Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

21/08/2006 – CLIPPING


O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.

FOLHA DE SÃO PAULO – 21/08/2006 (EDITORIAL)
Educação afirmativa

Para superar a polarização sobre cotas raciais, ensino precisa de plano audacioso e com metas bem definidas

HÁ UMA SEMANA, neste espaço, a Folha abrandou sua posição contrária a todas as formas de ação afirmativa na universidade. Passou a defender que o debate público vá além da polarização sobre cotas raciais, um beco sem saída, para concentrar-se em propostas inovadoras de inclusão social e aumento da diversidade no ensino superior.
Ao facilitar o ingresso de alunos de menor renda, as instituições estarão automaticamente aumentando o contingente de negros, pardos e índios nas suas fileiras. E isso sem recorrer a critérios sempre problemáticos de classificação racial, objeto de insuperável repulsa.
Mais que isso, o editorial "Avanço afirmativo" denunciava o voluntarismo de uma legislação federal para disciplinar em minúcias o que deve ser feito em cada faculdade do país. É preciso respeitar a autonomia universitária e as peculiaridades regionais. Uma lei poderia no máximo ditar o objetivo programático de que toda instituição crie algum sistema de inclusão.
Não basta, evidentemente, ajudar estudantes talentosos, porém pobres, a obter uma vaga universitária. É preciso dar-lhes condições para que concluam os estudos. Idéias e propostas não faltam: mais cursos em horário noturno ou compatível com a manutenção de um emprego; reforço acadêmico para alunos com formação deficiente; bolsas que cubram os custos de transporte, alimentação e material.
Qualquer que seja o programa de ação afirmativa social que uma universidade decida criar, ele não precisa -e talvez não deva- durar para sempre. As formas de incentivo à inclusão que forem introduzidas poderiam ser pouco a pouco restringidas, de modo a se extinguirem no prazo de 25 ou 30 anos, o horizonte de uma geração. Ou, então, até que a composição do corpo discente se aproxime do perfil socioeconômico local.
Tais ponderações não têm o condão, obviamente, de fazer desaparecer as formas insidiosas e informais que o racismo assume no Brasil. Esta Folha, mesmo repelindo o critério racial em favor do socioeconômico, reconhece e deplora a sobrevivência da discriminação racial. Defende, por isso, que se dê conseqüência ao argumento tantas vezes brandido -contra as cotas- de que a verdadeira e definitiva solução do problema só virá com o acesso universal a um ensino fundamental e médio de qualidade.
Se a tão preconizada e nunca concretizada revolução na educação não se transformar num objetivo nacional, será legitimada a conclusão de que os argumentos universalistas contra as cotas não passavam de vacuidades. Esse desfecho lamentável só será evitado por meio de um plano com metas quantitativas e qualitativas definidas: número mínimo, qualificação e remuneração digna de professores; instalações básicas para todas as escolas, incluindo acesso a tecnologias digitais; redução de taxas de evasão e repetência e aumento na média de horas-aula; melhor desempenho em testes nacionais e internacionais.
Um plano, enfim, com o qual se comprometam partidos, governos e cidadãos. Menos que isso será, de novo, pouco demais.

FOLHA DE SÃO PAULO – 21/08/2006 (TENDÊNCIAS/DEBATES)
A USP abre seu coração

MARCOS BOULOS

O EMPOBRECIMENTO da nossa sociedade provocou uma diminuição crônica dos investimentos em educação em nosso país e, por causa disso, houve nítida piora da qualidade do ensino público. Essa queda se acentuou nos últimos 30 anos, e a educação pré-universitária foi, com certeza, a mais prejudicada.
É consenso que o acesso ao conhecimento é fator fundamental para inclusão e transformação social. Assim, mais do que nunca, todos os brasileiros devem ter acesso à educação, desde a mais tenra idade até a profissionalização, seja esta de que nível for.
No caso brasileiro, contudo, é preciso ir além desse consenso. Tendo em vista os graves problemas sociais que vivenciamos atualmente, não basta apenas educar até o estágio profissionalizante. É necessário discutir que tipo de profissionalização devemos promover. São tantas as carências, que a formação profissionalizante deve ir além da capacitação técnica.
Deve incutir no educando o compromisso público de atuar em prol do bem comum, da superação das limitações impostas pelo tecido social. Deve formar profissionais e cidadãos.
A universidade pública deveria ser o agente por excelência desse esforço.
Mas, hoje, está longe disso. Historicamente informadora, formadora e transformadora, epicentro de grandes movimentos sociais, vê-se presa e inerte na atual conjuntura, preocupando-se apenas em graduar estudantes e realizar pesquisas que dão notoriedade ou promoção aos seus docentes. Vive centrada em seu umbigo, sem participar ativamente da turbulência social que a circunda.
A universidade pública também é afetada pela crise. As verbas para manutenção são cada vez menores, e, por causa disso, seus funcionários e docentes passaram a ter dificuldades para manter suas famílias, o que estimula a evasão de recursos humanos capacitados para a iniciativa privada.
A conseqüência direta desse quadro é a desmotivação, resultando em prejuízo na formação dos jovens. Ensinamos como décadas atrás, sem modernizar nosso "instrumental" de ensino. Ainda estamos vinculados a objetivos formais, com metodologias superadas, esquecendo que o objeto da atuação docente também é sujeito.
A despeito das sempre presentes discussões sobre a valorização do processo ensino-aprendizagem, dando maior destaque à participação do aluno, essa prática não está incorporada pela maioria dos docentes. O mérito acadêmico objetivo tem prevalecido largamente sobre a necessidade social, que é subjetiva -e raramente é levada em consideração.
Felizmente
, há um início de mudança nesse panorama. A Universidade de São Paulo acaba de aprovar um projeto denominado de "inclusão social", por meio do qual procura abrir seus olhos e coração para a realidade que a circunda. O projeto visa as escolas públicas responsáveis pelo ensino secundário, propondo uma interação para aprimorar a formação de seus alunos. Para tanto, oferece mecanismos para aperfeiçoar os professores, com oportunidade para fazerem cursos de reciclagem e espaço para discutirem metodologias de ensino.
Os estímulos também se dirigem aos alunos. Para os da própria USP -de forma que também se engajem nesse esforço e dêem sua contribuição-, oferece subsídios para que montem cursos de aperfeiçoamento para estudantes oriundos das escolas públicas, visando fortalecê-los na disputa de uma vaga na universidade.
Para os alunos das escolas públicas, por sua vez, oferece um "bônus" de 3% na nota obtida no vestibular para ingressar na universidade. E possibilita que os aprovados realmente freqüentem a universidade, dando-lhes também subsídios econômicos que lhes permitam cursá-la até o fim.
Ao abrir essa janela, ou melhor dizendo, o seu coração, a USP se compromete com a construção de mecanismos e alternativas que combatam as formas tradicionais de exclusão e oferece à sociedade um modelo a ser seguido por outras instituições universitárias que não queiram fugir de sua responsabilidade social.
Paulo Freire, educador de maior relevância em nosso país, destacava em seu discurso um componente social que jamais devemos ignorar: "Há perguntas a serem feitas insistentemente por todos nós e que nos fazem ver a impossibilidade de estudar por estudar. De estudar descomprometidamente, como se, misteriosamente, de repente, nada tivéssemos que ver com o mundo, um lá fora e distante mundo, alheado de nós e nós dele". As perguntas a que se refere Paulo Freire já são bastante conhecidas. Nosso desafio é construir as respostas. A USP já deu um passo. Há muitos outros a serem dados.

MARCOS BOULOS
, 60, é professor titular da Faculdade de Medicina da USP e diretor-clínico do Hospital das Clínicas.

FOLHA DE SÃO PAULO – 20/08/2006
Proibido não conhecer o Jd. Ângela

GILBERTO DIMENSTEIN 

QUEM ENTENDER o que está por trás dos números do Jardim Ângela, um conglomerado de favelas na zona sul de São Paulo, com 250 mil habitantes, estará aprendendo a reduzir a violência no país. Sua taxa de homicídios caiu em 75%, entre 1991 e 2005. Durante 50 dias, no ano passado, ninguém morreu assassinado.
Esse movimento teve impacto nas demais estatísticas criminais de delegacias próximas, responsáveis por outros bairros além do Jardim Ângela. No 100º Distrito Policial, de janeiro a julho deste ano, em comparação com o mesmo período de 2002, o índice de roubos, em geral, despencou em 52%; o de roubos de veículos caiu em 70%.
O debate sobre a violência na sucessão é, até o momento, de uma pobreza estrondosa, pelo simples motivo de que não se apresentam planos de construção dessas complexas redes nem se prevê um projeto específico para as metrópoles. Os tucanos tentam associar o PT ao PCC, o que é uma óbvia baixaria. O PT fala que os ataques do PCC são resultado do caos da segurança em São Paulo, quando, na verdade, são uma reação ao jogo duro contra a organização exercido pelo governo.
O Jardim Ângela foge do discurso fácil e das soluções simplistas: mostra que a combinação de repressão com prevenção, a partir da articulação local, funciona. É o que se vê em Bogotá, onde a taxa de homicídios desabou, em poucos anos, em 75%, redução semelhante à de Nova York.
Depois que o Jardim Ângela foi considerado a região mais violenta do planeta, iniciou-se ali, em 1996, uma mobilização liderada pelo padre irlandês Jayme Crowne. Surgiu o Fórum de Defesa da Vida, que hoje aglutina 200 entidades. Dessa pressão, foram criadas ali cinco bases de policiamento comunitário. Como os policiais tinham de conviver com a população, ganharam confiança e receberam informações sobre quem eram e onde estavam os criminosos.
Conseguiu-se, nesse processo, combinar Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal. Paralelamente à rede de proteção policial montou-se uma rede de proteção social, sempre envolvendo a teia de parcerias. Para trabalhar com ex-internos da Febem, agora em liberdade assistida, associaram-se prefeitura, Abrinq e Telefônica. Na sexta passada, aliás, cerca de mil funcionários da Telefônica foram ao Jardim Ângela para um mutirão de reformas de espaços coletivos.
Graças a esse tipo de mobilização, recuperaram-se praças, clubes e escolas. Ofereceram-se programas de esporte, atividades de complementação escolar, tratamento contra o abuso de drogas e álcool. Com um acordo envolvendo o Ministério Público, acertou-se a redução do horário de fechamento dos bares. A prefeitura ofereceu abrigos para crianças e proteção às famílias em situação de risco, além de um núcleo para combater a violência doméstica. No ano passado, foi lançada a Casa do Adolescente, para tentar evitar a gravidez precoce.
Acrescentem-se aí as dezenas de milhares de bolsas de renda compostas por recursos municipais, estaduais e federais -por serem integradas, o valor das bolsas aumentou.
Nem de longe o Jardim Ângela virou um paraíso, muito pelo contrário. Está distante, muito distante, de ser o campeão mundial da violência, mas ainda continua bem acima da média brasileira da criminalidade. Jayme Crowne está preocupado, especialmente, com o número de jovens sem perspectivas educacionais ou profissionais. "Esse é o ovo da serpente", diz São no Brasil 7 milhões de jovens, entre 14 e 25 anos, que nem estudam nem trabalham. Isso mostra que temos duas bombas que se juntam -a dos jovens e a das metrópoles.
Mas o que eles estão construindo, em essência, é um software de gestão para áreas conflagradas, por englobar do policiamento à gravidez precoce, passando pelo tratamento de viciados e pela educação em tempo integral. Em vez de ficarem trocando acusações em torno do PCC, os candidatos fariam melhor se estudassem o caso do Jardim Ângela, cujo sucesso está no fato de não ter um autor, um partido, um governo. O PT e o PSDB têm crédito nessa experiência, com a qual se vê que a saída social brasileira reside em larga medida na habilidade de as comunidades se organizarem, mobilizarem seus indivíduos e aumentarem a eficiência dos recursos públicos.
Contra o crime organizado, o que funciona é a sociedade organizada.

P.S. - Coloquei em meu site (www.dimenstein.com.br) um dossiê sobre o Jardim Ângela. gdimen@uol.com.br

FOLHA DE SÃO PAULO – 20/08/2006 (TENDÊNCIAS/DEBATES)
Inclusão e cotas raciais e sociais 

MATILDE RIBEIRO

Todas as políticas de desenvolvimento devem conter a dimensão de superação das desigualdades raciais

OS CAMINHOS trilhados pelo Brasil em direção à eqüidade ganharam reforço inédito do governo federal nos últimos três anos com a adoção de políticas de inclusão, cujos efeitos são determinantes para diminuir as desigualdades sociais no país. Com essa perspectiva, o desenvolvimento de cotas sociais e raciais já contribui decisivamente para que o crescimento econômico sustentável resulte em ampliação do acesso aos serviços sociais e ao mercado de trabalho de segmentos populacionais empobrecidos e historicamente discriminados em nosso país.
A criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir), em 21 março de 2003, incrementou essas iniciativas e possibilitou sua ramificação em várias áreas, com efeitos práticos visíveis na sociedade brasileira.
Na educação, o Prouni (Programa Universidades para Todos) oferece 203 mil bolsas de estudo para que alunos oriundos de escolas públicas possam estudar em instituições privadas -entre eles, 63 mil negros e indígenas. Somadas a ele, 30 universidades públicas já adotam o sistema de reserva de vagas para negros e indígenas. E a implantação da lei nº 10.639, que torna obrigatório o ensino de história afro-brasileira nas escolas, ajuda a valorizar a contribuição dos imigrantes africanos e seus descentes à cultura e à economia brasileiras.
Um orçamento da ordem de R$ 2 milhões anuais está designado no Plano Plurianual (PPA 2004-2007) para a implantação da Política Nacional de Saúde da População Negra. Em dezembro de 2004, foi lançado o "Projeto Afroatitude", que, em 2005 e 2006, concedeu bolsas de iniciação científica para pesquisas sobre Aids e saúde da população negra a 1.050 estudantes cotistas negros em 11 universidades públicas.
O Plano Setorial de Qualificação de Trabalhadores Domésticos, do Ministério do Trabalho e Emprego, é uma ação que atende demandas específicas desses profissionais, como elevação de escolaridade no ensino fundamental, ampliação da proteção social e fortalecimento da representação e melhoria das condições de trabalho. É um exemplo de ação afirmativa, pois a categoria agrega cerca de 6 milhões de brasileiros, dos quais 96% são mulheres -57% delas são negras.
Entre as iniciativas que consolidam o Brasil como nação comprometida com a superação das desigualdades raciais está o projeto de lei nº 73/99, que estabelece reserva de vagas nas universidades públicas para alunos de escolas públicas, considerando a porcentagem de negros e indígenas nas unidades da Federação. E também o Estatuto da Igualdade Racial.
Fruto de um processo de debates entre políticos, pesquisadores e, sobretudo, representantes do poder público e do movimento negro, o estatuto é um projeto amplo, de orientação no sentido de que todas as políticas de desenvolvimento econômico e social devem conter a dimensão de superação das desigualdades raciais.
O texto apresentado em 1988 foi revisto no relatório de 2002, analisado e acompanhado durante dois anos por um grupo de trabalho interministerial, composto por vários órgãos do governo e coordenado pela Seppir e pela Casa Civil. Posteriormente, em novembro de 2005, o resultado desse trabalho foi aprovado no Senado.
Em seus capítulos, são dispostos temas como pesquisa, formas de prevenção e combate de doenças prevalecentes na população negra, direito à liberdade religiosa e de culto, especialmente no que diz respeito às religiões afro-brasileiras, reconhecimento e titulação das terras remanescentes de quilombos e inclusão no mercado de trabalho por meio de contratação preferencial de profissionais negros na administração pública, entre outros itens. Não se resume, portanto, ao sistema de cotas em universidades.
O
projeto de lei nº 73/99 e o Estatuto da Igualdade Racial possuem o mérito de combinar critérios raciais e sociais e não divergem das ações afirmativas em curso no Brasil. Ao contrário, elevam essas ações ao patamar de políticas de estado, o que garante sua perenidade, e constituem uma orientação necessária para que as políticas universalistas contemplem também os grupos discriminados.

MATILDE RIBEIRO, 46, mestre em psicologia social, é ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 21/08/2006
Contra crise no setor, qualidade e boa gestão 

Particulares sobrevivem em meio a vagas demais e alunos de menos 

Renata Cafardo 

Para seguir no concorrido mercado de ensino superior privado brasileiro, com vagas demais e alunos de menos, sobrevivem os bons não apenas em qualidade, mas em gestão. O último mês foi marcado por movimentos de universidades e faculdades para fugir da crise, com junção de instituições, dispensa de alunos e busca de capital no mercado financeiro. O Estado agora mostra o outro lado, de particulares que deram certo, contabilizando lucros e credibilidade no ensino.
Por muito tempo, instituições de ensino superior faturaram relativamente fácil porque havia uma grande demanda reprimida, atendida com um boom no setor - entre 1994 e 2004, o número de instituições cresceu 200% no País. Dez anos depois, a situação se estabilizou e a oferta tornou-se excessiva. Sobrevivem os bons.
A Faculdade de Campinas (Facamp) e o Ibmec São Paulo são exemplos disso. Os cursos, em números e em diversidade, se multiplicaram. Áreas exploradas pela Universidade Anhembi Morumbi, como moda e hotelaria, cresceram mais de 1.000%.
“Além de crescer em ritmo maior que a demanda, tínhamos o romantismo do educador, dávamos bolsas para amigos”, diz o presidente do Sindicato dos Mantenedores de Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Semesp), Hermes Figueiredo. Só no Sudeste, o setor cresceu 104% depois que o Ministério da Educação (MEC) mudou as regras e permitiu a criação de novas universidades, faculdades e centros universitários. “Podem me culpar por aumentar a concorrência, não pelas instituições que não deram certo”, diz o ex-ministro Paulo Renato Souza, responsável pela expansão.

RECEITAS DE SUCESSO

“A gente não investe em tijolo”, conta o diretor de operações do Ibmec, José Antonio Capito. O campus de 10 mil metros quadrados e custo de R$ 50 milhões aberto neste ano na Vila Olímpia foi construído por outra empresa e alugado pelo Ibmec. “A demanda pode migrar para outra parte da cidade e perderíamos o investimento aqui”, justifica.
“Cada vez que o aluno aperta o botão do elevador, perde-se dinheiro”, diz o economista João Manuel Cardoso de Mello, que inaugurou a Facamp em 2000 em prédios térreos. Com investimento inicial de US$ 6 milhões e 18 sócios, já dá lucros e começará a remunerar acionistas. “Ensino de qualidade barato é balela. É preciso pagar bons professores, novos currículos, ótima estrutura”, diz. As mensalidades de Ibmec e Facamp giram em torno de R$ 2 mil.
Para o especialista em educação superior da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Abílio Baeta Neves, é possível oferecer qualidade não só para elite, mas as instituições precisam entender que os alunos não chegam com boa formação do ensino médio. “Uma saída é uniformizar os anos iniciais com cursos básicos, desenvolver currículos e material de apoio.” A Faculdade Pitágoras cresce apostando nisso. Cobra em média R$ 600 e tem programas feitos por nomes como Renato Janine Ribeiro ou Roberto DaMatta. “A orientação deles pode levar a uma aula melhor. É a industrialização do ensino”, diz o educador Claudio Moura e Castro, consultor do Pitágoras.

Qualidade do Ibmec ficou conhecida no boca-a-boca 

Renata Cafardo 

Em 2004, o Ibmec São Paulo, criado pelo investidor Cláudio Haddad e outros sócios, tornou-se uma instituição sem fins lucrativos. A faculdade já existia desde 1999, mas fazia parte de um grupo que tinha também filiais no Rio e em Minas.
Hoje, sem vínculo com as outras empresas, tem uma receita de R$ 63 milhões, vindos exclusivamente das mensalidades pagas por cerca de 2.500 alunos e totalmente reinvestida.
O Ibmec é atualmente o primeiro exemplo citado por muitos no País ao falar de ensino privado de qualidade. Quando surgiu, ficou conhecido por roubar grandes professores de instituições como Universidade de São Paulo (USP) e Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo o diretor José Antonio Capito, a escola focou apenas dois cursos, Administração de Empresas e Economia. Quase sem propaganda - como é de praxe entre instituições de excelência - foi ganhando status no boca-a-boca. Principalmente depois que os primeiros formandos deixaram a escola para as grandes empresas.
"Temos que manter o aluno satisfeito. Isso não quer dizer que fazemos o que ele quer, mas sim que temos de dar respostas", diz Capito. Segundo ele, 20% do orçamento é gasto com pagamento de professores, que são enviados freqüentemente à Universidade Harvard para se aperfeiçoar.
Para os estudantes, existe a chamada nota por participação, já que são estimulados a se preparar previamente para as aulas e emitir opiniões. "Eles vão levar o sobrenome Ibmec para sempre. Não é como um carro, que ele compra agora e depois, quando vende, não tem mais vínculo nenhum com a empresa."

Anhembi faz parceria com instituição estrangeira 

Renata Cafardo 

Os 12 prédios da Universidade Anhembi Morumbi são propriedades particulares do reitor Gabriel Rodrigues. Ele os aluga para a instituição, que não é mais só dele. No ano passado, 51% dela foram vendidos ao grupo americano Laureate, no primeiro grande negócio envolvendo compra de instituição de ensino brasileira por capital estrangeiro. "A universidade vai crescendo e precisa de gente mais preparada. Não adianta mais só a família", diz Rodrigues.
Para ele, que procurava há cinco anos um parceiro internacional, muitas instituições brasileiras cresceram sem qualquer planejamento e por isso estão em má situação hoje.
Com uma receita bruta atual de R$ 245 milhões e consolidação em áreas novas, como Moda, Turismo e Gastronomia, a universidade agora se prepara para oferecer cursos feitos parte no Brasil, parte do exterior.
"O segredo é trabalhar com cabeça de administrador, definindo metas claras", completa o diretor acadêmico da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Alexandre Gracioso. A instituição tem 3 mil alunos, mensalidade de R$ 1.650 e nunca cresceu mais que o planejado. Os três cursos - Administração, Design e Propaganda - tem um mesmo foco: o Marketing. "Temos obsessão de refletir em nossos programas o que está acontecendo nas empresas. Todo semestre há alteração no currículo", conta.
Com receita anual de cerca de R$ 80 milhões, a ESPM inaugura até o fim do ano um novo prédio, que custou R$ 20 milhões. Uma das novidades é a abertura de um curso de Relações Internacionais, com foco em marketing, claro.

Facamp inova com currículo básico para todos os cursos 

Renata Cafardo 

Nos últimos meses, investidores internacionais tentaram comprar quatro vezes a Faculdade de Campinas (Facamp). E a instituição não está à venda, diz o diretor e proprietário João Manuel Cardoso de Mello. A Facamp tem hoje 1.500 alunos em quatro cursos - Administração, Economia, Jornalismo e Design - e só 2% de inadimplência, um recorde no setor. Com a alta rentabilidade, Mello já planeja abrir o capital da empresa na bolsa.
Além de investir no treinamento do pessoal administrativo - o diretor recusou qualquer funcionário que já tivesse trabalhado em universidades porque "não queria vícios" - a Facamp tem currículos diferenciados. O período de aula é sempre integral e todos os alunos precisam cursar aulas de português, inglês e filosofia.
"Um professor tem que pedir a minha autorização para usar data show aqui. Isso é instrumento de gente preguiçosa, que fica só lendo a aula projetada", diz Mello. Ele conta que fez uma criteriosa análise de demanda antes de decidir em que áreas atuar e, no ano que vem, vai abrir o último curso, de Engenharia de Produção. "O currículo da Poli (Escola Politécnica) está atrasado; o nosso será de vanguarda. É uma carreira que está em ascensão no mundo todo, que junta administração e economia."
Mello e seu sócio Luiz Gonzaga Belluzzo formavam a equipe econômica de José Sarney e também ajudaram a fundar o Instituto de Economia da Unicamp, hoje vizinha da Facamp. Ele oferece bolsas de estudo, mas tem consciência que oferece algo acessível para poucos. "Só dá para oferecer ensino de qualidade para os pobres se o Estado pagar."

Pitágoras evita pesquisa e investe só no ensino 

Renata Cafardo 

A Faculdade Pitágoras tem crescido tanto que já faz o caminho inverso das instituições brasileiras em prejuízo. Em 2001, surgiu como uma parceria entre a Apollo International, que mantém a Universidade de Phoenix e tem 150 mil alunos nos Estados Unidos, e o Grupo Pitágoras, um dos maiores do País no ensino privado. Há poucos meses, a parte americana foi comprada pela brasileira e a expectativa é aumentar dos atuais 6 mil para 50 mil alunos em 10 anos.
O educador Cláudio de Moura e Castro, um dos mais conhecidos do País, assina o projeto pedagógico inovador que contrata grandes nomes para elaborar currículos e orientar os professores. Ele explica que o objetivo da Pitágoras não é se tornar uma universidade, como fizeram muitas das instituições no fim dos anos 90 quando mudaram as regras no MEC.
Uma universidade, diferentemente da faculdade, pode criar cursos sem prévia autorização do governo, mas tem a exigência de fazer pesquisa. "Somos uma instituição de ensino, como são as écoles francesas. O setor privado brasileiro não tem financiamento para fazer pesquisa", afirma, citando as instituições estrangeiras que também não são universidades e formam em ensino superior.
Para crescer tanto, Castro diz que a faculdade terá uma parte dos cursos a distância, incorporando as disciplinas básicas. "Temos que preparar o aluno para o primeiro emprego, estudando literatura, cultura brasileira, não adianta só focar em engenharia. Muitos deles vão mudar de área."

O ESTADO DE SÃO PAULO – 19/08/2006
Governo extingue os cursos normais superiores 

Professor da pré-escola e da 1ª a 4ª série precisará estudar Pedagogia 

Ricardo Westin 

O Ministério da Educação (MEC) acabou com os cursos normais superiores do País. A partir de agora, quem quiser se tornar professor de turmas da educação infantil (pré-escola) e da 1ª à 4ª série precisará estudar Pedagogia. O curso de Pedagogia da forma como existe hoje - para formação de diretores, inspetores e orientadores de escolas - será transformado em pós-graduação.
A norma com essas mudanças foi publicada no Diário Oficial da União em abril deste ano. As universidades e faculdades têm até abril do ano que vem para se adaptar. A edição de ontem do Diário do Oficial trouxe o nome das primeiras 40 instituições que podem fazer a mudança - seus novos projetos pedagógicos já foram aprovados pelo MEC.
Os cursos normais superiores surgiram no final de 1999, para atender à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, que determina que todos os professores precisarão ter diploma de graduação até 2007. Foi o fim dos cursos normais de nível médio (antigo 2º grau).
Até o momento, os cursos normais superiores formam professores. As escolas de Pedagogia se encarregam da formação só dos funcionários de cargo técnico dos colégios. Agora, porém, o MEC decidiu que os professores da educação básica terão que ser formados em Pedagogia. E que para serem diretores, inspetores ou orientadores terão que fazer uma especialização.
"A mudança é positiva, pois o nome 'normal superior' não era bom. Lembrava os cursos normais de nível médio. Mesmo sendo um curso superior, não tinha prestígio, não parecia que era uma faculdade. Agora, cursando Pedagogia, os professores vão ter uma auto-estima melhor", diz Antônia Soares, diretora do Instituto Superior de Educação Ibituruna, de Montes Claros (MG).
"Na prática, o que muda é a nomenclatura", acrescenta José Luís Poli, diretor da rede de faculdades Anhanguera Educacional, no interior de São Paulo. "Além disso, para ser diretor, inspetor ou orientador, não bastará a graduação. Será preciso ter feito pós-graduação. Isso é bom, porque esses profissionais terão mais conhecimento sobre a sala de aula."
Segundo o Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação (Ipae), o MEC não pode fazer a transformação automática dos cursos normais superiores em Pedagogia. Isso depende da iniciativa das próprias instituições.
Os alunos que estão em cursos normais superiores e no atual curso de Pedagogia continuarão estudando normalmente. A mudança só valerá para os novos estudantes.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 19/08/2006
Número de inscrições no Enem passa de 3,7 milhões 

Cristina Amorim 

Mais de 3,7 milhões de pessoas se inscreveram para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2006 - cerca de 700 mil a mais em relação ao ano passado. São Paulo é o Estado com o maior número de inscritos (mais de 1 milhão), seguido por Minas Gerais (431 mil) e Bahia (391 mil).
Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que organiza o exame, 90% dos concluintes do ensino médio se inscreveram. "Vamos ver quantos realmente vão participar, pois é natural enfrentar uma taxa de ausência elevada neste exame. Mas o crescimento de inscrições mostra que ele está consolidado", afirma o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes.
O Enem é um exame voluntário e pode ser usado para o vestibular de algumas faculdades, além de fazer parte da seleção para o Programa Universidade para Todos (ProUni0. Ele será aplicado no dia 27 em 800 municípios brasileiros.

JORNAL DA TARDE – 21/08/2006
NOTAS

Inclusão digital e profissional 

Com a inauguração do Telecentro Bravas Guerreiras, os quase 200 mil moradores de Cidade Tiradentes passam a contar com mais um serviço de apoio à inclusão digital e profissional. A unidade marca o início da parceria da Prefeitura com a empresa Curriculum.com.br, que vai facilitar o acesso dos usuários de toda a rede de Telecentro às vagas oferecidas do mercado de trabalho

Literatura juvenil em novo curso 

A Universidade do Livro promove no final do mês o curso Literatura Juvenil: o desafio de se conquistar um mercado cobiçado. O objetivo é discutir o cotidiano da edição de literatura para jovens e a relação leitor-escritor-editor por meio de aulas expositivas e exercícios práticos. As aulas tratam do panorama atual da ficção brasileira para jovens e da importância do tema e da literalidade nos livros juvenis. O investimento é de R$ 280. Detalhes: 3242-9555.

Vagas abertas para doutorado no exterior 

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) está com inscrições abertas, até 16 de outubro, para bolsas de doutorado no exterior. Elas são destinadas a candidatos de comprovado desempenho acadêmico, com projetos que não possam ser realizados no Brasil . Os candidatos devem ser brasileiros, com diploma de nível superior e as inscrições são recebidas exclusivamente no site www.capes.gov.br/capes/portal.

JORNAL DA TARDE – 21/08/2006
Carreiras que dão ibope 

Içami Tiba 

Os pais esperaram que os filhos optem por profissões dignas do ponto de vista deles. Sejam médicos, engenheiros, escolham carreiras que prevêem um horário regular de trabalho e uma remuneração de acordo. Cabeleireiro, pintor e artista plástico são exemplos de profissões não-dignas, assim como a de modelo.
Ao colocar suas expectativas, os pais nem sempre estão alertas para o fato de que o mundo está vivendo um enorme avanço tecnológico, principalmente nas áreas de comunicação e informática. Quando o mercado está favorável, os filhos podem, ainda, abrir campos novos de trabalho sem ter de se restringir ao negócio do pai.
Atualmente, o adolescente tende a continuar no campo que os pais abriram. Lembro-me do caso de um pai, dono de uma padaria, que sempre deu duro para o filho estudar. O rapaz cursou Administração de Empresas para modernizar a padaria e a transformou numa empresa mundial.
Situação diversa vivem aqueles filhos que grudam no pai. Não estudam e querem simplesmente continuar no negócio da família, vivendo à custa do que o pai conquistou. Isto é muito diferente de fazer crescer, progredir. Os pais ficam atentos para ver se o filho quer se encostar ou tocar. Geralmente, os bem formados querem tocar.

Içami Tiba é psiquiatra e psicodramatista (www.tiba.com.br)

JORNAL DA TARDE – 21/08/2006
Redação em português dá bolsa de inglês e espanhol 

PROMOÇÃO: Escola Seven e JT premiam seis pessoas 

Foi com uma carta escrita em português que seis pessoas conseguiram bolsa integral nos cursos de inglês e espanhol. Os premiados são os leitores do JT, que participaram da promoção "Solte a língua! Seven/JT". Eles ganharam o estágio gratuito na escola de idiomas.
Os ganhadores podem retirar a partir de amanhã uma carta de autorização de bolsa na portaria do JT, na Rua Engenheiro Caetano Álvares, 55, Zona Norte. Com o documento em mãos, é só procurar uma das oito unidades Seven espalhadas por São Paulo.
São seis unidades na Capital, localizadas na Rua Augusta, Centro, e Avenida Rebouças, na Zona Oeste, além dos Bairros Vila Mariana, Santo Amaro, Tatuapé e Aclimação.
A Seven possui sedes ainda em São Caetano do Sul, na região do ABC paulista, e em Vinhedo, no interior do Estado.
Para conquistar o benefício, os participantes escreveram uma redação de 15 linhas, contando os apuros que já passaram no mercado de trabalho, por conta da falta de conhecimento dos idiomas.
Essa foi a segunda vez que a escola e o Jornal da Tarde lançaram uma promoção em parceria. A última foi em janeiro e as bolsas de agora são válidas até o dia 31 de outubro. Segundo o diretor de marketing da Seven, Steven Beggs, o objetivo da promoção é lembrar às pessoas o quanto é importante saber falar outras línguas e orientá-las a não deixar o aprendizado sempre para a última hora.

JORNAL DA TARDE – 21/08/2006
Educação além dos livros 

PASSEIO CULTURAL: atividades extra-curriculares desenvolvem ainda mais o lado criativo dos alunos 

EDUARDO DIÓRIO 

Acordar cedo não é uma tarefa tão simples para as crianças, principalmente durante a semana, quando elas têm de encarar a maratona de estudos. Os artifícios maternos para fazer com que os filhos despertem são infinitos: abrem a cortina do quarto, gritam, aumentam o volume rádio... Mas, dependendo do benefício que encontrarão na escola, os pequenos pulam d a cama sem reclamar. Analisando essa atitude, instituições de ensino aumentam cada vez mais o número de atividades extra-curriculares no calendário escolar.
Mesmo que o seu filho não tenha talento para as artes, aliar os estudos com passeios culturais é uma maneira divertida de entreter e, ao mesmo tempo, elevar o índice de conhecimento da criança. Dessa forma, ela tem a possibilidade de ganhar destaque entre os colegas de classe e, futuramente, ainda pode se dar bem na disputa por um emprego. "Preparar a sensibilidade da criança para a sua história faz com que ela se torne, no futuro, um ser completo", diz Silvia Antibas, coordenadora da unidade da Secretaria de Estado da Cultura de preservação do patrimônio dos museus.
No Colégio Domus Sapientiae, por exemplo, a cada mês acontece uma saída cultural, sempre vinculada ao conteúdo apresentado aos alunos durante as aulas. De acordo com Tânia Queiroz, coordenadora-geral da escola, a visita aos museus estimula a observação. "Eles vivenciam a arte, localizam o conceito do mundo por meio do significado e deixam a postura passiva de ouvinte, encarando a posição de sujeito", explica.
"Acho muito legal esse tipo de passeio. Você acaba conhecendo várias esculturas esquisitas. A gente aprende ainda mais do que na sala de aula", garante o estudante Rafael Zuolo, de 9 anos. Para a aluna Renata Yamazaki, de 10, que acabou de visitar o Museu de Arte Moderna (MAM), no Parque do Ibirapuera, Zona Sul, a atividade também é uma forma de interagir com os colegas. "Gosto de ir porque, além de aprender, me divirto com as minhas amigas."
E não pense que, na hora de escolher entre uma atividade cultural e um passeio ao parque de diversões, a garotada opta pelo lazer. Segundo a coordenadora Tânia, os alunos aderem com mais facilidade às saídas culturais. "Percebo que eles se sentem estimulados a desenvolver os seus potenciais, pois trocam idéias, criam afinidades nos grupos de trabalho e ficam incentivados a produzir. Quando vão ao parque, eles não têm a oportunidade de observar o inédito", revela.

Atenção dos pais

O incentivo dos pais é uma das atitudes mais importantes para que esse passeio vire algo positivo. Vidrados no mundo virtual, é cada vez mais difícil convencer os filhos sobre a importância de conhecer um pouco mais sobre a história do Brasil, descobrir informações preciosas sobre os mistérios da ciência, sem contar a possibilidade mágica de passar horas diante de objetos de arte que prendem a atenção e estimulam a imaginação.
"Os pais valorizam esses passeios. Quando os alunos voltam para suas casas, é necessário que ocorra uma troca entre a criança, o pai e a mãe. O aprendizado continua no lar", ensina Sandra Regina Manso, orientadora educacional do Colégio Montessori Santa Teresinha. Nessa instituição, durante o passeio, os estudantes levam blocos de anotações e, após a atividade cultural, como lição de casa, desenvolvem uma produção de texto relatando tudo o que foi visto.

Professor também tem vez

Além dos pais, os professores também devem estar atentos aos cuidados com seus alunos. "Nas escolas públicas, antes da visita dos estudantes aos museus, treinamos os professores, fazendo com que eles entrem em contato com o acervo de obras. Só depois disto é agendado o passeio com as crianças. Assim, os mestres têm uma base maior", explica Silvia.
O Instituto Arte na Escola é uma das ONGs que se preocupam com os educadores e têm como missão qualificar o ensino da arte partindo do princípio de que qualquer movimento artístico desenvolve no aluno a formação da consciência crítica. A partir daí, a entidade sensibiliza e engaja as redes públicas de ensino em torno da educação com qualidade através da arte.
Por isso, até o dia 29, a ONG receberá inscrições para o IV Prêmio Arte na Escola Cidadã, uma iniciativa que valoriza a prática pedagógica de arte e apresenta projetos que promovem a ampliação do repertório de arte e cidadania. O regulamento pode ser encontrado no site www.artenaescola.org.br.

JORNAL DA TARDE – 20/08/2006
Brincando com a sensibilidade 

Sugestão de aula: ensino fundamental 

MARIA REHDER 

O JT, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação (NCE/ECA-USP), coordenado pelo professor Ismar de Oliveira Soares, propõe um plano de aula voltado às turmas de Ensino Fundamental para que a percepção dos alunos seja desenvolvida, com o objetivo de facilitar a inclusão dos portadores de necessidades especiais.
Esta atividade - que propõe uma reflexão sobre a inclusão no ambiente escolar a partir de uma abordagem educomunicativa -, foi elaborada por Yacopina Valdenini Resende, professora da Escola Estadual André Ohl, Zona Leste, que possui visão nula e há mais de 26 anos alfabetiza portadores de necessidades visuais.

INTRODUÇÃO

Por meio de atividades que desenvolvam as percepções dos sentidos, pretende-se ensinar a criança a respeitar suas diferenças, a combater a discriminação e a exclusão para promover um convívio social saudável.
Essas atividades também devem ser usadas para a análise do desenvolvimento da percepção sensorial da criança, importante no processo de ensino e aprendizagem.

MATERIAL

Os materiais serão utilizados de acordo com a percepção sensorial que se pretende avaliar com a atividade:
Audição: 5 vendas para os olhos dos alunos, 5 recipientes de plástico com tampa, arroz cru, tampinhas de cerveja, bolinhas de gude, moedas, areia e materiais que produzam som;

Olfato: 5 vendas para os olhos dos alunos, 5 recipientes de plástico, perfume, café, pimenta-do-reino, álcool, erva-doce ou outras especiarias conhecidas pelos alunos;

Paladar: 5 vendas para os olhos, açúcar, sal, chocolate, suco de laranja e limão, 5 recipientes de plástico com colheres de café descartáveis;

Tato: 5 vendas para os olhos dos alunos, 5 objetos com texturas e formas geométricas diferentes;

Visão: 5 desenhos, cada um deles em 5 tamanhos diferentes.

ATIVIDADE

Os alunos devem se dividir em 5 grupos. Por meio de um sorteio, defina a ordem e o "sentido" a ser exercitado por cada um desses grupos. Nenhum dos alunos deve ter conhecimento dos componentes que serão experimentados na atividade. Portanto, o material a ser utilizado deve ser disponibilizado somente depois que os alunos estiverem de olhos vendados (exceção para o sentido da visão).

DESENVOLVIMENTO

A classe deve ser organizada de forma que as carteiras fiquem encostadas na parede, para facilitar a movimentação.
As atividades devem ser realizadas em 5 pontos diferentes da sala; cada ponto será representado por um dos sentidos. Cada grupo deve ficar em cada um dos pontos determinados pelo professor.
Coloque mesas em linha reta nos 5 pontos escolhidos da sala para a disposição dos materiais, que deverão ficar cobertos por um pano ou jornal, até que o grupo se prepare para manipulá-los.
1º) momento: os grupos realizarão o trabalho por ordem de sorteio. Com exceção do grupo da percepção visual, todos alunos devem estar com os olhos vendados.
Cada aluno realizará apenas uma tarefa, para que todos tenham tempo de participar. Após vendar os olhos dos alunos, oriente a direção que cada membro do grupo deve seguir por meio de um comando de voz (esquerda, direita, frente e trás), até que eles cheguem ao local preparado.

2º) discriminação das percepções:
a) auditiva: o aluno deverá perceber, por meio do som, qual o objeto que está no recipiente e se o som é alto ou baixo;
b) olfativa: o aluno definirá, por meio do cheiro, quais os elementos que estão dentro do recipiente;
c) gustativa: o objetivo é perceber por meio do paladar quais são os produtos que o aluno está experimentando;
d) tátil: pergunte ao aluno sobre a forma geométrica do objeto, seu tamanho, peso e espessura;
e)visual: fixe um desenho na lousa. O aluno escolhido deverá ficar a uma distância de até 4 metros e descrever o desenho apontado pelo professor. Durante a atividade, anote todas as respostas dos alunos.
O portador de deficiência visual participa desta atividade dependendo de seu grau de visibilidade.

3º) após terminar a atividade do grupo, o professor deverá pedir para que os alunos retirem a venda de seus olhos e observem a sala.
Na seqüência, os alunos deverão responder oralmente a três perguntas:
1- o que acharam da experiência?

2- qual foi a maior dificuldade do grupo?

3 - o que foi fácil?

MULTIPLICANDO

Peça para que cada aluno faça em aula um relato (escrito, desenhado ou por meio de um teatro) que expresse a experiência vivida com esta atividade. Este relato deve ser exposto na escola, representando todas as etapas desenvolvidas para que a comunidade escolar possa ter acesso à experiência desenvolvida pela turma.

PAPEL DO EDUCADOR

Observe os problemas de percepção nos alunos portadores de necessidades especiais, verificando quais sentidos estão sendo mais desenvolvidos.
Já nos alunos que não são portadores de necessidades especiais, quando forem encontradas algumas dificuldades de percepção, faça um diagnóstico minucioso, a fim de garantir o sucesso do acompanhamento deste aluno. Com isso, serão avaliados se os alunos passaram a respeitar suas diferenças, a combater o preconceito e a discriminação, havendo melhora no convívio social.
Nesta atividade, caberá ao educador assumir o papel de facilitador no processo de aprendizagem.

BIBLIOGRAFIA

MARCHIANO,Sharon. Rodrigo Enxerga Tudo. São Paulo: Editora Nova Alexandria, São Paulo 2006

JORNAL DA TARDE – 20/08/2006
NOTAS

Escola da Zona Leste é modelo em inclusão

A 4ª série da EE André Ohl, Zona Leste, é um exemplo de sala de aula inclusiva . O aluno Lucas Silva, 11 anos, portador de deficiência visual, usa uma máquina em Braille para fazer as lições. Diariamente, seus colegas disputam para sentar ao seu lado para ditar a matéria. "Com equipamentos adequados e bons educadores, a inclusão acontece", diz a professora Yacopina Valdenini Resende.

Produção de mídia estimula os jovens 

O Programa Geração Cidadã - realizado no início deste ano em Embu das Artes pelo NCE-USP - usou a produção de mídia como blogs e programas de rádio para capacitar portadores de necessidades especiais para o primeiro emprego. Segundo Ismar de Oliveira Soares, coordenador do NCE-USP, os resultados foram o aumento da auto-estima e da capacidade de diálogo com seus empregadores. (www.usp.br/nce)

Site da Nova Escola traz aulas do 'JT' 

Os professores têm acesso a todas as atividades publicadas pelo JT, em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da USP, por meio do site da Revista Nova Escola: www.novaescola.org.br, que traz várias sugestões de atividades elaboradas por educadores. A partir deste mês , todas as edições da Revista Nova Escola terão caderno especial de 12 páginas com sugestões de atividades para educação infantil.

Fundação é fonte de material para escola 

A professora Dorina Nowill, 87 anos, foi a primeira aluna cega a matricular-se numa escola comum em São Paulo. Fundadora da instituição que leva seu nome, produz por ano, 17 milhões de páginas em Braille, 22 mil exemplares de livro e revista falada e realiza 19 mil atendimentos ao deficiente visual. (www.fundacaodorina.org.br)

JORNAL DA TARDE – 19/08/2006
Alunos preparam a família para as eleições 

MARIA REHDER 

A Escola Estadual Joaquim Gouveia Franco, cujo o entorno é composto por três favelas da Vila Industrial, Zona Leste, mostra na prática que as crianças têm papel fundamental para a sensibilização de toda a família para o voto consciente nas Eleições 2006.
Desde o início do mês, mais de 800 alunos de 1ª a 4ª séries da escola têm participado de atividades, cujos temas giram em torno da importância e função de cada cargo aspirado pelos políticos nesta corrida eleitoral. "Os alunos buscam as informações com seus familiares. O curioso é que há pais que também têm dúvidas e acabam aprendendo com seus filhos", afirma Maria Lourdes Bagdanavicius, professora da 1ª série.
A educadora conta que deu início ao projeto em sala de aula explicando sobre a urna eletrônica. "Como eles têm entre 6 e 7 anos, iniciei o projeto com uma curiosidade: a urna eletrônica. Eles a viam na tevê, mas não entendiam para que servia. A empolgação foi tanta que os alunos quiseram fazer desenhos da urna com instruções de uso. Tive até de improvisar um mural de papel kraft pendurado com clipes em um barbante para expor os desenhos", ressalta.
A aluna Josiane, 7 anos, diz que conversou com a sua mãe sobre as eleições. "Expliquei a urna eletrônica e ela me contou o que o presidente faz, em quem ela ia votar e o motivo", conta a menina.
O projeto da EE Joaquim Gouveia dá liberdade para os professores criarem suas atividades. Para que todos compartilhem as informações debatidas em classe, a cada semana uma série produz um jornal mural. "A eleição para o grêmio também foi uma boa estratégia para que os alunos vivenciassem o período eleitoral", diz Maria Lourdes.
A professora Marisa C. Baptista explica que com as 4ª séries a discussão é mais profunda. "Há alguns anos, uma enchente danificou a escola. Um político nos visitou, fez promessas, mas nada foi concretizado. Este exemplo despertou o interesse nos alunos, que agora estão críticos em relação as escolhas de seus familiares. Não só do presidente, mas de senadores e deputados", avalia Marisa.

Voto consciente

A professora de 1ª série Maria José Gianeri ressalta a importância da conscientização sobre as eleições em uma região carente. Segundo ela, mais de 80% de seus alunos passam o dia fora de casa, pois seus pais trabalham e eles, além da escola, têm de ficar um período em entidades filantrópicas. "Muitos pais têm até dificuldade para votar na urna eletrônica."

Prévia eleitoral finalizará projeto 

A equipe pedagógica da EE Joaquim Gouveia Franco pretende finalizar o projeto com uma prévia das Eleições 2006 a ser realizada na própria escola. "Agora que os alunos passaram a entender o papel do presidente, governador, senador e deputado, eles estão de olho nas propostas dos candidatos, pois sabem que poderão votar na prévia da escola", conta a professora Maria Lourdes Bagdanavicius.
A educadora ressalta que o projeto vai além da sala de aula. "Queremos realizar uma prévia eleitoral em um sábado para que as famílias possam participar, pois, por meio da pesquisa dos alunos, notamos que muitos familiares não têm informações sobre voto consciente."
No entanto, a escola tem encontrado dificuldade para obter material. "Queríamos uma urna eletrônica emprestada para que pudéssemos ensinar seu manuseio para a comunidade. Mas a resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é que as escolas que funcionarão como seção eleitoral têm prioridade no empréstimo de urnas. Mesmo se não conseguirmos a urna eletrônica, traremos a comunidade para um debate e realizaremos a prévia eleitoral com material improvisado", afirma.

JORNAL DA TARDE – 19/08/2006
NOTAS

SUPLETIVO 

A Secretaria de Estado da Educação inicia no dia 22 as inscrições para os exames supletivos 2006, destinados aos interessados em concluir o Ensino Fundamental ou Médio. (www.educacao.sp.gov.br).

FEIRA 

A Escolar PaperBrasil - Feira Internacional de Produtos, Serviços e Tecnologia para Escolas, acontece de 28 a 31 de agosto no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Informações: 11-6226-3100.

LITERATURA 

A Universidade do Livro, vinculada à Fundação Editora da Unesp, oferece no fim de agosto um curso que irá discutir o cotidiano da edição de literatura para jovens. Informações: 11-3242-9555.

CURSO 

A PUC-SP está com inscrições abertas para o curso "Orientação profissional: a abordagem sócio-histórica", dirigido a pedagogos e educadores que trabalham com jovens. (www.pucsp.br/cogeae)

ELEIÇÕES 

O Portal Onda Jovem (www.ondajovem.com.br) disponibiliza aos educadores sugestões de atividades para a discussão em aula sobre cidadania e participação política juvenil no Brasil.

VESTIBULAR 

A Fuvest adiou para sexta-feira, dia 25/8, a divulgação do resultado do processo de isenção do pagamento da taxa do vestibular 2007. Informações: www.fuvest.br

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