Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

07/08/2006 – CLIPPING


O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.

FOLHA DE SÃO PAULO – 07/08/2006
Cursos de idioma também atraem mais no exterior deverá se manter nos próximos anos

Número de brasileiros estudando línguas no exterior dobra em relação a 2003, segundo prevê entidade de intercâmbio

Crescimento registrado indica que a procura por cursos universitários
 

DA SUCURSAL DO RIO

O aumento da procura por cursos universitários no exterior não ficou restrito apenas ao nível superior. Estimativas da Belta (Brazilian Educational & Language Travel Association), entidade que reúne as principais agências brasileiras na área de intercâmbio, indicam que está aumentando também o número de alunos que vão fazer cursos curtos de idioma, modalidade mais comum entre os que vão estudar fora.
Em 2003, o total era de 34 mil. Para este ano, a estimativa é que esse número dobre, chegando a 70 mil estudantes.
Na avaliação de Tatiana Mendes, presidente da Belta, o aumento da procura por cursos de idioma sinaliza que a tendência de crescimento do interesse por cursos universitários no exterior continuará: "As pessoas precisam investir primeiro no idioma para depois ir atrás de um curso superior".
Para ela, essa procura por experiências internacionais não é restrita apenas ao Brasil ou a países menos desenvolvidos. "Isso é mundial. Os americanos têm diversas pesquisas que mostram a necessidade de internacionalização de seus campi. Para você fechar acordos em todo o mundo, tem que conhecer a outra cultura."
O aumento da procura por cursos no exterior, de fato, também está acontecendo nos Estados Unidos. Dados do Instituto Internacional de Educação mostram que o número de americanos que foram estudar fora de seu país aumentou 9,6%. Apesar de o número ainda ser bem menor do que o contingente recebido pelo país (191 mil estudantes saíram, enquanto 565 mil estrangeiros chegaram), esse aumento foi recorde em 2005 e muito superior ao 1% de crescimento verificado entre o total dos que chegaram aos campi americanos.
"O número de americanos que veio estudar no Brasil [de 1.554 em 2004] aumentou num índice fantástico [de 16%]. Nós também queremos incentivar esse fluxo", diz Rita Mariconi, da comissão Fulbright, programa que oferece bolsas de estudos para estudantes de pós-graduação e professores nos Estados Unidos e Brasil. Segundo Luciane Stallivieri, do Fórum das Assessorias das Universidades Brasileiras para Assuntos Internacionais, esse interesse em trazer mais estrangeiros ao Brasil é comum a muitas instituições. "As universidades brasileiras têm que se preparar para captar esses alunos."

FOLHA DE SÃO PAULO – 06/08/2006
Retorno às aulas e inverno difundem crise respiratória

Ainda vulneráveis, crianças são as mais afetadas por doenças como gripes e resfriados

Manter ambientes arejados, evitar aglomerações, não fumar perto das crianças e mantê-las saudáveis são medidas preventivas
 

CONSTANÇA TATSCH
DA REPORTAGEM LOCAL

Salas de aula cheias, consultórios dos pediatras idem. O inverno e a volta às aulas propiciam a propagação dos vírus que causam doenças respiratórias. Vulneráveis, as crianças pequenas são as principais vítimas. Clima seco, poluição, ambientes fechados e aglomeração são fatores determinantes para uma maior contaminação.
Os vilões mais comuns são gripe e resfriado. "A volta às aulas é um fator de aumento das infecções respiratórias. Isso acontece em qualquer lugar do mundo", diz Luiz Jacintho da Silva, infectologista da Unicamp, acrescentando que no hemisfério norte, muitas vezes, uma epidemia de gripe é motivo para a suspensão das aulas, já que há muitas crianças reunidas em um único espaço.
Segundo João Paulo Becker Lotufo, pediatra e pneumologista do Hospital Universitário da USP, o vírus que provoca mais internações de bebês de até dois anos é o sincicial, causador da bronquiolite.
Essas infecções respiratórias são também grandes deflagradoras de crises de asma e bronquite em pacientes que já têm o problema -as crianças com o pulmão hipereativo. A rinite também é agravada em razão do clima mais seco e poluído.
Além dessas doenças, um outro problema que assusta pais e professores e aparece com freqüência no inverno é o rotavírus. Transmitido pelo contato, atinge crianças causando diarréia líquida e vômitos, que podem levar à desidratação.
As crianças são as mais prejudicadas porque estão muito expostas aos vírus e ainda têm poucas defesas.
"O pulmão da criança é muito pequeno, e os brônquios de pouco calibre, então, qualquer inflamação ou quantidade de secreção causa obstrução da via aérea", diz Lotufo. O médico explica ainda que "a proteína IgA faz a proteção da via respiratória e nascemos com a IgA baixa. Só a partir dos cinco anos ela equivale a de um adulto".
Manter os ambientes arejados e evitar aglomerações são formas de diminuir as chances de entrar em contato com os vírus. O momento pede também que medicamentos preventivos para doenças como asma e bronquite sejam tomados corretamente, assim como seguir à risca as orientações do pediatra. Outra recomendação é não fumar perto das crianças.

FOLHA DE SÃO PAULO – 06/08/2006
Brasil em tempo integral

GILBERTO DIMENSTEIN

É UM MOVIMENTO raro no Brasil. Em Apucarana, norte do Paraná, com 116 mil habitantes, pais com maior poder aquisitivo estão tirando seus filhos de escolas privadas para matriculá-los na rede municipal de ensino -e não por questões financeiras.
Apucarana está no topo da lista das cidades com melhor avaliação, feita pelo Ministério da Educação. Suas escolas municipais oferecem aulas da manhã até o final da tarde, com direito a dois lanches e almoço; assistência médica; 33 tipos de atividades extracurriculares (como xadrez, origami e música); programas de estímulo ao empreendedorismo mesmo para as crianças da 1ª série.
Pelo menos um motivo deveria levar os candidatos a governador e a presidente a estudar essa experiência: o custo mensal do aluno é de R$ 180. É uma quantia que sugere a viabilidade de replicar, a médio e longo prazos, semelhante qualidade de ensino em todo país.
Só se chegou a esse valor porque se montou um quebra-cabeças unindo as mais diferentes esferas da prefeitura. Dividiu-se a cidade em regiões, cada qual gerida por um núcleo que agrega lideranças comunitárias e o poder público; cada núcleo se reúne numa escola.
Os responsáveis da prefeitura pelo turismo e pelo meio ambiente, por exemplo, foram chamados a envolver os alunos. O Sesi e o Senai instalaram classes de orientação profissional dentro das escolas em conexão com empresários locais. Como se concentra, na cidade, uma cadeia produtiva têxtil, os estudantes são convidados a customizar roupas.
As crianças vão ao "Clube da Sabedoria", um centro de convívio de idosos, onde desenvolvem atividades com a terceira idade. Se um pai de aluno estiver sem dinheiro, será convidado a trabalhar numa horta comunitária, o que lhe garantirá, além dos recursos federais do Bolsa-Família, uma cesta básica. Mães são encaminhadas a programas para gestantes; jovens, para um centro de prevenção à gravidez precoce.
Os estudantes aprendem sobre economia -e também sobre alimentação saudável- porque todos os produtos são comprados em vilas rurais, sem agrotóxico. Isso ajuda a manter os baixos índices de desemprego do local.
É um projeto ainda em consolidação. Muito falta para assegurar sua perenidade, formar gestores dentro e fora da escola, implementar um currículo melhor e elevar o nível dos professores. Não se passou pelo teste da mudança de governo. Mais grave, a rede municipal vai da 1ª à 4ª série. Depois, os alunos passam para escolas estaduais, que, por ora, têm apenas um turno. Corre-se, assim, o risco de perder o investimento.
Tais falhas e riscos só levam à conclusão de que o melhor que um presidente e um governador podem fazer para a melhoria do nível de ensino e das ações sociais é estimular esses de modelos de integração -é mais gestão e menos no dinheiro que está a diferença. Temos um exemplo de incompetência educacional com Macaé, no Rio, onde a renda per capita é de R$ 96 mil (a renda per capita de Apucarana é de 6,9 mil, e a do Brasil é R$ 9,7 mil), e sua educação, segundo os testes, é sofrível. Assim como temos o exemplo de Sertãozinho, no interior de São Paulo, primeiro lugar do ranking estadual, em que o custo de cada aluno sai por R$ 150 mensais, também beneficiado por um tipo de ensino integral.
Graças a uma articulação com empresários, consegue-se, com R$ 140 por aluno ao mês, ter uma escola de ensino médio integral em Pernambuco -já são 13 centros experimentais, nos quais a gestão será de uma entidade social, e não do governo, e os professores recebem bônus de produtividade. Em um bairro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, redirecionaram-se verbas federais e estaduais, usaram-se espaços pouco utilizados da comunidade para transformá-los em sala de aula. Com mais R$ 12 mensais, um aluno pode ficar em alguma atividade, dentro ou fora da escola, até o fim da tarde.
Não se está falando aqui de um projeto de ensino, mas de um projeto de nação. Disseminar a educação em tempo integral teria um impacto muito maior do que qualquer outro programa social na prosperidade dos indivíduos e das famílias -principalmente se começar na pré-escola. É a grande porta de saída contra a miséria, um complemento indispensável ao Bolsa-Família, que corre o risco de gerar dependência.
P.S. - Coloquei em meu site (www.dimenstein.com.br) um detalhamento sobre os vários programas de Apucarana e um comparativo das notas de seus alunos com as de outras cidades e da média nacional. Detalho também os casos de Sertãozinho, Pernambuco, Nova Iguaçu e Macaé para que se compare o desempenho escolar com os seus demais indicadores.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 07/08/2006
Vestibular fácil esvazia salas de cursinhos do Rio 

Escolas tradicionais perdem cerca de 30% das matrículas a ada ano e enfrentam crise 

Roberta Pennafort - RIO 

Uma grave crise assola os cursinhos pré-vestibulares do Rio. A crescente oferta de vagas em universidades particulares, com exames mais fáceis do que os das públicas, tem feito com que os alunos dispensem a preparação especial. Com isso, cursos tradicionais cariocas, como o Miguel Couto e o Bahiense, em funcionamento há mais de 40 anos, têm perdido cerca de 30% das matrículas a cada ano.
Alessandro Varella, de 22 anos, que cursa Publicidade na UniverCidade, conta que, ao terminar o ensino médio, nem pensou em entrar em um pré-vestibular. Não porque se sentisse suficientemente preparado, mas por ter certeza de que passaria mesmo sem estudar. “A prova daqui é simbólica. É só para dizer que fez”, afirma. “É muito fácil, só múltipla escolha. Não tinha necessidade de pagar cursinho. Isso é para quem quer passar para a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).”
O colega Bruno Cardoso, de 27 anos, tem a mesma opinião. Ele mora em Niterói, perto do campus da Universidade Federal Fluminense (UFF), mas não cogitou tentar o concorrido concurso da instituição. “Lá tem 50 candidatos por vaga. Para que eu iria me matar de estudar, se não iria passar mesmo?”, diz Bruno, que leva uma hora para chegar à faculdade, na Lagoa, zona sul do Rio.
Nos anos 70, fase áurea dos cursinhos, o Miguel Couto chegou a contabilizar 7 mil estudantes; hoje, tem metade. No Bahiense, que existe há 50 anos, o total de matriculados chegou a quase 5 mil. Atualmente, são 900. A retração foi tamanha que duas das cinco unidades fecharam em julho - a arrecadação era insuficiente até para o pagamento do aluguel dos imóveis. Com menos alunos, o quadro de professores também tem sido reduzido.
Há 35 anos acompanhando vestibulandos, o coordenador do Miguel Couto, Élcio Gomes, acha que muitos jovens não se dão conta da importância de uma formação consistente. “O que adianta fazer faculdade ruim e não conseguir entrar no mercado? As pessoas ficam deslumbradas com essas universidades sem excelência e a ficha demora a cair. Felizmente, ainda há quem não pense assim.”
“Universidade federal só tem nome, está tudo caindo aos pedaços. Tudo bem que elas investem mais em pesquisa, mas os professores são os mesmos”, acredita o jovem. Ele não acha que terá menos chances profissionais do que se tivesse um diploma de uma universidade pública. Já Alessandro, apesar da opção que fez, discorda: “É claro que, numa disputa por um emprego, eu perco para quem fez UFRJ.”
“Tem faculdade que cobra R$ 200 de mensalidade, enquanto o cursinho custa R$ 300”, diz Eduardo Bello, diretor do Bahiense. Para ele, no caso da UFRJ, um outro fator que contribuiu para a definição deste quadro é a violência. “A família que mora na Barra da Tijuca e na zona sul não quer que o filho cruze a Linha Amarela para chegar ao Fundão (bairro onde fica a UFRJ).”
Segundo professores, quase a totalidade dos jovens que continuam nos cursinhos sonha com uma graduação numa instituição pública. “Eu quero estudar na UFRJ, então tenho de me dedicar mesmo”, conta Ana Carolina Meinerz, de 17 anos. Ela se prepara no curso GPI - que também tem perdido alunos, embora mais discretamente. De acordo com a instituição, a saída maior é entre os candidatos a vagas de carreiras menos disputadas. “Muita gente se satisfaz com pouco. Junta uma certa preguiça com as facilidades oferecidas por essas particulares.”
Há três anos, quando decidiu ingressar na faculdade de Jornalismo, Mayra França, de 22 anos, não quis se esforçar tanto. “Eu tinha pressa, sabia o que queria e não podia perder um ano num cursinho. Além do mais, nunca fui muito estudiosa.”
Mesmo “sem estudar nada”, Mayra passou em sexto lugar no vestibular da Estácio de Sá. A seis meses da formatura, ela se arrepende. “Não consigo estágio”, lamenta. “Estou ficando apavorada.” Representantes da UniverCidade e da Estácio de Sá foram contactados pelo Estado para comentar o assunto, mas não deram entrevista.

Em SP, crise atinge os maiores 

Em São Paulo a situação dos dois maiores cursos, Anglo e Objetivo, não é muito diferente. No Anglo, o número de alunos no período noturno caiu 50% nos últimos quatro anos, de acordo com o diretor de Ensino, Guilherme Faiguenboim. “Para esses alunos (que vão disputar vaga nas particulares de provas mais fáceis) é uma comodidade entrar nessas faculdades, mas isso tem um preço mais tarde”, diz. “Na hora de procurar emprego ou prestar o exame da OAB, por exemplo.”
A crise nos cursinhos causou uma retração no mercado de trabalho dos professores. “Como ganham por aula, o salário ficou menor e procuram outros lugares para trabalhar.”
A mesma crise não acontece no período diurno, em que o perfil dos alunos é diferente. “Geralmente são alunos mais conscientes de que querem entrar em uma boa faculdade”, diz.
Apesar do número de alunos no período noturno ter se mantido estável no Objetivo, seu coordenador pedagógico, Antônio Mário Salles, concorda com o colega. “Isso afeta os cursinhos, mas o aluno que pretende entrar em uma boa faculdade irá permanecer”, diz. Mas admite que para alguns as provas fáceis são a única opção. “Não é nada fácil trabalhar o dia todo e ainda estudar à noite. Isso acaba sendo uma saída.” EMILIO SANT’ANNA

O ESTADO DE SÃO PAULO – 07/08/2006
NOTAS

Brasileiros fazem o Pisa nesta semana 

A partir de hoje mais de 12 mil alunos brasileiros farão a prova do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), da OCDE. O exame é aplicado em 56 países e enfoca ciência, leitura e matemática. O objetivo é avaliar o desempenho de alunos na faixa dos 15 anos e o Brasil tem sido um dos últimos colocados nos rankings dos resultados. Os alunos são escolhidos por amostra e virão de 630 escolas de 390 municípios do País. A prova terá 80 questões.

Seminário discute ensino integral 

O Seminário Nacional Tecendo Redes para a Educação Integral, que ocorrerá entre os dias 15 a 17 no Memorial da América Latina, está com inscrições abertas. O evento é uma iniciativa da Fundação Itaú Social, em parceria com o Unicef e apoio do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). A intenção é reunir educadores para discutir o ensino integral. Inscrições pelo site www.cenpec.org.br

Abertas inscrições para curso da Bienal 

O Projeto Educativo da 27.ª Bienal de São Paulo abre inscrições para o curso de capacitação de professores de arte para profissionais das redes pública e particular. O curso tem oito horas e é elaborado por profissionais do Projeto Bienal-Escola. Haverá atividades práticas intercaladas com teóricas e dinâmicas individuais ou em grupo. As aulas começam no dia 12 e vão até 28 de outubro. Mais informações podem ser obtidas no site www.bienalsaopaulo.org.br

Instituições oferecem graduação em Libras 

Estão abertas até hoje as inscrições para o vestibular da graduação em letras e língua brasileira de sinais (Libras). O curso tem 500 vagas, será semipresencial e coordenado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Várias universidades oferecerão o curso, como Universidade de São Paulo (USP), Federal do Amazonas (Ufam) e da Bahia (UFBA). É preciso ser instrutor surdo de Libras ou surdo fluente. Inscrições no site www.ufsc.br.

JORNAL DA TARDE – 06/08/2006
NOTAS

Oficina de literatura para professores 

Começa amanhã o workshop Palavras em Ação, que o Centro Cultural Grupo Silvio Santos (CCGSS) desenvolveu para que professores introduzam o teatro como ferramenta de ensino da literatura.No projeto, os educadores poderão aprofundar seus conhecimentos nas correntes literárias. O encontro é dividido em três partes. A primeira (Oficina das Letras) trabalha com os professores aspectos que caracterizam a arte literária, com a análise de textos. Na segunda (Letras em Cena), os participantes assistem à peça Rapsódia dos Divinos, montada para o projeto. A última parte (Oficina em Ação) ensina o professor a repassar os textos literários para o palco e a simplificar o processo de produção teatral. Mais informações pelo telefone 3107-0804.

Intercâmbio entre Brasil e Alemanha 

O Colégio Santo Américo estabeleceu um programa de intercâmbio cultural com o
Rhabanus-Maurus Gymnasium, St. Ottilien, escola localizada na região sul da Alemanha. Nesse primeiro ano, o projeto envolveu dois alunos do Ensino Médio: Marcela de Queiroz Garcia Agudo e Rudolf
Andreas Riederer, ambos do 2º ano. Eles passaram o mês de julho na cidade de St. Ottilien, hospedados na casa de dois alunos, e freqüentaram a escola. Em contrapartida, os alemães Franziska Hirt e Phillip Jost, chegaram ao Brasil esta semana para passar o mês de agosto freqüentando aulas do Santo Américo. As vagas dependeram do número de alemães interessados em vir. Para mais informações, acesse o site da escola brasileira (www.csasp.g12.br).

Cursinho abre vagas remanescentes 

No próximo sábado, o Cursinho 20 de Novembro recebe inscrições para o preenchimento de vagas remanescentes do curso preparatório para o vestibular 2007. Direcionado para alunos quem não podem estudar durante a semana, as aulas acontecem aos sábados, das 11h30 às 17h30 e, aos domingos, das 9h às 13h30. O valor do curso - que tem duração de seis meses - é de R$ 320 e pode ser dividido em duas parcelas. Os estudantes podem optar pela unidade do Metrô Tiradentes (Avenida Tiradentes, 715) ou do Metrô Vila Matilde (Rua Gil de Oliveira, 91). As inscrições devem ser feitas pessoalmente, das 11h às 15h, no campus do Metrô Tiradentes. É necessário apresentar RG e comprovante de residência. Informações pelo telefone 6651-8811.

JORNAL DA TARDE – 07/08/2006
Quando o frio prejudica o aprendizado 

Problemas respiratórios podem derrubar rendimento escolar de crianças 

Falta de atenção às aulas, irritabilidade ou apatia, indisposição, sono durante o dia. Parece aquela 'preguicinha' de inverno que atinge muitos alunos nesta época do ano - ou até indisciplina. Mas a queda do rendimento escolar no período de frio pode ter uma causa bem mais séria: problemas respiratórios.
De acordo com especialistas, o inverno facilita o aparecimento de alergias em crianças, prejudicando o aprendizado nas salas de aula. Muitas vezes, os sintomas não são claros e podem ser confundidos com problemas de comportamento e concentração.
A fonoaudióloga Renata Alvarez, que trata de crianças com déficit de atenção, conta que, em muitos casos, ao se investigar a origem do baixo rendimento escolar de estudantes, descobre-se um problema respiratório. "Quando há este diagnóstico, é necessário ampliar a capacidade respiratória do nariz, para que o déficit de atenção acabe."
Com dificuldade de respirar, as crianças não dormem o tempo necessário e ficam indispostas, explica a fonoaudióloga e psicopedagoga Raquel Caruso, diretora do Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento (CAD). "As crianças também passam a respirar pela boca, prejudicando a oxigenação do cérebro. Com isso, as informações são processadas mais lentamente."
Segundo Raquel, aumentam os casos de alergia em crianças nesta época do ano porque o clima fica mais seco e há ainda mais poluição, mais pó no ar. O médico Flávio Sano, presidente da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Regional São Paulo) e chefe do Serviço de Pediatria do Hospital Nipo-Brasileiro, diz que as doenças alérgicas mais comuns no inverno são rinite e asma. "Neste período, é comum a instalação dos quadros gripais, que são os principais desencadeantes de crises de alergia respiratória."
Sano conta que, no Brasil, a prevalência de asma gira entre 10% e 15% da população e a de rinite alcança 40%. "Qualquer indivíduo pode desenvolver uma alergia, porém, a probabilidade aumenta se um dos pais, ou ambos, apresenta alguma condição alérgica", explica o médico.
De acordo com Renata, se o rendimento escolar do aluno cai nesta época do ano, os pais devem ficar atentos aos sinais típicos dos problemas respiratórios: "A criança respira predominantemente pela boca, ronca e baba durante o sono e apresenta olheiras. Algumas ficam irritadiças, não param no lugar, e outras parecem apáticas, desanimadas." Sintomas mais claros também podem aparecer, como tosse, nariz entupido, coriza e peito cheio.
Um diagnóstico preciso, no entanto, deve ser feito por um médico, como um alergista ou um otorrino. "Os problemas precisam ser tratados precocemente porque, às vezes, geram na criança o costume de respirar só pela boca. Mesmo podendo respirar pelo nariz, ela se acostuma a não usá-lo. Assim, prejudica também o aprendizado", diz Renata. Neste caso, o tratamento deve ser feito por um fonoaudiólogo ou um fisioterapeuta pulmonar.

Escola oferece fisioterapia pulmonar 

Na Ponto Omega, alunos com problemas respiratórios contam com programa especial 

Para prevenir e tratar problemas respiratórios entre os alunos durante o inverno, a escola de educação infantil Ponto Omega (3031-4296) conta com um programa de fisioterapia pulmonar. As sessões - aplicadas quando há pedido do pediatra do aluno - têm como objetivo melhorar a função respiratória e remover a secreção do pulmão das crianças.
Além do inalador, os profissionais utilizam técnicas como a tapotagem (percussão feita com as mãos em forma de concha, sobre a parede do tórax) e a vibração e compressão torácica, que auxiliam no deslocamento das secreções. Outros exercícios, como o estímulo à tosse, fazem com que a criança expectore estas secreções.
“Os resultados são brilhantes. Em três sessões, já há uma grande melhora”, conta a diretora da escola, Maria Grupi. Segundo ela, a fisioterapia respiratória garante uma recuperação muito mais rápida das crianças com problemas respiratórios e faz com que elas tenham mais disposição para aprender. “O trabalho favorece uma melhora completa e o resultado são crianças mais saudáveis e atentas.”
Os fisioterapeutas que atuam na escola também orientam professores, auxiliares e pais sobre como realizar a técnica de tapotagem e a observar alguns sintomas, como tipo de tosse e a coloração da secreção, que podem sinalizar um problema respiratório.
A escola ainda conta com vacinação periódica contra a gripe. O trabalho de prevenção às alergias, diz Maria, não se restringe ao inverno. “Não temos cortinas, tapetes e cobertores, que propiciam a disseminação de ácaros.”

JORNAL DA TARDE – 07/08/2006
Como lidar com as brigas entre irmãos 

Içami Tiba 

Um dos maiores desprazeres dos pais é quando seus filhos, dois ou mais, brigam entre si. Existem brigas saudáveis e construtivas mas são poucas. A maioria delas é problemática e destrutiva. As primeiras são as que surgem diante de uma novidade que todos querem. Querem tanto que até brigam por ela. Quando a briga é mais resolução de um impasse que impor seu desejo sobre o outro, os filhos conseguem estabelecer uma combinação entre si que evitará brigas posteriores, e aprendem a negociar. Vale a pena os pais intermediarem esta combinação quando o clima começa a esquentar e pode partir para uma briga destrutiva. Elas são destrutivas e problemáticas quando partem para ofensas pessoais, agressões físicas, danos materiais, etc. São formas de obter proveitos pessoais sobre vantagens da força física, da "esperteza que trai", da posse de uma arma ou do domínio de uma arte marcial, etc. E de tudo isso, o Brasil está cheio, porque a falta de ética e cidadania reina solta em praticamente todos os setores.
As novas constituições familiares onde os adultos nem sempre são pais de sangue e os seus dependentes são irmãos de sangue têm que encontrar novas formas de administrar estas brigas. Na próxima semana, falarei um poucos do que os pais podem fazer...

JORNAL DA TARDE – 07/08/2006
NOTAS

Site acessível para deficientes visuais 

O portal Brincando na Rede agora é acessível para portadores de deficiência visual. Segundo os princípios internacionais de acessibilidade definidos pelo Web Accessibility Iniciative (WAI), o site foi classificado em nível 3 (AAA), o mais completo. Todas as informações da página podem ser acessadas por qualquer pessoa, independentemente das capacidades físico-motoras e perceptivas, com o auxílio de recursos de áudio, vídeo e teclado. Para ter acesso a todas as atrações é necessário ser usuário do Netscape em versão superior a 4 ou do Explorer 5.0. www.brincandonarede.com.br

Bazar beneficente no próximo dia 12 

A entidade Arsenal da Esperança realiza no próximo dia 12 um bazar beneficente. Estarão à venda roupas, calçados, bijuterias e itens de decoração. Rua Dr. Almeida Lima, 900, Brás. Informações: (11) 6694-5444.

Palestra gratuita sobre feng shui 

A Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan (SBTCC) promove uma palestra gratuita sobre feng shui (técnica chinesa para manutenção da saúde das casas e construções) no próximo dia 12, às 9h. Informações: (11) 3884-8943.

JORNAL DA TARDE – 07/08/2006
Adolescentes não se envolvem em ações sociais 

Após um estudo com 396 jovens entre 16 e 18 anos, pedagoga concluiu um índice muito pequeno de manifestação solidária 

SAULO LUZ

A maior parte dos adolescentes não tem um projeto de vida que envolva atividades solidárias ou voluntárias. A conclusão é de um estudo do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), realizado como trabalho de doutorado pela psicóloga e pedagoga Denise D'Aurea Tardeli. O estudo tinha como objetivo identificar a personalidade moral e os projeto de vida do jovem de hoje, além de descobrir se ele possui um projeto solidário.
A pesquisadora entrevistou 396 adolescentes de duas escolas particulares de São Paulo e Santos. Todos os jovens tinham idade entre 16 e 18 anos e estavam cursando o 3° ano do ensino médio. "Pensei em trabalhar com adolescentes por ser um momento de conflito e decisões importantes", revela Denise.
Primeiro, os pesquisados responderam a perguntas que envolviam situações hipotéticas. Depois, cada um elaborou uma redação respondendo à pergunta "Como você deseja sua vida daqui a 10 anos?"
Para o espanto de Denise, o resultado mostrou um índice muito pequeno de manifestação solidária. A maioria manifestava uma intenção de se aproximar somente de pessoas de seu âmbito pessoal e raramente com alguém desconhecido. Além disso, quase todos pensavam em profissão somente pelo caráter financeiro e não pelo seu papel na sociedade."Eles estão muito centrados em si mesmos e acabam se tornando muito individualistas", explica. Segundo Denise, os jovens estão com medo de uma sociedade em crise e, para que ele desenvolva uma participação mais solidária, precisa ser convidado. "A escola e a família que devem fazer esse trabalho desencadeador", revela.
No Instituto Madre Mazzarello, por exemplo, os alunos são convidados ao trabalho voluntário no Projeto Cidadão-Esperança, que atende comunidades carentes do Jardim Peri e do Jardim Antártica. Assim, os alunos dos cursos técnicos colocam em prática o que aprendem, gerando benefícios para as duas comunidades. A estudante Flávia Chollet Boni, 16 anos, está fazendo magistério no instituto e dá aulas e reforço escolar para crianças de uma creche local. Segundo ela, ir além dos muros da escola só faz bem. "Dá uma visão mais ampla e real para o jovem. Ele começa a pensar no futuro: o que vou fazer para melhorar?" E analisa: "Quando eu falo que eu faço trabalho voluntário, as pessoas dizem 'que legal', mas quando eu as convido para participar, dizem que não têm tempo. Os jovens hoje estão muito individualistas."

JORNAL DA TARDE – 06/08/2006
Ex-alunos encampam a reforma da escola 

Com apoio do banco HSBC, presidido por um antigo estudante, Escola Estadual Nossa Senhora da Penha vai passar por uma restauração completa 

CAMILLA HADDAD

Ex-alunos e professores da Escola Estadual Nossa Senhora da Penha, na Zona Leste, fecharam os olhos ontem e fizeram uma verdadeira viagem aos anos dourados. O encontro para relembrar o passado foi por uma causa especial: restaurar a instituição de ensino, atualmente em condições precárias. O prédio apresenta infiltrações, problemas estruturais, vidros e portas quebrados.
A realização da obra partiu da iniciativa de ex-alunos. Para sorte da escola e de todos os que trabalham e estudam ali, Emilson Alonso também fez o antigo colegial na instituição. Ele é, justamente, o presidente do banco HSBC - patrocinador de todo o restauro do imóvel.
“Um dia passei de carro na frente da escola e vi intervenções na parte externa. Achei que eram só mais muros para segurança, mas depois, um amigo me disse que a escola estava caindo aos pedaços”, contou Alonso. “Tenho sorte de ter essa posição hoje e ajudar a escola.” Ao todo, a restauração, segundo ele, custará em torno de R$ 4 milhões.
O prédio faz parte de um grupo de escolas construídas no final dos anos 40, início dos anos 50, com uma arquitetura considerada moderna para a época.Nos anos 60, a Nossa Senhora da Penha era uma das mais bem equipadas escolas da região. O prédio já está em processo de tombamento , o que assegura a preservação e possibilita benefícios das leis de incentivo fiscal.
Tudo será feito pela Format, a mesma empresa que restaurou a Catedral da Sé, o Mosteiro de São Bento, no Rio, e o Colégio Rodrigues Alves, na Avenida Paulista, que também contou com o patrocínio de um banco.
Para o arquiteto da empresa, Eduardo Coloneli, o primeiro passo para as mudanças começam imediatamente. “Numa primeira fase faremos as infiltrações e depois um estudo de todo o prédio”, disse Coloneli.
A diretora da escola, e também ex aluna, Jocely Leite estava orgulhosa do projeto. “Estou aqui há quatro anos. Sempre vi infiltrações e o anfiteatro também está ruim”, contou. Para a secretaria de Estado da Educação, Maria Lucia Marcondes Carvalho Vasconcelos, o restauro é muito importante para toda a comunidade. “É uma ação educativa. Resgata o patrimônio da Cidade.”

SAIBA MAIS SOBRE O PROJETO 

Na primeira fase de restauração o projeto irá consertar as infiltrações da escola

Novas instalações, entre elas elétrica, serão feitas no local

O auditório da escola vai ganhar uma nova cobertura

O valor estimado para o restauro é de R$ 4 milhões

As grandes intervenções serão feitos a longo prazo por dependerem de autorização, uma vez que a escola está em processo de tombamento

Hoje a rede estadual paulista tem 150 prédios escolares tombados

Na rede estadual de ensino, essa é a segunda escola a ser restaurada em parceria com bancos. A primeira foi a Escola Estadual Rodrigues Alves

JORNAL DA TARDE – 06/08/2006
Professores: faltou quórum na assembléia 

A assembléia que seria realizada ontem no Sindicato dos Professores da rede municipal, e que iria aprovar ou não a proposta de reajuste salarial anunciada pela Prefeitura, foi transferida para o próximo dia 22 por falta de público.
"Para ter caráter decisivo, a assembléia precisaria de pelo menos mil pessoas, mas só compareceram 600 professores", disse Élio Araújo da Silva, um dos diretores do Sindicato dos Profissionais em Educação do Município (Sinpeem).
No último dia 28, a Prefeitura anunciou a proposta de 54,29% de aumento, na maior parte feito por meio de gratificações, que será encaminhada à Câmara Municipal para aprovação. No entanto, as gratificações só contemplariam os 53 mil professores e diretores que estão em salas de aula. Segundo o sindicato, 28 mil trabalhadores (aposentados, adjuntos, de licença médica, secretárias e faxineiras) ficariam de fora do aumento.

JORNAL DA TARDE – 06/08/2006
Metrô tem bibliotecas em duas estações


Além dos acervos municipais, os leitores podem retirar de graça livros nas bibliotecas do Metrô. Nas Estações Paraíso (Linha 1 - Jabaquara/Tucuruvi) e Tatuapé (Linha 3 - Corinthians Itaquera/Palmeiras Barra Funda) são mais de 2 mil exemplares disponíveis.
O projeto existe há cerca de um ano. Batizado como "Embarque na Leitura", os dois acervos contam com gêneros variados de literatura, filosofia, religião, história, artes, sociologia, inclusive algumas obras exigidas no vestibular da Fuvest.
Para ser um usuário, é preciso apresentar documento de identidade, comprovante de residência e uma foto 3 x 4. Os menores de 12 anos devem estar acompanhados dos pais. As bibliotecas do Metrô funcionam de segunda a sexta-feira, das 11h às 20h.

JORNAL DA TARDE – 06/08/2006
Mackenzie assume cursos no Rio

RENATA CAFARDO 

A Universidade Mackenzie passará a funcionar também no Rio a partir do mês que vem. Isso será possível porque o Instituto Presbiteriano Mackenzie assumiu a gestão da Faculdade Moraes Júnior, instituição carioca que oferece cursos na área de negócios desde 1964 e passava por problemas financeiros. Essa é a primeira vez no País em que há a incorporação de uma grande e tradicional instituição de ensino superior por outra. O mercado privado brasileiro tinha apenas registrado fusões entre faculdades e universidades de pequeno porte.
Como as duas instituições são sem fins lucrativos, não se pode chamar a operação de compra. Nenhuma das duas divulgou o valor do negócio. Mas, segundo o reitor do Mackenzie, Manassés Claudino Fontelles, a universidade vai pagar dívidas, assumir compromissos trabalhistas, investir nos currículos e na estrutura da Moraes Júnior.
"Estamos equipando os laboratórios de informática, a biblioteca e dando um pouco do know-how do Mackenzie", diz o reitor. A nova instituição, que fica no centro do Rio, passa a ser chamada de Moraes Júnior/Mackenzie-Rio. Em alguns anos, no entanto, o nome será somente Mackenzie-Rio.
A idéia agora é a de abrir cursos, como o de Sistemas de Informação ou Relações Internacionais, e ainda pós-graduação na área de negócios. A Moraes Júnior foi pioneira no Rio no curso de Ciências Contábeis e oferece ainda Direito, Administração e Economia. Tem cerca de 2 mil alunos. "Esse é um exemplo do ajuste natural pelo qual está passando o sistema de ensino superior privado. O número de instituições vai diminuir", diz o diretor atual do Instituto Brasileiro de Contabilidade (IBC), José Paulo Fernandes Júnior. O IBC é o mantenedor da Moraes Júnior e teve seu conselho administrativo assumido pelo Mackenzie.
A universidade tem planos audaciosos de expansão, que não param no Rio. A próxima ampliação do Mackenzie será para Campinas, onde já foi aprovada a compra de um prédio e há projetos para abertura de cursos de Direito, Pedagogia e Administração em 2007.

JORNAL DA TARDE – 06/08/2006
O vestibular dos livros 

É mais fácil passar em Medicina do que achar obras exigidas pela Fuvest numa biblioteca municipal 

FERNANDA ARANDA e DINA AMÊNDOLA 

É mais provável entrar no curso de Medicina na Universidade de São Paulo (USP) do que encontrar um livro obrigatório da lista da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) em uma das bibliotecas municipais da Cidade. Os 81 acervos públicos possuem cerca de dois exemplares de cada uma das nove obras exigidas. Considerando apenas as pessoas que pediram isenção da taxa do processo seletivo, já que um dos critérios é possuir renda igual ou inferior a R$ 385, são cerca de 35 mil vestibulandos que disputam os 162 livros.
Segundo a diretora da Biblioteca Amadeu Amaral, no Ipiranga, Zona Sul, Maria Cristina dos Santos, as obras mais difíceis de serem encontradas são aquelas exigidas há menos tempo pelo vestibular.
"Publicações antigas, como Dom Casmurro, de Machado de Assis, nós temos mais de cinco exemplares, às vezes até 15, e quase nunca faltam. Já as mais recentes, como A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade, temos poucas e todas estão emprestadas."
A média de estudantes carentes por publicação nos acervos públicos é de 216 alunos para cada livro. O número é quase sete vezes maior do que a quantidade de candidatos por vaga na carreira médica da USP (32 pessoas para cada uma).
O estudante André Felipe Villas Boas, 19 anos, vai prestar Fuvest no final do ano para o curso de Comunicação. Ele pretende achar todos os livros na biblioteca pública próxima da sua casa, em Pinheiros, Zona Oeste. "Já achei Sagarana (João Guimarães Rosa). Não tenho dinheiro para comprar todos e preciso dos acervos municipais", disse.
Em outra biblioteca municipal, a solução para o déficit dos títulos literários foi diminuir o tempo em que eles ficam emprestados. "Pelo regulamento, cada pessoa pode passar 15 dias com o livro. Mas em época de vestibular reduzimos o período para uma semana. O objetivo é fazer com que todas as pessoas consigam ser atendidas", contou Regina Abreu, diretora do Acervo Anne Frank , no Itaim Bibi, Zona Sul, De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, são comprados no máximo três livros para cada acervo, mas o número cresce conforme as doações das pessoas.
A diretora do Sistema de Bibliotecas da secretaria, Maria Zenita Monteiro, admite que o total de exemplares é bem menor do que a demanda de público. "No geral, os livros literários custam R$ 30 cada. Hoje, são apenas 11 acervos administrados diretamente pela secretaria. Como a verba é restrita, contamos com o apoio da população na hora de doar", explicou Zenita.
Quem quiser fazer as doações de livros deve procurar as bibliotecas espalhadas pela Cidade. Elas funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h30 e, aos sábados, das 9h às 15h30.

Acervo começa a ser informatizado 

Secretaria de Cultura já está instalando computadores em 60 bibliotecas municipais 

Para facilitar o controle da entrada e saída de livros, a Secretaria Municipal de Cultura começou a informatizar o acervo de 60 bibliotecas municipais da Capital.
O objetivo é facilitar o acesso dos usuários às publicações. Foram distribuídos 180 computadores e todos os catálogos de títulos serão disponibilizados pela internet.
Até hoje, o empréstimo de livros era feito por meio de fichas de papel e a informação do nome e número de publicações existente também era manual, o que dificultava a consulta sobre os títulos existentes em cada um dos espaços.
"Com o processo informatizado, é possível unificar todos os acervos e ajudar inclusive os vestibulandos na procura por obras obrigatórias nos processos seletivos", afirmou a diretora do sistema de bibliotecas, Maria Zenita Monteiro.
Cada biblioteca recebeu três computadores. Dois deles vão armazenar os dados dos livros e um vai ficar apenas com a informação dos usuários cadastrados.
"Demos o passo inicial e esperamos que, no prazo máximo de três meses, todos os espaços de livros estejam com o sistema informatizado on-line. As 21 bibliotecas dos CEUs (Centros de Educação Unificada) já possuem esse sistema e, por esse motivo, não foram beneficidas ", explicou a diretora.
De acordo com a Secretaria de Cultura, com o catálogo informatizado a pessoa que faz o cadastro em apenas uma biblioteca do seu bairro, por exemplo, poderá utilizar o acervo de todas as outras da Capital. Os computadores foram doados pela Prodam, empresa de tecnologia de informação e comunicação da Prefeitura de São Paulo.

Como adquirir as obras na internet 

SITE
No endereço eletrônico www.dominiopublico.org.br, é possível adquirir mais de 730 obras, apenas relacionadas à Literatura Brasileira

20 MIL TÍTULOS

Ao todo, são quase 20 mil títulos cadastrados, que vão de clássicos a histórias infantis

DIREITOS AUTORAIS

São consideradas obras de domínio público, conforme a lei do Brasil, aquelas cujos autores morreram há pelo menos 70 anos. Não é preciso pagar os direitos autorais para reproduzi-las.

JORNAL DA TARDE – 06/08/2006
Projeto qualifica conteúdo pedagógico das ONGs


Associação Cirandar, apoiada pelo Santander Banespa, dá inicio ao Projeto Multiplicar, que pretende qualificar entidades que trabalham com Educação 

LUANDA NERA

Com recursos de menos e boa vontade de sobra, muitas organizações sociais acabam direcionando seus esforços para beneficiar o maior número de pessoas possível e garantir a elas a infra-estrutura adequada. Isso faz com que o investimento na qualidade pedagógica e gerencial fique em segundo plano.
Pensando nisso, a Associação Cirandar, em parceria com o Santander Banespa, criou o Projeto Multiplicar. A iniciativa - que tem duração de 8 meses e beneficiará 11 mil crianças e jovens - foi um dos projetos selecionados em 2006 pelo programa “Parceiros em Ação”, do Santander Banespa, e receberá apoio financeiro e técnico da instituição.
O Multiplicar vai oferecer 6 cursos gratuitos, com 30 vagas cada um, para as 48 entidades afiliadas à Associação Cirandar. A capacitação é voltada para coordenadores pedagógicos, educadores, diretores e equipes de apoio em projetos de caráter educativo.
Cláudia Maciel, coordenadora do Projeto Multiplicar, explica que a Associação Cirandar já trabalhava na qualificação dos profissionais que atuam na área pedagógica em entidades do Terceiro Setor. Mas explica que, agora, o foco é formar multiplicadores da metodologia.
“Nosso objetivo sempre foi melhorar o nível educacional das crianças. O problema é que esse trabalho acabava ficando restrito à pessoa que participava do curso e não era repassado para toda a equipe da ONG. Por isso, agora selecionamos as organizações que já tinham passado projeto e escolhemos pessoas que tinham propósito de multiplicar o conhecimento”, justifica. Para Cláudia Maciel, o principal entrave é que “as entidades se voltam para a quantidade de beneficiados atendidos e isso limita a preocupação com a qualidade.”
Vanda Pita, superintendente de Responsabilidade Social do Santander Banespa, reforça: “Muitas ONGs, principalmente as menores, têm boa vontade, mas pouco preparo, pouco conteúdo teórico. É claro que isso não invalida o trabalho, mas não supre de maneira adequada as carências sociais. A melhora no conteúdo certamente reflete na formação das crianças.”
A superintendente do Santander Banespa destaca ainda que o Projeto Multiplicar é inovador ao proporcionar oportunidade de aperfeiçoamento das ONGs, repassando conhecimentos: “Em 5 anos do programa Parceiros em Ação percebemos claramente que as entidades têm carências pedagógicas. O Multiplicar atende justamente a essa demanda.”

JORNAL DA TARDE – 06/08/2006
NOTAS

Curso de idiomas grátis 

O Centro de Cidadania da Juventude (CCJ) na Vila Nova Cachoeirinha começou a oferecer um laboratório de línguas que ministra cursos de 17 idiomas. Para participar, basta apresentar o RG e um comprovante de residência. Inaugurado em março, o CCJ também oferece diversos cursos, oficinas, salas de estudo e projetos, internet e espaço de leitura. O centro funciona de terça a domingo das 10h às 18h, na Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641. Outras informações pelo telefone (11) 3858-5202.

Parceria para inclusão digital de crianças 

A Fundação Orsa, do Grupo Orsa, formalizou uma parceria na área educacional e de inclusão digital com a IBM do Brasil. O projeto Kidsmart pretende levar o primeiro acesso à tecnologia para crianças de 4 a 6 anos matriculadas nas pré-escolas municipais por meio de um computador em forma de brinquedo que tem softwares interativos de geografia, ciências e matemática . A Fundação Orsa receberá 18 kits (móvel, máquina, softwares e capacitação de educadores) que serão distribuídos para as unidades do Programa Formação da entidade.
www.fundacaoorsa.org.br.

Experiência da perda narrada em livro 

Ensaio de Helena narra os últimos meses da filha de 5 anos, vítima de câncer, de Tatiana Piccardi. Toda a renda das vendas do livro será revertida para a Associação Helena Piccardi de Andrade Silva (Ahpas). www.ahpas.org.br

Feira de produtos artesanais dia 11 

A Associação para Valorização e Promoções de Excepcionais (Avape) promove de 11 a 21 de agosto uma feira de produtos artesanais no Shopping Metrópole, em São Bernardo do Campo.
www.avape.org.br

Emissoras debatem a abordagem do HIV 

Executivos de canais de tevê latino-americanos estarão reunidos na próxima terça-feira, nos estúdios da Rede Globo, no Rio de Janeiro, para debater estratégias de enfrentamento à epidemia HIV/aids. O objetivo da reunião é encontrar formas criativas para inclusão de mensagens com informação sobre prevenção do HIV em telejornais, programas de auditório, entrevistas, novelas e espaços publicitários.

ONG difunde programação consciente 

A ONG Midiativa (www.midiativia.tv) é uma boa fonte não só para educadores, como também para os familiares de crianças e adolescentes que queiram buscar conteúdo para promover a reflexão sobre a mídia brasileira . A missão desta ONG é debater parâmetros de qualidade , dando visibilidade para empresas de publicidade, emissoras de rádio e tevê e produtores de mídia consciente.

Site da Nova Escola traz aulas do ‘JT’ 

Os professores têm acesso a todas as atividades publicadas pelo JT, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da USP, por meio do site da Revista Nova Escola: www.novaescola.org.br, que traz vários planos de aulas elaborados por educadores.
A partir deste mês, todas as edições da Revista Nova Escola terão caderno especial de 12 páginas com sugestões de atividades para educação infantil.

Musical itinerante é nova opção de aula 

O Centro Cultural Grupo Silvio Santos lançará em São Paulo, na próxima terça-feira, o espetáculo Rapsódia dos Divinos, um musical itinerante que tem o objetivo de aproximar o professor e o aluno do prazer da literatura. As escolas que tiverem interessem em contratar o espetáculo, devem ligar para 11-3107-0804. Há preços especiais para instituições públicas de ensino.

JORNAL DA TARDE – 06/08/2006
A influência da TV nos jovens 

MARIA REHDER 

O JT propõe, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE-USP), coordenado pelo professor Ismar de Oliveira Soares, uma sugestão de aula a ser desenvolvida não só pelos professores do Ensino Fundamental e Médio, como também deve ser estendida ao cotidiano familiar, para o entendimento da influência dos programas televisivos na formação das crianças e adolescentes.
Essa atividade foi elaborada por Marília Franco, professora do Departamento de Cinema, Rádio e TV da Escola de Comunicações da USP (ECA).

OBJETIVO

Integrar no cotidiano da escola, e também nos hábitos familiares, o debate sobre o que a televisão nos oferece diariamente é a única forma de abrir espaço para que a influência da tevê sobre a formação de crianças e adolescentes seja positiva.
Lembrando que conversar não é fazer imposição, mas é, sobretudo, ouvir o outro com respeito e atenção.

INTRODUÇÃO

Para falar da relação dos adolescentes com a televisão é preciso relativizar gostos pessoais e preconceitos. A influência pode ser boa e má e não existe sozinha.
A qualidade e a intensidade de quaisquer influências dependem do campo psicológico e cultural que as recebe. Se há fragilidades emocionais ou culturais, o campo fica aberto para a construção de modelos com os quais, nem sempre, o adolescente está preparado para lidar. Nesse sentido, a construção de uma personalidade que tenha força para interagir com os campos de influência, da tevê ou qualquer outro, depende dos exercícios cognitivos que se ofereçam, sobretudo na família e na escola.
Esses exercícios não são somente leituras críticas e racionais daquilo a que se assiste, mas debates alegres e estimulantes sobre a experiência afetiva oferecida pelo ver e pelo espectar. Isso é o que propõe a educomunicação. É preciso reconhecer e respeitar o papel que a tevê tem na vida de cada adolescente e só assim os adultos estarão qualificados para interagir com esse campo afetivo apoiando sua transformação em conhecimento, autoconhecimento, curiosidade e desenvolvimento cognitivo.

ATIVIDADE

Os alunos podem receber “encomendas” de ver programas de tevê. Qualquer programa é válido para começar a atividade. Dependendo do número de alunos, o professor pode distribuir os formatos ou mesmo os títulos dos programas a serem vistos por grupos de alunos.
Assistido ao programa - em casa ou na escola; em grupo ou individualmente -, os alunos devem anotar pontos e questões que lhes pareçam interessantes.
Em sala de aula, o professor começa ouvindo os alunos, individualmente ou por grupos, comparando os diferentes olhares de seus estudantes.
É muito importante entender que a diversidade de olhares é mais rica e oferece mais opções de conversação. Temos uma cultura muito forte do certo e do errado. Essa dicotomia está errada. Cada olhar é um ponto de vista e as visões serão enriquecidas por essa diversidade.

MULTIPLICANDO

O professor deve estar consciente e atento ao fato de que o exercício, realizado com freqüência e, sobretudo, com prazer, terá um efeito multiplicador no processo de aprendizagem. Nas manifestações, muitas vezes contraditórias, de seus vários olhares, os alunos estarão, na verdade, exercitando:
a) seu potencial de construir e expressar opinião;
b) sua capacidade de fazer sínteses;
c) sua capacidade de ser gentil e paciente, ouvindo e respeitando opiniões diferentes;
d) o reconhecimento de que é sumamente importante deixar-se penetrar por visões diferentes que podem enriquecer e mesmo mudar suas visões de mundo.

O PAPEL DO EDUCADOR

A função do professor, como educomunicador e maestro dessa polifonia de opiniões, será a de um espectador especializado. Em nossa experiência vemos que muitos professores têm um certo “pudor” de se apresentarem como “televidentes”. Admitem a assistência aos telejornais, mas colocam restrições às telenovelas ou outros programas que, aparentemente, “só servem para lazer”.
No entanto, o professor deve reservar a sua opinião pessoal para encaminhar as conclusões da conversação. É indispensável que exponha aos alunos o seu olhar, com simplicidade e sinceridade, mas que o faça enriquecido e integrando a fala da turma. Tirando partido inclusive de uma possível contradição entre esses olhares.

AVALIAÇÃO

Esses exercícios reflexivos não devem ser fechados, mas precisam fluir como um hábito agradável, sem grandes verdades, mas cheio de sabores de saberes. Só assim podemos ficar tranqüilos quanto à formação de personalidades conscientes, de modo a positivar quaisquer influências, da tevê e outras.

BIBLIOGRAFIA

NAPOLITANO, Marcos. Como Usar a Televisão na Sala de Aula. São Paulo, Editora Contexto, 2002.
PACHECO, Elza Dias (org.). Televisão, Criança, Imaginário e Educação. Campinas, Papirus, 1998.
ROCCO, M. Thereza Fraga. Linguagem Autoritária. Televisão e Persuasão. S.Paulo, Brasiliense, 1989.
SETTON, M. Graça J (org.). A Cultura da Mídia na Escola. Ensaios Sobre Cinema e Educação. São Paulo, Annablume, 2005.
Consultoria NCE-USP - Isabel Leão, Carmem Gattás e Luci Ferraz.

JORNAL DA TARDE – 05/08/2006
Eles descobriram a USP 

GILBERTO AMENDOLA 

O tamanho da Cidade Universitária, a sensação de liberdade e o sorriso das estudantes de Comunicação. Foram essas as atrações que mais impressionaram os quatro garotos de Tatuí, cidade do Interior de São Paulo, que ontem sentiram aquele "gostinho de entrar na USP".
Eduardo, Silvio, Átila e Luis participaram da I Feira de Profissões para alunos do ensino médio. Juntos, circularam pelo descoladíssimo prédio de Geografia e História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas .
Vestidos de preto, passaram pelos estandes dos mais diversos cursos. Ouviram explicações, pegaram panfletos e no final concluíram: "No curso de Mecatrônica não tem mulher. Só dá japonês".
A Feira de Profissões é a oportunidade para alunos da rede pública superarem o mito da USP impossível. "Na feira, eles recebem informações sobre todos os cursos. Conhecem o ambiente e vão perdendo o medo de se inscrever", disse o pró-reitor de Cultura e Extensão da USP, Sedi Hirano. "A visita melhora a estima desses estudantes das classes C e D, " completou.
Hirano baseou suas observações em números interessantes. Mais de 410 mil jovens concluem o ensino médio em escolas públicas, mas apenas 71 mil se inscrevem no vestibular da Fuvest ( Para quem diz que o valor das inscrições acaba impedindo que os alunos mais carentes tentem entrar na USP, vale lembrar que, no último ano, o número de isenções foi superior à procura).
Com a feira, os estudantes descobrem que a USP não é um bicho de 7 cabeças. Os estandes apresentam as 93 carreiras e os 228 cursos disponíveis . " Assim, eles percebem que não existem apenas Medicina e Direito", ponderou Hirano.
Quem já estuda por lá recebe os futuros colegas . "Eles chegam com vergonha. Não sabem bem o que querem. Mas, aos poucos, vão se sentindo mais em casa", contou a estudante de história Andrea Cavalheiro de Moraes, 21 anos.
Outro exemplo de como os alunos da USP se envolvem com a feira é o que estava fazendo, ontem, a também estudante de história Gabriela Galdino Fazzoli, 20 anos. A menina passou de estande em estande recolhendo panfletos sobre os cursos para levar aos alunos do 3º colegial de uma escola do Grajaú, na Zona Sul. "Estudei a vida inteira em escola pública. Quero dar minha contribuição e mostrar que é possível", disse Gabriela.
A Feira das Profissões fica montada até amanhã, das 10h às 16h30. A entrada é gratuita. Os estandes ficam no prédio da FFLCH, na Cidade Universitária. Nos dias 12 e 13 de agosto a mesma feira será realizada no campus da USP Leste. "Mecatrônica só tem homem, mas Publicidade e Psicologia são um paraíso", concluiu Silvio César Filho, do quarteto de Tatuí. "Sou meio preguiçoso. Mas percebi que vale a pena. Vou passar na USP".

JORNAL DA TARDE – 05/08/2006
Site facilita apoio a projetos sociais e culturais 

LUANDA NERA

As leis de incentivo fiscal - como o próprio nome anuncia - foram criadas para estimular o patrocínio de empresas a projetos culturais, esportivos, sociais e até ambientais. O mecanismo, porém, ainda é pouco utilizado. Segundo dados do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), apenas cerca de 5% das companhias utilizam os benefícios da legislação.
Para "seduzir" as empresas, o site www.patrolink.com.br lançou uma "calculadora online" - ferramenta que permite às empresas conhecer o seu potencial de patrocínio com a lei de incentivo à cultura no Estado de São Paulo, regulamentada em junho de 2006. Os interessados acessam gratuitamente o site e digitam o valor pago por suas empresas em ICMS, para então saber o potencial de investimento.
O porcentual de isenção oscila entre 0,06% e 3%, dependendo do valor pago pela empresa em ICMS. "A calculadora facilita a vida do patrocinador, pois seleciona automaticamente o porcentual correto de isenção entre as 10 opções existentes, e também permite simulações de investimento com outras leis estaduais, municipais e federais", afirma Marcos Martins, diretor da Patrolink, empresa especializada em planejamento e gestão de patrocínios.
Segundo ele, um dos grandes atrativos dessa nova lei é a ausência de contrapartida das empresas: "Certamente isso vai provocar um movimento no mercado. A lei atende a uma demanda que estava represada há muito tempo."
O advogado José Maurício Fittipaldi, especializado na área de Investimento Social Privado e Terceiro Setor, acredita que a calculadora online pode tornar o patrocínio atraente: "As empresas poderão, por meio do cálculo rápido, ter a dimensão de seu potencial de investimento." Fittipaldi ressalta, porém, que não basta utilizar os mecanismos de incentivo: "É preciso planejar o patrocínio, identificar projetos que tenham realmente afinidade."
E é essa a proposta da Patrolink. O serviço funciona como uma central de patrocínios online, que filtra e classifica projetos antes de indicá-los aos possíveis patrocinadores cadastrados no site. A indicações são feitas baseadas em prioridades definidas pelas próprias empresas. Os patrocinadores podem ainda "encomendar projetos" ou fazer buscas por diversos parâmetros, como público-alvo e área de atuação.
A Patrolink atua como um facilitador de negócios, sem cobrar taxas ou comissão dos candidatos a patrocínio. O serviço foi lançado em junho de 2004 e conta com mais de 3.100 usuários cadastrados, entre proponentes e empresas.

Entidades aprovam o sistema 

Para ter acesso às empresas interessadas em patrocínio, pessoas físicas e jurídicas podem cadastrar seus projetos no site da Patrolink. Segundo Marcos Martins, diretor da empresa, uma das vantagens do sistema para os candidatos à apoio financeiro é a possibilidade de conhecer novos patrocinadores e de ajustar projetos aos interesses de cada um: “Algumas ONGs têm a idéia, mas não sabem como desenhar o projeto para executá-la.”
No final do ano passado, a gerente de projetos da Fundação Heydenreich, Daniella Michel, cadastrou dois programas no site: um sobre inclusão digital e outro voltado à educação para o trabalho. “É um método interessante, que nos aproxima dos patrocinadores. As dicas também são valiosas. É importante saber, por exemplo, que tipo de contrapartida determinada empresa prefere receber”, avalia. A Fundação Heydenreich existe há 75 anos e já atendeu 37 mil crianças. Yahoo e IBM foram algumas das empresas interessadas nos projetos.
O Instituto Ronald McDonald’s também experimentou o método. Há pouco mais de um mês, a entidade cadastrou no www.patrolink.com.br o projeto “Brincadeiras de Circo” - evento para cerca de 5 mil pessoas a ser realizado em novembro, no Rio de Janeiro - para que patrocinadores potenciais conheçam a proposta.“Apesar de ainda não termos fechado negócio, o interesse foi rápido. É mais um canal para atingirmos empresas que, talvez, não teríamos acesso só por meio de nossos contatos. Muitas delas nós nem imaginávamos que teriam interesse em nos apoiar. Para as empresas também há a segurança de apoiar uma instituição idônea”, conta Flavia Reis, analista de desenvolvimento do Instituto.

JORNAL DA TARDE – 05/08/2006
Escola usa hip hop como ferramenta pedagógica 

MARIA REHDER 

Quem acha que o hip hop, movimento que comemora 22 anos neste mês, é apenas coisa de jovem da periferia está muito enganado. É o que ressalta Angélica Lima, professora da Escola Estadual Pedro II, Barra Funda, que, após sair de um coma de 2 anos e de ter conseguido superar um câncer de garganta, hoje, por meio de um projeto de artes, dança e música, encontra forças para mudar a sua realidade, a de seus alunos e a de toda uma comunidade escolar.
Duas vezes por semana, sempre na hora do almoço, a professora Angélica consegue reunir mais de 100 alunos da EE Pedro II, que, voluntariamente, se matricularam nas aulas de hip hop. "A diretora da escola abriu as portas para eu desenvolver este projeto, pois sentia que os alunos, tanto do período da manhã como da tarde, em vez de ficarem correndo de um lado para o outro na hora do almoço, precisavam ter contato com a cultura e as artes", conta a professora.
Os resultados do projeto de hip hop superaram as expectativas da diretora da escola, Magda Santelli. "A dança de rua e a música atraem os alunos, mas as aulas também geram reflexão sobre temas da comunidade e aprimoram a língua portuguesa, pois os alunos elaboram textos com as letras de rap, debatem suas mensagens , trabalham a interpretação", avalia Magda.
A diretora explica que, por meio do incentivo à interdisciplinaridade, Angélica transmite o conteúdo de suas aulas para outros professores em seus horários coletivos de prática pedagógica, para que eles possam usar o hip hop em aula.
Magda também ressalta que o projeto trabalha a diversidade. "Temos moradores da Barra Funda, com maior poder aquisitivo, e alunos de zonas periféricas. O hip hop consegue integrar todos esses públicos. Em menos de 6 meses já tivemos de abrir novas vagas para alunos de 1ª e 2ª séries", comenta.

Resultados

Na última quarta-feira, a reportagem do JT acompanhou uma aula de hip hop da EE Pedro II e não encontrou só alunos envolvidos, mas também seus familiares.
"Após algumas aulas de hip hop, o meu filho queria desistir, pois não acompanhava os passos da dança. Então, pedi apoio à professora, e eu passei a ensaiar com ele todas as noites. Hoje ele adora as aulas", conta Jair G. de Oliveira, técnico eletrônico e pai de Rodger, 9 anos. Já a cabeleireira Maria Betânia da Silva, mãe de Vítor, 9, diz que o filho é quem a ensina o hip hop. "Antes ele ficava brincando na hora do almoço. Hoje, me explica a mensagem do rap e a dança", diz.

Trajetória

O hip hop foi responsável pelo ingresso de Angélica na educação. "Eu era bailarina clássica, nunca fui da periferia, mas me apaixonei por dança de rua, e vi que isso poderia ser usado como ferramenta pedagógica", explica.
Antes da EE Pedro II, Angélica atuou em Heliópolis, na EE Ataliba de Oliveira, onde trabalhou o hip hop por 20 anos. E nem a descoberta de um câncer há 5 anos a fez abandonar suas aulas. No entanto, após ter consolidado o trabalho em Heliópolis, ela teve de mudar de escola no início do ano. "Por divergências de gestão, saí de lá e vim para a Pedro II, onde comecei do zero. Felizmente, já vejo ótimos resultados."

Alunos não querem deixar a Pedro II na 5ª série 

O aluno de 4ª série Lucas Esteves,10 anos, que sai de Carapicuíba todos os dias para estudar na EE Pedro II, explica o que é o hip hop. "O movimento tem 4 elementos: mestres de cerimônias, são aqueles que transmitem a mensagem. Já os DJs, são os que tocam o som.O grafite é a cara do hip hop e o break é a dança de rua", diz o menino, enquanto lamenta ter de mudar de escola no próximo ano - a Pedro II oferece ensino até 4ª série.
As meninas fazem a mesma reclamação. "O legal é que não é só nas aulas da professora Angélica que a gente tem hip hop. A professora de português também fala de rap, até na sala de leitura a gente conta histórias do movimento", diz a aluna da 4ª série Graziela, 10 anos.
A professora Rita Nely Tavares destaca a evolução dos alunos após o contato com o hip hop. "A Angélica prioriza a interdisciplinaridade. Como trabalhamos mensagens de paz, os alunos não só melhoraram a disciplina como estão com melhor vocabulário", avalia.
Já Iraci Benfatti, avó de Matheus, 10 anos, aluno da 4ª série - que leu em voz alta em aula a letra de um rap produzido por ele -, diz estar impressionada com a mudança de comportamento de seu neto. "Ele sempre foi muito tímido. Após as aulas da Angélica, ele fez amizades, melhorou o humor, está mais comunicativo", comemora.
 

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