Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

14/08/2006 – CLIPPING


O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 14/08/2006
Lição de casa com música, e-mail e videogame 


Adolescentes trocam silêncio e concentração por múltiplas atividades na hora de estudar 

Chris Gaither 

Para quem acha que paz, silêncio e concentração são as chaves para bons hábitos de estudo, Ryan Arnold, de 16 anos, pode provar que isso está errado. Enquanto faz sua lição de casa, este aluno do ensino médio da Carolina do Norte faz pelo menos quatro outras coisas simultaneamente - ouve música, joga num aparelho de PlayStation 2, envia e-mails e navega na internet. No entanto, apesar da inquietação de sua mãe, ele é um aluno excelente e só tira boas notas.
Houve um tempo em que lição de casa significava se enfurnar numa biblioteca ou num silencioso quarto de estudo. Hoje, em vez de tentar reduzir ao mínimo as distrações enquanto estuda, a maioria dos adolescentes as procura, segundo uma pesquisa feita pelo Los Angeles Times/Bloomberg.
Entre os entrevistados que tinham lição de casa, 56% na faixa etária de 12 a 17 anos faziam pelo menos mais uma coisa enquanto estudavam, em comparação com 47% de jovens adultos de 18 a 24 anos, segundo o levantamento. E os mais jovens se mostraram os mais malabaristas: 21% dos 839 adolescentes de 12 a 17 anos geralmente se ocupam simultaneamente em pelo menos três tarefas além de seus deveres escolares.
As garotas de 15 a 17 anos foram as mais ocupadas: 59% disseram que gostam de fazer pelo menos mais uma coisa e 26% que gostam de fazer pelo menos três outras coisas junto com a lição de casa. "Eu me concentro na lição de casa, mas se aparece um aviso de e-mail na tela do computador, eu mudo de foco por um segundo, respondo a mensagem, e depois volto para o que estava fazendo", diz Brittany Graham, de 16 anos, que navega na internet e ouve rock enquanto estuda em casa, em Altamonte Springs, na Flórida.
O apego dos adolescentes por tarefas múltiplas está suscitando preocupações entre psicólogos e educadores. Eles temem que os estudantes estejam demorando mais para terminar seus deveres, ao mesmo tempo que absorvem menos informações do que se estivessem concentrados apenas no trabalho escolar. Outra preocupação é que a dispersão da atenção pela multitarefa impeça os alunos de aprenderem um assunto com maior profundidade, que é um processo que estimula raciocínio, análise e capacidade de previsão.
Alguns cientistas receiam que a prática da multitarefa possa, inclusive, prejudicar o desenvolvimento cerebral de adolescentes. A capacidade de desistir de uma gratificação instantânea em favor de objetivos de longo prazo, por exemplo, é controlada pelo córtex pré-frontal, o "centro executivo" do cérebro. É esta mesma região que, entre outras coisas, determina um comportamento social correto e desvia a atenção de uma tarefa para outra.
Apesar das facilidades para a multitarefa propiciadas pelo computador, mais de 2 em cada 5 entrevistados disseram que ainda preferem se concentrar nas lições de casa sem se dispersar em outras atividades.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 14/08/2006
Faculdade Tancredo Neves se prepara para fechar as portas 

Alunos são dispensados e só concluintes continuam, para que mensalidades paguem demissões 

Renata Cafardo 

A Faculdade Tancredo Neves, em Moema, vive um exemplo da atual situação de parte do ensino superior privado brasileiro. A parte que não deu certo. Aberta em 2000, no pico do crescimento do número de instituições particulares no País, hoje praticamente fecha as portas, sem nunca ter dado lucro. No fim de julho, no que seria a primeira semana de aulas deste semestre, os alunos foram dispensados. A explicação foi a de que não havia turmas suficientes para manter a faculdade funcionando.
Apenas os estudantes dos últimos anos puderam continuar, até terminarem seus cursos. "Vi que precisaria de um x de verbas para poder demitir os professores e funcionários, então precisava continuar a receber algumas mensalidades", explica o mantenedor da faculdade, Arnold Fioravante, que já foi deputado e é também um dos proprietários da UniFMU. A Tancredo era dirigida por sua mulher, Ligia Fioravante, e eles decidirão no fim do ano o futuro da instituição. Já não houve vestibular em julho.
Ele conta que, desde o primeiro ano, precisava colocar cerca de R$ 300 mil na instituição, todo mês, para cobrir déficits. "Tínhamos um projeto de cursos espetacular, eu tinha esperança que daria certo", lamenta. Para ele, o problema foi que os alunos "não conseguiram acompanhar o nível de exigência" e foram abandonando a faculdade.
"Fazíamos o vestibular do jeito que todo mundo faz, os alunos acabam aprendendo na faculdade mesmo", disse, ao ser questionado sobre o modo de seleção dos estudantes. Quem recebia a bolsa do ProUni, programa do Ministério da Educação que dá o benefício a alunos carentes em troca de isenção fiscal, não precisava passar pelo vestibular.
Neste ano, havia pouco mais de 100 alunos numa estrutura cara, com computadores individuais, carteiras estofadas e professores doutores. "Cobrávamos R$ 700 de mensalidade, quando deveríamos cobrar R$ 2 mil." A Tancredo chegou a ter 400 alunos e recentemente convivia com classes de apenas cinco.

'JOGADOS NA RUA'

Os ex-alunos elogiam a qualidade do ensino que recebiam, mas culpam a administração pelo fim da instituição e pela maneira como foram avisados. "Recebemos um telegrama de manhã, para comparecer à noite à faculdade na semana em que voltaríamos das férias", conta Lucas de Souza Santos, de 23 anos, aluno de Ciências da Computação. Um mês antes, ele havia pago a matrícula do semestre que nunca iria cursar.
"Fomos jogados na rua, sem qualquer ajuda", diz Henrique Santana Menezes, de 21 anos, que estava no primeiro ano de Administração de Empresas. Desde então, ele já procurou três faculdades para transferência e nenhuma delas o aceitou porque, além das aulas já terem começado, é bolsista do ProUni. Henrique agora espera a resposta da Universidade Anhembi Morumbi, a única que se dispôs a receber os alunos bolsistas da instituição.
Filho de uma família pobre da região sul da cidade, Henrique elogia os professores da faculdade e conta que via nela uma possibilidade de mudar de vida. Os pais estão desempregados. "A educação é a única forma de a gente melhorar e até isso tiraram da gente."
Segundo Fioravante, a instituição ajudou os alunos a encontrar uma nova faculdade. Os estudantes ouvidos pelo Estado dizem o contrário. A Anhembi informou que foram os estudantes que se mobilizaram para pedir vagas em nome do grupo.
Juliana Calori, de 19 anos, também é bolsista e aguarda resposta da Anhembi. Mas os currículos das duas instituições são diferentes e ela terá de cursar novamente o primeiro ano de Administração - Juliana já estava acabando o segundo ano na Tancredo. Além disso, a Anhembi fica na Vila Olímpia e ela demorará duas horas para chegar à faculdade. "Gostaria de estudar onde eu escolhi e não na única que apareceu", completa Katerini Nobre, de 26 anos, que cursava Relações Internacionais. Juliana e outros colegas pretendem ir à Justiça contra a Tancredo.
A instituição oferecia apenas três cursos, de Administração, Ciências da Computação e Relações Internacionais. São áreas que tiveram grande crescimento de oferta nos últimos anos no ensino superior privado, o que pode explicar a falta de alunos. Desde 1994, o País registrou um aumento de 544% no número de cursos de Administração em universidades particulares. No ano 2000, quando a Tancredo foi criada, havia 665 cursos da área no Brasil; atualmente são 1.296.
Relações Internacionais praticamente não existia em 1994, quando a expansão do ensino superior ainda não havia começado. Apenas uma instituição privada oferecia o curso no País todo. Hoje, são 53. O curso de Ciências da Computação foi o único já avaliado pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), que substituiu o Provão. Os alunos da Tancredo receberam nota 4, um conceito abaixo do máximo.

(SERVIÇO)NÚMEROS

204 instituições
de ensino superior privadas foram criadas no Brasil desde 2000, ano em que a Tancredo iniciou suas atividades

1 universidade privada
oferecia o curso de Relações Internacionais em 1994, antes da expansão do ensino superior. Hoje, são 53, com a Tancredo

544% Foi o crescimento
do número de cursos de Administração de Empresas nos últimos dez anos

4 Foi a nota no Enade
do curso de Ciências da Computação da Tancredo, o único que já participou do exame do MEC que substituiu o Provão. A nota máxima possível é 5

O ESTADO DE SÃO PAULO – 14/08/2006
Creche e ensino infantil estão a passos lentos 

Gestão Serra-Kassab fechará 1ª metade da gestão com apenas 20% das vagas prometidas 

Aryane Cararo 

A Prefeitura está bem longe de cumprir a promessa de criar 200 mil vagas em creches e pré-escolas, feita por José Serra (PSDB) na campanha eleitoral de 2004. A gestão Serra-Kassab vai fechar os dois primeiros anos com apenas 40,9 mil vagas abertas nos Centros de Educação Infantil (CEIs) e nas escolas de ensino infantil (Emeis) - ou 20% do que foi prometido para os quatro anos.
Dessas, apenas 11.500 serão para creches, um número ínfimo diante da demanda de 130 mil crianças de 0 a 3 anos que esperam para ser atendidas. Das 20 unidades que devem ser entregues até dezembro, apenas 8 unidades estão nos distritos mais carentes de vagas.
Segundo o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, as maiores demandas estão no Grajaú, Campo Limpo, Cidade Ademar, Itaquera, Cidade Líder, Jardim Helena e Vila Brasilândia. "Isso está dentro de nossa capacidade. Temos de gastar 60% de nosso orçamento com Emef (ensino fundamental). Sobram 40% para serem divididos entre as outras despesas", diz o secretário, para justificar o pequeno investimento em creches em comparação ao reservado às Emefs.
A crítica situação da educação fez com que, em dezembro, a Prefeitura assinasse um acordo com o Ministério Público (MP) para a criação de 108 mil vagas em toda a rede - tanto para o ensino infantil quanto para o fundamental em 2005 e 2006. Com o acordo, o MP deixaria de lado inúmeras ações contra o poder público para garantir 85 novas unidades. A Prefeitura afirma que cumprirá o acordo até dezembro.
Catorze das 30 Emeis previstas no acordo já foram concluídas e 12 estão em construção - as quatro restantes estão em licitação e, se não forem aprontadas até dezembro, a secretaria diz que vai oferecer outras que não estão no acordo. Das 30 Emefs acordadas, 23 foram construídas, quatro estão em obras e três em licitação.
Algumas subprefeituras, no entanto, não terão nenhuma obra até o final de 2006. Aricanduva, Penha, Vila Prudente/Sapopemba e Santo Amaro, por exemplo, não foram contempladas. Enquanto isso, as mães têm que se contentar com listas de espera.
A merendeira Patrícia Costa Cardoso, 26 anos, é mãe de Vinicius, 8, Vítor, 5, Guilherme, 2, e Pedro Henrique, 2 meses. Mora em Cidade Tiradentes, distrito com 190 mil habitantes. Guilherme está nas listas de espera de duas creches desde que nasceu. E Pedro acabou de entrar na lista. Daqui a dois meses, acaba sua licença-maternidade e Patrícia não sabe com quem deixará os quatro meninos. "Pagar para alguém olhar os quatro sai caro", afirma.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 14/08/2006
NOTAS

Países lusófonos trocarão experiências

Representantes de sete nações da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) vão se reunir para falar, pela primeira vez, sobre a educação de jovens e adultos. De hoje até quinta-feira, no Naoum Plaza Hotel, em Brasília, cerca de 40 representantes de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Brasil estarão reunidos para trocar experiências, segundo Timothy Dennis Ireland, diretor do departamento de educação de jovens e adultos (EJA) do MEC.

Conferência discute educação a distância

Pesquisadores, executivos, professores e educadores estarão reunidos, entre os dias 3 e 6 de setembro, na 22.ª Conferência Mundial de Educação Aberta e a Distância, organizada pelo Conselho Internacional de Educação Aberta e a Distância e pela Associação Brasileira de Educação a Distância. Neste ano, o evento, que acontece a cada dois anos e será sediado no Rio, terá como tema principal a flexibilidade e a qualidade da educação com os recursos que possibilitam o ensino a distância. Mais informações sobre a apresentação de trabalhos e a participação na conferência podem ser obtidas no site www.icde22.org.br


PUC-SP promove evento pelos 60 anos 


Para comemorar os 60 anos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a instituição preparou uma programação com eventos acadêmicos e artísticos. As atividades têm início hoje. A data do aniversário, dia 22 de agosto, será marcada por uma missa solene no Mosteiro de São Bento e pela apresentação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis/Instituto Baccarelli, no Tuca. O recesso acadêmico-administrativo, que tradicionalmente acontece neste dia, será no dia 28. Os eventos são gratuitos e abertos. A programação completa está no site http://www.pucsp.br/60anos/programacao.htm

Unesp incentiva doação de medula

Os 40 aprovados no curso de Biotecnologia no campus de Assis da Universidade Estadual Paulista (Unesp) serão recebidos nesta semana com uma campanha para incentivar a doação de medula óssea, feita em parceria com o Hospital Regional da cidade. O tema da é "Você não tem nada a perder, e a vida só tem a ganhar". Um grupo de funcionários do hospital irá cadastrar os interessados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea. Em caso de compatibilidade de medula, o voluntário será chamado para decidir sobre a doação. A iniciativa também está aberta para toda a comunidade.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 14/08/2006
As lições do Enade 

D os 5.511 cursos universitários que o último Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) avaliou, 27% receberam os conceitos máximos, 20% foram reprovados e 53% ficaram na média. O teste foi aplicado a 277.476 alunos escolhidos por amostragem, entre os estudantes que ingressaram e os que se formaram em 2005, e os resultados acabam de ser divulgados pelo Ministério da Educação (MEC). Com isso, completam-se dez anos de avaliação regular do sistema educacional brasileiro.
O Enade é o teste que o atual governo criou para substituir o antigo Provão, uma das mais bem-sucedidas iniciativas do governo anterior. Além de ter incluído 20 novas áreas de conhecimento, na avaliação realizada em 2005 o Enade introduziu o Indicador de Diferença entre o Desempenho Objetivo e o Esperado (IDD), que mede o quanto uma universidade contribui para a formação do aluno, ampliando seu nível de conhecimento e sua competência profissional.
A introdução do conceito de "valor agregado", pelo Enade, deu maior nitidez à radiografia do ensino superior, contribuindo para acabar com o mito de que toda universidade pública é boa e o ensino superior privado é sempre ruim. "Há instituições que pegam alunos bons e não sabem o que fazer com eles e há outras que pegam o mais fraco e o melhoram", afirma o economista Cláudio Moura Castro, um dos mais conceituados especialistas em avaliação de ensino no País. Os resultados do Enade mostram que, no conjunto, os alunos das instituições públicas tiveram, como vem ocorrendo desde o tempo do Provão, um desempenho melhor do que os das instituições privadas, confessionais e comunitárias.
No entanto, graças ao novo indicador, o Enade apurou que 41,8% das universidades federais tiveram um Indicador de Diferença entre o Desempenho Objetivo e o Esperado negativo. Ou seja, a avaliação constatou que quase metade da custosa e extensa rede de ensino superior mantida pela União não conseguiu agregar o valor que se esperava a seus alunos. No âmbito das universidades privadas, cujos alunos em sua maioria vêm da rede pública do ensino médio, têm uma educação de baixa qualidade e precisam de cursos mais curtos para ingressar logo no mercado de trabalho, 53,5% das instituições avaliadas pelo Enade apresentaram um IDD positivo.
A descoberta do Enade é surpreendente. Ela revela que uma parte significativa das universidades particulares vem conseguindo formar adequadamente os seus alunos e que a distância dessas instituições das universidades federais é menor do que se imaginava. Até o ministro da Educação, que sempre demonstrou ter algum preconceito contra as instituições privadas, acusando muitas delas de "mercantilizar o ensino", não escondeu sua surpresa com essa constatação.
Com isso, as autoridades educacionais agora não têm mais pretexto para tratar o setor privado como vilão, nem para continuar tentando submeter todas as instituições públicas, privadas e confessionais de ensino superior existentes no País a um modelo único, como é o objetivo do projeto de reforma universitária que o governo enviou ao Congresso. Os resultados do Enade deixaram claro que, num País tão heterogêneo como o nosso, cada uma dessas instituições tem uma clientela específica e um espaço acadêmico próprio para atuar.
Em outras palavras, a avaliação mostrou que, diante da complexidade da sociedade brasileira, o modelo mais adequado é o de um multissistema de instituições de ensino superior, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos. Lá, ao lado das universidades de ponta, existem os Liberal Art Colleges, que não fazem pesquisa mas têm ensino de qualidade e recrutam bons alunos, os colleges, que atendem os alunos vindos de famílias mais pobres, e os community colleges, que oferecem cursos mais curtos e absorvem milhões de alunos com ensino técnico voltado para o mercado de trabalho.
Criado há dez anos, o sistema de avaliação do ensino superior finalmente se consolidou, revelando-se capaz de fazer diagnósticos precisos do setor. O mérito do último Enade foi mostrar que, embora os gravíssimos problemas de qualidade ainda persistam, o governo estava errado ao superestimar as universidades públicas e desprezar o papel e a importância das universidades privadas na formação das novas gerações.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 13/08/2006
Por votos, políticos propõem 86 novas universidades federais

Chance de serem implantadas é remota, pois o governo mal dá conta sequer das 55 instituições em atividade 

Lisandra Paraguassú 

Especialistas em emendas para agradar suas bases eleitorais, deputados e senadores descobriram, nos últimos três anos, um novo filão: os projetos de lei que autorizam a criação de universidades federais. Desde o primeiro ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, o número de propostas tramitando no Congresso explodiu. Chegaram a 92 em 2006, sendo que 6 já foram aprovadas. Nos oito anos anteriores, do governo Fernando Henrique Cardoso, foram apenas oito.
O número de projetos foi crescendo devagar e sempre, e atingiu o auge em 2005. Em 2003, quando o governo Lula ainda tinha apenas anunciado a intenção de expandir o sistema federal de ensino, foram 13. Em 2004, pularam para 20. No ano seguinte, alcançaram 39. Este ano, são 20 somente até julho. Neste segundo semestre, como as atividades no Congresso diminuem por conta das eleições, o ritmo de propostas tende a cair.
O súbito interesse dos parlamentares por novas universidades federais tem o objetivo de se contrapor à intenção do governo Lula de criar novas instituições por conta própria. Desde que assumiu, o presidente lançou um plano ambicioso para aumentar as vagas no ensino superior. O plano prevê a abertura de quatro novas universidades e 48 projetos de unidades para instituições já existentes (ver texto ao lado). No plano de governo para um segundo mandato, novas instituições e expansões estão planejadas.
"Há tempos não se criavam novas instituições. A decisão do governo despertou o interesse dos parlamentares", admite a deputada Neyde Aparecida (PT-GO), presidente da Comissão de Educação da Câmara. Para a educadora e secretária de Ciência e Tecnologia de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, a expansão do governo está sendo feita sem critérios, porque era preciso reformar antes o modelo de instituições públicas e de gestão das federais.
"Com que dinheiro vão sustentar mais universidades se hoje o MEC já gasta, de cada R$ 100 da educação, R$75 com as universidades? Como fica o discurso de que a prioridade tem que ser a qualidade da educação básica?" Para ela, seria mais útil para o País fazer investimentos na criação de cursos tecnológicos e técnicos.
A deputada Neyde não está entre os que apresentaram projetos para seu Estado, mas Goiás é o campeão de propostas. Existem 12 pedidos para o Estado, incluindo instituições na Chapada dos Veadeiros e duas no entorno do Distrito Federal. Hoje, Goiás possui uma universidade federal e três Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets).
São Paulo aparece ao lado de Goiás, também com 12 pedidos. O Estado tem a maior bancada de parlamentares e um dos menores números de vagas em universidades federais.
Minas está em quarto lugar na lista de pedidos, com sete propostas feitas por sua bancada estadual. É, certamente, o Estado que menos precisa de instituições federais de ensino superior. Tem nada menos que 11 universidades, sete faculdades de tecnologia e seis Cefets com ensino superior. É o mais bem servido entre os Estados da Federação.
Das 92 propostas totais, as seis aprovadas foram apresentadas pelo Executivo. As instituições já começaram a ser implementadas, como a Universidade do Grande ABC, em São Paulo, que divulgou a lista de aprovados em seu vestibular neste mês, e a de Campanha, no Rio Grande do Sul.

IMPROVÁVEIS

O surto de criação de universidades envolve parlamentares de todos os partidos, do PT ao oposicionista PFL, e de todo o País. Cada um tenta garantir uma nova instituição para seu reduto eleitoral, embora a chance de concretização dos projetos seja pouco provável. Isso porque as propostas dos parlamentares só podem dar autorização ao governo. Ou seja, o Executivo não tem obrigação de cumpri-las.
Mesmo assim, alguns parlamentares são insistentes. O campeão é Inocêncio Oliveira (PL-PE), que apresentou nada menos que cinco projetos nos últimos três anos, criando as mesmas instituições, na Zona da Mata e no sertão pernambucano. Procurado pelo Estado, Inocêncio não foi encontrado. Está em campanha justamente nessas duas regiões.
"Os projetos funcionam como uma mobilização. Se os deputados não fizerem isso, como o presidente vai ficar sabendo de suas reivindicações?", diz a deputada Neyde. Por isso, muitos não se dão ao trabalho de fazer um projeto de lei. Contentam-se com uma indicação - uma sugestão ao Executivo - para criar uma universidade. Além dos projetos, já existem mais de 150 indicações no Congresso.
A chance de as instituições saírem do papel é mínima. O Ministério da Educação (MEC) prevê, em suas propostas de expansão, um investimento inicial de R$ 8 milhões para cada uma das instituições que está criando - isso sem contar o aumento da despesa permanente de custeio, com salários de professores, funcionários e gastos gerais. Atualmente, o orçamento das federais é de R$ 8,6 bilhões.
Descontando já os projetos repetidos - deputados tendem a apresentar as mesmas propostas que seus colegas quando têm bases eleitorais semelhantes -, se o ministério acatasse todas as propostas, teria de investir cerca de R$ 600 milhões somente nas instalações das novas instituições.
O número de propostas no Congresso surpreendeu o ministro da Educação, Fernando Haddad. Mas, apesar de achar estranho que os deputados tenham encontrado tantos lugares para criar novas instituições, ele afirma que isso não vai influenciar o projeto de expansão preparado pelo MEC.
"Nosso projeto de expansão leva em conta análises de necessidades regionais feitas pelo governo. Não há influência dos projetos do Congresso", afirma o ministro.

Governo quer ampliar número de matrículas 

Renata Cafardo 

O projeto de expansão do governo Lula pretende aumentar em pouco mais de 20% o número de alunos em universidades federais até 2010. A estratégia do governo foi principalmente a de criar prolongamentos de instituições já existentes - são 48 novos campus em cidades onde elas não chegavam. As novas universidades, de fato, são quatro: no ABC paulista, no Mato Grosso do Sul, no Recôncavo Baiano e no Rio Grande do Sul. Todas elas já iniciaram as aulas ou começam mês que vem.
O total de novas vagas será de 125 mil, mas distribuídas ano a ano. Hoje o sistema de ensino superior federal tem 574.584 estudantes em 55 instituições. "Fizemos os projetos de expansão conforme demandas das próprias universidades e chegamos a cidades que não estavam sendo atendidas", diz o diretor do departamento de desenvolvimento da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Manuel Palácios.
A maioria das novas cidades que receberão instituições fica longe das regiões metropolitanas, como Castanhal, no Pará, Barreiras, na Bahia, Garanhuns, em Pernambuco. A interiorização do ensino superior público é uma das características da expansão que os integrantes ou ex-integrantes do governo mais têm destacado em discursos durante a campanha eleitoral. As vagas federais estão surgindo onde não há sequer instituição privada.
Segundo a secretária do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Maria do Céu de Lima, as expansões foram feitas sem discussão prévia com os professores. "Eles tiveram que definir projetos pedagógicos urgentes para os novos cursos", diz. Para o Andes, no entanto, "a expansão é imperativa" e o ensino superior federal precisaria criar 1,5 milhão de novas matrículas até 2011.
Outra reclamação é com relação às contratações de professores para as novas e antigas instituições. Durante os anos 90, o sistema praticamente não aumentou seu quadro de pessoal. O governo informa que já começou a resolver o problema com a liberação de 9 mil vagas; 2.400 delas para as novas instituições.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 13/08/2006
UFRJ não consegue pagar manutenção básica 

Mesmo com problemas de infra-estrutura, política de expansão de vagas da instituição é mantida 

Fabiana Cimieri 

Apesar do aumento nas verbas de custeio (gastos fixos e de manutenção), que praticamente dobraram entre 2003 e 2006, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) continua a ter problemas de infra-estrutura, como infiltrações nos prédios, falta de professores e dívidas com as concessionárias de luz e telefone.
Em 2006, a maior universidade brasileira conta com R$ 94 milhões para o custeio das despesas fixas e dos gastos com manutenção. Segundo o pró-reitor de Graduação, José Roberto Meyer, universidades estaduais do mesmo porte, como a USP e a Unicamp , financiadas com parte da arrecadação do ICMS do Estado de São Paulo, contam com quase o triplo de recursos.
A Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento, que cuida do orçamento da universidade, estima que, para atender a todas as demandas, seriam necessários R$ 160 milhões, sem contar os projetos de expansão das atividades universitárias.
"Eu sinto falta de mais infra-estrutura, temos poucos laboratórios, oficinas sem computadores, muitas salas estão inutilizadas por infiltração", reclama o estudante do último período de desenho industrial, Gabriel Costa.
Mesmo com um orçamento insuficiente para dar conta das despesas já existentes, a UFRJ mantém uma política de expansão do número de vagas. Desde 2003, foram abertas 450 novas vagas. Essa política se traduz não apenas no aumento das vagas, mas também na criação de novos cursos, na ampliação do turno da noite e na construção de novos campus, como o de Macaé, no ano passado.
"Se o aumento de vagas influenciar nas notas necessárias para passar no vestibular, a qualidade vai cair, como aconteceu na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), que dobrou o número de calouros desde o início dessa reitoria, em 2003", reclama a funcionária administrativa da FAU, Maria da Guia.
A professora de arquitetura Cessa Guimarães diz não ver problemas no aumento do número de vagas, desde que haja mais recursos para infra-estrutura. "Mais gente tem que ter essa oportunidade", afirma. Para a estudante Sarah Huber, de 19 anos, no entanto, as instalações físicas da universidade não comportam o aumento de estudantes: "Se botarem mais gente, o prédio cai."

JORNAL DA TARDE – 14/08/2006
Onde estão as creches?

ARYANE CARARO

A Prefeitura está bem longe de cumprir a promessa de criar 200 mil vagas em creches e pré-escolas, feita por José Serra (PSDB) na campanha eleitoral de 2004.
A gestão Serra-Kassab vai fechar os dois primeiros anos de governo com apenas 40,9 mil vagas abertas nos Centros de Educação Infantil (CEIs) e nas escolas de ensino infantil (Emeis) - ou 20% do que foi prometido para os quatro anos.
Para que a promessa fosse cumprida, pelo menos mais 59,1 mil vagas deveriam ser criadas até dezembro deste ano (perfazendo metade das 200 mil vagas prometidas).
Das vagas criadas, apenas 11.500 serão para creches, um número ínfimo diante da demanda de 130 mil crianças de 0 a 3 anos que esperam para ser atendidas. Das 20 unidades que devem ser entregues até dezembro - 5 já concluídas, 10 em obras e 5 em licitação -, mais as creches nos 5 Centros Educacionais Unificados (CEUs) prometidos para o fim do ano, apenas 8 unidades estão nas subprefeituras a que pertencem os distritos mais carentes de vagas.
Segundo o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, as maiores demandas estão nos distritos de Grajaú, Campo Limpo, Cidade Ademar, Itaquera, Cidade Líder, Jardim Helena e Vila Brasilândia. "Isso está dentro de nossa capacidade. Temos de gastar 60% de nosso orçamento com Emef (ensino fundamental). Sobram 40% para serem divididos entre as outras despesas", argumenta o secretário, sobre o pequeno investimento em creches se comparado às Emefs.
A crítica situação da educação fez com que, em dezembro, a Prefeitura assinasse um acordo com o Ministério Público (MP) para a criação de 108 mil vagas em toda a rede - tanto para o ensino infantil quanto para o fundamental em 2005 e 2006. Com o acordo, o MP deixaria de lado inúmeras ações contra o poder público para abrir 85 novas unidades. A Prefeitura garante que cumprirá o acordo até dezembro.
De fato, das 30 Emeis previstas no acordo, 14 já foram concluídas e 12 estão em construção - as quatro restantes estão em licitação e, se não forem aprontadas até dezembro, a secretaria diz que vai oferecer outras que não estão no acordo. Das 30 Emefs acordadas, 23 foram construídas, quatro estão em obras e três em licitação.
Algumas subprefeituras, no entanto, não verão a cor de nenhuma obra até o final de 2006. Aricanduva, Penha, Vila Prudente/Sapopemba e Santo Amaro, por exemplo, não foram contemplados com novas creches, pré-escolas ou Emefs.
Outro problema é que, das 108 mil vagas previstas, só 11.500 vão aliviar o tormento de mães que têm de deixar os filhos sozinhos se quiserem trabalhar - 4 mil provenientes das novas creches e 7,5 mil de convênios. "Isso não é nada perto da demanda", protesta o vereador Carlos Giannazi (PSOL). Pelas suas contas, a quantidade de crianças fora de creches e Emeis oscila entre 400 mil e 500 mil.
"A gente vai tentar, para 2007, que saia mais rápido", diz o secretário de Educação sobre a construção de mais creches. Mas ele diz que tudo dependerá do orçamento para 2007 e da existência de organizações interessadas em convênios. "É mais fácil fazer convênio do que construir novas creches."
Em 2006, a Secretaria trabalha com um orçamento de R$ 3,2 bilhões - sendo R$ 1,8 bilhão só para pessoal e auxílios e R$ 279 milhões para obras. "A idéia é que a gente possa atender toda a demanda até o final da gestão", diz Schneider, repetindo a promessa feita por Serra em 27 de setembro de 2004, durante a campanha eleitoral.

Mães unidas pela mesma dificuldade 

Noêmia, Tereza e Magnólia são mulheres unidas pela mesma dificuldade. As três são mães ou avós de crianças que, há muito, esperam por uma vaga nas creches perto do Jardim Eliana, no Grajaú, Zona Sul de São Paulo. Elas esperam por creches no bairro há pelo menos nove anos. "Minha neta Camila já fez 4 anos. Quando ela estava com 6 meses fizemos a inscrição na creche e até agora nada", conta a dona de casa Tereza Evangelista dos Santos, 48 anos. Camila, agora, tem a companhia do irmão Vitor, de 1 ano e 2 meses, na espera pelas vagas. Por causa deles, a mãe, Silvana, tem de ficar em casa.
Noêmia de Santana Marinho, 25, também quer voltar a trabalhar, mas também não tem com quem deixar o filho, Teógenes dos Santos, 3 anos . "Ele tinha 8 meses quando fiz a inscrição. Todo ano vou lá na creche, mas agora me disseram que ele vai ter de esperar completar 4 anos para ir para a Emei."
Magnólia Vitória dos Santos, 30 anos, ainda hoje aguarda vaga para a filha Joana, de 5. "Só mandam aguardar." A menina freqüentava uma escola particular quando a mãe estava empregada e já está esquecendo o que aprendeu. "Ela sabia fazer as letrinhas, mas esqueceu. Vai para a 1ª série sem saber nada."
O problema se repete na Zona Leste. "Na Cidade Tiradentes, região do maior conjunto habitacional da América Latina, deve haver só umas oito creches", estima a merendeira Patrícia Costa Cardoso, 26 anos, mãe de Vinicius, 8, Vítor, 5, Guilherme, 2, e Pedro Henrique, 2 meses. A Cidade Tiradentes tem 190 mil habitantes. Guilherme está nas listas de espera de duas creches desde que nasceu. E Pedro acabou de entrar na lista. Daqui a dois meses, acaba sua licença-maternidade e Patrícia não sabe com quem deixará os quatro meninos. "Pagar para alguém olhar os quatro sai caro", diz ela. O preço varia de R$ 100 a R$ 150 por criança, muito acima das possibilidades da mãe, que sustenta a casa com 1 salário mínimo

JORNAL DA TARDE – 14/08/2006
Como lidar com as 'panelinhas'

Elas são inevitáveis. Mas são saudáveis? 

Emos, patricinhas, nerds, valentões. As tribos estão presentes em qualquer escola do mundo, como mostrou o JT na edição de ontem. Nas 'panelas', os alunos encontram seus pares, dividindo idéias, gostos e costumes. Mas será que se fechar em uma turma é saudável? Como os pais devem encarar as tribos que abrigam seus filhos? E quando há rivalidades entre as turmas, como a escola deve agir?
"A formação dos grupos é natural, não podemos ver isso como um problema", diz a psicóloga Rosane Schiller, coordenadora do Departamento de Psicologia do Colégio Santo Américo. "Os estudantes geralmente procuram as suas turmas com base na questão da semelhança ou da complementaridade. Ou seja, buscam quem se parece com eles ou quem possui o que falta neles. Por exemplo, uma pessoa mais retraída pode ir para o grupo dos tímidos ou para o dos extrovertidos, para conseguir se soltar mais."
Segundo Rosane, as tribos se tornam um problema quando são estáticas e fechadas. "Elas não podem paralisar seus membros, tem de haver ventilação, abertura. Os grupos não devem contar sempre com os mesmos líderes e se fechar para o resto dos alunos." Outro fator prejudicial é o comportamental - quando as turmas impõem aos estudantes atitudes perigosas, ilícitas e que prejudiquem o desempenho escolar.
Em todos os casos, diz Rosane, os pais têm de ficar atentos. "A melhor atitude é participar. Quanto mais os pais puderem se inteirar do que ocorre na turma, melhor. Mas isso tem de ser feito com uma postura de acolhimento, não de vigilância. Por exemplo, abrindo a casa para os amigos dos filhos."
De acordo com Selma Pietrocolla, orientadora pedagógica do Colégio Santa Maria, muitas vezes os pais são preconceituosos com relação às turmas dos filhos porque não as conhecem. "Se os colegas se vestem e falam de maneira diferente, os pais já ficam receosos. É preciso que a escola faça um trabalho de reflexão com esses pais. Se a turma não é de bagunceiros ou drogados, não há motivo para preocupação."
À escola, afirma Selma, cabe estimular a reunião de alunos com as mesmas características quando a união for positiva e inibir a ação dos baderneiros. "Quando detectamos um grupo de bagunceiros, não tentamos dissolvê-lo. Trabalhamos no sentido de fazer com que esses alunos encontrem uma outra forma de se relacionar com os demais estudantes e com eles mesmos, na base da conversa."
No Santa Maria, há um programa preventivo de combate a rivalidades e agressões entre os alunos, feito em sala de aula pelas orientadoras. "Elas lançam aos estudantes temas e reflexões que buscam prevenir a hostilidade entre os grupos", conta Selma. "O objetivo da escola é fazer com que os alunos respeitem as diferenças. Assim como há diferentes tribos, há alunos disléxicos, com déficit de atenção, que precisam de cuidados especiais."

Grupinhos em classe, por que será? 

Confira o que adolescentes falam sobre a mania de ficar com uma galera na sala de aula 

Afinal, o que leva à formação de grupinhos nas salas de aula? Para responder a essa questão, a estudante Flávia Cordeiro Grunwald, de 13 anos, aluna da 7ª série do Colégio Ítaca, no Butantã, aceitou nosso convite e realizou uma enquete com seus colega de classe, onde, a exemplo de todas as escolas, também existem patricinhas, roqueiras, esportistas, entre outras galeras. "Lá há vários tipos de pessoas, a maioria dividida em grupinhos. Fiz umas fotos dos grupos (veja mural ao lado) e perguntei para uma pessoa de cada turma o motivo da formação das panelas", explica a estudante. O resultado nem sempre é tão óbvio como os pais poderiam supor. Beatriz, que forma com as amigas Brenda, Fernanda e Letícia um dos 'blocos' da classe, acredita que as pessoas se juntam em grupos exatamente para driblar as diferenças. "Elas se distinguem, se destacam formando um grupo", defende Bia, da galera das "inteligentes".
Já Pedro, amigo dos garotos estudiosos e ligados em computador como Matheus, Daniel, Ian e Gustavo, tem um ponto de vista diferente. "As pessoas se juntam quando têm os mesmos gostos."
Flávia é da turma das atletas, e divide a amizade de Erina, Raquel e Giulia, que foi quem respondeu à enquete. "As pessoas preferem se juntar com quem têm opiniões parecidas e têm afinidade, pois assim fica mais difícil de ter brigas."
A classe também tem outras panelas, como a de Ariel, Nicolas, Raul e Jorge, que não são boys, nem mauricinhos, estão mais para modernos. E não poderiam faltar 'patricinhas', como as amigas Lúcia, Thais,Laura e Denise, que usam o figurino como código . Dê uma olhada na foto: nada de colorido berrante na roupa delas. Elas são clean e vestem azul, branco, cinza.

'Tribos incentivam o bullying' 

Para especialista, turmas nas escolas não são tão inofensivas quanto parecem 

Para Aramis Lopes Neto, coordenador do Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes, desenvolvido pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia), a formação das panelinhas nas escolas não é tão inofensiva quanto parece. Segundo ele, as tribos impulsionam a rivalidade entre os alunos e fomentam o bullying - agressões sistemática de um ou vários estudantes contra um colega (ou outro grupo) mais frágil.
"Trabalhamos no sentido de quebrar a formação de grupos nas escolas, promovendo atividades voltadas ao respeito às diferenças e à valorização da diversidade", diz Lopes Neto. Em 2005, a Abrapia ouviu 5.482 alunos de 5ª a 8ª série de 11 escolas do Rio (9 públicas e 2 particulares) e constatou que 40,5% já se envolveram em casos de humilhação na escola. Quase um terço (27,8%) foi vítima do bullying. Destes, 54,2% receberam apelidos, 16,1% foram agredidos e 8,5%, ameaçados (16,1%). Ainda segundo a pesquisa, 60,2% dos casos ocorreram em plena sala de aula.
"Incentivamos as escolas a realizarem atividades de não tolerância às rivalidades, como a inserção do tema de forma contínua nas salas de aula e a realização de atividades fora da classe, como festas de confraternização e incentivo à amizade", conta Lopes Neto.

JORNAL DA TARDE – 14/08/2006
NOTAS

Shows e palestras nos 60 anos da PUC

Para comemorar os 60 anos da PUC-SP, a universidade preparou uma ampla programação, com eventos acadêmicos e artísticos, que começam hoje. O dia do aniversário, 22/8, será marcado por uma missa solene no Mosteiro de São Bento e pela apresentação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis/Instituto Baccarelli, no Tuca. Entre os debates que acontecem ao longo das semanas, destaque para “50 anos em 5 - 50 anos depois - JK e a modernização do Brasil”, organizado pela pós-graduação em História, “Que futuro para a nossa memória?”, sobre direitos humanos, promovido pela PUC-SP e Comissão Justiça e Paz de São Paulo. A programação completa está no site http://www.pucsp.br/60anos/programacao.htm . Os eventos são gratuitos.

Dicas para estudar na Nova Zelândia 

O Consulado da Nova Zelândia e a EF Education First, maior organização privada de educação do mundo, farão uma palestra gratuita sobre oportunidades de estudos no país. O evento será realizado nesta quarta-feira, às 19 horas, na sede da EF em São Paulo (Av. 9 de Julho, 4.285, Jardim Paulistano). Na primeira parte da palestra, o Consulado apresentará informações sobre o país – clima, cultura, costumes, etc. Em seguida, a EF falará sobre todos os programas que oferece em sua unidade de Auckland. Há cursos convencionais de inglês, entre diversas opções. Interessados em participar da palestra devem confirmar presença pelo 0800.703.8833 ou e.mail escolasidiomas.br@ef.com. Mais informações nos sites www.ef.com e www.nzte.govt.nz.

Alunos de pré-escola lançam livro virtual 

Alunos do Infantil II, do Pré I e do Pré II da Escola São Gabriel lançam, no próximo sábado, dia 19, às 10h30, na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos ( Av. Nações Unidas, 4.777) , um livro virtual que estimula a aquisição da linguagem e o aumento do vocabulário Os estudantes, de 4 a 7 anos, elaboram todos os anos livros com histórias e ilustrações criadas por eles como forma de fazer com que percebam como é importante a evolução pela qual passam na vida pré-escolar. Estas histórias, reunidas num CD, serão distribuídas aos pais e familiares numa manhã de autógrafos. "Estimular as crianças a se manifestarem é uma maneira de proporcionar que cada uma extravase sua criatividade", acredita a diretora da instituição Karen Kaufmann Sacchetto.

JORNAL DA TARDE – 14/08/2006
Irmãos não têm a mesma educação

Içami Tiba 

Os pais costumam se perguntar por que um filho é estudioso e outro é vagabundo, se ambos receberam os mesmos cuidados. Os dois filhos não receberam os mesmos cuidados. O primeiro estava único quando abriu seus olhos para o mundo de pessoas que o cercava. O segundo, quando abriu os olhos, viu um dedinho entrando em um deles, ou seja, já não estava único. Mas ele poderia ser muito bem recebido por uma "irmãe"... Os irmãos têm muita influência na educação. Mas se os filhos recebessem tudo igualzinho, haveria briga para se destacarem, mesmo porque a necessidade de um pode ser diferente da do outro. Quando se cometem injustiças de dar para um e não para outro, também pode ocorrer a briga caso o negado não compreenda realmente o motivo. É bastante comum os filhos "esquecerem" suas próprias "aprontadas" mas lembram-se muito bem das dos outros. Portanto, os pais não devem acreditar piamente nos argumentos deles. Também não devem perguntar "quem foi que começou". Atenção, muita atenção ! A intolerância dos pais em relação aos erros dos filhos pode gerar intolerância entre os próprios filhos.
Içami Tiba é psiquiatra e psicodramatista, www.tiba.com.br

JORNAL DA TARDE – 13/08/2006
O desenho animado na escola 

Maria Rehder 

O JT, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE/USP), coordenado por Ismar de Oliveira Soares, propõe aos educadores a utilização de desenho animado para abordagem das variantes de linguagem, adequada para alunos de 5ª e 6ª séries do Ensino Fundamental, podendo ser aplicada para outros níveis de ensino.
A atividade foi elaborada por Eliane Miraglia, educomunicadora e mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP.

INTRODUÇÃO

Assim como o fundo do mar, a sala de aula também pode ser entendida como um ecossistema, formado por diferentes pessoas, com histórias de vida singulares que estabelecem diferentes níveis de relações entre si.
Essas relações são desenvolvidas com base em incontáveis formas de linguagem presentes no cotidiano: visual, oral, gestual. Quando abordadas pelo viés teórico, nem sempre essas linguagens são distinguidas com clareza, facilidade e interesse pelos estudantes. Por esse motivo, a utilização do desenho animado como recurso pedagógico em sala de aula é muito vantajoso, pois este atribui ritmo de trabalho dinâmico a aula, por combinar, simultaneamente, elementos como texto, imagem e música.

OBJETIVO

Por ser uma característica inata do ser humano, a importância do estudo da linguagem e suas variantes nem sempre é percebida pelos estudantes.
Entretanto, quanto maior for a competência expressiva que eles puderem adquirir, durante a formação escolar, melhor se desempenharão como profissionais e cidadãos, independentemente de especificidades, obstáculos e limites que existam no processo de sua evolução como seres humanos.

MATERIAL
Utilize em aula o desenho animado Procurando Nemo. Com duração de 110 minutos, o vídeo pode ser exibido integral ou parcialmente, de acordo com o tempo disponível para a atividade

DESENVOLVIMENTO
1º momento: antes de projetar o desenho animado, discuta com os estudantes sobre as diversas formas que o ser humano desenvolveu para se expressar: a verbal, a gestual ou a imagética. Destaque, nessa discussão, que a linguagem verbal, especialmente, pode apresentar variações próprias da forma como é praticada pela comunidade: gírias, regionalismos, estrangeirismos, infantilismos, etc.

2º momento: registre na lousa as contribuições dos alunos que destacarem formas específicas de expressão de grupos com os quais ele interage no cotidiano. Como é a linguagem com a família?
Como é a linguagem que eles assistem nos programas de tevê?
Como percebem a linguagem dos adultos conversando?
Como é a linguagem que eles usam para falar com os colegas?
Como é a linguagem na escola com os professores?
Se estão habituados à comunicação visual como placas de trânsito e transporte coletivo?

3º momento: contraponha essas percepções iniciais à variante padrão da Língua Portuguesa, destacando a importância de sua aquisição como fator de inclusão econômica e social. Também destaque as diferenças entre o texto falado e o escrito.

4º momento: mostre a escola como ambiente formal de educação, que coloca o estudante em contato direto com a variante padrão da língua materna, bem como de língua estrangeira.

5º momento: avise aos estudantes que eles deverão identificar os principais pontos abordados após assistirem ao filme.

6º momento: exibição do desenho animado (integral ou em partes)

7º momento: discussão do desenho em grupos. Peça para que sejam discutidos os principais elementos da narrativa, sob as perspectivas da comunicação verbal (relações familiares, escolares, com o grupo de amigos); comunicação visual (a importância na orientação cotidiana para nortear decisões simples e complexas); e da comunicação ambiental (o desenho animado mostra que as correntes naturais, o silêncio podem ser indicadores de êxito ou não da aventura). Solicite a cada grupo que escolha um representante para relatar as principais percepções sobre o desenho e relacione na lousa os destaques das conclusões apresentadas por cada grupo.

8º momento: com base nos resultados dos estudantes, problematize as diferenças e semelhanças entre as variantes de linguagem.Complemente a abordagem comentando sobre como a percepção da mensagem pode ser influenciada por valores e preconceitos atribuídos à variante praticada por interlocutores.

MULTIPLICANDO
Os estudantes poderão produzir em aula desenhos de seus familiares e relatar sobre como cada um se expressa.

PAPEL DO EDUCADOR

Um desenho, cuja temática gira em torno da habilidade comunicacional das personagens, pode redimensionar a percepção dos jovens, desde que o professor os oriente para que a interpretação ultrapasse o lúdico e atinja o conhecimento.

BIBLIOGRAFIA
COELHO, Betty. Contar Histórias, Uma Arte Sem Idade. Ática, São Paulo. 2004
COSTA, Cristina. Educação, Imagem e Mídias. Cortez, São Paulo. 2005
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 33ª, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro. 1987
LEITE, Antônio Sérgio da Silva. Alfabetização e Letramento. 2ª ed. Kamedi. Campinas, 2003
Equipe NCE-USP-Izabel Leão, Carmem Gattás e Luci Ferraz.

JORNAL DA TARDE 015013/08/2006
NOTAS

Senac-SP realizará palestras gratuitas 

O Simpósio Escolar será realizado no dia 31 de agosto em São Paulo e trará palestras gratuitas organizadas pelo Senac-SP. A primeira “Compromisso Todos pela Educação”, acontece das 4 h às 15h30. A segunda, “Desafios do Século 21 - a relação entre responsabilidade social e educação “, das 16 h às 17h30, e a terceira “Cidade Educativa - diferentes espaços de aprendizagem”, das 18 h às 19h30. (www.escolarpaperbrasil.com.br)

Parque da Mônica tem espaço de animação 

O Parque da Mônica disponibiliza aos jovens a possibilidade de vivenciar o processo de animação. Ao visitar o Laboratório do Franjinha, as crianças, por meio de uma manivela, conseguem fazer os desenhos da Turma da Mônica ganharem vida. O parque fica no Shopping Eldorado, Avenida Rebouças, 3.970 em São Paulo. Informações pelo telefone 11-3093-7766. (www.monica.com.br) 

Bibliotecas chamam crianças para leitura 

Para fomentar o hábito da leitura, a Associação Morungaba realiza o projeto gratuito “Estimulação 2006” em 4 bibliotecas infanto-juvenis de São Paulo e está com as inscrições abertas para crianças de 6 a 10 anos. Às quartas-feiras o projeto acontece na Biblioteca Anne Frank (Itaim-Bibi), às quintas-feiras na Monteiro Lobato (Centro) e às sextas-feiras na Clarice Lispector (Lapa) e Raul Bopp (Aclimação). Telefone 11-3083-6274

Site da nova escola traz aulas do ‘JT’ 

Os professores têm acesso a todas as atividades publicadas pelo JT, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da USP, por meio do site da Revista Nova Escola: www.novaescola.org.br, que traz vários planos de aulas elaborados por educadores.
A partir deste mês,todas as edições da Revista Nova Escola terão caderno especial de 12 páginas com sugestões de atividades para educação infantil.

Oficinas culturais gratuitas 

Durante todo o mês de agosto, a Casa de Cultura Tremembé - um espaço de responsabilidade da subprefeitura que, graças à perseverança de voluntários e freqüentadores, mantém oficinas e exposições - irá oferecer oficinas culturais à população. Os interessados por sapateado, pintura em tecido, violão e xadrez, deverão comparecer na Avenida Maria Amália Lopes de Azevedo, 190, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h. O melhor desta iniciativa, é que todas as oficinas serão dadas gratuitamente.

Alunos distribuem mudas nos faróis 

A Uninove promoveu no dia 9 de agosto, em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, o Trote Solidário. Os calouros distribuíram 15 mil mudas de pau viola para pedestres e motoristas nos principais faróis da cidade

JORNAL DA TARDE – 12/08/2006
Pai presente mudou a realidade da escola 

MARIA REHDER 

Uma escola sem provas. Crianças que pesquisam o conteúdo que querem aprender e têm liberdade para circular entre os diferentes espaços do estabelecimento, cujas paredes são coloridas. Essa é a realidade da Escola Municipal Amorim Lima, Butantã, Zona Oeste.
Há três anos, por meio da união dos pais de alunos, foi introduzida uma nova proposta pedagógica baseada na Escola da Ponte de Portugal. "Como estávamos insatisfeitos com a falta de professores, vimos que era hora de mudar", lembra o aposentado Gilberto Frachetta, 65 anos, pai de uma ex-aluna da escola.
Em 2002, ele e outros pais, em parceria com a equipe pedagógica da Amorim Lima, pesquisaram as possíveis propostas educacionais que poderiam melhorar o cenário de falta de professores. "Encontramos na Escola da Ponte, que não tem o professor como centralizador do processo, a resposta para nossos problemas", diz.
Segundo Ana Elisa Siqueira, diretora, sem a persistência e o trabalho dos pais a escola não teria conseguido o apoio do poder público para mudar. Já a inspetora Terezinha da Silva ressalta que os pais também "colocaram a mão na massa" e até ajudaram a pintar a escola. "Todos lutaram por um mesmo objetivo: melhorar a educação de seus filhos ou alunos", afirma.

História de vida

Trabalho duro, sem abandonar os estudos. Essa é a frase que Gilberto Frachetta usa para definir sua trajetória de vida. "Aos 12 anos comecei a trabalhar, mas meu pai sempre foi firme em relação à escola." O diploma em Economia da Universidade de São Paulo (USP) foi uma de suas grandes conquistas. Após se formar, porém, ele sofreu um acidente de carro. "Fiquei paraplégico e durante 5 anos tive de me dedicar apenas à reabilitação."
Ao retomar a rotina de trabalho, Gilberto seguiu carreira na área de informática e passou a militar na luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Mas ele não se esqueceu do papel de pai. "A minha vida sempre foi uma correria, mas fazia questão de acompanhar a minha filha na escola, pois, após me separar, ela, aos 3 anos, quis ficar comigo", conta.
Em 2001, Gilberto matriculou sua filha na Emef Amorim Lima e logo entrou para o Conselho de Escola. "Os pais faziam o impossível para se encontrar e, graças a esse esforço, criamos uma nova opção de escola pública", avalia.
No ano passado, mesmo com a saída de sua filha da Amorim Lima - "Vivi o desafio de incentivar minha filha a morar na Alemanha com sua mãe" -, Gilberto não abandonou a escola e, recentemente, fundou uma ONG para aumentar a força dos pais na luta por recursos para a Emef Amorim Lima. "Como tinha o número suficiente de anos de serviço para me aposentar, decidi me dedicar exclusivamente à causa da escola, pois o meu comprometimento com a educação vai além da preocupação com a minha filha."

Filha sente falta da Emef Amorim 

A filha de Gilberto Frachetta, Diully Stefany de Souza Coelho, 13 anos, que hoje mora na Alemanha, ressalta a saudade que sente dos tempos da escola. "Gostava da Amorim Lima porque meu pai estava sempre ao meu lado. Hoje, tenho orgulho de tudo o que ele fez por aquela escola e também do que continua fazendo", afirma.
Entretanto, a menina também conta que às vezes era difícil lidar com a presença diária do pai na escola. "Eu não podia fazer nada que ele já ficava no meu pé", lembra.
Longe do Brasil, Diully aproveita o Dia dos Pais para destacar a importância de ter tido um pai presente na escola, do qual ela sente muita saudade, mesmo sendo exigente.

JORNAL DA TARDE – 12/08/2006
NOTAS

INGLÊS

O British Council promoverá no dia 15 de agosto, das 18h às 19h30, um workshop gratuito sobre o ensino de inglês voltado aos professores da rede pública. Inscrições apenas pelo telefone 11-2126-7560.

PALESTRA

O Colégio Santo Américo promove no dia 21 de agosto, às 20h, palestra gratuita com Mario Sergio Cortella sobre os impactos do medo de mudanças nas pessoas. Inscrições por e-mail: simone@csasp.g12.br

BOLSA


O Ismart abre inscrições para o processo seletivo de bolsas de estudo para alunos da 6ª série de escolas públicas, residentes na Zona Sul, com renda familiar de 1,5 salário mínimo. Informações:11-3049-5560


TEATRO

O Dante Alighieri apresenta hoje O Auto da Barca do Inferno em sessões às 11h45, 14h15 e 16h15, além de uma palestra com Leo Fraiman às 13h.Os eventos são gratuitos. Informações: 11-5072-4346


PRÊMIO

O Prêmio Pátio-ISME de Educação para a Cidadania escolherá os melhores projetos de formação em valores de professores de escolas públicas ou privadas. (www.artmed.com.br/premio_patio_isme)

CONGRESSO 

O Congresso de psicopedagogia "Aprendizagem: tramas do conhecimento, do saber e da subjetividade" acontece no dia 12 de outubro, em São Paulo.(www.abpp.com.br)

FOLHA DE SÃO PAULO – 14/08/2006
Escola municipal terá carga horária maior
  

Para implementar a mudança, prefeitura prevê o fim do terceiro turno e o aumento do número de alunos por turma

Para educadores, hora extra deveria ser voltada a aulas de português e matemática, áreas em que os alunos têm um desempenho mais fraco


DANIELA TÓFOLI
DA REPORTAGEM LOCAL

A partir do ano que vem, 260 mil dos 548 mil estudantes do ensino fundamental da Prefeitura de São Paulo vão ficar uma hora a mais na escola todo dia. A grade curricular obrigatória passará de quatro para cinco horas, o que, ao fim de oito anos, será o equivalente a dois anos a mais de escolaridade. Até 2008, a ampliação deverá atingir todos os estudantes.
Para aumentar as aulas em 208 escolas de ensino fundamental, das 459 existentes hoje, a secretaria municipal da Educação vai acabar com o terceiro turno -no qual os alunos têm aulas entre as 11h e as 15h- de mais 58 colégios (hoje, 309 funcionam em três).
A mudança só será possível, segundo a prefeitura, por meio de quatro medidas: construção de novas salas (além de cinco novos CEUs, a secretaria promete entregar a ampliação de 93 escolas até o começo de 2007), parceria com a rede estadual para distribuição dos alunos, uso de salas utilizadas em projetos diversos (como salas de artes) e formação de classes com no máximo 40 alunos, com exceção das séries iniciais.
As duas últimas medidas são criticadas. Para Marisa Melillo Meira, professora de psicologia escolar da Unesp, acabar com salas de artes é uma atitude equivocada. "A escola e os alunos saem perdendo. Eles precisam de um espaço para atividades artísticas, porque a sala normal não é adequada para todas as aulas."
Professora de políticas públicas de educação da PUC-SP, Maria Ângela Barbato Carneiro é contra o aumento do número de alunos. A média atual é de 35 estudantes por turma. "Ter 40 alunos é muito, nenhum professor dá conta. Não adianta só garantir a permanência do aluno na escola, tem de garantir o bom ensino."
Ela lembra que o aumento dos dias letivos de 180 para 200 não melhorou a qualidade da educação. "Não adianta aumentar a carga horária sem um trabalho com os professores. O período de aulas poderá ficar ainda mais enfadonho."
Outra ponderação é a de que as horas extras deveriam ser utilizadas para aulas de português e matemática, já que as últimas avaliações nacionais apontam um fraco desempenho nessas disciplinas. O projeto prevê que a carga horária seja preenchida com aulas nas salas de leitura e de informática.
"Os alunos precisam de mais tempo para absorver os conteúdos dessas matérias, de uma forma mais leve. Seria melhor do que ficar dando aula de informática", diz o vereador Beto Custódio (PT), professor e integrante da comissão de Educação da Câmara Municipal. "Essas medidas são eleitoreiras."
O secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, diz que a grade poderá ser preenchida também com aulas de reforço. "Além disso, o projeto Ler e Escrever será ampliado para todas as séries."
Ele diz que as classes não ficarão superlotadas e que as atividades de artes continuarão. "Mas muitas salas para projetos diversos estavam subutilizadas." As oficinas culturais e esportivas, que hoje funcionam no horário oposto ao das aulas, também serão mantidas.
O secretário diz que a partir de 2007 todas as crianças farão as atividades de leitura e informática e estarão sempre com a sua turma. Hoje, alunos de diferentes séries ficam misturados, e só participa da atividade quem pode ir e voltar para a escola, pois elas ocorrem no período oposto ao das aulas.
As mudanças serão anunciadas pelo prefeito Gilberto Kassab (PFL) nos próximos dias e foram antecipadas à Folha. "A nossa prioridade zero é a educação, e é um absurdo que uma cidade que quer priorizar essa área tenha escolas com três turnos."
 

Secretário diz que mudança não custará nada

DA REPORTAGEM LOCAL

Administrador de empresas e mestre em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas, o secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, 36, é expert em contas. Lida com a secretaria como se fosse uma empresa em crise e corta gastos onde pode.
Já renegociou contratos de diversas áreas e conseguiu economizar 15% na construção dos cinco novos CEUs pela prefeitura.
Para a ampliação da carga horária obrigatória nas escolas de ensino fundamental, Schneider afirma que não gastará um centavo a mais, já que tudo foi feito com base em uma restruturação administrativa.
O secretário, que é tucano, fala mais de administração do que de educação, mas afirma que tem se preocupado com a qualidade do ensino. "Todas essas novas mudanças têm como objetivo melhorar a educação", diz Schneider.
Com experiência em gestão pública (Schneider já atuou na secretaria dos Transportes e na pasta da Segurança), ele fez parte do governo Mário Covas e foi secretário-adjunto de Governo, na prefeitura de José Serra, até abril deste ano, quando assumiu a secretaria da Educação.
(DT)

Frases

"Não adianta aumentar a carga horária se não houver um trabalho com os professores. O período de aulas poderá ficar ainda mais enfadonho"
MARIA ÂNGELA BARBATO CARNEIRO
professora de políticas públicas de educação da PUC-São Paulo

"Nossa prioridade zero é a educação, e é um absurdo que uma cidade que quer priorizar essa área tenha escolas com três turnos"
GILBERTO KASSAB
prefeito de São Paulo

FOLHA DE SÃO PAULO – 12/08/2006
PUC-SP reduz faixas salariais de docentes


Cortes de 4,2% a 15,9% valem para novos contratados ou para professores que ascenderem na carreira

FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL

Em meio à sua pior crise financeira, a PUC-SP decidiu diminuir as faixas salariais dos seus professores. As reduções variaram de 4,2% a 15,9%.
Não haverá rebaixamento salarial imediato. Só serão incluídos na nova tabela os professores que ingressarem neste semestre nas universidades e aqueles que ascenderem na carreira.
Um professor, por exemplo, que está na categoria de doutor com dedicação integral ganha hoje R$ 7.607; os que entrarem a partir de agora nesse patamar receberão R$ 6.396.
A diminuição salarial é um dos pontos do TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que a mantenedora da PUC assinou com o Ministério Público, no final de junho. No documento, ela se compromete a evitar o déficit mensal que será de cerca de R$ 2 milhões a partir de outubro, quando começará a pagar as parcelas da dívida bancária - hoje em R$ 107 milhões.
"A lógica anterior foi criada, há 15 anos, para podermos segurar os doutores que se formavam aqui. Essa política fez com que a PUC se tornasse uma das dez universidades mais importantes do país", disse o chefe-de-gabinete da reitoria, Guilherme Simões. "Mas esses reajustes começaram a pesar muito. A folha salarial foi um dos principais fatores para a crise."
Simões diz que a tabela da PUC permanece superior à praticada pelas outras universidades, inclusive a USP.
Um professor-doutor na Universidade de São Paulo, por exemplo, ganha R$ 5.560; na PUC, o valor será de R$ 6.396.
A Apropuc (associação dos docentes) critica o rebaixamento. "É mais um fator que piora a qualidade de ensino e de pesquisa", disse o diretor da entidade Erson de Oliveira. À redução salarial, ele afirma que se soma uma medida tomada em 2005 pela universidade, que obriga os docentes a destinarem mais tempo às aulas, em detrimento a outras atividades, como a pesquisa.
Sobre a mudança salarial, a Apropuc estuda a possibilidade de entrar na Justiça.
O Sinpro (sindicato dos professores da rede particular) já decidiu que fará a contestação judicial. "O salário é um direito adquirido, não pode haver rebaixamento", disse o presidente da entidade, Luiz Antonio Barbagli. "Outra irregularidade é que, para a mesma categoria, haverá dois salários, o antigo e o novo."

Cursos tecnológicos

Por falta de procura, a PUC-SP cancelou todos os dez cursos tecnológicos (de curta duração) que seriam oferecidos no segundo semestre: agronegócios, controladoria, energia, gestão digital em hipermídia, gestão de pequenos e médios negócios, gestão em segurança pública e direitos humanos, radiologia médica, comércio exterior, design de games e gestão de marketing.
As dez carreiras tecnológicas voltarão a ser oferecidas no vestibular para ingresso no início de 2007. "Eles não deram certo por falta de divulgação. Agora, vamos fazer uma boa propaganda. Esse tipo de curso é uma tendência mundial", afirmou Simões.

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