Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

10/08/2006 – CLIPPING


O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.

FOLHA DE SÃO PAULO – 10/08/2006
369 cursos têm a pior avaliação do MEC
 

Eles representam cerca de 7% dos 5.511 avaliados pelo Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) em 2005

Na outra ponta aparecem outros 425 com notas máximas -4 e 5- tanto na prova como no Indicador de Diferença de Desempenho


LUCIANA CONSTANTINO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL

Pelo menos 369 cursos de ensino superior públicos e particulares poderiam ser fechados ou ter o vestibular suspenso caso essa medida dependesse de uma única avaliação feita pelo governo federal.
Eles representam cerca de 7% dos 5.511 cursos avaliados pelo Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) em 2005. O exame substituiu, desde 2004, o antigo Provão. Para ser fechado, o curso ainda passará por avaliação in loco de especialistas.
Além desses 369 cursos terem os conceitos mais baixos no exame -1 e 2, numa escala de 0 a 5-, eles também foram os que menos agregaram conhecimento aos seus alunos durante os anos da graduação.
Esse conhecimento agregado foi "medido" pela primeira vez neste ano por meio do chamado IDD (Indicador de Diferença de Desempenho), apresentado ontem em Brasília.
Na outra ponta aparecem 425 cursos que conseguiram notas máximas -4 e 5- tanto na prova como no IDD.
Essa última edição do exame avaliou alunos do primeiro e do último ano de cursos de graduação pertencentes a 20 áreas, entre elas engenharia, biologia, computação e letras.
Ao separar apenas a nota média obtida pelos alunos no Enade, 27% dos cursos avaliados ficaram no patamar mais alto (4 e 5), enquanto 20% obtiveram os conceitos 1 e 2.
"Fechar 7% dos cursos é até pouco, tendo em vista a qualidade do que foi aberto nos últimos dez anos", disse Regina Vinahes, professora de pós-graduação em educação da Universidade de Brasília. "Mesmo assim, são milhares de alunos que estão em péssimos cursos."
Criado neste ano, o IDD mostra o esforço das instituições de ensino superior para melhorar a qualificação dos seus cursos. Lança luz sobre uma antiga colocação: a de que as instituições particulares, por receber alunos menos preparados, acabam oferecendo formação geral que eleva o conhecimento do concluinte, mas não chega a aparecer nos resultados finais.
Segundo os dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), 53,5% dos cursos privados avaliados tiveram um desempenho médio dos alunos concluintes igual ou maior do que a média esperada para aquele tipo de instituição. Já no caso das federais, esse índice foi de 58%.
"A situação das particulares se aproximou mais da realidade média do país", afirmou o ministro Fernando Haddad (Educação) ao apresentar os dados.
"Com o aumento das matrículas, entraram alunos com dificuldades. Temos de dar reforço em português e matemática", disse o presidente do sindicato das instituições privadas paulistas, Hermes Figueiredo.
Para o MEC, os cursos que tiveram notas 1 e 2 tanto no Enade como no IDD "acendem o sinal amarelo" quando passarem pela avaliação in loco.
Para fazer essa avaliação in loco dos cursos e instituições, o Inep modificou a forma de selecionar os especialistas avaliadores. Até 2005, eles eram indicados. Agora foi criado um cadastro. Cerca de 11 mil se inscreveram, a maior parte doutores. Desses, pelo menos 3.000 serão selecionados para fazer parte do banco de avaliadores.
veja os dados em (www.inep.gov.br

FOLHA DE SÃO PAULO – 10/08/2006 (TENDÊNCIAS/DEBATES)
Oportunidade histórica

ATHAYDE MOTTA e IRACEMA DANTAS

A SOCIEDADE brasileira, sob a liderança e o protagonismo dos movimentos sociais negros, tem uma oportunidade histórica para estender o princípio constitucional da igualdade política e jurídica a quem a República brasileira tem historicamente excluído: as populações negra e indígena. Um passo importante será dado caso o Congresso Nacional aprove os projetos da Lei de Cotas (nº 73/1999) e do Estatuto da Igualdade Racial (nº 3.198/2000).
Possíveis imperfeições de tais projetos não invalidam nem deslegitimam a realidade de exclusão e desigualdade existentes. Como tantas outras leis, precisam ser aperfeiçoadas e implementadas com vigor para que uma transformação de fato possa ocorrer. O projeto de cotas estabelece programas para a reserva de vagas para negros(as) e indígenas nas instituições federais de ensino superior. O Estatuto da Igualdade Racial propõe um conjunto de políticas públicas integradas, geradoras de oportunidades para cidadãs e cidadãos negros no serviço público e nas relações comerciais entre este e empresas privadas que exerçam políticas de ações afirmativas. Em vários lugares do mundo nos quais essas práticas têm ocorrido, os resultados foram a consolidação e a expansão dos direitos de cidadania e da própria democracia. As conseqüências das políticas de ação afirmativa são duas: a geração de oportunidades reais para grupos racialmente excluídos ao longo de nossa história e a revelação de que, infelizmente, o preconceito e a discriminação raciais são utilizados, todos os dias, por indivíduos e instituições, incluindo o Estado, contra as populações negra e indígena. Em uma análise realista, porém contrária aos interesses de quem só se beneficia das desigualdades, podemos afirmar que o preconceito e a discriminação raciais têm sido inerentes às relações sociais brasileiras. Ambos têm função fundamental para a acumulação de riqueza e poder por uma classe de origem européia que se perpetua em posições de privilégio enquanto manipula um discurso falsamente progressista de integração e solidariedade raciais que, de fato, reproduz e aprofunda o preconceito e a discriminação já existentes. O combate à exclusão social por meio da construção de serviços públicos universais de qualidade nos setores de educação, saúde e previdência, em especial a criação de empregos, tem sido um retumbante fracasso, por causa das limitações do próprio ideal universalista. Essas metas só poderão ser alcançadas pelo esforço sobre-humano de cidadãos e cidadãs de todos os grupos sociais e raciais contra os privilégios odiosos que, tradicionalmente, reduzem o princípio republicano da igualdade política e jurídica a apenas isto: um princípio vazio de sentido, valor e relevância para milhões de brasileiros e brasileiras. É preciso repetir, ainda que exaustivamente, que as políticas de ação afirmativa não criam identidades, só reconhecem aquelas que existem há séculos. Não criam direitos individuais, mas ampliam os direitos de cidadania para metade da população brasileira excluída da República. A adoção de identidades raciais não pode mesmo ser imposta e regulada pelo Estado, conforme comprovam o fracasso da categoria pardo e a celebração acrítica de uma mestiçagem de cunho ideológico conservador e excludente. Pelo contrário, políticas que geram oportunidades para grupos raciais com ricas histórias, tradições e conhecimento podem contribuir enormemente para que se alcance a justiça social. As políticas de ação afirmativa não têm por objetivo dar qualquer tipo de respaldo legal ou científico ao conceito de raça; elas apenas reconhecem as práticas sociais em que a cor da pele e determinados biotipos exercem papel fundamental nas relações entre brasileiros e brasileiras. Além disso, as políticas de ações afirmativas trazem para o país a possibilidade de destruir de uma vez por todas -e ainda que tardiamente- o mito de que vivemos em uma democracia racial. E também o perigoso tipo de racismo que esse mito inventou: abjeto, dissimulado, desumano e criminoso.
ATHAYDE MOTTA , 43, cientista social, é doutorando em antropologia no programa da diáspora africana, na Universidade do Texas, em Austin (EUA). IRACEMA DANTAS , 38, jornalista, é coordenadora do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e editora da revista "Democracia Viva".

FOLHA DE SÃO PAULO – 09/08/2006
Educação pela pedra 

PLÍNIO FRAGA

RIO DE JANEIRO - A vida é feita de asperezas, sendo inútil negá-las, contorná-las, envolvê-las em gaze, escreveu Graciliano Ramos do cárcere. "Quem dormiu no chão deve lembra-se disto, impor-se disciplina, sentar-se em cadeiras duras, escrever em tábuas estreitas. Escreverá talvez asperezas, mas é delas que a vida é feita." Faz mais de 50 anos que "Memórias do Cárcere" foi publicado. A nobreza do autor consegue tirar lições daquilo que originalmente é dor.
Mas os tempos são outros. O sistema penitenciário brasileiro entrou em colapso. É desumano. Fornecedor e aprimorador da mão-de-obra do PCC. Não por culpa só dos presos. Os marginais organizam-se, auxiliam-se, fortalecem-se, comungam princípios ou a falta deles. Porque é da essência do homem assim proceder.
A socióloga Julita Lemgruber, que já comandou o sistema penitenciário do Rio, recorreu em entrevista a uma frase do ex-ministro da Justiça britânico Douglas Hurd para explicar a situação: "Prisão é uma maneira cara de tornar as pessoas piores". A privação da liberdade deve ser reservada aos criminosos violentos e perigosos, que se constituem em ameaça concreta.
Lemgruber lembra que, dos 365 mil presos no país, apenas 10% trabalham. A Lei de Execuções Penais diz que o preso condenado é obrigado ao trabalho e pode descontar um dia de sua pena para cada três dias trabalhados. Apesar de 70% dos presos no país não terem completado o primeiro grau, apenas 17% estudam dentro das prisões.
Há campo mais fértil para um sindicato assistencialista do crime? A "educação pela pedra" é uma bela imagem da lírica de João Cabral de Melo Neto. Mas o sistema penitenciário brasileiro está a formar um exército de marginais, que ameaça não deixar pedra sobre pedra. E ainda paga caro por eles.

FOLHA DE SÃO PAULO – 10/08/2006
Secretaria da Educação fez convênio sem licitação
 


Promotoria apura bolsas para instituição em Londres


FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL

O Ministério Público Estadual investiga possíveis irregularidades em um convênio feito pela Secretaria Estadual da Educação, que concedeu 33 bolsas de mestrado em uma universidade inglesa a professores da rede pública paulista, ao custo de R$ 960 mil.
Pareceres da consultoria jurídica da pasta e do Conselho Estadual da Educação questionam a ausência de licitação para a escolha da instituição, a Universidade de Londres. O programa foi firmado na gestão do secretário da Educação no governo Geraldo Alckmin (PSDB), Gabriel Chalita.
Os educadores selecionados passaram três meses em Londres, como parte do programa de mestrado em educação.
A nova titular da pasta, Maria Lúcia Vasconcelos, indicada pelo governador Cláudio Lembo (PFL), chegou a decidir que não pagaria a quantia, entendendo que "a realização deste convênio afronta a legalidade (...)". Após uma sindicância interna, porém, a nova gestão concluiu que não houve problemas jurídicos e deverá pagar o convênio ainda nesta semana.
"Já há indícios suficientes para a abertura de uma investigação", disse à Folha o promotor Saad Mazloum. Se a Promotoria comprovar irregularidades, será feita uma ação de improbidade administrativa, que pode exigir ressarcimento.
Em dois pareceres, a consultoria jurídica da Secretaria da Educação viu a necessidade de uma licitação para a escolha da instituição de ensino. O pedido de análise foi feito pela própria secretaria, sob a gestão Chalita.
A nova secretária, ao assumir, constatou que havia contestações e decidiu não pagar o convênio. Ao mesmo tempo, porém, abriu uma sindicância interna para apurar o caso e também o remeteu à Procuradoria-Geral do Estado e à consultoria jurídica do governo.
A sindicância entendeu que a Universidade de Londres era a única capaz de oferecer o mestrado como a secretaria pedia, o que dispensava a licitação.

Outro lado
O ex-secretário Chalita afirmou que o convênio para concessão de bolsas foi vantajoso economicamente e, além disso, a Universidade de Londres foi a única que apresentou um projeto viável. "O Ministério Público vai investigar e verá que o preço foi baixo", disse Chalita. Segundo o ex-secretário, a bolsa mensal para cada professor ficou em R$ 1,2 mil (considerando dois anos de duração). A atual secretaria só se manifestará após a representação.

FOLHA DE SÃO PAULO – 09/08/2006
Pacientes iniciais

Como alertar crianças e adolescentes sobre os riscos do tabagismo sem parecer moralista ou catastrófico

GILBERTO DIMENSTEIN 

NISE YAMAGUCHI acompanha há 20 anos não apenas o corpo mas a mente das vítimas de câncer. Aprendeu tantas lições de como enfrentar e superar dificuldades que resolveu, mesmo nos casos mais graves, chamá-los de "pacientes iniciais". Testemunhou como a doença faz um indivíduo, fragilizado, buscar forças, redescobrir-se e refletir sobre a existência -reflexão que, provavelmente, jamais faria com tanta profundidade numa situação normal. "É como se, paradoxalmente, o paciente estivesse iniciando um novo e fértil momento."
Alguns desses pacientes, todos jovens e quase todos curados, têm sido chamados por Nise para ensinar jovens sadios a prevenir o câncer, em uma campanha contra o tabagismo.
Filha de imigrantes japoneses do interior do Paraná, Nise veio sozinha para São Paulo. Seu pai achou que ela merecia deixar a família porque tinha tirado primeiro lugar num concurso de matemática. Preparou-se para o vestibular, entrou na USP e se especializou em cancerologia. Logo ficaria insatisfeita com os métodos de tratamento dos pacientes nos hospitais. "Tudo era muito frio, científico." Mudou-se para a Suíça e a Alemanha, onde trabalhou em hospitais que experimentavam tratamentos baseados na medicina antroposófica. "Não enxergavam apenas o corpo mas uma alma."
Voltou ao Brasil disposta, como pesquisadora em pneumologia, a analisar pelos microscópios o comportamento das células cancerígenas. Mas se propôs, com o que estudou na Europa, a olhar além do corpo. Seu trabalho mescla o tratamento químico com ensinamentos filosóficos para que os pacientes transformem aquele momento num aprendizado sobre uma dimensão da existência. "Por isso, eles são sempre pacientes iniciais, vendo coisas novas e interessantes pela primeira vez." Tal atitude, segunda ela, favorece os tratamentos e a cura.
Como cancerologista abrindo pulmões enegrecidos, Nise sabe o que significa o tabagismo -e se incomoda com os truques publicitários para convencer crianças e adolescentes de que o fumo está ligado a charme, beleza e sensualidade. As lições que aprendeu no consultório e nos hospitais estão por trás de uma idéia: chamar jovens que tiveram câncer na infância e adolescência para falar com jovens sadios. "Eles têm um extraordinário poder comunicativo."
Alguns deles estiveram reunidos, ontem, na Associação Paulista de Medicina para o lançamento da campanha "Câncer tem cura, o tabagismo também". Um de seus objetivos é mobilizar a juventude contra o tabagismo -boa parte dos viciados de hoje iniciou-se no hábito de fumar quando criança. Faltava, porém, achar um jeito atraente de alertar para os riscos do tabagismo, sem parecer moralista ou catastrófico.
Um jovem com aquela experiência traumática consegue sensibilizar melhor as platéias de adolescentes, que ouvem com mais atenção os relatos sobre os tumores e, no final, tendem a pensar mais vezes antes de acender um cigarro. "Um jovem que passou pela doença sabe, como ninguém, falar não sobre ela, mas sobre o prazer de viver."

O ESTADOD E SÃO PAULO – 10/08/2006
Universitários de 40% dos cursos evoluem pouco
 

2.ª edição do Enade mostra que desempenho muda pouco entre o primeiro e o último ano da faculdade. Leia mais sobre o Enade no portal Estadão 

Lisandra Paraguassú, Renata Cafardo, Simone Iwasso 

A segunda edição do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade), avaliação do ensino superior que substituiu o antigo Provão, deu indícios de que as faculdades particulares, sempre muito criticadas, podem não ser tão ruins. Pela primeira vez, o Ministério da Educação (MEC) tentou mostrar o quanto uma instituição aumenta o conhecimento de seu aluno ao longo do curso universitário, criando um índice para isso. Nessa conta, 41,8% dos cursos das instituições federais agregaram pouco ou nenhum conhecimento a seus alunos. Nas privadas, o índice foi de 46,5%.
Diferentemente do Provão, que avaliava apenas os alunos que terminavam o curso, o Enade é aplicado a concluintes (com pelo menos 85% dos créditos) e a ingressantes (com 25% dos créditos). Dessa forma, calcula qual o avanço do conhecimento.
Para chegar aos conceitos, que variam de 1 a 5, os estatísticos do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais do MEC (Inep) tiraram médias a partir do desempenho dos alunos nas áreas avaliadas e traçaram uma nota esperada para os concluintes. Os cursos que passassem dessa nota recebiam conceitos 4 ou 5, os que tivessem exatamente a nota esperada, 3. E os que ficassem abaixo disso, conceitos 1 ou 2. A nova taxa recebeu o nome de Índice de Diferença do Desempenho (IDD).
Mais da metade das instituições federais teve IDD 3, 4 ou 5 - ou seja, seus alunos aprenderam muito. Mas a diferença entre privadas e federais é de pouco menos de cinco pontos. "Dá para dizer, em virtude do bom trabalho feito por algumas instituições particulares, que essa distância no valor agregado diminuiu", disse o ministro da Educação, Fernando Haddad.
A avaliação feita apenas com a participação dos formandos era a maior crítica das universidades particulares com relação ao Provão. Elas argumentavam que não tinham boas notas porque seus alunos já vinham do ensino médio com menos conhecimento do que os que ingressavam nas públicas.
"A experiência de valor agregado ainda é recente no Brasil, precisamos olhar com cuidado os dados para não errar nas interpretações", adverte o educador Claudio de Moura Castro. "Há instituições que pegam alunos bons e não sabem o que fazer com eles e há outras que pegam o mais fraco e o melhoram."
Para a ex-presidente do Inep/MEC e secretária estadual da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, a melhor maneira de medir o valor agregado seria usando a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), feito pelos que terminam esse nível de ensino. "O ideal seria ver as notas desses mesmos alunos quatro anos depois, quando saem da faculdade."
O Enade avalia grupos diferentes de ingressantes e concluintes e todos são escolhidos por amostragem. A prova feita pelos estudantes é a mesma, com questões específicas e de conhecimentos gerais. A diferença são os pesos dados a cada pergunta para os dois grupos. A nota tirada no Enade - como no Provão - é um conceito diferente do IDD .
Os resultados divulgados ontem são da prova feita em 2005. O Enade é parte de um sistema de avaliação do MEC que ainda examina corpo técnico e docente, infra-estrutura e perfil pedagógico. "O que pesa mais é o conceito geral da instituição no Enade. Mas um curso que tirou nota 1 e tem IDD 5 vai receber uma atenção especial porque pode não ter um resultado bom, mas conseguiu dar mais conhecimento aos seus alunos", disse Haddad.

Desempenho do NE surpreende 

Região perdeu apenas para o Sul, e por muito pouco; Norte do País teve as piores notas 

A segunda edição do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade) trouxe uma surpresa: o índice de cursos com conceitos mais altos (4 e 5) no Nordeste é o segundo mais alto do País. Perde apenas para a região Sul, mas por uma diferença mínima - de 29,9% no Sul para 29,8% no Nordeste.
A região Sudeste aparece em terceiro lugar, com 27,6% dos seus cursos com as notas mais altas. O resultado pode ser explicado em parte pelo fato de duas das melhores instituições do País - e que estão na região -, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), não terem participado do Enade por não concordarem com a metodologia.
"Para mim foi uma surpresa", afirmou o presidente do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep) do Ministério da Educação, Reynaldo Fernandes, comentando o desempenho do Nordeste. A explicação encontrada pelo MEC é que na região existe um número menor de cursos de instituições privadas, que ainda obtêm os conceitos piores na avaliação.
Entre os conceitos mais baixos, a campeã é a região Norte. Quase um terço de seus cursos receberam 1 e 2.
No total do País, 53% dos cursos obtiveram conceito 3. Apenas 5% alcançaram a nota máxima e 3% obtiveram conceito 1. A maioria das notas mais altas, 56,3%, ficou com as instituições federais. Logo depois, vieram as Estaduais, com 40,6% dos conceitos 4 e 5. As instituições privadas tiveram a maior parte das notas concentradas na média 3, mas apenas 23,3% delas alcançaram os conceitos mais altos.

CICLO

Essa foi a segunda edição do Enade, que avalia a cada ano um grupo de áreas do conhecimento. Desta vez, realizaram a prova 277,4 mil estudantes - concluintes e ingressantes - de cerca de cinco mil cursos de graduação de Arquitetura e Urbanismo, Biologia, Ciências Sociais, Computação, Engenharias (distribuídas em 8 grupos), Filosofia, Física, Geografia, História, Letras, Matemática, Pedagogia e Química.
O ciclo do Enade é de três anos. Neste ano, novas áreas serão avaliadas e, em 2007, o sistema volta às que foram analisadas em 2004.

DESEMPENHO

Além das médias gerais dos conceitos atribuídos por tipo de instituição e região do País, os resultados do Enade permitem observar o desempenho individual em cada curso de cada universidade - apesar de alguns cursos novos ainda não terem recebido conceitos, seja por não terem concluintes, seja por terem um número de formandos menor que dez.
Mesmo assim, nas áreas analisadas, foram as universidades federais e estaduais as que mais apareceram com conceitos altos no Enade e no Índice de Diferença do Desempenho (IDD), criado para medir o conhecimento agregado dos alunos (confira na lista). As instituições com duas notas 5 podem ser consideradas as melhores.
Em São Paulo, a Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul) foi uma das particulares que conseguiram um bom desempenho em seu curso de Geografia, com média 5. Para a reitora Sueli Cristina Marquesi, isso é resultado do estímulo à pesquisa e do processo seletivo. "Nosso processo seletivo é feito nos moldes regulares e isso tem relação com o desempenho", diz.
O processo seletivo parece ser também a resposta para as médias baixas da Universidade Ibirapuera em Química. "Isso se deve ao nosso vestibular, que permite a matrícula de alunos com deficiências acadêmicas", afirma o reitor da instituição, Jorge Bastos. Mas ele diz não confiar completamente no exame. "Os alunos não estão muito preocupados em responder corretamente, mas em marcar presença."
LISANDRA PARAGUASSÚ, RENATA CAFARDO, SIMONE IWASSO E EMILIO SANT'ANNA

O ESTADO DE SÃO PAULO – 10/08/2006
Estudante depõe em ação sobre racismo
 

Lígia Formenti 

Primeiro brasileiro acusado de crime de racismo pela internet, Marcelo Valle Silveira Mello prestou depoimento em juízo ontem, em Brasília.
Foi um interrogatório relativamente curto, em que o estudante reconheceu a autoria de textos divulgados na internet ofensivos a afro-descendentes, disse estar arrependido e, ao mesmo tempo, surpreso com a repercussão do caso. "O que fiz foi uma brincadeira", disse. "Não me considero racista, não sou 100% branco", completou Mello.
Apesar de admitir o crime, Mello procurou dar mostras de que é um rapaz perturbado. Contou que perdeu o pai com um ano de vida, que não tinha amigos, que também foi vítima de agressões.
O advogado de defesa, João Paulo Baumotte, gostou da atuação de seu cliente. "Ele tem sérios problemas de relacionamento. Ele próprio foi chamado de gordo e de branquelo."
Na próxima fase, testemunhas de defesa e de acusação serão ouvidas.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 09/08/2006
Curso para professor indígena é interrompido


Indígenas representantes de 60 etnias da Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro (Foirn) denunciaram ontem que foi interrompido o curso de magistério indígena em São Gabriel da Cachoeira, a 858 km de Manaus, porque a Secretaria de Educação do Estado não repassou a verba. O curso capacitava 325 professores de mais de 300 aldeias.

JORNAL DA TARDE – 10/08/2006
Namoro na escola deve ter limites
 

MAÍRA TEIXEIRA 

Namoro na escola é um assunto que sempre deixa pais e professores literalmente apavorados, ainda mais quando os adolescentes estão vivendo a situação na rotina escolar e educacional. A diversidade cultural do País mostra que não há fórmula concreta, consenso ou padronização sobre namoro na escola que funcione e agrade a todos. Vale, aqui, a máxima do "cada caso é um caso".
Para Débora Vaz, assessora de instituições públicas e privadas, a decisão de proibir ou liberar namoros em sala de aula ou nas dependências da escola varia de acordo com as regras de cada instituição, mas precisa ser bem delimitada para evitar confusões. "Tem a ver com a moralidade das famílias. O que é aceitável para uma mãe pode não ser para outra", ressalta. "Vivemos uma diversidade e por isso acredito que o ideal seja a escola determinar um regulamento próprio."
Para a educadora, no entanto, esse assunto não deve ser democratizado. "Acredito que quem deve determinar o que pode ou não na escola é a coordenação, que deve ouvir a opinião dos pais e professores e, depois, determinar as regras, que devem ser obedecidas."

Intimidade pública

Débora ressalta que as pessoas precisam entender e assimilar que a escola é um local público e namoro é algo íntimo. "Por esse motivo, o namoro não deve ser estimulado no espaço escolar. O objetivo da escola é ensinar; há outros locais mais apropriados para namorar."
No Ensino Médio, quando o adolescente já vive a sexualidade na prática, a situação é outra. "Nesse estágio, é dever da escola explicar tudo o que for questionado e principalmente orientar os alunos para que tenham experiências saudáveis. Mas ainda acho que o espaço público deve ser utilizado para coisas públicas e não para a intimidade. Namoro e proximidade física são típicos de espaço particular. Têm de haver regras, que devem ser bem colocadas e estar claras."

Orientação sexual
Segundo a psicóloga Yara Sayão, uma das autoras da disciplina educação sexual dos parâmetros curriculares nacionais, cabe à escola abordar os diversos pontos de vista, valores e crenças existentes na sociedade. "E, assim, auxiliar o aluno a construir um ponto de auto-referência por meio da reflexão."
Ela defende a orientação sexual na escola a partir do Ensino Médio. "Antes disso, acho precoce. Mas nem por isso o assunto deve ser escondido. Quando surgir em sala de aula, os professores devem decidir com a direção escolar como tratá-lo." Pais e outros professores devem ser informados sobre as curiosidades e as dúvidas dos alunos para que possam entender e ajudar na busca das respostas.
Para a psicóloga, a educação sexual tem de ser uma disciplina no Ensino Médio porque contribui para o conhecimento e a valorização dos direitos sexuais e reprodutivos. "São esses fatores que possibilitam que homens e mulheres tomem decisões sobre sua fertilidade, saúde reprodutiva e criação de filhos. Dão acesso às informações e aos recursos necessários para as decisões futuras."

Mãe fica sem saber como agir com filha 

O namoro de Bia e Tiago é um problema para os pais da menina, de 11 anos. Para a mãe Regina, 37, o maior problema é sua dificuldade para conversar com a filha sobre o assunto. Tímida, ela diz que fica sem saber o que responder. "Fico apavorada com o teor das perguntas dela, acho precoce. Preciso me preparar para encarar melhor a adolescência da minha filha." O pai prefere se manter distante porque acha que quem deve conversar com a filha é a mulher. "Eu discordo, acho que nós dois temos essa obrigação", diz Regina.
A garota estuda na mesma classe do namorado. "Só fiquei sabendo quando a direção da escola me chamou para uma conversa. Disseram que o namoro estava atrapalhando as aulas e que não havia limites, pois os dois não se desgrudam."
No entanto, Regina resolveu levar a filha ao psicólogo porque se sentiu incapaz - por conta da sua timidez - de responder às dúvidas e questionamentos da filha. "Ela pergunta: 'por que não posso namorar na escola se vejo as pessoas se beijando em novelas, nas praças e ponto de ônibus?'", conta a mãe. "Acho que a escola tem de proibir o namoro."

JORNAL DA TARDE – 10/08/2006
NOTAS


EDUCOMUNICAÇÃO 

Na próxima sexta-feira, 11 de agosto, acontece na unidade Butantã da Escola da Vila a Mostra Internacional de Filmes voltados ao público infantil, cujos curadores são adolescentes. (11) 3751-5255

TEATRO 

A Estação Ciência estréia no dia 11 de agosto um espetáculo sobre a história de Santos Dumont. Os ingressos custam R$10 para alunos e professores. (11) 3672-5364

PALESTRA 

O supervisor do vestibular da Fuvest 2007, Prof. Nelson Carlin, dará palestra gratuita na sede do cursinho Anglo ABC aos interessados em obter informações sobre o vestibular. Inscrições: (11) 4990-4193

CINEMA 

No dia 19 de agosto, às 11h, haverá uma exibição especial do filme Zuzu Angel para professores de Ensinos Fundamental e Médio no Frei Caneca Unibanco Arteplex. Após a projeção, será aberto um debate.

FAMÍLIA 

A Escola Lourenço Castanho, na Vila Nova Conceição, está de portas abertas. Nesta semana, os avós acompanharão os netos nas aulas para contar às crianças o que faziam quando tinham 7 anos.

CARTILHA 

A Associação dos Magistrados Brasileiros acaba de lançar a nova versão gratuita da Cartilha da Justiça em quadrinhos, visando a conscientizar professores e alunos sobre cidadania. (www.amb.com.br)

Que quarta-feira movimentada! 

Ontem, como acontece todas as quartas-feiras, o Museu de Microbiologia do Instituto Butantã parecia um exame de jovens estudantes. É que nesses dias a entrada é gratuita e as escolas da Cidade e da região aproveitam para fazer as visitas pedagógicas. A propósito, o Butantã recebe, por ano, a média de 300 mil visitas. Convém lembrar aos professores que é possível dar aula no próprio Museu de Biologia, utilizando o seu rico acervo (lâminas com microrganismos e bactérias), equipamentos e biblioteca. Basta agendar com o instituto.

JORNAL DA TARDE – 10/08/2006
Travessia segura nas escolas
 

Programa de orientação na entrada e saída de escolas foi iniciado ontem na Zona Norte 

GILBERTO AMENDOLA 

A imaginação de Mateus Cristian Silva Santos, 10 anos, voa longe. "Eu já fui atropelado uma vez. Um carrão bateu em mim, mas eu consegui pará-lo com a mão", contou. O programa "Travessia Segura" não vai impedir esse menino de sonhar, mas pretende, na vida real, evitar que tragédias aconteçam em frente às escolas.
A operação começou ontem em oito estabelecimentos de ensino da Zona Norte. Em cada um desses colégios, dois orientadores irão atuar na entrada e na saída das aulas. As duplas utilizarão cones, placas de advertência e de regulamentação de velocidade, bonecos de madeira e outros materiais de sinalização removíveis.
"Queremos educar as crianças e estimular os motoristas a respeitarem as regras de trânsito. O motorista precisa redobrar sua atenção nas proximidades de uma escolas", afirmou o presidente da Companhia de Engenharia de Trânsito (CET), Roberto Scaringella.

Angústia na sala de aula


Aliás, a escolha da Escola Municipal de Educação Infantil Rui Barbosa, localizada na Avenida Conceição, na Zona Norte, não poderia ser mais adequada. Nos últimos cinco anos, foram três acidentes com morte em frente ao seu portão de entrada. O mais recente envolveu a mãe de um aluno. "Ela tinha acabado de deixar o menino aqui na porta. Saiu correndo para não perder o horário de serviço e foi atropelada", lembrou a dona de casa Maria Eunice Barros, 49 anos.
A diretora da escola, Erica Solange Seabra Simões, contou que, quando acontecem acidentes como esse, as crianças ficam traumatizadas e levam suas angústias para a sala de aula. "A segurança no trânsito é um tema muito relevante no nosso dia-a-dia. Nessa escola, temos muitas crianças de 6 e 7 anos que vêm sozinhas para a aula. Precisamos nos preocupar com isso", disse.

Boneco atropelado

Durante o primeiro dia de implementação do programa, os agentes da CET tiveram uma amostra do tamanho da dificuldade que vem por aí. Em menos de 10 minutos, um carro atropelou o boneco de madeira que foi colocado no meio da Av. Conceição e muitas crianças atravessaram fora da faixa de segurança. "Se eu morrer, morri", defendeu-se Michelle, 8 anos. Os próprios pais não costumam respeitar a faixa de pedestre. "Eu presto atenção. Tenho responsabilidade. Quando não vem carro, eu atravesso mesmo", disse a dona de casa Maria Fernanda Lemos, 37 anos.
A CET pretende espalhar o programa por toda a Cidade. A expectativa é de que até 2007 a iniciativa privada patrocine o material de sinalização e pague os orientadores. As secretarias de Educação e Trabalho também estão apoiando essa iniciativa.

JORNAL DA TARDE – 10/08/2006
Particulares melhoram
 

Avaliação das faculdades privadas: boas notas 

A segunda edição do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade), a prova de avaliação que substituiu o antigo Provão, mostra que as faculdades particulares, apesar de criticadas, podem não ser tão ruins assim. Pela primeira vez, o Ministério da Educação criou um índice para calcular quanto uma instituição aumenta os conhecimentos de seu aluno. Nessa conta, 41,8% das instituições federais agregaram pouco ou nenhum conhecimento. Nas privadas, o índice foi um pouco maior: 46,5%.
Ao contrário do antigo Provão,que só avalia alunos depois de concluídos os cursos, o Enade avalia quem está concluindo os cursos (85% de créditos feitos) e também os que estão iniciando (com 25% de créditos cursados). A partir daí, é calculado o avanço entre um iniciante e um formando.
O ministério criou um índice para ver esse avanço. Comparando escolas semelhantes, chegou a uma média de qual seria o desempenho esperado naquela área. Aquelas instituições que ficassem acima dessa média receberiam conceito 4 ou 5 no chamado de IDD, índice de diferença do desempenho. Na média, ficariam com 3 e, abaixo, 1 e 2.
Mais da metade das instituições federais consegue ficar na média (IDD 4 e 5) - ou seja, conseguem fazer seus alunos aprender. A diferença com as privadas é de pouco menos de cinco pontos.
Em São Paulo, o exame sofreu uma lacuna. Das três universidades estaduais, apenas a Universidade Estadual Paulista (Unesp) entrou na avaliação. A Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) não participaram desta edição do Enade, por não concordarem com a metodologia.
Nas áreas analisadas, foram as universidades federais e estaduais as que mais tiveram conceitos altos no Enade e no IDD. Na Capital, a Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul) foi uma das particulares que conseguiram bom desempenho em seu curso de geografia, que teve média 5. Para a reitora Sueli Cristina Marquesi, isso é resultado do estímulo à pesquisa e do processo seletivo. "Ele é feito nos moldes regulares e isso tem relação com o desempenho."
O processo seletivo parece ser também a resposta para o fraco desempenho da Universidade Ibirapuera. Para o reitor, Jorge Bastos, o desempenho abaixo da média reflete o baixo nível dos alunos aprovados pelo vestibular todos os anos.
A segunda edição do Enade coloca o Nordeste, que teve índices 4 e 5, em segundo lugar no País. Perde apenas para a Região Sul, mas por uma diferença mínima, de 29,9% no Sul para 29,8% no Nordeste. A Região Sudeste aparece em terceiro, com 27,6% das notas mais altas. Entre os conceitos mais baixos, 1 e 2, a campeã é a Região Norte. Quase um terço de seus cursos tiveram conceitos 1 e 2.

JORNAL DA TARDE – 10/08/2006
Professores fazem manifestação
 

Uma manifestação reuniu ontem cerca de 4 mil servidores estaduais da educação no Palácio dos Bandeirantes, Morumbi. Integrantes da Apeoesp (sindicato dos professores) foram recebidos por representantes do governo para discutir as reivindicações. A resposta deve vir no dia 15, data da próxima reunião. Os professores querem a incorporação das gratificações e extensão aos aposentados, novo plano de carreira e cumprimento da data-base.

JORNAL DA TARDE – 10/08/2006
Professora foi morta por aluno
 

"Eu não acredito que criei um monstro". Esse foi o desabafo feito à polícia pela diretora da Escola Estadual Jardim Canadá, em Mauá, no ABCD, quando soube que seu filho Mateus Leitão Sasso, 22 anos, participou do assassinato da professora e ex-namorada Maria Expedita Silva, 44 anos. O crime aconteceu na noite de sexta-feira e foi esclarecido na manhã de anteontem pela equipe de investigadores do delegado-titular José Marcos Pimenta, do 3º Distrito Policial de Mauá.
Além de Sasso, policiais civis prenderam Cristian Garcia Rincón, 25 anos, e detiveram uma adolescente de 15 anos e um garoto de 16 anos. Segundo o delegado Pimenta, esses três últimos confessaram a participação no crime e apontaram Sasso como o autor do assassinato. Mas o acusado alegou ser inocente.
Professora de Português e Inglês, Maria Expedita foi encontrada morta em sua casa, no Jardim Itapeva, em Mauá. A vítima foi violentada, depois amarrada, amordaçada e estrangulada com um cinto. Ela faria aniversário no dia seguinte. Na noite de sexta-feira, ela retornava da escola, alegre, carregando os presentes dados pelos colegas de trabalho.
O azar de Maria Expedita foi ter encontrado o ex-namorado logo depois de descer do ônibus, no ponto já perto de sua casa. Minutos antes, Sasso estava em companhia de Cristian e dos adolescentes. O menor disse para ele que precisava de dinheiro para pagar, sem falta, uma dívida de R$ 100.
Sasso afirmou como poderia arrumar o dinheiro: "Conheço uma professora que tem R$ 7 mil e guarda outros R$ 3 mil em casa. Vamos assaltá-la", propôs o filho da diretora ao grupo. Assim que avistou Maria Expedita, Sasso, em companhia dos amigos, abordou a vítima e a ajudou a carregar os pacotes.
Na casa dela, o grupo anunciou o assalto e roubou casaco de couro, anel, relógio e celular.
Um vizinho reconheceu Sasso, quando ele fugia pulando o muro.

JORNAL DA TARDE – 09/08/2006
Esmola e criança
 

Sociólogo e secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de SP
 

Floriano Pesaro 

Criança não pode trabalhar. Fazer cumprir essa lei, estampada na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente, virou uma obstinação da Prefeitura, que vem trabalhando com afinco para tirar das ruas de São Paulo todos os meninos e meninas que vemos pedindo esmolas, fazendo malabares e vendendo balas nos faróis. Grande parte mora com seus pais nos bairros periféricos da cidade e migra diariamente para as regiões centrais por um simples motivo: trabalhar. E estimativas revelam que dois terços do que essas crianças ganham (em média R$ 20 por dia) vão parar nas mãos de um aliciador. Longe de casa e dos bancos escolares, elas estão expostas à violência moral, física e sexual.
Já conquistamos algumas vitórias. Em 8 meses de Programa São Paulo Protege, um dos pilares da política pública da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, 1.817 crianças foram afastadas do trabalho infantil urbano. Destas, 900 saíram dos faróis (eram 3 mil). Suas famílias foram inseridas no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, que paga uma bolsa mensal de R$ 40 por criança, que não pode trabalhar e deve estar matriculada na escola e, no período complementar, em atividades socioeducativas e de convivência.
Agora, a população precisa entender que, ao dar esmola ou comprar produtos de uma criança na rua, está contribuindo com o trabalho infantil e comprometendo o futuro dela, de sua família e de toda a sua comunidade com a perpetuação da pobreza. Não dê esmola, dê futuro a uma criança. Quem quiser contribuir, que doe ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente ou às organizações conveniadas, jamais diretamente nas ruas.

JORNAL DA TARDE – 09/08/2005
NOTAS

Uma idéia para outras faculdades 

Uma boa iniciativa em Cidade Tiradentes (foto) que merece ser reproduzida em outros bairros da Cidade. No dia 18 de agosto será inaugurado na Praça de Atendimento da Subprefeitura o Centro de Atendimento Jurídico à Comunidade, sob responsabilidade de professores e alunos da Faculdade de Direito UNICSUL. É um serviço gratuito que vai ter muito trabalho no tópico regularização de áreas invadidas e prestações atrasadas de moradias. Com cerca de 300 mil habitantes , Cidade Tiradentes é uma sucessão interminável de conjuntos habitacionais.

Psicoterapia de graça na Unifesp 

O Instituto de Medicina Comportamental, ligado a Unifesp, abre 30 vagas de tratamento psicoterápico gratuito para pacientes que já tenham diagnóstico confirmado de Síndrome do Pânico, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e fobias. O tratamento consiste em 20 sessões de psicoterapia e não inclui adoção de medicamentos. Os interessados podem agendar a entrevista ds 13h30 às 18h, no 5575-1677, com Flávia.

JORNAL DA TARDE – 09/08/2006
Estudantes participam de avaliação internacional
 

MARIA REHDER 

Se os 12 mil jovens brasileiros que estão participando nesta semana do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) tiverem a mesma percepção de desempenho que os alunos da Escola Estadual Professor Jair Toledo Xavier, da Vila Brasilândia, Zona Norte, relataram ao concluir a prova na segunda-feira, o Brasil certamente vai deixar de integrar o grupo dos últimos colocados nas avaliações internacionais de qualidade da educação.
O desempenho médio do Brasil em Matemática do Pisa 2003 foi pior que o de alunos do México, Indonésia, Peru e Uruguai, o que lhe valeu a última colocação.

A prova

O Pisa é realizado em mais de 50 países a cada 3 anos e mede o desempenho de alunos de 15 anos, os quais em tese já concluíram a educação básica. Nesta edição, dá ênfase a Ciências, mas também inclui questões de Língua Portuguesa, Matemática e informações socioeconômicas dos estudantes.
O JT conversou com 5 alunos da EE Professor Jair Toledo Xavier que fizeram a prova do Pisa na segunda-feira. "A prova foi fácil e olha que fui pega de surpresa, pois faltei no dia em que avisaram sobre o exame", diz Vivian Froes, aluna da 2ª série do Ensino Médio.
Vivian diz que o fato de a prova ter ênfase em Ciências a deixou mais segura. No entanto, ela lembra que a questão mais fácil foi a "dos cômodos" da casa. "A gente tinha que escolher a planta ideal para a casa descrita no exercício. Era matemática sem contas, só raciocínio."
Já para Rafaela Carvalho, da 1ª série do Ensino Médio, a ênfase em Ciências causou receio. "Como o Saresp só avalia Matemática e Português, fiquei com medo de fazer uma prova diferente. Só deixei 4 perguntas sem responder por falta de tempo, mas fui bem", afirma.
Entre as 68 questões, os alunos apontaram a do "Braille" como a mais difícil. "Foi explicado como os números eram apresentados aos cegos e pediram para a gente elaborar uma fração em Braille. Bem confuso", descreve Douglas Borges, aluno da 2ª série do Ensino Médio.
Os alunos também destacaram que algumas questões exigiam dissertação. "A prova levou tempo porque a gente teve de explicar o motivo das respostas, mas foi fácil", lembra Fernanda Liberato, aluna da 1ª série do Ensino Médio. Já Adriano F. da Silva, aluno da 1ª série do Ensino Médio - que além de estudar, trabalha até às 18 horas em uma gráfica - foi o único a afirmar que a prova não foi tão fácil. "Vou bem na escola, mas eram muitos exercícios."

Realidade brasileira
A professora de biologia Neusa P. dos Reis, responsável pela aplicação do Pisa na EE Professor Jair Toledo Xavier, diz que o conteúdo da prova estava compatível ao currículo escolar nacional. "Nem todos os brasileiros estão inseridos no contexto destes alunos que estudam numa das melhores escolas da Vila Brasilândia. Atuo há 14 anos na rede pública e tive alunos que chegaram ao Ensino Médio semi-analfabetos."
Para Reynaldo Fernandes, presidente do Inep, órgão responsável pela aplicação do Pisa no Brasil, a melhora de desempenho dos alunos brasileiros será no longo prazo. "Na próxima edição do Pisa pretendemos integrá-lo ao Saeb", afirma.

Educação de qualidade ainda é desafio 

Especialistas em educação que participaram do Seminário Internacional “Quais as políticas educacionais que realmente funcionam? ”, realizado na segunda-feira no Ibmec São Paulo, foram unânimes ao apontar que a educação brasileira vive um momento crítico e precisa de mudanças.
Uma das razões para uma rápida transformação foi apontada por Alan Krueger, diretor de pesquisas da Universidade de Princenton, EUA. “Cada ano a mais de escolaridade, o salário anual de um norte-americano é aumentado em 10%. Já no Brasil , a valorização da escolaridade pelo mercado de trabalho é ainda maior por causa do baixo número de cidadãos que completam o ensino médio e superior”, afirma.
Krueger também apresentou um estudo realizado em 79 escolas de ensino fundamental do Tennessee, EUA, que contradiz a realidade das lotadas salas de aula brasileiras. “Os alunos das classes com até 15 pessoas tiveram melhor classificação no vestibular em relação aos de salas com 22 indivíduos. Principalmente as minorias, como os negros que estudaram em classes menores,tiveram melhor desempenho.”

JORNAL DA TARDE – 09/08/2006
Menos crianças nos semáforos
 

900 menores saíram das esquinas, encaminhados para programas sociais 

ARYANE CARARO 

Os semáforos da Cidade já não têm tantas crianças. É o que diz a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. Em um ano e quatro meses, ela diz ter retirado das ruas 900 meninos e meninas que esmolavam, faziam malabares, vendiam balas e flores ou limpavam vidros. É quase um terço das 3 mil crianças mapeadas pela secretaria em 180 cruzamentos no ano passado - quase metade deles na área da Subprefeitura de Pinheiros.
Somente nessa região, 142 "trabalhadores mirins" foram abordados neste ano para deixarem as atividades nos faróis e bares em troca da inserção em programas sociais. A maioria tem entre 12 e 16 anos. Os dados integram levantamento que será apresentado hoje no seminário "Desafio para Erradicação do Trabalho Infantil em Pinheiros: Próximos Passos". "Precisamos do apoio da comunidade, que não deve comprar e nem dar esmola", diz o secretário Floriano Pesaro.
Como era de se esperar, o estudo detectou que nenhuma das crianças morava em Pinheiros. Algumas se deslocavam mais de 40 km.
A Zona Sul é a maior "exportadora" de crianças para os faróis de Pinheiros (55,3%) - vindas principalmente de Campo Limpo, Capela do Socorro e M'Boi Mirim. Embu e Taboão da Serra também entram na rota da migração diária.
Os gêmeos Daniel e Danilo, 10 anos, e o irmão Davi, 7, gastam diariamente 2 horas para vir de Guarapiranga até a esquina da Av. Brasil com Rua Colômbia, onde vendem balas. Eles vêm com a mãe, Denise Marcelino, 33, que não tem com quem deixá-los. "Comecei a receber o Bolsa Família há dois meses. Mas como vou criar quatro filhos com R$ 90?", questiona ela, que paga R$ 5 por dia para a vizinha cuidar do seu bebê. Ela diz nunca ter sido procurada para colocar os filhos no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), que dá bolsa mensal de R$ 40 por criança que freqüenta a escola e o pós-escola e abandona a rua. "Se fosse assim, não trazia eles." Já para meninos que vendem balas no cruzamento da Brasil com a Av. 9 de Julho, a bolsa não é atraente. "Eu não sairia daqui. Tiro até R$ 80 por dia", conta Peterson de Aguiar, morador do Capão Redondo,14 anos, há 8 no farol.

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