Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

28/08/2006 – CLIPPING


O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.

FOLHA DE SÃO PAULO – 28/08/2006
Bolsa do MEC beneficia 237 cursos ruins
 

Governo concede bolsas de estudo a alunos carentes de 48% das instituições privadas que obtiveram as piores notas no Enade

Para especialistas, ministério da Educação deveria analisar a qualidade do ensino antes de permitir a adesão ao Prouni

LUCIANA CONSTANTINO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL

O Programa Universidade para Todos, uma das bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha à reeleição, oferece bolsas de estudo a alunos carentes em 237 cursos de ensino superior que tiveram os piores conceitos em avaliação nos últimos dois anos.
Eles representam 48% dos 492 cursos de instituições privadas com as notas mais baixas -1 e 2- no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) de 2004 e 2005. Também foram os que menos agregaram conhecimento aos alunos nos anos da graduação -índice chamado de IDD.
A partir dos resultados do Enade divulgados neste mês, a Folha fez um cruzamento com as instituições que aderiram ao Prouni, como é chamado o programa de bolsas.
Pela lei do Prouni, os cursos com baixo rendimento só poderão ser fechados se tiverem três desempenhos insatisfatórios no Sinaes, sistema de avaliação do ensino superior do qual o Enade faz parte e que conta também com visita de comissões às universidades. A primeira "rodada" do Sinaes se completa só no ano que vem, quando as avaliações de cursos e instituições ficam prontas.
Enquanto isso, as instituições vão usufruir de isenção de tributos fiscais, que é a contrapartida pela concessão de bolsas. Em 2005, o primeiro ano do programa, o governo deixou de arrecadar R$ 105,6 milhões e beneficiou 112.275 alunos com renda mensal per capita de até três salários mínimos (total da renda familiar dividida pelo número de integrantes) em 1.142 instituições.
O número de vagas do Prouni é quase o mesmo que o oferecido pelos vestibulares de todas as universidades federais do país -cerca de 120 mil ao ano.

Controle

Para especialistas e representantes dos estudantes, o governo federal deveria analisar a qualidade do curso antes de permitir a adesão ao Prouni. "Faltou o governo debater mais a qualidade das instituições", diz Romualdo Portela, professor de políticas públicas da Faculdade de Educação da USP.
Para Portela, dar benefício a um curso com baixa qualidade é desperdício de dinheiro. "Esse recurso poderia ser destinado às instituições públicas."
Avaliação parecida tem João Cardoso Palma Filho, professor livre-docente pela Unesp em políticas educacionais. "O projeto tem seu mérito, que é atender os alunos de baixa renda. Mas o governo não se preocupou muito com a qualidade."
"O governo tem de ser rígido, há alunos sendo vítimas de propaganda enganosa", critica o presidente da UNE, Gustavo Petta. "O estudante cria uma expectativa para entrar na universidade e depois vê que o curso não tem qualidade."
Já o coordenador do Movimento dos Sem Universidade, Sérgio Custódio, cobra a atuação do Conselho Nacional de Acompanhamento e Controle Social do Prouni, criado em janeiro e que até agora só teve três reuniões. "Sem o acompanhamento da sociedade civil, problemas como a falta de qualidade nos cursos seguirão."

Bons

O ministro da Educação, Fernando Haddad, diz que o governo adotou uma série de medidas para melhorar a qualidade não só dos cursos do Prouni como de todo o ensino superior.
Se de um lado há 237 cursos com notas baixas, o cruzamento feito pela Folha detectou que na outra ponta estão 196 cursos do Prouni que tiveram os conceitos mais altos -4 e 5- no Enade e no IDD. São 55% dos 358 particulares que atingiram essas notas nas avaliações de 2004 e 2005.
Nesses dois anos, já prestaram o Enade alunos de 7.695 cursos particulares e públicos.
Em cinco áreas -física, medicina, medicina veterinária, odontologia e terapia ocupacional- não houve cursos particulares ruins.
NA INTERNET - Veja a lista com o nome dos cursos na Folha Online
www.folha.com.br/062371.

Para ministro, nota baixa é "sinal amarelo"

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA REPORTAGEM LOCAL

O ministro da Educação, Fernando Haddad, reconhece que cursos com notas 1 e 2 no Enade e no IDD acendem "sinal amarelo", mas acha que só o Sinaes permitirá ao governo tomar providências quanto aos cursos ruins. Ele aguarda o resultado das avaliações das comissões -o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) ainda analisa se houve boicote dos alunos ao Enade.
Para o ministro, foi importante a mudança no critério de seleção dos avaliadores. Eles serão escolhidos pela Comissão Técnica de Avaliação da Educação Superior, constituída na semana passada.
Os avaliadores serão sorteados de um banco de candidatos formado, principalmente, por especialistas com título de doutor e experiência em gestão educacional.
Os relatórios com os conceitos serão públicos. Se o grupo de avaliação der conceito maior que 3 para cursos com notas 1 e 2 no Enade, o MEC pedirá revisão à comissão técnica.

Duas avaliações

O diretor Celso Carneiro Ribeiro, do Departamento de Modernização e Programas da Educação Superior, lembra que a proposta inicial do MEC era excluir do Prouni cursos que tivessem duas avaliações negativas. A mudança para três avaliações negativas foi feita pelos parlamentares.
No Congresso, um novo projeto quer retomar a exclusão após duas avaliações. Ao ser questionado sobre se não deveria haver seleção de qualidade antes da adesão ao Prouni, Ribeiro diz que o ministério considera o Sinaes uma avaliação completa.
O presidente do Semesp (sindicato das instituições privadas de São Paulo), Hermes Figueiredo, concorda com a exclusão dos cursos que fujam às regras do Sinaes, mas acha que o Enade "é só um aspecto da avaliação". "É cedo para dizer que algum curso tenha de sair do Prouni."

Após fechamento de curso, aluna tenta transferência desde o início do ano

DA REPORTAGEM LOCAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Beneficiados pelo Prouni desistiram e até trocaram de área porque cursos fecharam por dificuldades financeiras e eles não encontram instituições que aceitem mais bolsistas. "Vou prestar vestibular de novo e tentar pagar. Pelo Prouni, não dá", reclama Fernanda Coutinho de Abreu, 19, ex-aluna do curso de pedagogia da Faculdade Anglo Latino (São Paulo), que busca outra instituição desde o início do ano.
Sua colega Alexandra Ferreira Solito, 19, teve melhor sorte. Após quase seis meses, a Uninove aceitou sua bolsa. "Ficamos desamparados, o MEC dizia que não podia ajudar." Andreza de Ávila, 19, teve de trocar jornalismo por direito, carreira oferecida pela Unibero. "As universidades dizem que já atendem ao número de bolsas."
O diretor do Departamento de Modernização e Programas da Educação Superior, Celso Carneiro Ribeiro, nega essas dificuldades e diz que, desde que o programa foi criado, cerca de 16 mil já se transferiram. Ele diz que o ministério não pode atuar quando alunos estão matriculados em instituições que não fecharam oficialmente.

FOLHA DE SÃO PAULO – 27/08/2006
Burrice mata

GILBERTO DIMENSTEIN

UM MAGNÍFICO exemplo da combinação entre miséria e incompetência pública é a saúde dos alunos da rede municipal de São Paulo. Atenção, candidatos: esse fato, quase desconhecido, ajuda a entender por que no Brasil os estudantes têm tanta dificuldade de aprender e tanta facilidade de cair na marginalidade, engrossando o clima de violência.
A Secretaria Municipal da Educação constatou que os alunos sofrem dos seguintes problemas:
1) abaixo dos dois anos de idade, 54% têm anemia de ferro. Em média, até os sete anos de idade, a taxa é de 28%. Esse problema se traduz em cansaço crônico e dificuldade de concentração;
2) 20% apresentam algum tipo de verminose;
3) 10% têm deficiência visual;
4) 59% apresentam lesões bucais e cáries.
Mais do que a saúde dos estudantes da cidade mais rica do país -paradoxalmente um centro mundial de medicina- o que chama a atenção é a obviedade de que essas doenças são facilmente tratáveis. Bastaria apenas que as redes públicas de saúde, educação e assistência social trabalhassem em conjunto, sem que se gastasse quase nada a mais.
O resultado é que, por falta de um cuidado básico, milhões de brasileiros não conseguem aprender a ler e a escrever porque enxergam ou ouvem mal. Com o tempo, passam a ser estigmatizados, apontados como relapsos, preguiçosos, vagabundos.
Não falta quem proponha para eles, em nome da excelência acadêmica, a receita mágica da repetência.
Daí a se transformarem em seres raivosos, ressentidos, é apenas um pulo.
Se temos de discutir com um mínimo de profundidade as questões da violência e da educação, somos obrigados a encarar como imprescindível o atendimento integral às crianças e adolescentes, a começar das creches. Mas não é o que se vê no discurso de nenhum dos candidatos; é mais fácil, afinal, falar na repressão.
O criminoso inicia sua formação na família, avança na escola, é estimulado na rua e se aperfeiçoa na prisão -essa é a cadeia que deve ser rompida.
Na coluna anterior, relatei o caso do Jardim Ângela, um conglomerado de favelas da zona sul paulistana, onde a taxa de assassinatos caiu 75%. Nesta semana, o "Financial Times" apontou Diadema, que já foi a cidade campeã de violência no Estado de São Paulo, como um exemplo de solução metropolitana, apesar da escassez de recursos.
Jardim Ângela e Diadema implementaram programas articulados sociais e policiais, a partir da mobilização comunitária -e, só por isso, reduziram rapidamente seus índices de criminalidade.
Em ambos os lugares, a atitude educativa foi o que deu sentido às ações. Educaram-se os policiais a entender a comunidade e educou-se a comunidade a entender os policiais. Lançaram-se programas para jovens em liberdade assistida e ofereceram-se atividades culturais, como o rap e o grafite, complementares à escola.
Os especialistas falam e ninguém duvida de que uma das maneiras de enfrentar o PCC é usar a inteligência policial: ou seja, obter mais e melhores informações, saber como e quando usá-las, além de integrar várias repartições oficiais.
Casos como o de Diadema revelam o poder da inteligência social, a capacidade de, usando poucos recursos, encontrar soluções, tirando o máximo proveito do que está disponível.
Só uma extrema burrice administrativa explica por que uma cidade tão rica como São Paulo, sede de hospitais mundialmente elogiados e de sofisticadas pesquisas em genética, consegue ter tantos estudantes com anemia de ferro e verminoses.
Se isso explica os indicadores educacionais paulistanos abaixo dos de quase todas as capitais nordestinas -perdem de longe para Teresina- também dá uma dica sobre como produzimos o desemprego juvenil e a mão-de-obra tão abundante para o PCC.
A verdade é que burrice também mata.
P.S. - Ainda é pouco, mas vale a pena prestar atenção em uma parceria que se inicia, nesta semana, entre as secretarias municipais da Educação e da Saúde, numa das regiões mais pobres de São Paulo. Estudantes da Faculdade Medicina da Unisa irão ensinar professores da rede pública a detectar doenças e vão ajudar a cuidar dos alunos, encaminhando-os a centros de saúde e hospitais.
Além de ajudarem a comunidade, os universitários têm uma chance de aprendizado de saúde pública.
gdimen@uol.com.br

FOLHA DE SÃO PAULO – 28/09/2006
As virtudes do Enem

PAULO RENATO SOUZA

A EDIÇÃO 2006 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve quase 4 milhões de inscritos. É uma das coisas que mais me orgulha haver criado quando ocupei o Ministério da Educação no governo passado. Em 1998, quando o realizamos pela primeira vez, pouco mais de 100 mil jovens prestaram o exame; em 2002, foram 1,5 milhão.
Dois fatores contribuíram para o salto inicial: a gratuidade para alunos da escola pública, adotada a partir de 2001, e o aumento do número de universidades públicas que aceitaram colocar o Enem como um dos requisitos para o ingresso no ensino superior.
No atual governo, um novo patamar foi alcançado quando o exame passou a ser adotado como um dos critérios de seleção para o acesso ao Prouni, o programa de compra de vagas no sistema privado de ensino superior para alunos carentes.
O Enem tem como ênfase a avaliação do perfil de saída dos egressos do nível médio de ensino. Ele tem vários objetivos. Do ponto de vista dos alunos, o principal é proporcionar uma avaliação do desempenho ao término da escolaridade básica segundo uma estrutura de competências associadas aos conteúdos disciplinares que se espera tenham sido incorporadas pelo aluno para fazer frente aos crescentes desafios da vida moderna.
Não se trata de um exame de suficiência ou de conteúdo. Para efeito de avaliar a preparação do jovem para viver na sociedade do conhecimento, seria inútil medir só a aprendizagem dos conteúdos escolares, uma vez que eles estão em constante mutação.
Adotaram-se aqui conceitos que não são novos na educação, mas que foram aperfeiçoados nas últimas décadas e passaram a ser objetivamente medidos: as habilidades e competências cognitivas desenvolvidas pelos alunos como resultado do processo educativo.
Na mesma direção, o Enem permite ao poder público dimensionar e localizar as lacunas que debilitam o processo de formação dos jovens e dificultam sua realização pessoal e sua inserção no processo de produção da sociedade.
Olhando da perspectiva do sistema educacional, contudo, o principal objetivo do exame é sinalizar para todas as escolas do ensino médio do país o conteúdo da reforma do ensino médio e as habilidades e as competências que, na visão do ministério, deveriam estar desenvolvidas nos alunos ao final do ensino básico. Esse é um aspecto pouco difundido do exame, mas é uma das suas funções mais importantes e, confesso hoje, minha razão maior para implantá-lo.
Eu tinha uma clara lembrança do impacto do vestibular da Unicamp, que tive também a felicidade de criar enquanto reitor da universidade. Naquela ocasião, nós causamos uma mudança importante no ensino médio do Estado ao exigir na primeira fase uma redação que tinha um peso de 50% na nota. Além disso, todas as questões eram dissertativas.
A lição que tiramos daquele processo é que se pode mudar a maneira que as escolas ensinam simplesmente definindo uma prova final atraente para a maioria dos alunos e que aponte o caminho para um ensino baseado no raciocínio, e não na memorização.
Na última edição do Enem, realizado em 2005, cometeram-se dois grandes equívocos: um na prova, outro na divulgação dos resultados.
Na prova, abandonou-se o conceito de avaliação de habilidades e competências básicas, aumentando a avaliação de conteúdos esperados no ensino médio. Aparentemente, esse aspecto será solucionado no exame de 2006, a julgar pelo retorno à equipe técnica de pessoas comprometidas com a concepção original do Enem.
Por outro lado, na divulgação dos resultados, cometeu-se um grave erro metodológico ao comparar escolas, e mesmo sistemas de ensino, a partir dos resultados do Enem.
Este é um exame de alunos, não de escolas, sendo individual e facultativo. A comparação do desempenho de escolas somente pode ser feita se for universal, ou seja, se todos os alunos prestam determinado exame ou se ele é aplicado a uma amostra representativa da escola. Nenhuma dessas duas situações está presente no Enem e, portanto, não há nenhuma base científica para a comparação entre escolas ou sistemas de ensino. Caiu-se na tentação do sensacionalismo, tão prejudicial para o verdadeiro aprimoramento da educação em nosso país.
PAULO RENATO SOUZA , 60, é economista. Foi ministro da Educação (governo Fernando Henrique Cardoso), gerente de Operações do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), reitor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e secretário da Educação do Estado de São Paulo (governo Montoro).

O ESTADO DE SÃO PAULO – 28/08/2006
Enem tem abstenção elevada 

Quase 1 milhão de estudantes, ou 25% dos inscritos, não compareceram; professores consideraram prova difícil 

Quase 1 milhão dos 3,7 milhões de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não fizeram a prova ontem. A estimativa inicial do Ministério da Educação (MEC) é de que a abstenção na prova foi de 25%. A prova, realizada em mais de 800 cidades do País, deixou de ser considerada fácil por professores, como ocorreu nos últimos anos.
Estudantes reclamaram de enunciados longos e professores afirmaram que foi preciso concentração para fazer as 63 questões e a redação. Segundo o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep/MEC), Reynaldo Fernandes, o exame teve a mesma orientação de outros anos. “O importante é que ele tenha uma boa capacidade de discriminação, não pode ser muito difícil nem muito fácil”, disse. Para ele, o número de faltas, que ainda será consolidado, foi “normal” e semelhante ao do ano passado.
Por causa do grande número de inscritos, o governo concedeu 15 minutos de tolerância para o início da prova, que havia sido marcado para as 13 horas. Mesmo assim, houve filas nos locais de exame e atrasos pelo País. Na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), as filas começaram antes do meio dia e tomaram o quarteirão, mas todos conseguiram entrar antes de 13 horas.
“Tinha que ler muito para responder uma pergunta simples, cansava demais”, disse Elvis Ramos de Oliveira, de 26 anos, jornaleiro, que fez a prova na capital. Ele participou do Enem para concorrer a uma vaga no Programa Universidade para Todos (ProUni), que estimula instituições privadas a conceder bolsas a estudantes pobres em troca de isenção fiscal. O ProUni é considerado um dos motivos para a explosão no número de inscritos no Enem em 2005 - quando começou a funcionar - e neste ano. Só quem tem uma boa nota no exame pode concorrer à bolsa.
Segundo alguns candidatos, a redação - que pedia um texto sobre leitura - foi a parte mais complicada da prova. “O tema era muito amplo, pouco objetivo”, disse Erika Mate de Figueiredo, de 20 anos. “Teve textos que eu não entendi, sobre meio ambiente”, completou a recepcionista Mariana dos Santos, de 19 anos, que fez o Enem em Porto Alegre. Para Maria Lúcia Ferreira, os textos estavam “muito intricados”.
“A prova tem ficado cada ano mais difícil”, disse a professora do Objetivo, Vera Lúcia da Costa Antunes. O Enem é interdisciplinar, com questões de múltipla escolha. Seu modelo, com muita interpretação de texto, é elogiado por educadores. A prova não é focada em conteúdo e sim em competências e habilidades.
No exame de ontem, os alunos precisavam interpretar textos de Carlos Drummond de Andrade e Oswald de Andrade. Havia gráficos sobre inflação e algumas questões sobre meio ambiente. Outras perguntas falavam sobre migrações internacionais e experiências de pedágios urbanos.
Em Belo Horizonte, os candidatos reclamaram do enunciado das questões. “Você se perde na hora de ler”, disse Karem Kamal. Lorena Amanda Ventura, de 18 anos, contou que ficou tensa durante o exame porque se surpreendeu com a dificuldade. Em Manaus, os estudantes acharam a prova fácil.

ATRASOS

Na Universidade Nove de Julho (Uninove), na capital, vários candidatos se atrasaram. Carlos Eduardo Laino, de 25 anos, e seu irmão Emerson, chegaram às 13h16 ao prédio e não puderam entrar. “Saímos de casa às 9 horas e pegamos quatro ônibus”, disse Laino, que mora em Itapevi. Outra atrasada, a auxiliar de enfermagem Isabel Correia da Silva, de 40 anos, reclamou dos ônibus. “Fiquei mais de 20 minutos esperando no ponto.” A Prefeitura informou que não aumentou a frota de ônibus, que é reduzida aos domingos, por causa do Enem. Os participantes do Enem receberão suas notas entre 6 a 17 de novembro.

RENATA CAFARDO, EVANDRO FADEL, EDUARDO KATTAH, ELDER OGLIARI, MAIRA ESCOVAR E LIÉGE ALBURQUERQUE

O ESTADO DE SÃO PAULO – 28/08/2006
Uma chance para os mais velhos

Fabiana Cimieri e Maira Escovar 

A prova do Enem confirmou uma tendência que se manifesta desde o ano passado: a do crescimento do número de pessoas mais velhas, com profissões de baixa remuneração, que fazem o exame na esperança de conseguir uma bolsa para cursar a universidade. O resultado do exame e as condições sócio-econômicas dos estudantes - avaliadas por meio de um questionário entregue na hora das provas -, são pré-requisitos para conseguir uma bolsa no Programa Universidade Para Todos (Pró-Uni), mantido pelo Ministério da Educação como maneira de custear o ensino de pobres em cursos superiores particulares.
O aumento da idade média dos participantes do Enem foi visível em vários Estados. Em São Paulo, o segurança Judete Carneiro da Cunha, de 42 anos, fez a prova para tentar uma bolsa em uma faculdade particular de Direito. Ele mora no Jardim Brasil e demorou mais de uma hora para chegar no Centro Universitário Nove de Julho, na Barra Funda, para fazer a prova. “Peguei ônibus e metrô e estava tudo muito lotado.” No Rio de Janeiro, o porteiro Antônio Raimundo da Silva, de 26 anos, também fez as provas de olho no Pró-Uni. Quando concluiu o ensino médio, em 2003, Silva nem tentou o vestibular. Achava que nas universidades públicas - e gratuitas - só entram “filhinhos de papai”. Em Porto Alegre, a técnica em radiologia Mari Speck, de 39 anos, não estuda há 20 anos e sonha com o diploma superior de Enfermagem “para melhorar de vida”.

JORNAL DA TARDE – 28/08/2006
Educando alunos especiais 

Como instituições públicas e particulares de ensino lidam com estudantes excepcionais 

MÁRCIO OYAMA 

A aparição de uma personagem portadora de síndrome de Down na novela Páginas da Vida, da Rede Globo, reavivou a discussão sobre a inclusão social de excepcionais - especialmente crianças -, em todo o País. Na trama de Manoel Carlos, a pequena Clara (Joana Mocarzel), vítima do problema genético, é adotada pela médica Helena (Regina Duarte) depois de perder a mãe no parto e ser rejeitada pela avó.
Para especialistas, além da família, a escola é primordial no processo de adaptação dos pequenos portadores de necessidades especiais à sociedade - e vice-versa. "Como qualquer outra criança, a que tem a síndrome de Down não pode ficar confinada em um ambiente de pouco estímulo. Ela precisa ser inserida no meio de alunos ditos 'normais', com quem vai aprender a correr atrás, a se defender, a lidar com a sociedade real desde cedo", diz a psicóloga Fernanda Travassos Rodriguez, que estuda a questão do deficiente físico e mental há sete anos, para a sua tese de doutorado na PUC-Rio. "A experiência é importante também para os demais estudantes, que passam a respeitar as diferenças e a enxergar o problema com outros olhos, vendo o excepcional de perto."
Segundo Fernanda, as dificuldades de aprendizado dos portadores da síndrome de Down começam a aparecer após a pré-escola. "Até o início da alfabetização, o desempenho dessas crianças é muito bom. Depois, o raciocínio e a memória ficam mais lentos." Surge então a necessidade de um acompanhamento especial, explica a psicóloga. "O ideal é que o aluno tenha atividades paralelas, de preferência com um psicopedagogo, que ajudará no desenvolvimento de suas potencialidades. No exterior, já existe um mediador, uma espécie de tutor, que acompanha o aluno excepcional em sala de aula ou orienta os professores. No Brasil, a prática ainda é pouco conhecida."
Por lei, qualquer escola tem o dever de aceitar estudantes excepcionais. Na Capital, todas as instituições de ensino da rede municipal acolhem alunos especiais, de acordo com a Secretaria de Educação do Município (leia ao lado).
"Se a direção se recusar a matricular o aluno, o pai pode entrar na Justiça", avisa a psicóloga. "No entanto, é preciso ter bom senso. Como será colocar um filho em uma escola que não o quer, que não está preparada para recebê-lo?" Além disso, completa Fernanda, há a questão dos outros pais. "Existe preconceito, sim. Há o mito de que a criança excepcional pode atrapalhar, atrasar a turma. Já ouvi até alguns pais dizerem que a síndrome de Down é contagiosa."
Entre as instituições particulares, duas que têm experiência na educação de estudantes especiais são o Colégio Cidade de São Paulo (3887-0400) e a Prima - Escola Montessori de São Paulo (5563-1392). Nesta última, o atendimento já é feito há 25 anos. Nas duas, os alunos excepcionais são integrados às turmas regulares. "Em geral, as crianças entram na escola ainda pequenas. É o ideal porque, assim, podemos acompanhá-las desde cedo. Temos um ex-aluno com síndrome de Down que estudou 14 anos conosco e acaba de ingressar no mercado de trabalho", conta Edimara de Lima, diretora pedagógica da Prima.
Alguns colégios ainda mantém programas de assistência a entidades que cuidam de portadores de necessidades especiais, envolvendo alunos voluntários. No Santa Maria (5687-4122), estudantes de 5ª, 7ª e 8ª séries desenvolvem trabalhos com três associações. Uma delas é a Adere (Associação para Desenvolvimento, Educação e Recuperação do Excepcional), que recebe a visita semanal de alunos da 8ª série. "Eles ajudam as crianças da entidade a fazer trabalhos manuais, que geram renda, como caixas de cipó e mosaicos", conta o professor de Religião do colégio José Antônio Pinedo Cervigón. "O projeto desperta a solidariedade nos estudantes, que ficam mais sensíveis ao outro." Na última quarta-feira, a escola promoveu a 3ª Copa Inclusiva Adere de Futsal, que teve a participação de quatro entidades de apoio a excepcionais e quatro escolas particulares. Em cada time, jogadores especiais e 'normais'.

Escolas municipais têm atendimento direcionado 

107 Emefs oferecem atividades extras a excepcionais 

Pais de estudantes excepcionais - como portadores da síndrome de Down - que pretendem matricular os filhos em escolas públicas do Município podem procurar qualquer unidade regular da rede, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação.
Em todas as escolas, os alunos especiais são inseridos junto aos demais estudantes. Em 107 instituições de ensino fundamental (Emefs) da Capital, existem Salas de Apoio e Acompanhamento à Inclusão (Saais), que oferecem atividades extras aos excepcionais.
Quando a unidade não dispõe de uma Saai, esses alunos são atendidos pelo Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão (Cefai) montado nas 13 Coordenadorias de Educação da rede. Além disso, professores ligados aos Professores de Apoio e Acompanhamento à Inclusão (Paais) visitam as Emefs sem as salas especiais para orientar os educadores. Existem 13.864 alunos deficientes matriculados na rede municipal, que são atendidos por 453 profissionais especializados.

JORNAL DA TARDE – 28/08/2006
NOTAS

Cigarro: alunos fazem pesquisa 

Alunos do ensino fundamental do Colégio Santo Américo fizeram uma pesquisa na escola sobre tabagismo, por causa do Dia de Combate ao Fumo, celebrado amanhã. Dos 133 estudantes pesquisados, 27 disseram ser fumantes. A maioria alegou que começou a fumar por influência de colegas.

Arte-educação em workshop gratuito 

O Museu de Arte Moderna de São Paulo promove no dia 2 de setembro, sábado, das 10h às 15h, um workshop gratuito de arte-educação com a arte-educadora e artista plástica dinamarquesa Anna Marie Holm, autora do livro 'Fazer e Pensar Arte'. Com a equipe de 10 educadores do museu, Anna Marie trabalhará com dinâmicas contemporâneas baseadas nas experiências realizadas em seu ateliê na Dinamarca. Mais informações pelo telefone 5549-9688.

Cursos nas áreas cultural e editorial 

A Universidade do Livro abre em setembro cinco cursos destinados aos profissionais e futuros profissionais das áreas cultural e editorial interessados em aperfeiçoar seus conhecimentos ou ingressar no mercado de trabalho. O primeiro, no dia 12, é o 'Cultura é um bom negócio: lei federal de incentivo à cultura', que tem como objetivo informar sobre a elaboração de projetos e utilização da Lei Rouanet. Informações pelo telefone: 3242-9555.

Aulas gratuitas de Word, à distância 

O Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) está com inscrições abertas para o curso à distância de Word, programa de computador utilizado na edição de textos. O curso é gratuito e tem duração média de dez horas - o estudante pode conclui-lo em dez dias. Para participar, os interessados devem ser cadastrados para estágio na instituição (o cadastro também é gratuito) e inscrever-se no site www.ciee.org.br.

JORNAL DA TARDE – 28/08/2006
Como lidar com a 'culpa de mãe' 

Içami Tiba 

Por que a mãe se responsabiliza pelo que acontece com seus filhos? Porque está é a função que desde jurássicas épocas a mãe assumia, enquanto o homem provia a casa. Nestas épocas não se conhecia a paternidade. A mãe sempre reconhecia seus filhos. Os homens provedores poderiam ser qualquer macho fisicamente mais forte que as mulheres. As mães, então, controlavam os filhinhos para que não saíssem por onde tivessem vontade e que fosse perigoso. Hoje, a mulher que trabalha fora não pode se sentir responsável se seu filho se machuca em casa. Não é falha dela, portanto não tem que se culpar. Ela trabalha porque precisa ajudar na economia da família e, às vezes, por rejeitar ser "rainha (escrava) do lar". Enquanto ela estiver sob a ação da progesterona, esta culpa pode ser fortemente biológica. Mas depois que ela se acostuma à maternagem, passa a ser também pelo hábito, amor, história antropológica, pressão social, etc. A mãe tem o mesmo direito que o pai de chegar em casa e procurar o repouso da guerreira. A responsabilidade da casa agora tem que ser dividida no mínimo entre os guerreiros e no máximo pelos que em casa ficaram. Se o filhos ficam em casa, são responsáveis por ela e não dos pais que ficaram fora.

JORNAL DA TARDE – 28/08/2006
Enem tem abstenção de quase um milhão
 

Por causa do grande número de candidatos, houve tolerância de 15 minutos para entrar 

Renata Cafardo e Maira Escovar 

Quase 1 milhão dos 3,7 milhões de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não fizeram a prova ontem. A estimativa inicial do Ministério da Educação (MEC) é de que a abstenção na prova foi de 25%. O exame, realizado ontem em mais de 800 cidades do País, deixou de ser considerado fácil por professores, como ocorreu nos últimos anos.
Estudantes reclamaram de enunciados longos e professores afirmaram que foi preciso concentração para fazer as 63 questões e a redação. Mas os candidatos tiveram uma chance a mais para chegar aos locais de prova, que estava marcada para iniciar às 13h. "Deram 15 minutos de tolerância, mas mesmo assim muita gente ficou de fora", conta a estudante Heloisa Improta Dias, 16 anos, que fez a prova no Centro Universitário Nove de Julho (Uninove), na Barra Funda. "Só na minha sala cerca de dez pessoas não chegaram a tempo", contou.
Carlos Eduardo Laino, 25 anos, e seu irmão, Emerson, chegaram às 13h16 ao prédio da Uninove e não puderam entrar. "Saímos de casa às 9h e pegamos quatro ônibus", disse Laino, que mora em Itapevi e foi selecionado para fazer a prova na Zona Oeste. Outra atrasada, a auxiliar de enfermagem Isabel Correia da Silva, 40 anos, reclamou dos ônibus na Cidade. "Fiquei mais de 20 minutos esperando um deles chegar."
As filas também assustaram os candidatos. "Fiquei esperando um tempão para entrar porque a fila dava a volta no quarteirão", conta Andreza de Oliveira Rodrigues, 20 anos, que fez a prova na Uninove.
Na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Perdizes (Zona Oeste), a fila para entrar dava voltas por todo o quarteirão.
O motivo para a explosão no número de candidatos no Enem tanto em 2005 - quando começou a funcionar - quanto neste ano é o Programa Universidade para Todos (ProUni), que estimula instituições privadas a conceder bolsas a estudantes carentes em troca de isenção fiscal. Só quem tem boa nota no exame pode concorrer à bolsa.
Everson Adriano de Camargo, 29 anos, instrutor de informática, foi um dos candidatos que fizeram a prova na esperança de conseguir a bolsa. "Nem fiz curso preparatório para o exame, estudei sozinho."

Mais difícil

Os candidatos consideraram a prova bem elaborada, porém muito extensa. "Tinha de ler muito para responder uma pergunta simples, cansava demais", diz Elvis Ramos de Oliveira, 26 anos. O Enem é uma prova interdisciplinar, com questões de múltipla escolha e uma redação. Seu modelo, com muita interpretação de texto, é elogiado por educadores, pois a prova não é focada em conteúdo, e sim em competências adquiridas ao longo do ensino médio.
A parte mais difícil da prova, segundo os candidatos, foi a redação. "O tema era muito amplo, pouco objetivo", opina Erika Mate de Figueiredo, 20 anos. O tema da redação foi a transformação da leitura.

Resultado

O resultado do exame vai ser publicado no site www.enem.inep.gov.br, a partir de 6 de novembro.

Unesp recebe hoje pedidos de isenção 

A Fundação Vunesp, responsável pelo vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), abre hoje o período para solicitar isenção da taxa de inscrição para o processo seletivo deste ano. Os interessados devem retirar e preencher um formulário nos postos da faculdade até o dia 8 de setembro. No total, serão concedidas 6.189 isenções.
Para conseguir o benefício, os vestibulandos precisam atender algumas exigências da Vunesp: ter concluído o ensino médio em escola pública, em instituições particulares, mas com bolsa de estudos integral, ou ter cursado supletivo.
O resultado será divulgado no dia 15 de setembro, e a relação dos contemplados pela isenção será afixada nos mesmos locais de inscrição.
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) abre hoje as inscrições para o seu vestibular, que vão até o dia 6 de outubro. Para se inscrever é preciso acessar o site www.comvest.unicamp.br, onde é possível baixar gratuitamente o manual do candidato. A taxa de inscrição é custa R$ 100.

JORNAL DA TARDE – 27/08/2006
NOTAS

Quando a burocracia... 

EDUCAÇÃO (1) 

O programa federal ProJovem é um curso de 12 meses que incentiva jovens de 18 a 24 anos a voltar aos estudos para completar o ciclo fundamental, mediante bolsa de R$ 100. Estranhamente, iniciou a turma/2007 com apenas 12 mil alunos, dos 30.295 inscritos. A Sec. Munic. da Ass. e Des. Social, responsável pela sua execução na Cidade, foi apurar os motivos.

...emperra uma boa idéia 

EDUCAÇÃO (2) 

Descobriu que o nó estava na exigência de uma carta para o candidato fazer a matrícula, vinda de Brasília a partir das inscrições nos locais de origem. A burocracia não atinou que jovem carente, conforme onde mora, não pode fornecer endereço adequado, segundo as normas postais. As cartas não chegavam ao destino. Agora a exigência foi derrubada. Infelizmente, só vale para SP.

JORNAL DA TARDE – 27/08/2006
Gestão participativa fez a diferença em escola estadual 

MARIA REHDER

Banheiros limpíssimos, cujas paredes oferecem aos alunos a sensação de estar no fundo do mar do desenho animado A Pequena Sereia. Uma equipe pedagógica unida que zela pela autonomia de seus professores em aula e índice nulo de evasão escolar.
Essa é a realidade que a reportagem do JT encontrou ao visitar a EE José Maria Reys, Zona Norte, que conta com cerca de 800 alunos de 1ª à 4ª série. Entretanto, os funcionários que atuam há mais de 15 anos na escola ressaltam que foi um modelo de gestão participativa - implementado há 3 anos por uma nova diretora - o grande responsável por uma série de melhorias.
A vice-diretora Eliana M. de Oliveira, que trabalha há 26 anos na EE José Maria Reys, explica que a escola sempre foi boa, mas somente há 3 anos conseguiu participar do processo pedagógico. "Como as gestões anteriores eram rígidas, ninguém podia colocar novas idéias em prática."
Descer as escadas só para ver se ninguém subia para conversar com a coordenadora fazia parte da rotina diária da vice-diretora Eliana. "É difícil acreditar que mesmo no comando da coordenação nunca pude participar de cursos fora da escola. Apenas tínhamos de zelar pela ordem", diz a coordenadora pedagógica Angela Martins, que atua há 19 anos na escola.

Ambiente hostil

Há cerca de 3 anos, a educadora Iris Regina Cabezón, que atua há 22 anos na rede estadual de ensino, encontrou um ambiente hostil ao assumir a direção da EE José Maria Reys. "Para a minha surpresa, os funcionários e a comunidade estranharam a minha maneira de gerir, cuja prioridade não é impor, mas atuar em parceria", explica
Para driblar a resistência, Iris apostou em algumas ferramentas de gestão que trouxeram resultados. "Como eu tinha o facilitador de 95% da equipe ser composta por professores efetivos, passei a trabalhar a auto-estima do grupo e os incentivei a trazer novas idéias não só para classe, mas para toda a escola."

Resultados

Aos poucos, a equipe de funcionários se apropriou do espaço dado pela diretora. "Os pais, antes resistentes, logo foram atraídos, pois desde a fachada até os banheiros ganharam vida com novas cores." Já na pedagogia, a ênfase foi na alfabetização. "Com base no construtivismo, em vez de garantir o entendimento das letras, investimos na competência leitora", diz Iris.
A adesão da equipe pedagógica a este novo modelo pedagógico foi tão grande que a coordenadora Angela - a quem nunca havia sido dado a oportunidade de capacitação -, hoje é a única professora da região a assumir o cargo de capacitadora do curso Letra e Vida da Secretaria Estadual de Educação. "Ao ter acesso à novas práticas de ensino, me envolvi tanto que me convidaram para formar professores", diz.
Para a professora da 1ª série Maria Helena Posseti, que atua há mais de 30 anos na rede estadual, as mudanças foram positivas. "Tive dificuldades com o construtivismo, pois, na minha opinião, o método tradicional de ensino trazia resultados. No entanto, a coordenação me incentivou e aos poucos notei que os alunos passaram a aprender mais com a nova pedagogia, que prioriza atividades lúdicas."

Mãe de aluno se surpreende com a escola 

Para Maria Rita M. Ribeiro, mãe de Vinícius, 8 anos, o acolhimento da equipe pedagógica EE José Maria Reys foi fundamental para que seu filho não estranhasse a transição de uma escola particular para a rede pública de ensino. "Confesso que foi muito difícil para mim ter de tirá-lo da rede privada, mas como passamos por problemas financeiros, não tive opção", conta.
Ao fazer a busca das escolas públicas da região, Maria Rita conta que se surpreendeu com a EE José Maria Reys. "Quando entrei para falar com a diretora, ela me recebeu em sua sala e sem burocracia no dia seguinte já consegui a vaga para o meu filho", afirma.
No entanto, a mãe de Vinícius explica que estava com medo do menino não se adaptar a uma escola pública. "Expliquei para a diretora que talvez ele estranhasse a merenda, eu estava com muito medo. Mas ela me garantiu que ele não teria problemas e realmente foi o que aconteceu. Não só a merenda é ótima, mas o espaço físico é limpo e conservado. Sem falar que as aulas são dinâmicas. Nesta semana mesmo a turma foi até o Parque da Mônica", comenta.

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