidos pelo JT, a idéia de utilizar revistas em quadrinhos para preparar os alunos para um melhor convívio e aproveitamento nas aulas é considerada uma atividade positiva que auxilia no desenvolvimento pedagógico.
Para Regina Martins, professora do ensino municipal, a idéia poderia solucionar um problema comum nas primeiras séries - o interesse pela alfabetização - além de aumentar o vocabulário e estimular a leitura. "É o tipo de atividade que chamamos de inclusiva. Com linguagem atraente, os gibis aproximam as crianças e ajudam na socialização delas."
Já Carla Lima de Carvalho, professora do ensino estadual, acredita que essa proposta é uma melhora do sistema que alguns professores já utilizam. "Uso em salas de aula gibis, revistas e jornais. O desempenho melhora porque as crianças se interessam mais. Sinto falta desse tipo de material didático." Quanto à necessidade de ensinar valores, ela destaca: "Trabalhar o respeito ao próximo é básico. Isso deveria estar oficialmente no programa de todas escolas."

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