Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo

28/09/2006 – CLIPPING

 

O Clipping Educacional do SINPEEM tem como finalidade
manter os profissionais de educação filiados ao sindicato informados
sobre as publicações diárias dos principais jornais impressos e sites
sobre a área de educação. Portanto, os textos apresentados
não expressam a opinião do SINPEEM.


FOLHA DE SÃO PAULO – 28/09/2006
Alunos de escola de lata e de CEU têm desempenho igual

Levantamento foi feito com base nas notas obtidas pelos estudantes na Prova Brasil

Para educadores, comparação mostra que, além de infra-estrutura, é necessário investir em projeto pedagógico

DANIELA TÓFOLI
FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL

O desempenho dos alunos que estudaram nas improvisadas escolas de lata da cidade de São Paulo é praticamente o mesmo dos matriculados nos CEUs, centros educacionais que custaram em média R$ 17 milhões e possuem uma infra-estrutura diferenciada, com bibliotecas, teatro e laboratórios.
Levantamento feito pela Folha com base na Prova Brasil (exame promovido pela União) aponta que a diferença das médias dos estudantes dos dois modelos ficou em cerca de 2%, em favor dos CEUs. A diferença, segundo os próprios organizadores da prova, que abrange matemática e português, é estatisticamente irrelevante.
Nos CEUs, a média em língua portuguesa foi de 162,74, contra 159,02 nas de lata (variação de 2,28%). Em matemática, as notas foram, respectivamente, 169,37 e 165,45 (variação de 2,31%). A média da rede pública também é similar (160,42 em português e 166,86 em matemática). Os exames foram aplicados à quarta série do ensino fundamental. As notas variam de zero a 325 (português) e zero a 350 (matemática).
Para educadores, os dados mostram que a qualidade do ensino municipal é baixa -São Paulo ficou em 21º no exame, considerando as 26 capitais do país e o Distrito Federal. Abrangendo a rede pública, a Prova Brasil foi aplicada pela primeira vez em novembro de 2005, o que impede a comparação com períodos anteriores.
Consideradas o "inferno" por esquentarem demais no verão, serem frias no inverno e barulhentas quando chove, as escolas de lata foram feitas para atender a demanda na gestão Celso Pitta (hoje no PTB), mas continuaram funcionando. A Secretaria da Educação diz que a última será desativada hoje.
Já os CEUs, apelidados de "paraíso" por pais e alunos, contam com salas de aula arejadas, piscinas e até pista de skate. Essas escolas, que começaram a funcionar em 2004 na gestão Marta Suplicy (PT), têm cursos de música e artes. Na época, a oposição questionou os gastos argumentando que seria possível construir cerca de dez escolas "normais" com os recursos de um único CEU.
A reportagem entrevistou sete educadores para analisar os dados do exame. Todos dizem que a infra-estrutura é importante para o desenvolvimento social das crianças, mas só o incentivo aos professores e uma melhor organização pedagógica podem fazer diferença no aprendizado dos alunos.
"A latinha é condenável, é uma falta de dignidade. Mas esses números mostram que, mais do que piscina ou teatro, os alunos precisam de bons professores", diz Ana Rosa Abreu, do Instituto Sangari, coordenadora dos parâmetros curriculares nacionais.
O levantamento da Folha abrangeu notas de 20 CEUs e 26 escolas de lata que funcionavam em novembro e cujos cadastros eram os mesmos tanto no banco de dados da Prova Brasil quanto da secretaria.

Investir em estrutura não basta, dizem educadores

É preciso melhorar condições de trabalho dos professores e a organização pedagógica

"Escola precisa ser um lugar para que jovem se desenvolva como um todo, e não só em português ou matemática", diz professora

DA REPORTAGEM LOCAL

Investimentos em bibliotecas, oficinas de arte e quadras é importante para que as crianças tenham condições de se desenvolverem socialmente. Mas não bastam. Para melhorar os conhecimentos dos alunos em disciplinas como língua portuguesa e matemática, é preciso atuar nas condições de trabalho dos professores e na organização pedagógica.
Essa é a análise feita por educadores entrevistados pela Folha sobre a comparação entre as notas médias dos CEUs e as das escolas de lata. Eles dizem que a Prova Brasil avalia apenas o desempenho acadêmico, não levando em conta problemas decorrentes da precariedade das unidades de lata.
"Certamente, as crianças que estudaram em escolas de lata terão problemas até de saúde, principalmente por causa do barulho", disse Helena Albuquerque, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP.
"Além disso, dificilmente esses estudantes terão lembranças gostosas dos momentos na escola. Isso pode desestimulá-los a continuar os estudos."
A professora da Faculdade de Educação da USP Silvia Colello afirma que "uma criança no CEU tem muito mais condições de se desenvolver culturalmente e até fisicamente".
"Em uma simples aula de educação física, a criança consegue aprender a seguir regras, devido ao esporte", diz Colello. "A escola precisa ser um lugar para que o jovem se desenvolva como um todo, e não só em português ou matemática."
Lisandre Castello Branco, também da USP, concorda. "Não adianta uma estrutura magnífica sem um profissional competente." "Mas não há como negar que uma criança com acesso a equipamentos culturais e esportivos terão uma formação social mais ampla."
Para Artur Costa Neto, membro do Conselho Municipal de Educação, o investimento nos CEUs foi uma política "correta", pois melhorou as condições culturais e de lazer para a periferia.
Para o diretor de avaliação da educação básica do Inep (instituto de pesquisas do Ministério da Educação), Amaury Gremaud, os dados mostram que é possível fazer um bom trabalho em condições adversas. Cita a escola de lata Rogê Ferreira (leia nesta página). "Por outro lado, se não houver um bom projeto, um espaço como o CEU pode ficar subutilizado."
Alcir Ferreira, diretor de ensino fundamental do CEU Meninos, o que teve melhor desempenho na avaliação, com 176,42 pontos em português e 191,61 em matemática, confirma que o sucesso dos alunos na avaliação se deve mesmo à dedicação dos professores e a um projeto que divide as turmas segundo graus de dificuldades por matérias. "A infra-estrutura ajuda o trabalho, que é muito mais diversificado, mas o fundamental é a formação e o estímulo do corpo docente."
O benefício de ter uma escola com espaços diferenciados é poder acostumar as crianças, desde pequenas, a uma formação cultural e esportiva. Na tarde de terça, quando a reportagem visitou a unidade, alunos de 3 anos escolhiam livros na enorme biblioteca, acompanhados da professora. "São estímulos importantes, que servirão para a vida toda."
Esse tipo de estímulo, os estudantes da Emef Jardim das Laranjeiras, em São Mateus, na zona leste, não tiveram. Há dez dias eles estudam na nova escola de alvenaria mas, até então, tiveram de conviver apertados no colégio de latinha e passaram os últimos meses sem ter a sala de leitura.
"Para construir a nova unidade, precisaram cortar a escola ao meio. A diretoria e a secretaria ficaram na sala de leitura. A equipe teve de se organizar para levar o projeto pedagógico adiante", diz a diretora, Luciane Souza."
Elton, 12, aluno da 6ª série, mal acredita que hoje tem uma sala de aula "de verdade". "Era quente demais na latinha e tinha pouco espaço, ficava difícil prestar atenção." (DANIELA TÓFOLI E FÁBIO TAKAHASHI)

Mérito é do corpo docente, diz secretário

DA REPORTAGEM LOCAL

O mérito do bom resultado das escolas de lata na Prova Brasil é do corpo docente, afirma o secretário municipal da Educação da gestão Gilberto Kassab (PFL), Alexandre Schneider. "Assumi há seis meses, e o exame ocorreu antes de eu chegar, mas acho que o desempenho se deve ao esforço dos professores. Uma escola precisa de condições para funcionar, claro. Só que é a equipe que faz a diferença."
A secretária de Educação da gestão Marta Suplicy (PT), Cida Perez, disse não ter ficado surpresa com o fato de os CEUs terem nota semelhante ao do resto da rede.
"Os CEUs foram feitos como pólos culturais e esportivos. Alunos de 30, 40 escolas do entorno podem utilizar as unidades. Não queríamos beneficiar só os matriculados dos CEUs, mas todos os estudantes da região", disse.
Peres afirmou também que não poderia esperar a substituição de todas as escolas de lata para começar a construir os CEUs, porque essas unidades estavam em locais onde era difícil encontrar terreno para fazer as escolas. "Tínhamos de atacar todos os problemas."
Secretário na gestão José Serra (PSDB), José Aristodemo Pinotti diz que os resultados da avaliação -aplicada em 2005, no final do primeiro ano da gestão tucana- mostram que sua administração estava no caminho certo. "Priorizamos o corpo docente e o projeto pedagógico em vez da infra-estrutura. Criamos o projeto São Paulo é uma Escola, no qual qualquer espaço da cidade pode se tornar um local de aula interessante. Não precisa ser o CEU." (DT e FT)

Notas não são surpresa, diz secretária

DA REPORTAGEM LOCAL

A secretária de Educação da gestão Marta Suplicy (PT), Cida Peres, disse não ter ficado surpresa com o fato de os CEUs terem nota semelhante ao do resto da rede. "Os CEUs foram feitos como pólos culturais e esportivos para 30, 40 escolas cada um. Não queríamos beneficiar só os matriculados nas unidades, mas sua região."
Secretário na gestão José Serra (PSDB), José Aristodemo Pinotti diz que os resultados da Prova Brasil -aplicada em 2005, no final do seu primeiro ano de gestão- mostram que sua administração estava no caminho certo. "Priorizamos o corpo docente e o projeto pedagógico em vez da infra-estrutura", diz. "Criamos o projeto São Paulo é uma escola no qual qualquer espaço da cidade pode se tornar um local de aula interessante. Não precisa ser o CEU", afirma Pinotti.
O secretário do prefeito Gilberto Kassab (PFL), Alexandre Schneider, que assumiu há seis meses, diz que o mérito do bom resultado das latinhas é do corpo docente. (DT e FT)

Melhor escola de lata credita nota a aulas extras

DA REPORTAGEM LOCAL

Nem o calor excessivo nem a falta de espaço de um colégio de latinha foram suficientes para que os alunos da escola municipal de ensino fundamental Rogê Ferreira, no Jardim Panamericano, zona norte da cidade, desanimassem da escola.
Não só não desanimaram como levaram os estudos a sério e conseguiram a maior pontuação na Prova Brasil entre as escolas de lata e também entre as unidades dos CEUs.
Com 190,48 pontos em português e 196,87 em matemática, seus estudantes da 4ª série também superaram a média nacional (172,91 e 179,98 pontos, respectivamente).
O sucesso, afirma o diretor da unidade, Fernando José Mendonça de Araújo, acontece por vários fatores, mas, principalmente, pelo fato de o corpo docente ser fixo e de o projeto da escola nunca ter se limitado à estrutura física.
"Mesmo em uma escola de lata, tínhamos várias atividades, como ateliê de artes e coral", conta. "A falta de um espaço adequado nunca foi desculpa para não realizarmos um trabalho sério e dedicado."
As crianças na Rogê Ferreira são alfabetizadas ao mesmo tempo em que aprendem a ler uma partitura, e a vontade de conhecer determinada música faz com que tenham mais empenho na alfabetização. "Uma coisa puxa a outra, e elas vão aprendendo sem traumas", diz Araújo. "Adotamos a técnica há alguns anos, e tem dado certo."
Um projeto pedagógico consistente, que superasse as limitações de infra-estrutura, só foi possível, afirma, porque os professores eram titulares. "Quando o corpo docente não muda toda hora, é muito mais fácil montar uma proposta a longo prazo e colocá-la em prática. É assim que os bons resultados aparecem."
Outra tática da escola é a de acompanhar de perto, com atendimento individual, os estudantes que apresentam algum tipo de defasagem. "Temos uma sala especial, com uma professora preparada, para aqueles que estão com alguma dificuldade. Um aluno não pode ir para um novo tópico da matéria se não entendeu direito o anterior."

Violino e letreiro
Estudando em uma escola de latinha durante anos, apenas em fevereiro os alunos da Rogê Ferreira ganharam um colégio de alvenaria. Que também não é como os outros. Logo na entrada, há um letreiro luminoso com recados dirigidos aos pais, como as atividades extra-classe que ocorrerão no mês.
"A interação com a comunidade é fundamental. Ela é nossa parceira, e não podemos deixá-la de fora do processo", diz o diretor. "Aqui, fazemos questão de que os pais participem."
Na parte de dentro da nova escola, mais surpresas: a sala de música conta com três violinos, recém-adquiridos, além de teclados e violões. "Está melhor estudar aqui, tem muito mais espaço, e a biblioteca é melhor", diz Gian, 11, da 4ª série, que adora as aulas de português. "Vai dar para aprender ainda mais." (DT)

FOLHA DE SÃO PAULO – 28/09/2006
MEC quer disseminar no país modelo adotado por colégio com maior nota

Proposta é enviar pesquisadores às cinco regiões para averiguar projetos

LUCIANA CONSTANTINO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Pesquisar projetos e ações que ajudem a melhorar o aprendizado de alunos em escolas públicas e que possam servir de estímulo a boas práticas educacionais no país.
Esse é o objetivo de uma pesquisa que começou a ser feita pelo governo federal em parceria com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e o Banco Mundial. Para isso, serão visitadas 36 escolas públicas de ensino fundamental (da 1ª à 8ª série) selecionadas entre as que tiveram melhores médias na Prova Brasil 2005.
A proposta é enviar pesquisadores a todas essas unidades -nas cinco regiões brasileiras- para averiguar as ações e os projetos que estão influindo no desempenho dos alunos. "A idéia é fazer estudo de caso de sistemas municipais e escolas com bons resultados na avaliação nacional para disseminar boas práticas", diz o ministro Fernando Haddad (Educação).
Também serão avaliados sistemas municipais de ensino -número de cidades visitadas ainda será definido.

Metodologia

Para chegar às unidades de destaque avaliadas na pesquisa, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais fez uma classificação entre as quase 41 mil escolas públicas que tiveram turmas inscritas na Prova Brasil do ano passado.
O exame avaliou alunos de 4ª e 8ª séries nas disciplinas de língua portuguesa e matemática. Além das notas dos estudantes, foram incluídas outras variáveis na seleção. Entre elas estão indicadores socioeconômicos dos municípios e o perfil familiar. Foram selecionadas 200 escolas e, a partir dessas, as 36 que serão visitadas.

O ESTADO DE SÃO PAULO – 28/09/2006
Para bons alunos, até curso de graça
 

Faculdades dão bolsas e descontos para os melhores no vestibular a fim de melhorar desempenho no Enade

Simone Iwasso

Em busca de boas referências no mercado, impacto favorável na comunidade e resultados positivos em avaliações como o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), instituições de ensino superior têm usado uma estratégia diferente: dar bolsas integrais para alunos com bom desempenho no vestibular. Em alguns locais, como a Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), há turmas inteiras formadas por estudantes que não pagam mensalidade.
Eles pagam apenas R$ 30 pela taxa de inscrição no vestibular e fazem a prova. Os 30 melhores, desde que acertem pelo menos 50% do exame, fazem toda a graduação nos cursos de História, Geografia, Economia, Serviço Social e Música sem pagar. 'É um programa diferenciado, relacionado com o nosso plano de desenvolvimento institucional', explica a reitora da Unicsul, Suely Marquesi. A instituição colhe os resultados. Pode dizer que o curso de Geografia, o primeiro a ter esse tipo de bolsa, recebeu avaliação 5, a nota máxima, no último Enade.
Na Anhembi Morumbi existem 60 bolsas integrais para quem tiver as melhores notas no vestibular geral. 'Queremos os melhores alunos. Esse é o nosso objetivo, primar pela excelência acadêmica. Por isso temos as bolsas, que são distribuídas entre os cursos', afirma Mayra Simões, diretora de Marketing da instituição. Ela conta também que a faculdade terá 160 bolsas para atletas.
A Universidade São Marcos, a Universidade de Uberaba (MG) e o Centro Universitário UniFieo, em Osasco, também concedem bolsas aos estudantes pelo mérito no vestibular.
'Queremos formar bons profissionais, ter um diferencial no mercado. Esse aluno, quando começar a trabalhar, mostrará no mercado que teve um bom curso', diz Mariana Hungria, coordenadora do Centro de Análises de Benefícios da UniFieo. Lá, as bolsas vão para os cursos de História, Matemática e Geografia, que a instituição começou a oferecer neste ano, e de Engenharia de Telecomunicações.
Em todas elas, não basta o bom desempenho no vestibular para fazer toda a graduação com a bolsa. O estudante precisa manter sempre uma média alta e não pode repetir em nenhuma disciplina. 'Fiz vestibular pensando na bolsa. No começo não acreditei muito, mas decidi estudar bastante. Foi bem disputado, conheci várias outras pessoas que só tentaram por isso', conta Rosana Ferreira Rosa, aluna do primeiro ano de Geografia da Unicsul.
As bolsas, segundo Carlos Monteiro, da CM Consultoria, são mais uma estratégia das instituições para se destacar no mercado. 'A instituição melhora o nível das aulas, consegue boas notas em avaliações e ainda chama atenção de outros alunos para seu curso', diz.
Segundo a educadora Regina Vinhais, da Universidade de Brasília (UnB), trata-se de uma forma puramente empresarial de ver a bolsa de estudo. 'Não posso condenar um empresário, dono de uma instituição, que faz isso. Mas é um recorte, é enxergar as bolsas como um negócio que, além de manter um bom padrão, garante um retorno.'

Federal expulsa dois por trote

Ricardo Westin

Dois alunos do curso de Agronomia foram expulsos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em Minas Gerais, por terem obrigado um calouro a se deitar, sem camisa, sobre um formigueiro. É a primeira vez, na história da UFU, que estudantes perdem suas vagas por causa de um trote. A prática está proibida na universidade desde 1993.
Só foram expulsos os líderes da 'recepção'. Outros 13 alunos, que também participaram, receberam suspensão de quatro meses.
Segundo a universidade, o calouro recebeu 250 picadas de formigas, foi internado e só não morreu porque não era alérgico.
A expulsão foi decidida anteontem pela reitoria da UFU, após ouvir cerca de cem testemunhas. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

JORNAL DA TARDE – 28/09/2006
Mentira pode ser fuga ou dificuldade

MAÍRA TEIXEIRA

O professor consegue identificar quando um aluno está mentindo para não entregar uma tarefa, ou sobre uma prova que não foi assinada pelos pais por causa de um nota baixa ou em alguma outra situação especifica? Para Ângela Soligo, professora e coordenadora da Faculdade de Educação da Unicamp, é possível, sim, identificar quando o aluno usa uma mentira de ocasião para se livrar de alguma responsabilidade.
'É claro que todo mundo esquece coisas em casa, esquece de fazer algo e isso é completamente normal. Mas quando esse esquecimento passa a ser corriqueiro surge a desconfiança. Acho decisivo, para a solução do problema, que o professor, tenha 'tato' e sensibilidade nesse momento para lidar com a situação', ressalta a educadora.
Ela explica que a relação professor/aluno é construída com base na confiança e por isso se deve evitar um enfrentamento.
'Quando o professor fica em dúvida se o aluno está mentindo, a melhor saída não é procurar a confirmação dos pais, mas observá-lo. A atitude de procurar os pais deixa claro que o professor não acreditou no aluno. E, pior, desmascara a mentira e coloca em dúvida a relação entre os dois. O resultado é uma crise séria na relação.'
Ângela explica que o professor que desconfia do aluno e deixa isso explícito cria um acordo tácito em que 'libera' o aluno para mentir pelo simples fato de não haver confiança mútua.
O melhor que o professor pode fazer nesses casos é colocar a responsabilidade do aluno em primeiro lugar; jogar para ele o problema questionando como resolver a situação, evitando, ainda, de mostrar claramente que não acreditou na desculpa. Pode-se perguntar o que ele pode fazer para evitar novos esquecimentos, ou seja, futuras mentiras.

Fuga da responsabilidade

Quando o aluno mente freqüentemente, tal atitude pode demonstrar alguma dificuldade de aprendizagem. Isso pode levá-lo a deixar de fazer algo porque, simplesmente,não se acha capaz. 'Por isso é preciso observar bem. O simples policiamento e cobranças não educam. É preciso fazer com que o estudante entenda que só depende dele apresentar o que é pedido pelo professor', diz .
Silvana Martani, psicóloga clínica da Beneficência Portuguesa, explica que a mentira pode, também, ser um sintoma de algum problema emocional. 'Um aluno que está na puberdade ou na adolescência (dos 10 aos 17 anos) já sabe que toda mentira tem uma conseqüência. Então, quando inventa alguma coisa é porque não se sente capaz de fazer ou enfrentar algo sozinho. Aí surge a insegurança que prejudica o conhecimento. '
Silvana diferencia a mentira dita por uma criança da de um adolescente. 'A criança mente porque mistura a fantasia com a realidade, enquanto na adolescência ou puberdade as mentiras são utilizadas para fugir de alguma responsabilidade.'
Outro fator que está diretamente ligado às mentiras recorrentes, segundo a psicóloga, é a baixa auto-estima. Quando as mentiras fazem parte da rotina do estudante é preciso encaminhá-lo a um psicólogo para verificar e tratar qual é o prejuízo emocional que levou à situação de fuga da responsabilidade.

Escondeu para não levar bronca

Na semana passada, Caio Ribeiro Pierassi Filho, de 11 anos, mentiu para a professora para se livrar de uma bronca. Ele fez uma prova de matemática e tirou nota baixa. A professora pediu para fazer a correção em casa e levar a atividade refeita juntamente com a prova assinada pelos pais. 'Como eu tirei nota baixa não mostrei para minha mãe e levei a prova sem a assinatura dela. Aí a professora perguntou por que eu não tinha mostrado a prova e eu inventei que minha mãe estava viajando. Ela acreditou.'
Mesmo mentindo, Caio não se livrou de mostrar a prova para a mãe. 'A professora falou. 'Tudo bem, você pode trazer na próxima semana'. Não adiantou, tive de mostrar.'

JORNAL DA TARDE – 28/09/2006
NOTAS

Palestra gratuita

No próximo dia 16 de outubro, das 19h às 21h, será realizada a palestra gratuita 'Conversando sobre a morte e o luto na escola'. Podem se inscrever professores e educadores em geral. A palestra será ministrada por psicólogas especialistas em luto. Informações pelo telefone 11-3891-2576 ou no site: www.4estacoes.com

Eleições em debate

A Escola da Vila, unidade Butantã - Rua Barroso Neto, 91- faz hoje, às 19h, uma mesa-redonda com o tema 'O Brasil é tão bom quanto o seu voto?' A intenção é analisar a situação política atual e entender a importância do voto como instrumento democrático de mudanças. outras informações pelo telefone 11- 3726-3578.

Educador social

O Senac São Paulo, a Universidade Presbiteriana Mackenzie e a PUC-SP promovem dia 4 de outubro, na unidade Consolação, o 4º Fórum de Educadores, com o tema 'Educador Social'. A programação do evento conta com três palestras que serão ministradas por representantes das instituições organizadoras. Informações: 11-2189-2100.

Educação a distância

Alunos e professores do curso de Tecnologia e Mídias Digitais da PUC-SP fazem de 3 a 5 de outubro, das 19h30 às 22h, a 3ª Mostra de EAD e o 3º Ciclo de Encontros de Educação a Distância. A idéia é refletir sobre como a educação a distância contribui  para a formação profissional. Informações: 11-3124-7200. 

 

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